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Migrantes que não têm dinheiro são mortos para tráfico de órgãos

Milhares e milhares de refugiados que chegam à Europa fazem-no através de perigosas viagens marítimas e muitos acabam por morrer, pois os barcos de borracha estão sobrelotados e afundam.

Mas aqueles que não têm dinheiro para pagar uma viagem até ao Velho Continente não têm uma sorte melhor. Nuredein Wehabrebi, traficante de pessoas que trazia migrantes para território europeu e que agora está preso, revelou à polícia italiana que muitos dos que não viajam por falta de dinheiro acabam por ser assassinados.

O objetivo, segundo o jornal Independent, é o de vender os corpos para que os órgãos sejam extraídos.

“Eles são vendidos por 15 mil euros a grupos, particularmente egípcios, que se dedicam à extração de órgãos”, terá dito o homem que foi condenado a uma pena de prisão de cinco anos.

A polícia de Palermo revelou, em comunicado, que um homem natural da Eritreia, detido desde 2014, colaborou com as autoridades, revelando a forma como atuam as redes de tráfico de pessoas entre o norte de África e Itália.

Congresso Mundial de Turismo de Neve e Montanha realiza-se em março

Sob o tema “Mountainlikers: Desporto e Aventura, uma combinação promissora para destinos de montanha”, a conferência irá analisar propostas turísticas que atualmente são motor de atração de muitos destinos e de montanha, como o turismo desportivo e de aventura. Redescobrir a montanha, diversificar a oferta e melhorar a produtividade são objetivos que os destinos turísticos de altitude vão conseguindo atingir progressivamente graças ao turismo desportivo e de aventura, explica a OMT Organização Mundial de Turismo, em comunicado.
O evento será apresentado dia 16 de fevereiro, às 12H30, na sede da OMT em Madrid, e contará com a presença do secretário geral da OMT, Taleb Rifai.

Uma empresa na vanguarda do desenvolvimento farmacêutico

Carlos Cunha

Rebeldia é o que caracteriza toda a orgânica da Omega Pharma. E foi por essa mesma rebeldia que, em 1987, nasceu, na Bélgica, a empresa que viria mudar paradigmas na indústria farmacêutica. Sob o lema “Por farmacêuticos, para farmacêuticos”, o laboratório pretendia desenvolver uma área onde existiam ainda diversas lacunas e às quais as grandes empresas não davam a devida atenção: os OTCs – Over-the-counter -, expressão que se refere a produtos de venda livre, ou seja, sem obrigatoriedade de prescrição médica. Esta área, aquando da criação da Omega Pharma, representava apenas 20% do negócio destas empresass e uma percentagem insignificante dos produtos comercializados nas farmácias.

Deste modo, a empresa optou por desenvolver produtos em áreas como medicamentos não sujeitos a receita médica, dispositivos médicos – que ao contrário de medicamentos de prescrição obrigatória, permitem que o princípio ativo seja expelido do organismo após cumprida a sua função -, suplementos vitamínicos ou dermoestética, entre outras áreas que, por não existir necessidade, não se encontram em comercialização em Portugal.

A introdução destes novos produtos no mercado permitiu, assim, um desenvolvimento na indústria farmacêutica e, principalmente, no bem-estar social. Carlos Cunha explica que estes produtos “teoricamente não têm um impacto tão profundo na saúde pública, mas beneficiam muito a qualidade de vida das pessoas”. E é nesse contexto que a Omega Pharma tem focado o seu desenvolvimento. “O utente está sempre no centro do negócio”, assume o diretor comercial. “Nós queremos o melhor para o utente” e, sendo o laboratório um dos maiores no âmbito dos OTCs e o único a desenvolver apenas nesta área, “temos que ter tudo o que seja relevante para o utente”. Então, e como conseguem estar sempre na vanguarda desta área farmacêutica? Carlos Cunha explica que, além das marcas desenvolvidas a nível interno, a empresa procura igualmente obter os produtos já existentes, provenientes de outras empresas – como é o caso da GSK, a quem a Omega Pharma comprou o portfólio não estratégico. Por outro lado, a empresa é ainda recetiva à distribuição de outras marcas junto dos seus clientes, porque, mais importante do que questões de concorrência é o bem-estar do utente.

Os mercados devem adaptar-se às culturas

Na Omega Pharma, afirma Carlos Cunha, não esperam que as culturas se adaptem aos seus produtos. Pelo contrário, optam por adaptar todos os produtos que desenvolvem à sociedade onde atuam. Assim, não há dois produtos iguais na empresa e a investigação, desenvolvimento, produção e comercialização são procedimentos executados a nível nacional. Isto é, todos os produtos que são vendidos em determinado país pela Omega Pharma são, do mesmo modo, criados em território nacional. Apesar de, por vezes, existirem as fórmulas e os produtos em outros países onde atua, a entidade opta por criar um novo OTC, através de investigadores, estudos e matéria-prima nacionais. Esta é, na opinião de Carlos Cunha, a “grande riqueza da Omega Pharma” e o motivo pelo qual têm atualmente “18 mil referências e 10 mil marcas”.

Em Portugal, exemplifica, “estamos neste momento a estudar um produto”, “um antioxidante” – suplemento alimentar que protege as células das agressões exteriores -, devido à necessidade que a sociedade lusa demonstra ter por este produto. A concretizar-se o seu desenvolvimento, o produto seria realizado sob a demanda de investigadores portugueses e integralmente criado com base em “ingredientes nacionais”.

