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Porque Algarve é muito mais do que sol e praias

Raquel Azevedo

Gastronomia, artesanato, cultura e amor por uma região. Como se conjuga tudo isto num só espaço? De que modo esse amor é transmitido nos vossos produtos individualmente?
O projeto foi idealizado para não ser somente um local que oferece produtos regionais/gourmet, mas também um espaço onde os artistas e artesões locais possam expor os seus trabalhos e, desta forma, mostrar a riqueza cultural desta região, que é muito mais do que sol e belas praias. A seleção da gama disponível na loja Algarve Lovers foi fruto de um estudo e de pesquisas muito criteriosas, que tiveram como base e em primeiro lugar a qualidade e a origem, inclusive das matérias-primas, e em segundo lugar algumas lacunas existentes nesta área de negócio.

Refere a presença de artistas e artesãos na Algarve Lovers. Qual tem sido o papel desta vertente artística? Que mais-valias traz à loja?
Esta vertente cumpre um dos objetivos do projeto que é mostrar um pouco da cultura algarvia. Existe ainda a questão do tipo de clientes que este lado artístico traz e pode trazer à loja. Clientes que apreciem cultura e que disfrutem ao adquiri-la, nomeadamente os clientes locais ou residentes na cidade de Faro.
Por outro lado, torna a loja dinâmica, pois o objetivo é ter vários trabalhos expostos, não só na área da pintura, mas em outras áreas, como fotografia, escultura, etc.

O Algarve é claramente o foco deste projeto, contudo não esquecem os produtos tradicionais de outras regiões. O que podemos esperar desta diversidade regional?
Como mencionou, o foco são os produtos regionais algarvios, mas não poderia deixar de ter uma pequena representação de alguns produtos que são ícones do nosso país, como é o caso do vinho do Porto.

A diversidade é também apresentada no tipo de produtos que podemos encontrar na vossa loja, no coração de Faro. Por um lado, mel, compotas, conservas, chás e ervas aromáticas, por outro lado, carteiras e pinturas. O que pode dizer-nos sobre esta variada gama de produtos?
A variedade da gama disponível na loja Algarve Lovers não foi pensada somente para o cliente estrangeiro, mas e também para os visitantes nacionais que procuram conhecer mais desta região e apreciam produtos tanto gastronómicos como culturais.

A Algarve Lovers nasceu no passado dia 7 de novembro. O que motivou a criação deste projeto pelas mãos da própria Raquel Azevedo? Como idealiza o ano de 2016 deste novo espaço?
A minha primeira motivação foi a vontade de “fazer”, de criar algo que pudesse desenvolver, visto que estava desempregada há algum tempo e senti que não podia ficar mais tempo parada, apesar do momento económico não ser o melhor.
Motivou-me o facto de criar um local diferente e que, acredito, pode trazer mais-valias à cidade e ao turismo de Faro.
Não só idealizo como vejo em 2016 a loja Algarve Lovers tornar-se uma referência, não só para os visitantes estrangeiros, mas também para os clientes nacionais e locais.

De que modo este projeto empreendedor mostra à sociedade que é possível ser mulher e estar à frente da sua própria aventura?
É sempre possível ser-se mulher e estar à frente de este ou outro projeto quando se têm algumas valências comercias e de gestão, mas acima de tudo coragem, espírito de iniciativa e de muito trabalho.

A liderança feminina continua, na sua opinião, a ser um percurso com alguns obstáculos? Que conselho deixaria a mulheres que pretendam combater tabus e liderar o próprio destino profissional?
Penso que já houve algumas melhorias a esse nível, mas ainda existe um caminho a percorrer nesse campo.
Como exemplo básico, ainda existem diferenças salariais em alguns setores entre homens e mulheres, como é do conhecimento geral, mas os obstáculos muitas vezes não passam somente pela questão financeira, mas cultural das próprias empresas e de quem as lidera.
Prefiro a palavra sugestão do que propriamente conselho, mas as minhas sugestões são muitos simples: coragem, espirito de iniciativa, organização e muito…muito trabalho.

Para os ‘Algarve Lovers’ que se apaixonem pelos artigos deste espaço, têm sempre a possibilidade de encomendar via Internet, através da página facebook.com/loja.algarvelovers. Quando não vai ao Algarve, o Algarve vem sempre até si!

