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INOVAÇÃO MADE IN PORTUGAL

LISPOLIS Cíntia Costa Pedro Rebordão

o nosso dia-a-dia, os termos startup, tecnologia e ecossistema empreendedor são comuns. Contudo, há já muito tempo que se aposta em inovação em Portugal e são inúmeras as empresas de média e grande dimensão que apostam em departamentos de Investigação e Desenvolvimento (I&D) para garantir que continuam na linha da frente nos seus setores de atividade.

No LISPOLIS, vemos essa aposta dar frutos todos os dias, com a criação de novas soluções em várias áreas de negócio. As empresas instaladas, sejam microempresas, startups, PMEs ou mesmo multinacionais, têm como fator diferenciador a capacidade de se adaptarem às novas realidades e utilizarem as tecnologias a seu favor, resolvendo problemas reais e oferecendo soluções eficazes.

A InoDev, consultora de inovação cujo foco é ajudar as empresas a despoletar e gerir a inovação, de modo a adquirirem um posicionamento estratégico diferenciador, maximizando os resultados e a rentabilidade global, tem testemunhado o avanço da inovação em Portugal.

“É visível, nos últimos anos, a crescente consciencialização das PMEs para o conceito da inovação (e da sua distinção do conceito de invenção) e da sua importância no sucesso nas empresas”, explica Telma Batista, consultora na InoDev. Refere ainda que, comparando com o panorama europeu, Portugal atingiu o melhor lugar de sempre no Ranking Europeu de Inovação e lidera agora o grupo dos países ‘moderadamente inovadores’.

“O nosso país destacou-se da média europeia em fatores como o número de estudantes internacionais de doutoramento, o registo de marcas comunitárias, a inovação não tecnológica, as inovações das empresas em produtos/processos e o nascimento de novas empresas. Isto mostra o crescente dinamismo da economia portuguesa na área da inovação”, acrescenta, indicando as Tecnologias de Informação e Comunicações, Saúde, Tecnologias de Produção, Indústrias de Produto, Tecnologias de Produção e Indústrias de Processo como principais setores onde se inova em Portugal.

A aposta na robótica

A área da robótica tem sido uma das que mais destaque ganhou nos últimos anos. Contudo, há uma empresa que já existe há quase 20 anos e que continua a dar cartas na robótica: a ID Mind. Instalada no LISPOLIS desde 2000, esta empresa spin-off do Instituto Superior Técnico tem desenvolvido vários projetos em diferentes áreas, como no Edutainment com o robô Viva instalado no Centro de Ciência Viva / Pavilhão do Conhecimento, ou no Turismo, com o FROG (Fun Robotic Outdoor Guide) que já esteve patente no Terreiro do Paço.

Trabalha ainda a área de serviço de acolhimento, com o robô LINK que indica o caminho aos visitantes do Banco Bradesco, no Brasil, e a área social, com o SocialRobot que pretende acompanhar e socializar com os idosos em lares, na Holanda. Esta empresa inovadora desenvolve projetos para vários países, quer europeus quer extracomunitários, criando inclusivamente parcerias e consórcios com outras empresas para poder chegar mais longe com os seus produtos.

Impacto na área social

O impacto na área social sempre foi um dos principais objetivos do desenvolvimento tecnológico. Resolver problemas do dia-a-dia dos humanos é um dos grandes motivos que leva equipas e empresas a apostar em novas soluções criativas.

É o que acontece no caso da mobilidade reduzida, que cada vez mais tem soluções criativas para apoiar as pessoas com dificuldades motoras a terem uma vida com mais acessibilidade. O desenvolvimento da tecnologia vem dar um grande impulso à vontade de criar mais condições para que a mobilidade seja um direito de todos.

A Accessible Portugal, empresa portuguesa instalada no LISPOLIS, foi criada com o propósito de ajudar a tornar o Turismo acessível para todos. Considerando que existe cerca de 1 milhão de pessoas com necessidades específicas e cerca de 2,5 milhões de seniores em Portugal, a apresentação de soluções inclusivas torna-se fundamental.

Esta empresa tem desenvolvido projetos com vários parceiros, incluindo o Turismo de Portugal e a Fundação Vodafone Portugal, dos quais se destaca o TUR4all Portugal, plataforma online que disponibiliza informação sobre as condições de acessibilidade nos diversos recursos turísticos como hotéis, monumentos e museus, sem esquecer os transportes (adaptados), restaurantes com casas de banho adaptadas ou ementas em braille, entre outras situações. Esta solução pode ser acedida via website ou aplicação móvel e contém informação objetiva e atualizada sobre as condições reais de acessibilidade da oferta turística.

Também a IKI Technologies está a trabalhar para tornar a vida nas cidades mais acessível para todos. Através do seu produto myEyes, é feito um mapeamento de uma zona previamente definida e criado um mapa virtual online para que pessoas com mobilidade reduzida e com deficiências de visão possam seguir as instruções e dirigirem-se ao local pretendido sem contratempos, como passeios altos ou situações de perigo como passadeiras em locais com pouca visibilidade para os condutores de veículos motorizados.

Este é um sistema pioneiro que permite que pessoas com cegueira parcial ou total recebam indicações através de uma app mobile que oferece referências em voz alta sempre que encontra um “evento”, isto é, uma coordenada GPS ou um Beacon, reproduzindo os textos previamente inseridos na Cloud. Estes textos têm o propósito de narrar o que está à volta do utilizador, ao mesmo tempo que fornece orientações sobre como ir de um ponto para outro.

O desafio no setor da saúde

A par de uma preocupação com o setor social da sociedade, existe uma preocupação crescente com a Saúde. Contudo, inovar numa área tão conservadora como a Saúde não é fácil.

