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Novo livro de Helena Mendes Pereira “Pequenos delitos do coração”

‘Pequenos Delitos do Coração’, que será apresentado no Convento Corpus Christi, situado no Cais de Vila Nova de Gaia, no sábado, 29 de junho, pelas 21h30, parte, então, de um conjunto de textos mais ou menos recentes (mas não datados nem ordenados) que, depois de escritos, são enviados para a Lauren que escolhe uma imagem para os mesmos, dentro daquilo que é a sua leitura e interpretação mais ou menos linear do que leu mas, sobretudo, do que sentiu quando leu.

Serão cerca de 50 textos e 50 imagens. Para Helena Mendes Pereira ‘A matemática aqui não é importante. Os textos não podem ser forçados, têm de partir de impulsos interiores reais, de sonhos que viram insónias, de desesperos e de felicidades latentes, de gritos e de choros que, no tal brotar das palavras que se tornou no quotidiano de quem escreve como respira, querem virar jogo, dialética, expressão, confissão. Não há nomes e as referências a lugares são figuradas, da mesma forma que as imagens da Lauren têm essa intensidade da abstração. Palavras e imagens podem ser tudo sem serem absolutamente nada. Podem gerar identificação ou apenas repulsa em quem lê. Podem chocar ou fazer sorrir. Interessa apenas que não gerem indiferença pois, para nós, este livro é a idealização da verdade interior dos magos do amor, de todas as formas de amor. A dor é também uma forma de amor. É uma porta que abrimos sobre as nossas fugas à norma e à normalidade do socialmente instituído, sejam tudo isto real ou produto da imaginação. Não interessa e essa é uma pergunta a quem nunca vamos responder. Os motivos ficarão connosco.’

‘Pequenos Delitos do Coração’ será prefaciado por Francesca Rayner, Professora Auxiliar da Universidade do Minho nas áreas do teatro e da performance. Feminista convicta e com uma sensibilidade sobrenatural para a Arte, Francesa Rayner é uma inspiração e um exemplo de Liberdade, por isso a autora desafiou-a a escrever sobre este livro que, de certa forma, assinala o fim de um ciclo e o início de outro.

O posfácio, por sua vez, ficará a cargo de Cati Freitas, cantora, amiga e uma espécie de conselheira espiritual. Serão visões diferentes, mas complementares e, sobretudo, uma forma de juntar mais mulheres a este projeto. A paginação do livro será da Alexandra Xavier, a designer que trabalha comigo há largos anos e com quem publiquei dezenas de livros e catálogos.

A Astronauta, associação criada pela Helena e por um grupo de amigos, edita. Há sempre os que se juntam para apoiar e haverá os que não deixarão de comprar este livro para casa. As autoras querem apenas que ele aconteça, que se pague a si próprio e que seja o primeiro de muitos outros projetos em que querem que as palavras e as imagens se unam em prol da verdade do que é, hoje, ser mulher.

 

 

A AUTORA SOBRE SI PRÓPRIA

Sempre escrevi. Cresci no meio dos livros e no contacto com alguém que fazia das palavras artifício profético para a transmissão da poesia e da filosofia das ideias, dos pensamentos e das inquietações: o meu pai. O meu pai preocupou-se sempre em que eu soubesse escrever com correção e incentivou-me sempre a escrever sem pensar em convenções mas usando o dicionário para diversificar vocabulário e ter certezas sobre o sentido das palavras. Tínhamos duas ou três edições diferentes de dicionários em casa. Lembro-me de ter 10 anos e andar no 5º ano. O meu pai tinha (e tem) alunos da mesma idade e, apesar de ser licenciado em Filosofia, leciona Português e História. A professora de Português pediu que escrevêssemos uma composição sobre a Primavera e eu escrevi. As composições dos meus colegas começavam todas da mesma maneira, bem como as dos alunos do meu pai: “A Primavera é uma estação do ano que começa a 20 de março….” A minha era diferente. Começava assim: “A Primavera descansa no verde.” Mostrei ao meu pai. Senti-me insegura, talvez, até porque a professora não tinha apreciado particularmente o texto. Não lhe senti o entusiasmo. Cheguei a casa e mostrei ao meu pai. A reação foi oposta à da professora: na sua tremenda loucura, repetia aquela frase inicial com um orgulho desmesurado: “A Primavera descansa no verde!”, “Olha, Casimira, olha o que a menina escreveu, ouve: A Primavera descansa no verde!”. A casa transformou-se numa azáfama: onde afixar o texto? Tantos anos de ensino a pedir textos sobre a Primavera, como era da praxe, até que, dentro de casa, surge aquele bálsamo, àquela libertação! Acho que nunca mais parei desde esse dia. Escrevi diários, trocava cartas com amigas e amigos. Lia e escrevia, além de gostar de todas as outras matérias, disciplinas e atividades extracurriculares, das desportivas às artísticas, que fui sempre acumulando, nunca deixando as boas notas em tudo: começando pela Matemática da minha mãe e acabando do Português do meu pai. Na verdade gostei sempre da Escola e fui-me viciando em aprender, desenvolvendo o vício da curiosidade, cultivando a inquietação em todas as pequenas e grandes coisas da vida.

