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“Na FranklinCovey acreditamos no valor intrínseco de cada pessoa”

Maria Pantaleão

Afirmam ter como missão “promover a grandeza em pessoas e organizações em todo o mundo”. De que modo concretizam, de forma bem-sucedida, este objetivo tão ambicioso?
Na FranklinCovey acreditamos no valor intrínseco de cada pessoa. Acreditamos que todo o ser humano aspira grandeza e tem o poder de escolher – este é um dos nossos valores, o primeiro.
Portanto, a nossa missão consiste em ajudar as pessoas a reconhecerem o seu valor e gerar a inquietação e o desejo de se transcenderem para além do que conhecem de si num dado momento.
O ser humano tem a capacidade de se “reprogramar” e transformar continuamente. Reside em nós a escolha da nossa própria criação e isso é, por si, extraordinário e poderoso.

Com o foco nos resultados, pretendem alterar os comportamentos humanos, sociais e coletivos que prejudicam o sucesso das empresas. Que soluções apresentam neste sentido? Qual é, em média, a duração de todo o processo?
Neste momento, as áreas estratégicas para nós são: liderança, produtividade, confiança e execução. As soluções incluídas em cada uma delas passam sempre por três fases: preparação, implementação e sustentabilidade. O processo pode incluir ferramentas de pre assessment, workshops, webinars, conteúdos on demand, coaching e pos assessment. A duração varia consoante o design do processo, mas entre o pre assessment e o pos assessment, estamos a falar, em média, entre seis e oito meses.

Através da vossa experiência, que erros podem identificar como mais comuns no comportamento humano dentro das empresas? Como caracterizam a vossa atuação neste sentido?
Diria que o primeiro “erro” mais comum é o de se pensar que o problema está no comportamento dos “outros” e que são os “outros” que precisam ser intervencionados para mudar. Mas existem outros: ser produtivo significa andar muito ocupado e acelerado; faço aquilo para que me pagam ou aquilo que me mandam; para uns ganharem, outros têm de perder; dizer uma coisa e fazer outra… Enfim, a lista pode ser longa.
Os nossos comportamentos – errados ou certos – resultam dos nossos paradigmas, as lentes pelas quais nos vemos e vemos o mundo à nossa volta. A nossa abordagem – inside out – incide exatamente ao nível da análise e transição de paradigmas que, alinhados por princípios de eficácia, conduzem-nos a comportamentos capazes de gerar os resultados desejados.

Que nichos de mercado e empresas procuram com mais frequência os vossos serviços? Este acompanhamento pode ser feito a título presencial e online?
Os nossos clientes situam-se nas mais diversas áreas de atividade – financeira, automóvel, farmacêutica, retalho e distribuição, indústria transformadora, etc. Não podemos falar propriamente de “nichos”, porque estamos a falar de empresas multinacionais e empresas nacionais de pequena e média dimensão.
As nossas práticas – áreas de conhecimento – e a nossa presença global permitem-nos desenhar soluções à medida da dimensão e das necessidades de cada cliente.
As soluções Online Learning da FranklinCovey funcionam como suporte e acelerador do processo de mudança e transformação, mas a componente presencial continua a ser muito valorizada pelos nossos clientes como ponto de partida.

Finalizado o processo de consultoria e acompanhamento, que alterações veem na empresa e pessoas com quem trabalharam?
Maior clareza e alinhamento estratégico; uma linguagem comum; atitudes mais abertas, disponíveis e construtivas; maior foco no que é importante; maiores índices de confiança, o que facilita os processos e as interações entre as pessoas e as equipas; mais entusiasmo e orientação para a ação e para os resultados.
O resultado final depende de vários fatores pré-existentes e dos objetivos propostos.

Diferenciando-se de outras empresas atuantes no mesmo mercado, a FranklinCovey opta por aliar consultoria, workshops e ferramentas de sustentabilidade. Podemos afirmar que esta aposta num acompanhamento integral permite sucesso e resultados positivos?
Sim, é um dos fatores. A mudança de comportamentos e de cultura não acontece por decreto, nem de um dia para o outro. Implica, em primeiro lugar, a vontade, o compromisso e o envolvimento firmes dentro da própria organização – tal como nas pessoas, nas organizações a mudança acontece “de dentro para fora”; em segundo lugar, é preciso ajudar as pessoas a consolidar esta mudança de atitudes e práticas, através de mensagens coerentes, de reforço e orientação.

Com a crise económica que abalou Portugal, as empresas retraíram-se e a desmotivação recaiu sobre os colaboradores. Sentiram que, nesta fase, as entidades portuguesas procuraram de forma mais significativa a vossa ajuda?
Sim. Em tempos de crise, como a que vivemos, é natural haver uma retração no mercado. As empresas que, mesmo assim, decidiram ou tiveram condições para investir no desenvolvimento das pessoas revelaram-se mais criteriosas na escolha das soluções e fornecedores, a sua credibilidade e perspetiva de retorno. Outro fator interessante a que assistimos foi o de empresas que, mesmo em ambiente de crise, se reinventaram e cresceram e procuraram a nossa ajuda para equipar os seus colaboradores com novos paradigmas, competências e ferramentas que os preparem para novos contextos de ação. O nosso enfoque é contribuir para o sucesso dos nossos clientes, pois sabemos que esse é o ponto de partida para a FranklinCovey Portugal ser bem-sucedida. Tem sido assim em todo o mundo.

A FranklinCovey Portugal atua não apenas em território luso, mas também em projetos internacionais através da FranklinCovey. Como definem a vossa presença no contexto mais global?
Essa é obviamente uma das vantagens de trabalhar numa empresa verdadeiramente global. Ao longo destes dois anos temos tido a oportunidade de estar envolvidos em projetos nos países de expressão portuguesa – colaborando com os colegas locais, mas também em diversos projetos internacionais, quer no desenvolvimento, quer na implementação. Do mesmo modo, temos contado também com a participação de colegas de outros países em projetos nacionais.
O mundo é inequivocamente global. Os mercados são globais e os clientes também, pelo que a nossa resposta está alinhada com esta realidade.

Abordando agora, de um modo mais concreto, o seu percurso profissional, de que modo 20 anos de experiência na área contribuem para uma maior confiança por parte dos clientes?
Sabe que a “quantidade” de experiência pode ser enganadora… podem ser 19 anos a cometer os erros do primeiro ano. Mas acredito que, à partida, 20 anos de experiência são um fator que gera confiança, até por ser diversificada e a desempenhar diferentes papéis. Mas a confiança constrói-se todos os dias, em cada interação.
A pergunta fez-me pensar em quem confiou em mim, quando o meu curriculum era uma página em branco. Gosto de pensar que esse foi um momento de liderança.

Participou e colaborou com distintos projetos nacionais e internacionais. Em algum momento sentiu, em Portugal ou em outros países, discriminação pelo facto de ser mulher?
Em Portugal, não. Pelo menos, que fosse expressado e eu me tenha apercebido. Mas também nunca encarei o facto de ser mulher como vantagem ou desvantagem em termos profissionais. Quando estou a trabalhar em aíses com traços de cultura diferentes dos nossos, procuro informar-me e estar atenta para não ser protagonista de situações constrangedoras. Em algumas situações pode ser um exercício de diplomacia e equilíbrio desafiante. Mas aprendemos sempre.

De que modo reagem os seus clientes quando veem que será uma mulher a acompanhar o desenvolvimento da sua empresa e equipa?
Creio que não há uma reação especial pelo facto de ser mulher nem pela positiva, nem pela negativa. O que procuramos sempre é que o perfil dos consultores se enquadre na cultura do cliente e nos objetivos propostos para o projeto. A este nível, falamos de experiência, expertise, por vezes até idioma, características enquanto consultor, mas, até agora, o género nunca fez parte da equação.

Enquanto especialista na área comportamental no âmbito empresarial, como define a postura da mulher em Portugal? O que deve ser mudado de forma a conceder-lhes mais confiança e sucesso?
Se pensarmos numa perspetiva histórica, creio que as mulheres têm alcançado conquistas muito relevantes, numa perspetiva de manifestar a sua versatilidade e diversidade e de expandir a sua influência e protagonismo.
No futuro, creio que precisamos de aprender a confiar (ainda) mais em nós e nas nossas capacidades para construir os nossos sucessos. Não por comparação aos homens. Por comparação é sempre mau – significa que já estamos, à partida, a olhar para as diferenças em vez de olharmos para o que temos de único. Mas isto tanto é aplicável a mulheres, como a homens. Acredito, acima de tudo, que, enquanto pessoas, temos de reconhecer em nós o valor que temos e agir.

Como vê o futuro das empresas no contexto feminino? O que mudará na nossa sociedade?
A diversidade é importante nas sociedades, nas empresas e nas famílias. O ideal é que deixe de haver uma realidade classificada entre “mundo feminino” e “mundo masculino”. No dia em que estas classificações deixarem de fazer sentido, ganhamos todos.

E na FranklinCovey, como acompanharão esse futuro empresarial? O que têm planeado para os próximos anos?
Atualizando permanentemente a nossa oferta e trazendo para Portugal as soluções e ferramentas mais pertinentes para o nosso contexto empresarial. A FranklinCovey tem uma área de Inovação e Desenvolvimento muito ativa, rodeia-se de excelentes profissionais, colabora com universidades conceituadas e experts nas suas áreas de atuação para que a sua oferta se mantenha atual e global num contexto em constante mudança.

Como pode o Portugal 2020 catapultar as empresas de uma economia periférica?

João Machado

Foi no final de março deste ano que, finalmente, o Portugal 2020 abriu a sua porta às empresas através de um manancial de instrumentos de apoio financeiro designados de ‘Sistemas de Incentivo’. Desde esse momento, nenhum stakeholder da economia portuguesa ficou indiferente a este programa, desde empresas-estrela do setor das Tecnologias de Comunicação sediadas em Lisboa, às fábricas de bens de consumo sediadas nas regiões beirãs, passando pelo entrepreneur-to-be que há muito que estuda o mercado e a melhor forma de iniciar o seu pequeno projeto.

O Portugal 2020 é, nada mais, nada menos que o programa que enquadrará a aplicação dos fundos comunitários em Portugal para o período de 2014-2020. Durante este período Portugal vai receber cerca de 25 mil milhões de euros que serão canalizados para a economia nacional sob a forma de estímulo ao crescimento e à criação de emprego. Com uma regulamentação que, no seu essencial, é semelhante à que vigorava no antigo programa 2007-2013 (que ficou conhecido com o QREN – Quadro de Referência Estratégica Nacional), foram definidos como prioritários, quatro domínios de intervenção para a implementação do programa Portugal 2020: I) Competitividade e Internacionalização; II) Inclusão Social e Emprego; III) Capital Humano; IV) Sustentabilidade e Eficiência no uso dos recursos.
Constituindo algumas novidades face ao programa do QREN, o Portugal 2020 destaca-se do seu antecessor devido ao maior número de atividades económicas envolvidas, na introdução de métodos de custeio mais simples e na introdução de processos de reembolso de despesas bastante mais facilitados. Contudo, o processo de candidatura permanece bastante semelhante.
Considerando a maior exigência técnica do Portugal 2020, este programa também faz uso de um processo concursal, no qual terão de ser submetidas as candidaturas até uma data determinada pelo mesmo. As datas em questão são apresentadas nos calendários previsionais que são publicados com bastante antecedência (mas que, até ao momento, pouco foram respeitados).
Relegando para segundo plano as polémicas com a suspensão dos Vales Simplificados na zona de Lisboa devido a um elevadíssimo número de candidaturas rececionado pelas Autoridades de Gestão dos Programas Operacionais, o Portugal 2020 reúne as condições indicadas para ser, não apenas um instrumento catalisador de uma maior proficiência técnica e humana na economia interna, mas também uma plataforma de oportunidades de apoio à internacionalização dos produtos e serviços das empresas portuguesas.
Já ninguém duvida que Portugal possui uma economia recheada de bens e serviços de qualidade elevada, com características diferenciadoras e capacidade de incorporação nos mercados internacionais. Todavia, a imutável condição de player periférico, associada a uma carga fiscal altíssima e a uma recente situação macroeconómica deveras desfavorável, tem travado o crescimento da economia e abafado, consideravelmente, o ímpeto empreendedor do povo português. A emigração em massa registada nestes últimos anos foi apenas uma das inúmeras consequências deste cenário!
O Portugal 2020 surge então como uma lufada de ar fresco junto da comunidade empresarial nacional ao permitir que as empresas vejam diversos tipos de despesas comparticipadas por Fundos Europeus Estruturais e de Investimento (FEDER, Fundo de Coesão, FSE, FEAMP e FEADER) geridos pela Comunidade Europeia, mediante a apresentação de um projeto futuro bem fundamentado e alinhado com os princípios-base de um Sistema de Incentivo entre as dezenas existentes. Para este programa, salvo algumas exceções, mantém-se o princípio de que o pagamento dos custos previstos na candidatura, por parte destas instituições à empresa candidata, apenas terá efeito mediante a justificação dos mesmos através de faturas pagas ou outros documentos contabilísticos de valor probatório equivalente.
Os agentes económicos nacionais ficam, desta forma, com acesso a uma ferramenta financeira que lhes permite promover a sua competitividade, através do aumento das próprias capacidades técnicas, humanas e operacionais, contribuindo diretamente para o aumento e aperfeiçoamento da capacidade de produção. Por outro lado, as portas da internacionalização também ficam entreabertas com a disponibilização de diversos Sistemas de Incentivo que permitem a comparticipação das elevadas despesas inerentes a uma campanha de internacionalização de uma marca ou empresa e que no passado tantas vezes inviabilizaram esse ‘sonho’ aos empresários portugueses. Na atualidade, com todos estes processos significativamente mais ágeis e as comparticipações a fundo perdido para a internacionalização a ascenderam aos 45%, as empresas portuguesas encontram no programa Portugal 2020, a oportunidade perfeita para iniciarem a exportação dos seus bens ou serviços e aumentarem os seus volumes de negócios para níveis impensáveis para a realidade interna.
Em clima de retoma económica previsional, o programa Portugal 2020 propõe-se assim a contribuir significativamente para a estabilização do tecido empresarial nacional, apoiando-o financeiramente na sua internacionalização e contribuindo para que o mesmo possa almejar níveis de receitas muito superiores. No que diz respeito às consequências tanto no curto, como no médio-longo prazo, as mesmas são imensas e diversificadas. Não obstante, destacamos a consequência principal das economias em crescimento sustentado: a necessidade imensa de indivíduos para trabalhar!

