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Isabel II e Obama podem processar Trump por difamação, para isso, basta quererem

Caso ambos queiram, a rainha Isabel e o ex-presidente Barack Obama podem unir-se e em conjunto processar Donald Trump por difamação. A afirmação é feita por Richard Paint, ex-conselheiro de ética do antigo presidente George W. Bush.

“Obama pode agora ter alguém que o ajude a apresentar um processo contra Trump. Basta eles quererem”, escreveu no Twitter. Segundo Donald Trump, Obama e a rainha submeteram-no a vigilância ilegal na Trump Tower antes das eleições, apesar de o diretor do FBI James Comey já ter vindo garantir que não existe qualquer prova disso.

Entretanto, a Casa Real negou também ao Independent qualquer tipo de acusações, assim como uma porta-voz do ex-presidente dos Estados Unidos.

Foi na semana passada que a Casa Branca citou a Fox News para garantir que Barack Obama terá pedido aos serviços de informações britânicos que monitorizassem Trump.

Obama acelera transferências de Guantánamo

Quando Barack Obama chegou à Casa Branca, em 2009, havia 242 prisioneiros na base de Guantánamo. Quando sair, deverão ser menos de 40. Ainda assim, um revés para o presidente norte-americano, que não conseguirá cumprir a promessa de fechar o centro de detenção aberto pelo antecessor, George W. Bush, para albergar suspeitos de terrorismo capturados em todo o mundo após os atentados de 11 de setembro de 2001. No início do mês, quatro iemenitas foram entregues à Arábia Saudita, num esforço final de Obama para transferir 19 presos antes da entrada em funções de Donald Trump, que é contra esvaziar Guantánamo e prometeu “enchê-la de criminosos”.

A administração de Obama comunicou no mês passado ao Congresso a sua intenção de transferir até 19 prisioneiros para quatro países (Omã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e possivelmente Itália), quando ainda havia 59 presos. Com a libertação dos quatro iemenitas, restam 55 detidos, havendo ainda 19 cuja transferência está autorizada caso as condições de segurança estejam garantidas. Caso as intenções de Obama se confirmem na prática, ficarão no centro de detenção na base militar dos EUA em Cuba 26 prisioneiros que nunca foram acusados mas cuja transferência não é aconselhada e dez que já foram condenados ou acusados.

“Não devem existir mais transferências de Gitmo [nome pelo qual é conhecida a prisão]. São pessoas extremamente perigosas e não devem ter a oportunidade de voltar ao campo de batalha”, escreveu Trump no Twitter. Na campanha, o republicano prometeu manter a prisão aberta e “enchê-la de criminosos” e chegou a dizer que faria pior do que o waterboarding (método de tortura que simula o afogamento e foi usado contra os presos de Guantánamo).

Em resposta à mensagem que o presidente eleito escreveu no Twitter, ainda antes das libertações do início do mês, a Casa Branca limitou-se a dizer que “ele terá a oportunidade de implementar a política que acha ser mais efetiva quando assumir o cargo a 20 de janeiro”. Questionado sobre o risco para a segurança que representam estas transferências, o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, disse que só nove dos 183 detidos transferidos durante os dois mandatos de Obama terão retomado os combates. Pelo contrário, durante os oito anos de presidência de Bush, durante os quais Guantánamo se tornou sinónimo de tortura, 21% dos quase 500 detidos transferidos voltaram às atividades como militantes de grupos terroristas.

Um dos primeiros decretos presidenciais que Obama assinou, dois dias após assumir a presidência dos EUA, exigia o encerramento de Guantánamo no espaço de um ano. Contudo, a oposição republicana (desde 2010 que têm maioria no Congresso e no Senado) tornou impossível cumprir essa promessa eleitoral, proibindo o uso de fundos para a fechar, assim como a construção e a adaptação de prisões nos EUA para os receber. Além disso, mesmo depois de os detidos receberem luz verde para a transferência, é preciso negociar as condições com os países de acolhimento (Portugal recebeu dois sírios em 2009).