A Delox, startup spin-off de um projeto académico na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, veio provar que não é impossível. Aliando o estudo químico com a vontade de empreender, nasceu esta empresa que irá comercializar aparelhos de descontaminação biológica para qualquer local com necessidade de condições sanitárias de excelência, como hospitais de campanha, blocos de cirurgia ou mesmo em centros de produção de fármacos.

Para desenvolver a sua ideia, os empreendedores da Delox contaram com o apoio do programa StartUP Voucher, uma medida no âmbito da estratégia StartUP Portugal que tem como objetivo oferecer aos jovens portugueses uma bolsa mensal e prémios de avaliação intermédia para que possam verificar a viabilidade da sua ideia durante um ano. Mais recentemente, foram alvo de investimento de 300 mil euros pela Caixa Capital e Hovione Capital, e também conseguiram apoio da European Space Agency Business Incubation Center Portugal.

Atualmente, a empresa está a finalizar o protótipo do seu produto, que irá começar a ser comercializado em 2021.

Também a CRIAM Tech decidiu apostar num novo dispositivo médico: desenvolveu um dispositivo médico automático e portátil para análises sanguíneas passível de identificar o tipo e subtipo sanguíneo em três minutos. A CRIAM é a primeira solução no mercado de Point-of-Care que é portátil e automática. É mais rápida do que a concorrência, é móvel, é menos onerosa e permite a melhor gestão do inventário de O- em termos de sangue.

A CRIAM foi um projeto académico que surgiu na Universidade do Minho através da investigadora e cofundadora, Ana Ferraz, que baseou o seu doutoramento neste produto. Ganhou o primeiro prémio da Microsoft Imagine Cup a nível mundial e, mais recentemente, o prémio para a área de healthcare da terceira edição do concurso Protechting, promovido pela Fidelidade e Fosun em parceria com a Beta-i.

Descomplicar é palavra-chave

Olhar para um problema de maneira diferente pode ser o ponto de partida para desmistificar a sua complexidade e encontrar uma solução mais simples.

A Six-Factor, empresa tecnológica instalada no LISPOLIS desde 2017, aproveitou um sistema já existente, de cacifos de entrega em espaços comuns, e simplificou a sua utilização, através de uma camada de segurança digital adicional que permite responder ao desafio da ineficiência na entrega bem-sucedida ao cliente final.

Os Smart Digital Lockers são armários digitais inteligentes que oferecem o mais alto nível de segurança de cacifos aliados a uma estética e robustez dos equipamentos, sem esquecer a funcionalidade e usabilidade adaptada aos utilizadores. Considerando que a vida urbana é cada vez mais rápida e movimentada, oferecer ao consumidor a opção de escolha do local onde recebe as encomendas aumenta a eficiência do serviço e satisfação do cliente.

Estes cacifos fazem uso das tecnologias Blockchain e Inteligência Artificial para garantir a idoneidade e segurança do seu conteúdo e podem ser utilizados para entrega de encomendas ou armazenamento de bens pessoais. Esta é uma solução que pode ser aplicada como last mile num processo de compra online, motivo pelo qual os Smart Digital Lockers participaram ativamente na primeira edição do programa de aceleração E-Commerce Experience, focado no retalho.

Esta é uma comunidade de empresas que está em crescimento, uma vez que acolhemos hoje 125 empresas em 12 edifícios. A sua proatividade e capacidade de envolvimento têm ganho dimensão, criando o que é hoje um espaço em Lisboa com muito mais para oferecer do que apenas metros quadrados. Faça parte desta comunidade e ajude-nos a tornar o panorama de inovação em Portugal cada vez mais abrangente!

A EVOLUÇÃO DO ECOSSISTEMA EMPREENDEDOR EM LISBOA

Cíntia Costa, Marketing e Comunicação do Lispolis e Pedro Rebordão, Diretor de Promoção e Inovação do Lispolis

Podemos considerar que o ecossistema empreendedor em Lisboa nasceu entre 2010, data de início da Beta-i, e 2012, data de início da Startup Lisboa, entidades que criaram uma disrupção no tecido empresarial e que criaram uma mudança no panorama das incubadoras. Por esta altura, o LISPOLIS, nascido em 1991 e cuja primeira empresa instalada data de 1994, já dispunha de uma rede de parceiros consolidada, uma agenda de eventos e dava os primeiros passos na criação de pontes entre startups e investidores.

Pouco tempo depois, em 2013, foi dado um grande passo para a formação de uma comunidade de entidades de apoio ao empreendedorismo: foi lançada a Rede de Incubadoras de Lisboa, percursora do projeto atual Made of Lisboa, que tinha como objetivo ser uma plataforma que agregava as incubadoras de Lisboa, os seus serviços, as suas notícias e eventos.

Mais tarde, com o aparecimento de coworks, aceleradoras, fablabs e hubs, foi necessário adaptar o projeto para um mapa mais abrangente onde se pudesse encontrar todos os recursos empreendedores de Lisboa, e em 2016 surge o rebranding da plataforma, tendo sido criada a marca Made of Lisboa e o website correspondente, que é hoje em dia uma referência para os empreendedores locais e estrangeiros. Apesar de a realidade de 2019 ser muito diferente da de 2012, e ainda mais da de 1994, sendo hoje comum no léxico de quase todos palavras como startups, incubadoras, programas de aceleração, concursos de ideias, espaços de cowork, empreendedorismo, inovação e unicórnios, a verdade é que o ecossistema português tem apenas cerca de sete anos de idade, o que significa que o ecossistema já não é um bebé, mas ainda está numa fase muito inicial.

