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Medicina Desportiva: Astroscopia e engenharia dos tecidos são duas técnicas que revolucionaram o mundo do desporto

Tratar um desportista é diferente de tratar um doente comum

A medicina desportiva é uma área da medicina dedicada aos cuidados prestados aos atletas. Orientada para que o rendimento de um atleta esteja em alta, esta especialidade abrange muitas áreas da medicina comum com destaque para ortopedia, fisiatria, cardiologia e medicina interna.

A medicina desportiva incide na prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação de lesões sofridas durante a atividade física. O objetivo do tratamento é curar e reabilitar a lesão para que o atleta possa retornar à atividade o mais rapidamente possível.

A ortopedia ganha terreno nesta área devido ao uso frequente, desgaste e risco de quedas ou acidentes associados com as atividades desportivas. Os atletas são muitas vezes suscetíveis a lesões ortopédicas (como fraturas, lesões musculares, tendinosas e ligamentares). Nesta necessidade de rápidas melhoras surgiu uma técnica que veio revolucionar por completo tratamentos cirúrgicos: a artroscopia, um procedimento cirúrgico pelo qual a estrutura interna de uma articulação é examinada para diagnóstico e/ou tratamento usando um instrumento semelhante a um tubo, chamado artroscópio.

Popularizada no estrangeiro por volta da década de 60, acabou por se tornar comum um pouco por toda a parte. É normalmente feita por cirurgiões ortopédicos em regime ambulatório – o que significa que os pacientes podem geralmente regressar a casa depois do procedimento-. “A técnica da artroscopia resume-se em inserir o artroscópio, um pequeno tubo que contém fibras óticas e lentes, através de pequenas incisões na pele para que a articulação possa ser examinada. O artroscópio está conectado a uma câmara de vídeo e o interior da articulação pode ser visto num ecrã de televisão”, explica o médico.

A cirurgia artroscópica é uma técnica muito pouco evasiva e que consiste em, através de pequenos furos, introduzir uma câmara e operar a olhar para um ecrã sem fazer grandes estragos. Inúmeros procedimentos podem ser feitos desta forma. Uma cirurgia artroscópica causa menos impacto nos tecidos, quando comparada com uma cirurgia tradicional, resultando em menos dor e numa recuperação mais rápida.

Engenharia dos tecidos no desporto – reproduzir tecidos do corpo humano em laboratório

“Deixem jogar o Mantorras”, recorda-se? O joelho direito do avançado que se consagrou no Sport Lisboa e Benfica não melhorou após quatro cirurgias e inúmeros tratamentos e ditou o final de carreira aos 28 anos.

Kerlon Foquinha passou seis cirurgias ao joelho e duas no tornozelo e o precoce fim de carreira deu-se aos 29 anos. Críticos de futebol garantiram que ele seria tão bom quanto Neymar.

No ténis, Andy Murray, aos 31 anos, anunciou a sua retirada dos courts por causa de uma lesão na anca. Chegou a ser número um do mundo no ranking ATP.

Muitos foram os atletas que viram chegar o fim da sua carreira devido a lesões e, nesta temática, a engenharia dos tecidos promete ser o fim, não de carreira, mas da falta de soluções para dar a volta ao resultado.

“A ideia é chegar a um ponto em que se vai conseguir reproduzir um tendão, um menisco e colocá-lo no corpo. Embora ainda em fase embrionária, a possibilidade de tratar lesões com tecidos do próprio atleta, irá permitir que uma lesão grave não signifique o término de uma carreira de um desportista, revela João Torres.

Papel do ortopedista no desporto e lesões mais frequentes

A ortopedia, tradicionalmente, é das especialidades mais associadas com o desporto, pelo tipo de lesões envolvidas. Com a evolução dos tempos a medicina desportiva começou a ser muito abrangente e, hoje, existem muitas pessoas dedicadas à medicina desportiva que nada têm a ver como a ortopedia”, afirma João Torres.

O papel do ortopedista tem no entanto uma importância relevante na investigação e tratamento das patologias.

Tratar um atleta é diferente de tratar um doente comum

Em termos de lesões, as lesões são diferentes porque as lesões das pessoas no dia-a-dia acontecem mais por desgaste continuado, contrariamente aos desportistas, em que o corpo sofre altas pressões constantemente.

O papel do ortopedista pode ser essencialmente dois. Dedicar-se à medicina desportiva em geral, algo que se vê muito nos EUA, ou o mais comum que é ser um traumatologista no desporto.

O leque das lesões mais frequentes é extenso e o seu tipo depende do desporto em causa. No entanto as áreas mais afetadas são os ombros, joelhos e tornozelos. As modalidades que mais risco apresentam são, segundo o nosso interlocutor, as de combate, de contacto direto ‘corpo a corpo’ e as com rotações, que põem mais em risco as estruturas ligamentares do membro inferior, como basquetebol e andebol.

Em Portugal há muito que se faz um bom trabalho em termos de medicina do desporto e por isso “já não há a necessidade de sair do país para tratar uma lesão desportiva: em Portugal converge uma panóplia de técnicas inovadoras assim como conhecimento para que os resultados sejam bons e rápidos”.

AEFMUP e o curso de Medicina Desportiva

Com o objetivo de projetar a conversação e o entendimento geral acerca de lesões desportivas, João Torres, criou em sinergia com a associação de estudantes da Faculdade de Medicina do Porto, o Curso de Medicina Desportiva. “A ideia surgiu depois de ter regressado dos meus estágios nos EUA, onde as lesões desportivas eram faladas e discutidas publicamente de forma didática. Enquanto entusiasta do desporto, pensei em criar um curso de Medicina Desportiva em que, num dia, conseguisse reunir um conjunto de patologias de áreas ligadas à MD e que quem participasse ficasse com uma ideia generalizada das principais patologias presentes na traumatologia desportiva e também, englobar várias áreas da saúde como nutrição ou a psicologia que estão também intimamente ligadas à boa prática de desporto. Depois de quatro edições, o curso é um sucesso em que as inscrições esgotam em poucos minutos e já se tornou num curso dedicado não só aos médicos mas aberto a várias áreas de formação em saúde”.

O curso é dividido em duas partes. A primeira, é reservada ao escrutínio de lesões específicas e mais comuns em certas regiões do corpo por parte de convidados especialistas.

A segunda, é dedicada a palestras, onde em edições anteriores se contam nomes como André Villas Boas ou Nélson Pulga – médico do Futebol Clube do Porto – e workshops em simultâneo em que os participantes escolhem aquele em que querem participar. A oferta varia e vai desde psicologia, nutrição do atleta, metodologia de treino, cirúrgicos ou traumatologia. No final, é realizada uma discussão de casos clínicos.

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