Compromisso Real com a Qualidade

Fernando Pais

A Rural Futuro assume-se como “uma empresa criada a pensar em si”. Qualidade é, aliás, um conceito desde sempre integrado na cultura desta entidade. Em que principais aspetos têm manifestado esta total e consistente preocupação com a pessoa que vos procura?
Na Rural Futuro, a qualidade é assumida como objetivo estratégico e desde o início os responsáveis e colaboradores da empresa têm desenvolvido um trabalho permanente e sistemático no sentido de integrar os conceitos de qualidade na cultura da empresa.
A nossa permanente focalização nas necessidades e expectativas do mercado permite identificar como fatores essenciais para o cliente o fornecimento de produtos seguros e o cumprimento de requisitos legais e regulamentares aplicáveis, que sejam evidenciados pelos elevados padrões de qualidade apresentados. Nesse sentido a Rural Futuro; Lda tem um comportamento pró-ativo e rigoroso no que respeita à qualidade e segurança alimentar, procurando manter uma imagem assente na elevada qualidade e segurança dos nossos produtos e na total satisfação dos nossos clientes e consumidores.
Nesse sentido, a filosofia de gestão da Rural Futuro, Lda, baseia-se na satisfação dos seus clientes e consumidores, na segurança dos seus produtos, na satisfação dos colaboradores e numa relação de confiança com os seus fornecedores, assumindo o compromisso de fornecer produtos de qualidade e seguros que proporcionam total confiança ao nosso cliente e consumidor.
Com base nos requisitos deste referencial, a Rural Futuro, Lda. garante a conformidade dos processos e procedimentos que contribuem para a qualidade e segurança alimentar dos produtos por si comercializados, desde a sua origem, procurando através de relações de parceria com os seus clientes estender esses níveis de qualidade até ao consumidor final.
Aspeto fundamental para a qualidade dos nossos produtos são os nossos fornecedores com os quais mantemos uma relação de grande proximidade e confiança. Desta forma garantimos a elevada qualidade de produtos por nós fornecidos, reforçada por processos controlados com base em critérios de elevada exigência ao nível da qualidade e segurança alimentar e em total conformidade com requisitos legais e regulamentares aplicáveis.
Ruralfuturo1
Para a qualidade extrema do leite, é feito um exaustivo e rigoroso controlo das explorações. Passo a passo, que procedimentos são tomados para que nada falhe?
Explorações – O controlo nas explorações é um dos fatores determinantes para a qualidade deste produto-leite. Assim temos um controlo rigoroso desde a sanidade dos rebanhos, frio dos tanques, alimentação e todos os fatores que de uma forma ou outra nos garantam a inocuidade do produto. Para isso possuímos uma equipa nos domínios da Zootecnia e Veterinária que faz o controlo rigoroso nas explorações. Antes de ser retirado o leite das explorações é verificada a acidez, ph, temperatura, odor e aspeto físico do leite. Após este procedimento é retirada uma amostra individual por produtor a fim de ser enviada para o laboratório.
Recolha e transporte – No centro de recolha antes da descarga do leite são retiradas amostras para as análises físico-químicas do mesmo:
– deteção de antibiótico
– Mistura de outras espécies
– Acidez
– Temperatura
– Ph
Para uma maior fiabilidade e transparência das análises, alem das anteriores são enviadas outras para um laboratório interprofissional. Este centro de recolha permite um controlo rigoroso de toda a restabilidade desde as explorações até ao consumidor final.
Entrega – Com uma frota de viaturas com ATP, ou seja certificados e homologados para transporte de produtos alimentares, podemos deslocarmo-nos a qualquer lado com pontualidade e eficiência de serviço. Aquando da entrega verificamos novamente algumas características químicas do leite, principalmente ph e temperatura ou seja conseguimos através de um rigoroso controlo todo a rastreabilidade do Produto desde a origem ate ao consumidor final.

Se o leite de cabra possui propriedades mais benéficas para a saúde do que o leite de vaca, o leite de ovelha, por sua vez, é de todos o mais aceitável pelo sistema digestivo humano. Quais são as principais diferenças entre estes dois produtos que importa dar a conhecer ao nosso leitor? Que mitos ainda existem?
O leite de cabra tem propriedades mais benéficas para a saúde do que o leite de vaca, nomeadamente na prevenção da falta de ferro e da desmineralização óssea. Uma boa opção para as mães que não conseguem amamentar é dar leite de cabra ao bebé.
Para além disso, este tipo de leite:
– favorece a utilização digestiva e metabólica de minerais como o ferro, cálcio, fósforo e magnésio.
– ajuda a prevenir doenças como a anemia e a desmineralização óssea.
– é especialmente ativo na neutralização da acidez gástrica, contribui para a cicatrização das paredes do estômago.
– causa menos alergias.
– é mais fácil de ser digerido.
– tem menos colesterol, mais cálcio e menos açúcar.
O leite caprino não é o substituto ideal do leite materno, mas, dentro das outras opções, é o que mais se aproxima em relação aos benefícios que traz ao bebé.
O leite de ovelha é tanto nutritivo quanto saboroso. Possui uma coloração branca intensa e homogénea.
O seu sabor é levemente adocicado e suave, com aroma próprio.
Contém glóbulos de gordura, conferindo uma cremosidade única ao leite e seus derivados, temos que ver este produto como futuro alimento na dieta humana.
O leite de ovelha é mais aceitável pelo sistema digestivo humano em comparação aos leites de vaca e cabra. Comparado ao leite de vaca, o iogurte feito com leite de ovelha tem o dobro de quantidade de cálcio e proteínas e 50% mais de ferro. É também mais rico em vitaminas A,D,C,E e complexo B e contém menos sal.
O queijo de ovelha contém alta concentração de nutrientes essenciais, em particular proteínas e cálcio de alta qualidade, assim como outros nutrientes como fósforo, zinco, vitamina A, riboflavina e vitamina B12.
A lactose é o maior carboidrato no leite de ovelha, é um nutriente valioso porque favorece a absorção intestinal do cálcio, magnésio e fosforo e a utilização da vitamina C.
O leite de ovelha contem ácido lático, uma forma conversora de lactose, tornando-a mais facilmente aceite pelas pessoas intolerantes à lactose.

As empresas lusófonas procuraram na MIF novos parceiros de negócios chineses para relações sustentáveis e a longo prazo. Foi também este o propósito da Rural Futuro? Que balanço é possível fazer da vossa passagem pela Feira Internacional de Macau?
Sim, sem dúvida. Fazemos um balaço positivo, uma vez que só em termos da comunidade lusófona existem cerca de 250 milhões de pessoas que falam a língua de Camões; e possível trocar ideias, definir estratégias, entre países que embora com cultura muito diferentes tem muitas afinidades Por outro lado, mostrarmos que apesar de sermos um país pequeno, somos um país com uma riqueza endógena de produtos de alta qualidade. Estes produtos podem ser utilizados para um nicho de mercado diferenciado.

“Juntos na Saúde”. Esta é a Lifeway

Rui Calçada e Pedro Guimarães

A edição de 2015 da Feira Internacional de Macau foi a maior de sempre. Este evento cresceu e é hoje o mais importante encontro de trocas comerciais e de investimento entre Macau, a República Popular da China e o Mundo, com especial incidência nos mercados lusófonos. Para a Lifeway este é, por isso, o local ideal para estar. Com qualidade e sentido de adequação às necessidades dos mercados onde atua, a empresa quis marcar presença e sabe que estar num evento que é hoje um dos mais importantes encontros comerciais do Mundo é de extraordinária mais-valia. Atualmente, em termos internacionais, o volume de negócios da Lifeway ronda os 95%, o que apenas demostra que esta é uma empresa que adotou, desde a sua génese, uma estratégica visão de negócio global. “A Lifeway é claramente uma empresa com visão de internacionalização e de exploração de mercados lusófonos. Começamos com os PALOP, sendo que em Angola já temos uma posição consolidada. Conseguimos entrar em Cabo Verde e em Moçambique temos feito alguns contactos”, explicou Rui Calçada, Diretor Financeiro da Lifeway. E Macau? “É um mercado que queremos conhecer, testar e ver como poderemos ser um player competitivo localmente”, acrescentou o responsável. Na sequência desta informação, para Pedro Guimarães, Diretor Geral da empresa, não importa esquecer outro dado importante. “Macau é uma possível porta de entrada para o mercado chinês”, colmatou. Esta “ponte” é cada vez mais encarada como crucial para o sucesso das abordagens a este enorme e potente mercado mundial e tal consciência não é de todo esquecida pela Lifeway.
Para lá chegar, a empresa continuará a manter os mesmos valores que sempre a nortearam. Qualidade e segurança são dois pontos fulcrais em qualquer atividade e na área da saúde de um modo muito particular. Como tal, “importa criar relações de confiança com todos os clientes, quer sejam de Portugal ou de outro país. Damos todas as respostas na área da saúde, quer com a nossa linha de produtos Festivit, quer com outro tipo de solicitação que nos chegue, como sejam medicamentos, suplementos alimentares, cosméticos, entre outros”, explicou Pedro Guimarães. Esta é hoje a Lifeway. Uma empresa dinâmica e jovem mas que não deixa que esta “juventude” seja sinónimo de pouca experiência. Aliando um serviço rápido e competitivo a nível de preço à extrema qualidade, a Lifeway trabalha com produtos europeus e registados em Portugal.

Produtos inovadores e funcionais
A um preço justo e com boas margens comerciais, a Lifeway, atenta às necessidades dos seus clientes, desenvolveu uma linha de suplementos alimentares na área da nutrição tendo em vista as carências mais básicas a este nível tanto de crianças como de adultos. A linha Festivit “apresenta-se quer com formulações sólidas para adultos, quer com formulações líquidas para crianças ou para pessoas com dificuldades de deglutinação, por norma mais idosas”, explicou Pedro Guimarães. Esta foi também uma linha desenvolvida com o objetivo de suprir necessidades de populações específicas. Desde sempre que a principal atividade da Lifeway é a comercialização de produtos de saúde, medicamentos hospitalares, genéricos e de marca para os PALOP, com especial incidência para Angola. E foi também a pensar na população angolana que nasceu a linha Festivit. “Angola é dos países a nível mundial com maior taxa de mortalidade infantil até aos quatro anos de idade. Esta é, por isso, uma linha muito funcional”, rematou Pedro Guimarães.

Atuação nos PALOP
Contribuir para a evolução sanitária, social e económica em todos os mercados onde se encontra é um dos grandes alicerces desta empresa e diariamente, para atingir este desígnio, são alguns os muros a derrubar. Por exemplo, no caso de Angola. “Uma das principais exigências deste mercado é a acessibilidade ao produto, especificamente ao medicamento. A nossa posição naquele país é de forte apoio na satisfação das necessidades da população, seja através do simples fornecimento do produto, seja através da capacidade financeira que aportamos ao apoio e às relações que mantemos com os clientes”, defendeu o Diretor Geral. Assim sendo, assumindo sempre o risco inerente a qualquer operação, a Lifeway consegue suprir estas necessidades num país onde a procura por este tipo de produtos supera largamente a oferta. “Dentro das nossas capacidades e admitindo as restrições, a Lifeway tenta ao máximo colmatar as necessidades que encontra”, assegurou o responsável.
Neste percurso pela internacionalização, em 2013 iniciaram a comercialização da linha de produtos de produção europeia para o mercado português e africano (PALOP). Pelo caminho encontraram as dificuldades intrínsecas ao lançamento de qualquer produto novo. “Conquistar a confiança dos nossos clientes, do consumidor final e adequar o produto ao mercado, nunca descurando a qualidade e sempre a um preço competitivo são os desafios”, partilhou Rui Calçada. Este é naturalmente um caminho que não se constrói por acaso. “É um trabalho que está a ser feito a médio e longo prazo. Mas já atingimos números bastante interessantes”, revelou o Diretor Financeiro. Em traços gerais, em 2014 e 2015 a Lifeway já ultrapassou as 200 mil unidades para o mercado dos PALOP. Para Rui Calçada, o investimento em países lusófonos é claramente um caminho que uma empresa deve seguir mas apenas se se sentir confortável para arriscar. Foi o que aconteceu nesta casa. Na Lifeway esta é uma característica presente desde o início. “A direção para os mercados lusófonos está associada à nossa génese e à origem da empresa”.
A rota está traçada. É preciso tempo para que se consiga atingir os objetivos propostos. Mas a ambição está lá. O desejo de voar está presente. Crescer. Estar entre as cinco principais empresas exportadoras de medicamentos e produtos de saúde para o mercado dos PALOP é a visão de futuro desta equipa. Com quatro anos de existência, a Lifeway está a consolidar a sua posição à velocidade que é permitida, nunca perdendo o foco e o compromisso que sempre assumiu: “Juntos na saúde”.


