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“Porquê adaptares-te se nasceste para te destacares?”

A sua empresa é especializada no estudo de perfis de energia, integração de sistemas e gestão de consumos de grandes instalações elétricas. Este projeto surgiu na sua vida num momento em que sentiu a necessidade de dar o próximo passo. “Construí a minha carreira profissional de forma a conseguir obter a experiência e os conhecimentos fundamentais para fundar a minha própria empresa”, começa por nos dizer Helena Patacão.

Nessa altura, relembra, o país atravessava uma crise financeira e económica. Mesmo assim, decidiu arriscar e dar este passo. “A minha filha tinha apenas quatro anos. Sendo eu mãe solteira, este foi, sem dúvida, um grande desafio quer na minha carreira profissional quer na minha vida pessoal”, diz-nos.

Conta com 14 anos de experiência neste mercado, é líder na criação de novas estratégias de negociação focadas no mercado elétrico, e já foi distinguida com 7 prémios de liderança desde 2004. Podemos dizer que a veia empreendedora já nasceu consigo? Questionámo-la. Helena Patacão acredita que sim. Sabe desde pequena que o seu perfil a indicava como líder e lembra-se, ainda na escola primária, de começar a liderar trabalhos e grupos. “Quer o sentido de responsabilidade quer o sentido de independência chegaram muito cedo à minha vida, pois desde sempre ambicionei a liderança. Acredito que é uma capacidade inata, e que um bom líder tem de reunir determinadas características na sua personalidade. O bom carácter, o sentido de responsabilidade e de justiça, e a independência na tomada de ações e decisões são fatores determinantes no meu sucesso como líder e empreendedora”, realça.

A sua ânsia pela independência levou-a a querer começar a trabalhar cedo e ir viver sozinha. Queria ser autónoma, e aos 21 anos já tinha a cargo uma equipa de 30 pessoas. Como é que concilia, no seu dia a dia, ser mãe solteira, sem ajuda de familiares, com a sua vida de empresária? “Acima de tudo é necessária muita disciplina, rigor na gestão de tempo, espírito de sacrifício e a capacidade de saber gerir prioridades. Sou guiada pelo sucesso e não me permito falhar como mãe. Ser mãe todos os dias, mimar, dar banho, cozinhar, acompanhar os trabalhos escolares, brincar, e observar a evolução da minha filha, que é o grande amor da minha vida. Sacrifico muitas vezes o tempo que seria necessário para realizar algumas reuniões ou para terminar algum trabalho importante, mas sendo ela a minha prioridade, opto por depois de um dia cansativo, e após ela já estar a dormir, ficar até altas horas da noite a trabalhar para poder cumprir com as metas que estabeleço e as responsabilidades que assumo”.

Praticante e treinadora de Karaté, a nossa entrevistada não tem dúvidas que as artes marciais, as quais fazem parte da sua vida desde os sete anos de idade, também influenciaram na sua maneira de ser e na sua capacidade para liderar. “O espírito de luta e de competição, o espírito de equipa e os desafios associados ao Karaté e às artes marciais vão ao encontro da pessoa que sou. Capacidades desenvolvidas como a perseverança, necessária para nunca desistir, a superação dos limites físicos da dor e cansaço, bem como a capacidade de concentração, tornaram-se um modo intrínseco à minha forma de estar na vida e à minha personalidade. É desta forma que me é possível superar as dificuldades e adversidades da vida sem lamentações e vencer qualquer obstáculo”.

Mas quem é, afinal, Helena Patacão, enquanto mulher e enquanto profissional? “Em qualquer circunstância sou sempre grata e humilde, quer na aprendizagem quer no relacionamento com o próximo. Sou exigente comigo mesma e estou em constante auto análise, auto crítica e melhoria evolutiva, porque acima de tudo é um dever dar o exemplo, como mulher, mãe e profissional”, realça Helena Patacão.

Para a nossa entrevistada, um líder tem de ser uma pessoa humana, com capacidade para perceber que os negócios e as empresas são feitas de pessoas.

Mas que características julga cruciais para alcançar o sucesso? Desde sempre que Helena usa a expressão “o dinheiro é a recompensa do trabalho e o sucesso é a recompensa de um excelente trabalho”.

Partindo desse seu princípio, diz-nos que é importante definir que posição pretendemos ocupar no mercado de trabalho, se queremos ser mais um número ou queremos atingir a excelência. “No entanto, para atingir a excelência é preciso saber identificar o elemento diferenciador e aplicá-lo no meio que nos rodeia, sabendo como utilizar e aproveitar as próprias capacidades”.

E que verdadeiros desafios enfrenta uma mulher líder e empreendedora nos dias de hoje? Para a nossa entrevistada existe uma dificuldade acrescida e os desafios são muito maiores pelo facto de se ser mulher, sobretudo nesta área: uma área técnica e associada, maioritariamente, ao sexo masculino. “Já vemos algumas mulheres com alguma influência em cargos de liderança, no entanto, quando falamos de administração de empresas, esta, ainda é exercida em grande parte por homens. É gratificante ser respeitada, reconhecida e distinguida neste meio, mas precisamos de mais mulheres empreendedoras”, realça.

DE PORTUGAL PARA OS EMIRADOS ÁRABES UNIDOS

Depois de uma restruturação e adaptação da empresa, Helena Patacão irá agora apostar na sua internacionalização e integração em mercados estrangeiros, com grande foco nos Emirados Árabes Unidos, onde terá sede própria, mas sem descurar o trabalho em Portugal.

Especializada em gestão eficiente de energia de edifícios na indústria, Helena Patacão tem trabalhado, em Portugal, para grandes empresas e clientes de renome e alerta para a responsabilidade sócio-económica-ambiental: “é imperativo a construção de sustentabilidade e independência energética, como medida de responsabilidade sócio ambiental e mudança de mentalidades”.

Irá agora aplicar os seus conhecimentos e desenvolver projetos nos Emirados Árabes Unidos.

O Dubai, que será o centro de operações para trabalhar com o médio oriente, foi a escolha natural por reunir as melhores condições dentro da conjuntura atual económica mundial e pelo seu potencial de desenvolvimento e crescimento. “Identifico-me com as suas estratégias, cultura, leis e metas, e admiro as práticas de liderança da família real do Dubai. Reúnem todas as condições que necessito para ser melhor e mais criativa, e acredito que o meu perfil, conhecimentos e experiência, sejam uma mais-valia e que possa fazer a diferença numa sociedade que incentiva e apoia a mulher empreendedora”.

