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Ordem quer cheques dentista para urgências e saúde oral na medicina do trabalho

Foto LUSA

A Ordem dos Médicos Dentistas defende cheques dentista a partir dos dois anos de idade e a criação de um cheque para casos urgentes, bem como a integração da medicina dentária na medicina do trabalho.

Numa carta aberta aos partidos políticos, a Ordem pede que sejam colocados nos programas medidas que promovam a saúde oral. No documento, a que a agência Lusa teve acesso, é defendido o alargamento do cheque dentista a partir dos dois anos de idade e também para os desdentados totais.

A Ordem propõe também a criação de um cheque dentista “urgência”, de forma a responder a situações de dor e de trauma dentário.

Os médicos dentistas pedem ainda benefícios fiscais no acesso a cuidados de saúde oral e a próteses dentárias, bem como mecanismos de comparticipação para consultas ou tratamentos. “Para assegurar a cobertura de todos os trabalhadores”, é ainda recomendado que a medicina dentária seja integrada na medicina do trabalho.

Sobre a saúde oral no Serviço Nacional de Saúde, a Ordem recorda que é necessário criar a carreira específica de médico dentista, que já foi aprovada pelo Ministério da Saúde, mas aguarda ainda aval final das Finanças.

Na carta aberta, os médicos dentistas recordam que os últimos dados do barómetro da saúde oral mostram que 30% da população nunca vão ao dentista ou só vão em caso de urgência, além de que 70% dos portugueses têm falta de dentes e 55% deles nada têm a substituir os dentes que caíram.

Fonte: LUSA

Negociações na próxima semana, mas já há paralisações agendadas

© MadreMedia / Lusa

Os presidentes da Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE) e do Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor) adiantaram à agência Lusa que haverá uma reunião negocial no dia 3 de janeiro à tarde.

Carlos Ramalho, presidente do Sindepor, salienta que o Sindicato “pretende dialogar e negociar”, esperando que o mesmo se passe do lado do Governo.

Ainda assim, o Sindepor tem já emitido um pré-aviso para uma greve geral de enfermeiros, em todos os serviços e em todas as instituições públicas, de 8 a 11 de janeiro.

Contudo, Carlos Ramalho frisa que o objetivo “é negociar, dialogar e chegar a um entendimento”.

Pelo lado da ASPE, há dois pré-avisos de greve emitidos. Um de 7 a 20 de janeiro e outro de 14 a 28 de janeiro.

No caso da ASPE, segundo explicou à agência Lusa a presidente Lúcia Leite, a ideia é replicar o modelo de greve em blocos operatórios como a que está a decorre até ao final de ano e que já dura mais de um mês.

Nesta segunda fase de greve, a paralisação poderá afetar blocos cirúrgicos de sete centros hospitalares: os dois centros do Porto, Braga, Vila Nova de Gaia/Espinho, Entre Douro e Vouga, Tondela/Viseu e Garcia de Orta.

Os enfermeiros reivindicam uma carreira, que contempla a categoria de enfermeiro especialista, além de exigirem uma redução na idade da reforma.

A atual greve em blocos operatórios, que decorre desde dia 22 de novembro, teve origem num movimento de enfermeiros que lançou uma recolha de dinheiro para ajudar a financiar os colegas durante a paralisação.

Para a greve atual foram angariados mais de 360 mil euros. Atualmente decorre outra recolha de fundos através de uma plataforma na Internet que pretende angariar mais de 400 mil euros até ao dia 14 de janeiro e que até hoje ao início da tarde tinha recolhido 98 mil euros.

LUSA

Greve dos enfermeiros até dezembro vai causar “muitos constrangimentos”

© Lusa

Dois sindicatos de enfermeiros convocaram uma greve a partir de dia 22 de novembro, e com duração superior a um mês, que deve incidir em pelo menos três blocos operatórios de grandes hospitais, uma ideia de paralisação que partiu inicialmente de um movimento de enfermeiros e que recolheu já mais de 350 mil euros num fundo destinado a compensar os profissionais que ficarão sem salário.

Alexandre Lourenço considera que esta greve “pode causar muitos constrangimentos” e “lesar os cidadãos que necessitem de cuidados de saúde“, apelando ao Governo e às organizações profissionais que travem esta paralisação pela via negocial, através de acordo entre as partes.

