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“O QUE NÃO PODEMOS FAZER, NEM FAREI, É PARAR”

Quando e como surgiram ambos os projetos tão distintos na vida da Ana?

O restaurante Pastanaga aparece em 2016, com a necessidade de ter ‘uma cozinha’ para o meu trabalho de Catering (para embaixadas e empresas de prestígio). E, nessa altura, essencialmente, abri o espaço simplesmente para ter um local onde podia ter mais abertura para o meu projeto de Catering. Durante esses tempos, abri ao público somente para reservas de festas, eventos, e voltava a fechar. Contudo, o tempo foi passando, as ideias e planos foram começando a surgir, e, nos finais de 2017 surge o Pastanaga, aberto ao público.

A Maxitrade é uma empresa já muito consolidada, dedicada à venda de máquinas e produtos para a indústria gráfica em Portugal e nos PALOP. Nasce em 2014, na sequência do downsizing da empresa onde o meu sócio trabalhava.

E porquê o nome Pastanaga?

Pastanaga é uma palavra de origem catalã. Vivi em Barcelona durante muitos anos e uma das palavras que eu mais adorava, era Pastanaga, que significa cenoura. Ou seja, um nome que surge de um gosto meu pessoal, mas que acima de tudo, está relacionado com uma das minhas vivências, e também, claro está, com comida. Um nome que foi pensado meramente por uma das minhas brincadeiras, mas que acima de tudo, tem um conceito muito sério e muito próprio.

O que podemos realçar, e também, conhecer de cada um destes projetos?

O restaurante Pastanaga é um reflexo de mim. É aquilo que eu gostaria de encontrar nos locais onde vou, e que não tenho. Tenho prazer e disfruto do espaço que tenho. Quem me conhece diz que é  ‘a minha cara’, retrata-me. É um espaço onde me divirto a criar pratos novos, que refletem o que aprendi nas várias viagens que fiz, e também o que me ensinaram um “sem número” de pessoas que conheci ao longo da minha vida. Neste espaço procuro novos sabores e novas interpretações dos pratos tradicionais.

A Maxitrade Trading – Uma trading especializada nos mercados de Angola e Moçambique. Procuramos ser parceiros dos nossos clientes e estabelecer relações comerciais a longo prazo.

Fornecemos produtos de qualidade que nem sempre têm o melhor preço, mas oferecemos mais garantias.

Qual é o balanço que faz de cada um, até aos dias de hoje?

Quanto ao Pastanaga, o balanço pré – Covid19, é de crescimento constante, evolução, inovação e confiança. Agora, um mês depois, é um balanço sobre mudança, e, acima de tudo, adaptação.

Na Maxitrade, conseguimos ganhar a confiança de muitos clientes. A instabilidade financeira, nomeadamente em Angola, dificulta a implementação de novas estratégias, que até podem favorecer o mercado local. A baixa de preço do crude veio gerar mais incertezas e neste momento o futuro é imprevisível. Mas como em todos os projetos, adaptamo-nos.

Como é que foi conquistando este crescimento em ambas as áreas?

Com trabalho e compreendendo os clientes. Ir ao encontro daquilo que os meus clientes precisam. Eles são o meu maior foco de interesse.

Sabemos que o Restaurante Pastanaga foi um dos vencedores do prémio (1 garfo), pelo “Concurso Lisboa à Prova” em 2018, um ano após a sua abertura. O que significou para si, esta conquista?

Este concurso foi para mim muito importante porque tinha aberto o restaurante (definitivamente) no fim de 2017, e ganhei este prémio (1 garfo) em 2018.

Foi, acima de tudo, para mim um sinal que estava no bom caminho. Fiquei muito surpreendida por ter sido escolhida, porque na altura, o Pastanaga ainda era um projeto muito recente, mas que já tinha críticas muito boas na internet. Tenho muito orgulho nisso, porque desde os primórdios, que o meu restaurante é avaliado em 5/5 desde o ambiente, ao atendimento e essencialmente, a nossa comida. Por isso, este prémio, veio trazer-me imensa confiança, porque vi o meu trabalho e o meu esforço, reconhecidos.