Parcerias no mercado português
Para conseguir responder de forma rápida e comercialmente competitiva aos clientes, a Lifeway estabeleceu várias parcerias com empresas de renome a operar em Portugal, nomeadamente a Atral Cipan, Bayer, Baxter, B. Braun, Cinfa, Labesfal, Medinfar, Novartis, Sandoz, entre outras.

Atividade da Lifeway
A sua atividade centra-se na distribuição por grosso de medicamentos de uso humano (inclusivamente substâncias estupefacientes e psicotrópicas) e outros produtos da área da saúde, nomeadamente dispositivos médicos, suplementos alimentares, reagentes, testes de diagnóstico, cosméticos, biocidas, entre outros).

20ª MIF
A 20ª edição da Feira Internacional de Macau, organizada pelo Instituto de Promoção do Comércio e Investimento de Macau (IPIM), realizou-se entre os dias 22 e 25 de outubro no Centro de Convenções do Hotel Casino Venetian, em Macau. Contou com mais de 150 expositores dos países de língua oficial portuguesa, sendo que a maioria era proveniente de Portugal.

Uma empresa onde o tradicional não ocupa espaço

José Pedro Farinha e Hernâni Duarte

A existirem lacunas na área contabilística, em 2010 nasceu uma empresa portuguesa de serviços de contabilidade, auditoria e consultoria fiscal que veio colmatá-las. “A BTOC distingue-se no mercado pelo contributo que dá ao cliente com informação útil, atempada e compreensível. De nada serve termos uma contabilidade bem elaborada se chegar tarde ou se tiver uma linguagem de tal forma técnica que ninguém a compreende e hoje em dia a decisão deve ser tomada tendo como base a informação dos números”, explicou em conversa com a Revista Pontos de Vista José Pedro Farinha, Partner da empresa, à margem da 20ª edição da Feira Internacional de Macau. Assim, fortemente vocacionada para as áreas de atuação referidas, fruto de mais de duas décadas de experiência dos seus consultores, a BTOC surgiu para responder aos desafios lançados pela entrada em vigor do Sistema de Normalização Contabilística (SNC). E, numa área tão sensível e de vital importância como esta, conquistaram clientes que “davam e dão muito valor ao facto de receberem todos os meses informação sobre os seus números”. Isso permitiu que esta empresa crescesse não só em termos geográficos (estando hoje em quatro continentes), como no que diz respeito às áreas de negócio. Consultoria fiscal, consultoria financeira e consultoria na área da formação são áreas prioritárias que disponibilizam ao cliente para que ele tenha acesso a quadros capacitados e conhecedores do mercado e da legislação em vigor.
No acompanhamento ao cliente, esta equipa pode exercer funções em escritórios próprios ou integrada nas instalações das empresas clientes e este foi, durante muito tempo, o grande segredo do sucesso da BTOC. Seguindo todas as normas contabilísticas e todo o rigor que a profissão exige e assumindo uma linguagem simples e percetível, a BTOC vai a casa do cliente e passa-lhe a informação. Se em Portugal são muitas as empresas que recorrem a esta prática, noutros países esta característica era totalmente desconhecida e, como tal, era encarada como uma tremenda mais-valia. “Em países como Angola, Brasil, Moçambique, Macau ou Cabo Verde era um modus operandi pouco conhecido e conseguimos acrescentar valor ao introduzir esta nova forma de relacionamento entre a contabilidade e as empresas e que tira um maior proveito não só da comunicação como da segurança da informação”, revelou José Pedro Farinha.
Quebrando por completo com a linguagem tradicional entre as empresas e os escritórios de contabilidade, a BTOC assumiu-se como uma alternativa mais eficaz, que maximiza todo o processo, deixando de existir redundâncias ou ineficiências. “Esta nossa forma de trabalhar só é possível graças à tecnologia e ao facto de os sistemas serem cada vez mais comunicativos entre eles. Hoje as empresas têm os seus próprios sistemas de faturação e de gestão administrativa. A BTOC capitaliza isso e integra a informação dos clientes no nosso sistema que está constantemente em evolução. Aliás, na nossa equipa temos pessoas totalmente dedicadas ao desenvolvimento tecnológico de apoio a todos os escritórios e trabalhamos ainda com parceiros tecnológicos muito importantes que nos dão o apoio necessário”, sintetizou o responsável. Este modo de atuação é, aliás, o espelho do nome da empresa: BTOC – Business Technology Outsourcing Consulting. Mas mais do que fornecedores de uma mão-de-obra simples, a BTOC assume-se como uma “vendedora de conhecimento”.

Uma empresa que “respira” formação
Como o conhecimento não pode nem deve ficar guardado a sete chaves dentro de um armário, esta é também uma empresa empenhada em formar, em ensinar e em partilhar tudo o que sabe com os mais jovens, sejam portugueses ou não. A aposta clara na formação é outra característica que desde sempre fez parte do ADN da BTOC, tal como evidenciou José Pedro Farinha. “Os recursos humanos são o nosso principal ativo. Procuramos sempre os melhores alunos de faculdades com cursos muito específicos dentro destas áreas. Depois disso, esforçamo-nos em capacitar estes técnicos para que possam crescer e é hoje um enorme orgulho vê-los em cargos de chefia de equipa ou a liderar projetos importantes. É como um filho nosso que cresce”, partilhou o responsável. Mas esta preocupação trespassa as fronteiras do território nacional. “Temos protocolos com universidades de vários países com esse mesmo objetivo. Neste momento queremos receber estagiários de Macau que falem português nos Países de Língua Portuguesa para que assim consigamos aumentar a nossa competência no que diz respeito a clientes asiáticos que estão a investir nesses mercados. Da mesma forma levamos estagiários portugueses para esses países. No fundo, a BTOC compra e vende horas e têm definitivamente de ser horas competentes”, acrescentou José Pedro Farinha, colmatando a sua ideia com uma expressão bastante popular: “não somos beneméritos ao ponto de dar o peixe mas tentamos ensinar a pescar”.
Também assim a BTOC tem procurado contribuir para o desenvolvimento económico dos países onde marca presença. Apoiando jovens empresários em Moçambique, Portugal, Cabo Verde ou Angola, a empresa assume como missão capacitar os recursos disponíveis para que, no futuro, possam vestir a camisola da BTOC e contribuírem todos juntos para a evolução das economias. A presença nesta feira é a prova viva desta estreita relação com as associações locais uma vez que foi a ligação à Associação de Jovens Empresários Portugal-China que os levou a Macau.
DDD
“Quem não pensar global pode fechar a porta”
O enfoque que a empresa tem dedicado ao mercado internacional tem trazido o reconhecimento expectável e, para José Pedro Farinha, esta capacidade de internacionalização foi muito aperfeiçoada pelas empresas portuguesas nos mais recentes períodos de crise económico-financeira. Fazendo alusão a uma tremenda herança deixada pelos nossos antepassados, o responsável acredita que o facto de hoje a língua portuguesa estar dispersa pelos quatro cantos do Mundo é um elemento facilitador. A língua promove negócios e cria oportunidades sem dúvida. Mas é preciso saber “jogar” com os elementos que se tem ao alcance e, na visão de um dos partners da BTOC, “quem não pensar global pode fechar a porta”.
Além de hoje estar presente em Portugal, Angola, Cabo Verde, Brasil e Moçambique, a BTOC já se “aventurou” por África do Sul onde tem um escritório em modo standby, esteve já em Espanha e Polónia e acredita ainda que Macau tem condições especiais até por ser uma extraordinária plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Certamente seguir-se-ão outros destinos mas sempre partindo de um pressuposto fundamental. “A entrada num novo mercado deve ser sempre feita com uma empresa portuguesa. Depois disso surgem novos contactos e clientes”, explicou. Não tendo uma escala gigante, a BTOC ambiciona ser a melhor empresa a nível mundial na sua área de atuação. “Podemos não ser os maiores mas queremos claramente ser os melhores”, assegurou.  E ser o melhor trará também mais-valias para Portugal uma vez que, pelo mundo fora, a BTOC ergue a bandeira portuguesa com orgulho e torna o nosso país apelativo e atrativo ao olhar atento do investidor estrangeiro.

A casa será sempre Portugal
A BTOC assume-se como uma empresa portuguesa que tem feito com que o nosso país tenha um lugar cativo no cenário económico internacional. Lado a lado com empresários, a BTOC apoia-os nesta aventura da internacionalização, auxiliando-os num momento que para muitos é completamente desconhecido. “Precisam de ter segurança na informação, segurança nos impostos que pagam, precisam de auditar as empresas com as quais se vão associar, elaborar estudos acerca da sua própria empresa e avaliações que possam eventualmente apresentar a investidores externos”, exemplificou José Pedro Farinha. E para tudo isso está lá a BTOC, uma empresa que continuará a apostar no mercado nacional com o reforço da sua presença no norte e centro do país e que nunca esquece que “Portugal é o centro do Mundo, o melhor país para viver”.


Por onde andam estes consultores de gestão?
– Portugal (Lisboa, Porto, Cascais, Faro e Funchal);
– Angola (Luanda);
– Brasil (São Paulo e Rio de Janeiro);
– Moçambique (Maputo);
– Cabo Verde (Praia).

Revista Pontos de Vista – Tendo em consideração a ambição de participar na evolução social, o que mudou em Portugal desde que se tornaram presença assídua neste nicho de mercado?
José Pedro Farinha – Despertamos o interesse de jovens que se querem tornar contabilistas certificados, contribuindo assim com informação útil e atempada para os clientes. Assumem-se como médicos das empresas. Não falo de médicos que curam doenças mas sim daqueles que dão vacinas e previnem as desgraças atempadamente. Contribuímos para que a nossa profissão não esteja associada à imagem de um cobrador de impostos. Contribuímos para que a profissão seja mais digna e possa servir como um instrumento útil à gestão das empresas. Acreditamos que somos uma boa empresa para trabalhar e que tem formado jovens profissionais. Com os colegas de profissão, que não são concorrentes, acredito que vamos contribuir para um futuro melhor das empresas portuguesas, seja em Portugal, seja pelo mundo fora. Esse é o nosso bem social.

Serviços prestados pela BTOC:
Tesouraria – atuar com pragmatismo e determinação;
Contabilidade – contribuir para melhorar os resultados dos clientes;
Recursos Humanos – descobrir e valorizar talentos;
Gestão de ativos fixos – promover a satisfação e a fidelização de clientes;
Fiscalidade – garantir o cumprimento das normas legais em vigor;
Sistemas de informação – pensar estrategicamente e imaginar o futuro;
Reengenharia de processos – otimizar fluxos e tecnologias;
Financeiros – conhecer para determinar o justo valor;
Formação – investir no desenvolvimento pessoal e profissional.

Portugal e China, uma relação sem distâncias

Todos os dias surgem novas e aliciantes oportunidades que devem ser agarradas. Criada em 2012, a Associação de Jovens Empresários Portugal-China (AJEPC) tem protegido os interesses dos seus associados, fortalecendo as relações entre estes dois países. Neste trabalho de aproximação, desenvolvimento e investimento nos dois mercados, que balanço é possível fazer?
Pode se fazer um balanço positivo, tendo em conta os vários contatos estabelecidos, missões empresariais e inversas realizadas, projectos concretizados e as diversas oportunidades que ainda estão a ser exploradas, quer no eixo Portugal – China, quer nas triangulações entre os países de língua portuguesa, Macau e China a nível empresarial. No entanto, temos consciência que devido ao nosso carácter como voluntários temos muitos pontos fortes, mas também algumas lacunas que temos vindo a aprender e a melhorar dentro da nossa organização. Com a experiência, humildade, dignidade e força de vontade dos nossos membros temos conseguido superar diversos desafios e realizado diversas acções que inicialmente pareciam muito mais difíceis mas que em conjunto conseguimos superar.
Entendemos que temos feito um trabalho institucional interessante junto ao AICEP, IPIM, HK Invest, Beijing Invest e CCPIT de várias regiões da China, sendo que temos realizado diversas acções conjuntas, desde sessões de esclarecimento a organização de missões empresarias e eventos sectoriais.
A AJEPC apoiou o nascimento de diversas associações, sendo também fundadora da Federação Sino-PLPE, que foi criada no início de 2015 em Macau e que promove as relações entre os diversos países de lingua Portuguesa, Espanhola e a China, promovendo triangulações comerciais e de investimentos através do fomento da cooperação empresarial e institucional, troca de contactos e validação de interlocutores de parte a parte.

