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Estudantes portugueses do secundário são dos poucos na Europa que não aprendem duas línguas estrangeiras

No conjunto dos países da UE, o ensino de duas línguas estrangeiras só é obrigatório durante um período de tempo da escolaridade obrigatória, que varia entre um ano na Noruega e os oito anos na Roménia, Suíça, Islândia ou Sérvia. Em Portugal este período é de três anos, os correspondentes ao 3.º ciclo. Nos dois primeiros anos do secundário, os alunos portugueses só são obrigados a estudar uma língua estrangeira, mas podem aprender mais outro idioma como disciplina de opção.

Na Irlanda, Grécia e Reino Unido também menos de 10% dos alunos do secundário estudam duas línguas ou mais. Em contrapartida, em 11 países esta percentagem sobe para os 90%. É este o caso, entre outros, da Finlândia, Roménia, França, República Checa e Croácia.

A vontade de aprender uma segunda língua estrangeira continua a ser bastante baixa”, aponta a Comissão Europeia numa nora divulgada a propósito do estudo da rede Eurydice e na qual o comissário para a Educação e Juventude, Tibor Navracsics, enfatiza o seguinte: “ Falar diferentes línguas tornou-se uma competência essencial na Europa, não só para arranjar trabalho como também para participar na sociedade”.

Mas na UE a percentagem de alunos que estudam duas ou mais línguas estrangeiras desceu 11 pontos entre 2005 e 2014. Em Portugal esta descida foi superior a 10 pontos, estando entre os cinco países com uma maior quebra. Os outros são a Dinamarca, Lituânia, Holanda e Suécia.

Por outro lado, Portugal é dos três países da UE em que não é obrigatório estudar uma língua estrangeira até ao final do secundário. Os outros são Malta e o Reino Unido. Por cá, a obrigação de estudar um idioma estrangeiro termina no 11.º ano.

 

Alunos franceses vão poder aprender português como língua estrangeira

Os ministros da Educação de Portugal e França, Tiago Brandão Rodrigues e Najat Vallaud-Belkacem, respetivamente, assinaram hoje, em Paris, uma declaração política para reforçar a cooperação bilateral no domínio da língua.

“Com esta declaração, acima de tudo, conquistamos, por um lado, que o português possa ser ensinado em França como língua estrangeira viva, havendo a sua integração nos currículos do sistema escolar, isto é, em vez de ser uma língua supletiva, uma língua que complementava os currículos, a partir de agora, o português passa a fazer parte do sistema escolar, completamente integrado”, disse à Lusa Tiago Brandão Rodrigues, contactado a partir de Lisboa.

De acordo com o ministro da Educação, “o português passará a ser tratado como as línguas internacionais mais difundidas, como o inglês, o espanhol, o italiano”, facto que classificou como “muito importante”.

Segundo um comunicado do Ministério da Educação português, a França fará a substituição do “Ensino de Língua e Cultura de Origem (ELCO)” no sistema escolar por um novo dispositivo, o “Ensino Internacional de Línguas Estrangeiras (EILE)”, que começará a ser aplicado já no ano letivo de 2016/17.

Por outro lado, disse Brandão Rodrigues, essa mudança também é importante para a comunidade portuguesa, que terá acesso ao português integrado nos currículos e “porque existirá uma continuidade ao longo de todo o sistema escolar” do ensino da língua portuguesa, tanto no ensino básico como no secundário.

Permitirá ainda, segundo o ministro, o aumento de alunos que não são de origem portuguesa nos cursos de português, pois também vão ter acesso à língua portuguesa ao longo em todo o sistema escolar em França.

“Portugal irá continuar a dar todos os recursos que dava até aqui para o ensino do português em território francês e a França passa a dar mais recursos importantes para a consolidação da língua portuguesa”, indicou o ministro.

Tiago Brandão Rodrigues sublinhou ser importante aprofundar a cooperação educativa e linguística em acordos futuros e manter um acompanhamento técnico regular do ensino do francês em Portugal e do português em França.

“Portugal é pioneiro nessa iniciativa do Governo francês, que quer alargar esse compromisso com outras línguas”, disse ainda.

Essa declaração política, afirmou o Brandão Rodrigues, “acontece também essencialmente num quadro dos laços de amizade que existe bilateralmente, como se viu também nesses últimos tempos pelas visitas mútuas que aconteceram a ambos os países”.

“Acima de tudo é importante entender que o francês e o português apresentam-se como línguas com dimensões internacionais, como línguas de trabalho de organizações internacionais, mas também línguas da ciência, línguas de culturas, línguas de comunicação”, afirmou.

Para o ministro português, “era importante” ter “instrumentos para robustecer a aprendizagem e o ensino da língua, do português em França e do francês em Portugal”.

Segundo a nota do Ministério da Educação, esta declaração conjunta traduz, “antes de mais, uma forte vontade política, uma vez que inaugura uma nova e ainda mais ambiciosa etapa de promoção recíproca do ensino do português e do francês nos sistemas educativos de ambos os países”.

De acordo com o documento, a partir do trabalho que conduziu à assinatura desta declaração conjunta, ambos os ministros concordaram que seja celebrado até ao fim do ano um novo acordo de cooperação educativa.

O documento também foi assinado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva.

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