Em declarações à agência Lusa, o responsável considerou que “não é relevante” o meio encontrado para compensar os grevistas, através de uma recolha de fundos que já conseguiu mais de 350 mil euros.

Só é relevante no sentido de perceber que, para se chegar a este ponto, é preciso que as coisas não estejam bem. É algo de muito atípico. Mas mais atípico é a previsão de termos uma greve por um tempo tão longo“, afirmou Alexandre Lourenço.

O representante dos administradores hospitalares lembra que “há fatores que desencadearam um descontentamento generalizado e que justifica a crispação existente”.

Apesar da recuperação das 35 horas semanais de trabalho ou da “melhoria de salários”, Alexandre Lourenço frisa que “o mal-estar sentido pelos profissionais é justificado pelas condições de trabalho atuais no Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.

“Importa ter em consideração que existem menos recursos humanos do que existiam em 2010, particularmente na enfermagem, nos assistentes operacionais e nos assistentes técnicos há uma sobrecarga de trabalho e uma frustração em algumas profissões que não verificam a valorização na sua profissão”, disse.

No caso dos enfermeiros, Alexandre Lourenço deu ainda o exemplo da diferença de critérios aplicados pelos hospitais públicos quanto às progressões nas carreiras. Há hospitais que atribuem 1,5 pontos por ano de serviço para a progressão, enquanto outros atribuem um ponto.

Temos comportamentos diferentes [por parte dos hospitais] sem que exista uma instrução clara por parte dos ministérios das Finanças e da Saúde. Uns enfermeiros progridem mais depressa e outros mais devagar. Isso também cria um desconforto grande, quer nos profissionais, quer nas administrações“, exemplificou.

O Ministério da Saúde já anunciou que está a fazer uma análise jurídica à greve prolongada dos enfermeiros em preparação em vários blocos operatórios.

Até hoje já foram angariados mais de 350 mil euros no fundo de recolha impulsionado por um movimento de enfermeiros independente dos sindicatos, sendo que a meta era conseguir 300 mil para cumprir greve em três blocos operatórios: Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, São João, no Porto, e Santa Maria, em Lisboa.

O movimento de enfermeiros prolongou, entretanto, a recolha de fundos para alargar a paralisação a mais dois blocos operatórios: Setúbal e Centro Hospitalar do Porto, mas o dinheiro para estes dois blocos adicionais ainda não foi conseguido até hoje.

Os enfermeiros reclamam nomeadamente melhores remunerações e uma carreira digna, notando que não progridem há 13 anos.

A greve arranca no dia 22 de novembro e prolonga-se até final de dezembro.

LUSA

Ordens dos Médicos e dos Psicólogos contra profissão de psicoterapeuta

Num parecer conjunto, as duas ordens, que representam a larga maioria dos psicoterapeutas em atividade, afirma que a sua posição tem por base “a evidência científica e a salvaguarda e proteção da saúde pública e dos interesses dos cidadãos que procuram os serviços de psicoterapia”.

“A prática psicoterapêutica abusiva, inadequada e sem a devida formação e regulação, acarreta riscos para a saúde mental dos utentes. Estes riscos não são acautelados pela facilitação económica e mercantilização do acesso através da criação da profissão” ou atividade económica de Psicoterapeuta, salientam no documento.

Em declarações à agência Lusa, o bastonário dos médicos, Miguel Guimarães, afirmou que “não é preciso, nem é necessário, nem sequer é útil ter a profissão de psicoterapeuta”, uma “profissão independente” à margem da Ordem dos Médicos (OM) e do Colégio de Psiquiatria e da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP).

Para o bastonário da OM, “a intenção de criar uma nova profissão nesta área não é de facto uma situação que garanta a qualidade e a segurança, porque para ser psicoterapeuta é preciso ter uma formação de base” na área da psicologia ou da psiquiatria.

Para Miguel Guimarães, esta formação de base é “importante para garantir a qualidade da psicoterapia e a segurança dos doentes”.

Esta posição é partilhada pelo bastonário da OPP, Francisco Miranda Rodrigues, afirmando que “não há necessidade de regulação” da atividade, porque esta já está regulada. “O que há é a necessidade de, quanto muito, fazer cumprir em termos de fiscalização, inclusivamente com a regulação”.

