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Medicina personalizada na artrite reumatóide em destaque no Colóquio A.N.D.A.R. 2019

FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN

Abrir uma porta, pegar numa caneta, calçar uns sapatos. Para as 70 mil pessoas que vivem, em Portugal, com artrite reumatóide, estes gestos simples tornam-se tarefas complicadas, dolorosas, difíceis.

É sobre técnicas destinadas a melhorar o diagnóstico e o tratamento destes doentes que se vai falar no Colóquio A.N.D.A.R. 2019, uma iniciativa da Associação Nacional dos Doentes com Artrite Reumatóide, que se realiza no dia 29 deste mês, na Fundação Calouste Gulbenkian. Este ano, a biópsia sinovial é o tema em destaque, um exame que “é a base para o conhecimento que se está a juntar sobre a medicina personalizada nestes doentes: diagnosticar mais cedo e tratar da forma mais correta”, explica João Fonseca, especialista do Serviço de Reumatologia e Doenças Ósseas Metabólicas do Hospital de Santa Maria.

Trata-se, refere o especialista, de um exame que implica a colocação de “uma agulha guiada por ecografia, que retira tecido sinovial do interior da articulação para análise”. Um exame que continua por generalizar, apesar de “ajudar a caracterizar melhor o tipo de doença”.

No evento, que conta com o Alto Patrocínio do Presidente da República, a biópsia sinovial na artrite reumatóide vai ser a grande protagonista, procurando-se aqui encontrar a resposta à questão: será agora que a promessa se concretiza? Uma discussão que, segundo o especialista, teve início há 20 anos.

Recorde-se que a artrite reumatóide é uma doença reumática inflamatória crónica, que pode ocorrer em todas as idades, afetando sobretudo as estruturas articulares e periarticulares. Quando não tratada precoce e corretamente, a artrite reumatóide acarreta, em geral, graves consequências para os doentes, traduzidas em incapacidade funcional e para o trabalho.

O evento contará ainda com a participação de Manuel Sobrinho Simões e Maria Carmo-Fonseca, cientistas e investigadores mundialmente reconhecidos e com vários prémios nacionais e internacionais, e que farão as suas intervenções sobre “Da inflamação à neoplasia: primado da medicina narrativa” e “Medicina de precisão”, respetivamente.

Projeto com potencial para revolucionar a medicina e indústria vence Prémio Científico IBM

Na próxima quarta-feira, dia 16 de janeiro, o Instituto Superior Técnico (IST) recebe a cerimónia de entrega do Prémio Científico IBM, pelas 17h30, que distinguiu este ano o trabalho de uma investigadora desta instituição, na mesma área pioneira do último vencedor do Prémio Nobel da Física. O evento contará com a participação do Presidente da República, do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, do Presidente do IST, e do Presidente da IBM Portugal, entre outras personalidades.

O trabalho de investigação da autoria de Marija Vranic, natural da Sérvia, usou os supercomputadores mais potentes do mundo para abordar o estudo dos efeitos de feixes laser de alta densidade energética e as suas aplicações em campos como a medicina, podendo levar à construção de fontes compactas de partículas e de radiação de raios-X e raios-gama. Entre outras, estas fontes podem ser usadas para examinar materiais industriais, fazer imagens médicas de contraste elevado e podem até ter potencial para revolucionar áreas de terapia na saúde.

Para Marija, “É uma grande honra receber este Prémio da IBM, uma vez que é um reconhecimento importante do meu trabalho, juntando-me aos restantes premiados que têm demonstrado um percurso bem-sucedido nas mais diversas áreas científicas e de inovação. Este trabalho, que me permite conciliar a minha paixão pela Programação, Física e Matemática, é desenvolvido ao nível da computação de alto desempenho associado à tecnologia laser e vai possibilitar que surjam novidades para fins industriais e aplicações médicas, facto que me deixa muito orgulhosa”.

