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Despesa em saúde pública diminuiu em Portugal entre 2000 e 2017

Agência Lusa/Observador

Portugal surge como um dos únicos quatro países da região europeia em que a percentagem da despesa em saúde pública se reduziu entre 2000 e 2017, segundo um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) esta quarta-feira divulgado.

No documento sobre o acesso equitativo à saúde, a OMS analisa 33 países e concluiu que, em 15, a despesa em saúde pública aumentou entre 2000 e 2017, enquanto noutros 14 se manteve dentro dos mesmos níveis.

Apenas quatro países da região europeia registaram uma redução na despesa em termos percentuais do seu produto interno bruto: Portugal, Irlanda, Hungria e Israel.

A OMS recorda que alocar maiores recursos à saúde pública pode ajudar a reduzir a falta de equidade no acesso.

Do conjunto dos 33 países analisados, a despesa em saúde pública representou entre 0,03% a 0,52% do Produto Interno Bruto (PIB). Portugal surge com menos de 0,2% do PIB investido em saúde pública em 2017.

O Conselho Nacional de Saúde em Portugal tinha divulgado em 2017 um estudo em que classificava como insignificante a verba pública aplicada em promoção da saúde e prevenção da doença no país.

A análise sobre os fluxos financeiros do Serviço Nacional de Saúde (SNS) indicava que os gastos em cuidados preventivos representam pouco mais de um por cento da despesa corrente do SNS.

Pobreza traz mais problemas de saúde

O mesmo relatório revela também que o lugar onde se nasce e se vive pode ter impacto logo nos primeiros anos de vida. A taxa de mortalidade infantil em 35 dos 53 países analisados mostra que, nas zonas mais pobres, morrem mais 41 bebés em cada mil logo no primeiro ano de vida. Em declarações à TSF, a própria autora do estudo, Christine Brown, admitiu o choque nestes resultados e não só em relação aos bebés. “Em quase 75% dos países analisados, a diferença entre a esperança de vida entre as regiões mais e menos desfavorecidas não mudou na última década e em alguns casos, a situação agravou-se”, disse.

Concluiu-se ainda que tanto em Portugal como noutros países do sul da Europa “as mulheres com rendimentos mais baixos apresentam os níveis mais elevados de uma saúde mental fraca”. ​Aliás, as mulheres com menos anos de escolaridade podem morrer até sete anos e meio mais cedo do que aquelas com maior grau de instrução. Nos homens, a diferença é ainda maior: entre três a 15,5 anos. Portugal surge como um dos países com maior esperança média de vida. Contudo, está longe de ser o país em que o nível educacional mais interfere na esperança de vida.

A OMS frisa que a redução das desigualdades em saúde é possível e visível mesmo num curto prazo, incluindo em governos de dois ou quatro anos. Redução da taxa de desemprego, aumento da proteção social e maior investimento público em saúde são algumas das políticas macroeconómicas sugeridas.

O relatório da OMS sublinha que muitos dos fatores que conduzem à falta de equidade em saúde não estão a ser corretamente conduzid

pelos países da região europeia. Por exemplo, quase 30% das situações de falta de equidade estão ligadas a condições de vida precárias, mas mais de metade os países desinvestiram em serviços comunitários nos últimos 15 anos.

O documento estabelece mesmo os cinco fatores que mais contribuem para o fosso nos indicadores de saúde. À cabeça surge a proteção social e apoio ao rendimento, contribuindo em 35% para as divergências de acesso à saúde. Em segundo lugar, com 29%, surgem as condições de vida, incluindo-se o acesso a habitação condigna, alimentação ou condições de segurança. As relações sociais e a rede familiar ou de apoio é também um fator que contribui para reduzir o fosso das desigualdades em saúde. A OMS identifica ainda o acesso ao próprio sistema de saúde, sublinhando níveis elevados de pagamentos que têm de ser feitos diretamente pelos cidadãos, que forçam muitas vezes as pessoas a escolher entre usar serviços essenciais de saúde ou outros cuidados básicos. Por fim, surgem as condições de trabalho, contribuindo com 7% dentro do conjunto dos cinco fatores que interferem nas desigualdades em saúde.

