Inicio Tags Ordem dos Engenheiros

Tag: Ordem dos Engenheiros

“A Ordem dos Engenheiros não pode continuar a ser uma espécie de INATEL dos ricos”

A Ordem vai novamente a eleições… E em 2016 a sua lista reuniu cerca de 25% dos votos. Nestes últimos três anos o que é que não aconteceu?

Estes últimos três anos na Ordem foram anos perdidos sob o nosso ponto de vista. Uma vez que a atual direção mais não fez do que gerir alguns dossiers e apostar em coisas que na nossa opinião não fazem grande sentido e continua a existir um grande distanciamento entre a direção da ordem e os engenheiros.

Como principais flagelos observamos a perda de influência da classe, o desprestígio da profissão com a ausência da empregabilidade e as más condições de trabalho. A Ordem continua apenas focada na internacionalização, fazem protocolos com países da América Latina, alegadamente para promover a mobilidade dos engenheiros mas não se vê expressão nesse sentido. Existem casos mais importantes aqui em Portugal como o caso do desemprego.

Por exemplo, se um engenheiro português estiver desempregado não pode recorrer à ordem como forma de apoio, o que indica que os propósitos estão desviados da realidade e que aspetos como estes além de contribuírem, de forma passiva, para a perda de trabalho dos engenheiros, ainda vemos que os interesses dos engenheiros não estão salvaguardados. Existem cada vez mais arquitetos a ocuparem o lugar dos engenheiros e não se nota uma mudança de rumo neste sentido. A somar a isto vê-se um comportamento reativo e não preventivo. Pouco se vê e se sabe da Ordem…

É necessário colocar especialistas das diversas áreas da engenharia a falar sobre assuntos que acontecem na sociedade onde a engenharia tem a obrigatoriedade de intervir. Tal não tem acontecido. A par disto de tudo isto, vemos a falta de democracia na ordem como algo muito preocupante, não me lembro de alguma vez ter havido um referendo na ordem para saber o que os seus membros pensam de determinada situação.

Além de mudar estes aspetos começaremos por reavaliar todos os protocolos e o que não tiver interesse será para eliminar. Assim como toda a política de realização de eventos. Tem de haver uma descentralização e começar a apostar fortemente nas delegações por todo o país, reabilitá-las, equipa-las, mantê-las abertas. Tais organizações são de extrema importância porque são o primeiro contacto com os engenheiros.

Numa nota introdutória pode ler-se que estas eleições serão as mais importantes dos últimos dez anos. Porquê?

Fui funcionário da ordem durante cinco anos, no Porto, e sempre me interessei pela potencialidade da OE. Sou um pouco sonhador e acredito que devemos privilegiar a meritocracia e, por isso, sinto-me desanimado em perceber que o ser engenheiro em Portugal tem vindo a sofrer um declínio.

A ideia de que apenas existe uma única lista vai piorando de ano para ano. É muito difícil criar alternativas. Eu próprio já dediquei bastante tempo a esta causa e, por isso, ou se muda agora ou quanto mais tempo passar mais difícil será mudar.

Tem de haver uma mudança geracional. São sempre os mesmos a ocupar-se da Ordem, chamam-lhe sistema de rotatividade interna em que a única pessoa que muda é o Bastonário e isto é inaceitável.

A OE não pode ser uma espécie de Inatel dos ricos. O trabalho da Ordem não se pode basear em festas e visitas internacionais.

De todo o programa apresentado, quais são as propostas mais urgentes?

A primeira medida a ser tomada será descentralização da Ordem. Menos festas, menos passeios e visitas internacionais. A Ordem tem que se focar na defesa da profissão e ouvir mais os seus membros. Isso implica ter posições mais firmes, assertivas e enérgicas na defesa dos engenheiros. Neste sentido vamos começar por ouvir o que os Colégios têm a dizer sobre o que está por fazer.

Queremos criar legislação, não abdicamos de tentar definir valores mínimos para a profissão e com isto refiro-me aos salários baixos que estão em vigor e aos quais os engenheiros portugueses têm muitas vezes de se submeter ou então imigrar – quando ir para fora deve ser uma opção e não a única opção-.

Em termos de atos de engenharia pretendemos definir o que é um ato de engenharia ou não. Vamos arranjar uma forma de tabelar os preços dos atos, se o mesmo acontece noutras áreas, porque não acontecer também na engenharia?

O investimento em parceiros tecnológicos e em startups de qualidade é também uma das nossas principais demandas.

Em termos de reestruturação interna queremos desmaterializar sistemas, reduzir o número de declarações e até fazer obras nos edifícios da Ordem e das delegações.

