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Preço do dólar nas ruas de Luanda desce para 560 kwanzas contra os 166 oficiais

O preço de um dólar norte-americano nas ruas de Luanda voltou a descer na última semana, mais de 8%, para, em média, 560 kwanzas (três euros), mantendo-se três vezes acima da taxa oficial de câmbio.

Os preços foram confirmados esta quarta-feira numa ronda da agência Lusa pelas ruas da capital angolana onde é feito este tipo de negócio, uma prática ilegal, mas a única alternativa face à falta de divisas nos bancos, e contrastam com os 610 kwanzas (3,30 euros) por cada dólar cobrados há uma semana.

As ‘kinguilas’ de Luanda, como são conhecidas as mulheres que se dedicam a este negócio, relataram que na origem da queda geral da cotação do mercado de rua estará alguma falta de “notas de kwanza”, a moeda nacional, para essas transações, compra e venda de moeda estrangeira.

Os receios por parte de quem negoceia, tendo em conta as detenções conhecidas em junho, são agora quase inexistentes.

Na habitual ronda feita pela Lusa foi esta quarta-feira possível encontrar quem vendesse a nota de dólar, no bairro do São Paulo, a 560 kwanzas, enquanto as ‘kinguilas’ do bairro dos Mártires de Kifangondo cobravam 550 kwanzas. Já no bairro do Prenda, igualmente no centro de Luanda, era hoje possível encontrar quem venda a nota de dólar a 580 kwanzas.

Ainda assim, são preços especulativos de quem vende, que, em muitos casos, como sejam os trabalhadores expatriados, é a única forma de ter acesso a divisas no atual contexto de crise económica, financeira e cambial, decorrente da quebra nas receitas petrolíferas.

O Governo português reconhece que apenas em salários de trabalhadores nacionais em Angola estão retidos, por falta de divisas para concretizar essas transferências, cerca de 160 milhões de euros.

Só desde setembro de 2014, a moeda nacional angolana desvalorizou-se em mais de 40%, face ao dólar norte-americano, para 166 kwanzas para um dólar, à taxa oficial, muito longe dos valores do mercado paralelo.

O Banco Nacional de Angola (BNA) recomendou em maio um “maior controlo e responsabilização dos agentes promotores do mercado informal de moeda estrangeira” por parte da polícia.

O BNA informou na passada sexta-feira que está a trabalhar com os bancos comerciais numa “melhor programação na venda de divisas” para “repor de forma gradual, programada, organizada e prudente” as necessidades de todos os setores da economia.

Em comunicado, o banco central referia ainda que nas últimas semanas tem vindo a realizar reuniões de “auscultação e concertação” com a Associação dos Bancos Comerciais de Angola (ABANC) e com os presidentes ou representantes dos conselhos de administração de 15 bancos angolanos para “partilhar informação sobre os desafios do sistema financeiro”.

O Presidente angolano exigiu a 01 de julho ao BNA que encontre soluções para resolver as dificuldades dos clientes e empresas no acesso a divisas, reconhecendo que no momento atual quem tem dinheiro prefere mantê-lo fora do país.

José Eduardo dos Santos explicou que a venda de divisas aos bancos por parte das empresas petrolíferas estrangeiras que operam no país, para obterem moeda nacional para o pagamento das despesas em Angola, são na ordem dos 300 milhões de dólares por mês e não cobrem atualmente as necessidades, como no passado.

O chefe de Estado disse que o Governo já recomendou ao BNA que “trate desta matéria com urgência”, em articulação com os bancos comerciais, “para melhor proteger os interesses” de Angola.

General Motors. Brexit põe em risco lucros na Europa

O segundo trimestre de 2016 foi o primeiro, desde 2011, em que a Opel/Vauxhall registou lucros, em boa parte graças ao desempenho do novo Astra, que contribuiu decisivamente para um EBIDTA (resultado antes de juros, impostos, amortizações e depreciações) de 100 milhões de dólares (cerca de 91 milhões de euros) no período entre Março e Junho deste ano. Resultado que tendia a confirmar o objectivo da divisão europeia da General Motors de, pela primeira vez desde 1999, alcançar um resultado positivo da sua operação no final do ano.

Agora, esta meta poderá ser bem mais difícil de atingir, devido ao Brexit e à desvalorização da libra daí resultante, o que levou a marca a anunciar já a eventualidade de enveredar por uma redução de custos na ordem dos 400 milhões de dólares (cerca de 365 milhões de euros), para fazer face às desfavoráveis flutuações cambiais da moeda britânica.

Num vídeo publicado na sua conta do Twitter, o CEO da Opel, Karl-Thomas Neumann deu a entender que os cortes vão mesmo ser necessários: “De momento, enfrentamos fortes ventos desfavoráveis, especialmente no nosso maior mercado – o Reino Unido. A decisão do Brexit não é um bom augúrio. Por isso, a segunda metade deste ano vai ser tudo menos fácil.”

Por seu turno, o CFO da marca, Chuck Stevens, afirmou que tudo está em cima da mesa em termos de opções para mitigar os custos adicionais resultantes da decisão do povo britânico. Incluindo alterações nos locais de produção dos seus modelos.

Um estudo levado a cabo pelos especialistas da LMC Automotive concluiu que, de todos os fabricantes que produzem automóveis no Reino Unido, a GM era a que maior probabilidade tinha de transferir as suas operações para o continente europeu, caso os custos de produção aumentassem em consequência da decisão do Reino Unido abandonar a União Europeia. A LMC Automotive sugere até que o encerramento da fábrica da Ellesmere Port, onde o Astra é produzido há 37 anos, poderá ocorrer em 2021, quando chegar ao mercado uma geração completamente nova do “best-seller” da Opel. Isto porque os Astra aí produzidos montam motores provenientes de fábricas instaladas na Europa continental, e a desvalorização da libra face ao euro tornou mais dispendiosa a importação de componentes.

Este cenário contrasta com as declarações proferidas por Dieter Zetsche na passada semana, já que o CEO da Daimler não espera que o Brexit tenha qualquer impacto na procura pelos modelos da Mercedes-Benz no Reino Unido.

