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“À sua escala, Portugal orgulha-se de estar a fazer a sua parte”

Num país que se tem mantido distante da onda de intolerância que domina na Europa, o Alto Comissariado para as Migrações (ACM) tem desempenhado um papel determinante na integração dos imigrantes que chegam a Portugal. Desta forma, quais são os grandes desafios que se colocam ao Alto Comissariado para as Migrações de momento?

A gestão das migrações forçadas trouxe, a todos os países solidários com o acolhimento e a integração de pessoas refugiadas, novos desafios e Portugal não é exceção, a começar pelo seu posicionamento humanista, manifestando a sua solidariedade ativa no âmbito dos diversos programas, para além dos pedidos de asilo espontâneos: recolocação, reinstalação, barcos humanitários e acordos bilaterais.

Este envolvimento tem levado o ACM, I.P., desde finais de 2015, a assumir a coordenação do acolhimento e integração, na sociedade portuguesa, dos requerentes e beneficiários de proteção internacional ao abrigo de todos aqueles programas de apoio, em cooperação com municípios e entidades da sociedade civil, adaptando respostas já existentes às necessidades do novo público-alvo e investindo na conceção de outras, de modo a contribuir para percursos migratórios humanitários sustentáveis.

Este é um desafio de que nossa orgulhamos, em particular quando, recentemente, dados do Eurobarómetro Standard revelaram que alguns dos temas que mais inquietam os povos europeus, como as migrações, o crime e o terrorismo, são quase ignorados pelos portugueses/as. O caso das pessoas migrantes é o mais paradigmático, dado que, em Portugal, é citado apenas por 3% de inquiridos/as como a sua maior preocupação, enquanto no restante do velho Continente chega aos 21%, apenas superado pelo problema do desemprego.

Contudo, este é sempre um trabalho inacabado, onde, permanentemente, surgem novos desafios. O Plano Estratégico para as Migrações (PEM), como instrumento de política pública de âmbito nacional, visa preparar o país e responder de forma articulada, eficaz e transversal a esses desafios. Assim, se é verdade que houve avanços muito significativos no combate transversal ao défice demográfico e no equilíbrio do saldo migratório, revertido em 2017 depois de seis anos de saldos negativos. Se, igualmente, é evidente que se registaram grandes avanços na capacidade de melhorar os instrumentos legais de apoio à integração das comunidades migrantes e seus descendentes (que superam as 500.000 atribuições da nacionalidade portuguesa na última década), continuaremos a aprofundar o nosso trabalho ao nível do acolhimento e integração das pessoas refugiadas, mas também do ponto de vista mobilidade internacional, na perspetiva da captação de migrantes e da valorização das migrações e do talento, no alinhamento com os setores de atividade que mais carecem de população ativa, assegurando uma solução eficiente e justa, desde logo, para as próprias pessoas migrantes, no enquadramento do Pacto Global para as Migrações.

Não há sucesso nas políticas migratórias se não forem consideradas, com toda a prioridade, as políticas de acolhimento e integração de migrantes na sociedade de acolhimento. Portugal está no bom caminho neste sentido?

O modelo de governação integrada desenvolvido em Portugal tem merecido inúmeros reconhecimentos e prémios internacionais. Esta ideia original portuguesa, que designamos de one stop shop,  desenvolvida e inspirada nas Lojas do Cidadão, permite ter, no mesmo edifício, todos os serviços que respondem de forma integrada às necessidades de migrantes, sejam imigrantes, refugiados ou cidadãos da UE em mobilidade. Estes Centros Nacionais de Apoio à Integração de Migrantes (CNAIM) são estruturas de apoio fundamentais no processo de integração em Portugal, disponibilizando para o efeito vários tipos de serviços, da responsabilidade do ACM, I.P., e de outras instituições públicas de diferentes ministérios.

Para além dos diversos serviços públicos aí presentes, os CNAIM têm diversos Gabinetes que se complementam, designadamente o Gabinete de Acolhimento e Triagem, o Gabinete de Apoio Jurídico, o Gabinete de Assuntos Sociais e Inclusão e o Gabinete de Apoio à Inserção Profissional, Ensino Superior e Qualificação. Numa lógica de atendimento integrado, estes gabinetes articulam-se entre si e com os demais ministérios presentes nos CNAIM, de forma a desbloquear as situações apresentadas pelas pessoas migrantes, potenciando assim o seu processo de integração.