Nos próximos anos, se Portugal quiser evoluir vai precisar de Engenheiros, quer na ferrovia, ou para se reindustrializar, o nosso país vai ter que voltar a produzir, o ornamento do território também parece algo esquecido.

Neste momento achamos que temos de construir uma nova Ordem e é para isso que vamos trabalhar.

Joaquim Nogueira de Almeida

 

É de novo candidato à Vice-Presidência da Ordem dos Engenheiros, qual é a sua motivação?

É sem dúvida ter mais e melhor engenharia em Portugal. Existe uma necessidade de mudança na defesa da engenharia, no ensino e na sua promoção. São várias as lacunas que têm se ser eliminadas.

Mas a sociedade parece não sentir essa lacuna. Pode explicar melhor por exemplo a questão do ensino?

 Na realidade tudo tem de estar interligado. Se não veja, o ensino tem de resolver alguns problemas nomeadamente na interligação com as empresas, em Portugal há um grande défice nesta situação. Bem sei que depende muito do dinamismo das empresas e do mercado de trabalho, por isso o ensino deveria promover programas específicos para esta matéria. Dou como exemplo a execução de curtos estágios profissionais durante a formação académica para o desenvolvimento de projectos específicos nas empresas e sujeitos a avaliação académica. Outra questão é a discussão do próprio currículo, tem de ser revisto e actualizado, nomeadamente na questão das matérias a ensinar tendo em conta a rápida evolução técnica em que nos encontramos. Temos de encontrar outros modelos e antecipar problemas, para que o país e as famílias não invistam em profissionais não motivados ou desnecessários.

 

Mencionou também a questão da promoção da engenharia. De que forma propõe melhorar essa questão?

Hoje em dia o marketing é uma ferramenta imprescindível, não basta ser bom profissional, tem de se promover esse facto. Ainda se verifica um tímido acordar sobre este assunto, mas promover a engenharia não é somente ter uma presença mais forte e bonita nas redes digitais, é ter simultaneamente uma acção de promoção junto dos órgãos de decisão como sejam os governos, as autarquias e as empresas. É nisto que estamos a falhar. Veja o caso tão badalado sobre o direito dos engenheiros fazerem ou não arquitectura. Uma questão com um desfecho medíocre para as ambições dos engenheiros civis e incompreendida pela sociedade. Não houve a devida informação sobre esta matéria. Todo o movimento à volta desta questão tem por base uma Directiva Comunitária e o acordo de Bolonha. Afirmo claramente, que os engenheiros não souberam promover o seu saber nesta questão. Por que razão Engenheiros de outras nacionalidades podem fazer arquitectura em Portugal? Por que razão Engenheiros portugueses podem fazer arquitectura noutros países e no seu não? Não concorda que é bizarro e injusto? Ao longo dos tempos a História tem mostrado que os engenheiros sempre fizeram arquitectura pelo que deviam continuar a fazer nem que para isso houvesse necessidade de ajustar algumas cadeiras do curso.

E sobre a defesa da engenharia, o que está a falhar?

Está a falhar o essencial. A engenharia é o principal motor da inovação e do suporte básico de uma sociedade. A engenharia é que permite a internet, a inteligência artificial, os telemóveis e todos estes últimos avanços ligados à área digital. É também quem garante o correcto funcionamento das infraestruturas físicas onde vivemos e que precisamos para o nosso conforto de vida, sejam edifícios, estradas, ferrovias, portos, aeroportos, redes de eletricidade, fibra óptica, águas, esgotos, gás, etc. Sendo uma profissão essencial na sociedade por que razão está praticamente ausente nas decisões governamentais? Porque é que tem salários inferiores aos médicos e advogados, por exemplo? Porque é que tantas actividades de engenharia são efectuadas por não engenheiros? Porque é que mais de dez mil engenheiros tiveram de sair do país nos últimos 5 anos? A resposta é simplesmente porque não tem havido um trabalho correcto por parte de quem nos representa. Razão porque me candidato pela LISTA B para termos UMA NOVA ORDEM.

Inês Mota

 

Que motivos a levaram a abraçar este projeto de pertencer à Lista B?

A vontade de contribuir para uma Ordem mais próxima de todos os engenheiros. Uma Ordem dos Engenheiros sustentada numa política de equidade de oportunidades, de géneros e de melhoria de condições de trabalho e valorização profissional

Quais são as suas maiores preocupações enquanto engenheira e membro da Ordem dos Engenheiros?

A não sensibilização da sociedade do ato de engenharia, assim como a débil atuação na defesa dos interesses da profissão na sociedade civil.

