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O caso dos filtros: poluição rodoviária sem controlo

Quando rebentou o “escândalo Volkswagen”, em 2015, denunciando que a maior construtora de automóveis manipulara durante anos o software que controlava as emissões poluentes dos seus veículos, em Portugal surgiram as primeiras denúncias sobre outra fonte de poluição rodoviária: para reduzir custos de manutenção e consumo, automobilistas recorriam a oficinas para remover os filtros de partículas dos seus automóveis, obrigatórios em todos os carros a diesel a partir de 2009 e responsáveis pela retenção de até 80% das emissões do escape. Um ano depois a prática está sem controlo. Na internet proliferam os anúncios de oferta do serviço, com a garantia de que os veículos passam na inspeção sem problemas. E passam.

A Associação Nacional dos Centros de Inspeção Automóvel (ANCIA) admite ao Expresso que “não existe forma eficaz, sem recorrer a desmontagem, de verificar a existência ou eficácia de um filtro de partículas”. A tecnologia de que dispõem (opacímetro) só permite detetar a opacidade dos gases de escape, e se estes cumprirem os parâmetros limite, mesmo sem o filtro, passam sem problemas. A ANCIA diz que aguarda pela “regulamentação da diretiva europeia, que estabelece limites de opacidade mais exigentes e muito mais difíceis de cumprir por um veículo construído com filtro de partículas estando o mesmo em falta ou danificado”.

Também a PSP assume que “não realiza ações de controlo de emissões de partículas”. E a olho nu nada se vê. Os filtros — ou FAP — fazem parte das características físicas do veículo, tal como a cor da chapa, mas a sua remoção não é facilmente detetável. O negócio, por outro lado, faz-se às claras. Basta colocar no Google as palavras “filtros de partículas” ou “FAPoff” e surge uma vasta lista de oficinas prontas a eliminar o “problema”. O serviço é procurado sobretudo por automobilistas que circulam no para-arranca das cidades. A impossibilidade de aquecerem o motor a pelo menos 70 km/h ou circular 15 minutos seguidos sem paragens é garantia de rápido entupimento do filtro, aumento do consumo de gasóleo, subida do nível do óleo e luzes de avaria acesas no tablier.

As oficinas afirmam que o FAPoff permite poupar uma média de 500 euros a cada dois anos (a remoção custa entre 300 a 600 euros). E garantem que “enquanto se mantiverem os limites, as regras e as metodologias em vigor nos processos de inspeção periódica, os veículos intervencionados mantêm-se em condições de aprovação”, garantindo que “100% dos clientes” passam.

Contactado pelo Expresso, o Instituto da Mobilidade e dos Transportes afirma “não ter conhecimento desse tipo de prática”, nem dispor de dados sobre o assunto. Questionado sobre o facto de os centros de inspeção admitirem não terem forma de controlar a eliminação de filtro de partículas, mantém que esta remoção “é suscetível de ser detetada através da utilização de opacímetro”.
Esta posição é criticada por especialistas do sector. “As autoridades competentes fecham os olhos e as pessoas não têm a mínima noção da gravidade do assunto”, critica Pedro Antunes, da Iberequipe, empresa que trabalha na área de diagnóstico automóvel e controlo ambiental. “Estão a controlar carros de 2012 com tecnologia e valores obsoletos apta para veículos de 1997”, acrescenta. E lembra que o Comité Internacional para a Inspeção dos Veículos a Motor recomenda novos tetos de emissões de partículas e outros poluentes como o óxido de azoto.

UMA QUESTÃO DE CONSCIÊNCIA

A consciência de que as emissões de partículas (PM10 e PM2.5) são nocivas para a saúde, potenciando doenças respiratórias, cardiovasculares e cancerígenas, levou à criação de normas europeias que obrigaram os fabricantes a dotar os veículos a diesel de filtros que retenham as emissões poluentes a partir de 2009, tendo alguns começado a adaptar-se a essa exigência três anos antes.

“Quando o proprietário de um carro recente retira o filtro de partículas para poupar dinheiro na manutenção e no consumo está a contrariar a evolução tecnológica, que permite reduzir emissões e problemas de saúde”, sublinha Francisco Ferreira, dirigente da associação ambientalista Zero. E explica que um veículo de 2015 ao qual retiram o referido filtro “passa a emitir no mínimo cinco vezes mais”.

