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Porque se dizia que os comunistas comiam crianças?

O atual líder do Partido Comunista na Rússia, Gennady Zuganov, falou há tempos em criar um exército de bloggers para combater os mitos anticomunistas que persistem em circular no seu país. Entre esses mitos, um dos mais antigos é a ideia de que os comunistas comem crianças. Já quase ninguém o leva a sério, como se vê pelo remate irónico que acompanha a ideia hoje em dia: “…ao pequeno almoço”.

Mas ainda há quem acredite nele, e em 2006 o então primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi repescou-o a propósito da China maoísta. Quando os chineses protestaram, ele insistiu: “Leiam o Livro Negro do Comunismo e descobrirão que na China de Mao eles não comiam crianças, mas coziam-nas para fertilizar os campos.” Dias depois, vendo que a reação de Pequim não acalmava, disse na televisão: “Foi ironia questionável, reconheço, pois a piada é questionável. Mas não sei como me conter.”

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Berlusconi tinha (e tem) um estatuto informal de irresponsabilidade que permite não se levar a sério tudo o que diz – e lhe permite dizer tudo aquilo que lhe apetece sabendo que, no caso de haver problemas, pode sempre alegar que se tratava de uma piada. Mas a piada aqui é de gosto especialmente duvidoso. Porque existem, de facto, razões históricas por trás do mito.

Tanto na China como na URSS, houve fomes em massa que deram origem a surtos de canibalismo. Esse fenómeno não é exclusivo desses dois países, ou sequer dos regimes comunistas; ao longo da História aconteceu outras vezes, em épocas e em países muito diferentes. Mas foi aproveitado, distorcido e ampliado desde o início pelos inimigos do socialismo marxista. Dois ou três anos depois da Revolução Russa, em fóruns anticomunistas nos EUA e noutros países já se tornara relativamente comum ouvir a ideia de que os comunistas comiam bebés.

“COMER OS PRÓPRIOS FILHOS É UM ATO DE BARBARISMO”

A URSS teve uma grande fome entre 1921 e 1925, após seis anos e meio de disrupção contínua. A I Guerra Mundial, seguida pela Revolução e por uma guerra civil, destruíram a vida normal do país. As secas agravaram a situação, e o Partido também poderá ter querido usar a fome para obrigar partes da população a aceitar os seus projetos ambiciosos de engenharia social. O resultado foi um número de mortos próximo dos cinco milhões.

Dez anos depois, a fome genocida na Ucrânia poderá ter feito ainda mais vítimas, e aí não há dúvida sobre as intenções de Estaline. Essa tragédia foi largamente obra humana, deliberada, visando submeter à coletivização os camponeses renitentes e eliminar quaisquer veleidades de independência nessa região da URSS. Os ucranianos, que recordam anualmente as vítimas, usam o termo Holodomor (“Morte pela Fome”) para designar o período em questão.

Em ambas essas fomes surgiram relatos de canibalismo. Logo na primeira, terá havido milhares de casos. Um homem julgado por esse crime tentou desculpar-se com o argumento de que toda a gente fazia o mesmo. No Holodomor, houve fases em que morria uma média de 17 pessoas por minuto. Parece que o Partido chegou a colocar nas aldeias um cartaz que avisava: “Comer os vossos próprios filhos é um ato de barbarismo”.

A 31 de maio de 1933, o cônsul-geral de Itália em Kharkov registava um suposto testemunho direto, segundo o qual “as famílias matam os mais pequenos e comem-nos”. Note-se que por vezes é difícil perceber o que é verdade ou mentira em cada caso. Em 1943, o estado-fantoche nazi que Mussolini dirigia lançou uma campanha para aterrorizar os italianos, com a ameaça de que as crianças podiam ser raptadas e levadas para a URSS. Um cartaz mostrava um bebé aflito, com o monstro terrível do comunismo por trás. “PAPA, SALVAMÍ!”, dizia o cartaz.

