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Descobertos sete planetas novos com características semelhantes à Terra

Uma equipa internacional de astrónomos descobriu um sistema planetário com sete planetas muito semelhantes à Terra. Três deles estão na zona habitável da sua estrela, ou seja, têm condições para a existência de água (e de vida) mas há escassas informações sobre o mais distante. A estrela, TRAPPIST – 1, fica a 39,5 anos-luz da Terra (posição relativa na constelação de Aquário) e é uma anã vermelha muito mais fria e pequena que o nosso Sol (tipo de estrelas mais comum na nossa galáxia do que as semelhantes ao Sol). O facto de os planetas que a orbitam estarem a uma distância curta, criam as tais condições terrenas. Agora, os cientistas querem ir em busca de vida: “Já não é uma questão de ‘se’. É uma questão de ‘quando’”, diz Michael Gillon, da NASA.

Para os cientistas, este sistema tem vários aspetos de interesse e o anúncio foi considerado, na conferência de imprensa da NASA, como um “salto de gigante na pesquisa de vida extraterrestre”.

Neste sistema, os planetas estão muito próximos da sua estrela, dez vezes mais pequena do que o nosso Sol. “Se estivermos num destes planetas, teremos uma bela vista para os outros planetas. Estarão tão visíveis como a nossa Lua ou até mais”, contaram os astrónomos na conferência da NASA.

“Não se sabia que estrelas tão pequenas também podiam ter planetas na sua órbita e a vantagem é que nestes sistemas em que a estrela é mais pequena, é muito mais fácil estudá-los”, explica Susana Barros.

Para a NASA, encontrar uma nova Terra é apenas uma questão de tempo.

Este não é o primeiro sistema encontrado pelos cientistas com vários planetas, mas é o primeiro que tem tantos planetas semelhantes à Terra. Todos eles estão na zona de Goldilock, ou seja, estão a uma distância da TRAPPIST – 1 que permite a existência de água no estado líquido à superfície. É também o sistema mais parecido ao nosso alguma vez observado.

A proximidade à Terra permite aos astrónomos estudar as atmosferas destes planetas com relativa facilidade. A sua descoberta foi possível através do Telescópio Espacial Spitzer, que durante 20 dias consecutivos observou o escurecimento que estes planetas provocam na sua estrela, uma anã do tipo M que não tem estado no centro das atenções dos cientistas nos últimos anos, quando passam entre a TRAPPIST – 1 e a Terra. O escurecimento acontece quando um corpo celeste impede os raios de luz visível emitidos pela estrela de viajar até nós.
Os cientistas já têm algumas ideias de como se formou este sistema. O mais provável é que os seis planetas mais interiores tenham nascido a grande distância da estrela, mas que depois tenham migrado para mais perto da TRAPPIST-1. Agora estão tão próximos uns dos outros e da sua estrela que os campos gravitacionais dos corpos celestes interagem de tal maneira que permitem aos astrofísicos estimar a massa de cada planeta.

Sabe-se agora que têm entre 0,4 e 1,4 vezes a massa da Terra e que estão mais perto da estrela do que Mercúrio está do Sol. Mas, como a TRAPPIST-1 é menos quente, é a sua proximidade que impede os planetas de congelarem.

Olhando para as atuais características deste sistema, julga-se que estes planetas estão a seguir uma evolução muito semelhante à teorizada em Vénus, Terra e Marte. Isto significa que, mesmo estando na zona habitável da estrela, é possível que algum destes planetas tenha uma atmosfera tão tóxica e sufocante como a de Vénus, onde não pode existir vida tal como a conhecemos. Ainda assim, isso não exclui a hipótese de um destes três planetas albergarem (ou vir a albergar) vida como a da Terra. “Esta é uma pedra de Rosetta com sete línguas diferentes — sete planetas diferentes que podem fornecer perspetivas completamente diferentes sobre a formação dos planetas”, acrescentou Julien de Wit, cientista de dados no MIT que participou nas investigações.

 

NASA está a oferecer estágios a portugueses

Faltam menos de duas semanas para o final do processo de candidatura a um dos projetos científicos mais empolgantes das últimas décadas em Portugal. Seis felizes e merecedores alunos do ensino superior nacional vão ter oportunidade de fazer estágios de curta duração na NASA, através de bolsas de investigação financiadas pelo Governo português.

Os alunos das áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática podem manifestar interesse até dia 30 de janeiro às 17h00 de Portugal, através do site da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Os critérios de escolha dos estagiários são exigentes e apenas seis alunos terão direito a viajar para os Estados Unidos para aprender ‘in loco’ na NASA.