A Associação utiliza a plataforma Macau para a organização e promoção de eventos na China, tal como a China e Macau podem contar com AJEPC para os mesmos fins no mercado Europeu e nos PALOP. Efetivamente, como descreveria este trabalho de parceria? O que tem sido possível fazer?
A AJEPC tem diversos acordos de colaboração entre associações de Macau, China, dos PLP e de alguns países da União Europeia. Estes acordos permitem uma maior interacção entre as várias associações e uma maior dinâmica entre os seus membros. Existe partilha de agendas de trabalho, calendários de eventos e maior transparência na informação passada entre todos. Este tipo de trabalho permite também identificar entre os diversos membros os que têm projectos ou produtos que podem complementar os pedidos de outros empresários de associações distintas. Acaba por ser uma rede de networking com benefícios mútuos, que permite juntar mais valias e pessoas interessadas da mesma área sempre que surja uma oportunidade. Deste modo temos crescido cada vez mais em termos de membros honorários (grande parte, presidentes de associações homólogas), o que nos permite trazer mais “experiência” ao nosso grupo de membros! Como aconteceu no Fórum Empresarial dos PLP e da China que se realizou entre 20 a 22 de Outubro em Macau, pode-se ver uma grande dinâmica e entre-ajuda entre diversas associações portuguesas, macaenses, chinesas e dos restantes PLP que estiveram presentes. Foram apresentados conceitos, ideias, projectos que envolvem Macau e China, mas que por vezes existe um trabalho conjunto de mais que um PLP! É neste tipo de trabalho que Portugal e Macau acrescentam valor! É nas relações e cooperação nas diversas áreas que nos distinguimos pela diferença, criando “links” entre os diversos povos e culturas e acrescentando serviços, know-how e cultura fundamentais para tornar possível a triangulação.

Alberto Neto
Alberto Neto

Da cultura à gastronomia, são muitas as caraterísticas que distinguem estes dois povos. De um modo geral, o que aproxima e o que afasta Portugal e a China?
Existem diversas características culturais que distanciam os dois povos, mas essas mesmas diferenças, bem trabalhadas podem ser transformadas em pontos positivos. Existem diferentes métodos de trabalho, negociação e criar uma oportunidade de negócio depende muito da capacidade de espoletar curiosidade e interesse no potencial parceiro! Duma forma geral o sector agro alimentar acaba por ter uma grande oportunidade que deve ser explorada ao máximo pois desta forma estamos a exportar “gastronomia e cultura”, que se bem promovida poderá apoiar também o turismo e investimentos em Portugal, pois estamos a dar conhecer o nosso país.

Nesta aproximação dos países lusófonos à China e a Macau, tanto a nível económico como cultural, o que continua a ser premente fazer? Em contrapartida, o que falha?
Falha a realização prática de projectos concretos. Por vezes não há um rumo, uma estratégia. Já não estamos no tempo das caravelas que entramos no barco e vamos à procura de algo que ainda “não existe”! Devemos sim, continuar a entrar nas caravelas, mas saber exactamente para onde queremos ir! Mudar constantemente de estratégia não é estratégia! Indecisão não é uma oportunidade nem mais valia! Como tal temos de vir à China com ideias bem concebidas e planeamento a médio longo prazo. Temos de entender que nesta caravela temos de estar dispostos a viajar em conjunto com os nossos “irmãos” de Cabo Verde, Angola, Moçambique… Desta forma temos maior força e podemos fazer a diferença.
Acredito que Macau seja uma porta de entrada, e que está a trabalhar exactamente para isso. É agora necessário inovar nos eventos, ser mais dinâmico, nomeadamente para poder ser o trampolim para os PLP para a China, e mesmo da China para os PLP.  Existem fundos de investimento para a cooperação que não estão a ser usados e que podem ser canalizados através de Macau. Como tal, Macau tem de promover a formação e a passagem de conhecimentos, promover sessões de esclarecimento mais profundas em matérias que poderão fazer a diferença num futuro próximo! O mesmo na área de trading, a relação com Zhuhai e Hangqin deve ser de aproximação! O ideal seria que no futuro os produtos importados dos PLP para Macau, possam transitar para a China continental, estimulando o comércio tradicional de Macau e criando mais uma oportunidade de mercado aos PLP, senão continuará a ser feito por HK ou directamente para a China Continental, onde historicamente e culturalmente perdemos a nossa vantagem, por isso é do nosso interesse apoiar sem hesitações a plataforma Macau. Temos conhecimento de algumas iniciativas muito interessantes no âmbito online no entanto está tudo ainda no campo dos planos e não existe ainda uma plataforma online que funcione efectivamente.

Em termos promocionais, a estratégia de Macau tem passado, sobretudo, pela divulgação do seu património histórico e por um fortíssimo impulso à indústria do lazer e do turismo de negócios. Que potencialidades existem e que podem ser aproveitadas pelos empresários portugueses, em particular pelos mais jovens?
Penso que neste âmbito Macau tem algum potencial no mercado local, mas deve ser visto como um trampolim para novos mercados. Logicamente ainda se pode fazer muito em Macau, nomeadamente a nível de eventos, mercado agro-alimentar através de aproximação dos grandes centros de consumo, desenvolvimento de plataformas de high tech e e-commerce. Acredito que as agências de viagens de Portugal devem estreitar relações com as de Macau e criar parcerias para criar rotas específicas e mais interessantes para um mercado chinês cada vez mais exigente e competitivo. Mas é preciso ter atenção que o processo de internacionalização deve ser visto como um processo complexo e que se deve dar um passo de cada vez. Caso contrário damos crédito ao nosso vizinho, também não o devemos fazer a um recém contato, que não temos muita informação sobre o mesmo! Como tal, Macau por ser um meio pequeno, pode ser também uma mais-valia para quem quer entrar no mercado, pois entra com alguma segurança e pode procurar o apoio institucional quer do IPIM na apresentação de contactos válidos, como pode contar com a AICEP para validação e acompanhamento dos mesmos.

Por ser membro da União Europeia, fundador da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, por ter uma ligação muito especial com África e com a América Latina e por possuir uma história que o tornou conhecido por todo o Mundo, Portugal tem uma reconhecida importância. Na China, é deste modo que olham para o nosso país?
Acredito que Portugal é bem visto por praticamente todo o mundo. Como empresário viajo pelos diversos continentes e presencio a importância que é atribuída a Portugal. Nos últimos anos foi feito um enorme trabalho para divulgar Portugal em países que historicamente tinham relação mas estava adormecida, importante o trabalho institucional quer da Presidência quer dos diversos Ministérios que visitaram e abriram portas, quer da AICEP ou Turismo de Portugal, alargando o espectro das novas oportunidades de negócios. Tal aconteceu em número extremamente interessante com o Ministério da Agricultura e do Mar que permitiram o desembargo de diversos produtos e referências em diversos países. De salientar a postura dos nossos diplomatas que tem feito um grande trabalho de promoção cultural e económica. A escala do nosso país e respectivos orçamentos de promoção internacional são naturalmente limitados, nomeadamente quando os comparamos com os nossos concorrentes, no entanto batemos qualquer um no campo das relações pessoais. É bom chegar a um país novo e termos ótimas referências da comunidade local sobre quem nos representa. Trata-se de um trabalho de continuidade, um trabalho que tem de ser continuamente realizado. E não de trata de um trabalho exclusivo de ninguém; é sim um trabalho de todos nós, pois todos somos pequenos embaixadores do nosso país. É uma missão que as diversas associações e câmaras de comércio devem entender que temos obrigação de realizar, e bem feito pelo nosso país e sustentabilidade dos nossos negócios.

Para investir é importante conhecer o sistema legal e a realidade nacional. O que é imperativo saber antes de avançar para o mercado chinês?
Esta questão é extramente importante e debatida em praticamente todas as sessões de esclarecimento que realizamos em Portugal, Macau e China. São essencialmente sessões de trocas de experiência que podem ajudar e muito a perceber determinadas realidades. É importante percebermos como funciona, como nos protegermos, o que fazer em situações difíceis, como resolver. Para tal, é importante estarmos esclarecidos! Envolver a banca, advogados, contabilistas e em casos concretos empresas de logística, para sabermos mais. Quanto melhor a qualidade da informação, melhores ferramentas teremos para tomar boas decisões.

Acredita que Portugal e a China, sendo dois países com culturas tão distintas, estão a atravessar um período próspero em termos relacionais? De que forma Portugal pode sair deste período conturbado com a ajuda da China, um país já com um lugar cativo no cenário económico internacional?
Em termos relacionais Portugal e China têm demostrado serem parceiros estratégicos, não apenas no papel mas sim em acções e desenvolvimentos concretos. Portugal pode beneficiar e muito deste novo ciclo económico, nomeadamente com a relação com a China, sem pôr em causa os interesses e as gerações futuras, antes pelo contrário. Creio que nos devemos valorizar não só pelo potencial que temos como nação, pelos recursos humanos, o clima ou a localização estratégica, mas também pela capacidade de interacção com outros povos e capacidade de acrescentar valor nas relações humanas. Saber aproveitar os investimentos estrangeiros para recuperação da nossa economia e do nosso património e direcioná-los para áreas estratégicas que beneficiem ao máximo o interesse nacional é um desígnio nacional. É importante continuar a atrair grandes empresas a investirem em Portugal, mas também o é atrair empresários estrangeiros a investirem em projectos menores que precisam de se alavancar ou de algum apoio inicial, como são os projectos de muitas start-ups, que têm ideias brilhantes e só precisam de um empurrão. A crise que se sentiu obrigou-nos e bem a arranjar soluções, a sair da zona de conforto e não ter medo de arriscar ou procurar oportunidades. O mesmo acontece com algumas empresas mais maduras que estejam a passar dificuldades económicas e necessitam de investimento externo sem o conseguirem obter na banca. Muitas vezes a injecção de capital resolve o problema do fecho iminente dessas empresas enquanto a abertura aos mercados de origem do investimento estrangeiro resolve o problema da sustentabilidade das respectivas indústrias. Não devemos esquecer que algumas destas empresas têm até grandes responsabilidades sociais, nomeadamente os trabalhadores que empregam e famílias que garantem o seu sustento. O investimento nas empresas e mercado português, seja nacional ou estrangeiro deve ser sempre incentivado, através das reformas estruturais que se demonstrem necessárias para competirmos internacionalmente pela captação de investimento estrangeiro com outros países.

As relações entre Portugal e a China comemoram 36 anos e há quem defenda que entram agora numa nova era. A crise vivida em Portugal acabou por estimular o reforço deste relacionamento bilateral? Cada vez mais os chineses olham para o nosso país como o melhor a nível europeu para investimentos?
Quanto mais damos a conhecer o nosso País mais investidores olham para nós, mas repare que não são só os chineses que olham para Portugal. Mesmo dentro da Europa temos cada vez mais franceses, ingleses, alemães e suecos a investirem, já para não falar dos norte-americanos. Os chineses dão mais nas vistas, por serem chineses. Mas na realidade o número maior de investimentos registados em Portugal, vêm da Europa, e depois sim chineses, russos e brasileiros. Portugal é um País muito completo. Infelizmente por vezes devíamos ter mais gente a viajar para dar valor ao Portugal que temos. Em infra-estruturas, saúde, ambiente, segurança, turismo o nosso País é extremamente rico. Depois temos ainda a acrescentar as benesses naturais do clima e a qualidade dos recursos humanos, que somos nós Portugueses. Sabemos receber, gostamos de interagir e somos um povo que cria soluções; temos história e uma cultura riquíssima; temos um País prático ao nível do investidor estrangeiro que cria condições de investimento interessantes.

Para o futuro, sob a bandeira do relacionamento entre Portugal e a China, o que se pode continuar a esperar da atuação da AJEPC? Que objetivos pretendem ver brevemente concretizados?
Como associação continuaremos a apoiar a relação económica, social e cultural de Portugal – Macau – China, desenvolver acordos e aproximarmo-nos de outras associações homólogas, desenvolver e realizar missões empresariais, missões inversas, acções de speed dating, eventos paralelos e marcar presença em diversas feiras e exposições que tragam visibilidade aos produtos portugueses. Continuaremos a apoiar os jovens, que são o nosso futuro e serão os próximos líderes e tomadores de decisões, e que quanto melhor estiverem preparados e melhores relações tiverem com outros países melhor poderão apoiar os seus países e relações internacionais. Quanto aos objectivos mais imediatos gostaríamos de ter um consulado português inaugurado até final deste ano e um voo directo entre a China e Portugal durante o ano de 2016. É igualmente necessário maior intercâmbio de estudantes e professores entre as universidades portuguesas e chinesas, nomeadamente nos cursos ministrados em inglês. Será interessante reforçar a posição de Portugal como País premium no turismo, mas não apenas no tradicional como alavancar o EnoTurismo, Turismo Rural e Turismo Saúde onde reunimos todas as condições para dar cartas e ser bem sucedidos.

