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Integridade: o pilar da PahlConsulting

É em abril de 2018 que surge a PahlConsulting, uma ramificação da PahlData, uma empresa que conta já com mais de 30 anos de presença em Portugal nas áreas das tecnologias e das telecomunicações.

Recentemente, a Pahldata, de origem espanhola, sofreu uma profunda reestruturação e foi adquirida por um grupo que viu uma empresa com nome no mercado, com uma base de clientes sólida e um conjunto de certificações que lhe conferem um enorme prestígio.

Direcionada para as grandes empresas e de índole tecnológica, surge a ambição de crescer em termos de valor acrescentado para os seus clientes.

É aqui que surge Cristina Ferreira, Managing Partner da PahlConsulting. Com uma carreira consolidada na área da consultadoria de gestão, e após ter deixado, no final de 2017, a liderança da área de estratégia e de operações de outra empresa, por sentir que a sua missão estava cumprida, surge a proposta a Cristina Ferreira de abraçar o desafio de criar a PahlConsulting. Este projeto surge exatamente num momento da sua vida em que sentia a necessidade de uma mudança.

A PahlConsulting nasce, assim, em abril de 2018, como um braço de consultadoria de gestão da PahlData. Com uma prestação de serviços diversificada, nas áreas de transformação digital, inovação, segurança de informação, incentivos, controlo interno, entre outros, teve um forte crescimento em apenas oito meses. “Começámos com a certeza de que sabíamos o que queríamos e o que não queríamos fazer”, começa por referir Cristina Ferreira.

O objetivo era construir um projeto que fosse para todos e, por isso mesmo, sabia o que não queria numa empresa que iria liderar, bem como queria ter a garantia de que a sua equipa e os acionistas estariam de acordo com a sua visão. “Estava à procura de criar uma empresa com uma visão a médio e longo prazo. É assim que as empresas conseguem alcançar o sucesso”, acrescenta Cristina Ferreira.

Cristina Ferreira explica, ainda, que uma empresa de serviços como a PahlConsulting – que vive das pessoas, das suas competências e know-how -, vende conhecimento, credibilidade e confiança. “Isto significa que não posso olhar apenas para o retorno do acionista. Tenho que ter uma equipa motivada, empenhada e comprometida com o projeto. Tenho de ter clientes que confiam em nós, na nossa capacidade e que é connosco que querem trabalhar”, reforça a nossa entrevistada.

Sendo a PahlConsulting uma empresa que acabou de ser criada e que ainda está a construir o seu caminho e a sua marca, Cristina Ferreira já sabe qual é o seu caminho: criar uma empresa com uma equipa motivada e qualificada, investindo em formações, certificações e com foco em áreas do futuro como a transformação digital e a segurança da informação. “Vivemos num mundo cada vez mais digital. Nunca se produziu tanta informação como agora e nunca as empresas e as pessoas estiveram tão vulneráveis relativamente a questões como a segurança de informação, proteção de dados ou ataques cibernéticos. Estas são, tendencionalmente, áreas de investimento e a PahlConsulting quer estar, claramente, na linha da frente nestas áreas”.

“AQUILO QUE NÃO SERVE PARA MIM TAMBÉM NÃO SERVE PARA OS OUTROS”

A liderança e a gestão feminina nas empresas têm vindo a crescer nos últimos anos em Portugal. No entanto, estudos demonstram que cargos de direção continuam a ser dos homens e que só nas áreas da qualidade e dos recursos humanos é que o comando feminino é mais notado. Relativamente às dificuldades/obstáculos que as mulheres ainda enfrentam durante o seu percurso profissional e tendo em atenção os diferentes estilos de liderança, Cristina Ferreira acredita que o género não faz uma liderança ser melhor ou pior, mas sim os valores e a formação. “Existem pessoas que veem a liderança como um todo e numa perspetiva de conjunto e outras que a encaram como uma projeção pessoal”, diz-nos Cristina Ferreira.

Licenciada em Economia, Cristina Ferreira teve um percurso profissional bastante enriquecedor, contactando com diferentes pessoas que lhe permitiram criar a visão sobre liderança que hoje tem. “Há um princípio que aplico no meu dia a dia: aquilo que não serve para mim também não serve para os outros. A liderança implica tomar decisões difíceis e tomar posições rígidas, mas também implica espírito de equipa e compreensão pelos problemas de cada um e aí talvez o lado maternal que as mulheres detêm, faça alguma diferença. Acima de tudo aquilo que me move do ponto de vista da liderança é a justiça e a construção de algo em equipa”, conclui a nossa entrevistada.

Dizer «eu não quero isto para mim» é um ato de coragem

O que faço? Como o faço? E porque o faço? Estas são algumas das questões às quais Ligia Ramos nos responde. Mas tudo se resume a uma maneira de ser e de estar: Ligia Ramos treina pessoas e equipas para serem a melhor versão delas mesmas.

A trabalhar entre Portugal e Holanda durante algum tempo, Ligia Ramos fixou-se em Amesterdão há cinco anos, o lugar onde encontrou o seu verdadeiro “eu” e onde se sente completamente realizada. Mãe de três filhos e quando chegou a altura de escolher onde é que os seus filhos iriam crescer, a decisão da família foi que seria na Holanda que queriam viver.

A In2motivation já existia na sua vida, mais precisamente há 12 anos quando o seu marido, Peter Koijen, decide fundar a empresa com a intenção de “criar momentos que deem às empresas e aos indivíduos mais liberdade e formas de criar mudanças, escolhas e motivações positivas, num mundo em mudança”.

Na In2motivation, coragem é a palavra de ordem e o foco é o desenvolvimento pessoal e profissional.

Desde 2006 que a In2motivation trabalha em contexto internacional tendo como princípios básicos a experiência, a liberdade e a simplicidade. O foco é criar experiências que promovam em cada pessoa ou equipa a oportunidade de escolher. A In2motivation tem a ambição de que as pessoas sejam autónomas e independentes, e que usem todas as ferramentas entregues e experimentadas durante as sessões de formação para aumentar a escolha individual. “Queremos que sejam elas a escolherem por onde e como querem fazer o seu caminho. Queremos criar autonomia. Este é, para nós, o ponto principal do desenvolvimento pessoal. Queremos que tomem consciência das suas próprias decisões e do que é melhor para si, sem estarem dependentes de algo ou alguém”, afirma Ligia Ramos, salientando que tudo aquilo que fazem, bem como todo o conteúdo que entregam, é sempre transformado numa ferramenta que pode ser utilizada no dia a dia de adultos, jovens ou crianças.