Dentro da evolução do próprio mercado elétrico, e uma vez que a legislação já permite a produção de energia elétrica para autoconsumo, existem cada vez mais empresas no mercado que apresentam propostas e soluções aos clientes. “Torna-se crucial analisar, apurar e estudar o perfil energético, introduzir medidas de alteração de práticas comportamentais, observando as condições técnicas e legais, para que as empresas, face à oferta tão diversificada e disparidade de preços com que se deparam, obtenham as garantias necessárias para a execução dos seus projetos”. É aqui que a Helena Patacão Investments lidera, pois além de viabilizar a negociação, defendendo os interesses do cliente e garantindo o melhor rácio-performance de qualquer medida a ser implementada, viabiliza financeiramente a operação evitando o investimento de capitais próprios por parte do cliente. “Garanto sempre que o cliente está a obter a melhor solução técnica e financeira”, diz-nos.

Para Helena Patacão, as empresas portuguesas sentem cada vez mais as dificuldades financeiras que advêm das exigências da competitividade dos mercados e das imposições fiscais. “Estas dificuldades levam à procura incessante por parte dos gestores a repensarem as suas estratégias por forma a se adaptarem a um ciclo de sobrevivência que estrangula a liquidez financeira”.

O desenvolvimento de projetos nos Emirados Árabes Unidos terá os seus desafios, uma vez que cada mercado tem as suas especificidades. No entanto, para Helena Patacão, é necessário adaptar o modelo de negócio às necessidades e realidades de cada mercado, e ganha-se quando se descobre a necessidade em falta e se preenche uma lacuna. “Aplico a minha técnica em que identifico «o que está em falta e o que está errado». É com base na resposta que proporciono a estas duas questões, que assento a base das minhas estratégias e realizo operações de negócio de sucesso”.

Assim, o maior desafio será mesmo ser bem-sucedida no Dubai, emirado que conquista inúmeros prémios de liderança mundial em diversas áreas. “Este é um desafio ambicioso e que exige alguma coragem. Numa das minhas visitas ao Dubai, uma personalidade notável mundialmente reconhecida, que se tornara meu bom amigo, disse-me, utilizando uma frase do conhecido Dr. Seuss… “Porquê adaptares-te se nasceste para te destacares?” (“Why fit in when you were born to stand out?”). “Esta é agora a minha principal diretriz, e, sem dúvida, o maior incentivo para acreditar que esta aposta tem tudo para vencer”, conclui a nossa entrevistada.

Quem é Helena Patacão

Helena Patacão estimula a versatilidade por considerar que enriquece a personalidade e fortalece o carácter.

É Treinadora de Karaté e fundou a classe KAMAE de defesa pessoal para mulheres que ensina a prática de movimentos e técnicas de reação utilizadas para preservar a integridade física e emocional da mulher.

É também adepta participante em diversos eventos de competição do desporto automóvel, onde também já conquistou alguns prémios.

Integridade: o pilar da PahlConsulting

É em abril de 2018 que surge a PahlConsulting, uma ramificação da PahlData, uma empresa que conta já com mais de 30 anos de presença em Portugal nas áreas das tecnologias e das telecomunicações.

Recentemente, a Pahldata, de origem espanhola, sofreu uma profunda reestruturação e foi adquirida por um grupo que viu uma empresa com nome no mercado, com uma base de clientes sólida e um conjunto de certificações que lhe conferem um enorme prestígio.

Direcionada para as grandes empresas e de índole tecnológica, surge a ambição de crescer em termos de valor acrescentado para os seus clientes.

É aqui que surge Cristina Ferreira, Managing Partner da PahlConsulting. Com uma carreira consolidada na área da consultadoria de gestão, e após ter deixado, no final de 2017, a liderança da área de estratégia e de operações de outra empresa, por sentir que a sua missão estava cumprida, surge a proposta a Cristina Ferreira de abraçar o desafio de criar a PahlConsulting. Este projeto surge exatamente num momento da sua vida em que sentia a necessidade de uma mudança.

A PahlConsulting nasce, assim, em abril de 2018, como um braço de consultadoria de gestão da PahlData. Com uma prestação de serviços diversificada, nas áreas de transformação digital, inovação, segurança de informação, incentivos, controlo interno, entre outros, teve um forte crescimento em apenas oito meses. “Começámos com a certeza de que sabíamos o que queríamos e o que não queríamos fazer”, começa por referir Cristina Ferreira.

O objetivo era construir um projeto que fosse para todos e, por isso mesmo, sabia o que não queria numa empresa que iria liderar, bem como queria ter a garantia de que a sua equipa e os acionistas estariam de acordo com a sua visão. “Estava à procura de criar uma empresa com uma visão a médio e longo prazo. É assim que as empresas conseguem alcançar o sucesso”, acrescenta Cristina Ferreira.

Cristina Ferreira explica, ainda, que uma empresa de serviços como a PahlConsulting – que vive das pessoas, das suas competências e know-how -, vende conhecimento, credibilidade e confiança. “Isto significa que não posso olhar apenas para o retorno do acionista. Tenho que ter uma equipa motivada, empenhada e comprometida com o projeto. Tenho de ter clientes que confiam em nós, na nossa capacidade e que é connosco que querem trabalhar”, reforça a nossa entrevistada.

Sendo a PahlConsulting uma empresa que acabou de ser criada e que ainda está a construir o seu caminho e a sua marca, Cristina Ferreira já sabe qual é o seu caminho: criar uma empresa com uma equipa motivada e qualificada, investindo em formações, certificações e com foco em áreas do futuro como a transformação digital e a segurança da informação. “Vivemos num mundo cada vez mais digital. Nunca se produziu tanta informação como agora e nunca as empresas e as pessoas estiveram tão vulneráveis relativamente a questões como a segurança de informação, proteção de dados ou ataques cibernéticos. Estas são, tendencionalmente, áreas de investimento e a PahlConsulting quer estar, claramente, na linha da frente nestas áreas”.

“AQUILO QUE NÃO SERVE PARA MIM TAMBÉM NÃO SERVE PARA OS OUTROS”

A liderança e a gestão feminina nas empresas têm vindo a crescer nos últimos anos em Portugal. No entanto, estudos demonstram que cargos de direção continuam a ser dos homens e que só nas áreas da qualidade e dos recursos humanos é que o comando feminino é mais notado. Relativamente às dificuldades/obstáculos que as mulheres ainda enfrentam durante o seu percurso profissional e tendo em atenção os diferentes estilos de liderança, Cristina Ferreira acredita que o género não faz uma liderança ser melhor ou pior, mas sim os valores e a formação. “Existem pessoas que veem a liderança como um todo e numa perspetiva de conjunto e outras que a encaram como uma projeção pessoal”, diz-nos Cristina Ferreira.

Licenciada em Economia, Cristina Ferreira teve um percurso profissional bastante enriquecedor, contactando com diferentes pessoas que lhe permitiram criar a visão sobre liderança que hoje tem. “Há um princípio que aplico no meu dia a dia: aquilo que não serve para mim também não serve para os outros. A liderança implica tomar decisões difíceis e tomar posições rígidas, mas também implica espírito de equipa e compreensão pelos problemas de cada um e aí talvez o lado maternal que as mulheres detêm, faça alguma diferença. Acima de tudo aquilo que me move do ponto de vista da liderança é a justiça e a construção de algo em equipa”, conclui a nossa entrevistada.