A responsabilidade pelo desenvolvimento económico

A Omega Pharma, através da sua postura inovadora e evolutiva, permitiu, desde a sua constituição, não apenas o desenvolvimento farmacêutico, mas também económico. Tal foi possível, uma vez que nesta área, e ao invés do que acontece com os produtos de prescrição obrigatória, é possível a realização de publicidade, criação de marcas associadas a novos produtos e alteração do packaging. Por sua vez, as farmácias responsáveis por comercializar estes produtos têm liberdade para definir preços e margens de lucro e promover promoções e descontos.

Estas questões de regulamentação são, atualmente, fundamentais para a sobrevivência das farmácias que, com as alterações dos preços de venda ao público e as diminutas margens de lucro, tiveram de conviver com a crise e criar alternativas.

Em Portugal, quando em 2002 a Omega Pharma adquire a Chefaro e a Prisfar e se instala em território luso e, principalmente, quando se dá a fusão das duas empresas em 2011 e deixam de funcionar como empresas independentes e concorrentes, foi notório o avanço farmacêutico, social e económico no país. Num momento de crise financeira, a Omega Pharma Portugal preferiu ver oportunidade onde outros viam decadência. Assim, e com situação nacional a obrigar a uma reestruturação do mercado e a uma entrada de novos produtos, foi possível um renascer da indústria farmacêutica e das próprias farmácias, que passaram a incluir igualmente medicamentos de prescrição obrigatória e produtos de venda livre.

Por este promover de mais-valias sociais, a Omega Pharma é já uma referência no mercado português e detém produtos não sujeitos a receita médica bem conhecidos da sociedade, como é o caso do Antigrippine, um medicamento indicado para combater os sintomas da gripe.

À descoberta da lusofonia…

…em Angola
Quando o território lusitano começou a mostrar que a Omega Pharma Portugal seria um laboratório em franca em expansão e após esta ter duplicado o volume de negócio entre 2013 e 2015, Angola começou a ser uma realidade cada vez maior. Carlos Cunha explica que rapidamente compreenderam ser necessário embarcar nesta viagem e que o país estaria de braços abertos para receber uma empresa cujos produtos já eram comercializados sem que os próprios responsáveis soubessem.  “Sentimos que a maioria destes países [lusófonos] prefere ter produtos em português e desenvolvidos para Portugal do que para o mercado sul-africano”, conta. Assim, e desde fevereiro de 2014, a Omega Pharma tem vindo a promover o desenvolvimento deste mercado em Angola e a evolução dos próprios farmacêuticos, a quem é dada a formação necessária sobre os produtos e patologias para as quais estão indicados. Apesar de não ter presença empresarial neste país, a empresa distribui e comercializa os seus produtos através de um parceiro local e da presença de Diogo Charneca, Export Manager da Omega Pharma. Carlos Cunha ressalva aqui a importância de Charneca, que muito tem contribuído para o sucesso da entidade em território angolano.

Apesar da instabilidade vivida política e economicamente em Angola, a Omega Pharma orgulha-se de ter duplicado o seu volume de negócio no país e de ser já um “player de referência” na indústria farmacêutica nacional. Por este motivo, a empresa opta por se manter presente neste território africano, porque acredita que a situação atual será brevemente substituída por uma Angola forte e em expansão.

…em Moçambique
Apesar de estar confiante com a entrada da Omega Pharma em Moçambique em março de 2015, Carlos Cunha admite que é um mercado totalmente diferente do angolano. Em primeiro lugar, porque este país tem uma forte “ligação com África do Sul”, ao contrário de Angola. Por outro lado, Carlos Cunha refere como obstáculo a pobreza instalada a nível nacional, que não permite um sucesso imediato das empresas que lá se instalam a título individual ou através de parceiros empresarias, como acontece com a Omega Pharma. Numa outra perspetiva, existe ainda a regulamentação “demasiado rígida” implementada no país que não facilita a entrada de novos produtos no mercado moçambicano. Enquanto que todos os produtos e medicamentos validados pelo Infarmed em Portugal têm autorização para entrar no mercado angolano, em Moçambique o Governo optou por criar um processo próprio de registo e avaliação, o que pode prolongar o tempo de espera dos laboratórios farmacêuticos para a comercialização de produtos. Contudo, e com a flexibilização que a nova Ministra da Saúde moçambicana, Nazira Abdula, trouxe ao Governo, Carlos Cunha mostra-se confiante e acredita que, dentro de alguns anos, o país mostrará um desenvolvimento mais forte e duradouro. “Moçambique está a passar por uma fase complicada, mas temos a esperança de que iremos crescer 50%” não apenas neste país, mas também em Angola, já em 2016. Em nota final, refere a importância de uma estabilidade política para Moçambique, uma vez que os recentes acontecimentos afetam o sistema bancário e, consequentemente, os mercados.

…em Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor e Macau
Apesar de não ser uma presença tão forte como em Angola ou Moçambique, a Omega Pharma comercializa ainda os seus produtos em Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor e Macau, através do apoio de distribuidores.

Para o Brasil, as expectativas são ainda maiores. A empresa pretende entrar neste mercado entre 2016 e 2017 e conta com o apoio da norte-americana Perrigo, que em novembro de 2014 adquiriu a Omega Pharma. Assim, a lusofonia marcará uma das mais importantes presenças da empresa de OTCs.