Por isso, frisou o bastonário dos psicólogos, a OPP opõe-se “frontalmente a esta possibilidade” que “seria um retrocesso relativamente a tudo o que tem sido feito em prol da saúde em Portugal”.

Segundo Francisco Miranda Rodrigues, o que se pretende é que os profissionais que estão a exercer estas práticas estejam “devidamente qualificados” e que deem provas disso, o que já fazem porque “a atividade de psicoterapia já decorre no seio de profissões reguladas e o Governo deve preocupar-se” para que seja assim.

Por outro lado, também é importante que as pessoas verifiquem “muito bem” quando procuram um psicoterapeuta se este tem formação de base na profissão de saúde e se está inscrito numa das ordens de saúde tem a atividade regulada.

“Se não for assim, os riscos a que estão a submeter-se são elevados e devem dar nota disso às autoridades, disse o bastonário dos psicólogos, contando que já chegaram situações dessas à OPP, que as enviou para o Ministério Publico para que possa atuar em conformidade.

No parecer, as duas ordens sublinham que “a psicoterapia corresponde a um conjunto de técnicas e procedimentos e que, nesse sentido, não pode ser entendida como uma profissão, mas sim como um método de intervenção utilizado por diferentes profissões/profissionais”.

“Cumpre então recentralizar a profissão de psicoterapeuta na atividade clínica (de médicos e psicólogos, com eventual extensão a profissionais que com eles colaboram), com o controlo normativo, ético e científico das respetivas Ordens profissionais”, defendem.

Os psicólogos são a única classe profissional com uma especialidade específica na área da Psicoterapia, com cerca de 1.300 especialistas.

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Aberto concurso para contratar maior número de médicos dos “últimos anos”

Numa nota de imprensa hoje divulgada, o Ministério acrescenta que os despachos que abrem concurso para os novos médicos serão hoje publicados em Diário da República.

Para os hospitais vão abrir 839 vagas, para a medicina geral e familiar estão destinadas 378 vagas e há 17 para a área da saúde pública.

O Ministério da Saúde destaca que as vagas a abrir nesta primeira fase “representam o maior número dos últimos anos”.

“A distribuição de vagas teve como base um conjunto de critérios que consideram as necessidades de cada instituição do SNS, com especial enfoque nas regiões do interior e Algarve”, acrescenta a nota.

A abertura de vagas para medicina geral e familiar vai permitir que sejam atribuídos médicos de família a mais 500 mil portugueses.

Nos últimos dias, várias estruturas médicas tinham contestado a contratação de médicos aposentados para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) antes da abertura dos concursos para os recém-especialistas que concluíram há meses a sua formação.

Ordem dos Médicos, Sindicato Independente dos Médicos, Federação Nacional dos Médicos e Associação das Unidades de Saúde Familiar exigiam que a contratação de médicos aposentados só fosse feita após a colocação dos mais de mil médicos recém-especialistas que concluíram a sua formação especializada há mais de três meses.

LUSA

Ordem dos Médicos quer acabar com baixas médicas até três dias

Em entrevista à agência Lusa quando se cumpre, na sexta-feira, um ano da sua eleição como bastonário, Miguel Guimarães entende que os atestados médicos de curta duração “não deviam ser necessários”, bastando ao trabalhador responsabilizar-se pela sua situação.

Para evitar abusos, a legislação laboral podia ser adaptada de forma a impedir a repetição consecutiva de justificações de doença sem atestado médico.

“Nós propusemos que se acabassem com os atestados médicos de curta duração. Isto é de uma importância fenomenal”, afirmou o bastonário dos médicos, exemplificando com o caso das segundas-feiras, por tradição o dia pior das urgências nos hospitais.

Muitas pessoas sentem-se mal ou doentes durante o fim de semana e precisam de faltar ao trabalho na segunda-feira. Recorrem então ao serviço de urgência ou ao centro de saúde para serem observadas e conseguirem um atestado que lhes permita justificar a ausência no trabalho.

“O que acontece quando se vai ao médico pedir um atestado porque se estava com uma dor de cabeça ou indisposição? O médico vai passar o atestado, não tem grande alternativa. Estamos a falar de uma coisa de curta duração e que nem dá tempo para [o médico] investigar qualquer doença que possa existir”, exemplificou Miguel Guimarães.