O distanciamento entre a atual Ordem e os seus associados, com a não existência de um espaço online para acompanhamento, esclarecimento e partilha de experiências, de documentos, regulamentação necessárias à prática da engenharia.

A degradação continua da engenharia a nível nacional que se tem verificado quer pela saída de Portugal de mais de 10.000 engenheiros nos últimos cinco anos, quer pela contratação de profissionais de Engenharia para áreas puramente comerciais, como por exemplo, para agências imobiliárias.

A engenharia tem vindo a sofrer algumas mudanças, nomeadamente, na questão de género. Cada vez mais mulheres escolhem fazer carreira em áreas de engenharia. Em algum momento sentiu algum tipo de discriminação por ser mulher?

Existem áreas da Engenharia em que predomina o sexo feminino, como é o caso da Engenharia Química.

Não irei por isso generalizar a todas as áreas mas sim focar apenas na minha área de atuação, ou seja, na área de Engenharia Civil.

Nunca senti discriminação profissional ao longo da minha carreira. E como tal considero que a diferença de género não diferencia os profissionais. Mas falo apenas por experiência própria, acredito que colegas minhas possam tê-lo sentido, até porque já ouvi desabafos nesse sentido.

Existem bons e maus profissionais, em todos os géneros, e apelo às entidades patronais que sejam efetuadas avaliações com base somente nas competências técnicas, desempenho, ética e capacidade relacional.

 

Sindicatos e engenheiros contra recuo na equivalência pré-Bolonha

© Paulo Jorge Magalhães / Global Imagens

jornal Público dá conta, esta terça-feira, de que o Governo recuou na decisão de equiparar as licenciaturas concluídas antes da reforma de Bolonha, até 2006, a mestrados para efeitos de concursos ou de prosseguimentos de estudos.

Ao jornal, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior confirmou que, apesar de essa alteração jurídica ter sido ponderada, “a decisão foi no sentido de não introduzir alterações ao enquadramento legal atualmente vigente nesta matéria”.

Em declarações à agência Lusa, o secretário-geral da Fesap apontou que o Governo “provavelmente está mais a pensar em novas fontes de financiamento para as universidades do que propriamente no reconhecimento da licenciatura que as pessoas fizeram pré-Bolonha”.

O Governo deve ponderar o esforço que as pessoas fizeram para ter licenciatura com cinco anos, dar-lhes um reconhecimento ao nível do mestrado, e pensar mais nas pessoas do que muito provavelmente naquilo que é o aumento de receita das universidades“, defendeu José Abraão.

A medida terá impacto nos concursos da administração pública, já que, tal como explicou o líder sindical, interfere com a ponderação curricular necessária no momento do descongelamento das carreiras ou progressão.

Nesse sentido, alertou que os trabalhadores pós-Bolonha, com mestrados (cinco anos) terão uma ponderação maior do que aqueles que têm uma licenciatura pré-bolonha (cinco anos).

“Estamos a falar de muitos trabalhadores licenciados da administração pública que se licenciaram antes de Bolonha, que têm vencimentos baixíssimos, que a certa altura lhes estão a pedir mais um esforço financeiro para reconhecer a sua formação, a sua licenciatura, que sempre foi reconhecida”, alertou.

Por outro lado, a Ordem dos Engenheiros, em comunicado, “manifesta a sua mais que legitima indignação pelo facto de o Governo ter faltado ao que prometeu e, mais grave, a uma iniciativa que partiu do próprio ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, que a anunciou publicamente como uma decisão firme e que agora regista este imprevisível recuo“.

A Ordem dos Engenheiros diz mesmo que já previa este desfecho e que, por isso, chegou a pedir uma audiência, com caráter de urgência, para “ficar inteirada das verdadeiras intenções e posições do Governo”, alegando que “estão em causa a dignidade profissional e os interesses dos engenheiros e das empresas de engenharia nacionais”.

Na carta, o bastonário, Carlos Alberto Mineiro Aires, frisa que “não esperava que o Governo (…) nada tivesse feito em relação a este tão importante assunto para o país”.

Para os engenheiros, a não equivalência das licenciaturas pré-Bolonha tem levado a que, “quando estes profissionais pretendem trabalhar no estrangeiro, em determinados casos enfrentam sérias dificuldades pois não podem exibir um título académico que seja universalmente reconhecido”.

“Os engenheiros mais experientes e qualificados do país, que hoje integram os quadros e dirigem empresas que operam no estrangeiro, não conseguem demonstrar o valor das suas qualificações académicas, nem explicar porque não detêm um grau equiparado ao de mestre ou algo que possa atestar que a sua anterior formação académica de cinco ou seis anos não constitui uma desqualificação competitiva”, sublinha a Ordem dos Engenheiros.