A Arte fez, também, sempre parte da minha vida e o mergulho na vida académica e depois profissional tornou diária a minha vinculação às imagens, treinou-me a lê-las ou a não as conseguir ler, aguçou-me a sensibilidade e educou-me, também, para saber comunicar através delas.

Comecei cedo a publicar, sempre no âmbito do meu trabalho de investigação em práticas artísticas e culturais contemporâneas. Tive e tenho, desde 2009, espaço de comunicação escrita em órgãos de comunicação social, os meus projetos de curadoria merecem sempre uma aposta nos textos e são já alguns os livros lançados. Não muitos. Alguns. Cinco textos para teatro escritos e levados a cena, também. Mas este ‘Pequenos Delitos do Coração’ é, de facto, o primeiro em que me arrisco na partilha de conteúdo de teor prosaico e interior, por vezes próximo de uma prosa-poética que se constrói nas reflexões sobre o vivido (por vezes) e o imaginado, como se o corpo saísse de nós, criasse heterónimos e se expandisse, num combate à autocensura que assumo como causa e missão e na fundamentação de uma forma totalmente livre de ser mulher, de viver o prazer, a dor. A escrita como catarse e o escritor como construtor de possibilidades e de utopias, como defensor da verdade e de um espírito de lealdade ao que de mais autêntico, visceral e disruptivo há em cada um de nós. Naturalmente que na escrita, como em qualquer outro processo de criação, hã 90% de transpiração e 10% de inspiração e esses 90% são a insistência no trabalho, a persistência no exercício para que a mente se aperfeiçoe. A dada altura são já as palavras que nos encontram e, no meu caso, não raras vezes quando tomo a estrada neste ciclo de vida em que escolhi ser de lugar nenhum,  brotam sem que as consiga controlar, obrigando a que o racional as combine, lhes crie os ritmos e contes as estórias que se passam cá dentro, do coração e da mente.

 

HELENA MENDES PEREIRA

Helena Mendes Pereira (n.1985) é curadora e investigadora em práticas artísticas e culturais contemporâneas. Amiúde, aventura-se pela dramaturgia e colabora, como produtora, em projetos ligados à música e ao teatro, onde tem muitas das suas raízes profissionais. É licenciada em História da Arte (FLUP); frequentou a especialização em Museologia (FLUP), a pós-graduação em Gestão das Artes (UCP); é mestre em Comunicação, Arte e Cultura (ICS-UMinho) e doutoranda em Ciências da Comunicação, com uma tese sobre Mercado da Arte no pós 25 de Abril de 1974. Atualmente, é chief curator da zet gallery (Braga) e integra a equipa da Fundação Bienal de Arte de Cerveira como curadora e no apoio à coordenação artística, tendo sido com esta entidade que iniciou o seu percurso profissional no verão de 2007. No âmbito da educação e mediação cultural orienta, regularmente, visitas a exposições e museus de Arte Contemporânea, tendo já lecionado o tema em várias instituições de ensino. Integra, no ano letivo de 2018/2019 o corpo docente da Universidade do Minho como assistente convidada. É formadora sénior e consultora nas áreas da gestão e programação cultural. Publica regularmente em jornais e revistas da especialidade, tais como o quinzenário As Artes entre as Letras, nas revistas RUA e UMBIGO. Tem publicados catálogos e outros resultados de investigações mais profundas sobre artistas e contextos de curadoria.