“UM BOM COACH SERÁ BOM EM QUALQUER SITUAÇÃO”

Até há bem pouco tempo o coaching era um conceito pouco falado em Portugal. O que é, para que serve, que transformação provoca nas pessoas, eram as questões mais colocadas. Só agora é que se tem verificado um aumento na procura de sessões individuais e/ou formações em coaching em Portugal.

Contudo, e talvez devido ao seu crescimento significativo, ainda existe alguma confusão ou desconhecimento sobre o que é, efetivamente, coaching. “Às vezes tenho a sensação que ainda se confunde muito o coach com o mentor, ou o psicólogo ou mesmo com o amigo com quem vamos desabafar. O Coaching é a facilitação de um processo, coaching é autonomia”, explica Ligia Ramos.

No entanto, na Holanda esta realidade é um pouco diferente. O coaching é algo ao qual as pessoas recorrem, não só quando têm um problema, mas, muitas vezes, quando querem criar para si próprias uma outra perspetiva, em geral.

Um bom coach não tem uma área onde esteja mais apto para auxiliar do que outras. Um bom coach pode ser eficaz em qualquer área, seja ela profissional, familiar ou pessoal. O coach está focado em reconhecer padrões e em promover alterações de padrões que possam facilitar o coachee a ir do ponto A para o ponto B, levar a pessoa de onde ela está para onde ela quer ir. “Um bom coach será bom em qualquer área na vida de um individuo ou equipa”, afirma a nossa entrevistada.

O “BICHINHO” PELAS PESSOAS

Esta forma de estar e de ser, esta vontade de ajudar os outros é algo que tomou o seu rumo naturalmente. Sendo licenciada em Filosofia e tendo exercido a carreira de docente, Ligia Ramos desde cedo que conseguia ver para além da pessoa que estava à sua frente, conseguia ver o seu potencial. “O «bichinho» pelas pessoas e a vontade de as querer conhecer e perceber já cá está há muito tempo. As áreas de psicologia e de filosofia sempre despertaram o interesse em mim e, mais tarde, quando trabalhei na área dos recursos humanos, a motivação pelos processos de desenvolvimento aumentou”, explica a nossa entrevistada.

Ligia queria saber qual era o talento de cada uma das pessoas com quem trabalhava e desenvolver o seu potencial. “Quero acreditar que posso contribuir para melhorar e auxiliar o percurso das pessoas. Isso é o que me faz feliz”, diz-nos. “Toda a gente tem um talento, muitas vezes temos que facilitar a descoberta desse talento e como ele pode ser vivido todos os dias. Existe duas perguntas essenciais e que exigem muita coragem: Estou a fazer o que quero estar a fazer? E, o que quero estar a fazer? Não deixando, claro, de também ser capaz de dizer, com a mesma firmeza e sem culpas: “isto eu não quero”, conclui Ligia Ramos.

“As dificuldades devem impelir-nos à ação”

A Associação Ser Contigo é muito recente. No entanto, já captou muito interesse por parte da comunidade, talvez pelo seu propósito…

A Ser Contigo é uma associação de intervenção socioeducativa que se propõe a desconstruir preconceitos e combater o estigma relativamente à questão da Saúde Mental. Não vai ser fácil, mas as dificuldades devem impelir-nos à ação. Não podemos tolerar que as pessoas com experiência de doença mental sejam consideradas fracas, inúteis ou incapazes. Porque não o são! É preciso mudar mentalidades!

Dora Valério é Fundadora e Vice-Presidente não executiva da Ser Contigo. Em que momento da sua vida surge este desafio?

Este desafio surge numa altura de reflexão sobre a minha identidade e o meu papel na sociedade, bem como sobre os nossos ambientes sociais que são, tantas vezes, promotores da doença mental.

Dora Valério é também Diretora Técnica do Centro Comunitário de Estoi, uma IPSS com 20 anos de existência. O que significa para si estar ao serviço de uma IPSS com duas décadas de trabalho comunitário e numa associação recém-criada?

No que toca ao Centro Comunitário de Estoi, sinto diariamente a responsabilidade de desempenhar um trabalho que faça a diferença na vida dos utentes. Trata-se de um trabalho que só se pode fazer com amor, apesar de o amor ter em cima de si um estigma quase tão grande como a doença mental. Ninguém fala de amor no trabalho, parece anti profissional. É uma conceção triste do profissionalismo! Fala-se de competitividade, competência, currículos profissionais, mas não se fala de amor. Como se, no currículo da profissão e da vida, o amor pudesse estar ausente…

No que concerne à Ser Contigo, a dimensão da minha representatividade é outra, porque tenho uma palavra a dizer na filosofia da associação. Isso faz com que sinta uma responsabilidade acrescida relativamente à maneira como tocamos nas fragilidades do ser humano. Na nossa cultura não estamos habituados a expor as nossas fragilidades. Somos incentivados a escondê-las. Há rostos que, nas redes sociais, se apresentam numa gargalhada permanente. Como se fosse possível e obrigatório estar sempre feliz. Não existem gargalhadas permanentes. E qual é o problema? Nenhum… é preciso apenas deixar cair a aparência de super-heróis e assumirmos a essência humana!

Quem é Dora Valério, líder, profissional e mulher?

Sou uma mulher determinada, a quem a vida deu alguma sabedoria para conseguir transformar problemas em oportunidades. Uma mulher com muitas ideias. Tenho a responsabilidade de ser mãe, mas não me esforço por ser a melhor mãe do mundo! Educo de forma muito persistente as minhas filhas e o meu filho para não tolerarem injustiças e para lutarem pelos seus sonhos. Sou uma líder democrática, próxima das pessoas, gosto de partilhar responsabilidades e de dar abraços.

O número de mulheres em cargos de liderança está a aumentar. No entanto, ainda não é suficiente. Para si, que obstáculos são colocados às mulheres durante o seu percurso profissional? Esta é uma realidade para si?

A questão da desigualdade de género preocupa-me, pois ainda que esta realidade injusta tenha vindo a ser alterada, existe um caminho por fazer. Um exemplo: há dias ouvi uma conversa em que um pai tentava convencer o seu filho a não se divorciar, porque “se te separares, quem é que te vai passar a roupa e fazer a comida?”. Fiquei sem saber se havia de lamentar mais o facto de o filho ser rotulado como incapaz para as lides domésticas, se o facto de as lides domésticas serem as únicas competências reconhecidas à nora!

Ao fazer uma retrospetiva, encontro situações em que senti essa discriminação, curiosamente nunca em contexto profissional. Recordo-me de na minha infância me tentarem dissuadir de jogar à bola, pois não era coisa de meninas. Na adolescência, lembro-me de só poder sair à noite se o meu irmão também saísse. Na idade adulta, lembro-me de um evento no qual estive com o meu marido e no qual ele foi apresentado de acordo com o seu grau académico e eu como a “esposa de…”. Nunca aceitei essas prisões! Talvez por isso, nas minhas histórias, as protagonistas sejam sempre mulheres!