Dois dos quatro iemenitas transferidos para a Arábia Saudita no dia 5 de janeiro tinham recebido autorização para deixar Guantánamo em 2009 – os outros tinham sido na altura vetados, só tendo recebido a luz verde no ano passado. Os quatro foram detidos há 15 anos, durante a guerra no Afeganistão, nunca tendo sido acusados de nenhum crime. Foram entregues aos sauditas – que há anos têm programas de reeducação para os suspeitos de terrorismo – porque os EUA recusam entregá-los ao Iémen, que vive atualmente em guerra civil e tem um grupo ativo ligado à Al-Qaeda.

Um dos detidos agora entregue à Arábia Saudita, Mohammed Bawazir, esteve para ser enviado para os Balcãs há um ano, mas recusou porque queria ir para um país onde tivesse família. No dia da libertação, segundo a Reuters, houve reencontros emocionantes entre os detidos e os familiares no aeroporto de Riade.

Edward Snowden pede a Obama que lhe conceda perdão

Numa entrevista ao diário britânico The Guardian divulgada hoje, Snowden considera que as suas revelações beneficiaram o seu país.

“Sim, existem leis que dizem certas coisas, mas é talvez por isso que existe o poder de atribuir o perdão — para as exceções, para as coisas que parecem ilegais em letras numa página, mas que se forem vistas de um ponto de vista moral, ético, quando se veem os resultados, aparecem como necessárias”, declara no vídeo da entrevista que deu a partir de Moscovo.

O ex-consultor da Agência de Segurança Nacional (NSA na sigla em inglês) está há três anos na capital da Rússia, depois de ter divulgado numerosos documentos secretos de uma das mais secretas agências de informação norte-americanas, especializada na interceção de comunicações eletrónicas.

Snowden foi acusado de espionagem nos Estados Unidos e arrisca até 30 anos de prisão.

“Penso que se olharem para os benefícios, é claro que desde 2013 as leis do nosso país mudaram. O Congresso, os tribunais e o presidente, todos mudaram a sua política após estas revelações. Ao mesmo tempo, nunca houve provas de que alguém tenha sofrido”, adianta o informático, 33 anos.

O ano passado, a Casa Branca rejeitou uma petição com mais de 150.000 assinaturas para que Snowden fosse perdoado.

O realizador Oliver Stone, cujo filme “Snowden” se estreou no sábado em Toronto, disse esperar que Barack Obama mude de opinião.

Snowden critica a Rússia e filme reabre debate sobre amnistia de Obama

A conferência de imprensa de apresentação do filme Snowden, durante o Festival de Cinema de Toronto, este sábado, foi aproveitada por quase todos para reacender um debate com três anos: Deve Edward Snowden, 33 anos, o ex-funcionário da CIA que denunciou o programa de vigilância da National Security Agency (NSA) dos EUA, continuar a ser acusado dos crimes de espionagem e roubo de documentos públicos?

O realizador, Oliver Stone, e grande parte dos actores do elenco, defendem que Barack Obama deve conceder a Snowden um perdão presidencial, antes de terminar o seu mandato na Casa Branca. “Obama podia perdoá-lo, e eu espero que isso aconteça. Mas ele perseguiu vigorosamente outros oito denunciantes, acusados sob a Lei da Espionagem, o que é um recorde absoluto para um Presidente americano, e tem sido um dos mais eficientes administradores deste mundo da vigilância. Ele construiu o mais extenso eintrusivo Estado de vigilância que jamais existiu”, acusou o veterano realizador, no Canadá, durante a apresentação do seu filme biográfico sobre Snowden.

No filme, o denunciante é interpretado pelo actor Joseph Gordon-Levitt, que também defendeu os actos de Snowden. “Ele fez o que fez por um sincero amor pelo seu país e pelos princípios em que o país se baseia. Há dois tipos diferentes de patriotismo: aquele em que se é fiel ao país, não importa o que aconteça e em que não se faz muitas perguntas, mas há um outro tipo de patriotismo que é aquele que eu quis mostrar neste personagem. O privilégio de se ser cidadão de um país livre como os EUA é ser-nos permitido questionar e exigir transparência ao governo.”

A defesa de Snowden continuou, em Toronto, pela voz de outros actores, como Zachary Quinto, que interpreta o papel do jornalista Glenn Greenwald no filme de Oliver Stone: “A ideia de Snowden ser acusado de crimes de espionagem ou ser chamado de traidor é absurda. Ele é uma pessoa com uma grande integridade e com muita coragem. O que ele fez pode ser subestimado agora, mas penso que no futuro vai ser olhado com a importância que merece.”