LAUREN MAGANETE

Lauren Maganete nasceu em Bragança em 1970 e estudou no Porto, licenciando-se em Gestão e Administração de Empresas . Efetua trabalhos fotográficos para a  Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia desde 2009. Tem trabalhos publicados em diversas revistas e jornais, nacionais e internacionais. Participa regularmente em exposições individuais e coletivas, tendo já passado por Madrid, Sardenha, Lisboa, Porto, Vila Nova de Gaia, Coimbra, Bragança, Braga, Ovar, Águeda e Cerveira. Trabalha como fotógrafa freelancer, colaborando com diversas instituições e empresas. A sua obra encontra-se em diversas coleções públicas e privadas.  Em 2016 foi a portuguesa mais classificada do Mira Mobile Prize, promovido pelo Mira Fórum. Participou como artista convidada e a concurso, na Bienal Internacional de Gaia de 2015, 2017 e 2019. Em 2018 conquista o prémio Aquisição na XX Bienal Internacional de Arte de Cerveira. Sobre o trabalho artístico que desenvolve, Lauren Maganete refere:  “As fotografias guardam o movimento único de cada qual, ampliam idiossincrasias, perpetuam a ligação que é feita entre o que somos e o chão, passando assim a ser sempre o palco”.

Festival Mental será palco do lançamento do livro “As Aventuras de Mr. X – A Trilogia”

As Aventuras de Mr. X – a Trilogia são pequenas histórias pensadas e escritas em cinco minutos em busca da aventura maior.

A Trilogia, condensada num único volume, são:

O Livro das Coisas que o não são

O Livro das Pessoas impessoais

O Livro dos Lugares que não ocupam lugar

As Aventuras de Mr. X – A Trilogia é uma edição: Festival Mental e DGS – Programa Nacional para a Saúde Mental.

Também a cidade do Porto será palco do lançamento do livro no próximo dia 19 de novembro pelas 18h30, no Espaço Atmosfera M, com a presença do autor João Gata e apresentação pelo empresário Paulo Vieira de Castro.

Consulte toda a programação do #festivalMental em www.mental.pt

ANOTE ESTAS DATAS

Lisboa: 14 de novembro | 18h30 no Espaço Atmosfera M, Rua Castilho, nº 5, Lisboa

Porto: 19 de novembro | 18h30 no Espaço Atmosfera M, Rua Júlio Dinis, nº 158/160, Porto

Ser mulato no apartheid, a obra de Trevor Noah chega às nossas livrarias

T.D. / LUSA

‘Sou um crime. Nascer e crescer no apartheid’ é o título do livro que a editora Tinta-da-China publica agora em Portugal, e que foi lançado em 2016 nos Estados Unidos, tendo-se tornado imediatamente um ‘best-seller’.

É do crime de nascer mulato durante o apartheid na África do Sul que trata este livro, uma história de vida que Trevor Noah conta na primeira pessoa, em 18 pequenos ensaios simultaneamente hilariantes e intimistas.

Filho de pai branco e mãe negra, Trevor foi escondido durante os primeiros anos da sua vida para que as autoridades não soubessem da sua existência, pois poderiam retirá-lo à família e condenar os pais a uma pena de cinco anos de prisão.

O livro abre precisamente com a publicação da “lei da imoralidade de 1927”, que determina a “proibição de relações carnais ilícitas entre europeus e nativos e outros atos relacionados” e estipula as penas previstas para esses casos.

“Sou um crime” relata, então, o percurso de Trevor Noah num mundo onde nem sequer teria direito a existir, e onde se sentia deslocado tanto nas zonas dos brancos, como nos subúrbios dos negros.

Um rapaz que aos sete anos teve de saltar de um carro em andamento, que jantou muitas vezes caldo de lagartas, que cresceu num regime opressor em tempos perigosos, e que chegou à idade adulta atravessando os tumultuosos primeiros anos de liberdade do seu país.

Na primeira parte do livro, Trevor Noah considera que “a genialidade do apartheid foi convencer uma população que constituía a esmagadora maioria do país a virar-se contra si mesma”.

“‘Apartódio’ seria um termo mais adequado. Apartam-se as pessoas em grupos e instiga-se o ódio de uns contra os outros, com o objetivo de controlar a todos”, acrescenta.

Mas nem só de relatos “tristes” e “perturbadores” da “angustiante” vida na África do Sul, ainda que escritos de forma divertida, é feito este livro, “é mais do que isso — é uma carta de amor à excecional mãe do autor”, como escreveu o The New York Times.

Trevor Noah foi desde sempre impulsionado pela sua mãe — “rebelde, teimosa, exigente e a grande homenageada do livro” — e, através de um “prodigioso sentido de humor”, conseguiu quebrar o ciclo de pobreza e discriminação a que estava condenado”, e chegar ao lugar que ocupa hoje, descreve a editora.