Preço dos automóveis pode disparar

A Opel adiantou-se à introdução da nova norma para homologação de consumos, a WLTP (Worldwide Harmonized Light Duty Vehicles Test Procedure – Teste Mundial Harmonizado de Veículos Ligeiros) e anunciou os valores relativos a alguns dos seus veículos, comparando-os com os consumos determinados segundo a norma NEDC (New European Driving Cycle – Novo Ciclo de Condução Europeu), em vigor desde 1997. E o resultado foi exactamente o esperado: um considerável incremento dos valores anunciados, agora muito mais próximos dos consumos obtidos em condições reais de utilização.

O que é o ciclo de condução WLTP?

Este ciclo divide-se em quatro partes, com velocidades médias diferentes (baixa, média, alta e muito alta), cada qual englobando uma série de fases de condução, de paragens, de aceleração e de travagem, capazes de reflectir quadros de utilização similares à condução no dia-a-dia. A norma baseia-se em procedimentos de teste muito rigorosos, realizados em condições laboratoriais, para garantir um padrão harmonizado e directamente comparável.

Os parâmetros de teste incluem distâncias maiores, velocidades médias mais elevadas, períodos de paragem mais curtos e maior número de acelerações e de travagens. Por exemplo, a distância coberta no ciclo WLTP é de 23 km (11 km no NEDC), os períodos de imobilização do veículo representam 13% da duração total do teste (25% no NEDC), e a velocidade máxima é de 130 km/h (120 km/h no NEDC). Já os intervalos de consumo são estabelecidos do seguinte modo: cada versão (motor/transmissão) é testada numa unidade com o nível de equipamento que torna o automóvel mais económico, e noutra com o nível mais penalizador para o consumo. O valor mais baixo resulta da medição mais favorável obtida nas quatro fases do ciclo WLTP pelo automóvel com o equipamento “mais económico”, enquanto o valor mais elevado reflecte as medições mais altas efectuadas nas mesmas fases, mas com a versão de equipamento mais penalizadora para o consumo.

Num site específico, que a torna na primeira marca de automóveis alemã a publicar voluntariamente os números medidos de acordo com o ciclo de testes WLTP, a par dos valores oficiais NEDC , a Opel publica, para já, os consumos do Astra, nas variantes de carroçaria de cinco portas e carrinha Sports Tourer, equipado com os motores 1.0 Ecotec de 105 cv, 1.4 Ecotec Turbo de 150 cv, 1.6 CDTI (110 cv e 136 cv) e 1.6 BiTurbo CDTI de 160 cv. Olhando para os resultados aí publicados, e sempre na versão de cinco portas dotada de caixa manual de seis velocidades e sistema Start/Stop, o consumo médio misto do Astra 1.0 de 105 cv no ciclo NEDC é de 4,4-4,3 l/100 km, passando a ser de 4,8-7,3 l/100 km no ciclo WLTP. No caso do Astra 1.4 Turbo, o consumo no ciclo NEDC é de 5,1-4,9 l/100 km, valores que sobem para 8,5-5,0 l/100 km no ciclo WLTP. Já o mesmo modelo, mas com motor turbodiesel 1.6 CDTI de 110 cv, exibe consumos mistos de 3,4-3,3 l/100 km no ciclo NEDC, e de 5,7-4,2 l/100 km na norma WTLP. Passando à versão de 136 cv deste motor, o consumo é de 3,8-3,9 l/100 km no ciclo NEDC, e de 4,3-6,1 l/100 km no ciclo NEDC. Por fim, a mais poderosa versão 2.0 BiTurbo CDTI de 160 cv alcança um consumo de 4,1-4,0 l/100 km no ciclo NEDC, e de 6,7-4,3 l/100 km no ciclo NEDC.

Mas a parte mais interessante deste exercício comparativo é fazer corresponder aos valores mais realistas as respectivas emissões de CO2, introduzindo os dados obtidos no simulador que permite efectuar o cálculo do Imposto Sobre Veículos, disponível no Portal Aduaneiro da Autoridade Tributária. E, claro está, analisar o aumento dos encargos em que tal resultará, se nada mais mudar neste domínio, a não ser o método de homologação dos consumos.

Feitas as contas, temos que, só devido ao aumento do ISV relativo ao CO2(convém não esquecer que o ISV faz parte da base tributável, ou seja, está sujeito a 23% de IVA), o preço do Astra 1.0 aumentaria 77€ na melhor das hipóteses, ou 3337€ se fosse levado em linha de conta o valor de consumo mais elevado obtido no ciclo WLTP. O Astra 1.4 Turbo até baixaria 56€ no consumo mais favorável, mas aumentaria 7323€ no caso do valor mais elevado. Aplicando o mesmo raciocínio às versões a gasóleo, os cálculos resultariam num aumento de 1398€ ou 7987€ para o Astra 1.6 CDTI de 110 cv, de 842€ ou 9371€ para o 1.6 CDTI de 136 cv, e de 337€ ou 13437€ para o 1.6 BiTurbo CDTI de 160 cv.

Se a nova norma WLTP se revela mais verosímil, levanta grandes problemas a países como o nosso, onde os impostos dependem directamente das emissões de CO2, que por sua vez variam directamente de acordo com o consumo de combustível. Com os valores anunciados a subir em alguns casos mais de 70%, se o Governo não alterar a legislação, os impostos sobre os veículos poderão subir na mesma proporção. A este propósito, o secretário-geral da Associação Automóvel de Portugal (ACAP), Hélder Pedro, contactado pelo Observador, refere que a associação já começou a debruçar-se sobre este problema. Sabendo que são vários os países da Europa que, com fórmulas distintas, incluem a componente CO2 no seu sistema fiscal, o responsável português afirma ter feito saber junto da Associação Europeia dos Construtores de Automóveis que esta situação deve ser devidamente acautelada, tendo em conta as suas implicações que, no limite, “podem ser desastrosas para o comércio automóvel” nalgumas paragens.