Os CNAIM de Lisboa, Norte e Algarve, articulam-se, por sua vez, e de forma descentralizada, com 99 Centros Locais de Apoio à Integração de Migrantes (CLAIM) disponíveis por todo o país, fazendo jus ao princípio de que a integração se faz a nível local e, como tal, articulando em parceria com inúmeras câmaras Municipais e entidades da sociedade civil de norte a sul do país e regiões autónomas que por sua vez constroem, nos seus territórios, projetos em rede com escolas, centros de saúde, centros de emprego, associações de migrantes, entre outros parceiros, de modo a responderem de forma integrada às necessidades de migrantes do ponto de vista do atendimento e dos respetivos processos de integração .

Além do trabalho desenvolvido pelos CNAIM e CLAIM, é de realçar o aumento de pedidos de informação na Linha de Apoio a Migrantes (808257257) e a utilização crescente da app MyCNAIM, lançada em 2017, enquanto medida Simplex +, que permite desmaterializar o apoio prestado presencialmente.

A crescente replicação, no estrangeiro, destas e de outras práticas portuguesas de apoio à integração mostra-nos que estamos a fazer bem um trabalho que, noutras geografias, infelizmente, não encontra a mesma determinação e consenso.

Sente que em Portugal a integração é vista como o motor de desenvolvimento e coesão social da sociedade?

Em finais de 2018, a OCDE confirmou Portugal como um dos poucos países europeus onde a perceção sobre a imigração evoluiu mais favoravelmente nos últimos 12 anos (a par do Reino Unido e da Noruega), considerando o nosso país como uma “notável exceção”, reforçada pelo facto de Portugal (a par do Luxemburgo) ser um país onde as pessoas que têm raros contactos com imigrantes têm mais probabilidade de afirmar que a imigração é uma oportunidade.

Estes são dados que o Eurobarómetro confirmou, ao mostrar que a perceção portuguesa sobre a integração de migrantes na sociedade suplanta largamente a média europeia (fixada nos 54%), sendo que 77%  dos portugueses/as consideram que a integração de migrantes é bem-sucedida, um número só superado pela Irlanda (80%).

Em dezembro de 2018, e como nos últimos quatro anos, o ACM, I.P., através do seu Observatório das Migrações, lançou o Relatório Anual “Imigração em Números”. Trata-se de uma bateria de mais de 200 indicadores de integração, o que nos permite medir os níveis de integração dos estrangeiros em Portugal com rigor científico, e nos permite responder, pragmaticamente, às dúvidas que, muitas vezes, surgem ao redor deste tema: os estrangeiros contribuem para o nosso mercado de trabalho? E para a segurança social ou a demografia?

As nossas respostas a estas questões partem da evidência dos dados robustos que são trabalhados, e que permitem responder favoravelmente. A título de exemplo, em 2017, os estrangeiros contribuíram positivamente para a nossa Segurança Social com 514M€. Estes são factos que mais do que responder à questão inicial, permitem combater medos e mitos.

Não perdermos estes resultados de vista permitir-nos-á continuar a pautar a narrativa sobre as migrações com um olhar pragmático, complementado por um olhar humanista que deve sempre relembrar que, ao final do dia, são apenas pessoas como nós em busca de um projeto de felicidade.

Qual tem sido o papel do Alto Comissariado para as Migrações na adaptação e integração dos muitos imigrantes, oriundos dos mais diversos países, que têm chegado a Portugal?

O Alto Comissariado para as Migrações é o organismo, em Portugal, responsável pelas políticas de acolhimento e integração de migrantes, assente em 4 pilares, em torno dos quais de desenvolve o trabalho levado a cabo pelo ACM:

Pilar I – Integração de proximidade, através da Rede Nacional de Apoio à Integração de Migrantes, pioneira desde 2003 e composta por: 3 Centros Nacionais e 99 Centros Locais, porque a integração se faz a nível local;

Pilar II – Parceria e Cooperação com Municípios e Sociedade Civil, desde 2003, fomentando a construção bottom up de políticas municipais com o envolvimento direto de migrantes, na procura de soluções conjuntas, através das Associações de Migrantes e de Refugiados, para a conceção de Planos Municiais para a Integração de Migrantes (desde 2014), numa lógica de cooperação, porque a diversidade é uma vantagem competitiva;