O Prémio Científico IBM, único na comunidade científica do nosso país, chega à sua 28ª edição e distingue anualmente os melhores trabalhos de elevado mérito científico no campo da computação e das novas tecnologias, estimulando jovens investigadores a divulgarem as suas pesquisas. O júri é constituído por um grupo de cientistas e académicos, de diferentes domínios e com grande prestígio internacional, que distingue o trabalho mais original e com maior potencial para impactar a investigação científica aplicada ao mundo real e contribuir para projetar o futuro da ciência e da inovação em Portugal.

Universidade do Algarve comemora 10 anos de “Medicina Humanista”

© UAlg

O Mestrado Integrado em Medicina da Universidade do Algarve (UAlg) comemora este ano 10 anos de existência, uma década dedicada a uma abordagem inovadora do ensino da Medicina.

Os progressos tecnológicos da Medicina dos últimos 60 anos aumentaram a possibilidade de se perder de vista o contacto direto, pessoal e humano com os doentes. Existe um risco real de se formarem técnicos de Medicina que consideram o doente apenas como o objeto de uma intervenção mecanicista e não médicos. “Na UAlg queremos formar homens e mulheres com elevado grau de humanismo na sua relação profissional com os doentes, atuando sempre com empatia e compaixão”, explica José Ponte, o fundador deste curso de Medicina.

Em construção desde 1998, a abertura do curso foi anunciada pelo primeiro-ministro Mariano Gago, em 2008. Este foi o primeiro Mestrado em Medicina criado em Portugal, à semelhança do que já existe na maioria dos países desenvolvidos, exclusivamente para alunos que detenham o primeiro ciclo de estudos universitários.

A receber mais de 400 candidaturas por ano, para 48 vagas, este curso já formou cerca de 200 médicos. Estes encontram-se, atualmente, distribuídos por todo o país e em países europeus, pela maioria das especialidades médicas, como é o caso da Neurocirurgia, Cardiologia, Cirurgia Maxilofacial, Medicina Geral e Familiar (MGF), Gastroenterologia, Urologia e Anestesia. Esta distribuição apresenta uma particularidade que concretiza um dos grandes objetivos deste curso: a fixação de médicos no Algarve, uma vez que mais de um terço dos médicos formados fica na região.

Com uma duração de quatro anos, após os, pelo menos, três anos de licenciatura base, esta formação junta a vertente teórica à prática, tendo como referência os métodos de ensino do Reino Unido, Canadá e Austrália. Outra grande diferença em relação aos outros cursos de Medicina relaciona-se com os critérios de seleção: para além de ser necessário deter uma licenciatura em Ciências, os candidatos são, também, submetidos a uma primeira fase de avaliação das suas capacidades cognitivas e linguísticas e, a uma outra, baseada na avaliação dos valores humanos.

“A experiência de trabalho com idosos, crianças ou missões em países em desenvolvimento são dois parâmetros de preferência na escolha dos candidatos”, refere Isabel Palmeirim, presidente do Departamento de Ciências Biomédicas e Medicina da Universidade do Algarve. “O objetivo deste curso é o de formar médicos que, para além de terem os conhecimentos teóricos, sejam capazes de comunicar com os doentes e colegas e que tenham a capacidade de executar todas as tarefas com perfeição técnica. Essencialmente, queremos explorar a parte humana da medicina e transmitir esses valores a todos os alunos” acrescenta.

O contacto precoce com a MGF é outro dos fatores diferenciadores. Os cuidados de saúde primários são a pedra basilar para a promoção da saúde e para o controlo da doença em sociedades como a sociedade portuguesa. Este curso pretende educar os futuros médicos para uma abordagem alargada à pessoa e à comunidade. O contacto com o doente desde a primeira semana de aulas, tutorizado por um especialista em MGF numa relação de 1:1, é a base para a “preparação do médico para qualquer especialidade, não só MGF.”