O caso português é especialmente preocupante, uma vez que, entre nós, a vertente CO2 representa cerca de 60% da carga fiscal incidente sobre o automóvel. Nas instâncias europeias, como junto do Estado português, a posição da ACAP é que, “independentemente das alterações que venham a ser introduzidas nos métodos de homologação, a carga fiscal se mantenha nula”. Contudo, esta é uma corrida contra o tempo, pois se, por um lado, a União Europeia pretende que a nova norma WLTP entre em vigor já em 2017, por outro, é preciso não esquecer que a proposta de Orçamento do Estado deverá ser apresentada após o Verão, e aprovada antes do final do ano.

O que muda com a nova norma?

Actualmente, a homologação dos consumos e das emissões de poluentes dos automóveis novos à venda na Europa é feita com base na norma NEDC. Mas a contestação gerada em torno da aplicabilidade prática dos valores daí resultantes, levou o sector a preparar uma nova normativa, com vista à obtenção de valores mais fielmente representativos da experiência dos condutores no dia-a-dia. O resultado é o novo ciclo de testes WLTP, que colhe a aceitação generalizada da indústria automóvel, e que os legisladores da União Europeia deverão, já no próximo ano, eleger como substituto do actual ciclo oficial NEDC. Entre as vantagens óbvias de seguir por este caminho destaca-se o facto de os dados obtidos serem comparáveis, a nível mundial, ao passo que os do NEDC são válidos apenas para a Europa.

Mas “não há bela sem senão”. Se, com a implementação do WLTP, o consumidor ficará mais defendido, já que os dados de homologação passam a ser mais próximos daqueles que poderá alcançar na vida real, o reverso da medalha é que os valores tenderão a ser, na esmagadora maioria dos casos, mais elevados do que os actuais. E como a um maior consumo de combustível correspondem superiores emissões de CO2, se nada for alterado na legislação fiscal hoje em vigor no nosso país, tal resultará num inevitável aumento dos preços dos veículos. Assim o dita o incremento da vertente ambiental do imposto que incide sobre os automóveis.

Envelhecimento ativo, uma missão empresarial

Ana Sepulveda Créditos Ricardo Oliveira

Demografia disruptiva é a demografia atual, porque pela primeira vez na história da humanidade a proporção de pessoas seniores tende a ser maior que a de pessoas jovens. Neste sentido, o conceito de envelhecimento ativo surge como forma de promover o envelhecimento positivo e integrador. Uma sociedade “Age Friendly” é uma sociedade onde estão criadas as condições para que este processo seja otimizado com claras implicações para a economia, porque, entre outros aspetos, abrem-se novas oportunidades de negócio. Para que isto seja possível é necessário que as organizações estejam efetivamente adaptadas a esta realidade e vejam de que forma este fenómeno demográfico afeta o seu negócio.
É neste contexto que em 2013 surge em Portugal a 40+Lab, uma empresa de consultoria estratégica de negócio especializada no consumidor sénior, no processo de envelhecimento e na forma como ele impacta o negócio das marcas.
Ana João Sepulveda afirma que “a nossa missão é trabalhar com as organizações e em conjunto coloca-las na linha da frente da economia do século XXI, onde o envelhecimento e a longevidade marcam grande parte do crescimento das sociedades. Porque o mercado sénior, como mercado promissor do desenvolvimento de negócio é uma realidade recente em Portugal, as marcas e organizações têm muito a aprender e há que encurtar os timings de aprendizagem. É para isso que existimos.”
O envelhecimento é um fenómeno demográfico e sociológico que toca a sociedade de forma transversal e que, no mundo dos negócios, representa uma oportunidade de crescimento e diversificação tanto para as organizações cuja oferta se destina efetiva e exclusivamente aos seniores (ex. produtos funcionais ligados ao processo de envelhecimento), como para aquelas cuja oferta é mais generalista (ex. bens de grande consumo). Mas para que isso seja possível é preciso que se olhe para os seniores como consumidores normais com necessidades e motivações muitas vezes não satisfeitas e não sob o prisma das ideias feitas e dos preconceitos discriminatórios.

A par da indústria alimentar, outras existem que beneficiam em muito do fenómeno do envelhecimento, que impulsionam a economia e, em simultâneo, contribuem para a promoção do envelhecimento ativo. Ana Sepulveda menciona, nomeadamente, o turismo, a saúde e a área tecnológica.

No âmbito do turismo, cresce o número de estrangeiros que olha para Portugal como “a Flórida da Europa”. Um país com um excelente clima (em comparação com o do país de origem do turista), com boas acessibilidades, seguro, com uma boa oferta gastronómica e cultural. São turistas seniores que em alguns casos acabam por escolher Portugal para residir. O investimento no turismo sénior beneficia tanto o turista que vem de fora como os seniores portugueses, por provocar um aumento da oferta e uma adequação da mesma aos desejos e vontades destas pessoas.

Aqui, este mercado cruza-se com a saúde e potencia o desenvolvimento do designado turismo de saúde, através da criação de espaços que permitam revigorar o corpo e a mente. O bem-estar torna-se o objetivo crucial, numa fusão entre ócio, terapia e investimento na longevidade.

Ana Sepulveda assume que estes mercados estão especialmente direcionados a seniores ativos ou com fraca dependência, termo utilizado pela Comunidade Europeia. Contudo, não esquece a população mais dependente, com uma saúde mais débil e/ou com maiores restrições financeiras. Neste ponto, reitera a importância da responsabilidade social e de uma economia direcionada para comunidades mais desprotegidas. “Esta é uma questão que tem vindo a chamar a atenção das empresas”. Neste âmbito, a responsável pelo 40+Lab menciona também as age-friendly cities, um projeto da Organização Mundial de Saúde, que incentiva à adaptação e flexibilização das cidades. O objetivo passa por “tornar a cidade acessível, atrativa e integradora dos seniores”, explica.
Neste sentido, também as empresas devem saber acompanhar estes conceitos futuristas. É aqui que se insere o INNOVageing, um projeto da 40+Lab e desenvolvido em parceria com o Instituto de Negociações e Vendas (INV), que promove a formação dos recursos humanos para um correto relacionamento com seniores e especialmente voltado para o retalho.