O engenheiro do ambiente recorda que a monitorização da qualidade do ar da Avenida da Liberdade, em Lisboa, “voltou a apresentar resultados acima dos valores-limite para poluentes como as partículas inaláveis e dióxido de azoto”. Por isso, reforça a ideia de que “é necessária uma maior fiscalização nas zonas de emissões reduzidas (ZER)”, onde os veículos com matrícula anterior a 2000 (salvo exceções) estão proibidos de circular.

Pedro Antunes, da Iberequipe, não confia no controlo que é feito nestas zonas e suspeita que “grande parte da frota de táxis que circula na cidade de Lisboa anda sem filtros de partículas”. Nunes da Silva, especialista em transportes e ex-vereador da Câmara de Lisboa, não se mostra “surpreendido” com a possibilidade já que os ditos filtros “obrigam a maiores consumos e a maior manutenção”. E também revela ceticismo quanto ao controlo efetivo dos carros que circulam nas ZER. Sobre estas dúvidas, o vereador que tutela a Polícia Municipal e a mobilidade em Lisboa, Carlos Castro, não responde. Já Florêncio Almeida, presidente da associação de taxistas ANTRAL, diz que “o assunto é uma novidade” e “desconhece” tais práticas.

Procurando atenuar a ideia de que as oficinas em geral removem os filtros de partículas, Neves da Silva, secretário-geral da Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel (ANECRA), afirma que “serão casos isolados”, mas práticas “condenáveis”. E avança que “pretendem sensibilizar os profissionais do sector dizendo-lhes que é ilegal e podem ser processados”.

Texto publicado na edição do Expresso de 3 de setembro de 2016

Poeiras do Saara são esperadas no Alentejo e na região Centro

A partir desta terça-feira, as poeiras do deserto do Saara, no Norte de África, deverão chegar a Portugal Continental, depois de terem atingido os Açores e a Madeira, segundo revela um comunicado da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

Estas poeiras deverão atingir, sobretudo, as regiões do Alentejo e do Centro. A APA chama a atenção de que “têm efeitos na saúda humana, principalmente na população mais sensível, crianças e idosos”.

Tanto devido a esta situação, como aos incêndios que têm vindo a deflagrar nos últimos dias e às temperaturas elevadas, a qualidade do ar por estes dias está longe de ser a melhor, tendo sido ultrapassados os “valores limite da concentração de ozono e partículas em suspensão no continente e na ilha da Madeira”, refere a APA.

A evolução deste quadro de poluição atmosférica poderá ser acompanhada na página de Internet da Agência Portuguesa do Ambiente.

Portugal tem que reduzir emissões poluentes em 17% até 2030

As novas metas, que são obrigatórias, foram traçadas em função do Produto Interno Bruto (PIB) e variam entre os 40% (Luxemburgo e Suécia) e os 0% (Bulgária).

Os valores hoje propostos abrangem setores que não estão cobertos pelo mercado europeu de licenças de emissão de GEE, como a construção, a agricultura, a gestão dos resíduos e os transportes.

Os objetivos nacionais contribuem para uma redução global da União Europeia da ordem dos 30%.

Segundo dados oficiais, desde 2005, considerando o total de emissões, incluindo as alterações de uso do solo e florestas, a redução média de emissão de gases com efeito de estufa (GEE) em Portugal tem sido da ordem dos -5,1%, tendo-se atingido 3,6% entre 2013 e 2014.

De acordo com o Programa Nacional para as Alterações Climáticas 2020/2030, Portugal tem como objetivo alcançar valores globais de redução entre 18% e 23%, em 2020.

Portugal já reduziu as suas emissões em 27%, o que quer dizer que a meta mais ambiciosa para 2020 já foi cumprida e ultrapassada.

Qualidade do ar em Lisboa melhorou nos últimos 30 anos

A qualidade do ar na área metropolitana de Lisboa melhorou nos últimos 30 anos, mas a Avenida da Liberdade continua a ser a zona mais problemática da cidade, revelou um estudo divulgado esta segunda-feira.

Investigadores do cE3c – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais e do Museu Nacional de História Natural e da Ciência (MUHNAC), em colaboração com cientistas da Faculdade de Ciências e do Instituto Superior Técnico, da Universidade de Lisboa, chegaram a estas conclusões através da utilização de líquenes e briófitos, muito sensíveis aos poluentes existentes no ar.

Os líquenes consistem na associação entre fungos e algas, enquanto os briófitos englobam três grandes grupos de organismos, sendo os musgos os mais conhecidos.