As bolsas de investigação incluem um subsídio mensal de 1450 euros para os licenciados e 1710 euros para os mestres, para além de um subsídio anual de viagem de 600 euros, um subsídio único de instalação de mil euros e seguros de saúde e acidentes pessoais.

A Terra não está preparada para impacto surpresa de asteroide, este é um aviso da Nasa

Todos os dias colidem com a Terra asteroides que, devido à sua dimensão reduzida, não apresentam perigo à existência de vida no nosso planeta. Porém, e se neste momento houvesse um asteroide tão grande como aquela que alegadamente terá conduzido à extinção dos dinossauros? De acordo com um investigador da NASA, Joseph Nuth, não haveria como evitar o mesmo desfecho.

Para Nuth, as melhores hipóteses de sobrevivência seria apostar num foguetão ou num asteroide controlável que pudesse ser utilizado para alterar a trajetória do asteroide gigante. “Basicamente, o maior problema é que não há forma de o conseguir fazer neste momento”, afirmou Nuth, apontando para a necessidade de criar medidas de segurança que ajudem a salvaguardar a raça humana.

Mesmos que situações como estas sejam raras, recorda o Mirror que já no passado houve asteroides que passaram perigosamente perto da Terra. Em 2014, um asteroide foi descoberto apenas 22 meses antes de passar por Marte, indicando também para os poucos meios de monitorização de corpos celestes.

EUA preparam missão espacial para recolher e estudar asteroide

A importância do projeto, que está em fase de planificação, foi explicada por John Holdren, assessor científico do Presidente Barack Obama, e por Charles Bolden, administrador da NASA, a agência aeroespacial dos Estados Unidos.

Bolden e Holdren afirmaram que o programa, conhecido como ARM (Missão para Redirecionar um Asteroide), é essencial para testar as tecnologias que poderão levar a humanidade até Marte e conquistar o sistema solar.

Este projeto, acrescentaram, é fundamental para testar futuras missões de exploração de minério em pleno espaço, constitui uma base técnica para lançar missões regulares para Marte a partir de 2030 e ajudará a consolidar métodos para defender a Terra de impactos de asteroides.

“Temos de pôr em andamento missões mais ambiciosas para poder levar os humanos cada vez mais longe no espaço”, explicou Holdren numa apresentação no centro Goddard da NASA, no estado de Maryland (perto de Washington DC).

A missão ARM visa intercetar um asteroide perto da órbita da Terra, recolher um grande pedaço com várias toneladas de rocha gelada com uma sonda robótica e levá-lo até uma órbita estável perto da Lua, para que os astronautas possam fazer experiências e recolher amostras, durante a década de 2020.

Bolden disse que atualmente as missões espaciais estão numa fase “de dependência da Terra”, já que necessitam dos abastecimentos trazidos da superfície terrestre. No entanto, a missão ARM pretende fazer com que os asteroides se convertam em estações de serviço da exploração espacial, fornecendo água e outras matérias-primas.

“Estamos quase lá. (…) Essa será a fase independente”, na qual as possibilidades das viagens espaciais disparam, afirmou.

A NASA ainda está na fase de “design” da sonda robótica, do sistema para capturar o fragmento de asteroide e de cálculo do que é necessário em termos orbitais e de propulsão.

NASA confirma: Agosto foi o mês mais quente desde há 136 anos

A NASA confirmou que o mês de Agosto foi o mais quente do ano a nível global desde há 136 anos, igualando o valor de Julho, revelou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Em comunicado, o IPMA adiantou que nos últimos dois meses – Julho e Agosto – a temperatura média na Terra foi a mais alta desde que há registos instrumentais globais que remontam a início de 1880.

De acordo com a informação disponibilizada esta quarta-feira, desde Outubro de 2016, onze meses consecutivos, que se verificam recordes mensais de temperatura média global.

O IPMA avançou ainda que a agência federal norte-americana para a Atmosfera e os Oceanos (NOAA, na sigla em inglês) ainda não publicou os valores relativos a Agosto de 2016, mas referiu recentemente que o mês de Julho de 2016 “tinha sido o 379.º mês com valores superiores à média do século XX, o último com anomalia negativa foi Dezembro de 1984”.

Já em Portugal continental, os meses de Julho e Agosto “igualaram o valor mais alto de temperatura máxima mensal de agosto de 2003 (32,2° Celsius), sendo os únicos três meses cujos valores estão acima de 32° Celsius, de acordo com os boletins climatológicos.

Em relação à temperatura média do mês de Julho de 2016, o IPMA esclareceu que foi o segundo mais quente desde 1931 (início da série), já que apenas Julho de 1989 apresentou um valor de temperatura média mais alto.

Já Agosto de 2016 foi o quinto mais quente, só superado pelo de 2003, 1949, 2010 e 2005.