Omega Pharma no futuro
“Quando entrámos neste mercado, éramos o laboratório número 20 em Portugal. Atualmente somos o 6º e temos o objetivo de em 2016 sermos o 4º. Em dez anos, pretendemos ser o 1º laboratório da área não apenas em Portugal, mas na lusofonia e no mundo”. É assim que Carlos Cunha responde às questões sobre o futuro da Omega Pharma, que a curto prazo será também marcado pela sua presença no Porto.

Por outro lado, e com o processo de consolidação a nível mundial na indústria farmacêutica, o diretor comercial acredita que o sucesso da empresa será ainda maior no contexto mundial. Atualmente presente apenas na Europa, a empresa de produtos de venda livre irá futuramente “começar a expandir para os Estados Unidos da América, América do Sul e, mais tarde, para a Ásia”. “Daqui a dez anos seremos a primeira empresa de OTCs de farmacêuticos para farmacêuticos com presença em todo o mundo”, afiança Cunha.

Madeira, Portugal e o Mundo, uma ponte cada vez mais pequena

Tânia Castro

A internacionalização é um conceito cada vez mais procurado pelas empresas que pretendem crescer e desenvolver os seus projetos. Neste sentido, é indispensável uma consciencialização do passo que a empresa pretende dar e conhecer adequadamente o mercado que se pretende atingir. Neste sentido, surge a TPMC, uma empresa direcionada para o investimento, cujo objetivo é apoiar os seus clientes em futuros negócios nacionais e internacionais. Isto porque esta entidade pretende apoiar investidores nacionais que pretendam integrar mercados estrangeiros, mas também cativar o investimento internacional para Portugal e, nomeadamente, para a ilha da Madeira. “Nós acompanhamos os clientes, quer sejam investidores estrangeiros que pretendam investir no país e na ilha, quer sejam investidores portugueses que pretendam utilizar a Madeira como uma plataforma operacional e de investimento para entrar noutros países”, explica Tânia Castro. E refere que, até 2012, 90% dos clientes da empresa que representa eram investidores internacionais.

Contudo, e por força da atual situação económica nacional e do baixo poder de compra do cliente português, o número de investidores nacionais a optar por penetrar outros mercados tornou-se cada vez mais visível e significativo. Deste modo, é importante a existência de empresas que lhes facultem as ferramentas necessárias para consolidar esta etapa.

Enquanto que, no passado, os empresários portugueses se dirigiam a países como Luxemburgo, Inglaterra ou Suíça para obter “um melhor aconselhamento em termos internacionais, neste momento, Portugal está a criar bases sustentadas para conseguir” oferecer este apoio. Tânia Castro assume a importância de “existirem empresas que cada vez mais se tentem ligar ao mercado nacional e estrangeiro e que tentem servir de ponte” entre países. Porque, num momento em que caminhamos para uma harmonização fiscal global, é fundamental haver um conhecimento profundo sobre as questões fiscais nacionais e internacionais. Por outro lado, existindo uma tendência cada vez mais evidente por parte dos empresários de procurarem o apoio de empresas especializadas que os encaminhem de forma mais ponderada e qualificada no grande passo que é a internacionalização, é crucial que as equipas estejam dotadas de toda a informação relevante sobre os países a explorar. “Para um empresário tomar uma decisão em relação ao futuro da sua empresa e dos seus investimentos, precisa de toda a informação disponível”, assume a diretora-geral da TPMC.

É, assim, neste contexto, que a empresa de soluções de gestão internacional tenta atuar. Através de um vasto conhecimento relativo aos procedimentos necessários à internacionalização e às diferentes realidades mundiais no contexto empresarial, a TPMC torna-se num parceiro de confiança. Tânia Castro refere que “temos um departamento administrativo para todo o trabalho diário e básico das empresas; um departamento legal, que acompanha todo o processo jurídico desde a constituição da empresa, a nível nacional e internacional; um departamento de contabilidade internacional e de fiscalidade, que acompanha as operações e que cumpre todos os formalismos e obrigações fiscais impostas pela nossa administração tributária”, entre outros setores de acompanhamento ao cliente. Por outro lado, a sua rede de contactos e parcerias possibilita um apoio integral dos seus clientes quando se trate de situações que “extravasem” a missão desta empresa madeirense.

Portugal Continental e Madeira em condições para apoiar internacionalização

Apesar de não ser do conhecimento geral todas as mais-valias que Portugal tem para oferecer aos investidores, a realidade é que existe “uma série de ferramentas que podem ser utilizadas”, de modo a beneficiar os negócios além-fronteiras. O território luso tem “condições quer fiscais, quer legislativas que ajudam à internacionalização” dos investidores portugueses e 70 tratados para evitar a dupla tributação entre países, uma informação relevante, mas conhecida por poucos. Com o Peru, por exemplo, Portugal é o único país da Europa a ter esta convenção formalizada. Estas condições “trazem poupança fiscal” e criam “algum facilitismo em termos de operações e penetração no mercado”, garante Tânia Castro. Associando estas mais-valias às condições do próprio Centro Internacional de Negócios da Madeira, encontra-se aqui “uma ferramenta muito importante” para as empresas. O papel da TPMC neste contexto tem sido de apoiar os clientes de forma a que estes utilizem “os benefícios fiscais que o Centro oferece, ligá-los às condições legislativas e do código do IRC português, às condições culturais e aos canais de comunicação de Portugal, de modo a dotar os clientes de uma estrutura eficiente em termos fiscais”.