Temos, contudo, de considerar que existem ecossistemas que funcionam há décadas. É o caso de Silicon Valley, que desde o início do século XX tem sido o local de instalação de empresas de alta tecnologia, com o desenvolvimento de tecnologias de rádio, televisão e produtos eletrónicos militares e, a partir de 1940, de empresas hoje mundialmente conhecidas, como a Hewlett-Packard. Também Boulder, no Colorado, é um sistema maduro que teve o seu início em 1960 e que desde aí tem vindo a acolher empresas nascentes de diferentes setores, incluindo biotech e ligadas à Internet e novas tecnologias, entre as quais se destaca a aceleradora Techstars, criada em 2006 e que chega agora a Portugal. Isto apenas significa que ainda existe um enorme caminho a percorrer pelos players do ecossistema empreendedor em Lisboa.

Estado Atual do Ecossistema

Posicionando o ecossistema empreendedor entre a 2ª e 4ª classe, aproveitamos para salientar alguns aspetos do próprio ecossistema:

Sobre investimento: Os primeiros 50k€ para o arranque de uma startup não são fáceis de alcançar e, por norma, os 3 Fs (family, friends and fouls) são os primeiros investidores numa startup. Nos projetos que acompanhamos, os empreendedores resolvem esse primeiro passo sobretudo de duas formas: através de poupanças pessoais dos founders, não apenas para a startup mas também para a vida pessoal – se o empreendedor não tiver algum cuidado, as consequências de ficar sem dinheiro podem facilmente extraviar a startup; incubando a própria startup numa empresa de serviços da qual sejam sócios e fazendo o shift para produto – não é um processo fácil, mas é a única forma de se atingir a escalabilidade de uma startup. Existem também programas do IAPMEI no âmbito da estratégia StartUP Porttugal que devem ser considerados, estando o LISPOLIS certificado para dar apoio;

Entidades de apoio: Num passado não muito longínquo, ninguém sabia realmente como apoiar as startups e os empreendedores. Hoje em dia, já não é bem assim, uma vez que existe muita literatura disponível que aborda formas de desenvolver novos modelos de negócio, como customer development model, lean startup, canvas model, e que existe uma infraestrutura de apoio, como polos tecnológicos, incubadoras, programas de aceleração, espaços de coworking, onde já podemos encontrar pessoas que conseguem ajudar os empreendedores. O desafio que o ecossistema tem agora para o futuro será a cooperação mais próxima entre todas estas entidades.

Startups: De acordo com Paul Graham, fundador do Y Combinator, uma startup é “uma empresa criada para crescer rápido”. A maior parte das empresas criadas não são startups, mas sim empresas de pequena ou média dimensão e prestadoras de serviços. Assim é em qualquer local no mundo. Este aspeto é importante porque não é pouco usual conhecer empreendedores que estão a desenvolver empresas de serviços com uma abordagem de startup. Acreditamos que à medida que o ecossistema for evoluindo, esta diferença será mais clara para todos os empreendedores e para a população em geral, e que será benéfica para todo o ecossistema e em especial para os empreendedores, que quando lançarem as suas startups e começarem o caminho de captura de investimento, irão com certeza bem mais preparados para todas as dificuldades que vão encontrar.

Soluções para todas as empresas

O LISPOLIS acolhe sobretudo PMEs tecnológicas, mas também startups e multinacionais, e o apoio que dá a cada empresa é de acordo com as suas necessidades e não forçosamente com a sua tipologia. Assim, o LISPOLIS ajuda as empresas a desenvolverem-se em três fases:

Stand up: Empreendedores com apenas uma ideia encontram no LISPOLIS um apoio na fase inicial de modelação de ideia, criação de Business Plan e abordagem ao mercado, e ainda na criação de uma rede de contactos que pode alavancar os seus progressos. Um dos programas da estratégia StartUP Portugal é o Startup Voucher, que durante um ano oferece uma bolsa a um ou dois empreendedores para que possam trabalhar no seu modelo de negócio e no final do ano constituam a sua empresa de uma forma mais sustentada.

Startup: Empreendedores com empresa já constituída podem encontrar no LISPOLIS um ponto de contacto para ajudar a suprimir as suas necessidades, seja na procura de um parceiro de negócio, de novos clientes ou de prestadores de serviços jurídicos ou contabilísticos, por exemplo. O Vale Incubação, também parte da estratégia StartUP Portugal, é um programa que permite apoiar projetos com menos de um ano na sua aquisição de serviços de incubação e outros fundamentais ao seu arranque e crescimento.

Scale up: Empreendedores com projetos consolidados que procurem rondas de investimento ou a internacionalização da sua startup têm acesso, através do LISPOLIS, a uma rede de investidores privados e capitais de risco que podem ser o match com o investimento, know how e apoio que procuram para escalar a sua empresa. Neste âmbito, o LISPOLIS é Ignition Partner da Portugal Ventures, apoiando no processo de candidatura, e mantém contacto com os principais investidores em Portugal.

No fundo, devemos salientar que trabalhar com inovação, empreendedorismo ou startups implica uma grande predisposição para aprender cada vez mais e ajustar sempre que fizer sentido. É um processo iterativo e sem fim, tanto para empreendedores como para entidades de apoio ao empreendedorismo, como o LISPOLIS, outras incubadoras, aceleradoras, coworks e fablabs.

Porque devem as empresas apostar na transformação digital?

Segundo dados do website IoT Analytics, registaram-se mais de 17 mil milhões de dispositivos conectados em 2018, sendo que entre estes estão 7 mil milhões dispositivos de IoT (Internet of Things), número que exclui smartphones, tablets, laptops e telefones fixos. Já em 2020, estima-se que o número de dispositivos IoT suba para 20 mil milhões e em 2025 para cerca de 22 mil milhões.

O crescimento destes dispositivos tem impacto no dia-a-dia de pessoas, que aderem cada vez mais a veículos e casas conectadas, e de empresas, que têm de adaptar os seus processos e por vezes modelos de negócio aos novos paradigmas da tecnologia.