Fonte: Agência Lusa/Observador

A tecnologia é uma «ferramenta» altamente eficaz nas infeções hospitalares

O que são infeções hospitalares e qual o seu impacto na saúde dos portugueses?

Hoje utiliza-se o conceito mais abrangente de Infeções Associadas aos Cuidados de Saúde (IACS), já que este problema não se limita ao meio hospitalar. Associadas ao aumento das Resistências aos Antimicrobianos (RAM) pelos microrganismos causadores de doença, são problemas relacionados e de importância crescente à escala mundial.

As IACS aumentam a morbilidade e a mortalidade, prolongam a duração dos internamentos e agravam significativamente os custos em saúde. Acentuando a pressão geradora da RAM pelo maior uso de antibióticos, inviabilizam a qualidade dos prestados e constituem a principal ameaça à segurança dos cidadãos.

De forma a prevenir a transmissão cruzada de microrganismos, de um portador são ou doente, para outro, de forma direta ou indireta, torna-se importante recorrer às “boas práticas”. Será suficiente? Onde entra o aqui o papel da tecnologia?

O Programa de Prevenção e Controlo da Infeção e Resistência aos Antimicrobianos (PPCIRA), um programa prioritário da Direção Geral de Saúde (DGS), com uma direção nacional, assim como núcleos a nível regional e local em cada instituição de saúde, foi criado em 2013 pela fusão entre o Programa Nacional de Controlo da Infeção e o Programa Nacional de Prevenção da Resistência Antimicrobiana, surgindo como resposta à necessidade de uma abordagem integrada de ambos os problemas. O PPCIRA deu início à promoção das Precauções Básicas de Controlo de Infeção (PBCI), implementando uma estratégia multimodal que traduz regras padronizadas de boas práticas a adotar por todos os profissionais na prestação de cuidados de saúde, a fim de minimizar o risco da transmissão cruzada da contaminação.

Constituindo as IACS um problema multifatorial, a tecnologia é uma “ferramenta” altamente eficaz como parte integrante de um bundle de estratégias que assentam naturalmente nas boas práticas de controlo de infeção.

A Biodecon – BDSD pretende assegurar uma abordagem integrada do controlo da contaminação ambiental através de uma seleção de soluções inovadoras. De que soluções falamos?

Tratam-se de soluções que visam o reset da situação de contaminação ambiental, erradicando os microorganismos causadores de infeção, a par da sua contenção, com soluções para o isolamento de doentes contaminados.

A Biodecon combina a melhor relação de eficácia e rapidez na erradicação de microrganismos patogénicos com uma tecnologia automatizada, segura e perfeitamente reprodutível, que usa Vapor de Peróxido de Hidrogénio (VPH) de elevada concentração (35%), um sistema de biodescontaminação ambiental que elimina bactérias, fungos e vírus, com validação de resultados comprovados por indicadores químicos e biológicos. Com recomendação de nível máximo pelo Rapid Review Panel do Department of Health do Reino Unido, esta patente já conta com mais de 14 anos de experiência em praticamente todo o mundo e inúmeras publicações que evidenciam a superioridade da sua eficácia e reprodutibilidade comparativamente a metodologias convencionais/manuais de descontaminação ambiental habitualmente utilizadas nos hospitais.

Em Portugal, a prestação de um serviço completo de biodescontaminação pela Biodecon às instituições de saúde públicas ou privadas, com equipas especializadas no uso deste equipamento, é não só utilizada para controlo de surtos, como, cada vez mais, numa base regular e programada. Deste modo, responde-se às necessidades e prioridades das áreas a intervencionar e reduz-se a carga microbiana ao longo do tempo, numa ação não só corretiva como proativa, que contribui para a diminuição das taxas de IACS.