Por outro lado, e no contexto do investimento internacional em território português, existem diferentes componentes que tornam o nosso mercado numa zona promissora e apetecível. Tânia Castro refere que “Portugal, por via de ligações cooperativas, bases legislativas, como acontece com os PALOP, e até da própria língua, tem condições adicionais às fiscais para ser uma escolha acertada em termos de plataforma para investimento internacional”. A diretora-geral garante que existem circunstâncias internas para apoiar os investidores internacionais a “criar raízes” no nosso território. “Temos um conjunto de ferramentas no código geral e no país que podem juntar-se às condições que o Centro Internacional de Negócios da Madeira tem para oferecer e, assim, criar veículos muito interessantes para os investidores internacionais”.

Aqui, a TPMC assume novamente um papel importante, no sentido de ajudar a “encontrar as melhores soluções fiscais, logísticas e até na procura de parceiros que permitam aos nossos clientes realizar os negócios da melhor forma possível”.

Qualidade comprovada

Tânia Castro afirma que a melhor forma de comprovar a qualidade da TPMC é através do feedback dado pelos seus clientes. E estes têm mostrado o seu agrado contínuo relativamente aos serviços da empresa… há 20 anos. Sim, porque, afirma a diretora-geral, as entidades que se ligaram à TPMC aquando da sua criação, têm sido leais desde então. “Não tenho lembrança de nenhum cliente que tenha saído da TPMC para obter os serviços de outra Management Company”, garante. Por outro lado, sabem que estão no caminho certo quando “99% dos nossos clientes vêm por intermédio de outros clientes, pessoas que nos conhecem, que sabem qual é a nossa postura no mercado e que confiam nos nossos serviços também para pessoas e empresas com que têm ligações”.

Numa outra perspetiva, a empresa tem tentando manter-se valorizada através da criação de parcerias com entidades públicas e privadas, nacionais e internacionais, que permitem expandir e dar a conhecer o setor e a própria empresa. Atualmente, são membros da Associação Comercial e Industrial do Funchal, da Associação dos Profissionais do Centro Internacional de Negócios da Madeira, da Portuguese Chamber no Reino Unido e da Câmara de Comércio e Industria Luso-Francesa, entre outras instituições. Tânia Castro defende que estas parcerias permitem melhorar o seu desempenho junto dos clientes, uma vez que “o nosso trabalho funciona muito em termos de contactos e de troca de informação”.

Um outro aspeto relevante para quem pretende conhecer a TPMC está relacionado com o facto de a empresa ser uma das únicas Management Company com a totalidade do capital detida por portugueses e, neste caso, madeirenses. “Obviamente que este aspeto funciona como um boost de confiança para os nossos clientes, ao invés de uma empresa cujos colaboradores não tem raízes com a ilha. Ajuda a demonstrar aos clientes que nós não pretendemos fechar as portas amanhã e partir para outro negócio”, assegura.

Previsão e TPMC

Apesar de ser uma entidade, em termos estruturais, totalmente independente, a TPMC utiliza recursos essencialmente na área da Contabilidade, da empresa Previsão. Esta ligação a um organismo com 35 anos de experiência no mercado regional é, na opinião de Tânia Castro, uma “mais-valia” para a empresa da qual é diretora-geral. “Utilizar a experiência, o conhecimento de mercado, serviços de uma empresa que já existe há muitos anos e que em determinados aspetos sabe mais do que nós”, permite “oferecer um produto cada vez mais completo e melhorado aos nossos clientes”, afirma.

CINM

O Centro Internacional de Negócios da Madeira foi criado com o intuito de se tornar numa ferramenta de desenvolvimento económico regional e consiste num conjunto de incentivos, nomeadamente no contexto fiscal, de modo a atrair investimento para o arquipélago.

Empresas portuguesas ganham contrato para maior telescópio mundial

Em comunicado, a Critical Software, empresa de desenvolvimento de soluções de software, e o ISQ, entidade privada que fornece serviços de inspeção, ensaio, engenharia e consultoria técnica, anunciam a assinatura dos contratos com o Observatório Europeu do Sul (ESO), “inseridos na construção do que virá a ser o mais sofisticado e poderoso telescópio ótico do mundo – o ‘European Extremely Large Telescope’ (E-ELT)”.

Este anúncio é feito em conjunto com a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), entidade que representa Portugal no conselho da ESO.

Os contratos agora assinados pelo ISQ e pela Critical Software têm duração de três anos, com opção de extensão até nove e dez anos, respetivamente, correspondendo a um montante acumulado de perto de 1,5 milhões de euros.

“Ambos os contratos foram assegurados num processo competitivo internacional, lançado pelo ESO para a Fase 1 da construção do E-ELT, cujo início está planeado para janeiro de 2016”, acrescentam as empresas.

“O sucesso da Critical Software e do ISQ demonstra a competitividade internacional da nossa indústria e o acompanhamento próximo da delegação portuguesa no ESO”, refere o vice-presidente da FCT, citado no comunicado.

A Critical Software foi selecionada num concurso onde foram apresentadas 13 propostas de empresas da Alemanha, Chile, Espanha, Itália, Reino Unido e República Checa para prestar serviços de validação e verificação independente de software.

Já a proposta do ISQ foi a melhor em cinco submetidas por organizações congéneres da Alemanha e Espanha.

“As atividades de ambas, Critical Software e ISQ, decorrerão nas fases de montagem, integração e verificação, em vários países europeus, no Brasil e no local de construção do E-ELT, no Cerro Amazones, uma montanha de cerca de 3.600 metros de altitude, no planalto desértico do Atacama, no Chile”, referem.