 

Assumiu em entrevista que foram anos de crescimento muito rápido, anos difíceis em que a sua vida profissional lhe ocupou mais tempo do que o desejado. Contudo, de que forma é que tudo isto contribuiu para o seu crescimento e aprendizagem pessoal e profissional?

Diria que passei a enfrentar as dificuldades e os obstáculos com mais ponderação, sem entrar logo em pânico, o que é fundamental para o momento em que vivemos. A pandemia Covid-19 está a colocar-nos a todos, sem dúvida, perante o maior desafio de sempre. É este o desafio, e como em todas as crises, há sempre oportunidades.

“Aposto sempre na evolução, que me vai aperfeiçoando”, admitiu. Em virtude da pandemia do Covid-19, neste tempo de quarentena, de que forma, é que reestruturou ambos os negócios? Que conceito/medidas adotaram nestes tempos?

No Pastanaga, evoluí, adaptei-me. ‘Reinventei’ o Pastanaga, por assim dizer. Sendo um espaço pequeno, tenho uma estrutura leve, facto que neste momento é uma grande vantagem. A maior parte do meu trabalho era o Catering em eventos para embaixadas e empresas. De momento, está parado.

Voltará, é um facto, mas não para já. Assim, alterámos a nossa forma de trabalhar. Virámo-nos para o Takeaway, entregas em casa. Investimos em equipamento de embalar a vácuo para este novo serviço e procuramos novos canais de distribuição. Há um mundo de oportunidades.

Também na Maxitrade, procuramos vender um maior número de produtos para clientes diferentes. Temos agora empresa com sede em Luanda, a Selo Rico-Comércio e Consultoria, Lda. Um nome que nasceu de uma ‘brincadeira’ com um dos meus apelidos (Celorico).

Sendo a Ana Borba uma mulher tão positiva e de garra, que tipo de vantagens e mais valias de continuar, encontra no meio desta situação que fez parar o mundo obrigatoriamente?

O que não podemos fazer, nem farei, é parar. Não devemos nunca parar porque depois, será muito difícil recomeçar. Mantermo-nos ocupados é uma mais valia. E eu não tenho parado um único dia. Continuamos a trabalhar. Olharei para todas as oportunidades de negócio que respondam aos desafios que se colocam aos meus clientes.

Como estão atualmente as suas parcerias que estavam em processo de conclusão?

As parcerias do restaurante Pastanaga com os novos pontos de venda, vão avançar logo que seja permitido aos estabelecimentos abrirem.

Estamos já a fazer o serviço de takeaway no restaurante Pastanaga assim como as entregas em casa, efetuadas por nós. Tudo o que confecionamos é imediatamente embalado em vácuo, assegurando as melhores condições de conservação e de higiene.

No meio de um caos mundial de saúde e também económico, o que é que se pode alcançar de bom e positivo para quem é empreendedor como a Ana?

Sair da crise com um negócio diversificado, resiliente e ágil.

Este é um momento de baixar os braços ou de “arregaçar as mangas”?

Obviamente que é tempo de arregaçar as mangas. Portugal tem a desvantagem de grande parte do crescimento que teve ser devido ao enorme fluxo turístico. A retoma deste sector vai ser demorada e lenta. Agora somos praticamente só nós, os portugueses, que cá estamos. E mais uma vez, seremos capazes de mostrar o saber de que somos feitos. A nossa garra. Sempre se disse que nos tempos mais difíceis se criam grandes oportunidades. Claro que neste momento, teremos que ter as devidas precauções, para tentar minimizar ao máximo um novo surto de Covid19, mas não podemos deixar de encontrar as oportunidades que esta nova situação gera.

Que objetivos estão traçados ou estão por traçar para este ano e o próximo?

