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Mais de 250 grávidas vão caminhar pela Maternidade no Porto

As inscrições apontam para perto de meia centena de participantes no total, depois de, em 2018, mais de 300 inscritos, dos quais 150 grávidas, terem percorrido 3 quilómetros pela natalidade, aquela que é “A maior maratona das nossas vidas”.

“Este é o ano em que praticamente duplicamos as participações e é para a BebéVida um orgulho muito grande poder contribuir para a celebração da vida e da natalidade do país, o quarto da União Europeia com a mais baixa taxa de natalidade”, afirma Luís Melo, administrador do laboratório sediado no Porto.

“À semelhança do ano passado, vamos novamente doar em dobro à associação Vida Norte o valor angariado com as inscrições. A responsabilidade social corporativa está no nosso ADN e é o nosso contributo para o reconhecimento do trabalho que a associação tem, há mais de 20 anos, feito ao acompanhar grávidas em situação de dificuldade, na promoção da vida e da família”, acrescenta o responsável.

As inscrições devem ser feitas através do site da BebéVida e têm o custo simbólico de €2, a entregar no momento do levantamento do Kit de participação.

Todos os participantes receberão ofertas dos parceiros da BebéVida e poderão participar nas diferentes atividades que decorrem ao longo da manhã. Às grávidas com mais de 17 semanas de gestação será oferecida uma sessão de captação de imagem 4D por 5 minutos, para que possam conhecer o sorriso dos seus bebés mesmo antes do nascimento.

Maioria das gravidezes resultam em aborto espontâneo

De acordo com um novo estudo inédito, a ocorrência de abortos espontâneos é mais comum do que à partida se poderia pensar – até para as mulheres que os têm. Aquele ensaio científico apurou que mais de metade das fertilizações resulta em aborto.

A pesquisa da autoria do geneticista evolucionário William Richard Rice da Universidade da California, Santa Barbara, nos Estados Unidos, baseou-se em dezenas de estudos anteriores e em bases de dados hospitalares, analisados durante várias décadas.

Pesquisas anteriores apuraram que algures entre 10 a 20%, ou tantas quanto uma em quatro gravidezes, acabam em aborto espontâneo.

Um estudo outro dinamarquês, que analisou 1,221,546 gravidezes, entre 1978 e 1992, detetou que a taxa de aborto espontâneo era de 13,5%.

Porém existe um qualificador a ter em atenção: muitas mulheres nem sequer sabem inicialmente que estão grávidas; e já que a maioria dos abortos ocorrem nas primeiras 12 semanas de gestação, muitas abortam mesmo sem se aperceberem.

“Não é de todo uma anormalidade”, disse Rice à publicação New Scientist. “Trata-se da norma”.

Já uma outra pesquisa realizada em 2014, e que observou casos de fertilização in vitro, apurou que de 284 embriões de mulheres jovens, 151 apresentavam algum tipo de anomalia relativamente ao número de cromossomas – equivalendo a uma taxa de 53,2%.

Anomalia esta clinicamente denominada de aneuploidia, sendo a causa mais comum – de 50% – de terminação espontânea da gestação. Salientando-se ainda que o risco de aborto tende a aumentar com a idade.

“Para que a mulher se reproduza não é possível evitar de todo a ocorrência e o risco de aborto (espontâneo), e se deseja ter uma família extensa então é virtualmente impossível evitar a incidência de múltiplas interrupções da gravidez – e aliás, muitas destas situações poderão passar despercebidas”, escreveu Rice no seu artigo.

Há grávidas que têm de fazer 60 km para serem assistidas

Em comunicado, os enfermeiros especialistas, que desde o início do mês não prestam cuidados diferenciados em protesto pelo não pagamento da especialização, dizem que vão apresentar uma denúncia na Procuradoria-Geral da República e denunciar a situação às entidades nacionais europeias e mundiais competentes.

Apontam também casos de grávidas com alta clínica “que são aconselhadas por médicos a recorrerem a outras maternidades pelos seus próprios meios” e dizem que as taxas de cesariana e de partos por fórceps estão a aumentar.