O facto de haver cada vez mais mulheres a ocupar cargos de prestígio é um bom indicador! Não obstante, continuar a educar os mais novos para a igualdade (leia-se equidade) é essencial e, nesse aspeto, temos um grande poder, pois ainda somos nós, mulheres, as principais educadoras das nossas filhas e dos nossos filhos.

“Não é só trabalhar, é acreditar no que fazemos”

A Cooltra é uma empresa especializada no aluguer de motas e mobilidade sustentável. Fale-nos um pouco sobre a empresa.

A Cooltra é uma empresa nascida em Barcelona no ano de 2006 com o objetivo de fornecer soluções de mobilidade para empresas, indivíduos e instituições públicas.

Há uns anos atrás, a Cooltra lançou duas novas empresas dentro do grupo: a eCooltra, empresa de scooters elétricas para utilização por minutos, que atualmente podemos encontrar em Lisboa, e a Ecoscooting, empresa de entregas sustentáveis ao domicilio.

Com mais de 15 mil scooters e 700 trabalhadores, a empresa está atualmente presente em seis países (Portugal, Espanha, França, Áustria, Itália e Brasil) e é considerada a líder europeia no seu segmento.

Em Portugal, concretamente, que posição a Cooltra assume atualmente no mercado?

A Cooltra instalou-se em Portugal no ano 2016, com o negócio de aluguer de scooters para turismo na cidade de Lisboa.

Pouco tempo depois, começamos a desenvolver o ramo de negócios B2B, fornecendo frotas de veículos para empresas.

Atualmente, a Cooltra fornece scooters elétricas a empresas como a Domino’s Pizza, em cinco cidades do país.

A evolução do negócio no país é contínua e exponencial, sendo um dos mercados de maior sucesso para a empresa de duas rodas.

A mobilidade elétrica e a sustentabilidade são, sem dúvida, o foco da Cooltra. A eCooltra e EcoScooting são os primeiros dos muitos projetos neste sentido?

A Cooltra lançou as empresas eCooltra e Ecoscooting como um desafio interno voltado para uma nova mobilidade.

Ambas as marcas, uma focada no consumidor final e a outra nas empresas, cumprem as premissas de: mobilidade elétrica, sustentável e conectividade.

A Cooltra está atualmente a consolidar estas linhas de negócios nas cidades em que opera, mas é claro que haverá mais projetos de diferente índole, todos de carácter sustentável.

 

 

Almudena del Mar Muñoz Corredor foi nomeada PR & Communications Manager do Grupo Cooltra para Portugal, Espanha, França e Itália. Em que momento da sua vida surge este desafio? Como o encarou?

Juntar-me à família Cooltra foi um desafio que apareceu no meu caminho num momento em que eu estava com vontade de mudança.

Tinha trabalhado na gestão de projetos de mobilidade, comunidade e sustentabilidade, e quando me falaram na ideia, foi como amor à primeira vista.

Na Cooltra têm como principal objetivo alterar a ideia que temos de mobilidade e eu quis juntar-me ao projeto e pôr nele o meu cunho pessoal.

Almudena del Mar Muñoz Corredor é apaixonada pela inovação, pelas tendências tecnológicas, mas também pela cultura empresarial. Que verdadeiros desafios acarreta uma posição de liderança e de gestão de pessoas?

Acho importante mencionar que tem havido uma mudança de mentalidade empresarial nos últimos anos, as pessoas querem trabalhar em ambientes dinâmicos, em empresas com projetos apaixonantes e queremos trabalhar todos os dias para aprender algo novo.

Não é só trabalhar, é acreditar no que fazemos.

Nesse sentido, toda a mentalidade e maneira de fazer as coisas mudou muito, as hierarquias tendem a desaparecer, as barreiras caem, as equipas são cada vez mais multidisciplinares para assim poder partilhar conhecimentos e habilidades, as formas de comunicarmos mudam, agora existem cada vez mais e mais ferramentas para nos conectarmos e para que as relações seja mais próximas, e até mesmo, a disposição de como estamos sentados num escritório.

Todos esses pontos interferem muito sobre a gestão do trabalho e penso, portanto, que é essencial, quando se trabalha em equipa.

Tem a seu cargo a liderança da estratégia de comunicação da empresa e a afirmação do posicionamento das três marcas do grupo – Cooltra, eCooltra e EcoScooting. Paralelamente à complexidade deste cargo, o facto de ser mulher acrescenta-lhe adversidades? A desigualdade de género é uma realidade para si?

Infelizmente, esta é uma pergunta que muitas vezes me perguntam, e tenho certeza de que se fosse um homem, nunca me tinham perguntado.

Existem áreas em que o facto de ser mulher é desvantajoso, criticado ou simplesmente não aceite.

Este não é o meu caso, trabalhar num ambiente tecnológico garantiu-me igualdade perante os meus semelhantes.

Não foi assim quando, por diferentes razões, interagi com pessoas de outros setores, onde encontrei comentários ou gestos ocasionais que não deveriam acontecer nesta altura do século.

Nem a idade nem o género devem ser motivo para julgar nem o trabalho, nem o valor de uma pessoa.

Associação feminina cria formação inovadora que ajuda mulheres a criar e a gerir os seus negócios

Ana Cláudia Vaz, ex-manequim e atual Presidente Executiva, reuniu um grupo de mentoras, cada uma especialista numa área, e em conjunto desenvolveram esta formação, inspirada em fatores reais e pensada estrategicamente para diminuir o medo de falhar.

Biz-School: Faz a tua Empresa Acontecer, promete ser dinâmica e intensiva, tal e qual como é na realidade gerir um negócio. Conforme os resultados da pesquisa de mercado, realizada pela AASM, 67% das Mulheres em Portugal, nunca chega a realizar o sonho de ter um negócio próprio, por ter medo de falhar.

Seguem-se depois outras razões, como a falta de apoio, motivação e alguns incentivos. Passam 20 anos, e só depois de adquirir uma certa maturidade e experiência, é que a Mulher volta a pegar nesse sonho que deixou para trás.

As 33% que se lança na aventura, acaba por cometer muitos erros e desistir nos primeiros 3 anos, ou nunca vê o seu negocio desenvolver, principalmente por falta de (in)formação.

É aqui que a ASM BIZ-SCHOOL pretende fazer a diferença. O programa tem 8 semanas, 6 módulos, 7 mentoras, um grupo exclusivo de apoio e entrega de certificados presencialmente. Mistura o on-line, e as vantagens de poder fazer ao seu ritmo, em casa, com o mentoring e o aconselhamento personalizado.