“O BNU faz parte da vida financeira do território”

Pedro Cardoso

O BNU – Banco Nacional Ultramarino foi o primeiro banco comercial em Macau, isto ainda no início do século 20. Que análise perpetua da atividade da instituição e de que forma tem contribuído para a evolução do sistema financeiro e económico de Macau?
O BNU está presente em Macau há mais de 113 anos. É um banco de direito local desde 2001. Continua a ser o banco emissor da Pataca e Caixa do Tesouro da Região Administrativa Especial de Macau. É, também, um dos principais bancos comerciais de Macau. Tem presentemente mais de 200.000 clientes, aproximadamente um terço da população de Macau. Ao longo da sua história foi contribuindo para o desenvolvimento económico e social de Macau, quer no seu papel de banco emissor, quer no apoio aos grandes projetos de infraestruturas de Macau. O BNU continua cada vez mais empenhado neste papel, com equipas especializadas no apoio às pequenas e médias empresas locais, consideradas um pilar no desenvolvimento da economia de Macau.

De que forma tem o BNU promovido a cooperação para oportunidades de negócio de Macau, como plataforma económica e comercial, bem como no intercâmbio entre a China e os Países de Língua Portuguesa?
O BNU tem promovido diversas iniciativas procurando enfatizar as excelentes condições de negócio que Macau aporta às empresas que estejam a operar nestes mercados, através do intercâmbio entre os diversos atores do setor económico e comercial. A título de exemplo, o BNU tem promovido diversos encontros entre responsáveis políticos portugueses, entre os quais o Presidente da República, o Secretário de Estado da Economia e o Presidente da AICEP, com diversos empresários locais. Organização e/ou receção de delegações de empresários para encontros com estruturas empresariais locais; Participação em colóquios na China com o objetivo de apresentar o Grupo CGD e o BNU a um conjunto de empresários chineses; Apoio na deslocação de empresários macaenses a países de expressão portuguesa.
Temos igualmente participado ativamente nas iniciativas do IPIM-Instituto de Promoção do Comércio e Investimento de Macau e da AICEP, sendo que este ano participámos em alguns dos eventos promovidos por estas entidades em Macau. A título de exemplo apoiámos recentemente o IPIM na divulgação da plataforma de serviços para a cooperação económica e comercial entre a China e os PLP junto aos Bancos do Grupo CGD presentes nos PLP num fórum em Lisboa, organizado pela CGD.
Não podemos ainda deixar de destacar o protocolo que o BNU assinou em junho com o Banco da China com o objetivo de promover a cooperação entre a República Popular da China e os países de língua portuguesa, tendo Macau como plataforma privilegiada.

Ao longo de mais de um século, o BNU tem apoiado as atividades empresariais locais. De que forma o fazem e qual a relevância desse apoio para essas empresas?
Desde sempre que o BNU se foca no apoio às empresas, procurando estar próximo a estas, percebendo a sua atividade e participando ativamente na construção dos seus projetos. Um exemplo claro foi o papel pioneiro no suporte aos novos casinos estabelecidos em Macau após a liberalização do setor do jogo em 2002. Previamente a esta fase, o BNU foi um dos principais pontos de apoio do desenvolvimento da indústria manufatureira nos anos 70 e 80, tendo ainda financiado algumas das principais infraestruturas públicas existentes em Macau. No entanto, como já referi anteriormente, atualmente a nossa prioridade principal é o apoio às pequenas e médias empresas do território.

Fachada do edifício
Fachada do edifício

O investimento externo é fundamental para qualquer região, sendo que Macau não é exceção. Desta forma, que estratégias e instrumentos utiliza o BNU no sentido de captar maior investimento estrangeiro e assim contribuir para o desenvolvimento económico de Macau?
O BNU apoia no estabelecimento de empresas em Macau, tendo nos últimos anos facultado informação referente às condições necessárias para a abertura de empresas no território. Em particular e através da CGD em Portugal, procuramos estabelecer um contacto logo que haja intenção da empresa se estabelecer em Macau, facultando naturalmente a informação necessária para a abertura de conta no banco mas também informando e destacando as condições fiscais favoráveis ao investimento no território. Aproveitamos igualmente o nosso conhecimento do mercado local para identificar potenciais parceiros, fornecedores e/ou potenciais clientes para estas empresas.

Na sua opinião, quais são as verdadeiras potencialidades de Macau ao nível de oportunidades para empresas de outros mercados? Quais são os principais riscos que as mesmas enfrentam?
Macau pode ser utilizado por estas empresas como uma plataforma de preparação e adaptação de produtos e serviços e formas de negociação ao enorme mercado chinês, através de parcerias, alianças estratégicas e contactos privilegiados com as empresas estabelecidas no Delta do Rio das Pérolas.
A banca tem um papel crucial no apoio à implementação de empresas dos países de expressão portuguesa no território, quer facilitando os contactos, quer prestando serviços financeiros, nomeadamente na área do trade finance.
Julgo que o maior desafio que se pode enfrentar serão as diferenças culturais e linguísticas entre os mercados chinês e lusófono. O BNU está particularmente bem posicionado, pelo conhecimento que tem de ambos, para fazer a ponte e assumir um papel de facilitador desses contactos.

Para se apostar num mercado como Macau, é fundamental conhecer a região? Ter um parceiro como o BNU pode marcar a diferença entre uma aposta de sucesso e aposta de resultados negativos?
Há mais de um século que o BNU faz parte da vida financeira do território, mantendo um papel ativo no desenvolvimento social e económico de Macau e no apoio às atividades empresariais locais.
O conhecimento e a experiência adquiridos têm sido, ao longo da história de Macau, fundamentais para o sucesso das empresas e dos projetos dos nossos clientes, em setores como o imobiliário, o comércio a retalho, o turismo, as indústrias transformadoras, os transportes, a construção, os serviços públicos e o comércio internacional.

Fazem parte do Grupo CGD, uma das maiores instituições financeiras da Europa e o maior grupo financeiro de Portugal. Com uma extensa rede global presente em 23 países distribuídos pela Europa, Ásia, África e Américas, o BNU combina o conhecimento local com experiência internacional para lhe oferecer soluções bancárias completas e inovadoras. O facto de pertencerem ao Grupo CGD aporta maior confiança por parte daqueles que vos procuram?
Conforme anteriormente referido, o BNU faz parte do Grupo CGD, presente em 23 países e em todos os Países de Língua Oficial Portuguesa, à exceção de um. O nosso banco tem estado, assim, extremamente ativo no apoio ao comércio entre a China e os países de expressão portuguesa, quer em termos de fluxos de comércio como de investimento.
O Grupo CGD está diretamente presente em sete países de expressão portuguesa, tendo uma posição de liderança em cinco destes. Está ainda presente em Macau, Zhuhai e Xangai e prevê-se ainda a abertura de uma sucursal do BNU em Hengqin, constituindo-se assim uma plataforma ainda mais forte na ligação dos Países Lusófonos à China.
Concretamente em relação à sua questão, sim aporta, pois uma instituição como a CGD com a sua vasta presença em mercados tão dispersos e com diferentes níveis de estágio de desenvolvimento é uma fonte de conhecimento e experiência que se pode partilhar com os nossos clientes.

Na sua opinião, o que ainda falta para que as relações bilaterais económico/comerciais entre Portugal e Macau sejam ainda mais consolidadas? Qual tem sido o contributo do BNU para que esta «parceria» seja ainda mais forte?
Com o eclodir da crise económico-financeira, a Europa no geral e Portugal em particular passaram por um reajustamento económico. Em Portugal, ainda que em período de contração económica, deve-se destacar o excelente desempenho do setor das exportações.
Na sua relação com a República Popular da China, ao nível do investimento por PIB, Portugal foi um dos principais mercados europeus em que a República Popular da China investiu nos últimos anos. Este facto por si só demonstra a excelente confiança que a China deposita em Portugal e no seu potencial de desenvolvimento.
Gostávamos de ver mais produtos portugueses no mercado chinês, e Macau pode desempenhar um papel importante no estabelecimento de relações comerciais de empresas portuguesas com a China, aproveitando não só as afinidades culturais mas também as excelentes condições fiscais que o território proporciona.
Com a abertura da sucursal em território chinês no próximo ano, o BNU para além de acompanhar mais de perto os seus clientes e ter uma postura mais ativa na promoção dos negócios entre a China e os Países de Língua Portuguesa, irá reforçar o leque de serviços aos nossos clientes que possuem cada vez mais ligações à China continental.

De que forma tem o BNU apostado fortemente na inovação e em produtos diferenciadores? Existe essa preocupação, no seio da instituição, em oferecer aos vossos clientes e parceiros produtos e serviços personalizados? Essa é a grande marca distintiva do BNU?
A estratégia seguida pelo BNU tem sido a de reestruturar para crescer. Criar as condições necessárias para gerar valor num ambiente cada vez mais competitivo; formar e agilizar a estrutura para melhor responder às exigências do mercado e para surpreender a concorrência e, obviamente, estar muito atento para poder antecipar às suas necessidades.
Permita-me destacar alguns dos projetos que, de facto, demonstram a nossa capacidade de inovação e diferenciação perante a concorrência local: o lançamento em janeiro deste ano do primeiro cartão de crédito de Milhas; em abril, a disponibilização de requisição de moeda estrangeira através do serviço de Internet Banking, garantindo assim toda a comodidade e conveniência ao cliente. Mais recentemente, em setembro, lançámos o primeiro cartão de crédito de tripla moeda (Hong Kong Dólar, Yuan da China e a Pataca de Macau), etc. Estas e outras iniciativas mereceram inclusivamente alguns prémios internacionais em que destacamos os atribuídos pela Visa e pela Mastercard, assim como pela Capital Finance International, que classificou o BNU como melhor banco de retalho em 2014 e ainda pela International Finance Magazine que classificou o BNU não apenas como melhor banco de retalho, mas também o banco com melhores práticas ao nível da Responsabilidade Social Corporativa.

Quais são as principais prioridades e desafios do BNU de futuro? O que podemos esperar do mesmo?
Nos últimos anos o volume de negócio do mercado bancário de Macau tem vindo a crescer a um ritmo muito rápido. No entanto, é um mercado muito competitivo. A Região Administrativa Especial de Macau conta com cerca de 600.000 habitantes e existem já 29 bancos a operar no território.
A média da margem financeira líquida anda à volta de um ponto percentual. Ou seja, a diferença entre o que os bancos recebem de juros dos empréstimos e o que pagam nos depósitos, é das mais baixas do mundo. Ora isto implica que devido a este esmagamento da margem financeira teremos que ser criativos; vamos ter que ser capazes de fornecer mais e melhores serviços com forte controlo dos custos. Durante o ano passado, além de continuar com o processo de reestruturação interna, ampliámos as oportunidades de formação para os nossos colaboradores. Esta tem sido uma peça fundamental para otimizar a qualidade dos nossos serviços.
Os resultados têm sido encorajadores pois crescemos expressivamente no número de clientes e ainda no número médio de produtos por cliente. O nosso rácio cost to income é já inferior a 30%, um valor alinhado com as melhores práticas internacionais. Nos primeiros nove meses de 2015 o contributo do nosso resultado líquido para os resultados da CGD ascendeu a cerca de 46 milhões de euros, aproximadamente o dobro do registado há três anos.
O BNU tem prosperado num ambiente muito competitivo, sendo já conhecido pela sua agilidade operacional. Essa característica, aliada à excelência dos serviços, permitiu ao BNU navegar com segurança em tempos menos favoráveis. E em relação ao futuro, o BNU está extremamente bem preparado para colher o máximo benefício do crescimento económico .
Com esta postura, e a par de um balanço robusto, o BNU tem mantido uma política de crescimento sustentado, refletindo a confiança na nossa capacidade de criar valor para todos os nossos clientes e acionistas nos próximos anos.