Já com uma boa parte do seu corpo docente acreditado em Educação Médica pela Associação Europeia de Educação Médica, o Departamento de Ciências Biomédicas e Medicina tem como objetivo major o desenvolvimento da região do Algarve como um local atrativo para a prática da medicina e formação de jovens médicos. Neste sentido foi recentemente criado o “Centro Académico de Investigação e Formação Biomédica do Algarve, ABC (Algarve Biomedical Center)”, um centro académico empenhado em promover a investigação básica, clínica, translacional e o apoio às necessidades de formação pré e pós-graduada médica do Algarve. Planeia-se também para o final de 2019 a abertura do “Centro de Simulação Médica da UAlg”.

Robótica torna cirurgias mais inteligentes e reduz tremuras dos médicos

© Pixabay

“A robótica veio alterar profundamente o campo das cirurgias. Houve mudanças profundas nos últimos 15 anos”, argumentou Dorry Segev, cirurgião da área da transplantação e professor na universidade norte-americana Johns Hopkins.

Segev apontou como exemplo da laparoscopia, a cirurgia minimamente invasiva, área que a robótica “trouxe e elevou a um outro nível”.

Uma das grandes vantagens da robótica, segundo Dorry Segev, é conseguir uma “redução total” das tremuras das mãos de um cirurgião.

“Com a robótica, controlamos o robot, que faz os movimentos conseguindo uma redução total de tremuras”, afirmou o cirurgião, lembrando que quase um terço das cirurgias atuais nos Estados Unidos já são feitas com recurso à robótica.

Dorry Segev mostra-se convicto de que a inteligência artificial pode trazer ainda muitos contributos em contexto cirúrgico, eventualmente até passando por, no futuro, permitir compreender o âmbito das conversas num bloco operatório, fornecendo informação útil à situação concreta.

Para o futuro próximo, o cirurgião não foi capaz de dizer se a tecnologia permitirá realizar cirurgias à distância, mas não descarta que, se a tecnologia estiver correta, um cirurgião possa sentar-se no seu escritório e operar como se estivesse no bloco.

A conferência “Tornando as cirurgias inteligentes uma realidade” decorreu no âmbito das conferências sobre saúde na Web Summit, cimeira que decorre desde segunda-feira em Lisboa e que hoje termina.

LUSA

Universidade no Japão manipulou exames para admitir menos mulheres

© Reuters

caso está a ser investigado por um escritório jurídico contratado pela própria universidade, que aguarda nas próximas semanas por conclusões que esclareçam melhor a situação, disse um porta-voz daquele estabelecimento do ensino superior à agência de notícias Efe.

O caso foi tornado público no momento em que o Ministério Público de Tóquio investiga a mesma universidade pela suposta pressão exercida por um alto funcionário do Ministério da Educação, Ciência e Tecnologia para que esta admitisse o seu filho, sob a ameaça de retirar a ajuda pública.

A Universidade de Medicina de Tóquio começou a manipular os resultados obtidos pelos candidatos para estudar medicina em 2011, depois de ter registado um aumento no número de alunas no ano anterior.

Naquele ano, 40% dos novos alunos da universidade privada eram mulheres, o dobro do registado em 2009.

Desde então, o conselho de administração da universidade aplicou critérios mais restritivos na avaliação de mulheres nos exames de admissão de forma a manter a percentagem de estudantes do sexo feminino em cerca de 30% do total de novos alunos, segundo o jornal Yomiuri, que cita fontes ligadas ao processo, mas sem as identificar.

Na base da manipulação estaria a ideia de que os homens são mais adequados à profissão médica, porque as mulheres japonesas frequentemente param de trabalhar depois de se casarem e de terem filhos, segundo o jornal japonês.

No Japão, aproximadamente metade das mulheres deixa definitivamente os seus empregos depois de se tornarem mães, devido a fatores socioculturais e dificuldades em conciliar vida a familiar e profissional neste país asiático.

O Governo lançou a estratégia “Womenomics” para promover uma maior participação feminina no trabalho, mas o país continua a registar uma diferença salarial entre homens e mulheres, bem como uma diminuta presença do género feminino nas grandes empresas e na classe política.

