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Incêndios: Autarca estima em mais de 120 milhões de euros os prejuízos em Arouca

O presidente da Câmara de Arouca, José Artur Neves, estimou esta segunda-feira em mais de 120 milhões de euros os prejuízos diretos do incêndio que fustigou aquele concelho do distrito de Aveiro na última semana.

A maior parte deste valor, mais de 117 milhões de euros, tem a ver com os prejuízos nas atividades ligadas à fileira florestal, com 12.000 hectares de eucalipto e 5.000 de pinheiro que arderam e os custos em novas plantações.

“Cinquenta e oito por cento da nossa floresta ficou destruída e isso acarreta um prejuízo imenso, ainda por cima com a agravante de que as celuloses não estão a receber madeira queimada”, disse o autarca aos jornalistas, adiantando que a floresta é um dos pilares da economia do município.

José Artur Neves falava à entrada de uma reunião com o primeiro-ministro, António Costa, no quartel dos Bombeiros de Arouca, onde irá apresentar as consequências imediatas para a economia local, do incêndio que lavrou no concelho durante vários dias.

O presidente da Câmara referiu ainda que 1185 cabeças de gado não vão ter onde pastar nos próximos sete meses, porque quase toda a área de pastoreio na serra ardeu.

“Cinquenta e sete famílias que estão dependentes do pastoreio dos animais não têm agora que dar de comer aos animais”, vincou o autarca, referindo que se não tiverem apoio terão de vender os animais e abandonarão as aldeias da serra.

José Artur Neves destacou ainda os prejuízos no setor do turismo, estimando em 4,5 milhões de euros os custos para a economia local até dezembro de 2016.

Este valor inclui o investimento necessário para recuperar os cerca de 600 metros de Passadiços do Paiva que arderam.

José Artur Neves realçou que vão procurar resolver este problema no imediato, adiantando que os passadiços do Paiva “constituem um dos principais ícones da economia turística”.

“O que aconteceu tem reflexos muito negativos na imagem do próprio território que é Geopark mundial da Unesco”, afirmou o autarca, adiantando que será necessário recuperar 89% da rede natura de Arouca que foi dizimada, incluindo flora e vegetação autóctones seculares que desapareceram.

Por calcular estão os prejuízos relacionados com os apiários que arderam e o número de famílias afetadas, as habitações e viaturas ardidas e os animais que se perderam.

Além do presidente da Câmara de Arouca, estão presentes na reunião com o primeiro-ministro os presidentes de Câmara de Águeda e Castelo de Paiva (distrito de Aveiro) e São Pedro do Sul e Castro Daire (distrito de Viseu), municípios que também foram fustigados pelos incêndios.

Prejuízos do mau tempo de fevereiro podem chegar aos 15 milhões

De acordo com o levantamento de prejuízos e medidas de apoio necessárias para os agricultores afetados pelo mau tempo no Douro e no Baixo Mondego, apresentado hoje pelo ministro da Agricultura, Capoulas Santos, foram atingidas 2.962 explorações em 57 municípios e registadas 3.115 declarações de prejuízos, já que alguns proprietários têm mais do que uma situação de danos na mesma exploração.

Capoulas Santos referiu que a confirmação precisa do montante a envolver na reparação dos estragos só pode ser feita no final do processo de obras, mas o Governo tem estimado prejuízos entre dez e 15 milhões de euros.

Os lesados que comunicaram os prejuízos durante o levantamento poderão candidatar-se a linhas de apoio entre 15 e 30 de abril e poderão começar as obras, após aprovação, sendo ressarcidos consoante a apresentação de comprovativos de despesa.

O apoio disponível refere-se à replantação das vinhas, reposição dos muros de suporte destruídos pelo mau tempo e o restabelecimento do potencial produtivo de equipamentos e infraestruturas e pode ir até um financiamento de 85%, a fundo perdido.

 

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