Já não é preciso esperar pelo verão para comer a deliciosa bolacha americana

Ela cresceu e agora é uma senhora, a Dona Bolacha! Devidamente embalada e rotulada”. Como surgiu este projeto na sua vida e que balanço pode ser feito acerca do crescimento da marca de uma das bolachas mais famosas do mundo?      

O projeto Dona Bolacha surgiu em 2015, pela mão de três primas, que tinham vontade de trazer para os dias de hoje uma recordação da sua infância – a bolacha americana.

É um produto incontornável de tradição e recordação dos verões da nossa infância. Cresceu connosco e, por isso, é hoje uma senhora, a “Dona Bolacha”.

Ao longo dos quatro anos de atividade, tem-se revelado um projeto inspirador e desafiante. Inspirador, uma vez que as novas gerações parecem ter o mesmo olhar que nós tivemos enquanto crianças para a Bolacha Americana. Desafiante, dado que procurámos inovar, criando novos sabores para a tradicional Bolacha Americana.

O projeto teve uma excelente aceitação desde o início. O carinho dos clientes pela Dona Bolacha é evidente e enche-nos de orgulho. A marca tem crescido na sua oferta e em volume de negócios.

Quais foram as suas principais preocupações na hora de criar um negócio em que o produto é tão tradicional e conhecido de todos?  

A nossa principal preocupação foi fazer a bolacha da nossa infância sem a desvirtuar. Fazer a bolacha que nos estava na memória. Mas fazê-la com o máximo de qualidade possível e adaptá-la ao conceito que pretendíamos criar. Para isso houve necessidade de rever e afinar receitas. Houve também necessidade de selar e rotular a bolacha para ser vendida em diversos pontos de venda e durante todo o ano.

Em 2016 lançaram a bolacha americana salgada. Como foi introduzir esta gama ao mercado? Foi uma espécie de “primeiro estranha-se e depois entranha-se”?

Pretendíamos fazer algo de novo e diferente. Algo que não existisse. Então surgiu a ideia de criar uma bolacha americana salgada, um produto inovador.

Tentámos dissociar a bolacha americana dos momentos de praia, com sol,  mar e calor. Tentámos associar esta nova bolacha a outros ambientes. Eventualmente a um jantar, a acompanhar um queijo, ou mesmo um copo de vinho.

Quisemos antes de mais criar algo novo, mas também chegar a outro tipo de público e a outra posição no mercado. E foi isso mesmo que aconteceu. Hoje a Dona Bolacha Salgada é um sucesso.

Estão pensados, como forma de estratégia empresarial, eventos de marketing e parcerias comerciais. Pode falar-nos um pouco sobre isto?

A Dona Bolacha tem realizado a sua atividade comercial através de vários canais de distribuição. A empresa vende a revendedores selecionados e também diretamente ao cliente final (particular e empresarial). Em simultâneo, participa também com frequência em mercados e mercaditos, feiras e eventos. Estas participações têm um propósito duplo: a promoção da marca e realização de vendas.

Desde 2015 que a Dona Bolacha está no mercado e que nos habituou a formatos e sabores diferentes da tão tradicional bolacha americana. Vem aí uma nova receita, o que podemos saber?

Desde que o projeto iniciou a Dona Bolacha lançou três Bolachas de diferentes tamanhos e seis sabores. Atualmente estão em comercialização duas gamas de bolacha. Uma gama doce, com os sabores original, canela, cacau e alfarroba. E uma gama salgada, com sabor de queijo de cabra e de água e sal.

Quanto a novidades, podemos desde já adiantar que o dia dos namorados vai servir para apresentar a bolacha especial em forma de coração.

Qual é o maior segredo da Dona Bolacha?

O segredo para o sucesso da Dona Bolacha, reside na verdade num conjunto alargado de fatores. O facto de termos conseguido criar uma receita própria e diferenciada de Bolacha Americana, sem perder ou desvirtuar a bolacha da nossa infância, a da memória coletiva, revelou-se fundamental para o sucesso do projeto. A Dona Bolacha criou um novo conceito, a Bolacha Americana selada e embalada com um prazo para consumo um pouco mais alargado, o que permitiu retirar a bolacha das praias e trazê-la para o consumo do dia-a-dia. Uma novidade!

Também a dedicação e a atenção prestadas levam a que a Dona Bolacha seja muito acarinhada não só pelos nossos clientes, mas por todos.

Com tudo isto, conseguimos de alguma forma associar tradição a inovação e revitalizar a bolacha Americana, transformando-a num produto Gourmet, mas acima de tudo num produto querido e desejado pelas pessoas.

Dizer «eu não quero isto para mim» é um ato de coragem

O que faço? Como o faço? E porque o faço? Estas são algumas das questões às quais Ligia Ramos nos responde. Mas tudo se resume a uma maneira de ser e de estar: Ligia Ramos treina pessoas e equipas para serem a melhor versão delas mesmas.

A trabalhar entre Portugal e Holanda durante algum tempo, Ligia Ramos fixou-se em Amesterdão há cinco anos, o lugar onde encontrou o seu verdadeiro “eu” e onde se sente completamente realizada. Mãe de três filhos e quando chegou a altura de escolher onde é que os seus filhos iriam crescer, a decisão da família foi que seria na Holanda que queriam viver.

A In2motivation já existia na sua vida, mais precisamente há 12 anos quando o seu marido, Peter Koijen, decide fundar a empresa com a intenção de “criar momentos que deem às empresas e aos indivíduos mais liberdade e formas de criar mudanças, escolhas e motivações positivas, num mundo em mudança”.

Na In2motivation, coragem é a palavra de ordem e o foco é o desenvolvimento pessoal e profissional.

Desde 2006 que a In2motivation trabalha em contexto internacional tendo como princípios básicos a experiência, a liberdade e a simplicidade. O foco é criar experiências que promovam em cada pessoa ou equipa a oportunidade de escolher. A In2motivation tem a ambição de que as pessoas sejam autónomas e independentes, e que usem todas as ferramentas entregues e experimentadas durante as sessões de formação para aumentar a escolha individual. “Queremos que sejam elas a escolherem por onde e como querem fazer o seu caminho. Queremos criar autonomia. Este é, para nós, o ponto principal do desenvolvimento pessoal. Queremos que tomem consciência das suas próprias decisões e do que é melhor para si, sem estarem dependentes de algo ou alguém”, afirma Ligia Ramos, salientando que tudo aquilo que fazem, bem como todo o conteúdo que entregam, é sempre transformado numa ferramenta que pode ser utilizada no dia a dia de adultos, jovens ou crianças.