A apresentação do filme coincidiu com a publicação, pelo Financial Times, de uma entrevista a Edward Snowden. A viver numa localização mantida secreta, na Rússia, desde que foi obrigado a sair dos EUA e a procurar asilo na sequência da sua denúncia do programa de vigilância da National Security Agency norte-americana, em 2013, Snowden faz uma apreciação crítica do respeito pelos direitos humanos e liberdades civis de Moscovo. A Rússia de Putin, critica, “está a ir longe de mais, desnecessariamente, em matérias que são altamente gravosas e corrosivas para os direitos individuais e colectivos”. “Eu não posso corrigir a situação dos direitos humanos na Rússia, e realisticamente a minha prioridade é corrigir o meu próprio país primeiro porque é aquele a que devo a maior lealdade”, acrescentou Snowden.

Na mesma entrevista, Snowden atribuiu à Rússia um papel na recente divulgação de documentos secretos da NSA, que considerou ser uma forma de ameaça de Moscovo aos EUA.

Obama cancela encontro com Presidente das Filipinas após ser insultado

Filho da p…” parece ser o insulto preferido de Rodrigo Duterte, o novo Presidente das Filipinas que continua a cometer gafe atrás de gafe política desde que venceu as eleições nas Filipinas em maio deste ano. Pior que as gafes, desde essa altura milhares de pessoas já morreram numa campanha de execuções extrajudiciais patrocinada, aprovada e incitada pelo “Justiceiro”, como Duterte se autoproclama.

Por causa da situação nas Filipinas, onde o novo governo tem dado aval não só às autoridades mas também aos cidadãos comuns para que matem indiscriminadamente todos os que julguem ser toxicodependentes ou traficantes de droga, Barack Obama disse aos jornalistas na segunda-feira que pretendia discutir a questão com Duterte assim que aterrasse no Laos para a cimeira da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, na sigla inglesa).

A promessa de Obama antes de partir de Hanghzou, na China, onde esteve a participar na cimeira do G20, irritou profundamente o homólogo filipino, que numa conferência de imprensa chamou ao Presidente norte-americano “filho da p…”. Conselheiros da administração Obama confirmariam, pouco depois, o cancelamento da reunião entre ambos que estava marcada para esta segunda-feira; em vez de encontrar-se com Duterte, Obama irá estar reunido com a Presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye.

O QUE FOI DITO

Questionado pelos jornalistas em Manila sobre a promessa de Obama em discutir as violações de Direitos Humanos nas Filipinas, Duterte acusou o homólogo norte-americano de ser “rude” antes de começar a insultá-lo. “Putang ina [filho da p…] é o que lhe vou dizer naquele fórum. Vamos chafurdar na lama como porcos se [Obama] fizer isso.”

Na mesma conferência, Duterte continuou por referir a campanha que já conduziu à morte de mais de 2400 pessoas nas Filipinas desde que tomou posse em junho, uma que várias ONG bem como Obama e outros líderes mundiais consideram corresponder a graves violações de Direitos Humanos. “A campanha contra as drogas vai continuar”, prometeu Duterte. “Muita gente vai morrer, muitas pessoas serão mortas até que o último dealer esteja fora das ruas, até que o último produtor de droga seja morto iremos continuar.”

Diz a BBC que inicialmente Obama pareceu minorizar o insulto, dizendo que tinha pedido aos seus conselheiros que sondassem se esta era “uma altura em que possamos ter conversas construtivas e produtivas”. Mais tarde o encontro foi cancelado.

Duterte publicou entretanto um comunicado onde diz lamentar que o Presidente norte-americano tenha ouvido nas suas palavras um ataque pessoal. “A causa imediata [do cancelamento] foram os meus comentários fortes perante certas questões da imprensa, que causaram preocupação e angústia, mas também lamentamos que tenha parecido um ataque pessoal ao Presidente dos EUA.”

No curto espaço de tempo em que tem tido os holofotes virados para si, Duterte tem apostado forte nos insultos a quem discorda de si, tendo já chamado “filho da p…” ao Papa Francisco, “maluco” ao secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e “filho gay de uma p…” ao embaixador dos EUA em Manila.