Os enfermeiros especialistas, que além deste protesto têm uma greve agendada para entre 31 de julho e 04 de agosto, falam também de grávidas que já ultrapassaram a data segura prevista para o parto e que “recorrem várias vezes às suas maternidades sem que seja possível recebê-las para indução de trabalho de parto” e de casos de blocos de obstetrícia encerrados, assim como de consultas e exames pré-natal não realizados.

Os EESMO garantem que “a assistência de emergência nunca foi posta em causa” e que dentro das salas de parto, “mesmo sem o devido reconhecimento, as emergências obstétricas têm tido toda a assistência adequada”, mesmo por parte dos enfermeiros especialistas em protesto.

“No entanto não nos responsabilizamos sobre as más decisões ou não-decisões, do Governo de António Costa, e sobre o que se passa em casa das pessoas, nos carros das pessoas ou nas ambulâncias que transportam as pessoas (…) que deviam estar internadas nas maternidades usufruindo de cuidados de saúde adequados, para os quais todos contribuímos”, sublinham.

Na semana passada, o Ministério da Saúde adiou para setembro a decisão sobre a alteração remuneratória dos enfermeiros especialistas, pois defende que tal medida só pode ser tomada depois de conhecidos os reais impactos das regras de descongelamento de carreiras.

No memorando, o ministério recorda que “o processo de ‘descongelamento’ de carreiras implica o ajustamento da calendarização da negociação respeitante a estas medidas [pagamento pela especialização]”, considerando que a sua adoção, “sem o conhecimento da metodologia que venha a ser adotada, acarreta o risco de inversão das posições relativas dos profissionais, com os efeitos nefastos inerentes”.

Depois desta posição da tutela, os enfermeiros decidiram manter o protesto e convocaram mesmo uma greve de cinco dias, considerando que o memorando representava “uma mão cheia de nada”.

“Vamos manter todos os protestos (…). Apesar do memorando de entendimento ser um papel de boas intenções, continua a não materializar propostas efetivas”, disse na altura à Lusa Bruno Reis, porta-voz do movimento EESMO.

Segundo a Ordem dos Enfermeiros, que apoia os profissionais neste protesto, existem cerca de 2.000 enfermeiros que, apesar de serem especialistas, recebem como se prestassem serviços de enfermagem comum.

Passos ameaça chumbar lei da gestação de substituição

Em maio, Pedro Passos Coelho foi um dos 24 deputados do PSD que votaram a favor da lei que permite a gestação de substituição (as chamadas “barrigas de aluguer”) – sem esses votos sociais-democratas, a iniciativa do Bloco de Esquerda teria ficado pelo caminho. Marcelo Rebelo de Sousa vetou entretanto essa lei, com críticas a algumas das suas disposições e pedindo ao Parlamento que estudasse melhor algumas das soluções legislativas. A nova versão da lei, redigida pelo BE, deveria ser votada esta tarde, na última sessão legislativa antes das férias de verão, mas o PSD está contra esta pressa.

Ao final da manhã, Pedro Passos Coelho foi claro: ou o assunto passa para a próxima sessão legislativa ou a lei corre o risco de ser chumbada esta tarde. Porquê? Porque ele próprio dará o exemplo: apesar de ter votado a favor há dois meses, se a lei for agora aprovada à pressa, Passos mudará de voto. “Não mudei de posição, mas não contribuirei com o meu voto para que esta matéria fique arrumada”, disse Passos em declarações aos jornalistas. “Se for forçada hoje a votação, mudarei o sentido de voto”, insistiu o líder do PSD. Nada disse sobre o que farão os outros 23 deputados laranja que votaram a favor, mas é de presumir que lhe sigam o exemplo.

O apelo de Passos foi dirigido ao PS, para que seja “sensível” à delicadeza do assunto e ao apelo do Presidente da República para uma ponderação mais ampla e formulações jurídicas mais seguras. “É importante que o Parlamento em véspera de férias não aprovasse à pressa estas alterações”, frisou Passos, falando até da “relação institucional entre o Parlamento e o Presidente da República”.