Os módulos estão interligados, e criam entre si uma corrente positiva com resultados, inspirados nas principais habilidades a desenvolver na empreendedora.

Adequado a Aspirantes a empresárias, as que têm muitas ideias e não sabem como se organizar, Start ups prontas a crescer, e as Empreendedoras Imigrantes que desejem abrir uma empresa em Portugal.

O que vão aprender?

Análise & Estratégia de negócio | Criação de uma marca (branding) | Técnicas de marketing | Vendas Inteligentes | Perfil da Empreendedora | Principais Obrigações legais | Networking | e como bónus, testemunhos reais de empreendedoras que vieram de longe e começaram um negócio em Portugal.

A aluna tem todo o acompanhamento durante as semanas do programa, e ainda, a possibilidade de fazer parte de uma rede (associação sem fins lucrativos) internacional de confiança, que lutará pelos seus sonhos. Nunca mais estará sozinha!

Para as empreendedoras imigrantes que sonham com uma vida nova, sejam muito bem-vindas! Esta é a melhor formação no mercado de confiança, para conhecer o cliente português, as leis, diminuindo o esforço psicológico e financeiro, que muitas acabam por enfrentar.

Para mais informações é só consultar o site: http://www.adorosermulher.com/biz-school

“Promovemos a igualdade, a inclusão, a diversidade”

O Presidente do Grupo, Carlos Aquino afirma: “a diferença entre o possível e o impossível está na nossa força de vontade”. E a segunda geração da Aquinos Group, Diana Aquino acrescenta: “a partir daqui é continuar a crescer”.

Diana Aquino cresceu com a empresa e viu a expansão da marca a acontecer. Os seus tempos livre em criança, diz-nos, foi na “Casa de Pedra”, local onde, em 1985, o Grupo Aquinos surge pelas mãos dos três irmãos – Jorge, António e Carlos Aquino – que realizam o seu sonho e fazem nascer a empresa Estofos Aquinos.

“Cresci a ver as pessoas a estofar, costurar e a fazer o corte de pele. Saltar em cima da espuma era o meu recreio e o do meu primo”, diz-nos Diana Aquino, acrescentando que sempre estiveram muito envolvidos na empresa.

A “Casa de Pedra” foi o ponto de partida para o império que hoje é o Grupo Aquinos. É em Sinde, uma antiga freguesia do concelho de Tábua, distrito de Coimbra, que o que começou com uma pequena unidade fabril familiar, rapidamente se transformou num império no mercado global. Hoje, com três unidades fabris em Portugal e uma em França, o Grupo Aquinos emprega cerca de três mil colaboradores e é fornecedor de grandes cadeias de retalho como a Conforama, El Corte Inglês, La Redoute, Alínea, Maisons du Monde, o Ikea e mais recentemente a Kinda Home.

“O nosso ponto forte é o design, o conforto e a capacidade de dar uma resposta rápida aos nossos clientes”, começa por nos dizer Diana Aquino. “Temos uma forte flexibilidade e facilidade em mudar características nos produtos e rapidamente colocá-los na produção de acordo com os pedidos dos clientes. Diferenciamo-nos por estes níveis, pela qualidade que incutimos nos nossos processos e nos nossos produtos. Acrescentamos valor a produtos que fabricamos aos milhares de unidades por dia”, afirma a nossa entrevistada, acrescentando que o Grupo Aquinos tem procurado entrar no mercado de classe média e média-alta. “O consumidor final está mais exigente e pede produtos diferentes ou exclusivos e com design díspar”.

35 ANOS DE ARTE

Em 1994 é fundada a Eurotábua dedicada ao corte e transformação de madeira para a estrutura dos sofás, sommiers e cabeceiras

Em 2000 dá-se o grande ponto de viragem com a entrada das grandes cadeias de retalho. O Grupo Aquinos sente a necessidade de se expandir, reestruturando o edifício para ficar com capacidade de albergar o fabrico de estruturas de madeira de sofás e a seção de corte e costura. Com uma gestão vertical – quase toda a produção é de responsabilidade da empresa –, em 2009 é construído o terceiro pólo direcionado para a montagem de sofás. Em meados da década de 2000 é ainda adquirida a marca Clímax, hoje Novaqui. Esta unidade de fabrico de colchões, também tem vindo a ser expandida ao longo do tempo.

Sendo a integração vertical o processo de agregação de dois ou mais elos de uma cadeia de valor, esta gestão do Grupo Aquinos acarreta mais-valias como a flexibilidade para definir volumes de produção. A integração vertical pode ajudar as empresas a reduzir custos e otimizar tempo, acrescentando valor e rentabilidade.

“A nossa história passa pela verticalização de algumas das matérias-primas mais importantes na nossa cadeia de valor e em 2014 decidimos iniciar o projeto de produção e transformação de espuma de poliuretano para sofás e colchões, o que exigiu da nossa parte novos conhecimentos, segurança e know-how por se tratar de produção química, a qual não era a nossa área. Foi uma aprendizagem para nós”, elucida-nos Diana Aquino. Em 2014, também se iniciou a produção de sofás na nova unidade em Nelas.

“Nunca estamos parados a nível de projetos”, afirma a nossa entrevistada que nos explica que o Grupo Aquinos dedica-se, igualmente, à produção de fibra de poliéster, produção de molas e transformação de cartão.

Em 2016 o Grupo Aquinos adquire uma unidade fabril em França e em 2017 inicia a criação das suas próprias marcas, apresentadas na Feira Internacional EspritMueble Paris, onde ganhou o grande prémio de Melhor Stand:

– Aquinos Collection é a mais recente marca de lifestyle no mundo dos sofás. Posicionando-se no segmento do luxo acessível, a marca do Grupo Aquinos, pretende democratizar o acesso a produtos onde, até agora, a exclusividade imperava;

– Ednis de colchões com um nível de aceitação bastante positiva em França;

– Lecalit e Gruhier Paris, marcas de origem francesa de colchões, sofabeds e de mecanismos de clique-claque.

Também no ano de 2017, a unidade de Carregal do Sal começou a afirmar-se como um dos grandes pólos de produção, tendo hoje em dia capacidade para produzir cerca de 1000 sofás por dia.

A estes polos de produção, junta-se o Centro de Inovação e Desenvolvimento, que integra áreas de design, inovação, desenvolvimento, engenharia de processo e melhoria contínua, bem como um auditório com capacidade para 250 pessoas, cujo objetivo é promover formações e palestras.