Nos últimos três meses – Junho, Julho, Agosto – o valor da temperatura máxima do ar, em Portugal continental, foi o mais alto desde 1931, 30,6° Celsius, cerca de 2,9° Celsius acima do valor normal 1971-2000.

Foi ainda o segundo Verão mais quente desde 1931 (depois de 2005) com o valor da temperatura média de 23 graus Celsius, cerca de 1,8° acima do valor médio.

Desde 1931, seis dos 10 verões mais quentes ocorreram depois do ano 2000, sendo o Verão de 2005 o mais quente em 86 anos.

NASA lança sonda para recolher amostras de asteroide primitivo

É lançada esta quarta-feira a sonda Osiris-Rex, uma missão da NASA para estudar o asteroide Bennu, uma rocha com perto de 500 metros de diâmetro que pode dar muitas respostas sobre a origem da vida na Terra. O lançamento está previsto para esta noite, mas a sonda só deverá atingir o asteroide em 2019.

De acordo com Adriana Ocampo, a líder do programa New Frontiers da NASA, o objetivo de visitar Bennu é “caracterizá-lo em profundidade, porque se trata de um dos corpos mais antigos do Sistema Solar. Encerra os seus segredos mais básicos, talvez as moléculas que deram origem à vida na Terra”. Ao El Mundo, a responsável da NASA assegura que “é a primeira vez que se vai extrair uma amostra de um asteroide tão antigo”.

A missão da Osiris-Rex consiste em analisar detalhadamente a superfície do asteroide, criando um mapa pormenorizado daquele corpo celeste, e em recolher uma amostra do seu material. A ideia será trazer até dois quilogramas de pó e rochas, que regressarão à Terra numa pequena cápsula para posterior análise.

Os asteroides são dos corpos mais estudados pelos cientistas espaciais, porque, tendo resultado de fragmentações primitivas, muitos mantêm ainda a composição inicial — que tinham, por exemplo, na altura em que a Terra se formou. Analisar os compostos desses asteroides pode mostrar como era composto o nosso planeta na altura da sua formação.

Bennu é um destes asteroides. “Pertence à família dos asteroides troianos. Chamamos-lhes de tipo B, e são os mais primitivos”, esclarece Adriana Ocampo. “Acreditamos que asteroides como Bennu bombardearam a Terra quando era muito jovem, há milhares de milhões de anos, semeando a estrutura que permitiu o surgimento de vida”.

O regresso à terra está previsto para setembro de 2023, altura em que os investigadores da NASA poderão proceder à análise dos materiais recolhidos. Pode acompanhar aqui toda a cronologia da missão.

Entrevista com o astronauta que imitou Bowie no espaço: Manobrar a Soyuz “é como pilotar um meteorito de volta a casa”

O canadiano Chris Hadfield decidiu que queria ser astronauta numa altura em que o Canadá ainda não tinha agência espacial e a NASA (agência espacial norte-americana) só recrutava astronautas americanos. Mas isso não o fez desistir, nem em adulto, nem quando tomou essa decisão, aos nove anos.

A 20 de julho de 1969, ele e os irmãos foram para casa dos vizinhos — porque não tinham televisão — para assistir a um acontecimento que mudaria para sempre a história da humanidade. “Lenta e metodicamente, um homem desceu pela perna de uma nave espacial episou cuidadosamente a superfície da Lua”, conta Chris Hadfield no livro Guia de um Astronauta para Viver Bem na Terra, editado em Portugal pela Pergaminho.

“Naquele momento, soube o que queria fazer com a minha vida. (…) Soube com clareza absoluta que queria ser astronauta.”

Em 1983, o governo canadiano selecionou os seis primeiros astronautas no país. “O meu sonho pareceu finalmente mais possível.” Mas só em 1991 a Agência Espacial Canadiana pôs o anúncio no jornal: “Procura-se astronautas”. Das 5.329 candidaturas, Chris Hadfield ficou entre as primeiras quinhentas e, passo a passo, foi vencendo todas as etapas da candidatura até ser selecionado. Mas o percurso estava apenas a começar: era preciso aprender, aprender, aprender, treinar, treinar, treinar.

O primeiro lançamento foi no vaivém espacial Atlantis, a 12 de novembro de 1995. Seis anos depois, em abril de 2001, Chris Hadfield voltou ao espaço na missão STS-100 do vaivém Endeavour. A terceira, última e mais longa missão do astronauta canadiano teve início a 19 de dezembro de 2012 — quase seis meses na Estação Espacial Internacional (EEI).