Se BE e PS insistirem na votação esta tarde, e se faltarem os 24 votos a favor do PSD, a lei não passa. Em maio, foi aprovada com os votos do BE, do PS (mas dois socialistas votaram contra), do PEV e do PAN, mais os 24 sociais-democratas. A restante bancada do PSD votou contra, bem como o CDS e o PCP.

PS, BE, PEV e PAN não reúnem votos suficientes para ultrapassar o voto contra de todos os deputados do PSD, CDS e PCP.

Mãe deu à luz após quase quatro meses em morte cerebral

Uma mulher grávida, cuja morte cerebral foi declarada a 20 de Fevereiro, deu esta terça-feira à luz um bebé, informou em comunicado o Centro Hospitalar de Lisboa Central. O nascimento teve lugar no Hospital de S. José. O caso “é muito raro” e representa o período mais longo alguma vez registado em Portugal – 15 semanas – de sobrevivência de um feto em que a mãe está em morte cerebral.

As equipas de Obstetrícia e da Unidade de Neurocríticos do Centro Hospitalar de Lisboa Central (onde o S. José está integrado) procederam, esta tarde, a uma cesariana programada, com o objectivo de fazer nascer a criança, cujas últimas semanas de gestação ocorreram com a mãe em estado de morte cerebral.

O bebé, um rapaz, nasceu com 2,350 kg, após uma gestação de 32 semanas (cerca de oito meses), sem complicações durante e após o acto cirúrgico, tendo ficado na unidade de cuidados intensivos neonatais, segundo o hospital.

A morte cerebral da mãe, de 37 anos, na sequência de uma hemorragia intracerebral, foi declarada no dia 20 de Fevereiro, pelas 23h43. Perante a gravidez em curso, a mulher foi avaliada por especialistas de obstetrícia, que consideraram que o feto se encontrava em aparente boa condição de saúde. “Após parecer da comissão de ética e direcção clínica daquele centro hospitalar, e numa decisão concertada com a família da mãe e a família paterna da criança, foi acordada a manutenção da gravidez até às 32 semanas, de modo a garantir a viabilidade do feto.”

Para acompanhar este caso, o conselho de administração nomeou um conselho científico, composto por um representante da Ordem dos Médicos (OM), um representante da comissão de ética, um obstetra e a equipa de intensivistas.

Referindo-se às 15 semanas de sobrevivência do feto com a mãe em morte cerebral, o presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-Getal, Luís Graça, afirma que este “é um recorde”. “É espantoso. É raríssimo em Portugal e no mundo.” Obstetra há mais de 40 anos, afirma que teve conhecimento de apenas dois casos em Portugal com os mesmos contornos, mas em que a mulher foi mantida viva apenas durante duas a três semanas. O último de que teve conhecimento aconteceu por volta de 2009.

“Tiveram a coragem e a sorte que [a grávida] se aguentasse este tempo todo. A maior parte das mulheres morre. É delicado manter a vida da grávida por meios mecânicos e simultaneamente que o feto se vá desenvolvendo.” O limite da viabilidade de um feto são as 24 semanas e este bebé nasce às 32 semanas, com um peso que está cima dos cerca de dois quilos que costuma ser a média para este tempo de gestação. “É um feto com um bom grau de desenvolvimento.”

Nestes casos, o médico acredita que “a decisão da família deve ser soberana” e que esta oportunidade lhe deve ser apresentada pela equipa médica.

O presidente do Conselho Nacional de Ética da Ordem dos Médicos, o neuropediatra Miguel Leão, confirma que casos como este “são raríssimos” e que, em seis anos que leva neste cargo, esta é a primeira vez que o conselho de ética se pronunciou. O médico afirma que o conselho de administração do Hospital de S. José convidou o conselho de ética a tomar posição e que o parecer não foi consensual, não revelando o seu sentido.