“Grande parte do meu percurso foi feito no meio das máquinas”

Sofia Vale

A Riler foi criada em 1974 como estamparia têxtil. Em 1985 Amaro do Vale compra a empresa e transforma-a numa tinturaria têxtil. “Dá-se esta alteração para que a Riler pudesse tingir os tecidos de uma outra empresa da família, esta sim fundada exclusivamente pelo meu pai”, explica a atual CEO.

Sofia Vale entra para os negócios da família em 1998 após terminar a sua Licenciatura em gestão. “Em 95, após a perda do meu pai dão-se algumas alterações na estrutura organizacional da sociedade, habituais numa empresa familiar. Eu, sozinha na Riler estou há três anos, mas já estou na direção desde que entrei em 1998”.

 “Está a ser um ano muito bom”

Trabalhar na Riler sempre foi o sonho de Sofia Vale. “O Vale do Ave é, por excelência, a zona do setor têxtil e o meu pai sempre foi industrial nesta área. Portanto, eu cresci neste meio, nesta e na outra empresa do meu pai, mas desde sempre tive um maior fascínio pela Riler.

Vir para cá trabalhar foi, por isso, aquilo que eu sempre quis e foi o que fiz quando acabei a minha Licenciatura. Felizmente agora está a correr bem, nem sempre foi assim, mas com muito esforço e muito trabalho temos superado todas as adversidades que nos surgiram ao longo dos anos. Estamos numa fase de crescimento e investimos muito nos últimos três anos. Adquirimos novas maquinas para aumentarmos a nossa capacidade produtiva e melhorar a qualidade do serviço prestado. Outro objetivo com estas aquisições é a eficiência energética, pois atualmente todos estamos  conscientes das necessidades ambientais e a sua real importância. Para acompanhar estes investimentos foi necessário uma melhoria das instalações, e é claro que sabemos que tão importante como tudo o resto é a mão de obra qualificada e desta forma investimos na contratação de pessoas cada vez mais qualificadas bem como em muita formação e requalificação do nosso pessoal. Neste momento estamos a instalar uma máquina que acabou de chegar e no próximo ano vamos receber mais três.

Pode-se dizer que está a ser um ano muito bom.” Tão bom que este ano vai ser atingido um ambicioso objetivo em termos de faturação que já não era alcançado desde 2004. A empresa conta atualmente com cerca de 80 trabalhadores, a trabalhar em turnos contínuos. “Todos trabalhamos no mesmo sentido, somos uma equipa unida e coesa”, orgulha-se.

“A diferença não tem a ver com as capacidades entre os homens e as mulheres”

E se agora Sofia Vale já não é um nome desconhecido na indústria têxtil e transmite confiança àqueles que com ela trabalham, sejam eles colaboradores, fornecedores ou clientes, nem sempre foi assim!

“Hoje, é mais fácil porque com o passar dos anos e experiencia adquirida sou respeitada por todos, o trabalho desenvolvido até então confere-me o respeito conquistado. Já estou aqui há alguns anos mas, no início, não foi nada fácil, por vários motivos. Tradicionalmente esta indústria é um mundo de homens, na Riler apenas 10 por cento são mulheres. O facto de ser filha do dono também não ajudou quando comecei. É preciso aprender com humildade e, por isso, grande parte do meu percurso foi feito no meio das máquinas até porque vim de uma área de gestão para a produção e precisei mesmo estar lá a aprender”, afirma.

As responsabilidades inerentes ao papel de mulher e mãe também fazem com que Sofia Vale tenha que se desdobrar em tarefas para continuar a fazer o bom trabalho que a caracteriza e continuar a levar a Riler a bom porto. “Os homens, por norma, têm mais disponibilidade para se dedicarem aos negócios, porque nós, temos responsabilidades e tarefas acrescidas enquanto mães e mulheres de negócios. Antes de ter filhos, eu podia dedicar mais tempo à empresa, agora é preciso ir buscar as crianças ao colégio, é preciso ir à reunião de pais, é preciso ir ao médico… e eu tenho três lindos filhos. Não posso deixar de salientar a ajuda e o apoio que me tem dado uma grande mulher, a minha mãe.

A diferença não tem a ver com as capacidades entre os homens e as mulheres mas sim a diferença entre o esforço adicional que as mulheres tem de fazer para se afirmarem num mundo tradicionalmente liderado por homens”.“Queremos ser reconhecidos como bons naquilo que fazemos e acho que estamos no bom caminho.”