LUSA

“Colocar o Engenheiro no centro das profissões”

Face a este cenário, a Revista Pontos de Vista quis saber mais sobre o universo da Engenharia em Portugal, que vive por esta altura um momento de «ebulição», não estivéssemos próximos das eleições para Bastonário da Ordem dos Engenheiros, a realizar no dia 21 de Abril. Que mudanças urgem? Que rumos devem ser traçados? Que desafios se colocam? Que diferenças de gestão para o futuro? Que motivações existem? A tudo isto e muito mais, respondeu Paulo Bispo Vargas, candidato a Bastonário da Ordem dos Engenheiros e que nos deu a conhecer um conjunto de medidas propostas por uma lista que se afirma como “uma lista alternativa”, revela o nosso entrevistado, assegurando que essa variação assenta no abolir da crítica fácil. “Isso é o mais simples e por isso decidimos apostar no não apontar de dedo, porque pretendemos fazer algo para mudar o que consideramos que está errado. Queremos participar de uma forma ativa e positiva nesta causa”.

O nosso entrevistado, candidata-se com a ambição de colocar “O engenheiro no centro das profissões” e explica que em Portugal ser engenheiro já foi mais prestigiante e que tal não é aceitável. “Um engenheiro hoje não tem uma participação tão ativa na sociedade como outras profissões e isso retira um pouco a credibilidade à profissão. Pretendemos reforçar a presença da engenharia nas decisões do Estado. Isto não significa que nos queiramos intrometer, simplesmente existem temas como os transportes, a construção das cidades, a energia, o urbanismo, a industrialização e outros que são assuntos que os engenheiros deveriam ter em agenda e onde deveriam ter uma ação mais ativa”.

Crescer com quem sabe

IMG_7157

Paulo Bispo Vargas destaca o combate ao desemprego, a requalificação dos engenheiros e a reconciliação com antigos membros, que, por vários motivos, abandonaram a instituição, como prioridades máximas em caso de vitória. “Há muitos engenheiros desempregados. É necessário criar mecanismos rápidos para ajudar a que se encontrem soluções”. E de que forma? “Com parcerias, quadros comunitários, participação nas decisões nacionais, entre outros. Temos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance”. Para isso, o candidato a Bastonário, pretende adaptar a OE às novas realidades da engenharia e
do país. “As organizações precisam de ser renovadas com colegas que já estiveram na área e conhecem a fundo este setor. Temos de os chamar para que contribuam com o seu saber, a sua vontade e experiência”, afirma, lembrando que esta contribuição de todos é vital para a engenharia em Portugal.

Ideias inovadoras

No programa valoriza-se a criação de um observatório, para um acompanhamento permanente dos membros, ou seja, para que possam contar experiências e identificar problemas a partir dos quais se fará o diagnóstico para apresentar soluções. “
Somos construtivos na critica e apontamos soluções” assume Paulo Bispo Vargas.

A par deste objetivo será fundada a primeira Biblioteca Portuguesa do Engenheiro, “para alunos e profissionais, em contexto de investigação ou aperfeiçoamento de competências, que acompanhem os novos paradigmas e as novidades permanentes em que a engenharia é fértil. Por isso é a ciência das ciências.”

A abertura ao mundo é essencial para todos os segmentos e a engenharia não é exceção. Assim, será criada uma plataforma de interesse entre todas as engenharias dos países de língua portuguesa: Brasil, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Timor Leste, Macau e Cabo Verde.

As razões? “Porque pretendemos passar a mensagem do valor da engenharia portuguesa, que merece reconhecimento mundial. Começaremos pela oportunidade que a língua comum nos proporciona e partiremos para geografias mais vastas” esclarece, assegurando que o objetivo é perceber “que necessidades e oportunidades existem para uma bolsa de empregabilidade e trabalho a larga escala.”

“Pensar global é um desígnio da engenharia e a Ordem dos Engenheiros de Portugal tem de se afirmar neste contexto. Esta tem de ser uma instituição aberta para o mundo.”

21 de Abril… dia da mudança

As eleições terão lugar no dia 21 de abril e Paulo Bispo Vargas, deixa uma mensagem de profunda esperança no futuro próximo. “O Engenheiro tem de voltar ao centro do desenvolvimento do país, papel do qual foi relegado com clara responsabilidade do seu setor dirigente. Apelo ao orgulho do engenheiro para o seu papel técnico, social, de competência e de apresentar visões de futuro que coloquem a profissão e o país no seu lugar histórico. Ser engenheiro tem de voltar a representar conhecimento, modernidade e forma de ser e de estar num mundo contemporâneo que precisa de nós mais ativos, mais atentos e mais assertivos.”