LUSA

Há 40 anos nasceu Louise Brown, a primeira bebé proveta do mundo

© inews.co.uk

notícia do nascimento de Louise Brown, no dia 25 de julho de 1978, em Oldham, uma cidade do interior de Inglaterra, correu o mundo e gerou grandes debates acerca da nova técnica de reprodução assistida desenvolvida pelos investigadores Patrick Steptoe e Bob Edwards, este último galardoado com o Prémio Nobel da Medicina em 2010.

Ao longo da vida, Louise Brown, que já trabalhou como enfermeira e é atualmente funcionária de um posto de correios, tem contado a sua história em várias organizações e participado em vários eventos.

Em dezembro de 2006, teve o primeiro de dois filhos, concebido por vias naturais. Antes dela, a sua irmã Natalie, que também nasceu através da fertilização in vitro, teve o seu primeiro filho sem recorrer a técnicas de reprodução assistida, colocando um fim às dúvidas sobre se os bebés gerados em laboratório podiam conceber crianças pela via natural.

Numa entrevista à agência Lusa, quando fez 37 anos e lançou um livro sobre a sua vida, Louise Brown reconheceu que não foi fácil crescer debaixo dos holofotes, mas disse acreditar que valeu a pena e aconselhou os casais a nunca desistirem do sonho de serem pais.

Louise contou que, quando tinha quatro anos, os pais mostraram-lhe o filme do seu nascimento: “Eles fizeram-no porque em breve eu ia para a escola e receavam que as outras crianças mencionassem o assunto. E também porque sabiam que a comunicação social iria tentar fotografar-me na escola e queriam contar-me a razão desse interesse por mim”.

Os pais de Louise – Leslie e John Brown – tentaram durante nove anos engravidar, sem sucesso. Coube à equipa de Patrick Steptoe e Bob Edwards proporcionar-lhes um filho através de um método então inovador que tinham desenvolvido na década anterior: a Fertilização In Vitro (FIV), que consiste na junção em laboratório dos óvulos com os espermatozoides, com posterior transferência dos embriões para o útero.

“Os meus pais contaram-me que fui concebida de uma forma diferente das outras pessoas. Não tenho a certeza de ter percebido tudo na altura, mas tomei consciência de que era uma coisa diferente e que eu tinha sido a primeira no mundo”, acrescentou.

Assim que nasceu, Louise foi sujeita a “todos os tipos de exame” para avaliarem se era perfeitamente normal. “E eu era!”, afirmou. “Desde então, as pessoas aceitaram que nascer In Vitro não faz qualquer diferença para um ser humano”, disse.

Louise Brown realçou alguns dos aspetos positivos que resultaram do seu pioneirismo. “Adoro viajar e conhecer pessoas FIV – especialmente pequenos bebés – e é muito frequente as pessoas abordarem-me e agradecerem-me por ter sido a primeira”.

“Francamente, acho que os verdadeiros pioneiros foram os meus pais e a equipa de Patrick Steptoe e Bob Edwards. Eu sou apenas o resultado do seu trabalho pioneiro”, declarou.

Desde o nascimento de Louise, outras oito milhões de crianças vieram ao mundo com a ajuda da ciência, nomeadamente de técnicas de Procriação Medicamente Assistida (PMA) como a FIV.

Louise já conheceu algumas destas crianças, sentindo com algumas delas muito em comum. “É fantástico quando ouço algumas das histórias dos seus pais e de como são felizes por terem conseguido um filho”.

LUSA

Já nasceram mais de oito milhões desde primeira bebé-proveta

Louise Brown nasceu em 25 de julho de 1978 em Oldham, uma cidade no interior da Inglaterra, através de um método então inovador, a Fertilização In Vitro, desenvolvido pelo ginecologista Patrick Steptoe e pelo embriologista Robert Edwards, este último galardoado com o Nobel da Medicina em 2010.