“Esta é uma excelente notícia para o ESO, para Portugal e para a FCT, ISQ e Critical Software”, refere Paulo Chaves, responsável do ISQ, citado no comunicado.

“Para o ISQ, este é um marco muito importante”, acrescentou.

Por sua vez, a Critical Software, através de Paulo Guedes, diretor da tecnológica, manifesta-se satisfeita com o projeto, salientando que “é um reconhecimento internacional inequívoco da qualidade” das duas empresas.

Com mais dois graus, que Terra nos espera em 2100?

Se o fim do século vai ser mais quente por causa das alterações climáticas, então 2015 está a marcar o tom do futuro. A temperatura média à superfície da Terra arrisca-se a atingir um grau Celsius acima da média pré-industrial, divulgou a Organização Meteorológica Mundial em novembro. Se isso acontecer, este ano bate-se o recorde de temperaturas, e de uma forma simbólica. Um grau é metade do limite de dois graus que a Terra pode aquecer até 2100, definido por cientistas do clima e por políticos. A partir deste valor, os cenários climáticos preveem um futuro mais assustador.

Isto não quer dizer que 2016 ou 2017 irão ser tão quentes como 2015. Há uma variabilidade natural de ano para ano. Mas o potencial recorde de temperaturas faz parte de uma tendência ligada às emissões humanas de gases com efeito de estufa, como o dióxido de carbono (CO2), o metano e o dióxido de azoto.

Como é que estes gases influenciam o termómetro global? A resposta começa nos raios solares que aquecem a superfície da Terra. Parte deste calor volta para a atmosfera em raios infravermelhos. Os gases com efeito de estufa retêm este calor e aquecem o ar. Quanto maior for a sua concentração, mais calor é retido.

O CO2, por ser injetado em grandes quantidades com a queima dos combustíveis fósseis, acaba por ser o gás mais importante nesta equação. Desde a revolução industrial, a sua concentração na atmosfera passou de 280 partes por milhão (ppm) para 400 ppm. E a temperatura tem subido.

Um dos efeitos mais significativos é no ciclo da água. Com mais calor, a evaporação dos oceanos torna-se mais rápida, a acumulação na atmosfera é maior e a precipitação mais concentrada. No Norte da Europa, espera-se por isso mais chuva até ao final do século, mas o Mediterrâneo vai tornar-se mais quente e seco. As secas vividas na Península Ibérica em 2005 e 2012 já só podem ser explicados neste contexto.

“Só conseguimos obter nos modelos climáticos esta frequência de grandes secas quando inserimos os gases com efeito de estufa”, diz ao PÚBLICO o investigador Ricardo Trigo, climatologista do Instituto Dom Luiz, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL). “Se só pusermos a variabilidade natural, não conseguimos reproduzir esta frequência.”

Por volta de 2100, se tivermos em conta apenas um aumento de dois graus Celsius, um ano típico em Portugal terá a chuva mais concentrada no Inverno e uma Primavera e um Outono mais secos. Este padrão é uma incubadora de ondas de calor mais fortes. “É uma situação atmosférica favorável para que ondas de calor que antes duravam uma semana, com uma temperatura de 37 graus, passem a durar duas semanas e atinjam os 40 graus”, avisa Ricardo Trigo. Se a chuva acabar mais cedo na Primavera, em maio e junho os solos já estão completamente secos. Quando chega uma onda de calor, “a energia solar não é usada para evaporar a humidade do solo, por isso o solo aquece e começa a aquecer a atmosfera”.

Décadas decisivas

O Mediterrâneo é uma pequena peça no complexo puzzle das alterações climáticas, que têm implicações no aquecimento e acidificação dos oceanos, no degelo dos polos, na subida do nível médio do mar, no derretimento do permafrost, na alteração da vegetação, na migração e extinção de espécies e no agravamento das condições de vida de muitas populações humanas. Todos estes fenómenos serão mais ou menos graves dependendo da evolução das emissões de gases.

Em 1996, com base na informação divulgada pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, sigla em inglês), das Nações Unidas, o conselho de ministros do Ambiente da União Europeia pôs os dois graus na agenda política. “O conselho acredita que a temperatura média global não deve exceder os dois graus acima do nível pré-industrial”, lê-se nas conclusões daquela reunião. “As concentrações de todos os gases com efeito de estufa devem ser estabilizadas”, acrescenta-se.

“Os dois graus Celsius talvez permitissem evitar os pontos de não retorno. Acima deste patamar, a irreversibilidade [de vários fenómenos] torna-se mais plausível”, explica Tiago Capela Lourenço, investigador da FCUL. Alguns exemplos de pontos de não retorno são a perturbação das monções, o derretimento dos glaciares e à morte da floresta amazónica.

Mas pouco ou nada aconteceu para inverter a situação. Em 2000, o mundo tinha lançado 24.720 milhões de toneladas de CO2 para o ar. Em 2013 o número passou para 35.670 milhões.

No quinto relatório do IPCC, de 2013 e 2014, estimou-se que, no máximo, só se podia lançar mais um bilião de toneladas de CO2, face às emissões acumuladas até 2011, antes de se ultrapassarem os dois graus em 2100. Esta quantidade é equivalente a emitir 33.333 milhões de toneladas por ano em 30 anos, menos do que o valor de 2013. Por isso, as próximas décadas serão decisivas.