FOCO NA RESPONSABILIADE SOCIAL

Depois de se formar e de passar pela área do grande retalho, Diana Aquino inicia o seu percurso no Grupo Aquinos em 2010. Iniciando funções na área da contabilidade, Diana Aquino foi crescendo e passando pelas áreas de contabilidade analítica, planeamento e direção, com a abertura da fábrica de espuma, tendo hoje um cargo na Administração juntamente com o seu primo, Flávio Aquino, e com os três sócios fundadores do grupo

“Este era o percurso natural para mim, vir trabalhar para o Grupo Aquinos”, explica. “Já tinha definido o meu caminho por volta dos meus 11 anos. Licenciar-me em economia, trabalhar numa marca do grande retalho e depois integrar-me na fábrica. Não apareceu nada que me fizesse mudar de ideias”, acrescenta.

Fazendo parte da segunda geração, Diana Aquino compreende que o peso da responsabilidade é cada vez maior para dar continuidade ao trabalho que tem vindo a ser feito, tanto a nível de negócio como de responsabilidade social, um dos focos do grupo.

“Temos 2800 colaboradores só em Portugal. Somos o maior empregador privado da região Centro e há muitas famílias que dependem da Aquinos”, explica-nos. Por isso mesmo, o Grupo Aquinos tem vindo a abraçar vários projetos de Responsabilidade Social. “O Aquinos Academy, Aquinos We Care e visitas escolares são alguns dos nossos projetos. Temos o cartão Mais Aquinos que possibilita aos nossos colaboradores ter descontos e benefícios nos mais diferentes estabelecimentos. Decidimos também contribuir com sofás, colchões, etc, naquilo que foi o grande movimento de ajuda humanitária depois dos incêndios de Outubro 2017, os quais “bateram-nos” aqui à porta. Atualmente estamos com um projeto em mãos, o Be Aquinos, direcionado para estágios profissionais para recém-licenciados”, elucida-nos Diana Aquino.

“Trata-se de uma empresa familiar, mas multinacional. Todas as empresas já são grandes empresas. Nos últimos 15 anos tivemos um crescimento de volume de negócios sempre à volta de dois dígitos. A partir daqui é continuar a crescer”, afirma.

MULHERES NA INDÚSTRIA

Hoje cada vez mais mulheres ocupam cargos de direção e de liderança. No entanto, a sociedade ainda limita a mulher que tem de conseguir conciliar a vida profissional com a vida pessoal. É fácil ser-se mulher de negócios, líder, trabalhar para uma carreira profissional de sucesso ao mesmo tempo que se é mãe, esposa, dona de casa, entre outros aspetos? Sendo mulher, os desafios ainda são maiores? Já enfrentou obstáculos pelo facto de ser mulher? Colocámos estas questões a Diana Aquino e as respostas foram bastante positivas.

Diana Aquino não enfrentou quaisquer desafios, mas considera que quando se fala em obstáculos ou desafios para mulheres em cargos de gestão de topo, os mesmos se prendem com as ideias pré-concebidas da sociedade em relação à mulher: a mulher tem de ter dois papéis distintos, o de mulher e mãe, e o de profissional e é difícil conseguir estar a 100% em ambas as situações. “Felizmente, penso que hoje em dia essa ideia já está a esbater-se. A mulher não precisa de abdicar de um dos lados para ser melhor num dos papéis. Esse é que é o grande desafio: mostrar que somos capazes, que não podemos ter medo dos obstáculos e que não podemos desistir face às adversidades”, alerta Diana Aquino.

Quanto ao seu papel enquanto líder, afirma que tem um estilo de liderança diferente. Sabe que os estilos dependem muito da experiência de vida e da envolvência que se tem com as pessoas no dia-a-dia. “Crescemos com as pessoas. Tenho de ser flexível e adaptar-me a cada situação”, realça.

Por sua vez, quanto ao papel da mulher no mercado de trabalho, Diana Aquino sente que as mulheres têm uma aptidão natural para liderar em ambientes industriais e fabris, “acho que faz parte da nossa biologia, do nosso ADN”.

O Grupo Aquinos não é exceção: “temos presenciado isso. A maior parte das chefias intermédias e quadros são do sexo masculino, por isso decidimos fazer uma experiência piloto e tentar aumentar a percentagem de mulheres em chefias intermédias e quadros, com base no desempenho, avaliação e disponibilidade da pessoa. E tem dado resultado. Não se trata aqui de valorizar o sexo feminino em detrimento do sexo masculino. Trata-se de promover a diversidade, a inclusão e a igualdade”.

“A adaptação a Portugal tem sido um trabalho muito intenso”

A Mercadona é líder no segmento de supermercados em Espanha. Que razões levaram a Mercadona a alcançar esta posição no mercado?

A Mercadona tem um Modelo de gestão próprio, muito bem definido, conhecido por todos os colaboradores, que nos permite estar todos orientados no mesmo sentido: satisfazer as necessidades dos nossos “Chefes”, como chamamos aos nossos clientes. É o Modelo de Qualidade Total, composto por cinco componentes, onde em primeiro lugar está o Chefe, que é como chamamos internamente ao cliente. Depois está o Colaborador, o Fornecedor, a Sociedade e, finalmente, o Capital. São todos igualmente importantes, mas com uma ordem sequencial, estando muito focados no Chefe, ou seja, no cliente.

Outro aspeto que nos caracteriza é o facto de na Mercadona seguirmos uma lógica inversa: primeiro perguntamos ao cliente que produto gostaria de ter e depois avançamos para a produção. O cliente é que nos diz o que devemos fazer, e é também por isso que lhe chamamos “Chefe”. Assim, envolvemo-lo no processo de inovação, e trabalhamos diretamente com os interfornecedores e fornecedores especialistas para introduzir novos produtos e melhorias nos produtos já existentes. É devido a este modelo circular, conhecido como Modelo de Coinovação, que os produtos comercializados pela Mercadona são desenhados à medida do “Chefe”, o que faz com que tenham mais s
ucesso e, portanto, fiquem mais tempo no mercado. De acordo com o estudo “O Valor da Inovação Conjunta” (entre a Mercadona e os seus interfornecedores), realizado pelo Institut Cerdà, a taxa de sucesso dos novos produtos lançados pela Mercadona é de 82%, enquanto a média do  é de 24% (dados de Nielsen).

Faz parte da estratégia comercial da Mercadona apelar ao consumo responsável? De que forma?

O consumo responsável está inerente à estratégia da Mercadona. São várias as políticas que adotamos nesse sentido: desde medidas contra o desperdício alimentar, pesca sustentável, projetos de colaboração com o setor primário, identificação dos nossos fornecedores nos rótulos de todos os nossos produtos (inclusive na marca própria), ampla gama de produtos sem glúten, entre tantas outras medidas. Queremos que os nossos clientes sejam conscientes e façam compras responsáveis, para isso desenvolvemos estas políticas, para garantir que qualquer produto que seja comprado na Mercadona não tenha comprometido nem prejudicado, nenhum elo da sua cadeia de produção.