O seu nascimento foi recebido com grande felicidade pelos pais, Leslie e John Brown, que durante nove anos tentaram, sem sucesso, uma gravidez, e foi notícia em jornais e televisões de todo o mundo. Muitas questões éticas foram levantadas na altura e em torno da técnica utilizada.

Desde então, já nasceram mais de oito milhões de bebés no mundo através das diferentes técnicas de procriação medicamente assistida, segundo um estudo apresentado no início do mês, em Barcelona, no congresso da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia, com base em registos de 1991 a 2014.

Os especialistas estimam que mais de meio milhão de bebés nascem todos os anos fruto destas técnicas, de um total de dois milhões de tratamentos contra a infertilidade realizados anualmente.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução, Pedro Xavier, falou da importância para a medicina do nascimento do primeiro bebé-proveta e para os casais inférteis, que em Portugal são cerca de 300 mil.

“Olhando para trás considero que esse momento foi tão importante na medicina como o primeiro transplante cardíaco ou um procedimento dessa natureza, porque veio mudar a vida de milhões de pessoas, entre casais e crianças nascidas”, disse Pedro Xavier.

Para o médico, os tratamentos realizados por Patrick Steptoe e por Robert Edwards foram “marcantes e pioneiros” na sua abordagem. “Foram realizados com meios que hoje consideraríamos rudimentares face à evolução que a ciência teve nesta área nestes 40 anos”, mas no essencial os conceitos mantêm-se.

“Hoje os tratamentos são efetuados de forma diferente”, a nível da medicação e dos meios tecnológicos, “mas no essencial os conceitos que foram lançados e a raiz que foi deixada nestes tratamentos demoraram estes 40 anos e o mérito de quem o fez ficará para a história”, salientou.

Este avanço na ciência também foi “uma resposta a muitos céticos” que olhavam para a investigação e para a abordagem destes dois cientistas com alguma desconfiança.

“Foi uma resposta de incrível impacto pelo seu sucesso, mostrando que era possível chegar ao objetivo de ajudar os casais a ter filhos por meio de uma ciência muito diferenciada”, ao mesmo tempo que ajudou a “quebrar alguns tabus” sobre o nascimento destas crianças.

Mas, por outro lado, “aumentou os receios” de setores conservadores, que “passaram a ter um olhar um pouco mais preocupado por estas técnicas que ainda hoje, nalguns setores que eu diria já ultraconservadores, ainda se pode encontrar”, disse Pedro Xavier.

“A visão mais desconfiada de quem acha que as pessoas não se deviam submeter a este tipo de tratamentos habitualmente é uma visão de quem nunca teve a vivência destes problemas de infertilidade”, frisou.

A presidente da Associação Portuguesa de Fertilidade, Cláudia Vieira, também salientou “o avanço significativo” realizado pelos investigadores para “os casais com problemas em conceber naturalmente”, que ultrapassaram assim algumas situações clínicas lhes permitem “concretizar o projeto de família e de serem pais biológicos”.

LUSA

A tecnologia a favor da medicina

Ricardo Ribeiro, Investigador, Newcastle University

Para contextualizar o nosso leitor, o que é a biofabricação de tecidos e órgãos humanos? A escassez mundial de dadores para transplante de tecidos ou órgãos ainda é um problema de grandes proporções?