Astronauta durante 21 anos, Chris Hadfield lembra que a maior parte do trabalho se faz em Terra. “Sinto sempre que estou a desiludir as pessoas quando lhes digo a verdade: passamos a maior parte da nossa vida profissional na Terra a treinar.” O Observador entrevistou este astronauta que se tornou conhecido — também — por tocar “Space Oddity”, de David Bowie, quando estava na Estação Espacial Internacional.

Decidiu ser astronauta quando tinha nove anos. Que conselho daria a uma criança dessa idade que queira ser astronauta?
A alguém que tivesse nove anos, eu diria para ter alguns sonhos quase impossíveis na vida. O conselho que dou a uma criança de nove anos – que pode querer ser muitas coisas além de astronauta – é ir a uma biblioteca (ou livraria) e perceber quais são as secções mais interessantes. Quando falo com crianças de nove anos digo-lhes: percebe de que secções mais gostas, porque isso provavelmente dá-te uma pista sobre onde está o teu coração, os teus interesses, e depois começa a sonhar quem poderás ser em todas essas áreas.

Especificamente para uma criança de nove anos que queira ser astronauta: precisas de ter um corpo saudável, mantém o teu corpo em forma, tem cuidado com o comes e faz algum exercício – usa as escadas, leva a tua mochila, não comas comida estúpida. [Depois,] terás de saber como fazer as coisas complicadas funcionarem, terás de provar que consegues aprender coisas complexas, por isso aprende coisas difíceis na escola e planeia ir para a universidade. E em terceiro lugar, aprende a tomar decisões e a manter-te preso a elas. Por exemplo, vou ler 50 páginas de um livro todos os dias, ou vou fazer 25 flexões todos os dias, ou vou aprender cinco palavras de japonês todos os dias, não importa. Mas decide algo e mantém por um mês ou dois meses, não importa. Porque as tomadas de decisão são uma competência, que se aprende.

Acho que estas três coisas são realmente importantes: manter o corpo em forma, estudar e planear, estudar alguma coisa na universidade e tomar decisões e manter-se fiel a elas. Acho que com nove anos é provavelmente suficiente.

“Nunca senti que seria um fracasso na vida se não chegasse a ir ao espaço. Uma vez que as minhas probabilidades de me tornar astronauta eram inexistentes, sabia que seria uma grande tolice deixar a minha auto-estima dependesse disso.”

Também o Chris se manteve firme nas decisões e esperou muito tempo até se tornar astronauta. Que conselho daria às pessoas para não perderem a esperança?
A chave é perceber que nada acontece conforme o planeado. A vida corre sempre mal, nunca corre numa linha reta – pelo menos, não por muito tempo. O mais difícil é ter um objetivo de longo prazo, que nos ajude a escolher o que fazer a seguir. Mas a outra parte é não deixar o nosso objetivo de longo prazo tornar-se a nossa única medida de sucesso.

Não estabeleçam que daqui a um ano ou daqui a cinco vão ter sucesso. Definam um objetivo de longo prazo e permitam-se ter sucesso todos os dias. Não se estabeleçam uma meta tão alta que sintam que nunca vão conseguir ser bem-sucedidos. Deem-se uma meta mais baixa, uma vitória, porque a única pessoa que realmente se importa, a única pessoa que quer saber ou que te avalia, és tu próprio. Todos os outros estão demasiado ocupados a conduzir a sua própria vida.

Não deixem que outras pessoas vos digam quando foram um falhanço ou um sucesso, é só a opinião deles. A única pessoa a quem realmente interessa a avaliação de como estás a sair-te és tu. Tentar viver uma vida com esperança é muito mais fácil se se derem uns quantos objetivos loucos de longo prazo, se se mudarem sempre um bocadinho de forma a conseguir atingir esses objetivos e se se permitirem ser bem-sucedidos e sentir-se vitoriosos todos os dias. Essa combinação é, para mim, a forma mais útil de levar a vida.

Como a Estação Espacial Internacional está em órbita à volta Terra, numa espécie de queda livre, a sensação para os ocupantes é de que não existe gravidade. E, em gravidade zero (ou microgravidade) as coisas não caem e a água da toalha torcida não cai no chão (aliás, onde é que fica o chão?).

Um dia também se tornou vitorioso e foi, finalmente, para o espaço. Pode descrever a sensação de ser lançado para o espaço?
Posso, mas… Eu tenho saído vitorioso todos os dias [risos]. Claro, que há vitórias que as outras pessoas veem com mais clareza. O lançamento é um dia incrivelmente difícil, é extremamente perigoso: os foguetões são máquinas perigosas, que requerem muito trabalho para serem pilotadas com sucesso. Por isso, muitos dos sentimentos no dia em que vamos para o espaço são extremamente técnicos, somos uma parte da máquina e estamos tão focados, quanto um ser humano pode estar, em ajudar a nossa nave a ser bem-sucedida: reconhecer as coisas que estão a falhar, fazer as coisas certas, pôr todo o treino em prática. É o teste derradeiro.