No contexto comercial, o atendimento deve ser adaptado e não podem existir sinais de impaciência ou paternalismo para com os clientes idosos e com maiores dificuldades de compreensão face a produtos e serviços recentes ou, por exemplo, ligados às novas tecnologias. Os próprios espaços comerciais devem igualmente criar condições de conforto, nomeadamente através da construção de espaços de descanso, da colocação de produtos em zonas de fácil acesso, entre outras situações, como refere Ana Sepulveda.

No seio interno das empresas, os responsáveis pelos Recursos Humanos devem saber compreender os anseios dos seus colaboradores mais velhos e ter uma interação saudável e eticamente correta. Devem ter presente a real constatação de que a idade não influencia a produtividade.

Num momento em que o envelhecimento é um mercado em expansão, esta empresa de consultoria apoia, igualmente e por diversas vezes, marcas já existentes a “redefinir o seu negócio”, de modo a adaptá-lo a estas classes etárias. Mas, acima de tudo, “temos a missão de contribuir para que o mercado nacional cresça de uma forma consolidada, porque a economia tem muito a ganhar com uma integração plena do segmento sénior”, assume Ana Sepulveda.

O ano de 2016 será um momento de grande prosperidade e desenvolvimento para a 40+Lab. Ana Sepulveda refere que a empresa apostará de forma clara na área da “formação e, nomeadamente, no projeto INNOVageing”. A internacionalização será, igualmente, um aspeto de máxima importância para a marca, com a entrada no mercado brasileiro. Atualmente encontram-se já a trabalhar em parceria com uma empresa norte-americana num projeto que será lançado em Portugal, e na Europa, em maio deste ano. A par disto, a 40+Lab apoia os Palhaços D’Opital, um projecto que se destina a alegria, o humor e os afetos no ambiente hospitalar e com foco nos doentes seniores”.

A inovação potencia a capacidade de diferenciação

Miguel Botelho Barbosa

Qual o peso da Inovação, nos dias que corre, para o sucesso de uma empresa?
A inovação potencia a capacidade de diferenciação das organizações e aumenta a sua competitividade no mercado global. Por isso cada vez mais empresas portuguesas, de todas as dimensões e setores, estão a posicionar a inovação como um pilar fundamental da sua estratégia. Vários indicadores parecem confirmar esta tendência, nomeadamente o número de candidaturas recentemente apresentadas aos instrumentos de apoio à inovação do Portugal 2020 e o respetivo investimento, e o facto de Portugal ter subido mais um degrau no Innovation Union Scoreboard (2014), passando a ocupar a 17ª posição.

Têm surgido cada vez mais start ups de cariz tecnológico e inovador em Portugal. De que forma esse facto se tem vido a reflectir na economia do país? Qual a importância destas empresas para o desenvolvimento de Portugal e para a competitividade do país nos mercados externos?
Há ainda um longo caminho a percorrer para garantir que Portugal consegue maximizar os resultados do investimento feito em IDI, trazendo para o mercado novos produtos e serviços inovadores, explorá-los comercialmente e transformá-los em retorno económico e social, contribuindo assim para o crescimento da economia nacional. Sabemos no entanto que a Investigação & Inovação em colaboração teve uma contribuição enorme para o significativo aumento de competitividade da economia nacional nos últimos anos. De acordo com o “Global Competitiveness Report” do World Economic Forum a inovação, tecnologia e capacidade das nossas instituições científicas foram as responsáveis pela maior subida de sempre de Portugal – 15 posições – neste ranking. Também em 2014, o Innovation Union Scoreboard atribui a Portugal o maior crescimento anual da performance em inovação. Um indicador relevante é a criação de emprego altamente qualificado com a integração de doutorados nas empresas, nomeadamente através das start-ups de base tecnológica que são resultado de projetos de investigação que têm resultados interessantes no mercado. A este respeito, vale a pena referir que 16 por cento dos projetos apresentados à Portugal Ventures para  investimento de Capital de Risco são projetos de Startups que integram doutorados nas suas equipas fundadoras.

A preocupação com I&D é cada vez mais premente nos empresários portugueses?
De facto, os números dos primeiros concursos para projetos de I&D em colaboração no Portugal 2020 não só revelam um compromisso renovado do Sistema de I&I com 274 candidaturas apresentadas, envolvendo mais de 270 empresas e um investimento superior a 240 milhões de euros, como apontam para um significativo aumento da procura, uma vez que, se comparados com os números do arranque do QREN em 2007, verificamos que as candidaturas e investimento aumentaram três vezes e que a procura por financiamento ultrapassa em mais de 2,5 vezes a dotação orçamental disponível.

Já assinalou algumas vezes a importância da colaboração para o aumento da competitividade das empresas. Acredita que os empresários nacionais têm-se apercebido dessa importância e cada vez colaboram mais entre si?
Se realmente somos mais inovadores, é porque, de facto, colaboramos cada vez mais! Se olharmos para o que foi o fenómeno da I&I em colaboração, percebemos que, o QCA3 (programa de fundos estruturais 2000/07) quebrou o tabu – a I&I em colaboração entrou definitivamente na agenda, mas ainda com pouca expressão – o QREN nos trouxe a quantidade – relativamente ao QCA3, o número de projetos foi multiplicado por quatro e o incentivo atribuído aumentou mais de cinco vezes!

De que forma os Fundos Estruturais têm sido primordiais ao desenvolvimento do país?
Há alguns indicadores que apontam para tendências positivas no impacto do investimento que tem vindo a ser feito nas últimas décadas. O país venceu um desequilíbrio histórico na sua balança de pagamentos tecnológica, acumulando um saldo positivo de cerca de 700 milhões de euros entre 2012/14, e o investimento direto estrangeiro dá sinais muito claros e evidentes de confiança na capacidade de I&I de Portugal: as intenções de IDE em I&I em Portugal aumentaram mais de quatro vezes entre 2013/2014, sendo que a I&I é a área de negócio que recolhe mais intenções de IDE em Portugal, à frente de áreas como o fabrico ou a logística.