O que é o consumo responsável e porque é importante, nos dias de hoje, a sua promoção?

O consumo responsável, de forma muito sucinta, trata-se de consumir produtos que no decurso de toda a sua produção e comercialização, foram respeitados todos os componentes da Cadeia Agroalimentar: matéria prima, setor primário, indústria, distribuição e consumidores, assim como os trabalhadores envolvidos, o meio ambiente, entre outros.

É muito importante que todos os consumidores percebam que o produto que está na prateleira do supermercado, tem todo um processo para trás que envolveu pessoas, fábricas, matérias primas. Não podemos olhar para o produto e dar-lhe valor apenas pelo preço que está na etiqueta. Existe toda uma cadeia de valor desde a matéria prima até ao produto final colocado na prateleira que necessita de ser respeitada e à qual se deve dar o devido valor.

Na Mercadona optámos por não fazer promoções e desenvolver a estratégia Sempre Preços Baixos (SPB), que nos permite ter preços constantes garantindo sempre a máxima qualidade. O SPB permite-nos dar maior estabilidade à cadeia agroalimentar, sem as tensões que provocam as promoções, o que também faz com que o desperdiço seja inferior. Permite também que estes fornecedores possam ter margens para os seus investimentos e possam produzir produtos com a máxima qualidade respeitando todos os intervenientes do processo de fabrico, permitindo ainda, que se foquem na inovação.

Por tudo isto somos da opinião que o consumo responsável deve ser promovido, para que todos sejamos conscientes do que envolve o trabalho conjunto de toda a Cadeia Agroalimentar e lhe demos o seu devido valor.

Desde que anunciou a entrada em Portugal, a premissa da Mercadona tem sido “em Portugal, queremos ser portugueses”. Como está a ser feita esta preparação da loja eficiente que a Mercadona vai trazer para Portugal?

A preparação das lojas tem corrido muito bem. Vamos implementar o nosso Novo Modelo de Loja Eficiente, o mesmo que tem sido implementado em Espanha desde 2016 e que continuamos a implementar. Na construção das lojas temos desenvolvido projetos muito interessantes de Responsabilidade Social da Empresa. Temos os exemplos do Canidelo, em Vila Nova de Gaia, onde, em colaboração com a Câmara Municipal de V. N. Gaia e da Junta de Freguesia do Canidelo, conseguimos proporcionar um novo estádio e todas as condições favoráveis à prática desportiva do Sport Clube do Canidelo, no qual cerca de 350 crianças desenvolvem as suas competências desportivas.

Noutra vertente de Responsabilidade Social, a recuperação do património arquitectónico, conseguimos devolver a Matosinhos, o edifício da Antiga Fábrica de Conservas Vasco da Gama, um edifício que se encontrava devoluto e que ganha uma nova vida. Neste edifício, preservamos a fachada principal, onde está o brasão original da conserveira, e a característica chaminé desta fábrica, que foram alvo de uma intervenção. São estes projetos que nos enchem de orgulho e que no próximo ano, quando abrirmos as nossas lojas, queremos que todos os portugueses partilhem este mesmo sentimento connosco.

Passados mais de dois anos desde o anúncio da internacionalização para Portugal, a empresa anunciou a abertura de oito a dez supermercados no próximo ano, indo além do objetivo inicial das quatro lojas, anunciado em 2016. Que fatores contribuíram para esta decisão?

Efetivamente vamos abrir dez lojas no segundo semestre de 2019, nos distritos do Porto, Braga e Aveiro. Chegou o momento em que nos apercebemos que o projeto estava a ser muito bem aceite pelos portugueses e por isso, fruto do progresso alcançado desde que comunicámos a nossa entrada em Portugal, há dois anos, que se deve, em grande parte, à aprendizagem do funcionamento do mercado português e também ao compromisso da equipa da Mercadona, que decidimos dar um passo maior e abrir dez lojas já em 2019.

Desde junho de 2016, quando anunciámos a nossa internacionalização para Portugal, dedicámo-nos a estudar o mercado e os consumidores portugueses para nos podermos adaptar a uma realidade que era nova para nós.

Como exemplo disso, temos o nosso Centro de Coinovação, que opera em Matosinhos desde setembro de 2017, onde as nossas equipas de Prescrição estudam detalhadamente os gostos e hábitos de consumo do Chefe Português (como a Mercadona chama aos clientes).

Elena Aldana é Head of European Affairs & External Relations na Mercadona em Portugal. Que desafios acarreta um cargo desta complexidade, profissional e pessoalmente?

Acarreta muitos desafios, pois é uma grande responsabilidade. Em conjunto com o Departamento de Obras e Expansão, fomos os primeiros a vir para Portugal e fui a primeira a viver cá – digamos que fui a “ponta de lança”. Na época, tivemos de desenvolver tudo desde zero: conhecer a Sociedade portuguesa, as instituições, os meios de comunicação, mas também ajudar os diferentes departamentos que precisavam de informação. A adaptação a Portugal tem sido um trabalho muito intenso e profundo, tudo isto porque na Mercadona somos conscientes de que devemos ser humildes e aprender antes de avançar. Agora podemos ver a luz, já estamos perto da abertura das primeiras lojas em Portugal e temos todos uma enorme vontade de que chegue o grande dia.

Em Bruxelas, estou no Board da EuroCommerce e também na ERRT: associações da Distribuição a nível europeu. É uma honra representar a Mercadona a nível europeu e acarreta também uma grande responsabilidade. Ainda não há muitas mulheres a ocupar estes postos mas esperemos que isso aconteça num futuro próximo.

Existem cada vez mais mulheres a liderar empresas em Portugal, no entanto, apesar dos progressos conquistados nos últimos anos, Portugal ainda está longe da paridade de géneros. A Elena Aldana passou por obstáculos relacionados com a desigualdade de género?

Considero que, infelizmente, no percurso profissional todas tivemos alguma experiência deste tipo. Por vezes temos a sensação de que as mulheres, em geral, necessitam de demonstrar muito mais para conseguir chegar ao mesmo lugar do que um homem. Infelizmente, quando as mulheres defendem os seus direitos, parece que estão contra os homens e não tem nada a ver. Dou imenso valor aos profissionais, sejam homens ou mulheres, no entanto as mulheres representam 50% da população mundial e ainda (em 2018) não estão em igualdade de condições.

Afirma-se que existem diferenças, vantagens e perspetivas que aportam as mulheres em posições de liderança, trazendo ganhos efetivos às organizações. Concorda? Que características são fundamentais para se ser um bom líder?