Na sua vida profissional diz ter conhecido apenas um caso semelhante, no Hospital de S. João, no Porto. Pronunciando-se, a título pessoal, sobre casos desta natureza afirma que “numa situação em que há uma pessoa em morte cerebral e há um feto vivo, o critério ético da decisão deve ser o da viabilidade fetal”, tendo em conta factores que incluem desde o tempo de gestação à doença da mãe. Miguel Leão diz que “o conselho de administração do Hospital de S. José agiu bem” e que por isso “está de parabéns pela abordagem ética, que envolveu a OM e o conselho de ética”.

A maternidade não é sempre um sonho cor-de-rosa

O nascimento de um bebé tende a estar envolto de uma campânula de alegria. Ouvir-se que “é a melhor coisa do mundo” é comum, mas pensar-se, mesmo que por breves segundos, “no que eu me fui meter” também é válido.

As dores do parto e pós-parto, o aleitamento, a privação de sono, as metamorfoses na relação marital, a ansiedade ou a depressão são problemas intrínsecos à maternidade e Elizabete, Sofia, Susana e Filipa conhecem-nos bem.

Com o corte do cordão umbilical perde-se a ligação física e estabelece-se uma nova, emocional e afectiva, entre mãe e bebé, que tende a intensificar-se com o aleitamento materno. Elizabete Santos, 32 anos, sabia disso e quis muito amamentar Bernardo naquele que se revelou um esforço inglório. Foi o primeiro obstáculo. “Não conseguia, sofri bastante (…) O peito ficou com caroços e as dores eram muitas”.

A questão da amamentação é, de resto, um assunto sensível para várias mães, como era para Filipa Nogueira: “O que mais me incomodava eram os comentários de familiares sobre o leite ser ou não suficiente. Só me apetecia insultá-los e esguichar-lhes leite na cara”, diz a médica de 28 anos.

“Achava que sabia tudo”

Para Sofia Seabra, enfermeira, 29 anos, a gravidez foi uma das melhores fases da sua vida e aproveitou-a para se preparar para o nascimento do filho: “Eu acho que ninguém podia estar melhor preparada que eu. Li livros, fui a ‘workshops’, fiz o curso de preparação, falei com amigas. Achava que sabia tudo.” Depressa percebeu que não.

Os primeiros 15 dias foram “óptimos”. Sossego quase absoluto, poucas exigências, rotinas estáveis, nenhum episódio de desespero. As cólicas foram o primeiro grande desafio, mas passaram assim que Gonçalo completou três meses. Só que à medida que o tempo passava, os pais aperceberam-se que as noites sem dormir continuavam, até que a privação de sono se tornou incomportável: “Quando acordava de duas em duas horas, cheguei a pensar ‘Que grande merda se transformou a minha vida!’”.

O “blues pós-parto”

Susana Verdade, 29 anos, foi mãe há dois meses. Pouco depois do filho Bernardo nascer, chorava “todos os dias, uma tristeza sem razão num momento que seria de felicidade”. Como se explica? Segundo a psicóloga Sara Berény, este é um diagnóstico típico de Tristeza Materna (TM) ou “blues pós-parto”.

Trata-se de um sentimento de depressão que ocorre nos dias seguintes ao parto e afecta 50 a 80% das recém-mães. Além de ser normal, “é também fundamental para o alívio da ansiedade após o parto”.

Tal como as outras mães, Susana admite que a maternidade é “demasiado absorvente”, não lhe restando tempo para tarefas que lhe davam gozo. Nos dias em que “tudo acontece”, sente-se “impotente e deprimida”: “Há uma vontade de dormir 24 horas seguidas, não trocar fraldas e dar as mamas ao pai!”.

Porém, o panorama de TM pode evoluir, agudizando-se: quando o sentimento de angústia e tristeza profunda permanece, falamos de uma Depressão Pós-Parto (DPP), que pode manifestar-se ao longo do primeiro ano de vida do bebé. A doença atinge cerca de 15% das mulheres no puerpério, mas nem sempre é claro para a mãe distinguir entre uma fase de melancolia e uma depressão real.

A sintomatologia de uma depressão

Num diagnóstico de DPP, explica a psicóloga ao P3, “a paciente apresenta uma notória incapacidade de realizar as tarefas habituais” e um quadro bastante mais gravoso do que na TM. A ansiedade é muito acentuada.