Segundo a IDC, empresa líder mundial na área de market intelligence, advisory e eventos para os mercados das Tecnologias de Informação e Transformação Digital, o IoT será o principal catalisador de desenvolvimento para o país a curto prazo. Contudo, a consultora prevê que apenas 30% da economia portuguesa estará digitalizada em 2021, o que será um número baixo quando comparado com a previsão da digitalização da economia a nível mundial, que atingirá os 50%.

A transformação digital em Portugal

O estudo Maturidade Digital das Empresas em Portugal, realizado pela NovaSBE Center for Digital Business & Technology em parceria com a EY em outubro de 2018, indica que a transformação digital é um processo demorado: embora 41% das empresas garantam ter iniciado o seu processo de Transformação Digital há mais de 5 anos, apenas 35% afirmam ter um nível avançado de implementação nas novas tecnologias.

O mesmo estudo refere que 75% das empresas que participaram explicam existir uma grande aposta na implementação dos processos de marketing digital e redes sociais nas suas organizações. Do universo de empresas inquiridas, 65% aposta em cloud computing, 61% em big data e analytics e pouco mais de 50% em IoT.

Estas novas tecnologias têm vindo a ganhar cada vez maior importância no mercado de trabalho digital, e com o avanço tecnológico surge a necessidade de mais recursos especializados. O relatório The State of Application Development 2019 da Outsystems indica que 51% das organizações portuguesas investiram no crescimento das suas equipas de desenvolvimento de software em 2018.

Contudo, nem todas as necessidades são colmatadas e mais de 60% das empresas auscultadas no estudo da NovaSBE / EY reconhecem não ter habilitações e conhecimentos digitais adequados, o que pode gerar um aumento da procura pelo talento em Portugal. Esperamos assim assistir nos próximos anos a um aumento da contratação de colaboradores especializados e a um crescimento da aposta das empresas na formação de recursos já contratados.

O consumidor no centro

A Transformação Digital vem também mudar a forma como os negócios olham para todo o processo de venda e o papel do seu consumidor. Enquanto anteriormente se baseava todo o planeamento de produto e de venda em ideias generalizadas e não comprovadas sobre os consumidores, existem hoje em dia um conjunto de metodologias, que incluem o UX Design e a utilização de Big Data para se chegar a conclusões com base em factos, que permitem decisões mais fundamentadas e adaptações das empresas em tempo real.

Marta Lousada, E-commerce & Digital Manager da Sephora Portugal, afirmou durante o Expo Fórum Digitalks Lisboa 2019 que 93% das vendas de retalho em Portugal continuam a ser nas lojas físicas, mas mais de metade (63%) são influenciadas por touchpoints digitais antes da compra.

Sabemos ainda que o consumidor português passa cerca de 6h38min por dia online, das quais cerca de um terço (2h27min) é passado em mobile. Estes dados, disponíveis no relatório Digital 2019 criado pela Hootsuite e We Are Social, são complementados com a informação de que mais de 7 milhões de portugueses (69% da população total) utilizam a internet via mobile.

“Os consumidores têm novos hábitos e a transformação digital tem muito a ver com isso. Não é apenas porque chegaram tecnologias novas, é também porque os consumidores mudaram a sua forma de escolha: no passado a seleção de um produto ou serviço tinha muito a ver com preço e disponibilidade, mas hoje em dia está a ganhar cada vez mais importância a experiência”, refere André Carvalho, Partner da Spark2D e da Tangível.

A questão dos testes de usabilidade ganha uma grande dimensão e impacto no mercado atual, e é por isso que a Tangível criou um Laboratório de UX no LISPOLIS, em que realiza testes com utilizadores reais. “O Laboratório é constituído por duas salas e um conjunto de equipamentos de teste, câmaras e outras tecnologias para registar tudo o que o utilizador faz. Por exemplo, se estivemos a trabalhar num browser, interessa-nos perceber o movimento do rato e os cliques, porque isso pode dar-nos pistas sobre hesitações, por exemplo, interessa-nos gravar tudo o que o utilizador diz, para onde olha, linguagem corporal, expressões faciais, entre outras, porque a partir da observação, do diálogo, daquilo que o utilizador está a fazer e do seu comportamento gestual e corporal, podemos inferir muitas coisas”, clarifica André.

Empresas como Santander, SIBS, Critical Software, Médis, Cetelem, ANACOM e a Worten são já clientes da Tangível e percebem a potencialidade e o benefício da utilização de testes de usabilidade, uma vez que é através destes que conseguem inferir como podem melhorar continuamente as suas soluções para o utilizador final, ao obterem uma perceção real, adquirida através da observação, do funcionamento dos seus produtos do lado do consumidor.

Humanizar a transformação

É importante envolver as pessoas no processo de transformação, uma vez que qualquer mudança gera alguma apreensão, nomeadamente por parte dos colaboradores das empresas.

“A envolvência das pessoas no processo de transformação atinge dois grandes objetivos: por um lado, garante que a solução endereça um problema real das pessoas, que são o principal ativo da organização; por outro lado, reduz e em muitos casos elimina quase por completo a carga de um processo de gestão de mudança associado a iniciativas de transformação”, explica Tiago Perdigão, Business Devil & CEO da Fractal Mind, empresa especialista em processos de gamificação que tem vindo a ajudar as empresas portuguesas como a Worten a alcançar os seus objetivos internos ao envolver os colaboradores. “Se a solução foi construída pelas pessoas, não lhes está a ser imposto, há uma noção de ownership que deriva da participação no processo, aquilo a que chamamos o efeito IKEA”, complementa.

No caso da WortenWinners, plataforma que fomenta a motivação da força de vendas através de uma lógica de jogo que permite a criação de missões e atribuição de prémios aquando do alcance dos objetivos, Tiago explica que transformou por completo a experiência dos colaboradores. “Na Worten, a gamification permitiu o aumento do feedback e transparência, assim como oportunidades de reconhecimento e recompensa para os outliers. A introdução de mecânicas de jogo para a operação, não só a tornou mais gratificante, com +80% dos colaboradores satisfeitos com o novo processo, como impactou positivamente os resultados, gerando um aumento de 6% de vendas por colaborador ao abrigo da experiência gamificada, face ao grupo de controlo”, revela.