O bastonário refere que outros países já prescindiram de atestados médicos de curta duração e acredita que esta medida retiraria 15% a 20% dos casos nas urgências e nos médicos de família, nomeadamente à segunda-feira.

A Ordem dos Médicos está consciente de que a ideia não envolve apenas o Ministério da Saúde, mas também pelo menos o Ministério do Trabalho.

“Os atestados médicos de curta duração não são bons para a sociedade. Depois, a legislação pode ser adaptada para não permitir abusos. [A medida] ia descongestionar as coisas e ia ser melhor para as pessoas. Muitas vezes as pessoas vão aos serviços quando deviam estar em casa a recuperar, a descansar”, argumentou Miguel Guimarães.

A proposta mantém-se em cima da mesa do ministro da Saúde e aguarda apreciação da tutela, bem como eventual avaliação por parte do Ministério do Trabalho.

LUSA

Médicos ameaçam com três dias de greve

A decisão foi transmitida aos jornalistas no final de uma reunião do Fórum Médico, que decorreu na sede da Ordem dos Médicos, por dirigentes do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e pela Federação Nacional dos Médicos (FNAM).

“O ministro da Saúde [Adalberto Campos Fernandes] está a faltar a um compromisso que está a conduzir a uma degradação do Serviço Nacional de Saúde e dos cuidados primários e hospitalares”, declarou o secretário-geral do SIM, Jorge Roque da Cunha.

De acordo com o dirigente, a falta de respostas aos problemas apresentados pelas organizações representantes dos médicos, leva-os a “mostrar o cartão vermelho” ao Ministério da Saúde.

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Ministério da Saúde quer hospitais a aumentar receitas com utentes

De acordo com os “Termos de referência para contratualização de cuidados de saúde no Serviço Nacional de Saúde (SNS) para 2018”, a que a agência Lusa teve acesso, os hospitais devem “aumentar as suas receitas extra contrato-programa, efetuando protocolos com outras entidades do SNS (…) captando utentes em lista de espera de outros hospitais”.

Outras medidas que constam do documento sugerem que os hospitais identifiquem, “de forma rigorosa, os utentes beneficiários de sistemas estrangeiros de proteção, cobrando a atividade realizada a utentes cuja responsabilidade financeira, seja de seguradoras ou de outras entidades terceiras responsáveis, desenvolvendo ensaios clínicos e projetos de turismo de saúde, entre outras”.

No mesmo âmbito, o documento elaborado pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) determina que os hospitais públicos devem “proceder à gestão dos recursos humanos, de forma a alcançar níveis de produtividade idênticos aos do melhor do grupo de ´benchmarking` [comparação de produtos, serviços e práticas empresariais] em que a instituição se insere”.

“Promover a mobilidade dos profissionais de saúde entre as instituições do SNS e implementar medidas de reorganização de serviços e/ou de reafetação de profissionais”, bem como “manter os custos globais com suplementos remuneratórios e prestações de serviços”, são outras das medidas que constam do documento.

Segundo a ACSS, em 2018 os hospitais e centros hospitalares vão receber 3.875.331.879 euros, mediante a contratualização de cuidados de saúde no SNS. Destes, a Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte irá receber 1.337.568.528 euros, a do Centro 767.948.297 euros, a de Lisboa e Vale do Tejo 1.503.329.664 euros, a do Alentejo 71.608.636 euros e a do Algarve 194.876.754 euros.

Em relação às consultas hospitalares, a tutela pretende que em 2018 sejam implementadas “medidas que vinculam as instituições na gestão do acesso à consulta hospitalar, com enfoque em medidas a nível nacional, como a implementação do tele-rastreio dermatológico, na dermatologia, ou do rastreio da retinopatia diabética, na oftalmologia”.

É incentivada, pela via do financiamento, “a adoção de soluções locais que contribuam para a melhoria dos tempos de resposta, pelo que as primeiras consultas referenciadas pelos cuidados primários (…) terão o seu preço majorado em dez por cento”.

Adicionalmente, prossegue o documento, “as consultas médicas realizadas em tempo real, programadas ou urgentes, são majoradas em 10%, independentemente de serem primeiras consultas ou subsequentes”.

“Com particular relevância para esta linha reforça-se que não são aplicáveis critérios de acesso com base na área de residência do utente, ou seja, o pagamento das teleconsultas não se encontra associado à residência”.