A ONU tem repetidamente condenado as políticas de Duterte como uma violação de direitos humanos, tal como Obama fez ontem e organizações não-governamentais têm feito há vários anos, desde que o agora Presidente era autarca de Davao — um cargo que ocupou 22 anos, durante os quais defendeu e aplicou uma campanha de execuções semelhante à que agora está em marcha em todo o país. Em agosto, dois especialistas da organização acusaram Duterte de incitar à violência e ao homicídio, “um crime sob a lei internacional”.

Casa Branca desmente ter pagado ao Irão para resgatar cidadãos norte-americanos

A administração Obama desmentiu esta quarta-feira o alegado pagamento de milhões de dólares ao Irão em troca da libertação de cinco norte-americanos detidos no país, que em janeiro deste ano foram trocados por sete cidadãos iranianos que estavam detidos nos EUA por violarem as sanções internacionais impostas ao regime dos aiatolas.

A troca aconteceu na sequência do levantamento dessas sanções, como parte do histórico acordo nuclear alcançado, em julho do ano passado, pelo Presidente Hassan Rouhani e o chamado P5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU – China, EUA, França, Reino Unido e Rússia – mais a Alemanha).

Como parte desse acordo, os EUA enviaram a Teerão 400 milhões de dólares (357 milhões de euros) em dinheiro vivo por alturas da libertação dos prisioneiros. Avança o “Wall Street Journal” que as autoridades norte-americanas fizeram chegar à capital iraniana esse valor em euros, francos suíços e outras divisas num avião de carga não-marcado, sugerindo que o dinheiro serviu para pagar a libertação dos cinco norte-americanos, entre eles o jornalista do “Washington Post” Jason Rezaian.

JUSTIFICAÇÃO

Em conferência de imprensa reslizada esta quarta-feira, o porta-voz da Casa Branca Josh Earnest explicou que o pagamento serviu, em vez disso, para enterrar uma longa disputa entre os países que começara antes da Revolução Islâmica de 1979, acusando os republicanos que se opõem ao acordo diplomático alcançado há um ano de usarem o pagamento em questão para tentarem minar o histórico passo. “Eles estão a batalhar para justificarem a sua oposição ao nosso compromisso com o Irão”, disse no briefing da Casa Branca.

Quando Teerão e as seis grandes potências mundiais decidiram suspender as sanções contra personalidades e empresas do regime como parte da implementação do acordo, os governos do Irão e dos EUA alcançaram, paralelamente, um outro acordo para resolverem uma série de disputas de há décadas.

Assim explicou Earnest numa conferência de imprensa a 19 de janeiro deste ano, quando os acordos foram alcançados, entre eles o tal pagamento de 400 milhões de dólares como “resultado de um longo processo de reivindicações a decorrer em Haia” relativo à compra de equipamento militar aos EUA pelo governo iraniano de Mohammed Reza Palavi antes da sua deposição em 1979. Dado que as instituições financeiras do Irão ainda estavam completamente vedadas ao sistema global bancário na altura do pagamento, avançou o porta-voz, o pagamento teve de ser feito em dinheiro e como as sanções ainda estavam em vigor, não podia ser feito em dólares, o que explica o uso de outras divisas.

CRÍTICAS E ACUSAÇÕES

No rescaldo da notícia do “Wall Street Journal” sobre este pagamento, o candidato republicano à presidência Donald Trump renovou ataques à rival democrata, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, acusando-a no Twitter de ter sido ela a organizar o pagamento – isto apesar de estes acordos com o Irão terem sido negociados pelo seu sucessor, John Kerry, e alcançados entre 2015 e o início deste ano, quase três anos depois de Clinton ter abandonado o cargo.

Our incompetent Secretary of State, Hillary Clinton, was the one who started talks to give 400 million dollars, in cash, to Iran. Scandal!

O porta-voz do Comité Nacional Republicano também lançou ataques à oposição, dizendo em comunicado que “a política de negócios estrangeiros Obama-Clinton não só significou alcançar um perigoso acordo nuclear com o estado número um dos que patrocinam o terrorismo, mas também se traduziu no pagamento de um resgate secreto num avião de carregado de dinheiro”.