Pilar III – Participação e representatividade das Comunidades Migrantes no Conselho para as Migrações, dinamizado pelo ACM, I.P., onde estão representadas as principais comunidades migrantes, afrodescendentes e de refugiados, a par dos diferentes serviços públicos (desde 1998) e cujo modelo tem vindo a ser replicado a nível local, através de Conselhos Municipais para a Interculturalidade, ou outras designações semelhantes;

Pilar IV – Modelo intercultural de gestão da diversidade, onde mais do que a mera coexistência das diferentes comunidades em presença no território nacional, se promove a interação das comunidades entre si e destas com a sociedade de acolhimento, na base da valorização da diversidade, do diálogo intercultural e inter-religioso.

Neste sentido, o papel do ACM, I.P. passa, desde logo, pela concretização plena do Plano Estratégico para as Migrações onde 13 Ministérios, Municípios e Sociedade Civil são envolvidos diretamente na concretização de 106 medidas para o apoio à integração.

Complementarmente, o ACM desenvolve inúmeros projetos e iniciativas que asseguram respostas diretas aos seus públicos-alvo. Entre essas iniciativas, destacamos as campanhas, o Observatório e um conjunto alargado de ações, tais como o Programa Escolhas, a Rede de Escolas Interculturais, a Carta para a Diversidade, o apoio ao Associativismo Migrante ou o Programa de Apoio ao Empreendedorismo Migrante. São, de facto, centenas de iniciativas que, no seu todo, ajudam a consolidar a ideia-chave que lhes subjaz: a ideia de uma sociedade portuguesa intercultural e inter-religiosa.

A promoção da igualdade de tratamento de todas as pessoas, como é exemplo o combate à discriminação racial, é fundamental. Desta forma, sente que a nível estatal tem sido realizado um esforço ao nível de investimento nesta área? Que lacunas ainda identifica?

Portugal tem, desde agosto de 2017, um novo enquadramento legal para a prevenção e combate à discriminação em razão da origem racial e étnica, cor, nacionalidade, ascendência e território de origem. Estas duas últimas caracteríticas “ascendência e território de origem” decorrem precisamente da nova lei, assim como o reforço de poderes da Comissão para a Igualdade e contra a Discriminação Racial – CICDR, a atribuição de poderes de instrução ao ACM, I.P., a simplificação de procedimentos na formalização de queixas; decisões sujeitas a publicação; o ônus da prova passou a permitir a presunção da intenção discriminatória, cooperação entre entidades com competência em matérias de discriminação e com os tribunais que agora informam CICDR das decisões proferidas, mediação ante acompanhamento da CICDR, como forma resolução de litígios e proibição da discriminação por associação, e discriminação múltipla.

Fruto deste importante impulso legislativo e verificando-se um maior conhecimento dos direitos e dos mecanismos da CICDR que o ACM, I.P. tem desenvolvido, através de campanhas e inúmeras iniciativas, o n.º de queixas em 2018 foi de 346, maioritariamente impulsionadas pelas próprias vítimas: 214 queixas= 61,8%.

Temos, felizmente, um novo enquadramento legal que veio reforçar os mecanismos de sanção à discriminação étnica e racial e tivemos, igualmente, um reforço no Código Penal para as tipologias de crimes de ódio racial que procuraram melhor responder a este desafio civilizacional. Mas, simultaneamente, há que continuar uma permanente sensibilização para uma pedagogia e cidadania que importa sempre reforçar.

Ao nível da União Europeia, Portugal tem estado na linha da frente das melhores políticas de resposta a migrantes e refugiados, recebendo merecido destaque como um dos países com uma abordagem positiva e construtiva, cumpridora dos mais elementares Direitos Humanos. Na sua opinião, quais são as principais razões para os imigrantes escolherem Portugal?

À sua escala, Portugal orgulha-se de estar a fazer a sua parte. Numa Europa onde alguns Estados-Membros substituíram a solidariedade por muros, Portugal tem merecido o destaque da UE, do Conselho da Europa e das Nações Unidas. Para tal, contribuiu o enorme consenso político nesta matéria, mas também o consenso social, como comprova o European Social Survey 2018 ao considerar Portugal como o país europeu onde mais desceu oposição à imigração, defendendo o acolhimento de refugiados e valorizando os benefícios da diversidade cultural e o contributo dos migrantes.