Mas este não é o único desafio que se coloca à gestão de Sofia Vale. A CEO da Riler enumera alguns outros nesta entrevista à Revista Pontos de Vista: “enquanto tinturaria, a Riler procura insistentemente cumprir com todas as diretrizes ambientais. O facto de gastarmos muita água e gás e termos os custos energéticos muito elevados preocupa-nos e por isso estamos a investir na renovação do nosso parque de maquinas. O resto é o risco natural do negócio, um cliente que fecha e fica uma conta corrente por resolver, etc.”.Riler

Ao trabalhar indiretamente, através dos seus clientes, para grandes grupos como o Inditex, a Riler é obrigada a fazer grandes investimentos, por exemplo, ao nível do laboratório, “de outra forma não temos o aval deles para podermos trabalhar. Somos auditados por esse grande grupo e temos de ser referenciados pelo mesmo para podermos trabalhar para os nossos clientes”, explica Sofia Vale.

Quanto aos objetivos para os próximos tempos, afirma: “as metas que gostava de ver atingidas são muito altas. Gostava de manter os níveis de crescimento que temos alcançado mas a instabilidade é muito grande. Quero aumentar, e já o estou a fazer em termos de capacidade, por esse motivo estamos a investir em máquinas e temos algumas para chegar em abril. Pretendo também alargar a variedade de serviços prestados, a outro tipo de acabamentos. Quero que a Riler seja conhecida como uma empresa onde o cliente sabe com o que conta quer a nível de atendimento quer a nível de qualidade do serviço e prazo de entrega curtos. Queremos ser reconhecidos como bons naquilo que fazemos e acho que estamos no bom caminho”.

Revista Pontos de Vista: A abertura do mercado europeu à China e a crise de 2008 refletiram-se no encerramento de umas quantas empresas têxtil em Portugal. No entanto, o setor deu a volta por cima e esta indústria tem emergido como uma das mais avançadas e competitivas do país. Como perspetiva o futuro do têxtil em Portugal nos próximos anos?
Sofia Vale: As expetativas são boas. Em Portugal fazemos quantidades pequenas e fazemos bem, cumprimos cadernos de encargos e fazemos rápido. Eu acho que nós portugueses somos de facto milagreiros. Este conjunto de qualidades, aliadas à nossa versatilidade, e aos preços praticados fazem a diferença. É bastante prestigiante para Portugal ter uma participação tão grande, e de tão alto nível, de empresas portuguesas na Heimtextil que é a maior feira têxtil anual da Europa. Agora, é necessário que em Portugal se continue a apostar, na qualidade, na inovação, na formação e nos cuidados com as questões ambientais.

Próximos grandes eventos/ feiras têxtil a decorrer pelo Mundo
Heimtextil – 12/01/2016 a 15/01/2016
Frankfurt am Main – Alemanha

Pitti Immagine Uomo – 12/01/2016 a 15/01/2016
Florença – Itália

Première Vision Preview New York – 19/01/2016 a 20/01/2016
Nova Iorque – Estados Unidos

Pitti Immagine Bimbo – 21/01/2016 a 23/01/2016
Florença – Itália

FIMI – 22/01/2016 a 24/01/2016
Madrid – Espanha

Salon International de la Lingerie – 23/01/2016 a 25/01/2016
Paris – França

ISPO Munich – 24/01/2016 a 27/01/2016
Munique – Alemanha

TexWorld USA – 24/01/2016 a 26/01/2016
Nova Iorque – Estados Unidos

“Deixámos de ser um outsider e passámos a ser vistos pelo mercado como uma referência de qualidade, credibilidade e independência”

Paulo André e Tiago Almeida (Tax Partner)

A Baker Tilly reforçou este ano a sua presença em Portugal com a integração da Pires de Matos & Pinheiro Torres. Qual o balanço que pode ser feito da estratégia de crescimento da empresa no nosso país?
Considero que o balanço da estratégia de crescimento da Baker Tilly é muito positivo, conforme evidenciado nos nossos indicadores de performance, bem como de dimensão e dados operacionais. Temos vindo a aumentar consecutivamente o número dos nossos profissionais e número de clientes. Definitivamente deixámos de ser um outsider e passámos a ser vistos pelo mercado como uma referência de qualidade, credibilidade e independência. A marca Baker Tilly em Portugal veio definitivamente para ficar, atraindo jovens licenciados que procuram desafios e projetos de forte crescimento. Para dar sustentação ao projeto, reformulámos recentemente as áreas de Outsourcing e Consultoria, passando estas a ser lideradas por novos sócios, mais alinhados com a nossa estratégia, cultura e ambição. Também em 2015, incorporámos por fusão uma equipa de auditoria no Porto (ex-Pires de Matos, Pinheiro Torres SROC), equipa constituída por jovens muito motivados e ambiciosos, tecnicamente muito competentes, que acompanham de perto o negócio dos clientes. Esta equipa é liderada por dois sócios (Luis Pinheiro Torres e Manuel Pires de Matos), conhecedores em detalhe do mercado do norte, que atuam de forma muito dinâmica e comprometida com os objetivos dos clientes: a qualidade técnica, a ética e a independência, bem como o cumprimento de prazos. Acreditamos que o nosso escritório no Porto acompanhará o movimento de crescimento que temos experimentado nos últimos seis anos.