Em resposta a isto, o porta-voz do Departamento de Estado John Kirby desmentiu totalmente as ligações sugeridas entre os vários passos do acordo. “Tal como deixámos claro, as negociações sobre a resolução do caso no Tribunal de Haia são completamente distintas das discussões sobre a devolução a casa dos nossos cidadãos americanos. Não só as duas negociações decorreram em separado, como foram conduzidas por diferentes equipas de ambos os lados, incluindo, no caso das alegações em Haia, por especialistas técnicos envolvidos nestas negociações há vários anos.”

A noite em que Obama despediu Trump com um grito de optimismo

Uma semana depois de o Partido Republicano ter comparado os Estados Unidos a uma cidade decadente onde a anarquia se espalha a cada esquina, o Presidente dos Estados Unidos subiu ao palco na noite de quarta-feira, na convenção do Partido Democrata, para tentar convencer os eleitores de que “a América já é grande e forte”, e que pode precisar de muitas coisas, mas não de um “demagogo interno”.

Num dos discursos mais marcantes da sua vida política, Barack Obama usou todos os trunfos para convencer os independentes e os apoiantes mais fervorosos de Bernie Sanders a pensarem bem na escolha que têm pela frente: Hillary Clinton, uma candidata “que sabe que o país é grande, diversificado, e em que a maioria dos problemas raramente são a preto e branco”, e um candidato que venceu na vida “deixando atrás de si um rasto de processos em tribunal, funcionários sem vencimentos e pessoas que se sentem enganadas”.

Ninguém se lembra de um discurso numa convenção em que o Presidente em exercício desfez um dos candidatos adversários desta forma. Foi a noite em que o Partido Democrata deitou tudo cá para fora; em alguns momentos, chegou a usar o mesmo escorrega de Donald Trump e foi por aí abaixo, quando o candidato a vice-presidente, Tim Kaine, arriscou uma imitação de Trump: “A maioria das pessoas que concorrem à Presidência não se limitam a pedir que acreditem nelas”, disse Tim Kaine, enquanto encenava uma sofrível imitação de alguns dos gestos característicos de Trump.

 

Mas a estrela da noite foi Barack Obama, num longo discurso que teve um pouco de tudo – de despedida, porque está a menos de seis meses de sair da Casa Branca; de apoio incondicional a Hillary Clinton; de balanço da sua presidência; e de ataques a Donald Trump.

“Muito se passou nestes últimos anos. E se bem que esta nação foi posta à prova por guerras e recessões e todos os tipos de desafios, venho aqui perante vós, após quase dois mandatos como vosso Presidente, dizer-vos que estou ainda mais optimista em relação ao futuro da América”, disse Obama, antes de se lançar numa lição de História dos últimos oito anos – uma espécie de regresso à Idade Média no tempo medido pelas redes sociais. Falou da “pior recessão dos últimos 80 anos”, que estalou pouco depois de ter chegado à Casa Branca, da descida das taxas oficiais de desemprego, do acordo nuclear com o Irão, da aproximação a Cuba, do acordo internacional sobre as alterações climáticas e da morte de Osama bin Laden.

Mas reconheceu que ainda há muito por fazer, e que é por isso mesmo que Hillary Clinton deve ser a próxima Presidente dos Estados Unidos – um argumento a favor da continuidade, como se se tratasse de um terceiro mandato de Obama, e que é um dos maiores pesadelos do Partido Republicano de Donald Trump.

Criticando o tom da convenção do Partido Republicano, onde só ouviu “ressentimento, acusações, fúria e ódio”, o Presidente dos Estados Unidos disse que só conhece um país “cheio de coragem, optimismo e talento”.

“A América que eu conheço é decente e generosa”, disse Obama, apesar das “bolsas que nunca recuperaram do encerramento de fábricas, dos homens que se orgulhavam do seu trabalho árduo e de sustentar as suas famílias e que agora se sentem deixados para trás, e dos pais que temem que os seus filhos não tenham as mesmas oportunidades que eles tiveram”.

E Hillary Clinton é a única pessoa com capacidade para continuar o seu trabalho, principalmente agora que “tem planos concretos para ir ao encontro das preocupações que ouviu da vossa parte durante a campanha” – uma referência indirecta aos apoiantes de Bernie Sanders, alguns dos quais continuam a olhar para a candidata do Partido Democrata como uma das responsáveis do sistema político que querem derrubar.