Solidário com a causa dos refugiados na Europa, Portugal acolheu 1550 pessoas refugiadas ao abrigo do Programa da Recolocação da UE, 142 no âmbito do Acordo UE/Turquia; 112 de Barcos Humanitários (estando para chegar mais 10 do navio Alan Kurdi) e recebeu já 194 pessoas através do Programa da Reinstalação, na relação direta com o ACNUR (de 1010 para os anos de 2018 e 2019). Paralelamente, foi o primeiro EM a celebrar com a Alemanha um Acordo Bilateral para efeito das Retomas a Cargo e celebrou um outro com a Grécia para mais 100 pessoas em 2019. A estes números acrescem os pedidos de asilo espontâneos que, em 2018, abrangeu mais de 1300 pessoas.

Atualmente, Portugal conta com novas comunidades, fruto dos mecanismos de proteção internacional, como é o caso das comunidades síria, eritreia e iraquiana. Entre elas, em sede de acompanhamento é possível identificar, entre os testemunhos das próprias pessoas refugiadas, a sua valorização no que se refere: à segurança, à hospitalidade, ao acesso a recursos como por exemplo a educação e a saúde.

Atualmente, quais são os principais programas de integração de imigrantes disponibilizados pelo Alto Comissariado para as Migrações?

À resposta integrada que o ACM, I.P. disponibiliza através dos CNAIM e dos CLAIM, a necessidade constante de adaptação e criação de novas respostas, tem levado o ACM, I.P. a oferecer novos recursos de que são exemplo mais recente:

O Serviço de Tradução Telefónica, atualmente com 60 tradutores e 57 idiomas, entre eles árabe, curdo e tigrínia, para responder às necessidades das novas comunidades de pessoas refugiadas em Portugal;

A Plataforma de Português Online, que apresenta conteúdos para a aquisição do Português europeu por adultos falantes de outras línguas, através de módulos traduzidos para inglês, espanhol e árabe (+ de 11.000 utilizadores/166 nacionalidades);

A Plataforma Refujobs, que tem por objetivo potenciar as competências profissionais das pessoas refugiadas, associando-as às oportunidades de emprego disponíveis em entidades e empresas portuguesas;

O Protocolo com a Plataforma Global de Apoio aos Estudantes Sírios, para atribuição de bolsa de estudo a estudantes refugiados de todas as nacionalidades no acesso ao ensino superior;

O Protocolo com todas as Associações de Refugiados que existem em Portugal para dinamização conjunta de atividades e cedência de espaço o que se verifica no CNAIM de Lisboa;

Portugal vive atualmente uma melhoria económica evidente. Sente que isso é fundamental para retomar saldos migratórios positivos que assegurem condições para um desenvolvimento sustentável do país?

O crescimento da economia e do emprego, assim como da recuperação da credibilidade internacional de Portugal que levou à redução do défice de 2018 para 0.5, são seguramente bons indicadores. A par destes, o Relatório Estatístico Anual 2018 do Observatório das Migrações (OM)  dá conta, não só de um conjunto de indicadores que revelam uma  contribuição muito positiva das pessoas migrantes para o país, mas também dos impactos das políticas migratórias de integração. De facto, os migrantes foram os primeiros a sinalizar os primeiros sintomas da crise e foram, depois, os primeiros a assinalar a retoma económica.

Os dados apresentados apontam para o facto de Portugal apresentar, em 2017, um saldo migratório positivo (+4.886), invertendo a trajetória de declínio verificada desde 2010, revelando-se, assim, um número de imigrantes (36 639, +22% do que em 2016) superior às pessoas que saíram do país (31 753, -17% do que em 2016). A população estrangeira com títulos de residência voltou a ultrapassar os 400 mil indivíduos, traduzindo um crescimento face ao ano anterior de +6%, vivendo em Portugal 421.711 pessoas estrangeiras, o que representa 4,1% do total de residentes do país.

Contrariando a tendência de envelhecimento da população portuguesa, as pessoas imigrantes são tendencialmente mais jovens, concentrando-se nos grupos etários em idades férteis e em idades ativas, facto verificado no contributo das mulheres de nacionalidade estrangeira para o nascimento de 10% do total dos nados-vivos em Portugal.

A terminar, quais devem continuar a ser as políticas portuguesas de integração de migrantes e pessoas refugiadas, e o que podemos esperar no futuro por parte do ACM?