Como caracteriza o mercado nacional de auditoria atualmente? A entrada de novos players tem-se traduzido em ganhos efetivos para os clientes?
O mercado nacional de auditoria tem registado algumas mudanças, essencialmente motivada pelo fenómeno “renovação” das estruturas existentes. Os tempos estão a mudar. Regulamentos mais exigentes entram em vigor em 2016. É necessário estar mais organizado e alinhado com as metodologias internacionais. As normas internacionais de auditoria passam a ser a referência a partir de 1 de janeiro de 2016. Aumenta o controlo de qualidade, bem como as penalizações e sanções. O relato financeiro, em particular as contas auditadas, ganha importância. Aumenta o foco sobre o risco e introduzem-se novas regras nas políticas de rotação de auditores. As empresas também se têm vindo a tornar mais exigentes e organizadas, generalizando-se o funcionamento de comités de auditoria em particular em entidades de interesse público. A pressão dos mercados, stakeholders, investidores e reguladores centra-se no aumento da qualidade, independência e rigor do auditor em benefício de todos aqueles. A CMVM toma a liderança da supervisão e implementação deste processo. A pressão recai, uma vez mais, essencialmente sobre o auditor. Mas este movimento exige um envolvimento maior da auditoria (equipas maiores, mais experientes e maior consumo de horas). Este objetivo só se pode atingir na plenitude e com qualidade, se os honorários forem também ajustados em alta. A constante pressão dos honorários em baixo apenas compromete a qualidade e, no final do dia, não beneficia os stakeholders. O órgão de gestão das empresas deve também assumir as suas responsabilidades, no governance das empresas e na qualidade das demonstrações financeiras. Da parte das empresas tem-se verificado um aumento da visão global dos seus negócios, resultado dos incentivos à exportação, da abertura a mercados para além dos tradicionais (UE e PALOPS), do galopante desenvolvimento dos meios de comunicação, da necessidade de aceder a informação crítica e tempestiva a cada momento e com uma dependência de parceiros “certos” cada vez mais vincada. As empresas começam a operar com maior frequência fora de Portugal e nestas situações procuram trabalhar com um auditor (uma marca) que esteja também nos mercados onde operam fora de Portugal. Temos vindo a ter muitas solicitações na sequência deste movimento, culminando muitas vezes em nossos clientes em Portugal, após já trabalharem connosco noutros mercados, nomeadamente Angola e Moçambique.
Dadas as exigências profissionais impostas à profissão de Revisor Oficial de Contas e, bem assim, as exigências técnicas requeridas por parte das empresas, seria de prever que a entrada de novos “players” só vingaria com equipas de pessoas especializadas em áreas específicas ou através de parcerias.
A nível nacional, o peso dos pequenos e médios negócios não é de negligenciar e a presença física de um interlocutor tem ainda uma influência considerável na altura da escolha, não poucas vezes em detrimento da qualidade técnica dos profissionais. No entanto, esta escolha tem condicionantes óbvias caso a empresa decida desenvolver ou fazer crescer o seu negócio.