A maior parte de nós próprios está envolvida nisso, mas sobra o suficiente para ter a perceção de quão magnífico é. É-se esmagado na cadeira e a aceleração é muito forte, o veículo é incrivelmente poderoso – 80 milhões de cavalo-vapor [medida de potência; cerca de 60 milhões de kilowatt] – e estamos muito cientes desse poder e das forças físicas no nosso corpo. Mas oito ou nove minutos depois disso, o motor desliga-se e, instantaneamente, sentimo-nos como se não tivéssemos gravidade e vemos o mundo todo a passar-nos na janela. E tudo acontece tão depressa que as emoções são um bocado deixadas para segundo plano. Mal conseguimos acompanhar o que está a acontecer – a sensação de deslumbramento e de singularidade, privilégio e deleite, é realmente esmagadora.

Na segunda missão espacial, Chris Hadfield teve de fazer uma caminhada no espaço (AEV, atividade extraveicular) para montar o braço robótico que haveria de construir a Estação Espacial Internacional. “Ao fim de cinco horas, dei conta das gotículas de água que flutuavam dentro do meu capacete. E repente, começo a sentir picadas no olho esquerdo. Levanto a mão para o esfregar – e a mão bate na viseira do capacete”, conta o astronauta [adaptado do livro]. Mas sem gravidade as lágrimas não caem. Pestanejar e abanar a cabeça também não resultou. “Treinámos para muitas eventualidades durante uma AEV, mas a cegueira parcial não era uma delas.” Tudo se resolveu e a experiência de Chris Hadfield ensinou-os a prevenir a situação: limpar bem as viseiras e não deixar resíduos do produto desembaciador.

Nunca teve medo de ir para o espaço?
Bem, ter medo é basicamente uma reação do corpo quando não sabe o que fazer. Há muitas coisas que fazemos nesta altura da vida que nos podem ter assustado quando éramos crianças, como conduzir um carro, andar de bicicleta ou dar uma palestra. Havia coisas que nos provocavam medo, mas que aprendemos a fazê-las e agora não nos provocam qualquer receio, porque são coisas que agora sabemos fazer. Ser astronauta é ter uma vida de preparação para fazer coisas que nos podem assustar se não estivermos preparados. E não queremos descolar com medo. Nenhum astronauta é lançado no espaço a fazer figas [sorriso], não é assim que nos preparamos para um voo espacial. Acho que a maior parte das pessoas sentiria medo se fosse colocada dentro de uma nave espacial, mas se treinamos para isso uma vida inteira e nos preparamos para isso, deixamos de estar assustados.

A NASA criou a figura de acompanhante familiar, que é como um “cônjuge substituto: alguém que está disponível para ajudar na Terra, não só durante o lançamento, mas mais tarde, quando a vida volta ao normal, mas a missão ainda está a decorrer”.

Mas e a sua família, eles não foram treinados para serem astronautas. Tiveram medo por si?
Bem, sim. Não o ignorámos simplesmente. Juntámo-nos, enquanto família, falámos sobre os perigos e de como os enfrentaríamos, mas também das recompensas que vêm de enfrentarmos os perigos. Falámos sobre “se isto acontecer o que é que vão fazer”: temos seguros, como vai ser, conseguem lidar com isso.

Há mais medo em terra do que na nave espacial. É um sentimento de impotência. Quando estou a vigiar outros astronautas também me sinto impotente, o que me faz sentir algum receio, porque não posso fazer nada, mas só temos de confiar na qualidade do veículo e na incrível capacidade das pessoas a bordo. De vez em quando corre mal, mas isso é verdade para qualquer coisa que se faça na vida. A maior parte das vezes corre espetacularmente bem.

Chris Hadfield aproveitava alguns momentos para responder a perguntas enviadas da Terra.

Falou da aceleração da gravidade quando são lançados para o espaço. Quando pilotou caças também foi sujeito a estas forças. Qual é a sensação?
Quando estamos num caça estamos sentados com a cabeça para cima, portanto a força da gravidade puxa-nos de cima para baixo e o nosso coração tem dificuldade em levar o sangue até à cabeça. Esse tipo de força da gravidade drena-nos o sangue da cabeça, mas numa nave espacial estamos deitados de costas, portanto a força da gravidade assemelha-se mais a estar deitado na praia e alguém começar a deitar areia em cima de nós – fica cada vez mais pesado até ser difícil respirar. Mas num foguetão, o problema não é apenas a aceleração, são também as vibrações. O veículo abana de forma muito violenta – chocalha, bate e sacode-te de forma louca. Então temos essa combinação de aceleração selvagem, forças fortes e vibrações enormes. É como se tivesses três pessoas em cima de ti a dar-te chapadas na cara.