“Cada vez mais a MIF se reinventa”

Vítor Sereno

Ocorreu entre os dias 22 e 25 de outubro a 20ª Feira Internacional de Macau, que visa promover o comércio e o investimento entre nações. Que balanço é possível fazer deste evento que marcou o mês de outubro em Macau?
A MIF é o principal evento multissetorial na área de promoção do comércio e investimento que se realiza em Macau, com uma área total de 37 mil metros quadrados, cerca de dois mil stands e mais de 950 expositores, de uma grande diversidade de mercados. A nível dos países lusófonos, Portugal tem contado com a maior participação de empresas.
Tendo em atenção os crescentes esforços de intensificação de relacionamento entre China, Macau e os PLP, este ano a MIF introduziu o conceito de “exposição dentro da exposição”. Assim, concentrou a participação dos PLP numa área de 2.241 metros quadrados, o que totalizou 249 stands com 150 expositores dos PLP. Igualmente, nesta área expositiva foram integrados os serviços profissionais bilingues. Claramente saiu reforçada a visibilidade e notoriedade da oferta, quer de bens quer de serviços, dos PLP em geral, e claro muito em especial de Portugal. Em termos de números de que dispomos, a presença portuguesa na 20.ª edição da MIF foi muito positiva: 133 expositores, cerca de 250 empresários e 44 protocolos assinados.
O número de empresas portuguesas presentes na MIF tem crescido de forma sustentável, o que é um indicador da importância desta iniciativa para o nosso tecido empresarial. As empresas portuguesas, em especial do setor agroalimentar, consideram que Macau tem elevado potencial, quer pelo mercado interno existente quer na lógica de triangulação com os mercados de Hong Kong, da China Continental e dos restantes países do sudoeste asiático.
Durante, e paralelamente à MIF, decorreram diversos fóruns, conferências e outras atividades que possibilitaram o intercâmbio de conhecimento, intenso networking e reforço da cooperação entre as diversas organizações presentes. Portugal, através da AICEP,  participou ativamente em eventos como o Fórum dos Jovens Empresários entre a China e os PLP, a mesa redonda com dirigentes das províncias e municípios da China e PLP, o Fórum internacional de investimento, sessão de intercâmbio económico e comercial entre PLP, Fujian e Macau, sessão de apresentação dos setores das pescas e de transformação do pescado nos PLP, reunião do Grupo de Promoção de Trabalho de Educação. Todas estas iniciativas revelam-se de grande interesse para a promoção do nosso país na China e Macau, possibilitando reforçar a marketing intelligence e branding do país e organizações bem como estabelecer e sedimentar parcerias. Por todas estas razões, o balanço que efetuamos desta iniciativa é muito positivo.

De que modo este acontecimento promove um futuro com um mais forte sentido de investimento, nomeadamente entre Portugal e Macau? Durante a Feira foram criadas condições e parcerias nesse sentido?
As feiras internacionais constituem veículos privilegiados de excelência para a promoção da oferta das empresas e, por inerência, do potencial (a nível da exportação ou de investimento) do país. São um instrumento essencial de marketing que permite às empresas dar-se a conhecer, apresentar os seus bens e serviços, apresentar inovações, reforçar a sua imagem de marca e diferenciar-se. Complementarmente, como montras de diversos bens e serviços, as feiras transmitem uma visão geral sobre a oferta atual existente no mercado e são fundamentais na identificação das necessidades dos mercados, tendências e de nichos de mercado com probabilidades de sucesso. A presença em feiras, e muito em especial em mercados muito distintos do doméstico, possibilita às empresas conhecer o ambiente de negócios do país, a cultura e a forma de fazer negócios. São fontes de informação muito fiáveis e atualizadas e que possibilitam reforçar quer o conhecimento formal quer o conhecimento tácito das organizações.
São ainda interfaces fundamentais para conhecer novos parceiros e estabelecer parcerias visando a cooperação empresarial. São pontos de encontro centrais de setores de atividade, possibilitando o diálogo entre decisores, prescritores, potenciais interessados e utilizadores.
Em muitos casos, estes eventos podem mesmo ser determinantes para o sucesso em determinado mercado. Muito em especial em mercados em que o relacionamento pessoal e próximo com o cliente são críticos para a concretização de negócios.
A MIF é um exemplo vivo de tudo isto. A sua localização e caraterísticas e dinamismo materializam-na como uma montra de excelência para a China e Regiões Administrativas Especiais bem como para a Ásia, constituindo uma oportunidade privilegiada para demonstração das nossas valências, quer na lógica de exportação quer de atração de investimento. Todos os anos um número crescente de empresas e outras organizações nacionais aposta na participação na MIF. Todos os anos são encetados novos relacionamentos, mais ou menos formais, cujos resultados são mais visíveis no médio/longo prazo.
Cada vez mais a MIF se reinventa e contribui para o desenho de novas parcerias, com novos players e em novas áreas. Este dinamismo da MIF, traduzido na multiplicação de iniciativas de interface entre empresas e instituições, tem sido crítico para o aprofundamento da cooperação Portugal-Macau.

De um modo geral, e enquanto Cônsul-Geral, como caracteriza as relações bilaterais entre estes dois pontos geográficos tão distantes? As relações económicas são um importante aspeto para ambos?
Num contexto de globalização parece-me estranho falar em distâncias. Cada vez menos, com o nível existente e crescente de infraestruturas e comunicações, a distância se constitui como um tão grande obstáculo nas relações económicas entre países. O mundo é efetivamente gigante pois as oportunidades são imensas. Mercados como Macau, com um elevado potencial, em que a nossa presença tem séculos, em que as nossas culturas, história e gentes se misturam, são pela sua natureza estratégicos, nomeadamente a nível económico.
As relações económicas entre Portugal e Macau têm-se intensificado. Em termos estatísticos, e de acordo com o INE – Instituo Nacional de Estatística, Portugal exportou em 2014 para a RAEM 23,7 milhões de euros de mercadorias. No ano anterior, o valor das exportações tinha-se cifrado em 18 milhões de euros, o que se traduziu num crescimento record de 32%.
Aqui permita-me pôr em perspetiva a importância de Macau no contexto do nosso relacionamento com o Extremo Oriente/Sudoeste Asiático. Portugal exporta quase tanto para a RAEM como para a Indonésia, o quinto país mais populoso a nível global. Alias, no contexto do Extremo Oriente/Sudoeste Asiático, que compreende 19 economias, Macau posiciona-se como o nosso oitavo principal cliente, à frente da Tailândia, Malásia e Vietname.
É ainda importante referir que a RAEM, com apenas 0,05% da população total da República Popular da China representa 2,4% das exportações portuguesas para este país. Estes dados evidenciam claramente a importância da pequena Região Administrativa de Macau.
A estrutura das exportações de Portugal para Macau, por grandes grupos de produtos, é muito concentrada. Segundo o INE, a primeira posição é ocupada pelo grupo dos produtos alimentares (com 39,7% do total em 2014), seguindo-se as máquinas e aparelhos (28,4%), os produtos agrícolas (14,8%) e os produtos químicos (10,8%). Estes quatro primeiros grupos representaram, em conjunto, quase 94% das nossas vendas para o mercado. Destaque-se que face a 2013, houve um incremento significativo do peso das máquinas, da ordem dos 17 pontos percentuais.
O ranking dos principais produtos portugueses exportados para Macau (a quatro dígitos) é liderado pelo vinho (mais de um quarto das exportações), seguido dos fios e outros condutores elétricos, medicamentos, quadros e painéis elétricos. Estes quatro produtos são responsáveis por quase 60% das nossas exportações.
As estatísticas locais indicam que a venda de produtos alimentares lusos a Macau representa quase metade (49%) do total que Portugal comercializou com a RAEM (cerca de 121 milhões MOP). Os produtos com maior peso nas importações de Macau são as bebidas, peixes e crustáceos, preparações de carnes, de peixes ou de crustáceos, os leites e laticínios e as gorduras e óleos.
Um destaque para os vinhos, a principal bebida portuguesa importada por Macau. Embora Macau seja um mercado pequeno, tem um potencial interessante na área dos vinhos, nomeadamente em resultado da indústria dos casinos e atividades turísticas conjugadas com a crescente utilização do vinho nas diversas e frequentes celebrações locais. O consumo de vinho tem ganho dimensão em todo o mercado chinês, estando associado a status. A RAEM importou, em 2014, vinhos no valor de 1.461 milhões de MOP correspondentes a cerca de 5,5 milhões de litros. Em volume, Portugal, com uma quota de 31%, é o segundo fornecedor do mercado e o terceiro em valor, com uma quota de 4%.
Estas relações económicas correm a par de uma estreita colaboração nas áreas da ciência, da cultura e da educação. A criação de uma subcomissão mista dedicada exclusivamente à língua portuguesa e à educação espelha o forte empenho colocado pelos dois lados no estreitamento da cooperação em matérias como o reconhecimento de habilitações e o desenvolvimento de programas de mobilidade científica e académica. Apoia essa aposta o crescimento da cooperação entre instituições de ensino superior da RAEM e de Portugal, já com uma longa tradição e que vem conhecendo novos e importantes desenvolvimentos. Macau é, para as universidades e institutos portugueses, um objetivo em si e também um parceiro no acesso a esse grande espaço de cooperação científica e académica que são as universidades na China continental.
A língua portuguesa ocupa, nesta estratégia, um papel central. Estando outorgado à RAEM, por determinação das autoridades chinesas, o papel de plataforma de ligação aos países de língua portuguesa e sendo desígnio do Executivo da RAEM afirmar Macau como um centro de ensino e de formação em língua portuguesa para a região Ásia-Pacífico, abrem ambas decisões muito boas perspetivas para a língua portuguesa, em primeiro lugar, mas também para a cooperação entre os dois países nesta matéria – onde incluímos a ação do IPOR – e para as instituições de ensino superior portuguesas.

Qual tem sido o papel do Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong no sentido de estreitar relações e possibilitar uma união cada vez mais indestrutível? São estes eventos, como a MIF, pontos importantes nesta vossa missão?
Nos últimos anos, Macau alterou o seu paradigma, procurando afirmar-se como um “Centro Mundial de Turismo e Lazer” e uma plataforma privilegiada entre a China e os Países de Língua Oficial Portuguesa e não apenas um centro de jogo. Está a ser incentivada e promovida a criação de indústrias emergentes locais, nomeadamente do setor de convenções e exposições, das indústrias culturais e criativas, bem como da indústria de medicina tradicional chinesa. No enquadramento atual de queda nas receitas do jogo, a diversificação da economia de Macau tem ganho crescente relevância.
Para Portugal, cada vez mais a dinâmica de internacionalização assume uma importância crucial para a competitividade, sendo que a diversificação de mercados é uma prioridade. Neste âmbito, o mercado asiático, e em particular a China, Macau e Hong Kong, possuem uma elevada atratividade e devem ser cuidadosamente trabalhados.
Portugal e Macau têm cooperado ativamente na busca de soluções conjuntas, reforçando um relacionamento que já tem mais de cinco séculos. Atualmente existe um conjunto de iniciativas e projetos em curso que partilhamos e que são do máximo interesse para o fortalecimento desta parceria.
Portugal participa desde 2003 no Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os PLP, em que Macau desempenha o papel de plataforma de ligação para a China e PLP. Desde a criação do Fórum de Macau, que os diversos países participantes têm implementado um plano de ações, que contribui para o incremento da cooperação no âmbito da economia, comércio e investimento. O plano de ação 2014-2016 inclui medidas de cooperação numa grande diversidade de domínios, como a agricultura, pescas e pecuária, infraestruturas, ambiente, educação, energia, finanças, transportes, turismo e cultura. O fórum tem um intenso programa de atividades, em que Portugal permanentemente se envolve e para as quais contribui proactivamente. Destacam-se seminários, visitas e missões empresariais e institucionais aos PLP e China, ações de formação, que são do máximo interesse para o estreitar de relacionamentos quer com a China quer com Macau quer com os outros PLP.
Colaboramos de forma intensa no projeto “Uma Plataforma, Três Centros” que é uma iniciativa promovida pela R. P. da China e que está a ser desenhada e operacionalizada pela RAE de Macau. Este projeto, acarinhado pela R. P. China e do máximo interesse, visa facilitar a entrada de empresas dos PLP no mercado chinês, tendo Macau como plataforma privilegiada. Para as empresas portuguesas, em especial da área alimentar e também da prestação de serviços profissionais, representa um novo canal de promoção e acesso ao mercado da China. Também a nossa presença crescente na MIF, com novas empresas e novos produtos, a nossa participação como país convidado da Hong Kong Wine & Spirits, com 44 entidades presentes, são instrumentos que possibilitam o fortalecimento da relação entre Portugal e as RAE.
Por outro lado, diariamente o Consulado, através da AICEP, é contactado e dá resposta a empresas, associações e outras entidades que buscam informação e acesso a players no mercado de Macau. Igualmente, e já no que respeita a empresas e entidades das RAE e da China, procuramos facilitar-lhes todos os elementos que os apoiem na sua abordagem do mercado português.
Temos também trabalhado intensamente no sentido de consolidar as relações culturais entre a RAEM e Portugal, através de intervenções a diversos níveis. Em primeiro lugar, promovendo e apoiando ativamente a apresentação em Macau de expressões da contemporaneidade artística, científica e cultural portuguesa. A um tempo, visa esta intervenção mostrar o que faz em Portugal nestes domínios, a qualidade que marca muita da nossa criação intelectual, tecnológica e artística, trazendo-a ao conhecimento alargado, em estreita colaboração com associações de matriz portuguesa, com instituições da RAEM e com patrocinadores locais. Promovemos, desse modo, a internacionalização de conteúdos portugueses, ao mesmo tempo que cimentamos um diálogo entre duas culturas – a portuguesa e a chinesa – que constitui um importante legado que à RAEM também interessa preservar.
Apoiamos fortemente, por outro lado, a criação de pontes institucionais que fortaleçam esse diálogo entre o ocidente e o oriente de que portugueses e chineses foram pioneiros. Estão, nesse âmbito, em curso vários projetos de cooperação no domínio da museologia ou dos arquivos históricos, para citar alguns.
Mas, para além dos Governos, são as pessoas que tornam os laços indestrutíveis. Temos aí dirigido um importante apoio à valorização da nossa comunidade portuguesa e ao papel que tem desempenhado no desenvolvimento da RAEM, ao mesmo tempo que temos estimulado um forte diálogo intercultural, abrindo os espaços de Portugal em Macau – o Consulado-Geral e a Residência oficial – ao encontro da nossa comunidade com os nossos amigos de Macau, reforçando as relações do presente e abrindo novos caminhos de futuro. Em conclusão, há muito trabalho que já foi feito, que está a ser feito, e que irá ser feito, e que passa pela consistente e coerente promoção das nossas potencialidades como país nas vertentes comércio e investimento, pela divulgação das nossas empresas e produtos, pelo networking e estabelecimento de parcerias institucionais. Temos procurado ser um intermediário, um facilitador de relacionamentos, com alguns inputs em termos de conhecimento e cobrindo eventuais falhas de mercado. Claro que ainda temos um longo caminho pela frente pois a nossa ambição é grande.