Acredita que a tendência seja a perda de impacto no panorama nacional das Big Four nos próximos anos? Começa a notar-se uma maior abertura do mercado como resultado das reformas que têm sido implementadas na atividade de auditoria mais exigentes no que concerne à rotação de firmas?
Acreditamos que o “altar” das Big Four tem cada vez mais vindo a ser desmistificado e questionado. Nem vale a pena entrar em detalhes. Big Four é apenas uma expressão comercial que significa “dimensão”, mas não significa “exclusivo de qualidade”. Adicionalmente, o maior rigor, padrões de ética, o profissionalismo, qualidade e renovação etária de muitos dos que fazem parte desta classe profissional contribuíram para esta mudança. Já muitos perceberam que esta alteração na composição do peso dos atuais players é necessária para um melhor funcionamento do mercado, dando maior protagonismo a outros “players”. Acreditamos que a Baker Tilly tem vindo a contribuir para esta alteração e perceção do mercado quanto à existência de muita qualidade e capacidade de entrega noutras organizações. As constantes solicitações de novos clientes, de grande dimensão e de referência nos seus respetivos setores e nas mais variadas indústrias (serviços, industrial, financeiro, segurador) são a melhor evidência de que aquela mudança está em curso e que a Baker Tilly apanhou o comboio e está no bom caminho. A rotação dos auditores é um tema controverso. Mas no nosso entendimento justifica-se. Não porque o auditor se familiariza com o cliente e “amolece”. Não acredito que isso aconteça. Acredito sim mais no facto de que a rotação é um incentivo para questionar mais vezes o que tem vindo a ser feito pelas organizações e como vem sendo feito. É também uma mola para o desenvolvimento da profissão o surgir de novas ferramentas informáticas de tratamento de dados, de revisão analítica e uma pressão saudável para que os auditores se preocupem em estar ainda mais atualizados sobre aspetos técnicos contabilísticos, fiscais e outros, bem como sobre as best practices das várias indústrias. Por outro lado, há países (França, por exemplo) onde está muito vulgarizada a “auditoria conjunta”, feita por duas empresas de auditoria, as quais tiram sinergias técnicas e operacionais do processo de auditoria, beneficiando o cliente em termos de qualidade e eficiência (preço).

O que é que faz da Baker Tilly uma alternativa de peso às Big Four? Quais os pontos fortes da empresa que importa destacar?
A Baker Tilly destaca-se pelo seu espírito jovem, dinâmico e transparente. É uma equipa de “furões”, que não descansa enquanto não conclui as suas tarefas, estando atenta a todos os detalhes e oportunidades de melhoria de processos dos nossos clientes. A rentabilidade não é a nossa primeira métrica. Precisamos de ganhar dinheiro para ser sustentáveis, mas não temos uma fobia pela margem. Se um projeto necessitar de mais recursos, alocamos mais tempo, as pessoas podem envolver-se mais e debitar mais horas a esse projeto, que não são prejudicadas por esse facto. Acima de tudo, queremos dar qualidade aos nossos clientes. Também por isso, somos uma organização, onde as várias firmas nos vários países se entreajudam entre si. É frequente estar ao telefone, no Skype ou mesmo em reuniões com outros sócios a discutir (brainstorming) e analisar em detalhe questões técnicas complexas, bem como a partilhar experiências. Em vários projetos, temos o envolvimento de sócios da Baker Tilly de outros países. E esse envolvimento é factual. Ocorrem com frequência deslocações a Portugal de sócios de outros países que convidamos a fazer parte das nossas equipas e projetos e com quem partilhamos honorários, assegurando assim equipas mais seniores, experientes e competentes. Sinto que somos uma organização internacional, muito disponível para parcerias e entreajuda entre os vários países. Os nossos clientes reconhecem que com esta estratégia lhes proporcionamos valor acrescentado.

A Baker Tilly Portugal é responsável pelo desenvolvimento de operações em Portugal, Angola e Moçambique. Em qual destes países o crescimento da empresa tem sido mais acentuado?
Portugal, sem dúvida. Em seis anos passámos de duas pessoas para cerca de cem pessoas. Temos registado um crescimento contínuo e acentuado. Sentimos que em Portugal já ganhámos o nosso espaço, ainda que nos pareça evidente que ainda temos muito por onde crescer. Os nossos valores reais continuam a ser superiores aos valores orçamentados. Acreditamos que em 2016 todas as áreas vão crescer significativamente, nomeadamente o outsourcing e a consultoria, pois a partir do início de 2016 teremos nova liderança, mais preparada e atenta às necessidades dos clientes. Moçambique é o nosso segundo mercado, mas é uma economia mais pequena. Sentimos que os tempos que se aproximam não serão fáceis (os problemas já vividos em Angola começam agora a notar-se em Moçambique). Mas temos um escritório, equipas e logística permanentes em Maputo. É um mercado onde queremos continuar e onde temos capacidade de resposta imediata para os nossos clientes. Acreditamos que apesar de tudo 2016 será um ano de crescimento. Em Angola, como sempre, atuamos através de um parceiro. Utilizamos o seu escritório e a sua logística, mas operamos com a marca Baker Tilly e controlo de qualidade de Portugal. Em todos os nossos projetos, os respetivos partners, managers e na maior parte dos casos também os seniores são portugueses, nossos colaboradores diretos, cuja responsabilidade de desenvolvimento profissional e formação é nossa. Apenas o staff é do nosso parceiro local. Angola é já um mercado exigente, onde apenas os que têm qualidade e disponibilidade de recursos conseguirão ser sustentáveis. Para já temos apenas a ambição de nos mantermos no mercado, sem perder a nossa posição.

