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O que leva um extremista a ver a música pop como inimigo?

O atentado da passada segunda-feira, em Manchester, deixou em choque o mundo inteiro. Em particular o mundo da música, já que o mesmo ocorreu à saída de um concerto da cantora Ariana Grande.

Tal como havia acontecido em Paris, em novembro de 2015, no ataque à sala de espetáculos Bataclan durante um concerto dos Eagles of Death Metal, o alvo voltou a ser a música ocidental.

H.M. Uddin (nome fictício), uma jovem muçulmana que foi recrutada para um grupo extremista quando tinha apenas 19 anos, tentou explicar os motivos para esse ódio, numa entrevista à Billboard.

A jovem desvinculou-se, entretanto, desse mesmo grupo, onde obteve uma janela privilegiada para o modo de pensar e de agir de extremistas religiosos como os do Daesh: “Eles [extremistas] dizem-nos para olhar para o modo de vida das nações ocidentais, para como destroem a terra. [As estrelas pop] são a antítese dos ensinamentos mais conservadores”, afirmou.

Uddin continua: “os anúncios com mulheres despidas, e coisas do género, não são vistos como uma forma de se viver a vida. Faz sentido que uma estrela pop como Ariana Grande, que está nas notícias, que faz vídeos considerados insultuosos por muitos extremistas, seja vista como um alvo”.

Contudo, Uddin admite que o sentimento mais generalizado entre as facções extremistas seja o de vingança. “Eles pensam: ‘mataram as nossas crianças, agora vamos matar as vossas. Vamos dar-vos a provar do vosso próprio remédio. Isto é culpa das vossas políticas externas'”, diz.

Segundo Uddin, não existe entre os extremistas qualquer “hierarquização” do “perigo” que representam diferentes estrelas pop. “Eles não pensam em atacar a Ariana Grande, ou em atacar a Beyoncé. Aconteceu que a Ariana Grande foi a Manchester”, de onde era natural o jovem recrutado pelo Daesh para se fazer explodir, Salman Adebi. Um ataque deste género “cria imenso caos e publicidade”.

Pela sua experiência e conhecimento, a jovem também não acredita que os grupos extremistas passem a ver apenas nos concertos um alvo; eram-no desde o início. “Eles procuram grandes multidões, e os concertos são isso”, explica. “O Daesh perdeu imensa força e território e precisa de mostrar que ainda é relevante. O ataque em Manchester só precisou de uma pessoa para causar aquele tipo de destruição, e é só disso que eles precisam”, explicou.

#missinginManchester

Os desaparecidos são na maioria jovens, muito jovens. Olivia Campbell, de 15 anos, tinha ido ao concerto com a amiga Adam, que foi localizada e se encontra hospitalizada.

Missing: Olivia Campbell at the bombing. Her mom Charlotte Campbell is looking for her. Please RETWEET.

 

Charlotte, mãe de Olivia, como tantos outros pais desesperadas, recorreu ao Twitter para tentar encontrar alguém que possa ter pistas que a ajudem a localizar a filha.

“O último contacto que tive com ela foi às 20h30. Ela estava no concerto… disse-me que se estava a divertir imenso e agradeceu-me por a ter deixado ir”, escreveu Charlotte na rede social.

Numa entrevista ao telefone ao The Telegraph, Charlotte pede ajuda a qualquer pessoa que tenha alguma informação sobre o paradeiro da filha de 15 anos

Mas Olivia está longe de ser a mais nova. O Twitter exibe fotos de desaparecidos que não entraram ainda na adolescência.

Saffie Rose Roussos tem apenas 8 anos. É provavelmente a mais jovem entre os que ainda se encontram desaparecidos após a explosão na Manchester Arena.

“Desperate search for info on Saffie Rose Roussos, aged 8, from Leyland, Lancs, at Manchester Arena last night with her mother and sister.”

A família, destroçada, procura a filha que tinha ido assistir ao concerto com a sua irmã mais velha.

A explosão aconteceu numa zona onde adolescentes, pré-adolescentes e até crianças, estava já a deixar o concerto da cantora norte-americana.

A polícia confirmou que várias pessoas continuam desaparecidas. Pelo menos 22 pessoas morreram e 59 ficaram feridas na explosão.

As autoridades suspeitam que o responsável foi um homem sozinho, que morreu na explosão e que “transportava um engenho explosivo improvisado, que detonou, causando esta atrocidade”. Este caso está a ser tratado como um “incidente de terrorismo”.

Testemunhas dizem ter havido mais um atentado em centro comercial

Segundo a Reuters o centro comercial foi evacuado e há pessoas a fugir do local.  Imagens do local partilhadas na redes sociais mostram isto mesmo.

http://<blockquote class=”twitter-video” data-lang=”pt”><p lang=”en” dir=”ltr”>Police pushing crowd back by Manchester Arndale centre, some running, some in tears <a href=”https://t.co/4wYbwzdm8E”>pic.twitter.com/4wYbwzdm8E</a></p>&mdash; Dan Johnson (@DanJohnsonNews) <a href=”https://twitter.com/DanJohnsonNews/status/866963495639814145″>23 de maio de 2017</a></blockquote> <script async src=”//platform.twitter.com/widgets.js” charset=”utf-8″></script>

Foi neste centro comercial que, em 1996, um atentado causou 200 feridos.

Entretanto, a superfície comercial já foi reaberta e tudo indica que qualquer tipo de ameaça possa ser falso alarme.  Este incidente acontece algumas horas depois de um bombista suicida ter provocado a morte a 22 pessoas e ter ferido outras 59, na Manchester Arena, a poucos quilómetros do centro comercial.

Manchester: Identidade do terrorista é conhecida mas a polícia ainda não a pode revelar

Theresa May afirma que este ataque em específico é de uma “cobardia doentia” porque matou sobretudo “crianças e jovens inocentes” que deveriam estar a “usufruir um dos momentos mais felizes da sua vida”.

“Embora não seja a primeira vez que Manchester sofreu um incidentes destes, este é o pior que esta cidade e o norte da Inglaterra já sofreu”, disse, referindo, que “os nossos corações estão com as vítimas familiares e amigos”.

Recordando os dados até agora já conhecidos, relativamente ao número de mortos e feridos, a primeira-ministra britânica afirma que a polícia sabe que terá sido um único homem a agir na noite de segunda-feira, mas que estará a tentar perceber-se este organizou o atentado sozinho ou se haverá mais alguém envolvido.

“A polícia acredita já conhecer a identidade do homem, mas neste momento ainda não pode confirmar o seu nome”, referiu, garantindo que serão dados todos os recursos necessários à polícia e à segurança britânica para que prossigam as investigações.

Theresa May disse ainda que “todos os atos terroristas são covardes contra pessoas inocentes” e que embora faça um esforço para perceber “a mente das pessoas”, não consegue perceber esta “covardia doentia” que mata crianças.

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