“UM BOM COACH SERÁ BOM EM QUALQUER SITUAÇÃO”

Até há bem pouco tempo o coaching era um conceito pouco falado em Portugal. O que é, para que serve, que transformação provoca nas pessoas, eram as questões mais colocadas. Só agora é que se tem verificado um aumento na procura de sessões individuais e/ou formações em coaching em Portugal.

Contudo, e talvez devido ao seu crescimento significativo, ainda existe alguma confusão ou desconhecimento sobre o que é, efetivamente, coaching. “Às vezes tenho a sensação que ainda se confunde muito o coach com o mentor, ou o psicólogo ou mesmo com o amigo com quem vamos desabafar. O Coaching é a facilitação de um processo, coaching é autonomia”, explica Ligia Ramos.

No entanto, na Holanda esta realidade é um pouco diferente. O coaching é algo ao qual as pessoas recorrem, não só quando têm um problema, mas, muitas vezes, quando querem criar para si próprias uma outra perspetiva, em geral.

Um bom coach não tem uma área onde esteja mais apto para auxiliar do que outras. Um bom coach pode ser eficaz em qualquer área, seja ela profissional, familiar ou pessoal. O coach está focado em reconhecer padrões e em promover alterações de padrões que possam facilitar o coachee a ir do ponto A para o ponto B, levar a pessoa de onde ela está para onde ela quer ir. “Um bom coach será bom em qualquer área na vida de um individuo ou equipa”, afirma a nossa entrevistada.

O “BICHINHO” PELAS PESSOAS

Esta forma de estar e de ser, esta vontade de ajudar os outros é algo que tomou o seu rumo naturalmente. Sendo licenciada em Filosofia e tendo exercido a carreira de docente, Ligia Ramos desde cedo que conseguia ver para além da pessoa que estava à sua frente, conseguia ver o seu potencial. “O «bichinho» pelas pessoas e a vontade de as querer conhecer e perceber já cá está há muito tempo. As áreas de psicologia e de filosofia sempre despertaram o interesse em mim e, mais tarde, quando trabalhei na área dos recursos humanos, a motivação pelos processos de desenvolvimento aumentou”, explica a nossa entrevistada.

Ligia queria saber qual era o talento de cada uma das pessoas com quem trabalhava e desenvolver o seu potencial. “Quero acreditar que posso contribuir para melhorar e auxiliar o percurso das pessoas. Isso é o que me faz feliz”, diz-nos. “Toda a gente tem um talento, muitas vezes temos que facilitar a descoberta desse talento e como ele pode ser vivido todos os dias. Existe duas perguntas essenciais e que exigem muita coragem: Estou a fazer o que quero estar a fazer? E, o que quero estar a fazer? Não deixando, claro, de também ser capaz de dizer, com a mesma firmeza e sem culpas: “isto eu não quero”, conclui Ligia Ramos.

“As dificuldades devem impelir-nos à ação”

A Associação Ser Contigo é muito recente. No entanto, já captou muito interesse por parte da comunidade, talvez pelo seu propósito…

A Ser Contigo é uma associação de intervenção socioeducativa que se propõe a desconstruir preconceitos e combater o estigma relativamente à questão da Saúde Mental. Não vai ser fácil, mas as dificuldades devem impelir-nos à ação. Não podemos tolerar que as pessoas com experiência de doença mental sejam consideradas fracas, inúteis ou incapazes. Porque não o são! É preciso mudar mentalidades!

Dora Valério é Fundadora e Vice-Presidente não executiva da Ser Contigo. Em que momento da sua vida surge este desafio?

Este desafio surge numa altura de reflexão sobre a minha identidade e o meu papel na sociedade, bem como sobre os nossos ambientes sociais que são, tantas vezes, promotores da doença mental.

Dora Valério é também Diretora Técnica do Centro Comunitário de Estoi, uma IPSS com 20 anos de existência. O que significa para si estar ao serviço de uma IPSS com duas décadas de trabalho comunitário e numa associação recém-criada?

No que toca ao Centro Comunitário de Estoi, sinto diariamente a responsabilidade de desempenhar um trabalho que faça a diferença na vida dos utentes. Trata-se de um trabalho que só se pode fazer com amor, apesar de o amor ter em cima de si um estigma quase tão grande como a doença mental. Ninguém fala de amor no trabalho, parece anti profissional. É uma conceção triste do profissionalismo! Fala-se de competitividade, competência, currículos profissionais, mas não se fala de amor. Como se, no currículo da profissão e da vida, o amor pudesse estar ausente…

No que concerne à Ser Contigo, a dimensão da minha representatividade é outra, porque tenho uma palavra a dizer na filosofia da associação. Isso faz com que sinta uma responsabilidade acrescida relativamente à maneira como tocamos nas fragilidades do ser humano. Na nossa cultura não estamos habituados a expor as nossas fragilidades. Somos incentivados a escondê-las. Há rostos que, nas redes sociais, se apresentam numa gargalhada permanente. Como se fosse possível e obrigatório estar sempre feliz. Não existem gargalhadas permanentes. E qual é o problema? Nenhum… é preciso apenas deixar cair a aparência de super-heróis e assumirmos a essência humana!

Quem é Dora Valério, líder, profissional e mulher?

Sou uma mulher determinada, a quem a vida deu alguma sabedoria para conseguir transformar problemas em oportunidades. Uma mulher com muitas ideias. Tenho a responsabilidade de ser mãe, mas não me esforço por ser a melhor mãe do mundo! Educo de forma muito persistente as minhas filhas e o meu filho para não tolerarem injustiças e para lutarem pelos seus sonhos. Sou uma líder democrática, próxima das pessoas, gosto de partilhar responsabilidades e de dar abraços.

O número de mulheres em cargos de liderança está a aumentar. No entanto, ainda não é suficiente. Para si, que obstáculos são colocados às mulheres durante o seu percurso profissional? Esta é uma realidade para si?

A questão da desigualdade de género preocupa-me, pois ainda que esta realidade injusta tenha vindo a ser alterada, existe um caminho por fazer. Um exemplo: há dias ouvi uma conversa em que um pai tentava convencer o seu filho a não se divorciar, porque “se te separares, quem é que te vai passar a roupa e fazer a comida?”. Fiquei sem saber se havia de lamentar mais o facto de o filho ser rotulado como incapaz para as lides domésticas, se o facto de as lides domésticas serem as únicas competências reconhecidas à nora!

Ao fazer uma retrospetiva, encontro situações em que senti essa discriminação, curiosamente nunca em contexto profissional. Recordo-me de na minha infância me tentarem dissuadir de jogar à bola, pois não era coisa de meninas. Na adolescência, lembro-me de só poder sair à noite se o meu irmão também saísse. Na idade adulta, lembro-me de um evento no qual estive com o meu marido e no qual ele foi apresentado de acordo com o seu grau académico e eu como a “esposa de…”. Nunca aceitei essas prisões! Talvez por isso, nas minhas histórias, as protagonistas sejam sempre mulheres!