Quais os principais incentivos financeiros à I&D empresarial que a ANI tem atualmente sobre a sua responsabilidade?
A ANI vai continuar a gerir os incentivos ao investimento empresarial em IDI que já geria no quadro-comunitário anterior, os projetos em co-promoção e os mobilizadores, e assume a gestão de novos instrumentos, alinhados com esta necessidade de garantir que os resultados se aproximam do mercado:
– A demonstração de tecnologias avançadas e linhas piloto. Esta medida apoiará projetos de validação e demonstração, em ambiente real, dos resultados dos projetos de I&DT. É a melhor forma de assegurar a massificação e replicação da inovação, através da sua disseminação e demonstração.
– A criação de núcleos de I&DT em co-promoção, visando aumentar a colaboração e o intercâmbio de conhecimento entre empresas e entre estas e as entidades do SCTN, e reforçar a capacidade das empresas para endogeneizar conhecimento e gerar inovação.
– O apoio à participação nos programas europeus de IDI, nomeadamente no HORIZONTE 2020, tendo como objetivo aumentar e diversificar a participação nacional nesses programas.
Este conjunto de instrumentos (e os restantes, que integram o PORTUGAL 2020) irão certamente dinamizar e apoiar uma maior e mais aprofundada colaboração entre empresas, e entre estas e o SCTN, o que se traduzirá em mais Inovação e mais Competitividade.

A ANI tem, hoje, um leque de actividades mais alargado. Quais são as atuais funções da Agência Nacional de Inovação? De que forma podem apoiar os empresários portugueses e fomentar o empreendedorismo?
A Agência Nacional de Inovação (ANI) recebeu uma instrução muito clara do Governo de Portugal – facilitar a Investigação e Inovação (I&I) em colaboração, sobretudo entre empresas e entidades do sistema científico e tecnológico, a nível nacional e internacional. O novo quadro-comunitário (2014-2020) disponibiliza vários milhões de euros para financiar a inovação e o desenvolvimento tecnológico alinhado com o mercado. A ANI faz a gestão de um conjunto de medidas de incentivo à investigação e inovação empresarial e, para garantir que os projetos tiram o máximo partido dos diversos meios financeiros disponíveis, em Portugal e a nível internacional, está a desenvolver uma nova abordagem de promoção integrada do conjunto de instrumentos de apoio à IDI, nacionais e europeus, e a ajudar as empresas a compreender e a participar nessa rede de oportunidades.  Por outro lado, a ANI dinamiza e participa num conjunto de programas, projetos e iniciativas que visam apoiar a transferência de tecnologia e a competitividade global dos projetos de investigação aplicada apoiando as empresas na procura de parceiros para projetos e a exploração dos resultados, até à promoção de produtos inovadores, facilitando o acesso a novas parcerias e mercados.

“A floresta portuguesa necessita de intervenção urgente – a regulação do mercado é inadiável”

Na comercialização de madeira, quais são os compromissos assumidos pela BSL? Que preocupações têm em consideração para que nada vá contra os vossos princípios?
Estamos a plantar em Portugal espécies que não devíamos porque estão com pragas, ou seja, quer no pinho como no eucalipto, existem pragas que afetam fortemente a produção e que não se conseguem eliminar. Tal como se faz noutros países como o Brasil, Chile, Tasmânia ou Uruguai, há investigação permanente e plantam-se outros clones ou outras espécies já geneticamente mais evoluídas e mais resistentes às pragas. O grande problema de Portugal é que tem um défice que se agrava todos os anos nas espécies que tem plantadas e os preços são fixados pela indústria. Quanto mais baixos os preços, mais défice tem, mais abandono há e entramos num ciclo vicioso que será fatal para a floresta.

Portugal deveria, por isso, seguir o exemplo desses países que mencionou?
Sim, sem dúvida. Portugal deveria seguir o exemplo do Brasil que diria que é o líder mundial na investigação genética de algumas espécies que temos em Portugal, seguindo também o exemplo do Chile, do Uruguai e da Tasmânia, sendo que este último é o país originário do eucalipto que temos cá e que já se encontra a especializar noutras espécies. Mesmo no norte da Galiza, com terrenos muito semelhantes e condições climáticas muito aproximadas às nossas, já se aposta em espécies diversificadas que dão muito mais rendimento ao proprietário e para as quais a indústria se tem de adaptar.

Nos últimos anos, acredita que tem havido essa consciência da parte dos diferentes agentes económicos ligados à área florestal para seguirem o caminho já trilhado por outros países?
Na área florestal as pessoas têm consciência mas não podem fazer nada porque temos uma estrutura proprietária de minifúndio e essas pessoas, só por elas, não podem alterar o estado das coisas. A regulação do mercado é inadiável. Deveria ser feito esse trabalho através de associações de proprietários ou de cooperativas mas como os preços são unilateralmente impostos pela indústria, as pessoas não têm nenhuma capacidade negocial. A indústria, por sua vez, só baixa os preços com base na quantidade que quer. Só o ano passado importaram-se cerca de 500 mil toneladas de eucalipto e no próximo ano já foram anunciadas 800 mil toneladas.

Dentro deste cenário, quais são as principais prioridades de atuação da BSL no sentido de garantirem o futuro da floresta em Portugal?
Nos seminários e nas conferências onde vamos temos alertado para estas situações mas, de facto, qualquer agente, só por si, não consegue porque a indústria tem um peso desmedido. Hoje o que importa para as empresas é a cotação em bolsa, as ações e o valor dos dividendos que distribuem no final do ano. Não estão, por isso, muito preocupadas com o que pode acontecer no médio e longo prazo, contrariamente ao interesse do proprietário. Também não temos uma mata certificada porque não se trata de plantar uma espécie qualquer num sítio qualquer. Trata-se de certificar e ter planos de gestão que são adaptados para plantar as espécies que têm de ser em sítios que, do ponto de vista ambiental, seja adequado e possibilite que o proprietário tenha a produtividade certa.