Aliás, na dedicatória do livro lê-se: “Para a minha mãe, a minha primeira admiradora. Obrigado por fazeres de mim um homem”.

A mãe de Trevor, a mulher que sempre mostrou determinação em tirar o filho daquele meio de pobreza e violência, é a mesma pessoa que foi vítima de violência doméstica e que chegou a ser baleada, correndo risco de vida.

Um dos textos do livro, que faz uma associação bem-humorada entre carros e momentos tristes da vida do autor, coloca a mãe no centro da questão.

“Ainda hoje odeio carros em segunda mão. Os carros em segunda mão fizeram-me ficar de castigo por chegar tarde à escola. Os carros em segunda mão deixaram-nos a pedir boleia na berma da autoestrada. Foi também por causa de um carro em segunda mão que a minha mãe se casou. Se não fosse pelo Volkswagen que não pegava, nunca teríamos procurado o mecânico que se tornou o marido que se tornou o padrasto que se tornou o homem que nos torturou durante anos e enfiou uma bala na nuca da minha mãe. Para mim, só carros novos com garantia”.

Publicado em vários países, este livro, o primeiro do autor, vai ser adaptado ao cinema, com a atriz Lupita Nyong’o (atriz de origem queniana vencedora do Óscar de melhor atriz secundária pelo seu papel em “12 anos escravo”, de 2013) no papel de mãe do protagonista.

Trevor Noah nasceu em Joanesburgo, em 1984. É humorista, guionista e apresentador de televisão. Começou por apresentar programas e ‘talk shows’ na África do Sul, até se distinguir na ‘stand-up comedy’ e alcançar sucesso internacional.

Atualmente, é apresentador do telejornal satírico The Daily Show, um dos mais icónicos programas de humor norte-americanos, onde sucedeu a Jon Stewart – que o escolheu pessoalmente -, e já gravou vários especiais de ‘stand-up’, como “Afraid of the dark”, o mais recente, disponível na plataforma Netflix.

Trevor Noah vive nos Estados Unidos desde 2011 e foi considerado pela revista Time uma das 100 pessoas mais influentes do mundo.

LUSA

Imigração portuguesa inspirou livro que agora vai ser apresentado em Paris

Dos emigrantes-soldado aos “emigrantes de sonho”, o primeiro romance de Manuel do Nascimento inspira-se na história da emigração e surge após 48 anos a viver em França – mais do dobro daqueles que viveu em Portugal – e depois de ter editado, em França, nove obras sobre História de Portugal.

Manuel do Nascimento contou à Lusa, em setembro, que escreveu páginas que classifica como “uma narração simples”, nas quais deixou “palavras soltas das últimas férias ao país” e “principalmente saudade”.

O livro nasceu de uma viagem a Lisboa, quando o emigrante conheceu um mendigo cujo pai, o alferes Raimundo Marques, participou na Primeira Guerra Mundial em França, entrou na Resistência francesa na Segunda Guerra, “esteve com o general Charles de Gaulle várias vezes e salvou o Hitler na Primeira Guerra sem saber que era ele”.

A obra, editado em Portugal pelas Edições Colibri, parte da vida deste soldado para percorrer a história contemporânea do país, nomeadamente a emigração para França nos anos 1950, 1960 e 1970, a que Manuel do Nascimento chama “emigração de sonho”.

“A maioria dos nossos emigrantes que vieram naqueles anos tinha um sonho de encontrar uma vida melhor em França, mas encontraram outras surpresas porque foram morar para as barracas dos bairros de lata. Para muitos, esse sonho foi muito triste”, lembrou, exemplificando com os ‘bidonvilles’ de Champigny-sur-Marne, Saint-Denis e Aubervilliers.

Ainda que não tenha vivido nos bairros de lata, em janeiro de 1970, com 20 anos, Manuel do Nascimento também rumou a França “a salto”, numa viagem negociada clandestinamente e a “três contos de reis, três meses de ordenado”. O objetivo era evitar a guerra colonial.

Quando chegou a França, trabalhou para uma empresa onde fazia “microfilmagem de jornais, revistas e livros para a então Biblioteca Nacional de Paris” e foi ao longo desses 15 anos, em contacto com as páginas de obras “muito, muito antigas”, que cultivou a paixão pela História e se dedicou à escrita porque “nos manuais franceses nada existia sobre Portugal”.