O facto de haver cada vez mais mulheres a ocupar cargos de prestígio é um bom indicador! Não obstante, continuar a educar os mais novos para a igualdade (leia-se equidade) é essencial e, nesse aspeto, temos um grande poder, pois ainda somos nós, mulheres, as principais educadoras das nossas filhas e dos nossos filhos.

“Não é só trabalhar, é acreditar no que fazemos”

A Cooltra é uma empresa especializada no aluguer de motas e mobilidade sustentável. Fale-nos um pouco sobre a empresa.

A Cooltra é uma empresa nascida em Barcelona no ano de 2006 com o objetivo de fornecer soluções de mobilidade para empresas, indivíduos e instituições públicas.

Há uns anos atrás, a Cooltra lançou duas novas empresas dentro do grupo: a eCooltra, empresa de scooters elétricas para utilização por minutos, que atualmente podemos encontrar em Lisboa, e a Ecoscooting, empresa de entregas sustentáveis ao domicilio.

Com mais de 15 mil scooters e 700 trabalhadores, a empresa está atualmente presente em seis países (Portugal, Espanha, França, Áustria, Itália e Brasil) e é considerada a líder europeia no seu segmento.

Em Portugal, concretamente, que posição a Cooltra assume atualmente no mercado?

A Cooltra instalou-se em Portugal no ano 2016, com o negócio de aluguer de scooters para turismo na cidade de Lisboa.

Pouco tempo depois, começamos a desenvolver o ramo de negócios B2B, fornecendo frotas de veículos para empresas.

Atualmente, a Cooltra fornece scooters elétricas a empresas como a Domino’s Pizza, em cinco cidades do país.

A evolução do negócio no país é contínua e exponencial, sendo um dos mercados de maior sucesso para a empresa de duas rodas.

A mobilidade elétrica e a sustentabilidade são, sem dúvida, o foco da Cooltra. A eCooltra e EcoScooting são os primeiros dos muitos projetos neste sentido?

A Cooltra lançou as empresas eCooltra e Ecoscooting como um desafio interno voltado para uma nova mobilidade.

Ambas as marcas, uma focada no consumidor final e a outra nas empresas, cumprem as premissas de: mobilidade elétrica, sustentável e conectividade.

A Cooltra está atualmente a consolidar estas linhas de negócios nas cidades em que opera, mas é claro que haverá mais projetos de diferente índole, todos de carácter sustentável.

 

 

Almudena del Mar Muñoz Corredor foi nomeada PR & Communications Manager do Grupo Cooltra para Portugal, Espanha, França e Itália. Em que momento da sua vida surge este desafio? Como o encarou?

Juntar-me à família Cooltra foi um desafio que apareceu no meu caminho num momento em que eu estava com vontade de mudança.

Tinha trabalhado na gestão de projetos de mobilidade, comunidade e sustentabilidade, e quando me falaram na ideia, foi como amor à primeira vista.

Na Cooltra têm como principal objetivo alterar a ideia que temos de mobilidade e eu quis juntar-me ao projeto e pôr nele o meu cunho pessoal.

Almudena del Mar Muñoz Corredor é apaixonada pela inovação, pelas tendências tecnológicas, mas também pela cultura empresarial. Que verdadeiros desafios acarreta uma posição de liderança e de gestão de pessoas?

Acho importante mencionar que tem havido uma mudança de mentalidade empresarial nos últimos anos, as pessoas querem trabalhar em ambientes dinâmicos, em empresas com projetos apaixonantes e queremos trabalhar todos os dias para aprender algo novo.

Não é só trabalhar, é acreditar no que fazemos.

Nesse sentido, toda a mentalidade e maneira de fazer as coisas mudou muito, as hierarquias tendem a desaparecer, as barreiras caem, as equipas são cada vez mais multidisciplinares para assim poder partilhar conhecimentos e habilidades, as formas de comunicarmos mudam, agora existem cada vez mais e mais ferramentas para nos conectarmos e para que as relações seja mais próximas, e até mesmo, a disposição de como estamos sentados num escritório.

Todos esses pontos interferem muito sobre a gestão do trabalho e penso, portanto, que é essencial, quando se trabalha em equipa.

Tem a seu cargo a liderança da estratégia de comunicação da empresa e a afirmação do posicionamento das três marcas do grupo – Cooltra, eCooltra e EcoScooting. Paralelamente à complexidade deste cargo, o facto de ser mulher acrescenta-lhe adversidades? A desigualdade de género é uma realidade para si?

Infelizmente, esta é uma pergunta que muitas vezes me perguntam, e tenho certeza de que se fosse um homem, nunca me tinham perguntado.

Existem áreas em que o facto de ser mulher é desvantajoso, criticado ou simplesmente não aceite.

Este não é o meu caso, trabalhar num ambiente tecnológico garantiu-me igualdade perante os meus semelhantes.

Não foi assim quando, por diferentes razões, interagi com pessoas de outros setores, onde encontrei comentários ou gestos ocasionais que não deveriam acontecer nesta altura do século.

Nem a idade nem o género devem ser motivo para julgar nem o trabalho, nem o valor de uma pessoa.

“O principal desafio é aprender a lidar com o medo do desconhecido”

Leihla Pinho é Founder e Design Director da Major. Em que momento da sua vida surge este projeto?

A Major foi fundada em 2016. Na altura eu era Design Director numa startup da área financeira e sentia falta de um novo desafio. A ideia de abrir o meu próprio estúdio tinha surgido alguns anos antes. Em 2016 consegui um projeto relativamente grande, em regime de freelancing, que me proporcionou a estabilidade necessária para dar o salto. E assim foi, despedi-me e comecei a trabalhar por conta própria, sem fazer grandes planos para o futuro.

Fixada em Lisboa, a Major é um estúdio de design que pretende colmatar a lacuna entre os produtos digitais e as pessoas que os usam. De que forma?

Adoro a internet e o seu potencial de conectividade, aprendizagem e comunidade. Após a licenciatura, comecei a trabalhar na área digital. Se na altura senti que tudo ia estar online um dia, hoje sinto que vivemos cada vez mais numa sociedade que está sempre conectada sendo quase impossível desconectar. Os produtos digitais que usamos não são na sua generalidade pensados para melhorar a vida das pessoas. Quer pelo tempo que nos tomam, quer pela constante luta pela nossa atenção, desconectam-nos do mundo real e das pessoas à nossa volta. A Major pretende pensar e desenhar produtos digitais que poupem tempo ao utilizador permitindo maior conetividade na vida real, offline.

Qual é a filosofia e a estratégia do estúdio? Que papel já assume no mercado?

