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Ordem dos Nutricionistas congratula-se com a redução da obesidade infantil mas exige mais ação

A Ordem dos Nutricionistas congratula-se com os dados anunciados hoje do COSI Portugal 2019, que revelam que a prevalência de excesso de peso em crianças entre os 6 e os 8 anos apresenta uma tendência decrescente. De 2008 até 2019 este valor baixou 8,3%, isto é de 37,9% para 29,6%. Relativamente à obesidade infantil registou-se um decréscimo de 3,3%, encontrando-se atualmente nos 12%.

Para a Bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, esta redução é marcante e revela um esforço conjunto do país na melhoria do estado nutricional das crianças. Portugal atingiu, assim, a meta da Organização Mundial da Saúde, com vista a limitar o crescimento da prevalência de excesso de peso e obesidade na população infantil.

“Estamos no bom caminho, mas é necessário dar continuidade às medidas de saúde pública que Portugal tem vindo a implementar, bem como às que prevê adotar. É precisamente nestas faixas etárias que devem ser direcionados os maiores esforços, sendo a escola o local privilegiado onde as crianças e adolescentes podem adquirir conhecimentos e competências para a adoção de comportamentos alimentares mais saudáveis”, reforça Alexandra Bento.

Recorde-se que, em fevereiro de 2018, a Ordem dos Nutricionistas apresentou uma proposta à Secretária de Estado Adjunta e da Educação, alertando para a necessidade de integrar nutricionistas nas escolas em todo o país. Estes profissionais seriam responsáveis pela garantia do controlo da qualidade e quantidade das refeições escolares, nomeadamente ao nível da oferta alimentar e da higiene e segurança alimentar, assegurando simultaneamente a adequação alimentar e nutricional da oferta e a respetiva monitorização e fiscalização. Até ao momento a Ordem dos Nutricionistas ainda não recebeu qualquer resposta sobre esta proposta.

De acordo com o COSI Portugal 2019, o sistema de vigilância nutricional das crianças em idade escolar (dos seis aos oito anos), coordenado pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, em articulação com a Direção-Geral da Saúde, a prevalência de excesso de peso e de obesidade infantil na última década tem diminuido em Portugal. Entre 2008 e 2019, a prevalência de excesso peso infantil caiu de 37,9% para 29,6% e a de obesidade nas crianças baixou de 15,3% para 12,0%.

“Autêntica ameaça”. Há que reunir esforços para travar obesidade infantil

© Global Imagens

Portugal é o coorganizador de um encontro sobre obesidade Infantil que decorre hoje, em Nova Iorque, à margem da 73.ª Assembleia Geral das Nações Unidas.

Em declarações à agência Lusa, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde afirmou que a obesidade infantil é “um problema epidémico de saúde pública em todo o mundo, inclusive também em Portugal”, onde uma em cada três crianças tem excesso de peso ou é obesa.

Para combater esta epidemia, Fernando Araújo defendeu que é preciso “congregar esforços e encontrar as medidas mais adequadas”, lembrando que “as crianças obesas tendem a ser adultos obesos no futuro”.

“O impacto em termos da diabetes, das doenças cardiovasculares e outras é extremamente impactante, portanto os governos têm que naturalmente juntar meios e forças, trocar experiências e encontrar boas soluções para combater esta autêntica ameaça que temos em termos de uma geração”, sustentou.

Fernando Araújo recordou o conjunto de medidas adotadas por Portugal para lutar contra este problema, destacando duas que considerou “emblemáticas”: a estratégia integrada de promoção de alimentação saudável e a tributação das bebidas açucaradas.

“No ano passado conseguimos, pela primeira vez, juntar os vários membros do governo, focados numa única visão, e agora temos, a partir dessa, tomado medidas que de alguma forma vão ao encontro dessa estratégia”, salientou.

Sobre a tributação das medidas açucaradas, efetuada em 2017, disse que tem tido “resultados extremamente positivos”, registando-se uma redução do hábito de ingestão destas bebidas de cerca de 7%.

Houve também uma redução do seu valor calórico em cerca de 11% e a redução do próprio açúcar em cerca de 15%, realçou, afirmando que, com esta medida, “os jovens, nos quais estes refrigerantes são uma fonte calórica muito relevante, estão a consumir menos.

Destacou ainda o “apoio e a abertura” que a indústria teve neste âmbito, reformulado os seus refrigerantes, o que fez com que a população, e principalmente os jovens, consumam menos açúcar.

O governante adiantou que está agora a ser discutido com a indústria a redução do açúcar noutros produtos, como iogurtes e cereais, para obter “uma estratégia integrada, transversal, de redução do açúcar ingerido”.

“Estamos neste momento a tentar celebrar um acordo com a indústria e com a distribuição. É expectável que no próximo mês de outubro se possa concluir esta negociação”, disse, avançando que “o acordo é para três anos, com objetivos muito claros, ano a ano, que seja monitorizado e escrutinado do ponto de vista público”.

Fernando Araújo salientou que as expectativas sobre este acordo são “muito favoráveis”, estando convicto será “um acordo inédito na Europa”, que se traduz numa congregação de “esforços com a indústria, no sentido de reduzir o impacto de dietas menos saudáveis”.

Destacou ainda a importância da atividade física neste combate: “Temos dos índices mais baixos da Europa de atividade física dos nossos jovens e nós temos de conseguir mudar isso e, portanto, este esforço comum com o Ministério da Educação, com a questão de campanhas dirigidas aos jovens de forma a torná-los ativos, porque jovens ativos tornar-se-ão no futuro adultos também ativos, serão um fator muito relevante na promoção e na redução da obesidade infantil”.

Para o governante, estas medidas também têm como objetivo reduzir as desigualdades no país. “Em geral, são os jovens de classes sociais mais baixas, com menos informação, com menos possibilidades económicas, que acabam por consumir dietas menos saudáveis e até praticar menos atividade física”.

Portanto, acrescentou, é preciso também “reduzir estas iniquidades em Portugal” e esse esforço “tem de ser feito em conjunto para termos um país mais coeso, mais justo e mais saudável”.

O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, também está hoje em Nova Iorque, para participar numa reunião, sob o tema “Juntos para erradicar a tuberculose: uma resposta global urgente para uma epidemia global”, no âmbito da Assembleia-Geral das nações Unidas.

LUSA

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