Relativamente à contenção da infeção, comercializamos soluções inovadoras e custo-efetivas como estruturas com pressão negativa de fácil montagem e dimensão customizada para isolamento de doentes em espaços abertos como Enfermarias, Unidades de Cuidados Intensivos, Urgência ou outros Serviços. Com base na barreira física criada e sistema de filtragem de ar HEPA, estas estruturas de isolamento de contacto promovem a redução da contaminação cruzada e maximizam a flexibilidade da instituição para acomodar doentes de risco e/ou infetados.

Em termos de noções básicas para prevenir as IACS, qual é o grau de perceção que os cidadãos comuns têm?

As PBCI destinam-se a garantir a segurança dos cidadãos, dos profissionais de saúde e de todos os que entram em contacto com os serviços de saúde, pelo que devem ser seguidas por todos. Embora com episódios de surtos recentemente mais divulgados pelos meios de comunicação social, os cidadãos comuns possuem fraca perceção não só das noções básicas para prevenir as IACS, como da própria dimensão do problema. Um estudo amplamente divulgado, realizado em 2014 pelo PPCIRA/DGS em conjunto com a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) analisou dados de 2010 a 2013 e demonstrou que o número de óbitos associados à infeção em internamento em Portugal é sete vezes superior às mortes causadas por acidentes de viação, sinistros de elevada perceção pelo cidadão comum, que provocam justificada consternação geral.

No entanto, a taxa de IACS é avaliada periodicamente através de estudos de prevalência.

Entre 2011 e 2012, Portugal participou no 1.º Inquérito Europeu de Prevalência de IACS e Uso de Antimicrobianos em hospitais de agudos coordenado pelo European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC). Este estudo apurou que 10,5% dos doentes internados em Portugal tinham adquirido infeção em internamento, o valor mais elevado da amostragem e praticamente o dobro da média europeia (6,1%). Na mesma população, em Portugal 45,3% dos doentes estavam a ser tratados com antibióticos enquanto na Europa essa percentagem era de 35,8%. Em 2016 foi realizado novo inquérito, que revelou valores tendencialmente favoráveis, sendo de 7,8% a prevalência das IACS.

A Biodecon disponibiliza serviços que pretendam desenvolver uma abordagem global do controlo de infeção. Como descreveria o risco existente em instituições dos quais a maioria das pessoas não se apercebe?

O risco efetivamente existe e é elevado pelos condicionamentos logísticos da sobrelotação das Unidades de Saúde, falta de capacidade de isolamento de doentes contaminados e restrições económicas que impedem a utilização regular de tecnologias de descontaminação ambiental mais inovadoras e eficazes. No entanto, há também excelente trabalho de controlo e prevenção desenvolvido pelos Grupos Coordenadores Locais do PPCIRA e profissionais de saúde em geral, evidenciado pelo aumento da adesão às PBCI com resultados francamente positivos e toda uma programação de atividades a realizar com objetivos bem definidos, com vista à diminuição das IACS e do consumo de antibióticos. Coordenados pelo PPCIRA, funcionam também regularmente programas de vigilância epidemiológica da incidência de IACS em rede europeia e nacional em Unidades de Cuidados Intensivos de adultos, infeção nosocomial da corrente sanguínea, infeção do local cirúrgico e infeção adquirida em Unidades de Cuidados Intensivos Neonatais. Nos últimos anos tem-se assistido em Portugal a uma tendência global de diminuição da incidência das IACS que são alvo desta monitorizaçao.

Segundo um estudo da OCDE divulgado em novembro de 2018, mais de 40 mil pessoas podem morrer em Portugal na sequência de infeções por bactérias resistentes a antibióticos até 2050, estimando-se que morram acima de 10 milhões de pessoas por ano em todo o mundo. Como é que se pode inverter esta realidade?