“O que nos move é o gosto genuíno do “SER ENGENHEIRO” e de nos reorganizarmos, em torno da Ordem, de forma sustentada, inovadora, criativa e, sobretudo, participada por todos. Propomos MAIS ENGENHARIA como forma e força de alavancar novas vontades e novas soluções. As organizações são dinâmicas e o tempo não perdoa a inatividade e o conformismo. Contam com a nossa paixão e querer, contam com a nossa dinâmica e sobretudo contam com a nossa ousadia de fazer acontecer.”

O momento eleitoral é de trabalho e estímulo á participação, à mudança, a nova visão para a Engenharia Portuguesa. Os 106 elementos da lista B e os milhares de colegas que a apoiam unem-se por uma causa e uma visão.

“A Ordem dos Engenheiros e a Engenharia em Portugal merecem uma lista alternativa com a dinâmica e vontade da Lista B. Cumprimos este ponto, lançamos o debate, impusemos dinâmicas. Se for eleito estarei na organização no máximo dois mandatos, onde tentarei deixar o meu legado porque acredito nas pessoas e na sua capacidade de atingir metas mais ambiciosas”.

As Mulheres e a Engenharia

IMG_7155E porque ninguém alcança nada sozinho, conversamos também com Paula Teles, Candidata a Vice-presidente da Ordem dos Engenheiros, que nos deu o seu parecer sobre este sufrágio e sobre o universo da engenharia em Portugal, mais concretamente sobre o universo feminino.

Na sua opinião, em que patamar está a engenharia portuguesa?

A Engenharia portuguesa vive momentos complicados e o seu raio de intervenção tem vindo a decrescer. Um olhar atento sobre o passado, por exemplo, desde o período dos Descobrimentos, passando pela fundação da engenharia militar, esta profissão sempre representou uma das bases do conhecimento principal para transformar o território e vencer os obstáculos. Facilmente verificamos a importância da engenharia ao longo da história, em particular a portuguesa, por tudo o que desenvolveu e criou por esse mundo fora.

Efetivamente, é com uma enorme tristeza que presenciamos que a sua importância, que se manteve até à contemporaneidade, tem vindo a perder-se de forma muito rápida.

O facto de ser candidata a Vice-presidente da OE tem uma responsabilidade acrescida por ser mulher?

Nunca planeei estar neste desafio. Aceitei-o porque entendi que é tempo de dedicar algum do meu tempo a esta causa. Em mais de duas décadas como profissional deste sector, com trabalho desenvolvido no serviço público autárquico, universitário e no serviço privado, enquanto empresária, esta é, efetivamente, a primeira vez que trilho algo similar, de poder ter um nível superior de intervenção na Engenharia em Portugal, no âmbito do seu coletivo.

Verifiquei que em 23 anos de engenharia nunca tive a ajuda da Ordem na minha carreira profissional.

Julgo ter conseguido reunir um conjunto de conhecimentos e competências suficientemente vastas, através do meu envolvimento em projetos de âmbito público e privado, para dar o passo na candidatura a este importante cargo, em contexto de uma lista de extraordinários profissionais. Tenho tido uma postura na minha vida de realizar projetos curtos mas intensos e sustentáveis numa dinâmica continua e crescente.

Sei que a nossa futura direção irá dar uma atenção especial ao papel das mulheres na engenharia, nomeadamente no conjunto de tarefas que a mulher ainda acumula na vida pessoal e profissional, suscitando apoios e criando parcerias com o universo empresarial para que não sejam desfavorecidas, em particular, nos momentos em que for mãe.

Já passei por esse papel. Já fui funcionária, hoje sou empresária. Entendo que tenho o dever de apoiar todas as mulheres engenheiras a desenvolverem na sua plenitude as suas duplas funções. Porque sei que conseguem e, em muitos casos, superam até as expectativas.

Ao longo do seu percurso profissional houve momentos em que as dificuldades/responsabilidades foram acrescidas por ser mulher?

Como sabem as engenharias são, de forma natural, predominantemente masculinas. Também o foram ao longo das gerações pelos motivos que conhecemos. Mas o mundo mudou. A mulher passou a integrar a vida profissional e a engenharia não pode continuar a ser exceção. Contudo, ainda hoje, na engenharia, raramente se vêm mulheres porque é difícil, para elas, chegar à liderança de projetos e neste contexto penso poder dar um contributo decisivo para alterar esta norma. Quero mudar esta atitude. Quero mostrar a todos os atores que a vantagem está no trabalho de equipa e na integração do género masculino com o feminino.

EMPRESAS