A entrada de empresas portuguesas em Macau pode significar um primeiro passo para a sua expansão para outros países asiáticos e, nomeadamente, para a própria China? Que áreas de atuação terão um maior sucesso neste contexto ao entrar em Macau?
Macau é assumidamente uma plataforma natural de entrada na China e na Ásia, por razões da mais variada natureza, localização e proximidade física, afinidades linguísticas e culturais.
Fazendo parte da R. P. China, sob a égide “Um País, Dois Sistemas”, a integração regional de Macau tem sido intensificada por diversas iniciativas. Em 2004, foi assinado o Acordo de Cooperação Regional Pan Pearl River Delta (9+2), entre nove províncias da China, Macau e Hong Kong, que visa acelerar a cooperação regional dos seus membros. Em 2008, o Governo nacional divulgou e aprovou o plano de desenvolvimento da região do Delta do Rio das Pérolas para o período 2008-2020. Este plano define o desenvolvimento da região como um todo, propondo a reorganização do espaço político, económico, industrial e social, com ênfase na integração metropolitana, e resultou da iniciativa conjunta do Governo Provincial de Guangdong e do Governo Municipal de Cantão, com o apoio político do Governo Central.
A assinatura do CEPA – Acordo de Estreitamento Económico e Comercial entre Macau e a China Continental em 2003, e dos subsequentes suplementos, criaram espaço para as empresas de Macau explorarem o mercado do interior da China, intensificando o comércio entre as duas “regiões”. Macau é também uma das cidade integrantes do projeto “One Belt, One Road”, que visa promover a cooperação e a conetividade, sobretudo através de infraestrutura logística, de regiões da Ásia Central, do Oriente Médio e da Europa à China.
Como já referido, o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os PLP, em que Portugal participa, é um mecanismo multilateral de cooperação, que está sediado em Macau, reconhecendo o seu legítimo papel de plataforma. No âmbito do Fórum de Macau, a RAEM está atualmente a desenvolver o projeto “Uma Plataforma, Três Centros”, coordenado pelo IPIM, que tem um contributo fundamental na facilitação do acesso ao mercado da China por empresas dos PLP, gerando novas oportunidades de negócio. Com esta iniciativa, Macau reforça inequivocamente o seu papel-pivot de plataforma de serviços para a cooperação China e os PLP.
Tendo em atenção todo este contexto, claramente, a entrada de empresas portuguesas em Macau pode ser um primeiro passo numa estratégia de abordagem integrada dos países asiáticos. Em termos de produtos, a oferta portuguesa é vasta. Na exportação para Macau há um enfoque nos produtos alimentares, mas claramente existem oportunidades a explorar em muitas outras áreas, como as energias e ambiente, saúde, TIC, fileiras moda e casa. No que se refere a bens de consumo, os produtos premium, de nicho, inovadores, têm certamente um espaço para crescerem.

Como idealiza o futuro das relações entre Portugal e Macau? Existirá um intercâmbio tranquilo quer no contexto económico quer em questões de migração? Que conselho deixaria àqueles que pretendem entrar no mercado macaense?
A forte concorrência e crescente competitividade nos mercados mundiais conferem uma importância crescente à gestão de relações, sendo que o crescimento de uma economia depende do posicionamento que assume na teia de ligações em que se insere.
No contexto de mudança e de reorientação estratégica de Macau, e em que a China considera prioridade estratégica o relacionamento com os PLP, Portugal é um aliado fundamental. Num enquadramento também de diversificação de mercados-alvo, em que a entrada em mercados extra-União Europeia é prioritária, a RAEM é um também um parceiro natural para Portugal.
As parcerias entre empresas portuguesas e de Macau são fundamentais para o crescimento e exploração conjunta destas novas geografias tão desejáveis. Estas novas geografias vão do continente africano, ao europeu, ao americano. Tal como Macau, Portugal também é uma plataforma para outros países, sendo um bom parceiro no que toca à potencialização de negócios com outros mercados. É disto exemplo, os investimentos feitos pela EDP e pela China Three Gorges em países como o Peru, o Brasil ou a Colômbia, ou da Galp e a Sinopec no Brasil, por exemplo.
A partilha de um passado, de uma língua, de valores comuns, de recursos complementares (conhecimento, capital e networking) e de objetivos alinhados augura seguramente um excelente futuro para os próximos 500 anos da relação Portugal-Macau.

Portugal – Um parceiro incontornável de Angola

Paulo Varela

A realidade económica e financeira vivida em Angola desde meados de 2014 devido à acentuada diminuição do preço do petróleo nos mercados internacionais trouxe grandes limitações ao país: a redução para menos de 50% no preço do barril do petróleo afundou as receitas de exportação e fiscais oriundas do sector, obrigando o Executivo a conter a despesa pública, nomeadamente através da suspensão/adiamento/cancelamento da implementação de grandes projetos em curso, mantendo apenas, os projetos considerados inadiáveis de acordo com o Plano de Desenvolvimento Económico 2013 – 2017.

Apesar de as autoridades angolanas terem intervindo desde os primeiros sinais de crise, o panorama pioraria em 2015: produtores de petróleo até então sob embargo internacional regressaram aos mercados; a OPEP manteve a decisão de não restringir a produção de petróleo e o preço do crude continuou a baixar, o que obrigou as autoridades angolanas a reverem o OGE para o corrente ano, tendo a base de cálculo das receitas baixado de uma perspetiva de USD 80,00 por barril para USD 40,00 por barril; estabeleceram-se prioridades de pagamento das importações, tendo sido privilegiados os bens alimentares, os produtos de saúde e os equipamentos destinados ao sector petrolífero em detrimento, por exemplo, da prestação de serviços às empresas; adotaram-se medidas diversas de contenção da despesa e de procura de fontes de financiamento, interno e externo, que apoiassem o Executivo na continuação do processo de reabilitação e construção de infraestruturas, de diversificação e crescimento da economia, nomeadamente não petrolífera, e da satisfação das necessidades dos seus habitantes.

A situação interna teve, também, impacto negativo a nível externo: as limitações e os atrasos registados na liquidação de compromissos com os fornecedores do país prejudicaram, entre outros, os empresários portugueses que trabalham com e no mercado, pois Portugal é o principal fornecedor de mercadorias a Angola (sem incluir o sector petrolífero) e, logo, os empresários portugueses são os primeiros a ressentirem-se, e mais, com esta situação.
Não obstante a criação, pelo Governo português, de uma linha de crédito de € 500 milhões com o objetivo de apoiar as empresas com dificuldades de tesouraria derivadas do atraso nos pagamentos vindos de Angola, a pesada burocracia envolvida, a taxa de juro e os spreads praticados, o prazo dos documentos exigidos não ser compatível com a tramitação dos processos e o facto de a operacionalização da linha depender de bancos em ambos os mercados, obrigaram muitas empresas, nos diversos sectores económicos, a terem que suspender os seus fornecimentos a Angola e procurar mercados alternativos de exportação.
Pesem embora as dificuldades sentidas, o cenário pouco atrativo e a quebra registada, entre janeiro e agosto do corrente ano, nas trocas bilaterais –as exportações portuguesas para Angola caíram cerca de 26,9% e as exportações angolanas para Portugal contraíram cerca de 12,5% -, o mercado angolano continua a ser o segundo maior mercado de destino das exportações portuguesas no espaço extracomunitário, imediatamente a seguir aos E.U.A.. As exportações de Portugal para Angola, essencialmente, máquinas e aparelhos, produtos alimentares, produtos químicos e metais comuns (estes dois grupos de produtos alternam entre si o 3º lugar nos principais grupos de mercadorias exportadas), atingiram, neste período, cerca de € 1,4 mil milhões e Portugal reocupou o lugar de principal fornecedor de mercadorias a Angola, posição que havia perdido para a China no início do ano. Já as importações portuguesas provenientes de Angola assentam em mais de 99% no crude e registaram, no mesmo período de 2015, cerca de € 861 milhões.

Ainda que prevaleça, ao final de um ano e meio de dificuldades, um cenário macroeconómico desfavorável para o desenvolvimento de Angola, é unânime o reconhecimento internacional dos esforços que o Executivo angolano tem desenvolvido no sentido de atenuar os efeitos dos baixos preços de venda do crude, que são tão mais perversos, porquanto não é possível vislumbrar-lhe o termo.
Em 2008 – 2009, uma crise financeira internacional afetou as contas públicas e o preço do petróleo, “abanando” a estrutura económica de Angola: a característica do país enquanto (essencialmente) monoprodutor e monoexportador, cuja economia assenta no petróleo enquanto principal fonte de receitas de exportação e fiscais, torna-o, como acontece com todas as economias com características idênticas, muito dependente e volúvel face às oscilações do preço do crude nos mercados internacionais.

A crise de finais da primeira década do século XXI criou grandes dificuldades de pagamentos, a nível interno e externo, a empresas e aos parceiros internacionais, o que levou as autoridades angolanas a percecionarem a necessidade de promover uma mudança rápida no modelo económico em vigor até então: tornou-se premente o apoio ao setor não petrolífero, o incentivo ao seu crescimento e ao peso detido no PIB; a promoção do investimento nas Províncias; o aumento da produção e a implementação da política de substituição das importações por produtos obtidos localmente, que permitiria atenuar problemas diversos, nomeadamente a dependência face ao exterior e a permanente saída de divisas, cuja disponibilidade oscilava, também ela, em função das oscilações do petróleo.

As dificuldades que Angola atravessava na época levaram o Executivo a estabelecer um acordo de ajustamento estrutural com o FMI, por um prazo de 4 anos, visando reestabelecer o equilíbrio da balança de pagamentos. Em abril de 2013, no termo do programa, o Fundo reconheceria que Angola tinha condições para perseverar no caminho da diversificação das atividades económicas, assegurando o peso crescente do setor não petrolífero no PIB (a taxas superiores às do setor petrolífero) e reduzindo desta forma os perigos da exposição direta às oscilações do valor internacional do petróleo.
Mais do que um reconhecimento das capacidades internas de Angola, o Fundo estava, com esta conclusão, a conceder aos investidores internacionais uma prova de confiança no Governo angolano. E o Governo angolano soube aproveitar o momento pelo que, no decurso dos seis anos subsequentes ao início da crise, procurou desenvolver as infraestruturas do país e iniciar o processo de diversificação da economia.

Considerando que a necessidade mais premente de Angola era a reabilitação/construção das infraestruturas básicas, desde o saneamento, à produção e distribuição de energia, ao acesso a água potável, à reconstrução de estradas, aeroportos, pontes, ferrovias, barragens, ou seja, grandes investimentos em obras públicas, eventualmente em regime de parcerias público-privadas, a lei de investimento privado de 2011 definiu que o valor mínimo dos projetos a apresentar doravante seria de USD um milhão. Acima deste valor, negociar-se-iam, entre os representantes do Estado angolano e os investidores, as condições em que se implementariam os projetos, incluindo a atribuição de benefícios fiscais e isenções aduaneiras, condições preferenciais na obtenção de vistos e repatriamento de capitais, entre outros aspetos.

Se a Lei de 2011 estabeleceu condições para satisfazer as necessidades do país em termos de grandes projetos (o que viria a acontecer graças aos financiamentos chineses, a par das verbas disponíveis no Programa de Investimentos Públicos consagrado no Orçamento Geral do Estado e dos acordos de financiamento bilaterais) a implementar em áreas de atividade prioritárias e três zonas geográficas pré-definidas, que serviriam de base ao crescimento da estrutura produtiva nacional, é igualmente verdade que tais projetos não eram, de per se, geradores de desenvolvimento: eram alicerces, é certo, mas não o objetivo final.