Concordo totalmente. Quando temos uma equipa diversificada em termos de género, idade, cultura, entre outros, quem ganha é a própria empresa, porque consegue ter um espectro mais amplo, ao estudar como avançar ou desenvolver determinadas estratégias.

Considero que um bom líder deve ser acessível, saber escutar, ser uma referência e o primeiro a dar o exemplo, mas também deve visualizar e prever possíveis problemas que possam surgir. Por outra parte, falamos sempre de “bons líderes” mas não de «bons colaboradores» e isto também deveria ser analisado: proatividade, responsabilidade e respeito, devem ser características nas duas direções. É assim que funciona uma boa equipa.

“O capacete, as botas e o colete nunca me intimidaram”

Engenharia civil não era a sua área de eleição, mas as boas notas a matemática fizeram-na escolher o caminho da engenharia. “Entrei na faculdade completamente às escuras, sem saber para o que ia. Depois, com o decorrer do tempo fui-me apaixonando pela área. Quando terminei o gosto foi ainda maior. Tudo o que era teórico ficou para trás e passei a conhecer, a sentir as coisas e a lidar com as pessoas”.

Lurdes Neves trabalha em direção de obra há quase 16 anos e passando por várias empresas. Sair do país, apesar dos tempos conturbados que passou, nunca foi uma opção porque acredita que o país precisa de pessoas com garra e que queiram fazer o que fazem bem por cá. A teimosia em ficar levou-a a ter de se deslocar para Trás-os-Montes e até em Lisboa morou.

Chegou a criar a sua própria empresa mas por culpa da crise socioeconómica que Portugal sofreu acabou por vendê-la. Olhar para trás também não foi opção e recorda essa decisão como “a melhor medida a ser tomada na época”. Depois, voltou ao mercado que já conhecia tão bem.

“Ser mulher nunca foi um problema. Adoro ir para a obra”

“A maioria das mulheres que tiraram o curso na mesma altura que eu foram trabalhar para gabinete, fiscalização ou projeto mas eu sempre soube que queria estar no terreno porque é lá que a ação acontece, é lá que estou próxima das pessoas”.

“O capacete, as botas e o colete nunca me intimidaram para mim o importante é colocar a mão na massa, sentir as pessoas e com elas aprender e ver o trabalho desenvolvido na prática. Sempre gostei de aprender com os trabalhadores, quando saímos da faculdade não sabemos nada de prática e é no terreno que crescemos”, declara.

Soube que uma postura humilde lhe traria os melhores frutos e por isso perguntas do género “como é que acha que se faz?” ou pedidos “ensine-me, por favor” seriam a chave para que as pessoas confiassem e se abrissem.

“Depois destes anos todos, é muito gratificante perceber a empatia que consegui criar com todas as pessoas com que trabalhei em obra. Cada pessoa é uma cabeça, uma família e que tem os seus próprios problemas e isso tem de ser tido em conta.

Ao sermos compreensivos recebemos respostas muito positivas. Trabalhar em obra é dar muito e receber também. Igualar as pessoas é muito importante e uma forma de conseguir resultados positivos”.

Bom senso e espírito de humanidade são as características que a nossa interlocutora elege como fundamentais para se trabalhar na área “os trabalhadores é que fazem de nós bons ou maus profissionais, o relacionamento interpessoal não pode ser descurado”.

O que mais gosta no seu trabalho?

“Gosto muito de fazer direção de obra, de ser acompanhada, valorizada, fico muito mais entusiasmada quando sinto o reconhecimento pelo meu trabalho, como qualquer pessoa. Para mim, o gabinete serve para pôr a papelada em ordem e, por isso, o terreno é a minha grande paixão. Nestes anos aprendi a lidar com conflitos e a valorizar as pessoas no momento certo. Por norma, os trabalhadores sentem um sentimento de inferioridade e para mim isso não faz qualquer sentido. Não custa nada cumprimentar as pessoas, saber o nome das delas, afinal, todos, formamos uma equipa e ter outra atitude que não esta é completamente errado”.

Que conselho poderia dar a uma jovem engenheira civil que esteja a começar carreira?

“Muita dedicação e trabalho. Em qualquer profissão, só seremos boas profissionais se praticarmos muito. O Cristiano Ronaldo é um ótimo exemplo disso mesmo. Dedicação e trabalho são a chave para o sucesso. É como se diz ‘enquanto os outros dormirem, estuda ou trabalha para poderes ser melhor’. Estamos numa fase complicada quer para engenheiros experientes, quer para recém-licenciados. Se por um lado, os com mais experiência são mais caros, os recém-licenciados precisam de experiência. São financeiramente mais apetecíveis, no entanto a falta de experiência não ajuda na garantia da boa execução dos trabalhos”.

Driada é a primeira marca premium da Promol, a conceituda fábrica de velas

A Promol foi fundada em 1976 por empresários caldenses, mas durou pouco tempo em mãos portugueses. Dois anos depois foi comprada por dois investidores alemães que mudaram a pequena unidade de produção de velas para a Zona Industrial das Caldas, onde construíram uma fábrica de dez mil metros quadrados.

A década de oitenta foi de permanente crescimento, com o grupo alemão Aldi (praticamente o único cliente da empresa) a assegurar o escoamento de toda a produção. Hoje, a Promol ganha novo lanço e já é autónoma na escolha dos seus mercados.

Teresa Cruz chegou à empresa em 2009, com um percurso marcado pela área financeira, entrou na Promol para dirigir o departamento financeiro e o de recursos humanos também.

“Licencie-me em Gestão de Empresas no ISCTE e terminei o curso em 2002, na altura decidi que queria começar a minha carreira em auditoria. Comecei pela KPMG (uma rede global de firmas profissionais que prestam serviços de auditoria, fiscalidade e consultoria) e depois abracei um projeto enquanto assistant controller na área da hotelaria. Segui o percurso normal de quem se forma como financeira. Em 2009 cheguei à Promol onde dei o meu primeiro grande salto. Fui contratada para a área financeira, uma área que já dominava mas a par veio um outro grande desafio: fiquei responsável também pela área de recursos humanos”. Levada sempre pelo espírito de aceitar sempre um desafio, mesmo quando não fazia ideia do que se iria passar, arregaçou as mangas e já lá vão quase dez anos.

A parte financeira e a de recursos humanos podem ser áreas que colidem entre si. Como é que se contorna esta gestão?

Apesar de a parte dos recursos humanos estar ligada à financeira, através dos processamentos de salários e de recrutamento, a parte de gerir pessoas e emoções não é nada fácil. Tem de existir uma sensibilidade diferente porque são áreas opostas. Uma é sobre números e a outra são emoções.