No final de 2018, Portugal subscreveu o Pacto Global para as Migrações, pelo que a assunção dos compromissos daí decorrentes representam um desafio relativamente ao qual queremos estar à altura. É nesse caminho que a experiência do ACM, I.P. no acolhimento e integração de refugiados tem constituído uma aprendizagem que queremos aprofundar, assim como desejamos que o lugar de Portugal no MIPEX (Migrant Integration Policy Index), evolua para patamares ainda mais além do já conquistado até aqui. Recorde-se que, em 2015, no MIPEX IV, Portugal manteve-se como o segundo melhor país do mundo em termos de políticas de acolhimento e integração de migrantes.

Isto não significa, porém , que tudo esteja perfeito e há sempre muito trabalho para fazer e aprofundar. Desde logo no árduo trabalho de garantir que passamos da Lei à prática com os mesmos resultados.

A esse nível, destacamos os desenvolvimentos recentes na vertente da saúde, área genericamente menos bem cotada no MIPEX em 2015. A esse nível é de salientar o trabalho que temos vindo a fazer em parceria com a Direção-Geral de Saúde (DGS) e a OIM , procurando assegurar a efetiva concretização pelos serviços dos direitos dos estrangeiros em acederem aos serviços de saúde, independentemente de Portugal ser um dos raros países europeus que assegura o acesso à saúde a todos os estrangeiros, independentemente da sua condição legal. Neste domínio o ACM tem colaborado com a DGS e a OIM, através do projeto EquiHealth, formando centenas de  médicos, enfermeiros e assistentes, procurando garantir que esta boa vontade se concretiza no terreno.

Por outro lado, e se é verdade que na vertente da educação importa destacar que portugal tem melhorado bastante os resultados no pisa (programa internacional de avaliação de alunos), sendo o país da ue que mais aproximou os diferenciais nas taxas de sucesso e insucesso escolar dos alunos portugueses e estrangeiros, há, porém, determinadas nacionalidades que apresentam maior prevalência de abandono escolar e dificuldades escolares. Percebermos, no entanto, que não estamos perante deficits causados por serem migrantes, mas por contextos de classe social e de baixos níveis de qualificação dos pais que se tendem a reproduzir nas gerações seguintes, é fundamental. É neste domínio que o acm, através do seu programa escolhas, tem vindo a intervir, garantindo que, na corrida da vida, ninguém fica para trás.

Migrações: GNR em missão na Grécia resgata 54 migrantes no mar Egeu

Os militares da Unidade de Controlo Costeiro (UCC) da GNR destacados na Grécia, no âmbito de uma missão da agência europeia Frontex, resgataram 54 migrantes que se encontravam numa embarcação sobrelotada no mar Egeu, indicou esta terça-feira a corporação.

Em comunicado, a Guarda Nacional Republicana adianta que o resgate dos 54 migrantes, dez dos quais mulheres e nove crianças, aconteceu na madrugada de segunda-feira, próximo da ilha grega de Chios.

 Segundo a GNR, os militares da GNR realizavam uma ação de patrulhamento marítimo, quando observaram uma embarcação sobrelotada de migrantes que fazia a travessia, no mar Egeu, entre a Turquia e a Grécia com o objetivo de alcançar território europeu.

Aquela força de segurança indica que os migrantes resgatados não apresentavam ferimentos e foram entregues às autoridades locais em segurança.

Desde 01 de abril que 32 militares da GNR estão nas ilhas gregas de Chios e Kos a participar numa missão da Frontex (Agência Europeia de Gestão da Cooperação Operacional nas Fronteiras Externas dos Estados-Membros da União Europeia), com o objetivo de prevenir, detetar e fazer cessar ilícitos relacionados com a imigração ilegal, tráfico de seres humanos e tráfico de droga.

Desde o início da operação que a GNR resgatou 381 migrantes do mar Egeu e percorreu 3.459 milhas náuticas, refere ainda o comunicado da corporação.

Naufrágio com 500 mortos no Mediterrâneo provocado por excesso de carga

Segundo Carlotta Sami, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) para a Europa do Sul, com base em Roma, a informação foi avançada pelos 41 sobreviventes do incidente ocorrido sexta-feira passada, resgatados sábado e desembarcados domingo, já em segurança, em Kalamata (Grécia).