Assim, a partir de dada altura, a legislação em vigor limitou o aparecimento de projetos de pequena e média dimensão, de valor inferior a um milhão de dólares, que, embora não tão impactantes, eram de importância vital para os projetos mais ambiciosos; a reabilitação do tecido industrial; a transformação dos abundantes e diversificados recursos em produtos de consumo final, nomeadamente na agricultura e nas pescas, e em matérias-primas para, por exemplo, o setor dos materiais de construção; a diminuição da taxa de desemprego; a redução da pobreza e da fome, enfim, a prossecução dos objetivos do Governo angolano conforme o Plano Nacional de Desenvolvimento 2013 – 2017 e a tão necessária – e desejada – diversificação da economia.
Em simultâneo, o desenvolvimento de um sector empresarial local, privado, ampliou o número e a tipologia de áreas de investimento, com o surgimento de novos nichos de mercado, contribuindo para a multiplicação das parcerias com empresários portugueses, há muito presentes em Angola, dotados de meios tecnologicamente avançados, mão-de-obra qualificada e partilhando muitos traços da identidade cultural angolana.

Com efeito, houve uma tomada de consciência de que a diversificação na economia angolana seria tanto mais rápida e eficaz se fosse promovido o cruzamento das mais-valias dos parceiros, da transferência de tecnologia e know how (neste caso, de Portugal para Angola), com uma aposta especial na formação e qualificação profissional dos trabalhadores angolanos, no sentido de assegurar o desenvolvimento do sector produtivo nacional –a indústria em geral – e promover o emprego dos nacionais, em substituição dos trabalhadores expatriados, mais onerosos para as empresas.
Neste cenário de rápido crescimento da atividade empresarial no país, o Estado manteve a sua função enquanto legislador, delineador de estratégias e fiscal do bom cumprimento das regras estabelecidas. Mais ainda: o Executivo angolano entendeu que tinha que se manter atento à evolução do contexto económico e financeiro mundial, no qual Angola se integrava, de forma a garantir que os resultados advenientes da legislação adotada e implementada iam ao encontro daquilo que os parceiros internacionais esperavam na sua ligação com o país, fator fundamental para a consolidação da sua presença, por via dos investimentos efetuados.

É assim que o legislador do investimento em Angola transforma a aplicação do conceito “estrangeiro” no conceito “privado”, permitindo-lhe abarcar investidores estrangeiros e nacionais, investimento em capital e também em espécie, a criação de algo novo e a renovação e reestruturação do que já existia, na economia em geral (a atividade petrolífera obedece a legislação própria).
Tão importante quanto a adoção das medidas referidas desde meados de 2014, é o novo enquadramento legislativo que alterou as regras anteriormente em vigor, procurando definir um panorama mais atrativo para o investidor, levando, em agosto de 2015, à publicação da nova Lei de Investimento Privado de Angola, no âmbito de uma estratégia de investimento pré-definida e envolvendo a criação de novos órgãos com capacidades de avaliação e decisão sobre os projetos, como é o caso da APIEX – Agência para a Promoção do Investimento Estrangeiro e das Exportações de Angola – e da UTIP – Unidade Técnica do Investimento Privado.

É de destacar que, apesar do impacto das medidas adotadas na economia real não ser, ainda, totalmente quantificável, segundo a edição de 2016 do estudo DOING BUSINESS, elaborado pelo Banco Mundial, Angola melhorou duas posições na facilitação de negócios face a 2015, em consequência da redução dos encargos com a constituição de empresas e das medidas facilitadoras adotadas para o seu registo.
As expetativas que os empresários depositam no “pacote” legal de enquadramento do investimento em Angola são muitas e grandes, porquanto e entre outras medidas, com a nova Lei:
– desaparece o limite mínimo para que os projetos sejam considerados investimento privado e é permitido o repatriamento de capitais em geral, ainda que o valor a repatriar esteja sujeito à aplicação de uma taxa suplementar de imposto sobre a aplicação de capitais, visando estimular o seu reinvestimento local ;
– os benefícios fiscais e as isenções aduaneiras são atribuídas casuisticamente a projetos estrangeiros, no valor mínimo de USD um milhão, e nacionais, no valor mínimo de USD 500 mil, de acordo com critérios objetivos de avaliação e atribuição;
– são definidos setores prioritários para o investimento – eletricidade e água; hotelaria e turismo; transportes e logística; construção civil; telecomunicações e tecnologias de informação; meios de comunicação social -, nos quais se torna obrigatória a participação de um sócio angolano que será titular de pelo menos 35% do capital social e deterá uma participação na gestão da sociedade. Esta medida parece-nos muito importante, porquanto não só define uma regra uniforme de atuação no que concerne à formação de parcerias como assegura o envolvimento dos empresários angolanos na implementação de projetos em áreas fundamentais para o desenvolvimento do país;
– a aprovação dos projetos de investimento privado passa a estar a cargo do Órgão da administração direta ou indireta, a quem o Titular do Poder Executivo delegue tal função.
Mas não só a nova LIP foi importante nos passos tomados em 2015 pelo Executivo angolano para procurar colmatar as consequências nefastas derivadas da crise, da profundidade que a mesma alcançou e da imprevisibilidade do seu termo.
Foi, também:
– atualizada a Pauta Aduaneira dos Direitos de Importação e as taxas do regulamento do Imposto de Consumo, de forma a aumentar a tributação da importação dos produtos considerados de luxo e desonerar os produtos considerados essenciais para a população (no primeiro caso) e passar a onerar a gasolina e o gasóleo produzidos em Angola (no segundo caso, com uma taxa de 5%);
– terminada a subvenção do Estado ao preço da gasolina, estando previsto, para breve, também ao do gasóleo;
– aprovado o novo Código dos Valores Mobiliários;
– aprovada uma nova Lei Geral do Trabalho (revogou a de 2000), que introduz alterações significativas no direito laboral angolano, nomeadamente no que concerne ao âmbito de aplicação; aos contratos de trabalho por tempo determinado; aos procedimentos obrigatórios de resolução alternativa de litígios laborais; à definição de um prazo de prescrição para pedido de reintegração pelos trabalhadores em caso de despedimento.

Urge perguntar: como estão os empresários portugueses a dar-se nesta conjuntura? Sabemos que a resposta não é a mas desejada: se, por um lado, as condições económicas e financeiras em Portugal ainda não permitem a definição e implementação rigorosa de projetos de internacionalização, nomeadamente para países de risco elevado como Angola, por outro lado, e enquanto principal fornecedor de mercadorias ao mercado angolano, os exportadores portugueses estão mais expostos aos atrasos nos pagamentos.
Por outro lado, a suspensão e o adiamento de projetos diversos no setor das obras públicas acarretou problemas diversos para as empresas do setor, que se viram obrigadas a reduzir a sua força de trabalho. Acresce, neste domínio, o facto de a desvalorização do Kwanza face ao Dólar estar a obrigar as empresas a quem haviam sido adjudicadas obras públicas em moeda nacional se verem na contingência de terem que procurar financiamentos para colmatar o hiato entre os valores adjudicados e os valores reais dos trabalhos.
Também a resposta do Governo português às dificuldades de tesouraria das empresas portuguesas com créditos sobre Angola não produziu os resultados esperados: em setembro, dos € 500 milhões disponíveis, apenas € 121 milhões estavam atribuídos a 23 empresas, o que não corresponde de todos às expectativas criadas.

Um dos maiores problemas da presente crise é o facto de não se vislumbrar o seu termo: se segundo o FMI, Angola começará a recuperar em 2017, já segundo diversas outras previsões só daqui a algum tempo o preço do barril de crude voltará aos USD 80,00. Em qualquer dos casos, 2016 será mais um ano de contenção económica e financeira, refletindo a proposta de Orçamento Geral do Estado precisamente um cenário de dificuldades, com um défice de 5,5% do PIB, uma taxa de crescimento da economia de 3,3% e receitas assentes no pressuposto do barril de petróleo a USD 45,00.
Acresce o problema dos “atrasados”: Angola não dispõe de divisas suficientes para respeitar os compromissos assumidos com as empresas presentes no mercado, seja no âmbito de projetos de investimento direto ou de comércio externo.
A CCIPA acredita que Angola ultrapassará esta crise. Mas a CCIPA também acredita que, uma vez ultrapassada esta crise, as características do mercado angolano serão diferentes das atuais, será necessário alterar o paradigma das relações económicas e empresariais entre Portugal e Angola e, aproveitando as sinergias e a identidade cultural existentes entre os dois Povos, passar de uma condição de exportador para o mercado angolano, para uma nova realidade em que se torna produtor.
É certo que este desiderato não se atinge da noite para o dia e muito trabalho ainda há por fazer, pelo que será do interesse de todos os envolvidos, desde o Governo e os consumidores angolanos até aos empresários e às autoridades portuguesas, que a transição para uma maior aposta na produção local seja feita de forma gradual, criando incentivos para tal.

As empresas e os empresários portugueses já provaram ser capazes e estar à altura dos desafios e das necessidades de Angola, encontrando-se dispersos por todas as Províncias e atuando em todos os setores de atividade, pelo que Portugal dispõe de todas as condições para continuar a ser um parceiro incontornável e sempre presente de Angola.

A crise no setor do petrolífero e o seu reflexo nos movimentos migratórios em Portugal

Angola e Brasil são dois dos países mais afetados pela crise no setor petrolífero cujos fluxos migratórios maior impacto provocam em Portugal. Com o preço do barril a oscilar entre os 45 USD e os 60 USD nos últimos meses, o que reduz bastante a margem de lucro das petrolíferas, afetando os contratos com as prestadoras de serviços e diminuindo a receita dos respetivos estados, as consequências não se fizeram esperar: desvalorização da moeda (Real e Kwanza), aumento do desemprego, aumento da inflação e aumento da instabilidade socioeconómica.

Quando iniciamos a atividade da Ei!, em Maio de 2014, acompanhávamos muitos processos de portugueses que queriam emigrar para Angola (a maioria) e para o Brasil. Assegurávamos que deixavam tudo tratado em Portugal antes de saírem, sobretudo no que respeita a assuntos que envolvem finanças, segurança social e gestão de património e assessorávamos na obtenção dos respetivos vistos e documentos para serem utilizados nos países de destino.

No entanto, desde o início do ano que praticamente deixamos de ter esse tipo de solicitações para Angola e Brasil, o que para nós é considerado um forte indicador de que a emigração para esses dois países sofreu, e continua a sofrer, um elevado decréscimo. Note-se que a escassez de divisas em Angola, a desvalorização do kwanza e a dificuldade em transferir dinheiro para o estrangeiro, têm sido um forte inibidor para quem tenciona emigrar para esse país. Neste momento temos, inclusive, sentido que muitos portugueses têm regressado de Angola para Portugal, sobretudo os que já la residiam há cerca de 5/6 anos e que deixaram de conseguir manter o nível de vida a que se haviam acostumado nesse país. Por outro lado, verificamos também que alguns dos Portugueses que deixam Angola, não têm como objetivo voltar para Portugal, mas antes rumarem a novos destinos, fixando-se em países como Canadá ou Austrália, pretendendo contratar os nossos serviços para estes processos de emigração estruturada. No que respeita ao Brasil, a insegurança e a instabilidade política são habitualmente apontadas como os fatores motivadores do desejo de mudar de país.

Estas circunstâncias refletem-se ainda, ao nível dos nossos serviços, no aumento da procura por parte de Brasileiros e Angolanos de serviços de instalação em Portugal, sobretudo a partir do segundo trimestre de 2015.

Os cidadãos angolanos têm sobretudo optado por instalar em Portugal grande parte do seu agregado familiar. “Mandar” para Portugal a mulher e filhos em idade escolar, tornou-se prática comum para estes, sendo que, geralmente, os homens continuam em Angola, mantendo lá o seu emprego ou a sua atividade comercial. Procura de habitação, inscrição de jovens em estabelecimentos de ensino, registo nos serviços básicos de saúde e questões ligadas a autorização de residência são os serviços mais procurados.

Já os cidadãos brasileiros optam por se mudar para Portugal em família sendo que, em muitos casos, verifica-se realmente a mudança de toda a família: avós, tios, pais e irmãos com respetivos cônjuges e filhos. Os serviços que mais procuram são acompanhamento presencial em serviços públicos, consultoria fiscal, processo de equivalência de estudos e também questões referentes a autorização de residência. São, maioritariamente, empresários, que mantêm os seus negócios no Brasil, profissionais liberais que procuram integração no mercado de trabalho em Portugal e recém-reformados à procura de um país onde possam gozar tranquilamente esta nova fase da sua vida.

A realidade subjacente a esta crise petrolífera repercutiu-se, assim, em grande escala, nas alterações migratórias acima descritas. Estas novas circunstâncias, por sua vez, determinam que Portugal passe a ser encarado como um novo destino europeu de imigração formada por novos imigrantes que esperam aqui encontrar excelentes condições de vida que já não se encontram reunidas nos seus países de origem. Portugal está na moda… Ninguém o pode negar!

Fruto destas alterações migratórias, os serviços prestados a esta nova imigração em Portugal, representam já mais de metade da nossa atividade, sendo que prevemos que até ao final do ano estes valores aumentem consideravelmente, desvirtuando-se assim a logica que nos levou a criar a Ei!: prestação de serviços aos emigrantes e assessoria à emigração.

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