Depois vem a sensação de ausência de gravidade, que é totalmente diferente. Como é que se sente esta mudança?
Quando acontece é instantâneo. Um é tão forte e esmagador e o outro é tão pacífico e diferente. Lembro-me de pensar, na altura, que era como se um gorila enorme estivesse a saltar em cima de mim e a abanar-me e depois, de repente, agarrasse em mim e me atirasse de um penhasco. É mais ou menos isso: a diferença entre estar a ser maltratado e, de repente, ser lançado no ar. É este o momento em que o motor se desliga e instantaneamente deixamos de sentir o nosso peso. Onde havia barulho, agora há paz. Onde havia forças e vibração, agora não há esforço e há serenidade. É como uma recompensa no final do perigo.

“Estava na EEI há cerca de três semanas quando reparei que precisava de cortar as unhas. Foi então que tive uma ideia excelente: ia cortar as unhas por cima do filtro da entrada de ar de uma das condutas. E funcionou! No entanto, não pensei em todas as implicações. [Quando o] responsável pela limpeza daquela parte da estação, desapertou os parafusos para poder limpar atrás do painel de filtro, ficou coberto de pedaços das minhas unhas”, contou o astronauta [adaptado do livro].

Como foi voltar à Terra depois de passar seis meses na Estação Espacial Internacional?
A Estação Espacial Internacional é um sítio muito interessante para se viver, mas é extremamente exigente. Temos um horário eletrónico todos os dias que nos diz o que fazer a cada cinco minutos, durante seis meses. A única altura em que temos tempo livre é quando devíamos estar a dormir. Por isso roubava uma hora ou duas todas as noites, quando devia estar a dormir, e era aí que tocava guitarra, fazia vídeos, escrevia coisas ou falava com todos.

Mas no fim de tudo voltamos para casa. A pequena nave com que voltamos para casa não navega sozinha, é uma tarefa muito exigente fisicamente e existem uma série de coisas que podem correr mal, portanto trabalhamos arduamente para pilotar convenientemente a nossa nave de volta a casa. E, no meu terceiro voo, fui piloto da Soyuz russa. Não só estava a pilotar uma nave de volta a casa, como estava a pilotar uma nave numa outra língua – em russo. Estudei russo durante 20 anos para poder pilotar a Soyuz.

É como pilotar um meteorito de volta a casa: é muito físico, esmaga-te contra a cadeira, é quente, quando o paraquedas abre é incrivelmente violento e então chocas contra o mundo, como num acidente de viação. Depois rebolas até parar, por isso sentes-te zonzo e desorientado, cansado e enjoado. É como se estivesses doente e tivesses tido um acidente de carro: estás todo a tremer e nada parece bem.

Depois chega a equipa de salvamento: abrem a nave, arrastam-te para fora e põem-te numa cadeira. E, de repente, há a luz e os cheiros e as pessoas e o ruído. Se calhar é como um bebé acabado de nascer, não sei. Demora algum tempo para nos readaptarmos, o nosso corpo tem de se habituar outra vez [a estar na Terra]: demora alguns dias a sentirmo-nos normais, várias semanas para estarmos normais e, de facto, uns quantos anos para a densidade dos nossos ossos voltar ao normal e estarmos verdadeiramente normais outra vez. É um processo longo, mas vale cada segundo. A experiência é tão rica, tão interessante, tão desafiante e tão útil para todos nós, que o que acontece ao teu corpo é só uma parte da experiência.

Depois de tanto tempo longe, como é que é voltar ao trabalho e a casa?
É normal. É como uma viagem muito longa, como um soldado ou um marinheiro. Faz parte da vida haver uma separação e depois voltarmos. Mas quando estamos na Estação Espacial Internacional nunca estamos completamente isolados – posso telefonar às pessoas, ocasionalmente fazer uma chamada de vídeo, trocar emails. Portanto é como estar numa viagem de negócios num local muito diferente. E é bom voltar a casa.

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O astronauta canadiano já esteve várias vezes em Portugal e confessou ao Observador adorar o país. “Adoro ficar sentado à beira rio no Porto.” Da EEI tirou uma fotografia à capital: “Tirei uma fotografia fantástica de Lisboa quando estava no espaço – podíamos ver a relação entre o porto, o oceano e a cidade”.