Mas a alternativa é Donald Trump, e para Barack Obama não há muito que saber: “Ele sugere que a América é fraca. Não deve ouvir os milhões de homens, mulheres e crianças, dos países bálticos à Birmânia, que continuam a olhar para a América como a luz da liberdade, da dignidade e dos direitos humanos.”

Visita histórica de Obama a Cuba marca a aproximação entre os dois países

(artigo atualizado segunda-feira às 8h30)

Nem a chuva travou o dia histórico. “Que bolá Cuba?”, que é como quem diz, “Que tal, Cuba?”. Foi assim que, via Twitter, Barack Obama fez saber que já tinha aterrado em Cuba. É a primeira vez desde 1928 que um Presidente norte-americano pisa solo cubano, depois de longos e turbulentos anos de corte diplomático. Para a história ficam as fotografias de Barack Obama e a família a sair do Air Force One, de roupa primaveril mas de chapéu-de-chuva em punho.

Além de Michele Obama, das filhas, Malia e Sasha, e da sogra, Marian Robinson, a delegação norte-americana que acompanha o Presidente é bem maior do que isso. Segundo o jornal britânico The Guardian, a comitiva conta com entre 800 a 1200 pessoas – que se deslocaram a Havana para assistir ao fim da guerra fria entre os dois países, separados apenas por 150 quilómetros (entre Cuba e o Estado norte-americano da Florida), os 150 quilómetros mais longos do mundo.

Esta segunda-feira é a vez do encontro mais aguardado: Obama e Raul Castro vão reunir-se no palácio presidencial. Será a terceira vez que os dois se encontram, mas a primeira em território cubano.

Obama é o primeiro Presidente dos Estados Unidos que visita o país em 88 anos. A viagem está carregada de um grande simbolismo, não só porque representa o iminente fim do embargo, que só deverá ser levantado na próxima legislatura, mas também porque é um passo importante para a normalização das relações diplomáticas entre os dois países, que foram cortadas em 1961 – o ano em que nasceu Barack Obama.

Boda molhada, boda abençoada

Debaixo dos holofotes do mundo inteiro, o primeiro dia do Presidente dos EUA em Cuba terminou com um passeio e jantar familiar em Havana Velha, onde Obama foi saudado pelos cubanos que saíram às ruas para o ver – apesar da chuva. A verdade é que há várias semanas que não chovia com tanta intensidade em Havana, adensando ainda mais a mística da visita histórica. Boda molhada, boda abençoada, costuma dizer-se.

Mas não foi a chuva que impediu vários cubanos de saírem para as ruas na zona histórica da cidade para dar as boas-vindas ao Presidente norte-americano. Devido ao mau tempo, a cerimónia de encontro de Obama com o pessoal diplomático norte-americano em Cuba não aconteceu na embaixada dos Estados Unidos da América ao ar livre, como estava previsto, mas numa sala de um hotel.

Teve também de ser modificado o passeio planeado em Havana Velha. Ainda assim, Obama, a sua esposa Michelle, as duas filhas, Malia e Sasha, e a sogra, Marian Robinson, passearam pela Praça de Armas, onde a família contemplou a estátua de Carlos Manuel de Céspedes, um dos líderes independentistas da ilha. Todo o percurso, que continuou pelo Palácio dos Capitães Generais, o edifício do antigo Governo colonial que agora alberga o Museu da Cidade, foi conduzido por Eusebio Leal, o historiador oficial de Havana e responsável pela restauração desta zona da capital.

Debaixo de uma chuva intensa e protegida por guarda-chuvas, a família presidencial chegou à Praça da Catedral, onde Obama se deteve brevemente para cumprimentar algumas pessoas que o esperavam no local. Dentro da catedral foram recebidos em privado pelo cardeal cubano e arcebispo de Havana, Jaime Ortega, que teve um papel essencial, juntamente com o Papa Francisco, no processo de reaproximação entre Havana e Washington.