Quando Filipa terminou a licença de maternidade aos cinco meses do filho Tomás, a vida desabou, conduzindo-a mesmo a um episódio de desespero extremo. “Havia uma sensação de stress/pressão insustentável, aliada a uma incapacidade de conciliar a vida profissional com o tempo que queria dedicar ao meu filho”. Procurar ajuda foi vital. “Fiz medicação anti-depressiva durante três meses, alguma psicoterapia orientadora e tive que reformular a minha cabeça”.

Isto acontece porque “os desejos estão colados a expectativas, e essas expectativas são muito pouco flexíveis”, esclarece a psicóloga. Contudo, ao contrário de outras depressões, a DPP não é crónica — tem um princípio e um fim.

A maternidade (e a consequente reinvenção do papel de mãe) é um desafio constante, mas admitir a falha, o erro, o engano é a primeira resposta. Elizabete, Sofia, Susana e Filipa são apenas quatro vozes. Mas também são o grito, quando e se for preciso.

Subsídios para pais e mães vão subir, mas não para todos

O valor dos subsídios referentes à maternidade, paternidade e adoção vão subir. Contudo, esta majoração irá apenas incidir sobre os portugueses residentes nos arquipélagos dos Açores e Madeira.

O diploma publicado hoje em Diário da República enumera quais os subsídios que vão beneficiar desta majoração de 2%: subsídio de risco clínico durante a gravidez, subsídio por interrupção da gravidez, subsídio parental, subsídio parental alargado, subsídio por adoção, subsídio por riscos específicos, subsídio para assistência a filho, subsídio para assistência a filho com deficiência ou doença crónica e, por fim, subsídio para assistência ao neto.

Esta nova lei entrará em vigor quando o Orçamento do Estado também entrar, sendo que, explica o documento, “no orçamento da segurança social existe uma rubrica própria com a verba destinada à satisfação do valor representado pelo acréscimo estabelecido no artigo anterior”.

 

Licença de maternidade a 100% por seis meses. Bloco e PCP apoiam

A petição pede condições para que as mães possam amamentar em exclusivo o bebé até aos seis meses, seguindo as recomendações da Organização Mundial de Saúde.

A petição, que está na Comissão Parlamentar de Trabalho e Segurança Social, deu entrada na Assembleia em novembro mas só na quarta-feira passada foi distribuída aos deputados e deverá ser debatida em Plenário no final de abril, depois da aprovação do Orçamento do Estado. “Admitimos a possibilidade de apresentar uma proposta nesse sentido: de alargar este direito da mulher sem redução do vencimento”, afirmou o deputado do BE, José Moura Soeiro, adiantando que há outras propostas que querem fazer “como o alargamento da redução de horário para amamentação até aos três anos e mais licença parental obrigatória”.

A mesma posição foi expressa pela deputada comunista Rita Rato. “Estamos disponíveis para fazer uma proposta de alargamento da licença a seis meses paga a 100%, assim como outras. Uma das que consideramos fundamentais é uma licença específica para bebés prematuros”, disse. A proposta, tal como outra que garantia o pagamento a 100% no caso de a mãe gozar cinco meses e o pai outro e com a possibilidade de ser ao mesmo tempo, foi apresentada na legislatura passada e chumbada.

Do lado do PS, o tema ainda não foi discutido e por isso a posição do partido só será conhecida mais tarde. O DN questionou o ministério do Trabalho para saber se o tema faria parte de alguma proposta a ir a Conselho de Ministros. Na resposta o ministério reafirma que a promoção da natalidade é uma prioridade e lembra que já estão em discussão na Concertação Social a criação de um banco de horas para pais e a adaptação de horário para os avós.

Já Maria Mercês Borges, deputada do PSD, disse que “ainda é cedo para avaliar o conteúdo da petição”, mas recordou o apoio que o partido tem dado à promoção da natalidade. Nomeadamente com a aprovação, em abril de 2015, de um conjunto de recomendações ao governo que incluíam a possibilidade de pais e avós trabalharem meio-dia e receberem 60% do ordenado.