De que modo a certificação florestal deve ser encarada como um instrumento essencial para a sobrevivência e competitividade das principais fileiras florestais em Portugal?
É vital porque existe uma relação de causa e efeito. Se tiver uma mata certificada tem a garantia, por definição, de que a plantação que se faz naquela área é adequada e existe um plano de gestão e um planeamento do corte, da fertilização e isso é fundamental. Mas para certificar é necessário ter um cadastro digitalizado e que, infelizmente, não existe. Ao contrário da Galiza, se tiver uma mata qualquer em determinado local, vai ao seu computador e coloca o polígono e a parcela e aparece de imediato a mata com o nome dos proprietários e dos vizinhos inclusivamente. Isso em Portugal não acontece porque temos de ir às Finanças ver quem é o vizinho, entre outros elementos. Há um trabalho enorme a fazer. O país gastou 472 milhões de euros desde 1985 com as florestas e a verdade é que há um abandono crescente da floresta, pelas razões que já mencionei. As espécies que estamos a plantar não são adequadas, não têm produtividade e, por isso, as pessoas não investem porque sabem que quando forem cortar a sua madeira não irá compensar o investimento feito. Depois disso, é muito frequente dizer que nos meses de verão existem muitos incêndios e, como tal, é necessário obrigar os proprietários a limpar as florestas. Mas isso não resulta. Temos sim de ter um sistema organizado que permita tirar rendimento da floresta porque, se assim for, naturalmente que eles irão limpá-la porque terão mais produtividade.

O risco de incêndio acaba por ainda ser a principal ameaça com que a floresta portuguesa se depara atualmente?
Os fogos são uma consequência da situação existente. Há fogos em todos os países naturalmente e por diversas razões mas se tivéssemos uma mata que fosse rentável as pessoas preocupavam-se mais. Na Galiza as associações de proprietários fazem vigilância 24 horas por dia, durante o período de verão e a taxa de incidência de fogos é muito inferior à nossa. Não podemos deixar as matas abandonadas. Com vigilância não evitaríamos todos os fogos mas, sendo a maior parte dos casos fogo posto, certamente que muitos poderiam ser evitados.

Com o início de um novo ciclo político, quais são as suas expectativas? Acredita que este assunto passará a estar mais presente na agenda política nacional?
Pensaria que sim mas hoje há um Ministério do Mar e um Ministério da Agricultura e não se ouve falar em florestas. No anterior governo, não existia um secretário de estado das florestas e não havia ninguém com essa responsabilidade. Na minha opinião deveria existir um Ministério de Recursos Naturais, que englobasse a agricultura, o mar e a floresta, e que permitisse ter alguém que efetivamente olhasse para a floresta de uma forma mais aprofundada. Não vi o perfil do novo governo mas não podemos estar à espera do executivo para isto. Tem de ser a sociedade civil. Por exemplo, o Uruguai, um país com 3,5 milhões de habitantes, está a fornecer a maior parte da madeira que vem para a indústria portuguesa e nós não somos capazes de dialogar e de nos juntarmos à mesa para dividir tarefas.

Para o futuro, estando a BSL fortemente dedicada à certificação e desenvolvimento da floresta, que objetivos querem ver concretizados?
A BLS está a procurar diversificar a atividade, ainda que dentro do setor florestal. A nossa atividade é a comercialização de produtos florestais e já ficaríamos satisfeitos se fossem lançadas as bases e fosse acordado um plano nacional para a plantação das árvores que devem ser plantadas nos sítios certos. Com isso, em dez anos teríamos madeira para exportar. Não havendo uma intervenção forte e não se colocando as pessoas à mesa a falar sobre a floresta e a tomar medidas de planeamento sem limitar a liberdade, não vamos a lado nenhum.

Alguns factos:
1- Congresso da AIFF de outubro de 2014: conclusão de que a floresta tem uma rentabilidade negativa para o proprietário. Estudo da Universidade Católica.
2- Em Aveiro, a plataforma florestal representante da indústria referiu uma preocupação perante o abandono crescente das terras. Os diâmetros cada vez maiores da madeira entrada em fábrica.
3- No seminário da Feira Nacional de Agricultura foi referido que, desde 1985, foram gastos 472 milhões de euros e existe menos área florestada, havendo um decréscimo desde 1995, segundo representante do ICNF.

O ciclo vicioso da floresta:
– Rentabilidade negativa para os proprietários;
– Baixas produtividades;
– Espécies erradas;
– Défice para a indústria;
– Importação muito cara;
– Baixa de preços no mercado ibérico para não aumentar a média do preço de compra;
– Mais abandono e mais défice.

Utilizações:
– Importamos carvão;
– Reciclamos para indústria de aglomerado, do mercado nacional e importamos;
– Subsidiamos a queima de madeira;
– Exportamos para queimar a madeira que o país precisa para a indústria;
– Subsídios dados para a construção de fábricas sem se exigir uma garantia de abastecimento.

Floresta ferida e maltratada:
– Biologicamente temos nemátodo e gonípteros;
– Estruturalmente:
1. A indústria tem de se adaptar à floresta no seu próprio interesse, de longo prazo;
2. Temos de plantar o que maior produção der, vulgo casos do Brasil, Chile e Uruguai;
3. Aposta na investigação de espécies com melhor produção, resistentes e de maior rendimento, casos de empresas que venderam as propriedades aos fundos e abandonaram a investigação;
4. Estado/Universidades como grandes investigadores;
5. Necessidade de regulação do mercado. Oferta atomizada, procura concentrada;
6. Proprietário receberá mais vendendo madeira para queimar, exportar, do que para a indústria. Caso do navio de eucalipto da África do Sul para França.

Ações:
– Urgentes e inadiáveis:
1. Novas espécies/híbridos;
2. Espécies rentáveis pinho marítimo vs taeda;
3. Empresas intermédia rendáveis e sustentáveis.
– Digitalização do cadastro;
– Certificação integral em todo o território;
– Mais ação, mais debate;
– Risco de perda de grande riqueza e setor com milhares de empregos.

Conclusões:
– Como potencial de enormes recursos não explorados;
– Como gerador de dezenas de milhares de postos de trabalho;
– A montante, na propriedade e sua gestão e na indústria intermédia e final de produção de pasta e de papel;
– A floresta portuguesa necessita de intervenção urgente;
– Sem a participação dos proprietários, associações e cooperativas, operadores florestais, associações ambientais e indústria na discussão urgente da floresta, ela continuará a arder e, em breve, estará no abismo.