Depois, a comitiva presidencial passou pelas estreitas ruas de Havana Velha e Havana Centro, onde centenas de moradores tiraram fotos a partir das varandas e portas, saudando e aplaudindo a família. O dia terminou no restaurante “San Cristóbal”, no centro de Havana. Barack Obama e a família vão ficar hospedados numa mansão da embaixada, que terá sido desenhada para ser uma “Casa Branca de inverno” para Franklin Roosevelt, conta o The Guardian.

Hoje, segunda-feira, Obama vai encontrar-se com Raul Castro no palácio presidencial, naquele que será o terceiro encontro entre os dois desde que foi anunciada a reaproximação entre os países. Na terça-feira, Obama vai discursar perante mil pessoas no mesmo teatro onde, 88 anos antes, Calvin Coolidge, o último presidente dos EUA a visitar Cuba, também o fez. O discurso histórico vai ser transmitido pelas televisões do país.

Damas de Branco pedem “Cuba sem Castros”

Antes da chegada de Obama, o domingo em Havana ficou marcado pela habitual marcha das Damas de Branco, histórico grupo de opositores do regime cubano, que resultou na detenção de dezenas de ativistas. Vestidos de branco, os manifestantes erguiam cartazes com frases como: “A viagem de Obama a Cuba não é por diversão. Não às violações dos direitos humanos”, ou “Obama, nós temos um sonho: ver Cuba sem os Castros”.

Ao início da noite, contudo, a agência de notícia Efe, dava conta de que já tinham sido libertadas. Há meses que as manifestações de domingo terminam com detenções de ativistas. Desta vez, as detenções aconteceram poucas horas antes da chegada a Havana do presidente dos Estados Unidos, que tem na sua agenda um encontro com dissidentes do regime de Castro.

Uma história de encontros e desencontros

Os dois países sempre tiveram relações estreitas, já desde o tempo em que Cuba era uma colónia espanhola. Nessa altura, os Estados Unidos importavam açúcar de Cuba e tentaram, por duas vezes, comprar o país aos espanhóis. Essa compra tinha o aval de Cuba que queria acabar com a dominância espanhola. Assim, o país foi invadido por tropas dos Estados Unidos, que ficaram no país até 1902, ano em que conseguiram a independência, mas com um acordo que dava aos norte-americanos o direito de intervir em Cuba para manter a estabilidade e independência do país. Em 1934, os dois países assinaram o Tratado das Relações, que emendava esta situação, mas garantia que os norte-americanos continuavam a ter direito a arrendar a Base Naval da Baía de Guantánamo.

Em 1959, Fidel Castro ascendeu ao poder e expulsou investidores norte-americanos, para implementar um regime comunista no país. Foi nessa altura que os EUA criaram um embargo, que disseram que só iriam levantar quando Cuba se tornasse num país democrático. As relações foram tensas durante a guerra fria e tiveram o auge com a crise dos mísseis cubanos e com a invasão da baía dos porcos. Em 2006, Fidel Castro demitiu-se e o seu irmão, Raúl Castro, subiu ao poder.

Obama restaurou as relações diplomáticas entre os países vizinhos em 2014, mas o primeiro sinal já tinha sido dado em dezembro de 2013, no funeral de Nelson Mandela, quando Barack Obama e Raúl Castro apertaram as mãos. Em julho do ano passado, Cuba reabriu a sua embaixada em Washington e, no mês seguinte, a bandeira americana foi hasteada na embaixada dos EUA em Havana.

Com esta visita, os líderes dos dois países pretendem cimentar a aproximação que já tem vindo a acontecer desde 2014. A ocasião deverá ser aproveitada para analisar os progressos feitos e para tentar encontrar um consenso em áreas em que há discórdia, como os direitos humanos. Em declarações ao The Guardian, Ben Rhodes, conselheiro de segurança de Obama, diz que esta viagem deverá servir para “tornar o processo de normalização permanente e irreversível”. Isto é particularmente importante tendo em conta que, a partir de novembro deste ano, os Estados Unidos terão um novo presidente.

Obama acredita que Donald Trump não vai chegar a Presidente

Barack Obama

“Continuo a pensar que Donald Trump não será Presidente e a razão é que tenho muita fé nos norte-americanos”, assegurou Barack Obama, na conferência de imprensa realizada após um encontro com os representantes da Associação das Nações do Sudeste Asiático, na Califórnia.