A Gamification é um mercado em grande expansão em Portugal e no Mundo. Segundo dados do Mordor Intelligence, o mercado global de gamificação foi avaliado em US $ 5,5 bilhões em 2018, e estima-se uma taxa de crescimento anual composta de 30,31% ao longo do período 2019-2024. As vantagens da gamificação das empresas são cada vez mais difíceis de ignorar: a capacidade de envolver colaboradores e clientes, de obter feedback, de funcionar numa lógica de cocriação, de reconhecer esforços, de promover a competição saudável, de motivar, de oferecer autonomia aos colaboradores e de criar um novo mundo de ‘jogo’ que vem trazer algo de disruptivo à rotina.

“A gamification é elemento diferenciador neste tipo de processos por uma simples razão: poucos fenómenos despertam emoções tão fortes quanto os jogos”, indica Tiago. “A utilização de mecânicas de jogo fornece às organizações uma ferramenta para despertar as emoções que mais movem os seus colaboradores, gerando a motivação necessária para as mudanças comportamentais que suportam os processos de transformação”, remata.

Opinião de Cíntia Costa e Pedro Rebordão, marketing e comunicação do Lispolis

 

Digitalização das empresas: muito mais do que Marketing Digital

ARIEL ALEXANDRE (E-COMMERCE EXPERIENCE) E FRANCISCO SÁ (CEO DO LISPOLIS) NO BOOTCAMP E-COMMERCE EXPERIENCE

Mais de metade das empresas portuguesas não têm presença online – seja através de um website ou de redes sociais. Segundo o estudo Economia Digital em Portugal 2018, elaborado pela ACEPI – Associação da Economia Digital e pela consultora tecnológica IDC, não conseguimos encontrar 59% das empresas portuguesas online.

Este dado indica que é necessária uma educação para o digital no tecido empresarial português, caracterizado por ter 90% de pequenas e médias empresas, que nem sempre alocam os seus recursos à vertente de negócios digitais.

É por este motivo que o LISPOLIS tem vindo a realizar um trabalho de apoio a eventos focados na literacia digital. Em setembro de 2018, realizámos um evento para mais de 700 pessoas focado no E-Commerce em Portugal, o Bootcamp E-Commerce Experience, no qual se exploraram as melhores práticas que estão a ser implementadas por empresas portuguesas e estrangeiras. Nesta sessão, foi possível assistir aos casos das marcas Chronopost, Salsa, Undandy e do grupo Sonae.

Este evento marcou o início do programa de aceleração E-Commerce Experience, que se aproxima agora do fim da sua primeira edição. Durante cerca de seis meses, este programa tem vindo a oferecer formação na área do e-commerce com profissionais de renome que atuam no mercado português e brasileiro, e a proporcionar a troca de experiências entre 20 marcas através de encontros semanais.

Já em outubro de 2018, o Fórum Tecnológico (espaço no LISPOLIS preparado e equipado para acolher eventos de várias dimensões) acolheu o evento CLICKSUMMIT, focado no marketing e vendas online, que recebeu mais de 500 pessoas durante dois dias e mais de 40 oradores.

Mais recentemente, nos dias 20 e 21 de março de 2019, o LISPOLIS recebeu 720 pessoas para o evento Expo Fórum Digitalks 2019, um evento proveniente do Brasil, onde já realizou nove edições (desde 2009) com mais de seis mil participantes por ano.

Pela primeira vez em Portugal, o DIGITALKS Lisboa trouxe aos dois palcos do Fórum Tecnológico 58 oradores versados em e-commerce e marketing digital, que falaram sobre omnichannel, anúncios online, vídeo marketing, customer journey, growth hacking, entre outros temas atuais dos negócios digitais.

Além da partilha de conhecimento, este evento teve como principal objetivo a criação de uma ponte de negócios entre Portugal e o Brasil, sendo 36% dos participantes provenientes do Brasil. O evento contou com mais de 15 empresas em exposição, no piso zero do edifício, e com dois momentos de sunset, no final das palestras de cada um dos dias, que proporcionaram um ambiente descontraído de networking entre oradores e participantes.

Acreditamos que estes eventos são fundamentais para as empresas portuguesas partilharem conhecimentos nesta área, se atualizarem sobre as novas tendências e criarem redes de contactos cada vez mais amplas. E não são apenas interessantes a nível de partilha, mas também a nível comercial, uma vez que no DIGITALKS foram várias as empresas que participaram e finalizaram negócios!

O consumidor está a mudar

“Hoje a jornada não é mais linear, e o objetivo do profissional de marketing é estar lá nos momentos certos”, dizia Daniel Galvão da CRP Mango no palco principal do DIGITALKS. O digital assume aqui um papel fulcral na apresentação de uma boa experiência do consumidor, que pode determinar a sua compra (ou não) do produto ou serviço.

Adriana Lima, da Google, revelou na abertura do segundo dia deste evento que 60% dos utilizadores deixaram de comprar uma determinada marca devido à má experiência de serviço recorrente. Assim, perceber e melhorar a Customer Journey é fundamental não só para angariar novos clientes como para fidelizar os que já compraram.

A estratégia Omnichannel é uma das formas apontadas por vários oradores do evento para melhorar a experiência do consumidor: um cliente deve poder comprar pelo canal que prefere, seja digital ou físico, e receber o mesmo atendimento em todos os pontos de contacto, fazendo com que a sua perceção de marca seja coerente. O cuidado no atendimento ao cliente nos vários canais (por exemplo online, por telefone ou em loja física), seja na pré ou na pós-venda, é outro fator determinante na escolha de um produto em detrimento dos seus concorrentes.