A Biofabricação é uma área científica multidisciplinar, com menos de 20 anos, que integra áreas tão distintas como a Biologia, a Engenharia de Materiais, a Física ou a Medicina. O seu principal objetivo é a manufatura aditiva de materiais biológicos, sejam eles tecidos ou órgãos, ou de estruturas de apoio à regeneração de tecidos. Visualmente, podemos imaginar uma impressora comum, em que a tinta é substituída por uma mistura de células e materiais, as chamadas bio-tintas. Arquiteturas tridimensionais são formadas através da deposição cumulativa destas “tintas”. Mas atenção, com as tecnologias existentes, a produção de órgãos em laboratório ainda não é possível. Para que tal aconteça será necessário desenvolver técnicas e/ou aparelhos que mimetizem as estruturas altamente definidas de órgãos, como os pulmões ou o coração. Por exemplo o controlo simultâneo do destino das diferentes células em culturas 3D ainda se encontra em estudo, sendo fulcral para a correta organização e orientação da multiplicidade de células que constituem um órgão humano. Porém, a ficção científica também tem o seu quê de realidade. Atualmente, com a Biofabricação é possível testar medicamentos em pequenos tecidos ou tumores, obtidos pela impressão das bio-tintas. Muitas multinacionais começam, felizmente, a substituir a experimentação animal, por esta nova e eticamente responsável estratégia.

Quanto à problemática da doação de órgãos, ainda existe uma grande escassez mundial. Começa, no entanto, a haver mais informação acerca desta prática, o que tem permitido aumentar o número de dadores – Entre 2008 e 2015, o número de dadores vivos aumentou cerca de 29%, segundo relatórios da UE.

Contudo, estas pequenas vitórias não têm um impacto significativo na redução das listas de espera uma vez que a compatibilidade e as condições dos órgãos se sobrepõem à consciencialização.

Com a biofabricação de tecidos e órgãos humanos este problema será completamente contornado?

Sem dúvida, é esse um dos grandes interesses desta área, visto que, em teoria, poderemos usar as nossas próprias células para produzir os nossos órgãos. Isto iria erradicar toda e qualquer lista de espera por transplantes, e os órgãos seriam fabricados à medida que fossem necessários. Em jeito de previsão, ao ritmo que a ciência tem avançado, é passível que esta meta seja atingida nos próximos 20 a 40 anos. Porém, apesar de contornada a escassez de dadores, esta “solução” apresenta um variadíssimo conjunto de novos problemas. A nível ético, irá isto transformar-se num negócio? Iremos todos ter acesso a este tipo de cuidados, ou apenas os mais ricos poderão obter a “salvação”? São discussões que começam a ganhar importância e sentido.

Para falarmos de biofabricação de tecidos humanos temos de falar de nanotecnologia?

Não necessariamente, mas a nanotecnologia poderá ser integrada na biofabricação. Determinados materiais/medicamentos “nano” poderão ser adicionados às bio-tintas e assim serem “impressos”.

Cada vez mais teremos a tecnologia a favor da medicina?

Sem dúvida alguma! Afinal é isso que a história nos tem ensinado. Se pensarmos que grande parte das descobertas fundamentais para o avanço da medicina foram realizadas no século passado, verificamos que apenas em 100 anos se clonaram animais, controlaram os genes de um bebé, fabricaram tecidos humanos, e até se iniciou a discussão de transplantes de cabeça em humanos. Creio que o futuro ditará exatamente as mesmas regras e, com a velocidade vertiginosa com que a tecnologia tem sido desenvolvida, imagino que grandes avanços poderão ser testemunhados nos próximos anos.

E quanto ao presente e ao futuro da investigação científica? Que papel assume a mesma na sociedade atual?

É no seio da investigação científica que novas ideias e produtos são concebidos, pelo que a importância manter-se-á elevada com o passar do tempo. Por exemplo, é possível verificar uma escalada no número de start-ups, cuja génese são os estudos desenvolvidos no decorrer dos percursos académicos dos seus fundadores. Estas acabam por beneficiar a sociedade não só através da oferta de novos serviços e tecnologias, bem como pela criação de novos empregos qualificados. Porém, mais apoios serão necessários para que Portugal consiga rivalizar com países estrangeiros. A nossa mão-de-obra é altamente qualificada, mas a falta de fundos e a precariedade vivida por grande parte da comunidade científica constituem, sem dúvida, uma grande barreira no desenvolvimento da investigação a nível estatal.