Barack Obama afirmou que estar à frente do Governo dos Estados Unidos é um “trabalho sério” e não se trata de “apresentar um programa de televisão ou um ‘reality show'”, referindo-se à carreira televisiva de Donald Trump.

“Acredito que os observadores estrangeiros estão preocupados com parte da retórica que têm ouvido nestas primárias republicanas”, sublinhou o Presidente norte-americano.

Em relação à batalha no campo dos democratas, Barack Obama considerou que os aspirantes, antiga secretária de Estado Hillary Clinton e o senador Bernie Sanders, que estão a fazer um “debate são” sobre os assuntos que interessam ao eleitorado democrata.

Barack Obama recusou posicionar-se a favor de um ou de outro, mas admitiu que conhece melhor Hillary Clinton porque foi sua secretária de Estado entre 2009 e 2013, depois de o atual Presidente a ter vencido nas primárias para as eleições de 2008.

Obama pede unidade aos norte-americanos e reforça estratégia para a Síria

Barack Obama

“A ameaça do terrorismo é real, mas vamos ultrapassá-la”, afirmou o Presidente dos Estados Unidos no seu discurso ao país.

A partir da Sala Oval, Obama repetiu as primeiras conclusões da investigação ao tiroteio de San Bernardino. Afirmou que o casal autor dos disparos que mataram 14 pessoas – ele americano, ela paquistanesa – foi radicalizado pelo Estado Islâmico, mas salientou que o ataque parece não ter sido coordenado pelo grupo jihadista. “É evidente que ambos entraram pelo caminhou obscuro da radicalização”, disse Obama. “Isto foi um ato de terrorismo concebido para matar pessoas inocentes”.

A oposição republicana critica aquilo que diz ser o imobilismo do Presidente norte-americano no combate aos extremistas, tanto em território nacional como no exterior. Em todo o caso, mesmo reconhecendo o atentado mais grave em solo americano desde o 11 de Setembro, Obama não apontou novos caminhos para a sua Administração e não foi mais longe do que prometer reforçar os bombardeamentos contra os jihadistas.

“O nosso sucesso não depende de conversas valentes, ou abandonando os nossos valores, ou cedendo ao medo”, disse. “Em vez disso, prevaleceremos ao sermos fortes e espertos, resilientes e sem hesitações”, acrescentou, reforçando o compromisso de armar grupos de oposição na Síria e apoiá-los com pequenas equipas das forças especiais, como alternativa a uma invasão como a do Iraque ou Afeganistão.

“Não devemos entrar uma vez mais numa guerra longa e custosa no Iraque ou Síria. Isso é o que querem grupos como o ISIL [outra sigla para Estado Islâmico].” Segundo Obama, os jihadistas sabem que uma intervenção em força de forças estrangeiras conseguiria derrotá-los facilmente no terreno. “Mas sabem também que se ocuparmos territórios estrangeiros, podem sustentar insurgências durante anos, matando milhares das nossas tropas, retirando-nos recursos e aproveitando a nossa presença para conseguirem novos recrutas”.

A abordagem externa do Presidente norte-americano à guerra na Síria e Iraque mantém-se a mesma depois dos ataques de San Bernardino. Acontece o mesmo com as suas prioridades internas. No discurso da noite de domingo, o Presidente norte-americano repetiu o apelo a leis do controlo de armas mais severas e afastou-se da retórica da ala mais conservadora do Partido Republicano, que pede vigilância às comunidades muçulmanas nos Estados Unidos. Isto apesar de ter pedido a revisão dos vistos de residência a noivas de cidadãos americanos que permitiu a entrada de Tashfeen Malik no país.

Obama apelou à integração das comunidades muçulmanas, mas sublinhou para além disso – com invulgar frontalidade – que é também sua responsabilidade combaterem o extremismo religioso. “Se quisermos ter sucesso no combate ao terrorismo, temos de acolher as comunidades muçulmanas como um dos nossos aliados mais fortes, em vez de as afastarmos pela suspeita e ódio”, começou por dizer. “Isso não quer dizer que rejeitemos o facto de que uma ideologia extremista se alastrou por algumas comunidades muçulmanas. Isto é um problema real que os muçulmanos têm de enfrentar sem desculpas”.

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