“Antigamente, eu era obrigado a tirar dias de férias para ir para as bibliotecas fazer pesquisa. Ainda por cima, naquela altura a biblioteca da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris estava fechada aos sábados e tinha de tirar dias durante a semana”, continuou Manuel do Nascimento.

Uma das “grandes paixões” do autor é a Grande Guerra, tendo publicado, nomeadamente, “Premiére Guerre mondiale (Centenaire 1914-2014) et la main-d’oeuvre portugaise à la demande de l’État français” [“A Batalha de La Lys” e “Primeira Guerra Mundial: Os soldados portugueses das trincheiras da Flandres e a mão-de-obra portuguesa a pedido do Estado francês”].

“Nem tudo acontece por acaso” vai ser apresentado por Luísa Semedo, Conselheira das Comunidades Portuguesas e vencedora do Prémio Literário e de Ilustração Eça de Queirós.

BREAK HEAVEN, de Aida Chamiça

No próximo dia 27 de Setembro às 19 horas, na livraria Bertrand Chiado, Lisboa, ocorrerá o lançamento do livro BREAK HEAVEN, de Aida Chamiça. Não falte e esteja na primeira fila para uma leitura estimulante e desafiadora.

Aida Chamiça é Executive  and Team Coach, a primeira portuguesa a alcançar o nível de certificação MCC (Master Certified Coach) pela ICF, contando já com mais de 5000 horas  de experiência em clientes nacionais e internacionais.

Actualmente directora de formação (cursos ACTP – Accredited Coach Training Program) na International Coaching Academy,  foi ainda co-formadora na primeira formação para Executive and Team Coaches, certificada pela ICF Portugal.

Para além da certificação MCC, realizou o Masterful Coaching Program no College of Executive Coaching (Califórnia, Estados Unidos) e, ao longo de 13 anos, tem feito actualização de formação em Coaching em mercados maduros, como os EUA, Inglaterra, França, Bélgica e Espanha.

 

“A Globalização e a Geopolítica Internacional” – Um livro que obriga a repensar

Num evento que também contou com a presença do autor do prefácio da obra, Rui Pereira, Ministro da Administração Interna nos XVII e XVIII Governos Constitucionais, foi a João de Almeida Santos, Diretor do Departamento de Ciência Política, Segurança e Relações Internacionais da Universidade Lusófona, que coube a responsabilidade de dar início ao lançamento do livro “A Globalização e a Geopolítica Internacional”, no passado dia 24 de fevereiro, nas instalações da Universidade Lusófona. Desenvolvida no âmbito de uma parceria com o Departamento de Ciência Política, Segurança e Relações Internacionais, “a dimensão da obra é tão extensa que, mais do que apresenta-la, pretendo propor algumas reflexões em torno do fascinante tema da globalização”. Para João de Almeida Santos, é sempre gratificante verificar que os professores daquela instituição investigam matérias que facilitam a compreensão do mundo atual, sob a moldura de um assunto tão pertinente como é a globalização. “Logo no início desta obra os autores referem-se à globalização como algo que não é pacífico e que está envolvido por um manto de dificuldades”, explicou, acrescentando ainda que o facto de os autores defenderem que este conceito está a “cair em desuso” poderá significar que o mesmo está a “perder clareza concetual em parte por ter caído na esfera da banalidade linguística mas também por existir um afunilamento ao deslizar para a esfera da economia”.

João de Almeida Santos
João de Almeida Santos

Contudo, para Almeida Santos, esta obra ultrapassa esse denominado “afunilamento económico-financeiro”, ao propor uma panóplia de temas que integram este mundo global, desde a “política externa e segurança comum da União Europeia, à necessidade da sua reinvenção institucional e política com propostas concretas e bem estimulantes como é o caso da criação de um Senado que substitui o Conselho de Ministros até à complexa questão da guerra global da informação”, enumerou o responsável que, por inúmeras ocasiões, descreveu o livro como sendo “uma obra muito vasta” que percorre inúmeros temas que são objeto de uma análise bastante minuciosa por parte dos autores. O emprego numa ótica global, o direito ao trabalho e à subsistência para aqueles que não podem trabalhar ou a liderança no contexto internacional são outros assuntos propostos, sob a bandeira da globalização, um conceito que, para João de Almeida Santos, está “banalizado e pouco claro do ponto de vista concetual”, confundindo-se frequentemente “o processo com o conceito”. Assim sendo, com este livro de António Gameiro, Doutorado pela Universidade Complutense de Madrid, e Rui Januário, Mestre em Relações Internacionais, Almeida Santos acredita que estão lançadas “boas alavancas para entrarmos em força nos grandes temas da globalização”.