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As fomes na China comunista não seriam menos terríveis do que as soviéticas. Durante o período que ficou conhecido como o Grande Salto em Frente, entre 1958 e 1961, mudanças radicais na agricultura, não raro inspiradas em ideias absurdas, como as do biólogo soviético Trofim Lysenko, aliaram-se a uma série de catástrofes naturais para causar entre 15 milhões de mortos (segundo as estatísticas oficiais) e 36 milhões (segundo estimativas posteriores de académicos).

Os casos de canibalismo terão sido muitos, como o seriam durante a Revolução Cultural, a partir de 1966. Aí, segundo o filósofo Christian Godin, com o elemento acrescido de ato mágico, sancionado pelo Partido. Em muitos casos as vítimas eram indivíduos classificados como burgueses, inimigos de classe, etc, tendo esse canibalismo uma natureza metafórica sem ser menos real por isso.

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UMA ACUSAÇÃO ANCESTRAL

A prática do canibalismo vem desde a pré-História, e o peso simbólico de consumir literalmente o inimigo – ou potencial inimigo – é conhecido há muito. Ainda há décadas um ditador africano, amigo de políticos franceses, era acusado de fazer isso aos seus rivais políticos. Quanto ao canibalismo de crianças, as mitologias grega e romana contêm ambas a história do deus que devora os seus filhos. Na “Divina Comédia”, Dante refere a história do Conde Ugolino, uma personagem real do século XIII. Ele terá sido acusado de traição e encerrado com os seus filhos e netos numa torre cuja chave foi deitada fora. Antes de morrer de fome, Ugolino teria comido as crianças. (No segundo círculo do Inferno de Dante, ele rói eternamente o crânio do homem que por sua vez o traiu).

No arsenal do anticomunismo, primário ou não, as alegações de canibalismo infantil foram um elemento importante, a par de outras visões de horror absoluto. Hoje em dia só a Coreia do Norte lhes poderá eventualmente dar credibilidade. Esse país conheceu uma fome extensa nos anos 90, e ainda em 2013 o jornal “Times of India” referia relatos de crianças mortas e comidas pelos próprios pais. A ser verdade, é o tipo de coisa suscetível de acontecer em qualquer epidemia de fome.

Pode-se discutir se o comunismo tem especial aptidão para criar essas epidemias, mas é tudo – e não é nada insignificante. Quanto às acusações de canibalismo feitas em termos gerais, correspondem a algo diferente. No fundo, o que elas fazem é repetir o libelo usado durante séculos para diabolizar grupos inimigos ou odiados. Já os gregos acusavam disso os “bárbaros” (i.e. os não gregos). Na Idade Média, dizia-se que os judeus matavam crianças cristãs para usar o sangue delas num tipo de pão. E por aí adiante.

Grandes mitos e verdades sobre a saúde do seu cabelo

Como é que tem a certeza que o seu cabelo é oleoso? As ampolas fazem mesmo o cabelo crescer mais rápido? O que fazer quando tem pontas espigadas?

Para esclarecer estas e outras dúvidas o Lifestyle ao Minuto falou com Alexandra Lóio, médica de clínica geral especializada em tricologia, da Clínica de Saúde Viável www.saudeviavel.pt. Eis alguns mitos e verdades capilares:

Como é que se sabe que o cabelo é de facto oleoso?
Um cabelo oleoso resulta de uma produção excessiva de gordura pelas glândulas sebáceas do couro cabeludo. O seu aspeto será o de um cabelo pesado, com brilho excessivo e sem volume. Este efeito pode ser potenciado pelo uso de água excessivamente quente, por uma má higienização do couro cabeludo ou pela exposição a ambientes com elevado teor de gordura.

Ampolas fazem crescer o cabelo mais rápido. Verdade ou mito?
Existe, hoje em dia, uma grande variedade de ampolas para tratamento capilar disponível no mercado. Contudo, nem todas têm os mesmos princípios ativos nem a mesma eficácia. É importante que estas ampolas reúnam alguns componentes essenciais como vitaminas (complexo B, E e A), sais minerais, aminoácidos, péptidos, ácidos nucleicos e fatores de crescimento, nas dosagens adequadas!

