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AEP quer que Governo mantenha dinâmica de apoio às empresas

Falando na abertura do Fórum Empresarial Portugal 2020, promovido pela AEP, Paulo Nunes de Almeida afirmou que se com o Plano 100 “foi possível contratar mais depressa e acelerar o pagamento dos incentivos às empresas é porque as candidaturas estavam feitas e os investimentos programados”.

Contudo, disse, o Estado “não estava a responder e a atividade empresarial estava a ressentir-se”.

Para o dirigente associativo, há agora que “manter a mesma dinâmica” e “estimular e dar confiança” às empresas para que elas respondam “afirmativamente” às oportunidades que surgem nas áreas da formação, inovação, competitividade e internacionalização.

Só dessa forma, salientou, será possível “chegar ao fim do ano cumprindo o objetivo que o Governo há dias assumiu para o país, de fazer chegar 450 milhões de euros” às empresas em incentivos do Portugal 2020.

Na sua intervenção, Nunes de Almeida defendeu que o Governo tem de “olhar para as empresas, a começar pelas PME [Pequenas e Médias Empresas], como absolutamente essenciais para a modernização da economia, o crescimento e o emprego”, pelo que “não pode continuar a dar em incentivos e apoios previstos nos fundos europeus para depois retirar com impostos agravados, mais custos de contexto e ausência de reformas fundamentais para a atividade económica”.

Durante o Fórum Empresarial Portugal 2020, que ainda decorre e no qual participam cerca de duas centenas de empresários e gestores, serão apresentados dois investimentos empresariais recentes concretizados com o apoio do Portugal 2020: a Sonafi, uma empresa especializada em fundição de peças técnicas em alumínio; e a ElasticTek, que se dedica à produção de elásticos para dispositivos de higiene pessoal.

PME Excelência são menos mas faturam mais mil milhões

São menos 336 empresas face ao ano anterior, o que se deverá a critérios de seleção mais apertados neste selo de qualidade de PME, apurou o  Diário  Económico.

Apesar de serem menos empresas, todos os critérios financeiros das PME Excelência deste ano aumentaram consideravelmente. O volume de negócios das PME Excelência passou de 6,9 para 7,8 mil milhões de euros e os resultados líquidos de 471 para 674,4 milhões de euros. O EBITDA também cresceu de 867 milhões, para 1,1 mil milhões de euros. Destaque para o facto do ativo destas empresas ter aumentado 11,7% (de 5,6 para 6,2 mil milhões de euros) e de se registar um nível de exportações superior entre 2013 e 2014. De facto, se em 2013 as PME Excelência vendiam ao exterior cerca de 1,7 mil milhões de euros, em 2014 a lista (mais curta) das selecionadas passou a exportar mais de dois mil milhões de euros. Também o nível de capitais próprios das PME Excelência subiu, passando de 2,9 para 3,5 mil milhões de euros. Os níveis de autonomia financeira passaram de 52,8% para 56,4%.

As PME Excelência, que em 2015 empregavam mais de 57 mil pessoas, são escolhidas entre as PME Líder, e têm de se destacar em diversos critérios para poderem ser selecionadas pelo IAPMEI e pelo Turismo de Portugal, havendo um ‘ranking’ geral e um ‘ranking’ para o sector do turismo.

Todas as empresas têm de estar classificadas entre os três primeiros níveis de ‘rating’ (1, 2 ou 3) do Sistema de Garantia Mútua, baseado nas contas de 2014 e ter uma autonomia financeira (capitais próprios/ativo total líquido) maior ou igual a 35%.
A apresentação pode ser acompanhada no site www.pmeexcelencia.com. Depois de um debate sobre o crescimento e competitividade empresarial e os desafios de futuro na gestão da excelência, a cerimónia será encerrada pelo ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral.

BCP recebe 500 milhões do BEI para financiar PME

O contrato de financiamento relativo à primeira parcela de 250 milhões de euros foi ontem assinado em Lisboa por Román Escolano, vice-presidente do BEI e por Miguel Bragança, CFO do Millennium bcp.

“Para além das pequenas e médias empresas (PME), serão também elegíveis para financiamento as chamadas mid-caps (empresas com um máximo de 3 000 trabalhadores) e outras entidades dos sectores público e privado que pretendam realizar projetos de pequena e média dimensão em Portugal”, referiu.

Adiantou que cada projeto de uma PME pode receber até 12,5 milhões de euros de financiamento do BEI, sendo que este financiamento pode atingir 50% noutro tipo de projetos. O Millennium bcp compromete-se a acompanhar o empréstimo do BEI com, pelo menos, o mesmo montante, “dando um novo incremento ao seu volume de empréstimos de médio e longo prazo a empresas”, realçou.

Com este empréstimo, o BEI concede financiamento a este tipo de empresas em condições favoráveis de prazo e taxa de juro.

Segundo o comunicado deste organismo europeu, o financiamento das pequenas empresas é uma das prioridades de investimento do BEI. “Em 2014, o Grupo BEI concedeu um montante recorde de 25 500 milhões de euros às pequenas empresas, beneficiando mais de 290 000 empresas em toda a Europa. Em Portugal, no mesmo ano, o BEI assinou acordos de empréstimo num total de 1 319 milhões de euros, incluindo 875 milhões de euros para as PME e as mid-caps”, explicou.