O estudo foi publicado na revista científica Ecological Indicators e comparou dados recolhidos entre 1980-1981 e entre 2010-2011.

Segundo Cecília Sérgio, coordenadora do estudo e investigadora no cE3c, o estudo permitiu concluir que “os principais poluentes se alteraram na cidade, que são diferentes e que os mais gravosos, como o dióxido de enxofre (SO2), apresentam níveis muito menos elevados e quase não é necessário contabilizá-los, porque atingem raramente valores superiores aos regulamentados”.

“Há 30 anos eram valores altíssimos, no entanto, agora são bastante mais baixos”, afirma a cientista, atribuindo esta descida às restrições e regulamentações ambientais que “modificaram a qualidade do ar para melhor”.

Um dos locais onde esta melhoria se verificou foi na Margem Sul, que suportava “diversas indústrias no Barreiro e Seixal, com bastante peso nos níveis de poluentes que emitiam”, acrescentou.

Para Palmira Carvalho, investigadora especialista em líquenes, o estudo permite concluir também que a “qualidade do ar melhorou em Lisboa devido às regras ambientais e à preocupação ambiental que foi aumentando nestes últimos 30 anos, que Monsanto é realmente o ‘pulmão’ da cidade e é o local onde há maior diversidade florística”.

Já a Avenida da Liberdade é “um dos locais mais poluídos e que apresenta o menor número de espécies”.

A investigadora defendeu que este estudo deve ser repetido “com a mesma metodologia num futuro próximo para avaliar possíveis alterações e certificar se as novas políticas ambientais, sobretudo de tráfego, foram ou não eficazes”.

Como viajar entre Lisboa e Porto? Comboio e autocarro poluem menos que o avião

A associação ambientalista Zero aconselha os passageiros que pretendem viajar entre Lisboa e Porto a optarem pelo autocarro ou comboio, ou preencherem todos os lugares do automóvel, para ajudar no combate às alterações climáticas.

No trajeto Lisboa–Porto, “se o seu objetivo for ajudar a combater as alterações climáticas, esqueça o avião, vá muito acompanhado no carro (se não for elétrico), ou opte preferencialmente pelo autocarro ou comboio”, salienta a Zero — Associação Sistema Terrestre.

As contas das emissões de dióxido de carbono dos meios de transporte realizadas pela Zero revelam que “o avião polui cinco a nove vezes mais por passageiro do que comboio ou autocarro” na ligação entre aquelas duas cidades.

A TAP inicia no domingo uma ponte aérea entre Lisboa e Porto, com aviões de hora a hora, e a última ligação com partida às 22:25, no primeiro caso, e às 21:30, na segunda cidade.

Para a Zero, a forma mais poluente de transporte é o automóvel a gasóleo, só com um passageiro, ao emitir 50,2 quilogramas de dióxido de carbono por pessoa, numa distância de 314 quilómetros, seguindo-se o avião Boeing 737-800 da Ryanair, que faz a ligação entre o Porto e Lisboa, com 36,1 quilogramas, e depois a alternativa da TAP Express garantida por aviões a turbopropulsor e de menores dimensões.

No outro extremo, nas alternativas com menos emissões, está o automóvel elétrico, com entre 3,1 e 1,2 quilogramas de dióxido de carbono, consoante leve duas ou cinco pessoas, e o comboio intercidades, com 3,8 quilogramas, já que o AlfaPendular apresenta um pouco mais, com 5,5 quilogramas por passageiro.

A partilha do automóvel a gasóleo “será sempre favorável mas, mesmo assim, com um veículo de cinco lugares cheio, as emissões são aproximadamente o dobro das do comboio ou do autocarro”, realça a Zero.

Os dados mais recentes referem que o setor dos transportes foi o que apresentou o maior aumento de emissões entre 1990 e 2013, com quase 40%, ao contrário dos processos industriais ou da produção de eletricidade, que reduziram este tipo de poluição.

China admite: Muitos governos locais “ignoram o meio ambiente”

“Por vezes, não existe ninguém responsável [pela conservação ambiental], os esforços são insuficientes e a aplicação da lei é débil”, reconheceu Chen, numa conferência de imprensa à margem da sessão anual da Assembleia Nacional Popular, o órgão legislativo chinês.

Após graves vagas de poluição terem atingido várias cidades chinesas no final de 2015, o ministro apontou que o país se encontra na segunda fase do seu plano para controlar as emissões tóxicas.