Na conferência do clima de Paris, que decorre desde 30 de novembro, os países vão apresentar os seus compromissos de redução das emissões de gases com efeito de estufa. A Climate Interactive, uma organização sem fins lucrativos de Washington (EUA), compilou os valores das reduções a que os países já se comprometeram. A partir dessa informação, estimou que o CO2 atingirá as 675 ppm na atmosfera em 2100 e a temperatura aumentará 3,5 graus. Sem esses compromissos, o cenário é pior – o CO2 subirá até às 910 ppm e a temperatura 4,5 graus. Ainda assim, o horizonte dos dois graus será ultrapassado se não for feito mais.

Risco na Antártida

Além desta incerteza sobre o futuro, mesmo tendo em conta o limite de dois graus, há impactos que poderão não ter regresso. “Nas regiões polares, muito provavelmente já se passaram pontos de não retorno”, diz Ricardo Trigo. Uma dessas situações é na Antártida.

Alguns trabalhos recentes mostram que as águas marinhas junto à Antártida Ocidental – com cerca de um décimo do gelo de todo o continente – estão a aquecer e a “comer” a parte de baixo dos glaciares da região. Segundo alguns modelos, a água irá acabar por penetrar debaixo daquela enorme massa de gelo, derretendo-a nos próximos séculos a milénios, e fazendo subir o mar em três metros.

Mas há dados mais concretos para outros fenómenos. No melhor dos cenários do último relatório do IPCC, em que é provável que a temperatura não ultrapasse os dois graus em 2100, os glaciares dos continentes vão derreter entre 15 e 55%, e o nível médio do mar subirá entre 26 e 55 centímetros. Esta subida pode pôr em causa a existência de atóis dos oceanos Índico e Pacífico, como as ilhas de Tuvalu, um país no Pacífico.

Tiago Capela Lourenço acrescenta que esta subida é especialmente perigosa durante as tempestades, quando “há uma diminuição da pressão atmosférica que faz uma sobreelevação do nível médio do mar”, aumentando ainda mais o alcance das cheias. Um relatório de 2012 do Banco Asiático de Desenvolvimento prevê que em 2050 haverá 37,2 milhões de pessoas em risco na Índia por causa do aumento do nível médio do mar, 27 milhões no Bangladesh e 22,3 milhões na China.

Em Portugal, o litoral irá mudar. “A linha costeira portuguesa como a conhecemos não será igual em 2100. Talvez as arribas no Sudoeste alentejano se mantenham”, prevê Tiago Capelo Lourenço. As praias do Algarve, da Costa da Caparica ou de Aveiro estão, por isso, em perigo.

Outra dúvida é o efeito do aquecimento no permafrost – o solo e subsolo gelados, que existem principalmente no Norte da Rússia e do Canadá. Esta região congelada pode atingir profundidades de centenas de metros. O IPCC estima que, no melhor dos cenários, 37% da área do “permafrost” irá derreter até uma profundidade de 3,5 metros.

Este derretimento torna o solo instável e terá efeitos nas alterações climáticas. Quando este solo descongelar, a matéria orgânica congelada há milénios irá degradar-se, libertando CO2 e metano, e acelerando as alterações climáticas. “O ‘permafrost’ é das coisas que assustam mais os climatologistas”, confessa Ricardo Trigo. “Há uma componente natural que pode disparar e está fora do nosso controlo.”

Resposta ao calor

Ao mesmo tempo, os ecossistemas do planeta vão estar sob um stress acrescido com o aumento de temperatura e as alterações do padrão de chuva nos continentes, e com o aquecimento e a acidificação nos oceanos – parte do CO2 a mais na atmosfera é absorvido pelos oceanos, tornando-os mais ácidos. “Projecta-se o decréscimo da produção primária em oceano aberto”, lê-se no relatório do IPCC, diminuindo os stocks de pesca em 2100.

Em terra, a sobrevivência dos animais dependerá de vários fatores. No caso de um aumento de temperatura, “se a espécie viver numa planície, isso exige uma migração de centenas de quilómetros”, explica Henrique Miguel Pereira, especialista em conservação da biodiversidade da Universidade de Halle-Wittenberg, na Alemanha. “Numa zona de serra, pode ser que tenha só de se deslocar um pouco para o lado”, considera o biólogo. Mas há situações sem solução. “As comunidades adaptadas aos topos de montanha não têm para onde ir.”

Os cientistas têm estudado a resposta fisiológica de grupos de animais, como os répteis. Um trabalho publicado em 2010 na revista Science analisou a sobrevivência de 28 espécies de lagartos mexicanos em 200 locais diferentes do México desde 1975. Segundo o trabalho, 12% das populações locais extinguiram-se até 2009. E 39% das populações dos répteis em todo o mundo deverão extinguir-se até 2080.

“Os répteis estão especialmente ativos no início e no final do dia. Durante metade do dia ficam no abrigo”, explica Henrique Miguel Pereira. Com as alterações climáticas e com o aquecimento global, os répteis têm menos tempo para estarem ativos, segundo o artigo da Science. Um estudo mais recente, na revista Ecology Letters, indica, antes, que a mortalidade pode ser explicada por haver menos sombra natural, fornecido pelas plantas.

No caso das árvores, o aumento da concentração de CO2 pode ser bom para a fotossíntese, mas a seca e o calor serão fatores de stress. “No Alentejo, o aumento de CO2 é provavelmente compensado muito negativamente com a diminuição da água”, diz Henrique Miguel Pereira. Espécies emblemáticas como o sobreiro e a azinheira, e paisagens como o montado, estão em risco no Sul de Portugal e poderão migrar para norte. No entanto, “o processo de expansão é mais lento do que o da degradação”.