É necessário reduzir a emergência de resistências a antibióticos, o que pode conseguir-se reduzindo o seu consumo. Este objetivo é atingível, promovendo o uso racional destes fármacos, não os utilizando quando não são necessários e utilizando apenas   quando estritamente indicados os antibióticos de espetro mais estreito possível, apenas durante o tempo necessário. O consumo inadequado de antimicrobianos é um dos principais fatores responsáveis pelo desenvolvimento e aumento das resistências, tornando-se um efetivo desafio para a saúde pública.

A Organização Mundial da Saúde e a Comissão Europeia lançaram planos de ação junto dos cidadãos e profissionais de saúde para promover o conhecimento desta temática, havendo antibióticos alvo de vigilância através da rede nacional que colabora na rede de vigilância epidemiológica europeia de resistência aos antimicrobianos, enviando anualmente dados representativos da realidade portuguesa para o sistema European Antimicrobial Resistance Surveillance Network (EARS-Net), coordenado pelo ECDC.

Número de mortos por cólera no Zimbabué sobe para 45

© Lusa

“De um total de 6.428 casos suspeitos, foram registados 45 mortes e 96 casos confirmados”, refere o relatório, divulgado hoje.

A maioria das mortes – 43 – ocorreram na capital do país, Harare, e as restantes duas nos distritos de Makoni, leste do Zimbabué e Masvingo (centro).

Segundo a agência noticiosa France Presse, meio milhão de doses de vacinas orais são esperadas na quarta-feira no país, sendo distribuídas nos subúrbios mais afetados de Harare.

O surto foi detetado a 06 de setembro nos subúrbios de Glen View e Budiriro, de onde uma fuga nas canalizações teria contaminado a água dos poços comunitários que abastecem os vizinhos, segundo funcionários do Concelho Municipal de Harare.

Harare, tal como outras cidades do Zimbabué, conta com várias áreas sem um sistema de água corrente potável, o que obriga os residentes a usar água de poços não protegidos.

No passado dia 11, as autoridades declararam o estado de emergência, proibindo concentrações nas ruas de Harare, assim como a venda ambulante de carne e de peixe nas áreas afetadas, uma medida que alguns locais ignoram por tratar-se da sua única forma de subsistência.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) enviou para o Zimbabué, país fronteiriço com Moçambique, especialistas epidemiológicos e especialistas para organizar uma campanha de vacinação, além de mandar ‘kits’ com material de reidratação e antibióticos para tratar os doentes.

Organizações dos direitos humanos, como a Amnistia Internacional (AI), apontam o Governo do Zimbabué como único responsável por esta crise, por não melhorar as precárias condições de higiene e da rede de saneamento do país.

“A atual epidemia de cólera é uma terrível consequência da incapacidade do Zimbabué para investir e gerir tanto as infraestruturas básicas de água e saneamento, como o sistema de assistência médica”, denunciou na semana passada a diretora executiva de Amnistia Internacional no país, Jessica Pwiti.

“É espantoso que em 2018 as pessoas continuem a morrer de uma doença evitável”, lamentou Pwiti.

Este surto de cólera é o mais mortal desde o de 2008/09, quando a doença matou mais de 4.000 pessoas e infetou cerca de 100.000 no Zimbabué.

Esta é a quarta vez nos últimos 15 anos que esta nação da África Austral sofre um surto de cólera, uma doença tratável que causa vómitos e diarreia intensos, e que pode chegar a ser mortal se não for tratada a tempo.

LUSA

GAES a cuidar da sua saúde auditiva

A GAES inaugura todos os anos novos centros nacional e internacionalmente, é reconhecida como líder ibérica e tem uma forte componente de responsabilidade social demonstrada através das ações de sensibilização realizadas junto da população sobre a perda de audição. Atualmente, que análise é possível fazer sobre esta realidade? 