Como pode o Portugal 2020 catapultar as empresas de uma economia periférica?

João Machado

Foi no final de março deste ano que, finalmente, o Portugal 2020 abriu a sua porta às empresas através de um manancial de instrumentos de apoio financeiro designados de ‘Sistemas de Incentivo’. Desde esse momento, nenhum stakeholder da economia portuguesa ficou indiferente a este programa, desde empresas-estrela do setor das Tecnologias de Comunicação sediadas em Lisboa, às fábricas de bens de consumo sediadas nas regiões beirãs, passando pelo entrepreneur-to-be que há muito que estuda o mercado e a melhor forma de iniciar o seu pequeno projeto.

O Portugal 2020 é, nada mais, nada menos que o programa que enquadrará a aplicação dos fundos comunitários em Portugal para o período de 2014-2020. Durante este período Portugal vai receber cerca de 25 mil milhões de euros que serão canalizados para a economia nacional sob a forma de estímulo ao crescimento e à criação de emprego. Com uma regulamentação que, no seu essencial, é semelhante à que vigorava no antigo programa 2007-2013 (que ficou conhecido com o QREN – Quadro de Referência Estratégica Nacional), foram definidos como prioritários, quatro domínios de intervenção para a implementação do programa Portugal 2020: I) Competitividade e Internacionalização; II) Inclusão Social e Emprego; III) Capital Humano; IV) Sustentabilidade e Eficiência no uso dos recursos.
Constituindo algumas novidades face ao programa do QREN, o Portugal 2020 destaca-se do seu antecessor devido ao maior número de atividades económicas envolvidas, na introdução de métodos de custeio mais simples e na introdução de processos de reembolso de despesas bastante mais facilitados. Contudo, o processo de candidatura permanece bastante semelhante.
Considerando a maior exigência técnica do Portugal 2020, este programa também faz uso de um processo concursal, no qual terão de ser submetidas as candidaturas até uma data determinada pelo mesmo. As datas em questão são apresentadas nos calendários previsionais que são publicados com bastante antecedência (mas que, até ao momento, pouco foram respeitados).
Relegando para segundo plano as polémicas com a suspensão dos Vales Simplificados na zona de Lisboa devido a um elevadíssimo número de candidaturas rececionado pelas Autoridades de Gestão dos Programas Operacionais, o Portugal 2020 reúne as condições indicadas para ser, não apenas um instrumento catalisador de uma maior proficiência técnica e humana na economia interna, mas também uma plataforma de oportunidades de apoio à internacionalização dos produtos e serviços das empresas portuguesas.
Já ninguém duvida que Portugal possui uma economia recheada de bens e serviços de qualidade elevada, com características diferenciadoras e capacidade de incorporação nos mercados internacionais. Todavia, a imutável condição de player periférico, associada a uma carga fiscal altíssima e a uma recente situação macroeconómica deveras desfavorável, tem travado o crescimento da economia e abafado, consideravelmente, o ímpeto empreendedor do povo português. A emigração em massa registada nestes últimos anos foi apenas uma das inúmeras consequências deste cenário!
O Portugal 2020 surge então como uma lufada de ar fresco junto da comunidade empresarial nacional ao permitir que as empresas vejam diversos tipos de despesas comparticipadas por Fundos Europeus Estruturais e de Investimento (FEDER, Fundo de Coesão, FSE, FEAMP e FEADER) geridos pela Comunidade Europeia, mediante a apresentação de um projeto futuro bem fundamentado e alinhado com os princípios-base de um Sistema de Incentivo entre as dezenas existentes. Para este programa, salvo algumas exceções, mantém-se o princípio de que o pagamento dos custos previstos na candidatura, por parte destas instituições à empresa candidata, apenas terá efeito mediante a justificação dos mesmos através de faturas pagas ou outros documentos contabilísticos de valor probatório equivalente.
Os agentes económicos nacionais ficam, desta forma, com acesso a uma ferramenta financeira que lhes permite promover a sua competitividade, através do aumento das próprias capacidades técnicas, humanas e operacionais, contribuindo diretamente para o aumento e aperfeiçoamento da capacidade de produção. Por outro lado, as portas da internacionalização também ficam entreabertas com a disponibilização de diversos Sistemas de Incentivo que permitem a comparticipação das elevadas despesas inerentes a uma campanha de internacionalização de uma marca ou empresa e que no passado tantas vezes inviabilizaram esse ‘sonho’ aos empresários portugueses. Na atualidade, com todos estes processos significativamente mais ágeis e as comparticipações a fundo perdido para a internacionalização a ascenderam aos 45%, as empresas portuguesas encontram no programa Portugal 2020, a oportunidade perfeita para iniciarem a exportação dos seus bens ou serviços e aumentarem os seus volumes de negócios para níveis impensáveis para a realidade interna.
Em clima de retoma económica previsional, o programa Portugal 2020 propõe-se assim a contribuir significativamente para a estabilização do tecido empresarial nacional, apoiando-o financeiramente na sua internacionalização e contribuindo para que o mesmo possa almejar níveis de receitas muito superiores. No que diz respeito às consequências tanto no curto, como no médio-longo prazo, as mesmas são imensas e diversificadas. Não obstante, destacamos a consequência principal das economias em crescimento sustentado: a necessidade imensa de indivíduos para trabalhar!

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