Também o CDS-PP reconheceu que “esta proposta merece ser discutida no Parlamento, mas também com os parceiros sociais e a Concertação social”. O deputado centrista António Carlos Monteiro recordou as medidas inscritas no programa eleitoral para sublinhar que o partido “tem enorme sensibilidade em relação a propostas que possam estimular e proteger a natalidade”.

Carina Pereira, autora da petição, explicou o objetivo da mesma: “A proposta é que a licença de maternidade seja paga a 100% durante seis meses em vez dos atuais quatro. O pedido é para todas as mães, não só para as que estão a amamentar e não mexer nos direitos dos pais. Acho que fazendo esta mudança vai fomentar a amamentação”, disse. Quando teve os dois filhos Carina usou férias, uma licença sem vencimento num caso e no outro a licença alargada, que só garante 25% do salário.

Portugal deve prolongar licença de maternidade até aos seis meses

“Prolongar a licença de maternidade paga para apoiar o aleitamento materno exclusivo durante seis meses, tal como recomenda a Organização Mundial de Saúde (OMS)”, é uma das propostas do relatório hoje divulgado pela Iniciativa Mundial sobre Tendências do Aleitamento Materno.

A licença parental é atualmente de 120 a 150 dias, podendo ser gozada por ambos os progenitores.

Esta Iniciativa Mundial sobre Tendências do Aleitamento Materno, que documenta a aplicação de estratégias e políticas para esta área em cada país, é coordenada em Portugal pela pediatra e ex-ministra da Saúde Ana Jorge.

No que se refere à proteção da maternidade, o documento, a que a agência Lusa teve acesso, sugere que os empregadores passem a ter zonas específicas para que “as mães possam amamentar os seus bebés e/ou extrair e armazenar leite materno”.

Globalmente, o relatório dá pontuação positiva a Portugal em vários indicadores, especialmente no caso das políticas e programas para assegurar que as mães com VIH/sida tenham apoio para cumprir as práticas recomendadas de alimentação de lactentes.

Contudo, a pontuação de Portugal é baixa no que se refere à duração média do aleitamento materno e ao uso do biberão.

A duração mediana do aleitamento materno (não em exclusivo) é de seis meses, com os autores do relatório a considerarem este resultado baixo e que aumentar este valor deve ser “uma prioridade”.

Quanto ao uso do biberão, quase 80% dos bebés amamentados dos 0 aos 12 meses recebem alimentos ou bebidas (incluindo leite materno) através de biberão, um valor considerado demasiado elevado.

De acordo com o relatório, falta em Portugal uma campanha nacional específica pró-aleitamento materno e é ainda recomendada a criação de um Comité de Aleitamento Materno, com um coordenador nacional, e que reúna representantes de vários setores.

Os especialistas sugerem ainda que mais unidades sejam abrangidas pela iniciativa ‘hospitais amigos dos bebés’ (que promove a amamentação), frisando que a percentagem de aderentes é ainda reduzida e que não há unidades privadas acreditadas por esta iniciativa.

O documento critica a ausência de vigilância das autoridades quanto ao cumprimento da lei sobre publicidade e marketing dos substitutos de leite materno (fórmulas infantis), aconselhando a ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica) a criar um órgão próprio para este fim.

Sobre a alimentação de lactentes durante emergências, a Iniciativa Mundial do Aleitamento Materno lembra que não existe informação disponível para os serviços de emergência nem para o público sobre como lidar com a proteção do aleitamento materno em situações de desastre natural.

A Rede Internacional Pró-alimentação Infantil (IBFAN, na sigla inglesa) considera que Portugal “teve pontuação positiva na sua primeira avaliação internacional” no âmbito desta iniciativa.

“Como representante da iniciativa em Portugal, estou ansiosa para trabalhar em estratégias com os parceiros nacionais relevantes para colmatar as lacunas identificadas no relatório para que possamos ter melhores resultados na próxima avaliação, que será em 2018”, referiu Jacqueline de Montaigne (do IBFAN), em declarações à Lusa num comentário ao relatório.

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