O Modelo Customer Centric ganha assim maior expressão, transformando a forma como as empresas encaram a sua comunicação – passa de uma comunicação focada no que as empresas querem dizer para mensagens mais dirigidas para o que o cliente quer ouvir. No fundo, assiste-se a uma mudança de paradigma em que as pessoas se tornam no centro do negócio, seja a nível interno seja a nível externo.

O Mobile assume aqui um papel fundamental: as marcas têm vindo a apostar num modelo Mobile First por perceberem que o consumidor passa uma grande parte do seu tempo neste dispositivo. Dados do relatório mundial Digital 2019, realizado pelas empresas Hootsuite e We Are Social, demonstram que o consumidor português passa cerca de 6h38min por dia na internet, das quais 2h27min são passadas no telemóvel. São mais de 7 milhões de pessoas que utilizam a internet via mobile, o que representa 69% da população total do país.

As empresas têm aqui uma oportunidade de mercado, de chegar ao seu consumidor por via deste canal, pelo que a aposta numa transformação digital dos seus modelos de negócio se afigura fundamental. A mudança passa não só pela adoção de uma estratégia integrada de marketing, que inclua os meios tradicionais e os meios digitais, como pela reformulação completa da forma como as empresas pensam no negócio e o vão adaptar à nova realidade.

As PMEs Tecnológicas com modelos de negócio Business to Business (B2B) têm tido tendência a autoexcluir-se destes canais digitais por não venderem para o cliente final. A questão que lhes deixamos é se pretendem continuar fora do smartphone da pessoa que, mesmo em representação de uma empresa, lhes vai adjudicar ou não determinado serviço.

O LISPOLIS é muito mais que digital. A nossa missão é acolher e apoiar as empresas no seu desenvolvimento, ajudando-as a estabelecer contactos, a procurar investimento ou ainda no processo de internacionalização. Mas a digitalização da economia e dos negócios é um caminho sem retorno, pelo que o LISPOLIS continuará a promover e a divulgar as melhores práticas.

Uma das ferramentas mais recentes de apoio ao desenvolvimento digital das empresas é a SHIFT 4.0 (https://shift4.isq.pt/shift.html#TOP), criada através de uma parceria entre o IAPMEI e o ISQ, que tem como objetivo analisar a maturidade digital das empresas.

Para saber mais sobre o nosso apoio e os eventos futuros, consulte o nosso website em www.lispolis.pt ou contacte-nos via Facebook ou telefone (217 101 700).

Opinião de Pedro Rebordão, Diretor de Promoção e Inovação do Lispolis, e Cíntia Costa, Marketing e Comunicação do Lispolis

Techvisa ajuda empresas a atrair talento extracomunitário

As empresas estão cada vez mais exigentes. E esta exigência é ainda maior quando se tratam de empresas tecnológicas, como as de desenvolvimento de software, e empresas inovadoras, como as que desenvolvem novos produtos e / ou serviços. São estas as empresas que o LISPOLIS acolhe e pretende continuar a acolher, sejam elas Startups, PMEs ou Grandes Empresas e Multinacionais.

A convivência que o LISPOLIS tem com as empresas instaladas permite-lhe entender o que estas necessitam para desenvolver a sua atividade. Espaço por espaço, considerando que inclui serviços associados a condomínio e manutenção, é hoje manifestamente insuficiente. Mais do que a procura por metros quadrados, as empresas querem um local onde possam encontrar apoio no desenvolvimento do seu negócio, seja no acesso a informação e à agenda de eventos, seja na facilidade de alargarem a sua rede de contactos, seja no apoio na procura de soluções de investimento e / ou financiamento, ou ainda no acesso a serviços especializados.

Um dos assuntos que mais preocupa estas empresas atualmente é conseguirem atrair e reter os recursos humanos altamente qualificados de que necessitam para darem resposta a todos os pedidos e propostas que lhes chegam por parte dos seus clientes.

A focusbc (http://www.focus-bc.com/pt/), empresa de consultoria de negócio e de conceção e implementação de soluções no âmbito da performance management e location intelligence, com foco na personalização de ferramentas para os seus clientes, é uma das empresas que mais tem sentido esta realidade.  “Temos vindo a procurar talento a um nível global, com ajuda de clientes e parceiros especializados, oferecendo condições atrativas aos candidatos e mecanismos de retenção de talento”, afirma Sandro Baptista, Managing Partner.

Explica ainda que entre os pontos mais relevantes para os novos colaboradores aquando da escolha de uma nova empresa para trabalhar estão os “desafios contínuos, inovação de produto e projetos, clientes de referência nacional e internacional, instalações modernas com zonas de lazer e diversão interior e exterior, ambiente informal e mecanismos de acolhimento (fruta, bebidas), fóruns de partilha de conhecimento abertos à comunidade (eventos, meetups, etc.), diferentes modelos de contratação, flexibilidade de horários e trabalho remoto, atividades de lazer em equipa e um modelo de gestão de capital intelectual que engloba um pacote de remuneração atrativo, prémios trimestrais, fringe benefits, modelo de carreiras, formação contínua e programas de certificação”.

O talento é cada vez mais exigente, o que cria uma dificuldade acrescida para as empresas e uma diferença no mercado entre a oferta e a procura.

É também notória uma escassez de talento em Portugal, que é sobretudo sentida pelas empresas de software. Segundo o relatório Hays Global Skills Index 2018, existe um gap de 9,4 numa escala até 10 entre as competências que as empresas procuram e as competências disponíveis no mercado de trabalho, em Portugal. Este número significa que “os negócios enfrentam agora um problema sério em fazer coincidir o talento disponível com as vagas de trabalho”, indica o mesmo relatório, disponível em http://www.hays-index.com/.