Rui Pereira
Rui Pereira

Se para os autores o facto de Rui Pereira ter aceite escrever o prefácio desta obra é de uma simbologia inestimável, para o antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros é de louvar o facto de alguém “ousar pensar e escrever sobre um conjunto vasto e atrevido de temas que estão na ordem do dia”. Globalização e Geopolítica Internacional são grandes temas do momento sobre os quais tem uma visão bastante otimista. Recuando no tempo e fazendo uma certa e curiosa analogia com o setor da saúde, Rui Pereira acredita que a “globalização está hoje para o discurso político como a virose estava para o discurso médico há uns anos”. Por outras palavras, se, no passado, perante um problema de saúde com causas desconhecidas os médicos tinham o hábito de associa-lo a uma virose, hoje o mesmo acontece com a globalização. Terrorismo, criminalidade internacional organizada, autoestradas da informação, entre muitos outros fenómenos atuais são frequentemente vistos como consequências do mundo global e, para Rui Pereira, dentro deste cenário, há uma certeza inabalável: “sabemos o que é a globalização mas não sabemos para onde nos vai conduzir”.
Com esta obra, os autores conseguiram tratar algumas temáticas relativas à globalização, enfrentando este fenómeno através de algumas das suas manifestações.  Para tal, abordaram temas com uma pertinência ímpar, como “a emergência do mundo unipolar, o fim da guerra fria, a era da mediatização global e da internet, a ameaça de colapso ecológico, a crise do estado social, as migrações e a insegurança no Mediterrâneo, a criminalidade organizada e o terrorismo”. São temas que se relacionam com a globalização que, para Rui Pereira, tem causado mais vantagens do que inconvenientes porque “no essencial, traz mais democracia, mais informação, mais liberdade e mais cultura às pessoas”, defendeu, reconhecendo, contudo, que um dos domínios onde tem efeitos mais perversos é o da segurança. “A globalização aumenta a liberdade e diminui a segurança”, afirmou Rui Pereira, lançando de imediato a questão: “nos tempos atuais, como conciliar liberdade com segurança?” Este é um problema a resolver. “Entre segurança e liberdade há uma relação de interdependência mas também existe uma relação de antinomia que tem sido agudizada pela globalização”, defendeu Rui Pereira que termina a sua intervenção com um apelo aos autores. “Perante esta avalanche da globalização, como é que podemos preservar o Estado Social? Numa futura obra espero que os autores respondam a esta questão de uma forma mais desenvolvida”, concluiu.

António Gameiro
António Gameiro

A visão dos autores
Considerando a globalização e a geopolítica internacional o denominador comum que melhor assentava, esta obra, acima de tudo, procura ser abrangente e abarcar um conjunto de temáticas sobre um assunto que, para António Gameiro, “nos interpela a todos, sobretudo aqueles que estão mais atentos ao fenómeno político e social”. Hoje não há nada que não seja acompanhado no momento e, como prova disso, o autor partilhou com o público o facto de, minutos depois do início do evento, já existirem fotografias nas redes sociais sobre o mesmo. “Estamos nesta era da globalização onde a informação nos interpela a cada momento. O livro, tendo como base um conjunto diversificado de temas, reúne o nosso esforço no sentido de narrar alguns fenómenos da globalização e da geopolítica internacional mas fomos ainda mais além, dando a nossa opinião”, salientou António Gameiro que acredita ainda que o Estado Social é cada mais digno de proteção uma vez que “o Estado Social na União Europeia é o arquétipo de Estado no Mundo. É um Estado igualitário, livre e justo que tende a fomentar políticas públicas para que as pessoas tenham mais qualidade de vida, e sejam felizes, o que traz harmonia e paz ao Mundo”. Mas, perante os desafios atuais e a falta de resolução de alguns problemas prementes, importa repensar e lançar o debate. Este é o objetivo da obra. “Espero que tenham boas reflexões porque a inquietação dos autores é imensa”, concluiu António Gameiro.