Pobres com menos escolhas

O homem terá também de responder às novas pressões e o mesmo fenómeno pode ter implicações diferentes consoante os países, como o desaparecimento dos glaciares. “A região dos Himalaias é muito suscetível. Há muitas regiões dependentes do abastecimento de água vindo dos glaciares”, diz Tiago Capela Lourenço. Mas nos Alpes, o problema é a “instabilidade das vertentes” que pode afetar as ferrovias.

Os impactos também vão depender de fatores económicos. “As populações menos desfavorecidas terão sempre mais problemas. Porque para a adaptação às alterações climáticas é necessário ter recursos. Sem recursos não há escolhas. Isso é verdade entre países e dentro de países”, sustenta o investigador.

Um exemplo desta situação é a fome de 2010 no Sudão, causada pela seca. Menos óbvia é a ligação entre as alterações climáticas e a guerra na Síria. Um artigo de 2010 do jornal New York Times – publicado meses antes da Primavera Árabe – dava conta da situação dos agricultores sírios, após quatro anos de seca profunda, com centenas de milhares de pessoas a fugir para as cidades.

Um ano depois, um estudo de cientistas da Administração Nacional do Oceano e da Atmosfera (NOAA) dos EUA indicava que o aumento de calor e secas nas últimas décadas no Mediterrâneo já era explicado pelas alterações climáticas. Em 2015, outro artigo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences fez a triangulação dos factos, defendendo que a duração da seca na Síria era provocada pelas alterações climáticas no Mediterrâneo, e que ajudou a fomentar o descontentamento civil nas cidades contra o regime ditatorial de Bashar al-Assad, com repercussões que continuamos a viver hoje.

Nas próximas décadas, as alterações climáticas serão um fator cada vez mais importante a ter em conta. E Ricardo Trigo lembra ainda que vamos continuar a sentir os seus efeitos nos próximos séculos: “Os dois graus é um valor artificial e 2100 é completamente artificial.”

Descubra qual o país com a melhor internet do mundo

De acordo com a revista Time, o International Telecommunication Union afirma que a Coreia do Sul tem a melhor internet do mundo.
O país asiático lidera o ranking pela sua infraestrutura de comunicações. A tabela analisa várias métricas para chegar à conclusão.
Na segunda posição está a Dinamarca, com a Islândia a ‘fechar’ o pódio. Portugal está na 43ª posição, à frente da Polónia, Rússia e Eslováquia, por exemplo.

UE dá cinco milhões para apoiar sociedade civil em Moçambique

“Através desta parceria, foi dedicada uma verba de cinco milhões de euros para o apoio das capacidades institucionais das organizações da sociedade civil”, disse Nyeleti Mondlane, falando durante a assinatura do acordo em Maputo.

Numa primeira fase, 11 organizações da sociedade civil espalhadas por todo o país serão beneficiadas, numa iniciativa que visa financiar também pequenos projetos de associações para superar os problemas das comunidades locais.

“O programa vai contribuir para a melhoria da governação e da cidadania em Moçambique, através do reforço da parceria e responsabilidade mútua entre as autoridades públicas, os autores não estatais e os cidadãos”, declarou a vice-ministra moçambicana, enaltecendo o papel da UE no apoio a Moçambique durante os 30 anos da sua presença no país.

Nyeleti Mondlane apelou ainda às organizações benificiárias para uma maior atenção na execução dos projetos, considerando que Moçambique despõe de um “potencial enorme” no que respeita às qualidades deste tipo de iniciativas.

Quando o país atravessa uma crise política e militar, com registo de confrontos militares entre as forças de defesa e o braço armado do maior partido de oposição (Renamo), o chefe da delegação de UE, Sven Kuhn Von Burgsdorff, por seu turno, enalteceu a importância da sociedade civil para a resolução pacífica de conflitos internos, considerando-as um elemento crucial na defesa dos interesses da população.

“Um estudo publicado recentemente traça uma sociedade civil moçambicana em rápido crescimento e com impactos nas políticas públicas nacionais, um elemento muito importante”, declarou Sven Kuhn Von Burgsdorff, acrescentando que, no entanto, são necessários mais apoios, como forma de fortalecer sua capacidade de intervenção.

Paris: Residentes tentam regressar à normalidade

Paris

“Trabalho ao lado da Praça da República. Não tenho medo, é preciso resistir. Continuar a viver normalmente ou apanhar o metro são atos de resistência. Queria apanhar o ‘RER’ mas o tráfego estava interrompido. É preciso retomar a vida”, descreveu a parisiense, com um ramo de flores na mão que ia colocar junto à estátua da República antes de chegar ao trabalho.

A linha nove do metro é uma das mais frequentadas da capital francesa na hora de ponta e passa por baixo dos bairros visados pelos atentados de sexta-feira, mas os milhares de anónimos que todos os dias a apanham tentam resistir ao medo.

“Não se pode ter medo de apanhar os transportes. Quando vamos para o metro, claro que é difícil. Qualquer ‘kamikaze’ pode fazer-se explodir no meio da multidão”, comentou à Lusa Lydie Duguet, operadora de telecomunicações.

A parisiense fala com os olhos aguados e mostra um colar com uma medalha de prata com a inscrição “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”.