Quais as estratégias de crescimento da Baker Tilly para cada um deles?
Conforme dei a entender anteriormente, para Portugal e em 2016 estimamos para a Baker Tilly um crescimento a dois dígitos, em todas as suas linhas de serviço. A nossa área de incentivos tem-se envolvido em muitos projetos do Portugal 2020. A área de Transactions e Corporate Finance (nomeadamente avaliações e due diligencies financeiros e fiscais) tem trabalhado a um ritmo muito elevado. Sentimos que a abertura do capital das nossas empresas e movimentos de M&A continuarão a ocorrer em número relevante em 2016 e que o mercado (acionistas, investidores, capitais de risco, etc.) quer trabalhar connosco e nos envolve cada vez com mais frequência. Provavelmente, a mudança política ocorrida recentemente trará novas estratégias e alterações ao quadro fiscal das empresas, o que constituirá uma nova oportunidade para os nossos consultores fiscais. Acreditamos que no Porto esse crescimento será também relevante. Mas não queremos comprometer a qualidade. Estamos a investir mais em formação e no recrutamento. Não queremos apenas pensar para fora, para o crescimento. Queremos preparar-nos por dentro. Quer do ponto de vista organizacional, quer do ponto de vista de recursos. Em relação a Angola a nossa expectativa é manter a nossa posição e em Moçambique estimamos crescer, pois continua a haver investimento estrangeiro relevante oriundo de países onde temos muitos clientes (África do Sul, Índia, China, Brasil). Antecipamos, portanto, que 2016 será uma vez mais um grande desafio, e motivo de orgulho para as nossas equipas, com muito trabalho à mistura.

Rui Rio marca terreno para suceder a Passos Coelho

Rui Rio

Numa Quadratura do Círculo especial, no âmbito dos 15 anos da Sic Notícias, no Porto, Rio disse ontem que “é evidente que Passos Coelho vai ter dificuldades em ganhar a próxima eleição. Se for ele o líder do PSD, vai ter uma dificuldade muito maior do que teve há 4 ou 5 anos, porque era uma novidade”.

Ora, as declarações de Rui Rio sugerem que, com outra figura que não Passos (o próprio está na reserva para a sucessão) seria mais fácil ao PSD vencer o próximo escrutínio. “Quando alguém vai para eleições já tendo estado no poder, não consegue com facilidade a janela de esperança”, defendeu o ex-autarca.

Quanto a um entendimento de regime entre PS e PSD também aí poderia ser útil Passos sair de cena. Para Rio “é evidente que é mais fácil um entendimento do que se forem essas duas pessoas [Passos e Costa]. Ou pelo menos um dos dois. Porque se guerrearam e foram adversários”.

Rui Rio aponta assim duas vantagens do atual líder sair de cena: seria ao PSD mais fácil entender-se com o PS e ganhar as próximas eleições caso Passos Coelho não fosse o líder do partido.

Também Rui Nunes – do fórum Uma Agenda para Portugal, grupo que defendeu uma candidatura de Rio ao PSD e defende primárias – diz ao DN que “está na hora do PSD se redefinir e reinventar ideologicamente”, deixando o “projeto político com o CDS” e “centrando-se na social-democracia”.

Rui Nunes não tem “dúvida nenhuma” que Rui Rio seria a figura “mais bem posicionada” para personificar essa mudança no partido.

Já um dirigente do PSD, ouvido pelo DN, desvaloriza as palavras de Rio: “Fez essas declarações para manter-se à tona. Rio não vai desafiar Passos. Sabe que se o fizesse, perdia e perdia bem”. Até o próprio Rui Nunes diz que “este não é ainda o momento” de desafiar a liderança do PSD, pois o Congresso do PSD é já a 1,2 e 3 de abril.

Rui Nunes acrescenta, no entanto, que caso António Costa tenha sucesso no governo e Passos se desgaste na oposição “é natural, óbvio e até desejável que essa evolução para a social-democracia seja assumida por outros rostos. E que venha um apelo da sociedade civil e do próprio PSD para que surjam alternativas. Rui Rio seria o favorito de ambas”.