A GAES tem apresentado um crescimento sustentado nos últimos anos, consolidando a sua posição de liderança no mercado ibérico e procurando o mesmo a nível internacional, promovendo o reconhecimento como uma das primeiras cadeias mundiais em distribuição de aparelhos auditivos e reabilitação auditiva. Sendo este um setor onde a componente de serviço é determinante para a escolha, não se trata de vender apenas aparelhos auditivos. Este é um ponto fulcral para o sucesso e continuação no mercado, que tem sido reconhecido pelos portugueses, que nos elegeram terceiro ano consecutivo, vencedores da Escolha Sénior. A satisfação dos nossos clientes e colaboradores, assim como a melhoria contínua e a inovação, têm definido a história e continuarão a definir o futuro da GAES, sempre em estreita colaboração com o médico especialista otorrinolaringologista.

Seguindo o nosso compromisso de Responsabilidade Social, temos vindo a desenvolver ao longo dos anos, várias ações através da GAES Solidária. O exemplo mais recente, em Portugal, é a oferta de mais de 30 aparelhos auditivos a utentes da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, numa parceria com a Starkey Hearing Foundation e a banda Hollywood Vampires. O objetivo? Levar a qualidade auditiva a quem dela necessita e não tem recursos económicos para tal. As bolsas GAES Persegue os Teus Sonhos também têm esta componente, ainda que numa modalidade diferente, sendo um projeto internacional que pretende apoiar o desporto amador, promovendo o espirito de equipa, a superação e a inovação que nos caracterizam.

Quais são as causas mais frequentes associadas à perda da audição? 

A perda auditiva é causada por danos e/ou disfunções numa ou mais partes do ouvido. Pode ocorrer em qualquer idade e por diferentes razões, sendo a causa mais comum a idade, denominada presbiacusia, mas também a exposição prolongada e excessiva a ruídos fortes. 

É aconselhável fazer um exame auditivo todos os anos, principalmente em idade adulta. De forma geral, diria que as pessoas cuidam bem dos ouvidos?

A maioria das pessoas vai ao dentista ou ao oftalmologista para verificar como estão os dentes ou a visão, mas a verificação dos ouvidos e da audição fica um tanto ou quanto esquecida. Apesar da perda de audição ser a terceira afeção mais importante, a seguir à artrose e à hipertensão arterial, na Península Ibérica, mais de metade das pessoas que sofrem deste problema nunca realizou um teste auditivo. E mesmo depois de detetada perda auditiva, só quando esta condiciona realmente o dia-a-dia, é que é tomada a decisão de procurar uma solução, o que demora em média sete anos a acontecer.

Em que consiste um exame auditivo e de que forma é o mesmo realizado? 

Um exame auditivo permite avaliar a capacidade de audição em poucos minutos. Trata-se de um teste simples e indolor, que se realiza numa cabine insonorizada sem a interferência de sons ou ruídos externos. É avaliado o limiar e a capacidade de audição, através de uma audiometria tonal, e a capacidade de distinguir entre os sons de uma mesma palavra através de uma audiometria vocal.

A ciência e a tecnologia permitiram o desenvolvimento de aparelhos auditivos modernos e inteligentes, no entanto, será o custo dos aparelhos ainda sinónimo de entrave para muitas pessoas? 

Não diria que o preço, por si só, seja um entrave. Quem de facto sente a necessidade de voltar a ouvir bem, e vê a sua vida condicionada por este aspeto, toma uma decisão independentemente do preço. Até porque, já diz o velho ditado, “a saúde não tem preço”.

Como referi anteriormente, se existe um adiar no que respeita à realização de um simples exame de prevenção, também a decisão da compra é condicionada pela recusa em aceitar que se tem perda auditiva.

Nas crianças… como pode ser identificada a perda de audição? Que cuidados podem ajudar numa melhoria da qualidade de vida? 