“Precisei de meter a medalha hoje, mas sinceramente já não acredito nisto. Sob o pretexto de ser o país dos direitos do Homem, a França tornou-se demasiado laxista e tudo pode acontecer. O meu sonho é chegar à reforma e trocar este país por Portugal onde os reformados franceses nem sequer pagam impostos”, disse Lydie Duguet.

Na estação de metro de République – o centro do bairro onde o Bataclan, o Café Petit Cambodje e o café Le Carillon foram palco dos ataques dos jihadistas na sexta-feira, que provocaram 129 mortos – o formigueiro humano era hoje o habitual às nove horas da manhã de um dia de trabalho, com centenas de pessoas de passo acelerado nos corredores.

Uma melodia ecoa das dez cordas da espécie de guitarra “Stick Chapman” de Florent l’Hériteau, um músico do metro que foi trabalhar “como é costume”.

“Venho todos os dias, continuo a vir, a música é uma profissão como as outras e tenho de ganhar a minha vida. Não tenho medo de estar todo o dia nos corredores do metro até porque visivelmente é mais perigoso ir ao café e estar na esplanada a beber um copo”, afirmou o músico, acrescentando que “há tanta gente no metro como habitualmente”.

Florent l’Hériteau diz que as pessoas lhe sorriem e lembra que “a 08 de janeiro, um dia depois do ataque ao Charlie Hebdo, estava no mesmo sítio e um jovem passou com um grande sorriso” e disse-lhe “Allah Akbar” (Deus é grande).

No exterior, a base da estátua da República continua a ser preenchida com flores, mensagens, velas e fotografias. À sua volta, o trânsito continua intenso e veem-se muitas bicicletas.

Blandine Guignard, 20 anos, costuma ir de “vélib” (a bicicleta pública) para o trabalho e esta manhã disse que “há menos bicicletas disponíveis nas estações porque mais pessoas as procuram.”

“Não sei se vou continuar a fazer tudo como antes. Tenho algum medo… É tão fácil fazer um atentado… Tenho vontade de chorar quando vejo os cafés dos ataques, são sítios que eu frequentava e são ao pé de minha casa”, descreve, sublinhando que ao meio-dia vai fazer o minuto de silêncio em memória dos que morreram na sexta-feira.

Num dos quiosques da praça, as manchetes relembram “o terror em Paris” na capa do Le Monde, “a Caça ao homem e a resposta” na primeira página do Le Parisien e a “Geração Bataclan” no Libération.

Caroline Wyart, 34 anos, compra o último exemplar do “Libé” porque diz que ela própria faz parte da “Geração Bataclan”.

“Identifiquei-me muito com as pessoas que morreram. Fui a imensos concertos no Bataclan, moro nesta zona, identifiquei-me completamente”, contou a jovem, acrescentando que é “um alívio” ir trabalhar para “mudar de ideias” depois de um fim de semana que “parece um pesadelo e não real”.

No Café Pierre, umas dez pessoas tomam o café na esplanada, como a estudante Mona Khatab, de computador aberto, a rever as aulas.

“Vim tomar um café para estudar, moro aqui no bairro. Na sexta à noite, a minha reação foi que tínhamos de continuar a viver normalmente, mas ontem estava num café aqui em République e houve um movimento de pânico. Eu fui atirada para as escadas e fiquei magoada nos joelhos. Uma senhora com duas crianças deitou-se no chão para as proteger e muitos passaram-lhe por cima. É cada um por si porque temos medo”, descreveu a estudante.

A jovem de 20 anos nota que “as pessoas estão muito nervosas e, ao mesmo tempo, querem ser solidárias e resistentes”.

Mona Khatab diz ainda que “é preciso viver cada dia porque não se sabe o que pode acontecer no seguinte” e afirma não ter medo por ela mas pelos amigos e familiares porque “tudo pode acontecer”.

Obama diz que EUA conseguiram controlar o Estado Islâmico

Barack Obama

Obama falava numa entrevista ao canal de televisão ABC News, gravada na Casa Branca na quinta-feira, horas depois do lançamento de uma ofensiva das forças curdas iraquianas, apoiadas por aviões de combate norte-americanos, para expulsar o Estado Islâmico da cidade de Sinjar, no norte do Iraque.

“Não me parece que eles estejam a ganhar força”, disse Obama. “Desde o princípio, o nosso objetivo foi primeiro conter, e conseguimos contê-los, eles não têm ganho terreno no Iraque”, acrescentou.

“E na Síria, eles entram e saem, mas não vemos uma marcha sistemática do ISIS no terreno”, disse, utilizando um outro acrónimo para designar o grupo extremista.

O ataque foi em Raqa, bastião na Síria do Estado Islâmico, que controla vastas áreas tanto no Iraque como na Síria.

“O que ainda não conseguimos fazer é decapitar completamente as estruturas de comando e controlo. [Mas] Conseguimos progressos na redução do afluxo de combatentes estrangeiros”, disse Obama.
“Parte do nosso objetivo tem de ser o de recrutar parceiros sunitas mais eficazes no Iraque para realmente estarmos na ofensiva, em vez de simplesmente na defensiva”, acrescentou.

Para o presidente dos Estados Unidos, o conflito regional vai continuar “até se resolver a situação política na Síria”.
“Enquanto [Bashar al] Assad for um pára-raios para os sunitas na Síria e enquanto toda aquela região for uma ‘guerra por procuração’ do conflito xiitas-sunitas vamos continuar a ter problemas”, afirmou.

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