Se estes requisitos forem escrupulosamente cumpridos, aliados a um regime dietético favorável, é possível verificar alguns efeitos a nível da velocidade de crescimento capilar. Não esquecer, ainda, que as ampolas de aplicação tópica apresentam um índice de absorção limitado (e, portanto, algum desperdício), não comparável ao de produtos injetáveis diretamente no couro cabeludo.

Produtos para ‘salvar’ pontas espigadas. Resultam ou é mito?
Nem é mito, nem é totalmente verdade.
Na realidade, não existe nenhuma solução milagrosa para tratar as pontas espigadas, senão cortar o cabelo. Contudo, com a adoção de alguns cuidados essenciais, podemos prevenir o aparecimento de pontas espigadas e conferir ao cabelo um aspeto bonito e saudável.
As pontas espigadas aparecem quando há danificação da cutícula (zona externa do fio de cabelo), o que pode ser provocado por fatores agressores externos, como temperaturas elevadas (secadores, prancha) ou uso frequente de produtos de styling com químicos agressivos (ex: produtos de coloração, de alisamento ou permanentes).

Assim, atitudes como cortar o cabelo de 2 em 2 meses, utilizar um secador de cabelo iónico (seca o cabelo a temperaturas mais baixas), ou mesmo evitar o uso do secador ou aplicar um sérum protetor antes de secar ou de usar aparelhos de styling, podem reduzir as pontas espigadas.

Para prevenir o aparecimento de pontas espigadas também podemos utilizar alguns produtos como óleo de jojoba, silicone ou ceramida. Se o objetivo for disfarçar o dano, existem ainda alguns truques que podemos pôr em prática, como utilizar um bom champô hidratante e enxaguar o cabelo com água fria para ajudar a selar a cutícula.

Os cabelos caem mais no Outono. Mito ou verdade?
Sim, é verdade. Estima-se que perdemos cerca de 50 a 100 cabelos por dia. Contudo, esta quantidade pode quadruplicar no Outono. Isto porquê? Enquanto 90% dos folículos capilares estão vivos e a produzir fios de cabelo, 10% encontram-se em fase de descanso. A partir do momento em que entram nesta fase, cairão após cerca de 100 dias. Ora, na maioria das pessoas, esses tais 10% de folículos entram em fase telogénica no mês de julho pelo que entrarão em queda em meados de Outubro ou Novembro. A queda do cabelo pode, portanto, acompanhar a queda da folha típica do Outono.

Quatro ideias nutricionais que estão erradas e só fazem engordar

Existem muitas ideias pré-concebidas que parecem ser as mais adequadas para um estilo de vida saudável, mas na verdade não passam de mitos que apenas fazem engordar – e que prejudicam, por isso, a saúde.

Uma delas é pensar que o corpo precisa de açúcar quando se tem o desejo por algo doce, e que, por isso, se pode comer algo rico em açúcar. Segundo a revista Marie Claire, que reuniu os depoimentos de alguns nutricionistas e sites especializados, comer um fruto seco quando se tem desejos por algo doce tem exatamente o mesmo efeito do que comer uma sobremesa, embora se ingiram bem menos calorias e gorduras. Na presença do desejo, o corpo transforma qualquer alimento em glicose.

Acreditar que todos os smoothies são saudáveis é outro mito que deve terminar, uma vez que grande parte destas bebidas industrializadas contam com açúcares adicionados.

Comer o que quiser porque se tem um estilo de vida ativo e se pratica exercício é também uma ideia errada, visto que alguns alimentos são demasiadamente penosos para a saúde e não há prática de atividade que aniquile os seus malefícios.

Por fim, destaca a publicação, outra ideia errada, mas comum, é pensar que se pode comer tudo e mais alguma coisa apenas porque se teve um dia stressante. Comer emocionalmente e por recompensa nunca é correto, uma vez que a pessoa fica menos capaz de equilibrar o que ingere.

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