Rui Januário
Rui Januário

Por fim, depois de todas as apresentações, Rui Januário dedicou a sua intervenção à desconstrução de algumas ideias apresentadas no livro, defendendo, desde logo, que a globalização evoluiu para uma vertente social e política com referência à chamada “sociedade dos dois décimos”, uma ideia preconizada por Werner Schwab. O que significa?  “Significa que dois décimos das pessoas fazem falta e terão emprego no futuro, ao passo que 80% da população não vai ter uma atividade funcional”, explicou o autor. Se não houver uma rápida atenção relativamente ao Estado Social e aos ditames da relação entre política e economia, esta teoria tende a reforçar-se. Neste sentido, partindo do facto de no mundo ocidental 64% das receitas do Estado provir do rendimento do trabalho, Rui Januário avançou com alguns números que causam alguma preocupação e que geram aquilo a que chamou de “anemia no mercado e na democracia ocidental”. “Segundo alguns autores, para sustentarmos o Estado Social na forma e no modelo existentes, teremos de diminuir os salários em 20%. Ora, 40% do PIB da Europa Ocidental é gasto em prestações sociais, financiadas fundamentalmente pelas contribuições do fator trabalho”, explicou. Perante estas constatações, os autores lançam algumas questões na obra: “Que dose de mercado poderá a democracia suportar? O que é que o mercado pode evoluir de forma a continuarmos no modelo de Estado Social e no modelo democrático?” Posto isto, os autores não defendem uma “cura de emagrecimento dos Estados por via de uma cisão social. Mas, correndo mais uma vez o risco de serem considerados “reacionários”, António Gameiro e Rui Januário expuseram algumas medidas que poderão combater o paradigma da designada “sociedade dos dois décimos”, nomeadamente: limitar o poder político de que dispõe os mercados; criação de um imposto sobre o volume financeiro; em vez de combater a inflação, encorajar a liberdade empresarial (regulada e tutelada); criação de um imposto sobre a circulação internacional de capitais; proibição das transferências de capitais para paraísos fiscais (já não de um ponto de vista criminal mas orçamental); incremento do sistema educacional para fornecer toda a informação aos cidadãos para que se consigam aperceber das realidades; novas formas de financiamento dos orçamentos públicos; entre outras.
Se para Rui Pereira, os leitores poderão encontrar nestas páginas “um estímulo para (re)pensar o futuro de Portugal no quadro dos seus compromissos e alianças”, Rui Januário aceita que o vejam como um reacionário. “Se ser reacionário é defender o bem comum e o bem da sociedade, eu serei orgulhosamente um reacionário”, concluiu.

O conceito de globalização deverá ser devidamente clarificado para que a discussão não conheça deslizes concetuais e, portanto, para que possamos abordar esta temática de forma correta”. (João de Almeida Santos)

Tenho uma visão muito otimista porque a globalização terá mais vantagens do que inconvenientes. No essencial, a globalização traz mais democracia, mais informação, mais liberdade e mais cultura às pessoas”. (Rui Pereira)

Estamos na era da globalização onde a informação nos interpela a cada momento. O livro, tendo como base um conjunto diversificado de temas, reúne o nosso esforço no sentido de narrar alguns fenómenos da globalização e da geopolítica internacional mas fomos ainda mais além, dando a nossa opinião”. (António Gameiro)

Há quem defenda que o livro é um pouco reacionário. Pois bem, se ser reacionário é defender o bem comum e o bem da sociedade, eu serei orgulhosamente um reacionário”. (Rui Januário)

“Uma Aventura na Madeira” que até vai ao centro da Terra

Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães

E, desta feita, o Caracol e o Faial ficaram no continente, afastados dos seus donos, que partem para esta aventura depois de participarem num encontro de desporto escolar na Ilha da Madeira.

Timor, Cabo Verde, Amazónia são algumas das paragens mais longínquas por onde o grupo já andou e a Madeira surgiu de uma oportunidade que se colocou às autoras, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. “Há algum tempo que queríamos fazer [Uma Aventura] na Madeira e quando no ano passado surgiu um convite para visitarmos 22 escolas da Madeira, foi a oportunidade de visitarmos a ilha juntas”, explica Ana Maria. Isto porque, refere, “vamos sempre juntas aos sítios onde se passa a história”. Já conheciam a ilha, mas numa perspetiva turística.

Juntas, foram em busca dos cenários “que pudessem ser sugestivos para uma aventura”, sem esquecer alguns pontos turísticos, “porque se não ficava uma coisa falsa”. É assim que para além dos tradicionais e sobejamente conhecidos carros de cesto, surge a floresta de laurissilva e as grutas de São Vicente – “que têm assim um ar de Viagem ao Centro da Terra”, especifica Ana Maria.