Os problemas de audição nos jovens podem influenciar gravemente o seu sucesso escolar, pelo simples facto de não acompanharem e ouvirem corretamente as informações transmitidas na sala de aula, sendo frequentemente confundidos com défice de atenção.

É na escola que podem ser detetados problemas desta natureza, o que, por sua vez, quanto mais cedo forem diagnosticados, menor será a probabilidade de se agravarem e maior será a eficácia do seu tratamento, que passa tanto pelo uso de próteses auditivas como pela colocação de um implante auditivo nos casos mais graves.

De acordo com dados fornecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2015, 360 milhões de pessoas tinham algum tipo de perda auditiva (5% da população mundial). Quantos tipos de perda auditiva existem e de que forma podem ser travados? 

A perda pode ser leve, moderada, severa ou profunda. Sendo a perda auditiva, na maioria dos casos, um processo gradual, começa por afetar os sons de menor intensidade, o que impede de identificar as palavras que contêm tons de alta frequência ou agudos. A perda de acuidade auditiva torna-se evidente também quando se ouve música, pois há partes da melodia que desaparecem. No caso de perda profunda, os pacientes não conseguem entender a fala.

A perda auditiva pode tornar-se um grave problema, caso não seja descoberta a tempo ou tratada de forma adequada mas, em 90% dos casos, é possível encontrar uma solução.

Que conselhos pode a GAES deixar como medidas de prevenção para a saúde dos ouvidos?

A melhor forma de prevenir é proteger. Assim, deixo algumas recomendações:

Reduzir o número de aparelhos sonoros a funcionar em simultâneo, em particular os reprodutores de música, que não devem ser usados mais de uma hora por dia, e com um volume abaixo dos 60%.

Utilizar proteção auditiva quando se está exposto a ambientes ruidosos.

Agora que está a chegar o tempo frio, é necessário ter especial cuidado com os ouvidos após constipações, gripes ou infeções.

Usar protetores auditivos (tampões) e secar os ouvidos depois do banho ou da piscina, evitando que o canal auditivo se mantenha húmido muito tempo.

Não introduzir cotonetes nos ouvidos, pois estes poderão danificar a membrana, o interior ou provocar entupimento por empurrarem a cera.

É recomendável fazer um exame auditivo anualmente a partir dos 50 anos, pois é nesta idade que começa a surgir a perda auditiva por velhice (presbiacusia).

Quando for detetada perda auditiva, deve optar-se pelo uso de um ou dois aparelhos auditivos, pois permitem continuar a estimular o ouvido, ao mesmo tempo que se recupera a qualidade auditiva e, e consequentemente, a de vida.

Zika é resultado do abandono das políticas anti-mosquito nos anos 70

A epidemia do vírus zika na América Latina é o resultado do abandono das políticas anti-mosquito nos anos 70, considerou a diretora-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) esta segunda-feira.

“Acima de tudo, a propagação do Zika, o reaparecimento do dengue e a ameaça emergente do chikungunya são o resultado da política desastrosa dos anos 70 que conduziu ao abandono do controlo dos mosquitos”, declarou Margaret Chan, na abertura da Assembleia Mundial da Saúde, que reúne em Genebra esta semana cerca de três mil participantes.

 O zika, o dengue e o chikungunya são três doenças transmitidas pelo mosquito de tipo Aedes Aegypti.

A epidemia de zika, que se transmite igualmente através de relações sexuais, declarou-se na América Latina em 2015 e rapidamente alastrou na região.

A infeção em mulheres grávidas pode provocar graves malformações dos fetos, em particular microcefalia (malformação da caixa craniana) e doenças neurológicas raras nos adultos, entre as quais a síndroma de Guillain-Barré.

Como a microcefalia é acompanhada de um crescimento insuficiente do cérebro, os recém-nascidos afetados podem apresentar problemas de desenvolvimento.