Tanta coisa! Desde a implementação das novas estratégias de que falei, a projetos que ainda não quero revelar. Contudo, é certo que não parar é o segredo para se alcançar tudo aquilo que desejamos. E eu, nunca paro.

“SER FEMININA, É UMA ARMA”

Interior cuidado e acolhedor, onde a criatividade e o bom gosto imperam, num design com um estilo genuíno, muito próprio. Um espaço agradável e descontraído que convida a sentar e partilhar uma mesa de amigos ou mesmo colegas de trabalho.

“Sou aquilo que o meu avô me ensinou”

Recebidos com um sorriso no rosto e estimulados por uma conversa descontraída, conhecemos a Ana. E quem é a Ana Borba? É simplesmente um produto de si mesma. Sempre segura dos seus objetivos, assertiva, dinâmica, lutadora. Ensinada pelo seu avô a nunca desistir, Ana Borba admite que teve a sorte de se tornar no que hoje é através do que a linhagem lhe ensinou. “Sou aquilo que o meu avô me ensinou, sempre com os pés bem assentes na terra. Através dele aprendi a gerir um negócio, a não ter medo de errar, a aplicar tudo o que me foi ensinado, a arriscar”.

O “casamento” perfeito entre o design e a área alimentar

Formada em Design Gráfico, Ana Borba descreve-se como intensamente orientada para a obtenção de resultados e com experiência profissional em diversos setores, como a consultoria, a comunicação, o design e a restauração. Com um percurso profissional na área criativa, fez trabalhos para clientes como o Banco Totta & Açores, Barclays Bank, KPMG ou Fnac. “Adoro o meio gráfico, adoro o barulho, o cheiro, o saber como é que as coisas são produzidas. Sei o que é o processo gráfico, como este se atualizou e quão diverso é atualmente. É magnífico participar nessa mudança e conseguir acompanhá-la”.

Especificamente na área alimentar, começou por criar a empresa Giraldinha, através da qual trabalhou para clientes como a Câmara do Comércio Portugal Holanda, o Barclays Bank, a Fundação Luso-Americana, a Embaixada da Bélgica, a Rebelo de Sousa, Cunha Vaz e Associados, a Bertrand e o Lisboa Racket Center, onde explorou o restaurante “A Giralda”.

Um caminho de sucesso que Ana Borba considera “uma sorte que tem de ser agarrada. Sempre comum pouco de loucura pelo meio, mas sempre uma loucura comedida. Acima de tudo, temos de nos conhecer e saber até que ponto conseguimos ir”. Para a empreendedora é essencial conhecer todos os limites e arriscar, sim, mas responsavelmente.

“Conheço-me muito bem e nunca tive medo de arriscar. É obvio que existem áreas em que eu nunca apostaria, tenho noção dos meus limites e do que sou capaz. Mas aposto sempre na evolução, que me vai aperfeiçoando.”

Quando questionada sobre o balanço destes anos de conquistas profissionais, admite que “foram anos de crescimento muito rápido, anos difíceis em que a minha vida profissional me ocupou mais do que o desejado. Mas tudo contribuiu para o meu crescimento e aprendizagem pessoal e profissional”.

O espírito empreendedor

Com um espírito empreendedor que já vem de família, Ana Borba deixou bem claro que separa os temas profissionais e pessoais na definição da sua missão enquanto mulher e profissional. “O meu papel enquanto mulher e profissional é passar a mensagem de que é importante que as pessoas gostem daquilo que fazem e se sintam bem acima de tudo. Procurar o lado positivo de cada trabalho também é importante porque, todos têm o seu lado significante, é uma questão de realçar tudo aquilo em que podemos tirar real partido. É importante perceber que conseguimos chegar aos nossos objetivos, mas não basta querer, temos que acreditar, ir atrás das oportunidades, agarrá-las e trabalhar. Sou exemplo disso. Agarrei cada conjuntura que me apareceu para poder chegar ao lugar onde estou hoje”.

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