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Óculos Para Todos: uma aposta segura na prevenção

Os optometristas da Óculos para Todos  garantem que a maior parte das pessoas não sabe que vê mal. A par da má visão estão os cuidados essenciais, muitas vezes esquecidos. “Um simples rastreio pode solucionar muitos problemas. As consultas devem ser realizadas de dois em dois anos, no caso de não sentirem dificuldades antes”, começa por explicar, a optometrista.

“Como sinais de alerta, podemos considerar os mais óbvios como não conseguir ver bem ao longe ou ao perto, o cansaço e/ou dores de cabeça”, refere.

Fã da inovação, a Óculos para Todos decidiu apostar num equipamento de diagnóstico da Retinopatia diabética. Esta é uma doença que afeta os pequenos vasos da retina, região do olho responsável pela formação das imagens enviadas ao cérebro. O aparecimento da retinopatia diabética está relacionado principalmente com o tempo de duração do diabetes e com o descontrole da glicemia.

O exame é simples e indolor e consiste em tirar fotografias à retina. “Ao visualizar a retina completa consegue perceber-se se existem doenças ou sinais delas, que ainda não se manifestaram”, esclarece a optometrista. As doenças da retina, numa primeira fase, não apresentam sintomas, mas é altamente aconselhado a pessoas com diabetes, com histórico familiar e a partir dos 50 anos.

Este exame oftalmológico é abrangente e inclui a história clínica do paciente, bem como testes que avaliam a saúde da retina.

Na Óculos para Todos o exame tem um custo muito baixo (15 euros).

As fotografias tiradas à retina na Óculos para Todos são analisadas em Coimbra por oftalmologistas da universidade, que posteriormente enviam os relatórios com os resultados para a ótica.

Sobre a não obtenção de lucro com o exame, o CEO, Alexandre Lopes, diz que inovação e a diferenciação de serviços foram os motivos que o levaram a investir nesta tecnologia.

“Sabemos que existem muitas pessoas com problemas de cegueira, dando a possibilidade de ser acessível a todos”, diz.

É com este exame que a ótica, conhecida por fazer óculos mais baratos e de qualidade, dá o grande passo naquela que é a estratégia empresarial definida: inovação e prevenção.

“Queremos dar este passo em frente e ajudar as pessoas que precisam deste tipo de cuidados”, afirma Alexandre Lopes.

RASTREIOS NAS PRAIAS E NAS ESCOLAS

Durante o verão, realizaram rastreios nas praias, investindo num equipamento que em 20 minutos fornece um relatório completo da saúde ocular. Os resultados surpreendentes mostram que quase metade das pessoas que aderiram não têm consciência da saúde da sua visão. “Há muita gente a ver mal (44%) das pessoas analisadas não sabia que precisa de usar óculos”, explica o CEO.

Depois das praias vem outro desafio e que pretende analisar os olhos dos mais novos.

“Estamos a pensar em realizar parcerias com as escolas e juntas de freguesias para reproduzirmos o rastreio das praias junto dos mais novos. No terceiro trimestre vamos começar a trabalhar a prevenção. Esta será a nossa aposta”, conta Alexandre.

Para já está um acordo formalizado com a junta de freguesia de Lordelo, em Massarelos, no Porto. Mas a ideia é estender a iniciativa a todo o Grande Porto.

Há três anos no mercado, a Óculos para Todos já passou de um consultório para três na loja (um de optometria e outro de contactologia), devido à lista de espera extensa.

A ótica está instalada na Rua Sá da Bandeira, no Porto, e já tem ideia de se expandir até Lisboa, porém é uma decisão que tem vindo a ser maturada. Alexandre afirma que é uma decisão que tem vindo a ser adiada porque quando chegar a altura quer entrar a 100%.

“O investimento tem de ser o certo. Tem de ser tudo de uma vez. “Estamos no mercado há três anos e as pessoas já nos conhecem, por isso, quando entrarmos em Lisboa será de uma vez só”, conclui.

Atualmente com 11 colaboradores, a subir brevemente para 13, a Óculos para Todos tem vindo a provar que o seu conceito smart cost resulta e é digno de uma qualidade exemplar apesar do “preço fixo” ser muito baixo: a partir de 9,99€ para óculos completos monofocais e a partir de 29,99€ para óculos completos progressivos.