Uma outra fonte próxima do ex-autarca, é mais contido, mas não descarta hipótese: “Rio não vai já a jogo. Além do risco de desafiar Passos, o que ganhava em estar dois ou três anos na oposição? Até acredito que vá ao partido, mas é se Passos começar a cair muito.”

Passos sem grande oposição

No último Conselho Nacional (10 de dezembro) foram aprovadas diretas (e congresso) no partido. Se algum militante do PSD quiser desafiar Passos Coelho tem apenas até 2 de março para o fazer (as eleições são no dia 5).

Até lá, o líder continuará com grande apoio junto das bases, pelo que a vitória deverá ser tranquila e sem grande oposição. Além disso, não há tempo para nenhum opositor (com possibilidades de vencer) se organizar.

A atual direção do PSD espera, aliás, que Passos seja reeleito com uma ampla votação, reforçando a legitimidade do líder no partido.

Outro dos sinais que se espera do congresso é perceber se Passos Coelho prepara a sua sucessão. Fonte social-democrata comentou ao DN que “será curioso perceber quem é que Passos vai escolher para vice-presidentes. Isso vai ser essencial para perceber quem apoia na sua eventual sucessão. Chamará Luís Montenegro para vice-presidente do partido? E se o fizer com Maria Luís Albuquerque?”

Além de Rui Rio, Luís Montenegro é apontado como potencial sucessor de Passos , bem como a ex-ministra das Finanças (embora não tenha força junto das bases). Há ainda José Eduardo Martins que – mesmo sem assumir que seria candidato a desafiar Passos – em março de 2015 disse ao DN: “A seguir às legislativas não me demitirei de defender as minhas convicções e de dar as minhas opiniões no partido”.

“O que nos distingue é a qualidade do serviço que prestamos”

Ana Luísa Monteiro

A Viúva Monteiro & Irmão é uma empresa do Sabugal especializada em transporte de passageiros. Que tipo de serviços são prestados pela marca atualmente?
A Viúva Monteira & Irmão tem serviços distintos no âmbito dos transportes. Tem os expressos entre o Sabugal e Lisboa e entre Sabugal e Coimbra e as carreiras, que se enquadram no âmbito de transporte público, no qual está incluído o transporte escolar. Atualmente é responsável pelo transporte dos alunos do concelho do Sabugal e de parte do concelho da Guarda. Tem ainda algumas carreiras no concelho de Almeida e presta serviços no contexto dos alugueres ocasionais. Estamos, aliás, neste momento a desenvolver esta área de negócio em Lisboa. Em último lugar, temos o serviço regular especializado para o transporte de colaboradores para fábricas.

O serviço de transportes coletivos pode, portanto, destinar-se a pessoas que, a título individual, pretendam alugar uma viatura? Neste sentido, os motoristas acompanharão o serviço?
O transporte de passageiros divide-se em duas áreas de atuação: temos alugueres ocasionais, direcionados para pessoas individuais e coletivas que pretendam alugar uma viatura e somos responsáveis pelo transporte público do Sabugal, que, até 2019, é condicionado pelo IMT – Instituto da Mobilidade e dos Transportes -, que concede alvarás às empresas do setor que cumpram os requisitos obrigatórios.
Os nossos motoristas estão aptos para todo o tipo de serviços, seja carreiras, expressos, aluguer ocasional nacional ou internacional. Na época alta do turismo, entre maio e outubro, trabalhamos em subcontratação para outras empresas e procedemos aos alugueres entre Portugal e Espanha para o mercado asiático.

Relativamente ao vosso serviço entre países, podemos dizer que a Viúva Monteiro & Irmão tem já uma presença internacional forte?
Não é internacionalização como todos conhecem, porque nesta área é muito difícil, mas temos conseguido passar fronteiras através de várias parcerias.

A empresa pretende não apenas inovar e desenvolver a sua área de negócios através da expansão de serviços, mas também baseando-se num aperfeiçoamento dos veículos e da própria qualidade prestada. De que modo têm evoluído nesse sentido?
Apesar de ser uma empresa familiar que já existe há 90 anos com os expressos para Lisboa – eu sou a quarta geração -, temo-nos empenhado em renovar a frota, em comprar autocarros recentes, modernizá-los e adaptá-los às exigências dos nossos clientes. A par disso, estamos a dar formação e especialização necessárias para que os motoristas consigam prestar um serviço cada vez melhor. Tentamos perceber as necessidades deles para conseguirmos fornecer-lhes as ferramentas indispensáveis para que prestem um serviço profissional e de qualidade.
Todos os restantes colaboradores recebem formação, no entanto damos mais enfoque aos motoristas, porque são eles a imagem da empresa em cada serviço que fazem.