Surpresa! Medicina já não é o curso com a média mais alta

Há uma surpresa nos resultados da 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior: não é Medicina a encimar a lista dos cursos com a média mais elevada. Essa tem sido a regra desde que existe o actual modelo de ingresso no superior, que remonta a 1998, mas este ano os três cursos onde a entrada foi mais exigente são todos de engenharia.

Na lista dos cursos com a nota de ingresso mais alta há, desta feita, uma liderança repartida entre dois cursos do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa: Engenharia Aerospacial e Engenharia Física e Tecnológica. O último aluno colocado em cada um destes dois mestrados integrados tinha uma média de acesso de 18,53 valores.

O curso de Engenharia Aerospacial (onde foram colocados 86 alunos) foi-se tornando cada vez mais concorrido ao longo dos últimos quatro anos e a sua média de acesso cresceu sempre, tendo sido a segunda mais elevada no concurso do ano passado (18,5). Já Engenharia Física e Tecnológica (60 novos estudantes) ocupava o quinto lugar, numa lista ainda dominada pelos cursos de Medicina.


O Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa é um dos protagonistas do concurso deste ano: são de lá os dois cursos com a nota de entrada mais alta

Além destas duas formações da Universidade de Lisboa, há um terceiro curso de engenharia entre os que tiveram média de entrada mais alta. Trata-se do mestrado integrado em Engenharia e Gestão Industrial, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, cuja nota de acesso foi de 18,48 valores.

Depois destes, aparecem dois cursos de Medicina, ambos da Universidade do Porto. O último aluno colocado na Faculdade de Medicina daquela instituição entrou com 18,4 valores, ao passo que a média de acesso para o mesmo curso no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar foi de 18,25 valores. Logo a seguir a estes aparece um outro da Faculdade de Engenharia portuense, Bioengenharia, com uma média de acesso de 18,2 valores.

Medicina continua, ainda assim, a ser uma das áreas mais concorridas e com acesso mais difícil. Há mais um curso da especialidade com média acima de 18 valores (Universidade do Minho, onde o último colocado entrou com 18,17). Dos sete cursos existentes — onde entraram mais sete alunos do que as 1441 vagas inicialmente fixadas —, o que tem a média mais baixa é o da Universidade da Beira Interior, na Covilhã, com 17,77 valores.

Entrei na universidade? Veja aqui todas as notas de acesso

Há mais alunos colocados no superior e metade entrou no curso que queria

Só 16% dos alunos de cursos profissionais prosseguem para o superior

SPMI e Câmara Municipal de Viana do Castelo transformam a cidade em “porto da Medicina”

Este congresso, organizado pelo Serviço de Medicina 1 do Hospital de Santa Luzia de Viana do Castelo, conta com o apoio da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e da Câmara Municipal de Viana do Castelo e apresenta a cidade como “porta do Atlântico, porto da Medicina”.
Diana Guerra, internista e presidente deste congresso explica que a escolha do tema pretende “transparecer o carinho que nós, vianenses, temos por esta terra e por aqueles que nos visitam. Evocamos a importância, para todos nós, da realização de um evento científico tão marcante para a Medicina em geral e a Medicina Interna em particular, na região do Alto Minho. Assumimos o desejo de, nesta data, o Congresso Nacional de Medicina Interna ser um porto de convergência do saber médico e de aproximação dos Internistas e um porto de partida para novos horizontes e projetos na procura do melhor tratamento para os nossos doentes”.
O congresso irá realizar-se em dois polos principais: o Castelo de Santiago da Barra e o Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC). O programa científico incluirá mesas-redondas, conferências, debates, uptodates e workshops, além de mesas de comunicações orais, sessões de apresentação de pósteres e de imagens em Medicina, numa combinação de temas clássicos, inovadores e controversos que tenham impacto na atualização dos congressistas.
Como os últimos anos têm demonstrado este é o maior congresso médico português, com uma vasta participação de especialistas e internos de Medicina Interna, bem como outras especialidades médicas, nomeadamente a Medicina Geral e Familiar, ultrapassando os 1500 inscritos em cada edição.

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