CAIXAS DE TEXTO REDIGIDAS POR JOSÉ ESTIMA REIS

Exportação e Internacionalização – a base do sucesso de uma empresa para crescer!…

Jorge Custódio

A crise trás sempre oportunidades, em todas as ocasiões, seja para nós individualmente, seja para as empresas. Quando os mercados internos decrescem, obriga os gestores das empresas a abrir os horizontes, e a procurar soluções para manter os volumes de faturação, bem como os índices de crescimento necessários à sustentabilidade das empresas.

Foi o que aconteceu com a grande maioria das empresas em Portugal em 2010. Se já então, havia predisposição para a exportação, mais nos viramos para essa estratégia em termos de crescimento das empresas.

Hoje o mercado é global, apenas temos de definir o melhor sortido de produtos, os parceiros ideais e a melhor estratégia em termos de marketing, adaptada às especificidades de cada mercado.

Depois deste caminho percorrido, toda a empresa tem as portas abertas para o sucesso. De forma sólida as vendas vão crescendo em cada mercado, onde conseguimos penetrar.
A LIFETECH, é um desses exemplos. Com os constrangimentos ao nível do mercado nacional, voltou-se para outros mercados, como é exemplo a América do Sul e África, mercados emergentes muito menos maduros que a Europa.

Em primeira instância atacamos os países de língua oficial portuguesa, até pela facilidade que este fator determinante proporciona (Brasil, Angola, Moçambique e Cabo Verde).
Depois, outros mercados periféricos a estes. Para tal criamos linhas específicas de produto, adaptadas a cada mercado. Formamos parceria com empresas locais, e conhecedoras dos caminhos a percorrer de uma forma otimizada. Por fim definimos a melhor estratégia de marketing e comercial, para atacar o negócio. Não fosse isso, e hoje estaríamos a lamentar-nos, como tantas outras empresas portuguesas que fecharam portas. O mercado globalizou-se, e abandonou as antigas fronteiras. E o povo Português tem esta aptidão desde há muito séculos. Como tal, sem qualquer dúvida, a Exportação e Internacionalização, é o caminho que todas as empresas devem percorrer rumo ao sucesso.

“O que não pode falhar é o que depende de nós”

José Guimarães, Administrador da Fortiustex

Depois de longos anos de sufoco provocados pela crise de 2008 e pelo manifesto interesse do mercado europeu à China, o setor têxtil português está finalmente a reemergir como uma indústria tecnologicamente inovadora e competitiva. Estas expectativas são, aliás, encorpadas pelo Plano Estratégico do setor para o horizonte de 2020. Neste longo cenário espera-se que existam cinco mil empresas, cem mil trabalhadores diretos e um volume de negócios na casa dos 6,5 mil milhões de euros mas o grande motivo de esperança está no campo das exportações, prevendo-se um aumento para cinco mil milhões de euros. Mais ou menos otimistas, há quem acredite que o pior já passou. É o caso de José Guimarães, Administrador de uma marca que tem procurado acrescentar valor a todos os agentes envolvidos em todas as fases do ciclo produtivo. A Fortiustex nasceu em 2004 e, com dinamismo e um forte espírito de equipa que caracteriza os atuais 105 funcionários, tem procurado aliar-se a parceiros fortes, incluindo fornecedores e clientes, para que “todos” beneficiem com o projeto. Desconstruindo a origem do nome da empresa que foi inspirado no provérbio latino “Altius, Fortius, Citius” (mais alto, mais forte, mais rápido), na Fortiustex esta designação é vista diariamente como “uma filosofia interna de evolução permanente: sermos mais fortes e mais rápidos do que éramos ontem. Comparamo-nos connosco próprios numa lógica de melhoria contínua”, explicou o responsável.

Esta empresa localizada em Leça do Balio, no Porto, prima de igual modo por estabelecer um intenso e rigoroso acompanhamento de todas as fases do ciclo produtivo. Esta vontade concretizou-se, aliás, na criação de um departamento interno de research e desenvolvimento e no aumento dos recursos humanos (tanto no que respeita às pessoas como à estrutura) na fase final de acabamentos e controlo de qualidade. A par disso, além de todo o controlo rigoroso efetuado pelos parceiros que fazem questão de enviar os seus próprios controladores para que nada falhe, a Fortiustex tem “durante o ciclo produtivo equipas técnicas destacadas a cada fase e controladores que são mais aliados do que fiscais”, acrescentou José Guimarães.

No seguimento de uma constante preocupação com a inovação, desde 2013 que a Fortiustex investiu numa estrutura própria para o desenvolvimento e produção de artigos Wear Fitness e artigos de banho, nomeadamente ao nível de equipamentos técnicos e pessoal qualificado. Esta opção foi consequência do encerramento de outra empresa e, perante o fantasma do desemprego que pairava sobre aqueles trabalhadores, José Guimarães entendeu que podiam alocar na Fortiustex essas pessoas, criando um negócio complementar ao já existente. Além disso, “este alargamento ao nível da capacidade e oferta de produtos foi uma resposta à evolução do mercado e, comercialmente, foi uma estratégia como porta de entrada em novos clientes”, explicou. Assumindo que o investimento em equipamentos e pessoas tem sido bastante elevado, José Guimarães não tem dúvidas quanto ao balanço que, decorridos dois anos, se pode fazer deste passo tomado com “conta, peso e medida”: “hoje somos mais capazes, eficientes e temos uma maior flexibilidade produtiva”. Esta estrutura que hoje emprega mais pessoas do que as iniciais vai ainda de encontro à filosofia que sempre fez parte do ADN desta empresa. Mais do que uma bandeira que é erguida nos momentos de maior conveniência, na Fortiustex há uma genuína preocupação humana e social, tal como podem comprovar estas 15 pessoas que viram os seus postos de trabalho assegurados.