Também as consultas de psiquiatria, “realizadas na comunidade, são majoradas em 10%, sejam primeiras consultas ou consultas subsequentes. A mesma majoração se aplica à atividade realizada nos estabelecimentos prisionais”, lê-se no documento.

Outra aposta refere-se às consultas hospitalares descentralizadas nos cuidados de saúde primários, tendo em conta que contribuem para “aumentar a acessibilidade dos utentes aos cuidados de saúde e incentiva a articulação entre as instituições do SNS, promovendo a proximidade aos utentes e a continuidade dos cuidados”.

Nesse sentido, as primeiras consultas e subsequentes terão uma majoração de 10% no preço por grupo em algumas “especialidades (como a saúde mental, a oftalmologia, a obstetrícia, a pediatria e a medicina física e de reabilitação, por exemplo) e em áreas geográficas concretas, obedecendo sempre a protocolos clínicos bem definidos”.

No documento, está expressa a intenção da tutela de reduzir “a utilização de cuidados hospitalares que seriam evitáveis, com destaque para os internamentos médicos evitáveis, por se encontrarem associados a patologias ou condições de saúde que podem e devem ser prevenidas e/ou tratadas ao nível dos cuidados programados de primeira linha”.

Pretende-se ainda “melhorar a eficácia e a eficiência da resposta às situações de urgência e emergência, introduzindo iniciativas que permitam redirecionar os utentes para os cuidados programados e de proximidade, reforçando a respetiva capacidade resolutiva e reduzindo a atividade dos serviços de urgência”.

Outra medida passa pelo “alargamento do Livre Acesso e Circulação (LAC) do utente no SNS, diversificando as alternativas e aumentando a sua capacidade de intervir de forma pró-ativa e responsável na gestão do seu estado de saúde e bem-estar”.

O documento refere ainda o propósito de “incentivar a transferência de consultas subsequentes para os cuidados de saúde primários (nomeadamente na área das doenças crónicas), reorientando a procura para respostas de proximidade e estimulando o recurso à referenciação dos cuidados de saúde primários e à resposta via TeleSaúde”.

Outro objetivo passa por “aumentar a atividade das instituições do SNS na área da diálise, promovendo o aumento dos programas hospitalares de tratamento da insuficiência renal crónica em ambulatório (diálise peritoneal e hemodiálise)”.

Tempo de espera nas urgências vai contar no pagamento por parte da tutela

Por outro lado, o  pagamento dos serviços de urgência aos hospitais do SNS que os prestem irá levar em conta a percentagem de episódios atendidos dentro do tempo de espera previsto no protocolo de triagem.

De acordo com o mesmo documento da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), “serão desenvolvidas experiências-piloto de implementação de Centros de Responsabilidade Integrados (CRI) nos serviços de urgência, em instituições que venham a ser identificados pelas Administrações Regionais de Saúde (ARS) respetivas, visando o aumento da autonomia de gestão, a maximização dos recursos, a otimização dos processos assistenciais e de decisão e o cumprimento integral dos tempos de resposta nos serviços de urgência”.

Ao mesmo tempo, os hospitais com taxas de cesariana superiores a 29,5% ou 31,5%, consoante o grau de diferenciação, não vão receber do Estado o pagamento pelos respetivos episódios de internamento, no âmbito do programa para a redução destas cirurgias.

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Governo cria grupo independente para avaliar listas de espera sob suspeita no SNS

Na proposta de despacho do Ministério da Saúde, a que a agência Lusa teve acesso, o Governo admite que importa assegurar a fiabilidade dos sistemas de gestão do acesso a cuidados de saúde em funcionamento no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

A ideia de uma “auditoria independente e urgente” ao SNS tinha sido lançada pelo bastonário da Ordem dos Médicos na semana passada, no dia seguinte a ter sido conhecido o relatório da auditoria do Tribunal de Contas.

Na proposta de despacho que aguarda publicação em Diário da República, é determinado que os sistemas sejam avaliados por um grupo técnico independente, de modo a assegurar a transparência, a credibilidade e a confiança no processo dos sistemas de gestão de acesso a cuidados de saúde.

O mesmo grupo independente deve avaliar a qualidade e a robustez dos indicadores de acesso a consultas e cirurgias que têm sido publicados e emitir recomendações para melhorar a informação.