Ficou bem conhecido na Terra por causa dos vídeos que fez na Estação Espacial Internacional. Como é que deu início a isso?
Acho que tudo começou quando assisti à chegada à Lua em 1969 e vi quando Neil Armstrong e Buzz Aldrin caminharam na Lua – tinha eu quase 10 anos. A NASA fez a transmissão de tudo em direto – não tinham de o fazer, os soviéticos não o faziam –, mas a NASA considerou que isto era demasiado importante para deixar de ser partilhado. Foi aí que me apercebi que, se ia fazer alguma coisa diferente, magnífica e rara, devia partilhá-la, não devia ser egoísta, não devia guardá-la só para mim.

Fui astronauta durante 21 anos e partilhei tanto quanto pude o tempo todo: falei em milhares de escolas, dei incontáveis entrevistas, viajei por todo o mundo e tirei fotografias em todas as minhas viagens espaciais. Mas só na terceira viagem é que a tecnologia já tinha avançado o suficiente: podíamos fazer partilhas nas redes sociais, tínhamos máquinas digitais que nos permitiam partilhar as fotografias quase imediatamente – enquanto antes podíamos ter de esperar meses ou anos. Com este avanço na tecnologia, podia fazer um vídeo, enviá-lo para a Terra e as pessoas podiam vê-lo quase de imediato – usei a tecnologia da melhor forma que consegui para o partilhar. É por isso que escrevo livros, que componho músicas, que falo e trabalho, que dou aulas na universidade, porque parte do trabalho de ser astronauta é partilhar tão bem quanto possível.

Chris Hadfield tem vários vídeos mostrando como pequenas atividades do dia a dia têm de acontecer na EEI.

Uma vez astronauta, sempre astronauta, ou está reformado neste momento?
Não é um trabalho, é uma definição. Serei um astronauta para o resto da eternidade – é uma das coisas que me define. Já não voo no espaço regularmente e mesmo quando era astronauta – e fui durante 21 anos – só estive no espaço seis meses, portanto fui um astronauta em Terra durante 20 anos e meio. E isso é o que sou hoje em dia. Acho que não vou voltar a voar para o espaço, mas isso não muda, nem diminui, a experiência em si mesma.

Vê-se no futuro a ingressar numa carreira musical ou é apenas um hobbie?
Não sei se percebo o que quer dizer com “carreira”, mas fui agricultor, instrutor de esqui (downhill), tenho sido músico durante toda a minha vida, fui engenheiro, pilotei caças e fui piloto de testes, fui astronauta, sou autor, ensino na universidade, faço todas essas coisas e acho que isso não vai mudar. E a música é, para mim, uma faceta de celebrar e entender a vida.

Além das versões de músicas de cantores conhecidos, Chris Hadfield também compõe e tem músicas originais.

Se tivesse a oportunidade de ir a Marte, aproveitava?
Bem, não há naves a irem para Marte e os astronautas não viajam “por desporto”. Ajudamos a criar, a desenhar e a construir voos e naves espaciais. Se alguém me convidasse para trabalhar num voo espacial para a Lua ou para Marte eu teria todo o gosto. A parte mais interessante é resolver os desafios e fazer acontecer algo que roça o impossível. E isso é o que tenho feito a maior parte da minha vida. E ainda estou envolvido: trabalho com a Agência Espacial Canadiana, com os astronautas canadianos, estou no Conselho Consultivo para o Espaço no Canadá, estive num painel de discussão na NASA há umas semanas. A vida não pára só porque terminámos o terceiro voo espacial.

“Em gravidade zero, não é preciso um colchão ou almofada; já sentimos que estamos deitados numa nuvem, perfeitamente suportados, por isso temos de dar voltas para encontrar uma posição confortável.”

Por fim, e tendo em conta o que aconteceu recentemente: Juno finalmente chegou a Júpiter e ficou a orbitar o planeta. Gostava que me dissesse o que pensa desta missão.
Para poder entender as estrelas e os planetas, temos de vencer um grande buraco no nosso conhecimento, que são os planetas gigantes gasosos, como Júpiter. De facto não percebemos Júpiter de todo. Porque é que tem um campo magnético tão forte? Haverá um núcleo rochoso no centro de Júpiter ou será tudo gás e líquido? Conduzir Juno durante milhares de milhões de quilómetros é extremamente complexo e conseguir que se fixasse, de forma segura, na órbita de Júpiter, dentro do campo magnético, é incrível.

Nunca o tínhamos conseguido fazer em toda a história da humanidade. Ontem era impossível e hoje é possível – é tremendamente otimista. Vamos aprender mais sobre Júpiter em poucas semanas do que alguma vez aprendemos sobre este planeta no último milhão de anos. É um momento muito interessante. E o que eu gosto é que isto é o resultado da criatividade humana, de nos organizarmos, da invenção, da colaboração – é um projeto mundial. Há uma quantidade imensa de coisas a acontecerem todos os dias. Juno chegar a Júpiter é só uma dessas coisas, mas é realmente magnífico e todos o devíamos celebrar. É uma vitória.