Apesar de sermos uma equipa pequena, estamos muito focados em desenhar produtos que facilitem a vida das pessoas, e que lhes devolvam tempo para viver a vida. Acreditamos que podemos e devemos trabalhar para criar um futuro melhor para a humanidade. São objetivos ambiciosos e ainda estamos longe de os atingir, mas gostamos de pensar que estamos no bom caminho. Quanto ao nosso papel no mercado, é difícil de definir. Existem cada vez mais empresas de design digital, mas gostamos de acreditar que o forte sentido ético, a atenção ao detalhe e a qualidade da execução é um fator diferenciador.

Quem é Leihla Pinho? O que a inspira diariamente na sua vida e no seu trabalho?

A Leihla é uma mulher de 32 anos, que acredita que podemos viver num mundo melhor. A minha família e amigos são a minha maior fonte de inspiração. Tanto pelo trabalho que executam no dia a dia, mas principalmente pela forma como encaram a vida e os seus desafios e dificuldades.

A música tem também um papel fundamental na minha vida, quer como instrumentista (toco violoncelo), como pela capacidade que tem de nos transportar para um plano mais elevado do ser. Finalmente acredito que viajar e conhecer diferentes culturas, formas diferentes de estar na vida e viver em sociedade é algo que procuro como forma de abrir horizontes e ter mais empatia pelo próximo.

Cada vez mais existem exemplos de sucesso de mulheres que arriscaram sair da sua zona de conforto e se tornaram empreendedoras. No entanto, que desafios ainda enfrentam as mulheres no mundo dos negócios?

Tanto para mulheres como para homens, penso que o principal desafio é aprender a lidar com o medo do desconhecido. Muitas pessoas têm vontade de empreender, mas têm medo de avançar, de deixar um emprego seguro, de investir o seu dinheiro, e obviamente medo de falhar. E ficam paralisados. Quanto às mulheres em específico, há um problema claro de representatividade e igualdade. Não existem tantos exemplos de liderança e quando uma mulher chega a uma posição de liderança, muitas vezes não tem o mesmo título, regalias e remuneração que os seus colegas homens.

 

A própria Leihla Pinho enfrentou obstáculos durante o seu percurso pelo facto de ser mulher?

Na realidade nunca senti obstáculos por ser mulher, sempre tive imensas oportunidades. O maior desafio que senti numa fase inicial da minha carreira foi não existirem mulheres a fazer o mesmo que eu, a trabalhar em tecnologia, ou em posições de liderança a quem pudesse recorrer para me aconselhar. Em várias empresas fui a única mulher. Para mim, essa é uma questão importante, ter exemplos de alguém semelhante a nós a mostrar que é possível fazermos o que quisermos e chegarmos a posições de liderança. E felizmente há cada vez mais exemplos de mulheres a criar os seus próprios projetos, a fazerem mais promoção do seu trabalho e a partilharem o seu conhecimento com a comunidade.

No mundo do empreendedorismo a inovação é um ponto fulcral. Que outros fatores foram cruciais para o estúdio e para si enquanto empreendedora?

Estar rodeada das pessoas certas, com uma mentalidade aberta e que querem ter um impacto positivo no mundo à sua volta. Quer na equipa da Major, como na procura de amigos e mentores, sempre procurei estar próxima de pessoas que acho verdadeiramente inspiradoras. Num nível mais pessoal, acredito que aquilo que damos ao mundo nos é devolvido. Tento sempre partilhar o meu conhecimento com outras pessoas, quer dando aulas, falando em conferências ou a fazer mentoria a pessoas que estão agora a entrar no mercado de trabalho.

 

 

 

“A humildade não implica humilhação”

É atualmente diretora de gestão da Texoleo, formou-se em Engenharia de Gestão Industrial e já conta com uma experiência diversificada de carreira. Que história pode ser contada sobre o seu percurso?

Nascida em Viana do Castelo, sou mulher minhota de nascença, de vocação e de coração. Formei-me em Gestão e Engenharia Industrial pelo ISCTE, de 1993 a 1998, com especialização na área da Logística. Fiz um estágio profissional na Unilever/Tibbett & Britten, em 1998, tendo passado do projeto de estágio para a Exel Logistics. Passei ainda pelos CTT e pela MSAS Global Logistics, para voltar ao grupo Exel depois de um processo de fusão, como diretora comercial e marketing. Em 2007, assumi a responsabilidade da direção logística da marca “A Loja do Gato Preto” na Península Ibérica e em 2014 assumi a direção comercial e marketing da GEFCO Portugal. Em 2016, iniciei um projeto pessoal como diretora de gestão da empresa Texoleo (www.texoleo.com), a qual se dedica à venda on-line na área dos lubrificantes e peças automóveis.

O que a levou a seguir Engenharia e Logística? Em alguma altura duvidou da sua escolha?

A opção pela Engenharia e pela Logística foi tomada, porque na altura era um  em franco desenvolvimento. Nunca duvidei da minha escolha e hoje sinto que foi uma boa aposta, até porque o meu quotidiano nunca é igual. Há novidades todos os dias, problemas para resolver, pessoas para gerir, processos para organizar e um planeamento fundamental para evitar erros, para minimizar custos e para maximizar proveitos. Considero que a minha formação académica e todas as especializações realizadas (marketing, comercial, financeira e desenvolvimento de projetos), contribuíram para a minha atividade atual. O curso de Gestão e Engenharia Industrial é vasto e alargado, com várias áreas de estudo e intervenção, o que facilita, visto que nos possibilita ter uma visão da gestão nas vertentes financeira, operacional e marketing.

Quais os maiores desafios de ser diretora de gestão?

Os maiores desafios de ser diretora de gestão, passam pela organização da empresa, pela liderança dos recursos humanos através da exigência e da motivação, pela permanente inovação tecnológica, por uma gestão financeira responsável e de acordo com os objetivos de negócio definidos pela Administração e pela orientação, serviço de qualidade e foco no cliente, razão principal pela qual a empresa e as empresas existem.

A área em que trabalha é maioritariamente dominada por homens ou já existe um equilíbrio entre géneros?

As empresas e áreas onde trabalhei, essencialmente na gestão comercial / marketing e na gestão financeira sempre apresentaram um equilíbrio de géneros. A área operacional foi e continua a ser geralmente dominada pelo género masculino, mas pelo facto de vermos cada vez mais mulheres nas áreas das Engenharias, esse domínio tende a decrescer gradualmente. Atualmente a área onde trabalho é equilibrada quanto ao género feminino e ao género masculino.

Em algum momento da sua vida profissional sofreu algum tipo de preconceito por ser mulher? Como é que, na sua opinião, se contornam estas questões?

Felizmente, que em nenhum momento da minha vida profissional sofri qualquer tipo de preconceito por ser mulher, mas sempre que o presenciei ou percebi com outras mulheres ou com outras pessoas mais vulneráveis, agi, denunciei e até me prejudiquei.