Consciencialização humana e ambiental

“São as pessoas que fazem a empresa avançar e evoluir”. É um desafio permanente. A atividade empresarial é exigente mas a preocupação com os seus recursos humanos deve fazer parte da identidade de qualquer empresa. É por aqui que tudo começa. Criando laços fortes com as “suas” pessoas, a Fortiustex atingiu em 2015 um nível recorde no campo da formação técnica e no reforço das competências pessoais da sua equipa.

Além desta consciencialização humana, a Fortiustex, fugindo a qualquer tipo de frase feita ou chavão, orgulha-se de ser uma empresa “amiga do ambiente”, sendo esta uma preocupação que se materializou há cerca de um ano na contratação de uma técnica com a responsabilidade de “implementar e formalizar os processos de certificação (de produto, processo, social e de qualidade interna), também como resposta às exigências dos nossos clientes de segmento premium”, contou José Guimarães em conversa com a Revista Pontos de Vista. Como consequência, a nível interno, todas as práticas adotadas estão em consonância com as referidas certificações.

A par disso, outras decisões são tomadas com consciência, nomeadamente: “aposta em máquinas e processos mais eficientes energeticamente; monitorização dos consumos de água e energia; controlo das emissões gasosas; separação de resíduos e encaminhamento para reciclagem em detrimento da deposição em aterro; recurso a produtos amigos do ambiente e matérias-primas alinhadas com a ecologia humana; fibras orgânicas (oko-tex)”, exemplificou o responsável. Responsabilidade ambiental é isto e muito mais.

O que continua a falhar?

Internamente, tudo é feito para orgulhar este setor e fazer com que o nome “Fortiustex” seja ouvido no mercado. Mas como uma empresa que está no final da fileira têxtil, o grau de dependência de outros agentes impede que tudo corra como é expectável e desejável. “Era determinante que existissem na cadeia parceiros que se identificassem com os nossos objetivos e ambições. Queremos ser diferenciadores no sentido de aportar qualidade ao que fazemos e cumprir escrupulosamente os prazos. Mas temos dificuldades porque a fileira não tem esse entendimento e não está sensível a cumprir os compromissos que assume”, criticou José Guimarães. Este aspeto, muito mais do que uma consequência da crise, é uma questão estrutural das empresas. “Há uma falta de compromisso e disponibilidade para ir ao encontro e superar os desafios dos clientes”, acrescentou o responsável.

Num setor tão fatigado pela crise, por que é que não existe uma maior solidariedade entre todos? Para José Guimarães, com 30 anos de experiência neste setor, esta é uma questão para a qual não consegue encontrar resposta. “Tenho conversado com alguns parceiros, tento sensibilizá-los para estas dificuldades mas não tenho tido sucesso. A Fortiustex cumpre escrupulosamente todos os compromissos que assumimos, solicitamos atempadamente as encomendas, pagamos muitas vezes antecipadamente para motivá-los, estamos disponíveis 24 horas por dia mas existem sempre lacunas”, asseverou o Administrador. Também estas preocupações se refletirão nas escolhas do decisor final que é sempre o consumidor. “Uma maior consciencialização do consumidor exigirá às marcas garantias de produções responsáveis”, concluiu. Ser responsável passa precisamente pelo cumprimento dos compromissos selados.

Perspetivas para o setor

Nas últimas décadas assistiu-se ao desaparecimento de um elevado número de empresas que, com as vicissitudes impostas pelo mercado nacional muito devido à retração no consumo de mercados tradicionais de exportação, como Espanha, França ou Alemanha, viram-se obrigadas a fechar portas. Mas como setor resiliente que é, a indústria têxtil soube reinventar-se e dar a volta por cima. Como? “Apostando a montante (research, desenvolvimento e design), acompanhando os clientes ‘ao colo’ em todo o processo com transparência e no cumprimento dos prazos que são uma variável crítica para a distribuição e venda das marcas”, respondeu José Guimarães.

A aposta em mentalidades mais jovens tem sido também uma opção acolhida. Com ideias criativas e novas formas de abordagem ao mundo dos têxteis, os mais jovens “acrescentam muito valor às empresas e é importante que se envolvam seriamente num setor que é tradicional mas que é moderno e trabalha com um nível tecnológico elevadíssimo”, explicou José Guimarães, acrescentando que “a juventude poderá e deverá ajudar a melhorar a produtividade, permitir uma gestão mais racional, melhorar os recursos existentes quer humanos como materiais”. Esta é, por isso, uma cultura acarinhada pela Fortiustex uma vez que “o setor em muito beneficia com esta filosofia orientada para as soluções e não para os problemas”. E é com confiança que tudo se consegue. “Confiança em pessoas cada vez mais evoluídas” e “confiança a longo prazo dos clientes” que só será conquistada com o aumento do rácio de cumprimento, tanto no que concerne aos prazos como à qualidade assumida desde o princípio.

Revista Pontos de Vista – A Fortiustex tem conduzido a sua atividade por padrões de alta qualidade nos materiais, acabamentos e no serviço. Que cuidados são considerados desde o início? O que é que não pode falhar?
José Guimarães – O processo produtivo é muito longo e envolve infinitas variáveis e pessoas. O que não pode falhar é o que depende de nós, as variáveis que nós controlamos têm que ser efetuadas com zelo e eficiência, minimizando os riscos do que não controlamos. Só a excelência em cada passo dado poderá resultar na excelência final. Temos que ajudar os parceiros e todos os envolvidos devem ter espírito crítico e sentido de compromisso.

Alguns dados sobre o “Plano Estratégico Têxtil 2020”, realizado pela ATP (Associação Têxtil e Vestuário de Portugal):
– Existem sete eixos considerados estruturantes da mudança:
-Capitalização das empresas e financiamento da atividade;
-Melhoria da gestão das organizações;
-Competitividade para ser concorrencial a uma escala global;
-Inovação;
-Valorização dos recursos humanos;
-Imagem e visibilidade do setor;
-Empreendedorismo.
– Os indicadores apontam para cinco mil empresas, cem mil trabalhadores diretos, 6,5 mil milhões de euros de volume de negócios e cinco mil milhões de euros de exportações.

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