A SAÚDE VISUAL E O ACESSO AOS CUIDADOS PRIMÁRIOS DE SAÚDE

O Governo, no seu programa para a saúde, estabeleceu como prioridade a defesa e a promoção do SNS, tendo especial foco na reforma da rede de cuidados primários de saúde. Avizinhava-se um novo ciclo que tem como objetivos a melhoria da qualidade e da efetividade da primeira linha de resposta do SNS. As duas áreas a reforçar seriam a Saúde Oral e a Saúde Visual, áreas quase inexistentes ao nível dos cuidados primários.

Era expectável que deste Conselho de Ministros, dedicado a uma área tão fundamental como a saúde, surgissem modelos de resposta inovadores, de fácil acesso e que constituíssem acima de tudo um aproveitamento de uma capacidade já instalada, mas não usufruída pelo Estado, os Optometristas. Contudo, as medidas apresentadas por este Conselho de Ministros sugerem, uma vez mais, que os cuidados primários foram esquecidos.

Os Optometristas são peças fundamentais na implementação e desenvolvimento das reformas pretendidas para os cuidados primários. Constituímos neste momento a classe mais numerosa na área da Saúde Visual, com mais de mil profissionais em exercício, académica e profissionalmente habilitados, devidamente organizados e regidos por normas e orientações. Segundo o documento “Rede Nacional de Especialidade Hospitalar e de Referenciação de Oftalmologia” de Fevereiro de 2016, e de acordo a ACSS, exercem funções no SNS em Portugal Continental 422 Médicos Oftalmologistas, sendo que em 2014, 47,63% desses especialistas tinham idades superiores a 50 anos. Mesmo com as entradas de novos médicos na especialidade não tem havido alteração sensível ao número de especialistas a atuar no SNS ao longo dos últimos 5 anos. Torna-se deste modo claro que não existe uma solução para a reforma dos cuidados primários que envolva os Médicos Oftalmologistas, tanto pela escassez destes profissionais no SNS, como pelo facto dos mesmos estarem, por definição, inseridos nos chamados cuidados secundários.

Como recentemente noticiado, os dados constantes no Relatório Anual sobre o Acesso aos Cuidados de Saúde revelam um aumento do tempo médio de resposta e das listas de espera no SNS, sendo as consultas das especialidades de Dermatologia e Oftalmologia as que apresentam maiores dificuldades de acesso. A não diferenciação de cuidados primários e secundários ao nível da Saúde Visual, a inexistência de uma primeira linha de resposta e a centralização de todos estes cuidados numa única classe profissional são as variáveis culpabilizadas pelas extensas listas de espera e o excessivo tempo de resposta. No entanto, são também as variáveis sobre as quais existe a possibilidade de atuar e inovar. Os Optometristas têm vindo a intervir juntos das autoridades competentes e entidades governativas, apresentando-se como uma solução para os objetivos a que o atual Governo se propõe e oferecendo a capacidade já instalada e ao serviço da comunidade. A partilha nos cuidados de saúde visual envolvendo os Optometristas Portugueses não é ainda uma realidade aproveitada pelo SNS. No entanto, existem casos de sucesso, onde a multidisciplinariedade trouxe vantagens inegáveis. O Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro esteve na vanguarda do setor com a colocação de Optometristas no seu serviço de Oftalmologia, o que permitiu pôr fim a listas de espera excessivas e desenvolver novos métodos de rastreio e acompanhamento de utentes com maior celeridade, eficiência e eficácia. Portugal tem mais de mil Optometristas e realizam mais de 2 milhões de consultas anuais, fonte: Associação Profissional de Licenciados de Optometria. Os Optometristas representam um dos pilares dos cuidados primários de saúde visual em Portugal. Contudo, a adiada integração destes profissionais no Serviço Nacional de Saúde, assim como a inexistência de regulamentação da profissão de Optometrista tem impedido Portugal de retirar total benefício deste recurso nacional.

OPINIÃO DE VERA CARNEIRO – VOGAL DA DIREÇÃO DA ASSOCIAÇÃO DE PROFISSIONAIS LICENCIADOS DE OPTOMETRIA (APLO) dedicada à área da comunicação com entidades governamentais e outras autoridades da Saúde em Portugal.

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