A escassez de recursos justifica-se ainda por um aumento da procura, uma vez que é do conhecimento público que grandes empresas têm optado por Portugal para instalar os seus centros de competências e que, simultaneamente, não houve um acompanhamento e adaptação a um novo paradigma de mercado por parte das entidades que trabalham o talento, como é o caso das Universidades.

 

 

O LISPOLIS tem acompanhado estas preocupações de muito próximo e tem feito tudo o que está ao seu alcance para ajudar as empresas a encontrarem soluções, nomeadamente a dois níveis: 1) fazendo a ponte com os cursos com saída para tecnologia das Faculdades associadas ao LISPOLIS, nomeadamente o Instituto Superior Técnico (IST) e a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL); 2) fazendo a ligação entre empresas que querem contratar (procura) e empresas que disponibilizam o talento (oferta), numa lógica de contratação de serviços de desenvolvimento ou de outsourcing de recursos humanos qualificados, ao invés da tradicional solução do ingresso de um novo colaborador no quadro.

É por esse motivo que, considerando também que a falta de recursos qualificados é um problema não apenas português mas também europeu, dá destaque ao programa Tech Visa, promovido pelo Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI) e pela estratégia Startup Portugal. Esta nova iniciativa tem como objetivo “que quadros altamente qualificados, especialmente da área tecnológica, estrangeiros à União Europeia, possam aceder aos empregos criados pelas empresas portuguesas de forma simplificada”, como se pode ler na sua génese, em http://www.iapmei.pt/.

Se no Startup Visa, programa destinado a empreendedores estrangeiros que pretendam desenvolver um projeto de empreendedorismo e/ou inovação em Portugal, com vista à concessão de visto de residência ou autorização de residência, a certificação é atribuída a incubadoras que possam acolher estes projetos, como o LISPOLIS, no programa Tech Visa são as empresas tecnológicas e inovadoras que têm de ser certificadas pelo IAPMEI.

E as empresas do LISPOLIS veem com bons olhos este tipo de iniciativas. “É enorme a disparidade entre o número de recursos qualificados extracomunitários que desejam realocar-se para Portugal e aqueles que fazem essa mudança. Na HHS temos aproveitado a desmaterialização que as TI permitem, através do trabalho remoto, para colmatar a falta de uma via expedita para acolher estes(as) profissionais. Um capital humano de inestimável valor que contribuirá para a nossa sociedade. Urge alterar a postura. Portugal é um país fantástico para viver, recebamos de braços abertos o talento que nos procura”, declara Marco Correia, Conselheiro Estratégico da Host Hotel Systems (https://www.hostpms.com/)

Toda a informação sobre o programa, processo e critérios de certificação das empresas, assim como os requisitos de elegibilidade de trabalhadores altamente qualificados, está disponível no site do IAPMEI (http://www.iapmei.pt). Referir apenas que:

O programa é destinado a empresas tecnológicas e inovadoras que pretendam contratar talento altamente qualificado oriundo de Estados terceiros;

As candidaturas abriram a 2 de janeiro de 2019 e têm como data limite 31 de dezembro de 2019;

Todo o processo decorre numa área reservada da Consola de Cliente do IAPMEI;

As candidaturas serão analisadas num prazo máximo de 20 dias úteis a contar da data de submissão.

Costumamos dizer que o sucesso do LISPOLIS está intimamente ligado ao sucesso das empresas que acolhe. Se as empresas tecnológicas e inovadoras não conseguirem ter os recursos de que necessitam, não conseguirão desenvolver e entregar os projetos, quer os que têm em carteira quer outros que não conseguirão obter por falta de capacidade de resposta. É por isso, e por pretender sempre que possível contribuir para a resolução dos problemas da sua comunidade, que o LISPOLIS promove ativamente este programa junto das suas empresas e da sua rede de contactos e está disponível para o esclarecimento de todas as dúvidas online (em https://www.lispolis.pt/) ou pelos seus contactos habituais (217101700 ou geral@lispolis.pt).

Opinião de Cíntia Costa, Marketing e Comunicação do Lispolis e Pedro Rebordão, Diretor de promoção e inovação do Lispolis.

Uma relação de confiança mútua

Quais têm sido os eixos estratégicos de atuação do Lispolis?

Em primeiro lugar, é sempre bom ouvir esse tipo de testemunhos, pois significa que, enquanto LISPOLIS, estamos a cumprir a nossa missão.

O LISPOLIS tem uma estratégia definida, denominada “Nova Ambição”, assente em cinco eixos: Parcerias / Redes, relacionado com a colaboração com atores estratégicos; Conhecimento, que tem a ver com a proximidade com focos de saber, como Universidades ou as próprias empresas; Empreendedorismo, muito relacionado com inovação e com a necessidade de fazer coisas novas; Investimento / Empresas, que tem a ver com a atração de empresas diferenciadas e com capacidade de crescer e atrair mais empresas; Internacionalização, não só do LISPOLIS, mas também das suas empresas.

Tendo em conta que o LISPOLIS acolhe startups, micro, pequenas, médias e grandes empresas, incluindo multinacionais, unidas por um cariz tecnológico e pela capacidade de diferenciação, é importante a proximidade às empresas, a criação de uma relação de confiança mútua e a capacidade de as apoiar no que elas necessitam e no momento em que a necessidade é sentida, seja no apoio ao desenvolvimento do negócio, no estabelecimento de contactos ou na procura de investimento.

O Lispolis integra a Rede de Incubadoras de Lisboa, a TECPARQUES – Associação Portuguesa de Parques de Ciência e Tecnologia, a Rede Nacional de Incubadoras e o IASP – International Association of Science Parks and Areas of Innovation. É também Ignition Partner da Portugal Ventures. Que desafios enfrenta atualmente enquanto parque empresarial/tecnológico?

Um dos desafios do LISPOLIS é continuar a manter a colaboração com as redes aqui referidas, assim como com as entidades que as integram de forma a manter a sua posição de parceiro no desenvolvimento de iniciativas e um ator na proposta de políticas públicas orientadas para o setor.