Muitas crianças nascidas com microcefalia podem não apresentar qualquer sintoma à nascença, mas ao crescer, sofrerão de epilepsia, paralisia cerebral, problemas de aprendizagem e problemas de visão.

A epidemia de zika revelou “a incapacidade” de alguns países afetados “para propor o acesso universal aos serviços de planeamento familiar”, disse Margaret Chan, sublinhando que “a América Latina e as Caraíbas têm a maior percentagem de gravidezes indesejadas em todo o mundo”.

O Brasil é o país mais afetado pela epidemia, com 1,5 milhões de pessoas contaminadas e cerca de 1.300 casos de microcefalia.

No maior país católico do mundo, a epidemia reabriu o debate sobre o aborto, atualmente apenas legal em caso de violação, quando a vida da mãe estiver em perigo ou em caso de feto acéfalo (sem cérebro).

Em fevereiro, a ONU exortou os países atingidos pelo Zika a autorizarem o acesso das mulheres à contraceção e ao aborto.

Na América Latina, o facto de o aborto e a pílula do dia seguinte continuarem proibidos em muitos países não impediu alguns deles — El Salvador, Colômbia, Equador — de aconselharem que se evitem as gravidezes.

Em El Salvador, a interrupção da gestação é punida com até 40 anos de prisão.

“O Zika apanhou-nos de surpresa, sem vacina e sem teste de diagnóstico fiáveis e amplamente disponíveis”, admitiu a diretora-geral da OMS.

“Para proteger as mulheres em idade fértil, o que podemos fazer? Dar conselhos: Evitar as picadas de mosquitos; Adiar a gravidez; Não viajar para as regiões afetadas”, enumerou.

Na sexta-feira, a OMS anunciou que a estirpe do vírus Zika responsável pelos casos de microcefalia na América Latina, a chamada estirpe asiática, se propagou pela primeira vez a um país africano, Cabo Verde, uma evolução considerada “preocupante”.

Mais de 70% das crianças de 8 e 9 anos já consomem sal em excesso

“O consumo de sal é uma guerra que temos de continuar a travar”, declarou Pedro Graça, coordenador do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, durante a apresentação do relatório “Portugal — Alimentação Saudável em Números 2015”.

Segundo o documento, na faixa etária dos sete aos oito anos, 74% dos meninos e 70% das meninas têm um consumo de sal inadequado. Dos 13 aos 17 anos, o nível de consumo excessivo de sal aumenta para 84%, nos rapazes, e para 72%, nas raparigas.

Globalmente, os níveis de consumo de sal melhoraram em Portugal, de 2006 a 2012, mas continua a ser o país europeu com consumo salino mais elevado.

Pedro Graça lembrou que 40% da população portuguesa tem hipertensão e que o consumo de sal na alimentação é um dos fatores de risco para doenças cérebro-cardiovasculares.

“Considera-se que a redução de sal é um assunto prioritário e que o excesso de consumo de sal é um importante problema de saúde pública. É por isso necessário definir metas de redução quantificáveis e monitorizáveis ao nível do consumo”, indica o relatório hoje apresentado pela Direção-geral da Saúde.

Segundo as recomendações da Organização Mundial da Saúde, considera-se como meta a atingir a redução do consumo de sal entre 3% a 4% ao ano, na população portuguesa, durante os próximos quatro anos, procurando alcançar um consumo diário de sal de cinco gramas ‘per capita’, a atingir até 2025.

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, disse que o Governo está a debater, com a associação que representa os restaurantes, formas para reduzir o sal na confeção dos alimentos.

“Do lado dos restaurantes tivemos uma enorme abertura. Estamos a aprofundar esse compromisso. Para que a restauração possa fazer esse caminho e as pessoas se habituarem, nos restaurantes, a comer com menos sal e levar isso para sua casa, fazendo igual”, afirmou aos jornalistas Fernando Araújo, no final da apresentação do relatório da DGS.

 

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