Um texto de Vera Novais

Dizem que o mundo acaba esta sexta-feira, mas a NASA já desmentiu

Os efeitos especiais são maus e o esforço por tornar o vídeo minimamente credível não foi muito. Mas os mais de cinco milhões de visualizações no YouTube falam por si: a teoria de que o mundo acaba hoje, a 29 de julho de 2016, foi ganhando força ao longo das últimas semanas. Agora que chegou a fatídica sexta-feira, é esperar para ver.

Este vídeo, lançado no início do mês, tenta provar que o mundo acaba esta sexta-feira e os argumentos são muitos, uns mais originais que outros. “Jesus Cristo vai regressar no dia em que se inverterem os polos e um terramoto global sacudir a Terra”, diz a voz automática do vídeo. O melhor é ver por si:

O vídeo terá sido criado por uma igreja evangélica, explica o jornal El Español, para tentar angariar fiéis, utilizando novamente o argumento da inversão dos polos terrestres, que supostamente vai originar um terramoto global.

Este argumento já tinha sido utilizado em 2012, quando a famosa teoria do final do calendário maia fez o mundo tremer com medo do fim do mundo. Na altura, a NASA explicou que os efeitos da inversão polar, um fenómeno natural no planeta, eram absolutamente inofensivos. “A polaridade da Terra muda regularmente, e uma inversão magnética ocorre em média a cada 400 mil anos. Pelo que sabemos, esta inversão não causa nenhum dano à vida do planeta”, explicou a agência norte-americana.

A nova data para o fim do mundo vem de outro vídeo, que foi divulgado em 2012, lembra o jornal. Na altura, um suposto cientista que tinha deixado a NASA disse que tinha sido contactado por extraterrestres, que lhe apontaram a data de “entre 14 de julho e 19 de agosto de 2016” para o final dos tempos. O vídeo foi recuperado agora por conspiradores, mas a teoria já foi rejeitada novamente pela NASA.

A ideia de Salvatore Monti, o falso cientista, era a de que a inversão dos polos iria fazer cair o campo magnético, expondo o planeta a um excesso de radiações solares, e acabando com toda a vida. A NASA, contudo, disse logo que “não há indicação alguma de que alguma vez o campo magnético tenha desaparecido por completo”.

Sonda Juno entra com sucesso na órbita de Júpiter

A sonda Juno entrou esta terça-feira na órbita de Júpiter, disse a agência espacial norte-americana, a NASA, que espera com esta missão perceber as origens do maior planeta do sistema solar. O Observador seguiu a operação em direto.

A nave, um observatório espacial não tripulado e movido a energia solar, entrou na órbita de Júpiter cinco anos depois de ter iniciado a sua viagem rumo ao planeta.

A nave foi capturada, conforme previsto, pela gravidade do maior planeta do sistema solar, indicou o centro de controlo, que recebeu a confirmação do sucesso da operação pelas 04h53 (hora de Lisboa).

A sonda Juno deslocou-se a uma velocidade de mais de 130.000 milhas por hora (209.200 quilómetros por hora) em direção àquele que é considerado o planeta “rei” do sistema solar.

A entrada na órbita de Júpiter era um momento chave porque se a sonda não fosse bem-sucedida, poderia passar por Júpiter e deixá-lo para trás, acabando assim uma missão de 15 anos a cerca de 540 milhões de milhas (869 milhões de quilómetros) da Terra.

Juno, Júpiter, NASA e um doodle da Google

Depois de entrada com sucesso da sonda espacial Juno na órbita Júpiter, a Google publicou um doodle animado para celebrar o acontecimento. Para o consultar basta consultar a página de pesquisa do motor de busca.

Foram precisos cinco anos para ir desde a Terra até ao maior planeta do sistema solar, mas na madrugada desta terça-feira a NASA anunciou que a sua nave Juno tinha entrado na órbita do planeta. A nave deverá tirar fotografias de Júpiter e reunir dados que tornem possível perceber melhor a história do sistema solar.

O doodle mostra a sonda espacial, alguns emojis comemorativos (palmas e um copo a disparar confettis), uma máquina fotográfica e ainda alguns cientistas a saltarem com grandes sorrisos na cara.

Numa pequena descrição do feito, a Google afirma que a sonda Juno é “uma guerreira”, felicitando no fim os esforços empreendidos para a odisseia no espaço.

“Bravo, Juno!”

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