“Continuaremos a realizar esforços, mas os resultados dependerão de elementos naturais, como a humidade, a chuva e o vento. Na terceira fase, os resultados serão mais visíveis”, salientou Chen, exemplificando como medidas recentes a redução da queima de carvão – principal fonte de energia do país – ou as limitações ao tráfego automóvel.

O governante assegurou ainda que, nas 74 cidades onde é publicado o índice de qualidade do ar, a concentração das partículas mais nocivas caiu 40%, lembrando que, desde finais dos anos 1990, o país começou a adotar políticas amigas do ambiente, cujo resultado se observou na redução da prevalência de chuva ácida.

“Desde os anos 1990, o solo afetado por acidez caiu de 30% para 8,8%”, assegurou Chen, que mencionou um “maior controlo” da concentração na atmosfera dos dióxidos de nitrogénio e de enxofre, principais responsáveis pela formação de chuva ácida.

O 13.º plano quinquenal da China, que norteará a política económica do país entre 2016 e 2020, estabelece uma redução de 18% da prevalência do carvão como fonte de energia – atualmente são cerca de dois terços – face a 2015.

O documento aponta ainda para o aumento do uso de combustíveis não-fósseis de 12% para 15%.

Segunda maior economia mundial, a seguir aos Estados Unidos da América, a China é o maior emissor de gases poluentes do planeta.

 

Cidades italianas limitam circulação automóvel devido à poluição

Em Milão e Pavia (norte de Itália), as autoridades decidiram proibir a circulação automóvel até quarta-feira, entre as 10:00 e as 16:00.

Já em Roma, e pela terceira vez desde o início do mês de dezembro, a circulação automóvel está proibida em dois horários (entre as 07:30 e as 12:30 e entre 16:30 e as 20:30) e dependente das matrículas dos veículos: os carros com matrícula ímpar não podem circular hoje, enquanto os carros com matrícula par estão sujeitos aos condicionamentos na terça-feira.

Esta medida também está a ser aplicada em Bergamo (norte).

Em Nápoles, no sul de Itália, apenas os veículos que respeitem as normas de emissões europeias Euro IV e níveis superiores podem circular esta semana na cidade.

A maioria das cidades italianas decidiu criar um bilhete diário, no valor de 1,50 euros, para incentivar o uso da rede pública de transportes.

Mas, o impacto destas medidas poderá ser limitado, uma vez que muitas pessoas aproveitam esta altura do ano para gozar alguns dias de férias.

“Esta manhã, as ruas estão desertas, mas não é por causa da proibição de circulação. Serei o único a trabalhar nesta segunda-feira”, questionou um habitante de Milão, na rede social Twitter.

A ausência de chuva ou de vento durante várias semanas provocou uma acumulação anormal de partículas finas no ar em várias regiões italianas. Em algumas zonas foi ultrapassado o nível de alerta recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), 50 mg / m3.

Na cidade de Milão, o nível de acumulação de partículas chegou a atingir em meados de dezembro os 102 mg/m3. Hoje, a cidade registou o 32.º dia consecutivo sob estes limites de poluição e o 97.º dia em termos anuais.

A proibição de circulação “é uma resposta a uma emergência excecional”, explicou o presidente da câmara de Milão, Giuliano Pisapia (esquerda), em declarações ao jornal La Repubblica.

“A medida de condicionamento, entre as 10:00 e as 16:00, não bloqueia a cidade, mas é um forte elemento dissuasor”, reforçou o autarca.

Perante a atual situação, o ministro do Ambiente italiano, Gian Luca Galletti, anunciou a realização na quarta-feira de uma reunião com os responsáveis de várias cidades italianas para tentar coordenar medidas contra a poluição.

Segundo o último relatório da Agência Europeia do Ambiente, divulgado no outono, as partículas finas provocaram 59.500 mortes prematuras em 2012 em Itália, um número recorde na Europa.

Contaminação do ar provocou 432 mil mortes prematuras na UE em 2013

A contaminação atmosférica, o principal risco de saúde do Meio Ambiente na Europa, reduz a esperança de vida e contribui para o surgimento de doenças cardíacas, respiratórias e cancerígenas.

Segundo os dados no relatório, a AEMA estima que a exposição a outros dos principais contaminadores, como o ozono troposférico (O3) e o dióxido de nitrogénio (NO”), causou a morte prematura a, respetivamente, 17.000 e a 75.000 pessoas.