O LISPOLIS tem vários desafios concretos para 2018: posicionar-se como local de destino para startups e empresas tecnológicas provenientes de incubadoras ou de programas de aceleração; tornar a comunidade de empresas LISPOLIS cada vez mais cooperante (ou colaborativa) – acolhemos presentemente mais de 120 empresas que faturam mais de 100M€ / ano; melhorar os serviços de apoio às empresas, seja através do reforço de competências internas ou de parcerias – está previsto para este ano lançar a Rede de Mentores LISPOLIS; lançar iniciativas exclusivas do LISPOLIS – este ano vamos fazer a segunda edição de um concurso de ideias cujo prémio é o MVP de uma APP e vamos lançar a primeira edição de um programa de aceleração focado em ajudar negócios a passarem do modelo físico ou em loja para o digital.

Como parque empresarial / tecnológico, para além dos desafios no apoio aos empreendedores e às empresas, e esta é a principal função das incubadoras, temos que nos preocupar também com questões como continuar a garantir as condições de mobilidade no LISPOLIS – a instalação e possível expansão da Universidade Europeia veio tornar o estacionamento, algo tão vulgar, numa das nossas grandes preocupações enquanto gestores do parque a par do reforço do transporte público. Outra preocupação, e acreditamos que não é só do LISPOLIS, é continuar a investir na digitalização dos nossos serviços.

Que principais diferenças se encontram entre o panorama empresarial atual em Portugal e o momento em que o projeto Lispolis iniciou?

O LISPOLIS iniciou a sua atividade em julho de 1991, acolheu a primeira empresa em 1994, e desde então acolheu mais de 330 empresas.

Identificamos três diferenças muito significativas que ilustram bem a mudança de paradigma. Uma primeira, relacionada com as startups, e com todo o ecossistema que se construiu, e que inclui redes de incubadoras, programas de aceleração, investidores, mentores, e também uma mudança muito significativa nos objetivos dos jovens que hoje em dia frequentam a Universidade: o objetivo já não é apenas trabalhar numa grande empresa ou consultora por conta de outrem,  iniciar um negócio próprio passou também a ser uma forte alternativa de carreira ou opção profissional. A segunda diferença está relacionada com os serviços de near shore, ou seja, a deslocalização de serviços, seja porque se encontram condições mais favoráveis ou a mão-de-obra necessária noutras localizações: no LISPOLIS acolhemos empresas que fazem desta a sua atividade, existindo já casos de empresas que têm a seu cargo não a prestação de serviços de manutenção (mais comuns de serem deslocalizados) mas assegurar o desenvolvimento do core do próprio negócio. A terceira diferença é a escolha de Portugal para instalação de grandes empresas, como o caso recente da Google.

É também importante realçar que toda esta mudança começou a acontecer, pelo menos de uma forma mais consistente, em plena crise, suportada na excelência da qualificação dos nossos quadros e reforçada com a vinda do Web Summit para Lisboa, que veio definitivamente sinalizar a cidade e o país como local de eleição para acolher iniciativas empresariais. E isto era algo que não acontecia em 1991, quando se falava apenas em spin off dos laboratórios do Estado.

No âmbito da estratégia nacional para o empreendedorismo, designada de StartUP Portugal, foi incluída a medida Vale Incubação. Quais são as expectativas?

O LISPOLIS apoia presentemente dois projetos ao abrigo do programa Vale Incubação, um na área da manutenção industrial e outro na área da impressão online. A expectativa será assegurar que empresas em fase inicial possam continuar a ser apoiadas por esta medida. A expectativa do LISPOLIS é utilizar o Vale Incubação para apoiar empresas cuja atividade envolva não só o desenvolvimento de software mas também o hardware, empresas relacionadas com robótica, IoT ou prototipagem rápida, todas estas alinhadas com a nova política do LISPOLIS de atração de empresas.

O Centro de Incubação e Desenvolvimento do LISPOLIS é uma incubadora acreditada. Qual é, portanto, o seu papel?

O papel do Centro de Incubação e Desenvolvimento é idêntico ao de outras incubadoras, isto é, apoiar empreendedores e empresas através de um programa de incubação que visa o apoio ao seu desenvolvimento em diversas vertentes (mercado, financiamento, quadro legal, etc.) que está para lá da mera cedência de espaços e serviços conexos. Como incubadora acreditada, diferenciamo-nos por sermos “parceiros” da Startup Portugal – Estratégia Nacional para Empreendedorismo, que inclui medidas como o Vale Incubação (apoiámos 2 projetos em 2017), já aqui referida, e o Startup Voucher (apoiámos 9 projetos em 2017 que atingiram a fase final do programa).

Para contextualizar o nosso leitor, o que é a Rede Nacional de Incubadoras e o Vale de Incubação?

A Rede Nacional de Incubadoras é também uma medida da Startup Portugal – Estratégia Nacional para Empreendedorismo que contribui, sobretudo, para demonstrar a expressão da incubação em Portugal e permitir uma melhor articulação entre todos os que têm interesse neste tipo de atividade, sejam incubadoras ou incubados.

O Vale Incubação apoia projetos com menos de um ano na contratação de serviços de incubação prestados por incubadoras de empresas previamente acreditadas, como o Centro de Incubação e Desenvolvimento do LISPOLIS.

Por fim, de que se trata este novo Programa Start Up Visa?

Este novo programa destina-se a empreendedores extracomunitários, caracterizando-se pela concessão de um visto de residência ou autorização de residência. Os empreendedores que necessitam de ser incubados numa incubadora previamente acreditada têm de desenvolver atividades inovadoras e “internacionalizáveis”, têm de criar emprego qualificado e ter capacidade de atingir, em 3 anos, o valor de 325.000€ ou um volume de negócios superior a 500.000€/ano.

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