Há uma história que me ficou na memória, a frase de uma senhora durante uma reunião que eu tinha organizado para me apresentar: “Está preocupada com as pessoas? Então não vai ficar cá muito tempo!”. Esta foi uma situação caricata mas que revelou muito sobre como os colaboradores encaram quem está em cargos de liderança. Acredito que a liderança deve ser exercida de forma a manter as pessoas unidas e não o contrário. Apesar de ser difícil mudar a mentalidade das pessoas para um estilo mais emotivo, aos poucos as coisas tomam o seu rumo. Porém, ao mesmo tempo tem que haver a rigidez de não desviarmos o caminho dos números que têm de ser cumpridos em termos de produção. Encontrar o equilíbrio entre ambas as partes é o mais complicado. As pessoas não são números e há que conhecê-las.

Daquilo que tem observado ao longo dos anos e, dada a sua experiência, de que forma caracteriza as empresas portuguesas em termos de género?

Nunca me senti prejudicada pelo género, pude sempre dar a minha opinião. Quando comecei a trabalhar na Promol éramos liderados por um alemão e cuja cultura considero que está a anos-luz de muitas mentalidades de empresários portugueses. No entanto, hoje sou liderada por um português que mostra uma mentalidade igualmente alargada.

A minha opinião sobre a maior parte do tecido empresarial português é um pouco negativa. Acredito que não existem mais mulheres em cargos de liderança, não por falta de capacidade, mas pelo medo que alguns empresários têm de ser ultrapassados. Uma mulher consegue fazer muitas coisas ao mesmo tempo e eu entendo que isso possa ser assustador. Porém, se a mulher estiver convicta daquilo que vale nada a para. E para uma mulher ter essa certeza tem de parar e pensar.

Depois existe a questão de quando se alcança a liderança, a sociedade tende a obrigar a mulher a ser um pouco agressiva para impor o seu espírito de liderança. Elas têm que mostrar o dobro do que eles mostram, a parte familiar é muitas vezes um problema – o que é completamente inaceitável – ou seja, existem várias situações em que as mulheres são pressionadas e isso resulta numa progressão de carreira vedada.

Como é pertencer a uma empresa de produção de velas com uma dimensão europeia?

Já trabalhei com americanos, espanhóis e mais recentemente com nórdicos. E todos são diferentes entre si. Os prazos ou são muito bem cumpridos ou não são. No entanto, os portugueses são encarados como um dos povos com mais capacidade de trabalho e eu concordo inteiramente. Somos os mestres do desenrasque. Se tivermos de entregar uma encomenda à última da hora, as pessoas são extremamente flexíveis e dispostas. De forma geral, somos muito trabalhadores e por isso a nossa relação, seja com que país for, é sempre uma boa experiência.

A Promol lançou uma nova marca premium, a Driada, e convidou-a a ser responsável. Como está a ser este desafio?

Este desafio fez-me sair da minha zona de conforto, que é algo que eu adoro. A Driada está ser desafiante porque ser responsável pela marca é sobretudo lidar com a área comercial, área com a qual nunca tinha lidado.

A Promol teve recentemente autorização para procurar os seus próprios mercados e então decidimos aproveitar e realizar uma reformulação em toda a empresa.

Lançámos então a marca premium Driada, destinada a um segmento de mercado de luxo, uma segunda marca a 5ense destinada ao grande consumo e a Promol Candle que se submete a gerir uma loja que serve para representar coleções anteriores que pretendemos escoar para o mercado nacional. A lógica é lançar um produto de uma marca nacional que pertence a um setor muito maduro e onde a inovação é muito pouca. Além disso é um mercado muito pressionado pela China que faz muito e mais barato. No entanto, quem experimenta não volta a comprar porque a qualidade prevalece. O consumidor português já não só à procura do melhor preço.

O consumidor português já não procura só o melhor preço.

“A valência de poder trabalhar e desenvolver o mercado internacional, foi a cereja no topo do bolo”

De onde surgiu a sua paixão pela área imobiliária? E como chegou até à St. James Real Estate?

A área Imobiliária sempre me despertou interesse, no entanto, todas as propostas que tive nesse ramo eram mais do mesmo, nada as diferenciava. Cheguei à St. James exatamente pela diferença, foi como encontrar a casa de sonho, paixão imediata.

A St. James propõe-se a fazer algo que eu enquanto cliente gostaria que me proporcionassem, não perder tempo a encontrar a minha casa de sonho, com honestidade e discrição.

E a valência de poder trabalhar e desenvolver o mercado internacional, foi a cereja no topo do bolo.

“ O tempo não volta para trás, na St James não o fazemos perdê-lo”, este é um dos ideais da empresa. Como é trabalhar num lugar que se pauta pela dedicação máxima e pela assertividade?

Acabo por me repetir, mas efetivamente a ideia de não perder tempo com visitas infindáveis, sem que se perceba exatamente o que o cliente/ investidor pretende, não faz sentido.

Trabalhar num lugar que tem esta capacidade de assertividade e trata o cliente de forma única, é fantástico.

A expressão Personal Home/ Investement Hunter, está muito em voga, mas nem todos tem a capacidade de o fazer bem.

Como é que se define enquanto profissional?

Sempre procurei desafios que me estimulassem e realizassem profissionalmente mas também sentir que acrescento valor à empresa.

Baseio a minha vida quer profissional quer pessoal em valores que são pilares e requisitos para trabalhar ao meu lado: humildade, genuinidade, autenticidade, educação, honestidade e bom senso.

O que é mais aliciante no seu trabalho?

Conseguir exceder as espectativas dos nossos clientes. Quando angario um imóvel já estou a pensar num cliente para ele.

Como é que vê o mercado imobiliário no espaço de dez anos? Que mudanças significativas irão ocorrer?

Não acho possível fazer uma previsão a dez anos.

O mercado é extremamente volátil, porque depende e é influenciado por várias atividades, fluxos económicos e financeiros.

No entanto, nos próximos dois anos acredito que vai continuar o crescimento do , visto Portugal ainda ser um dos países da Europa onde é mais barato comprar casa. O preço médio ronda os 3.830 euros por metro quadrado, de acordo com os dados recolhidos pelo Gabinete de Estudos da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP). O nosso país está a acompanhar a tendência de subida dos preços das casas, mesmo assim ainda ficam muito abaixo de países como Reino Unido, França, Espanha ou Alemanha.

Daí a importância de nos mantermos atentos, e alargar a mercados como o Turco, Nórdico, Russo, Brasileiro e América do Norte.

Partilhe connosco uma história, de âmbito profissional, que a tenha marcado e que até hoje a acompanha.

Aconteceu há pouco tempo, angariar um imóvel e vendê-lo em simultâneo. As duas partes ficaram extremamente satisfeitas, e eu com a certeza de missão cumprida.

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