Tanto na vida profissional como na vida pessoal, a humildade é tida como uma qualidade bastante positiva e benéfica, onde ninguém é pior ou melhor do que os outros, estando todos no mesmo nível de dignidade, de cordialidade, respeito, simplicidade e honestidade. A humildade não implica humilhação.

Estas questões contornam-se com orgulho próprio, com frontalidade, sem receios e com a verdade, com educação e saber estar, com empenho e demonstração de trabalho, com paixão pelo que se faz e por quem representamos e com muita garra!

O que considera que é necessário fazer para se ter sucesso naquilo que se faz independentemente da área?

Quando decidimos ser profissionais, quando decidimos ser empreendedores, gerir negócios ou iniciar o nosso próprio negócio, dar oportunidades de emprego e crescimento a outros profissionais, não decidimos apenas gerir uma empresa ou ter a nossa própria empresa. Trata-se de algo maior, da realização de um sonho, daquilo que nos move e nos motiva diariamente a empenhar toda a nossa energia para atingirmos o sucesso profissional e pessoal, uma necessidade da maior parte dos seres humanos, e que não é nada fácil de ser encontrada, já que é preciso também passar por diversos sacrifícios e adversidades para chegar onde desejamos e para construir o tão desejado caminho para o sucesso!

As minhas dicas ou sugestões para se ter sucesso:

  1. É preciso trabalhar muito e bem;
  2. É preciso saber claramente qual a nossa missão;
  3. É preciso ter orgulho próprio;
  4. É preciso ser grato pelas conquistas e pelas vitórias;
  5. É preciso ser resiliente;
  6. É preciso compreender que o sucesso pessoal e profissional depende da rede de relacionamentos que construímos;
  7. É preciso ser autocritico;
  8. É preciso encarar os problemas com serenidade e frieza;
  9. É preciso ser equilibrado na sua forma de ser e de estar;
  10. É preciso ser feliz, porque a felicidade só depende de nós.

“Uma carreira internacional com as mesmas oportunidades”

A Isabel é diretora executiva da Performance Health, responsável pelo negócio Internacional. Até chegar até aqui, que história pode ser contada sobre o seu percurso?

Ao longo da minha vida sempre tive sonhos e aspirações, gosto de definir objetivos e angariar a determinação e energia para os conquistar.

Desde cedo que sabia que queria “gerir negócios”, algo que acredito ter herdado dos meus avós que eram pessoas altamente empreendedoras.

Ao mesmo tempo sempre tive muito interesse em aprender coisas novas, uma curiosidade tremenda de conhecer o mundo, novas culturas e diferentes formas de trabalhar.

Licenciei-me em engenharia de sistemas e informática, estimulada pelo desafio intelectual. Quando comecei a trabalhar na Sonae e mais tarde na Unicer, fundei uma empresa com uma amiga. Estávamos mesmo no início da nossa carreira. Adorei desenhar o modelo de negócio de raiz, angariar investimento, colocar o cliente no centro do negócio, estabelecer parcerias e formar uma equipa motivada que, durante cinco anos deu o seu melhor. Uma experiência fantástica!

Em 2002 surgiu a oportunidade, de gerir uma equipa internacional num grande projeto de TI (tecnologias da informação). Era um desafio irresistível, ter a possibilidade de trabalhar numa multinacional da dimensão da Novartis – uma das maiores empresas farmacêuticas a nível mundial, com a sede em Basileia na Suíça. Trabalhei com pessoas de todo mundo, aprendi imenso. Logo nos primeiros anos ganhei um “track record” de líder que entrega resultados, capaz de gerir transformações, desenvolver equipas determinadas a atingir objetivos. Foi mais uma experiência que contribuiu imenso para o meu desenvolvimento profissional e pessoal.

Estava na altura de alavancar experiências de liderança e focar-me naquilo que sempre foi a minha paixão: gerir negócios. E assim foi, com muita determinação, perseverança e o apoio de uma empresa fantástica como a Novartis (onde trabalhei 16 anos) consegui atingir tudo o que naquela altura aspirava.

Fiz muitas formações paralelas em gestão e liderança na INSEAD (em Paris e Singapura), no IMD em Lausanne/Suíça e muitos outros cursos, de mais curta duração, como em Harvard e na Warthon nos Estados Unidos. Participei em vários programas de mentoria com CEOs/ chairmans da indústria farmacêutica. Tive acesso a um programa de rotação na Novartis de Vendas e Marketing e, assim consegui o primeiro passo para gerir um negócio de uma das divisions da Novartis (Sandoz) na Suíça. Depois de deixar o cargo de diretora geral na Suíça, liderei um grupo de países europeus (Suíça, Áustria, Bélgica e Luxemburgo) e, de seguida tive também o privilégio de me tornar Head of Global Commercial Operations e membro do comité executivo da Sandoz, uma divisao da Novartis de dez mil milhões de dólares americanos.

Depois desta experiência transformacional na Novartis decidi aceitar um desafio novo – ser a Diretora executiva responsável pelos negócios internacionais da Performance Health, uma empresa que pertence à “Private Equity” MDP (Madison Dearborn Partners), com sede em Chicago. É uma empresa líder em produtos de saúde e o maior produtor e distribuidor global de produtos de reabilitação e medicina do desporto. Sou responsável por mais de cem países, onde temos as nossas operações comerciais (Inglaterra, França e Austrália) e trabalhamos com distribuidores e parceiros estratégicos na Europa, África e Ásia. Sem dúvida, um desafio diferente que requer uma reformulação estratégicas, repensar modelos de negócios (por exemplo na China) e executar planos que entreguem resultados para os nossos clientes e para os nossos investidores.

Tem sido uma história de muito trabalho mas que vale a pena – quando existe um sentimento de progressão e ao mesmo tempo de contribuição para algo bastante melhor.

Apesar de se ter formado em engenharia informática a sua carreira é bastante diversificada. Quais são as suas grandes paixões?

Sem dúvida que a minha carreira é muito diversificada, acho que já fiz um bocadinho de tudo em empresas muito pequenas, médias e muito grandes. A minha paixão é fazer crescer negócios, desenvolver equipas e pessoas! Coloco muita energia no que faço, gosto de estabelecer uma missão e visão para todos os trabalhos ou negócios de que sou responsável e motivar as equipas nessas jornadas de atingir os objetivos ambiciosos a que nos propomos. Tenho um estilo de liderança muito positivo e adoro colocar desafios a mim e a quem trabalha comigo.

Hoje, na Performance Health, tem a seu cargo 112 países. Como é feita esta gestão?

Estabelecer prioridades muito claras, focus, disciplina. e garantir que há um alinhamento com as equipas e parceiros de negócio.

O que continua a aspirar?