O grupo de sobrevivente – 41 pessoas oriundas da Somália, Sudão e Etiópia (37 homens, três mulheres e uma criança de três anos) – estava integrado numa frágil embarcação que partiu de Tobruk (leste da Líbia) e que transportava entre 100 a 200 pessoas, indicou Carlotta Sami, citando depoimentos dos sobreviventes.

Já em pleno mar, a embarcação juntou-se a outra, aparentemente maior, já repleta de migrantes. Ao proceder-se ao transbordo dos migrantes da embarcação menor para a maior, esta não suportou o peso e acabou por adornar e afundar-se com cerca de 500 pessoas.

Grande parte dos sobreviventes estava na embarcação mais pequena e não chegou a embarcar na maior, indicou Carlotta Sami, acrescentando que os que permaneceram no barco menor ainda conseguiram ajudar alguns migrantes que estavam dentro de água.

 

Fechar a rota dos Balcãs “não resolve o problema”

“Não se resolve o problema aplicando uma decisão unilateral”, declarou Merkel, em entrevista à rádio pública alemã MDR.

“Se não conseguirmos alcançar um acordo com a Turquia, então a Grécia não poderá suportar o peso [migratório] por muito mais tempo”, afirmou.

 

 

Catalunha. Declaração de independência causa êxodo de empresas

A decisão de independência desta região espanhola, promovida pelo Juntos pelo Sim e pelo partido de Artur Mas, presidente do governo autonómico da Catalunha, provocou um alarme generalizado entre a comunidade empresarial sediada naquela região.

Segundo um artigo do “El País”, o “Economia Circle”, que reúne as maiores empresas catalãs, já tinha advertido que “desde o primeiro minuto” a resolução ia afetar o investimento e a localização das sedes das empresas na região.

Até agora, a comunidade perdeu 683 empresas que, juntas, faturavam mais de 1500 milhões de euros por ano, a maioria das quais migrou para Madrid.

É o caso da cadeia de hotéis Derby ou do agronegócio multinacional Suez. O que está a acontecer, dizem diversas fontes citadas pelo “El País”, já tinha sido anunciado muito antes das eleições, com vários grupos a advertirem que o ato iria forçá-los a repensar a sua presença na Catalunha. Além dos bancos, os primeiros a reagir, seguiram-se o grupo editorial Planeta, a empresa de moda Pronovias e a Indukern farmacêutica.

E muitas dessas empresas passaram mesmo da ameaça à prática. De acordo com a agência de classificação Axesor, 3286 empresas deixaram a Catalunha desde 2012. Os empregadores enfatizam em particular o clima de “insegurança jurídica” que se vive na região, não só pela questão da soberania mas também pelo aumento da carga fiscal, que é uma das mais altas da Espanha.

Ironicamente, Madrid tem sido a cidade mais beneficiada por esta migração. Só este ano, e ainda segundo o “El País”, a capital conseguiu atrair 306 empresas catalãs.

Uma delas é a Inaves, que agrega várias empresas agroalimentares como a Companys Valls, um dos maiores grupos industriais catalães, com um volume de negócios de 1350 milhões de euros por ano e cerca de dois mil trabalhadores.

Estas transferências de sedes têm reforçado a atividade empresarial em Madrid, o movimento também foi seguido pelas multinacionais norte-americanas como a Mondelez, a cadeia de distribuição Schlecker – hoje Clarel, depois de ser adquirida pela Arbora & Ausonia, propriedade da P&G.

Grandes empresas de advogados citadas pelo diário espanhol explicam que a reforma da Lei de Sociedades de Capital que entrou em vigor este ano simplificou os procedimentos para a transferência das sedes sociais das empresas, que passaram apenas a depender do acordo dos conselhos de administração.

E embora o poder político local queira minimizar as transferências, os empregadores catalães começam a ficar preocupados com as migrações para Madrid. Fontes do ministério do Trabalho atribuem este verdadeiro êxodo à “insegurança jurídica” que representa o processo de soberania da região e às razões de índole fiscal.

Já o governo autonómico nega veemente que as empresas estejam a deixar a Catalunha na sequência do processo de separação. O secretário para a Administração e Competitividade, Pere Torres, disse sexta-feira que em cada ano, entre 700 e mil empresas deixam a região, o que representa cerca de 0,2 % a 0,3 % das companhias com sede na região, sugerindo que o Estado espanhol está a atacar a reputação da economia catalã.

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