O grupo terá cerca de dois meses após a publicação do despacho para apresentar um relatório final.

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, preside a este grupo técnico, que integrará representantes dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, da Direção-Geral da Saúde, da Inspeção-geral das Atividades em Saúde, da Entidade Reguladora da Saúde, da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, de associações de doentes e da comunidade académica.

O relatório do Tribunal de Contas divulgado na semana passada vem contrariar números da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), que apontavam para menos tempo de espera na primeira consulta de especialidade dos hospitais públicos.

Mais tempo de espera para uma consulta hospitalar e mais utentes a aguardarem por uma cirurgia entre 2014 e 2016 foram alguns dos aspetos identificados pelo tribunal.

Numa reação a estas conclusões, o bastonário dos Médicos considerou que o relatório “põe mesmo em causa a fiabilidade dos dados fornecidos pela ACSS, que afirma serem falseados através de ‘procedimentos de validação e limpeza das listas de espera'”.

Na altura, o bastonário assumiu que a Ordem dos Médicos tem competência e valência para realizar uma auditoria independente, eventualmente em associação com “outras estruturas ou instituições com capacidade”.

Diretor-geral de Saúde termina funções com desafio à Assembleia da República

Francisco George, que cumpre hoje o seu último dia como diretor-geral da Saúde, por atingir o limite de idade, partilhou com dezenas de individualidades e dirigentes do setor, assim como representantes parlamentares e sete ex-ministros da Saúde, e o atual, os marcos de uma carreira de 44 anos dedicada ao Estado.

Visivelmente emocionado ao entrar na sala repleta de “amigos”, Francisco George disse aos jornalistas que o encontro — por ele inicialmente marcado para “uma prestação de contas”, mas transformado em homenagem por iniciativa do Ministério da Saúde — foi “um ato de solidariedade”.

“É importante sentir que há solidariedade”, afirmou o dirigente da Direção Geral da Saúde (DGS), há 17 anos neste organismo.

Francisco George disse que o acontecimento que mais o marcou a nível mundial foi a descoberta da sida, tendo trabalhado com alguns dos primeiros casos, e o surto da bactéria legionella em Vila Franca de Xira, a nível nacional.

A sessão começou com um apontamento musical levado a cabo pela filha de uma funcionária da DGS e prosseguiu com a leitura de uma mensagem do Presidente da República, na qual o chefe de Estado enalteceu as qualidades do dirigente.

Um pequeno filme com testemunhos de profissionais que trabalharam com Francisco George foi apresentado em seguida, ao longo do qual o “espírito de saúde pública”, a “generosidade” e a “honestidade” do dirigente foram várias vezes referidos.

O presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, recordou o caminho “de luta” que percorreu com Francisco George e a sua dedicação à causa pública.

“Para a nossa geração, servir o Estado é um privilégio”, disse, partilhando com a audiência uma qualidade de Francisco George, para alguns “um defeito”, que são as suas “fortes palmadas nas costas” que obrigam a “uma distância de segurança”.

Para Ferro Rodrigues, Francisco George “deu a cara em vários momentos difíceis e isso valeu-lhe o respeito da população”.

E foi precisamente a Ferro Rodrigues que o diretor-geral da Saúde deu o seu último reparo em forma de desafio, no sentido da Assembleia da República alterar a Constituição e tornar possível um cidadão doente ser obrigado a tratar-se.

Ao longo de três horas, Francisco George partilhou fotografias da infância, dos tempos de estudante e dos primeiros anos a trabalhar na saúde pública, sendo várias vezes aplaudido de pé.

Ao ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, coube as últimas palavras, referindo-se a Francisco George como um exemplo do que “de bom a República nos trouxe”.

Na cerimónia foi anunciada a criação, pelo Ministério da Saúde, do Prémio de Saúde Pública Francisco George, o qual visa “dinamizar a apresentação de estudos e trabalhos na área da saúde pública”.

O prémio no valor de 5.000 euros vai “distinguir trabalhos e estudos de investigação, inéditos e inovadores, em temas de saúde pública de relevante interesse e impacto para a defesa da saúde pública”.

A abertura oficial das candidaturas realiza-se em 07 de abril, Dia Mundial da Saúde, e a apresentação das candidaturas decorrerá entre 01 de junho e 31 de agosto.

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