Como “na Madeira há flores e plantas magníficas que não há em mais parte nenhuma, pensámos que seria engraçado isso ser o prato forte do livro. E há muitos licores, sumos e elixires próprios da, daí incluirmos alguém que procure o elixir do amor, convencido que o vai encontrar. Mas não é procurar de qualquer maneira, é com uma receita antiga e uma convicção de ferro que aquilo vai funcionar”.

Pesquisa feita no local, a escrita aconteceu nas férias de verão, altura em que as duas autoras se reúnem na casa de Ana Maria para escrever. Tal como aconteceu numa primeira quarta-feira de janeiro de 1982, é Ana Maria que tem a caneta na mão. E explica o processo: “num dia escrevemos um capítulo ou meio capítulo, fica de pousio, e na vez seguinte em que estamos juntas, que pode ser no dia seguinte ou daí a dois dias, lemos em voz alta o que escrevemos”. Apesar dos 34 anos de parceria, “muitas vezes os capítulos vão para o caixote do lixo e voltamos ao início…”

Tudo começou quando eram professoras e muitas vezes não conseguiam encontrar textos para dar nas aulas. Solução: passaram elas a escrever os textos. Criarem uma coleção foi o passo seguinte: aventuras pareceu-lhes o género mais atrativo e acabaram por se inspirar em alunos seus para as personagens. Já perderam o contacto com os rapazes, mas ainda mantém a amizade com as gémeas.

“Quando começámos a escrever, a ideia das personagens era que fossem todas muito diferentes formando um grupo que precisava uns dos outros, acabando por perceber que em conjunto conseguiam vencer”, diz Isabel Alçada.

Nada de descrições extensas e pormenorizadas. Esta é uma das regras de ouro que a dupla de autoras tem bem clara quando escreve os livros da coleção. Mas há mais: “o ritmo da leitura tem que lhes permitir viver os acontecimentos e ir dando a informação que lhes desperte a curiosidade, nunca temos bandidos simpáticos e os criminosos são sempre castigados”, enumera Isabel Alçada.

A próxima aventura deste grupo de amigos já tem o local escolhido: será em Conímbriga. Mas ainda é cedo para saber mais. A pesquisa no local deverá ser feita nas férias da Páscoa e só depois, mais para o verão, a história ganhará forma.

Advogada escreve livro sobre como investir e fazer negócios em Angola

Em declarações à agência Lusa, a advogada disse que a ideia surgiu após se ter apercebido de que existe “muita informação sobre Angola, mas completamente dispersa em vários artigos e websites” e que faltava “uma publicação com a informação compilada de como investir em Angola e de como evitar os problemas de uma má decisão ou mau investimento”.

No livro, adiantou a advogada angolana residente em Londres, incluiu algumas ferramentas para ajudar o investidor a compreender “passo a passo” qual será a melhor forma de entrar no país.

“Angola é um país bastante rico e tem várias oportunidades de investimento, mas que talvez não se coadunem com o seu modelo de negócios – ou talvez o seu modelo de negócios não seja o adequado para o país”, vincou.

Um dos conselhos que dá é a necessidade de um parceiro local, “não só porque a lei o exige, mas também porque é muito importante que, quando se investe no país, se tenha alguém que acompanhe de perto o progresso do investimento”

Outro aspeto importante, enfatizou Ricardina Pederneira, é a questão da língua oficial, o português.

“Há muitos empresários e pessoas que falam inglês, mas não é a língua veicular de Angola. Como tal, se não fala português, o investidor deve ter em atenção um plano estratégico de como lidar com a língua quando fizer negócios em Angola”, disse.

Na sua profissão de advogada, a autora afirmou ter conhecido empresários que tiveram problemas ao tentar investir em Angola e pretende que este livro evite que sejam cometidos os mesmos erros.

O livro, segundo a autora, é “bastante interativo, com exercícios para ajudar as pessoas a pensarem se vale a pena, como e o que devem ter em atenção. Trago muitos casos que já falharam e de sucesso para ajudar as pessoas compreenderem melhor e a evitarem problemas no futuro”.

“Do Business in Angola” [Faça Negócios em Angola] está atualmente a ser traduzido e a edição portuguesa está prevista ser lançada em Angola no dia 14 de dezembro.

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