Cerca de 87% da população urbana esteve exposta a concentrações de partículas de ar livre com um tamanho inferior a 2,5 microns (PM2,5), que excedem, porém, os valores fixados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), embora esse valor seja inferior em 9% aos padrões definidos pela UE.

Seguir as recomendações da OMS implicaria reduzir em um terço as concentrações de PM2,5, o que ajudaria a melhorar a vida de 145.000 pessoas, refere-se no documento da AEMA, instituição com sede em Copenhaga.

A exposição ao ozono nas cidades continua a níveis “muito altos” – 98% da população urbana da UE supera os limites da OMS -, enquanto nas zonas rurais a percentagem desce para 86%.

No caso do dióxido de nitrogénio, que afeta diretamente o sistema respiratório, 9% da população urbana esteve exposta a concentrações superiores aos padrões da OMS e da UE.

Os contaminadores do ar têm também um impacto “especialmente danoso” na vida vegetal e nos ecossistemas que está “amplamente disseminado” pela Europa, adverte a AEMA.

“Apesar das melhorias sustentadas nas décadas mais recentes, a poluição atmosférica continua a afetar a saúde geral dos europeus, reduzindo a qualidade e a esperança de vida”, lê-se no documento da AEMA, liderada por Hans Bruyninckx.

O secretário-executivo da instituição lembrou ainda que os contaminadores têm também “um impacto económico considerável”, pois aumenta as despesas médicas e reduz a produtividade na sequência de baixas laborais.

Poluição do ar causou mais de 6.000 mortes em Portugal em 2012

O relatório sobre qualidade do ar da Agência Europeia do Ambiente (EEA, sigla em inglês) hoje divulgado, refere que, em 2012, a exposição a partículas finas PM2.5, a ozono e a dióxido de azoto originaram 6.190 mortes prematuras em Portugal.

O maior número de mortes está associado às partículas finas, com 5.400, e as restantes distribuem-se pelos outros dois poluentes, refere a EEA.

No total dos 28 Estados membros da UE são 432 mil os casos de morte relacionados com PM2.5 e 92 mil nos restantes poluentes, segundo a informação.

O relatório refere-se a dados de 2013 recolhidos nos Estados membros e analisa as concentrações de partículas inaláveis (PM10) e PM2.5, ozono e dióxido de azoto, poluentes que podem causar problemas de saúde, cardíacos, respiratórios e cancro.

A entidade europeia concluiu que nas estações de medição portuguesas há uma situação de ultrapassagem do limite de concentração diária de PM10 em Lisboa, devido ao tráfego automóvel, dois casos de dióxido de azoto a mais, igualmente na capital, e em Braga.

Os valores acima do limite de ozono estavam em Almada, Faro, Lisboa, Setúbal e Vila Franca de Xira.

A EEA não aponta quaisquer casos de concentrações acima do autorizado nas PM2.5.

Alberto González Ortiz, da divisão da qualidade do ar da EEA, disse à agência Lusa que os valores apresentados “são semelhantes àqueles do ano anterior”.

“Os portugueses devem preocupar-se sempre com a qualidade do ar que respiram e devem pedir que as concentrações sejam mais baixas porque a contaminação vai provocar sempre danos na saúde”, salientou Alberto Ortiz.

Quando a análise tem em conta os valores limite da Organização Mundial de Saúde (OMS), mais exigentes, são mais os pontos do país com situações acima do indicado.

“A maior parte das estações urbanas em Portugal apresentam valores acima dos limites da OMS no PM10, com exceção para Braga e Vila Franca de Xira”, referiu o responsável da EEA.

As PM10 resultam principalmente das emissões da indústria, transporte e aquecimento doméstico e podem causar cancro, problemas cardíacos e pulmonares ou arritmias.

Na comparação com o resto da Europa, nas PM10, “Portugal está entre aqueles que têm, concentrações mais baixas, abaixo da média europeia, no lugar 11, embora tenha algumas superações”, resumiu.

No caso do ozono, atendendo aos valores OMS, há problemas nas zonas urbanas, Lisboa, Porto e Braga, associados ao tráfego, acrescentou Alberto Ortiz.

“O relatório mostra que muitas cidades continuam a estar expostas a poluentes do ar em níveis inseguros segundo a OMS”, salienta a EEA, e acrescenta que os poluentes mais problemáticos são as partículas finas, o ozono e o dióxido de azoto.

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