Quero continuar a desenvolver a minha carreira enquanto líder com responsabilidades operacionais. Gosto de criar um grande impacto e de gerar valor. Ao mesmo, estou a preparar-me para funções de direção não-executivas em conselhos de administração, pois vai permitir partilhar com outras empresas aquilo que aprendi ao longo do tempo, não só no âmbito de estratégia geral de empresas mas tambem  na internacionalização de negócios.

Ao longo da sua carreira sofreu algum tipo de preconceito associado à questão de género?

Não. Sinto-me realmente previligiada. Sempre me senti tratada da mesma forma e acho que tive as mesmas oportunidades. Mesmo depois das minha licenças de maternidade – tenho três filhos – regressei sempre ao trabalho com funções mais interessantes do que as anteriores.

O que diria que é mais difícil de conseguir quando se ocupa um cargo de liderança? Porquê?

Na perspetiva profissional, definir uma visão, um plano estratégico e prioridades são as questões básicas da função, no entanto, garantir que se tem as pessoas certas é o que vai determinar o sucesso da execução desses planos. A equipa e a cultura da empresa são fundamentais.

A nível pessoal, sempre foi importante ter o apoio da minha família. Inicialmente um apoio incondicional dos meus pais e irmã, agora conto tambem com o apoio dos meus três filhos e marido  que me dão uma energia incrível para seguir a minha missão.

Pelo bem-estar e crescimento saudável do paciente

Em que momento da sua vida surge este desafio? Porquê?

Em 2016 percebi o quanto estava insatisfeita na minha vida profissional e comecei a refletir acerca do motivo pelo qual foi perdendo a inspiração que tanto me caracterizava e me fazia mover. As limitações sentidas eram gigantes e eu tinha noção que se não tivesse ousadia para sair do sistema em que me encontrava estaria a resignar-me à estagnação. Decidi então procurar novas oportunidades a partir da minha rede de contatos networking. Surgiu uma proposta de trabalho em Amsterdam como Psicóloga Clínica na Psy-Noord Psychotherapie. Não foi fácil deixar a minha família, mas eu sabia que esta era uma grande oportunidade de poder mudar a minha vida. Depois de um ano e meio a trabalhar nesta clínica, tomei a decisão de abrir a minha própria clínica porque percebi que precisava de implementar um novo estilo, uma nova forma de atendimento mais inovador e de acordo com as novas técnicas psicoterapêuticas. 

Qual é a premissa da clínica? Que valores definem o seu trabalho junto das pessoas?

Respeitar a sua confidencialidade, um aspeto necessário à relação terapêutica e fundamental para que o processo psicoterapêutico funcione.

Os valores que prezo e agrego à minha prática são os princípios éticos, exercer com competência, responsabilidade e integridade, procurando sempre o bem-estar e o crescimento saudável do paciente, no respeito pela sua privacidade, dignidade e alteridade. 

Que papel a clínica pretende assumir no país? Como é que está a saúde mental dos portugueses?

A Mental Health Clinic pretende assumir um papel relevante na saúde mental dos portugueses contribuído para a compreensão do indivíduo, podendo trabalhar a relação do mesmo com a sua história, suas expectativas para o futuro e suas relações com a sociedade, assim como o contexto social a que pertencem.

Portugal tem uma das mais elevadas prevalências de doenças mentais da Europa. A par desta constatação surge uma outra que demonstra que há um défice de cuidados acentuado e que perto de 65% das pessoas com perturbações mentais moderadas e 33,6% com perturbações graves não recebem cuidados de saúde mental adequados.

É importante refletir sobre o estigma que recai sobre o doente mental que começa logo na própria designação que lhe é atribuída e que reflete todos e quaisquer cuidados para não ferir suscetibilidades, mas, ao mesmo tempo, abre a porta para uma diferenciação negativa, fazendo com que o doente se refugie no silêncio da sua angustia.

Isabel Henriques desenvolve, paralelamente, trabalho clínico na Holanda e Portugal. É fácil para uma mulher conciliar uma carreira profissional de sucesso com a vida pessoal?

Não é nada fácil! Estaria a mentir se dissesse o contrário. Conciliar a carreira profissional e vida pessoal é possível, mas há que saber fazer uma boa gestão com o tempo entre trabalho e família. Sinto falta de tempo para estar com quem mais amo, no entanto quando lanço a ancora no meu porto seguro sinto falta das águas agitadas da minha vida profissional. A emoção fica mais forte nestes momentos nos quais sinto a necessidade de alçar novos voos e ir em busca de algo mais na minha carreira. Estas “apostas” requerem muito foco e energia.

Quem é Isabel Henriques enquanto mulher e empreendedora? 

Sou uma mulher apaixonada pela vida e pela profissão, sensível, comunicativa, observadora, objetiva, ambiciosa e lutadora. Confio em mim, sei que na vida há ganhar e perder, não tenho medo de enfrentar desafios e correr os seus riscos. É isso que me dá vida e me faz correr atrás do que quero e do que de facto acredito. A persistência e resiliência faz com que eu consiga concretizar o que os outros, por vezes, acham que é impossível.

Portugal é o 6º país do mundo com melhores oportunidades e condições de apoio para as mulheres prosperarem enquanto empreendedoras. Mas que verdadeiros desafios as mulheres ainda enfrentam no empreendedorismo e nas questões relacionadas com a igualdade de género?

Uma maior aversão ao risco por parte de mulheres, impedindo-as de prosseguir com os seus projetos. Isto pode dever-se ao facto de ainda existir um mindset negativo associado à criação de do próprio negócio, refiro-me principalmente à minha geração, acredito que em gerações mais jovens tal tendência esteja a mudar, pelo menos assim o espero, de forma a combater esta falta de aceitação cultural.

Outro fator que vejo como barreira para o empreendedorismo é a dificuldade a apoio financeiro por parte da banca. No entanto, estatísticas indicam que cerca de 40% das atividades começadas por mulheres caem na área de retalho, enquanto que áreas como Saúde e Finanças apenas retêm 23% e 15% respectivamente da quota de mercado. Talvez estes números expliquem de certa forma a dificuldade de acesso ao capital por parte das mulheres, uma vez que a área de retalho é uma das industrias mais abundantes em Portugal. Um maior shift para áreas da tecnologia, saúde e finanças poderia originar um comportamento diferente por parte das instituições financeiras.

Existe um outro ponto que não deve ser negligenciado, sendo este a carga fiscal sobre as empresas. Em Portugal, por cada 100€ de lucro, 40€ vão para impostos, o que no fim de contas está alinhado com a média apresentada pelos os outros países da OECD. A grande diferença reside, obviamente, nos rendimentos absolutos resultantes em Portugal em contraste a países com uma economia mais forte, por exemplo, Holanda. A isto deve ser acrescentado o tempo que uma empresa deve dedicar a formalidades administrativas, que em Portugal ronda as 243h por ano, enquanto que a média OECD é de 163h.

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