O interior dos veículos é igualmente um aspeto que merece toda a atenção da equipa da Viúva Monteiro & Irmão. Em que sentido? Que cuidados têm no sentido de promover uma viagem aprazível a quem vos procura?
Temos apetrechado os autocarros com DVD’s para ser possível o visionamento de filmes, temos tentado escolher os assentos mais confortáveis e a suspensão é também um aspeto importante para proporcionar uma viagem agradável. Temos ainda concedido formação aos motoristas no âmbito da condução, porque é igualmente um aspeto importante para o conforto.
Neste contexto, importa também referir que vocacionámos uma viatura da nossa frota para o transporte de passageiros com mobilidade condicionada. Esse autocarro tem uma plataforma elevatória e pode transportar até 12 cadeiras de rodas. Os passageiros que têm capacidade para se deslocarem no interior do autocarro poderão igualmente viajar connosco e deixar as suas cadeiras de rodas no porão.

São estes aspetos, referidos anteriormente, que vos distinguem de outras empresas integradas no mercado dos transportes? A vossa aposta no conforto tem sido, deste modo, a chave do sucesso?
Há muitas empresas da área no país, todas têm autocarros como os nossos, portanto temos que escolher os nossos fatores de diferenciação. E o que nos distingue é a qualidade do serviço que prestamos. Para isso é importante garantir o conforto do passageiro, que implica o serviço do motorista e as condições já referidas, a atuação do escritório e do backoffice.

Neste sentido, podemos afirmar que foi esta aposta na qualidade que permitiu à empresa ser distinguida pelo IAPMEI como PME Líder desde 2009, exceto no ano de 2011, em que foram considerados PME Excelência. O que significa esta distinção para a marca?
Nos primeiros anos em que fomos distinguidos não havia condições mais vantajosas por sermos PME Líder. Era, no entanto, uma questão de reconhecimento, uma forma de mostrar aos nossos parceiros, fornecedores, clientes e colaboradores que efetivamente tínhamos cumprido uma série de requisitos.
Atualmente, a banca começa a olhar para as PME Líder de outro modo. Há cerca de dois anos, os bancos, na minha opinião, dão uma maior atenção a estas situações e oferecem, obviamente, condições mais vantajosas.

Sabemos que o passado e o presente têm sido de sucesso, tornando-vos um parceiro de confiança reconhecida. Mas o que reserva o futuro da Viúva Monteiro & Irmão?
O futuro da Viúva Monteiro e Irmão passa por consolidar a sua presença em Lisboa, melhorar a rede de transportes públicos do Sabugal e avançar com um projeto para novas instalações, como novas oficinas e escritórios, que proporcionarão outro desenvolvimento da empresa. Obviamente que é sempre objetivo a qualidade de serviço e a formação dada aos colaboradores é primordial. Sendo a empresa uma entidade pequena, queremos consolidar o que temos e melhorar as viaturas, conseguir aumentar serviços, mas não com o objetivo de aumentar a dimensão. Pretendemos consolidar a área de negócio no Sabugal e em Lisboa, criar raízes e melhorar o serviço prestado.

Como define a presença feminina na área de atuação em que se encontra? Existe ainda preconceitos claros dirigidos a mulheres profissionais?
Ser mulher no mundo dos transportes é complicado. Ainda mais ser mulher, jovem e em que a gestão da empresa veio por herança, não se conquistou a pulso, como algumas pessoas que, com muito mérito, conquistam o seu lugar. E não é fácil ser-se mulher neste meio tendencialmente masculino, a maior parte das reuniões, seminários e fóruns têm uma presença masculina forte e é complicado mostrar a uma classe profissional de motoristas que o nosso ponto de vista está correto e que o meu ponto de vista, apesar de ser mulher, é válido. O que não significa que não seja um desafio.

As mulheres terão aqui um papel determinante no sentido de combater opiniões que defendem a desigualdade?
As mulheres não servem apenas para estar em casa ou em cargos intermédios e têm duas qualidades que em situações de chefia são muito importantes: o multitasking e uma visão transversal. Quantas mais formos nestas situações de chefia, mais facilmente vamos mudando as opiniões daqueles que pensam que a liderança no feminino não vai trazer bons resultados.

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