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Mulheres têm mais propensão para doar rim ao parceiro

Os especialistas acreditam que tal deverá ocorrer porque as mulheres são naturalmente menos egoístas.

Os últimos dados estatísticos europeus de doação de órgãos, recentemente revelados, indicam que 36 por cento das mulheres clinicamente saudáveis doam um rim ao parceiro.

Todavia, apenas sete por cento dos homens aprovados para o procedimento doam, por sua vez, um rim à esposa.

A antiga presidente da Sociedade Internacional de Endocrinologia, Adeera Levin, atual professora na University of British Colombia, no Canadá, explica: “É difícil de identificar ao certo o motivo porque isto acontece. As pesquisas realizadas sugerem que regra geral as mulheres são mais altruístas e mais recetivas a a preservarem a família”.

A investigação científica foi divulgada na publicação Visceral Medicine. E aponta ainda que, em 2014, dois terços de todos os doadores de rins na Europa foram mulheres.

Porém, a médica britânica Lisa Burnapp, alerta para outras possíveis explicações para a discrepância de doação entre os géneros: “Por exemplo, se um casal têm filhos e se o homem quer doar um rim ou um outro órgão à mulher, esta poderá ter anticorpos no organismo, devido às gravidezes anteriores, que poderão rejeitar o órgão do parceiro”.

“Contudo, se invertermos a situação a mulher conseguiria, nesse caso, doar um órgão ao parceiro sem qualquer complicação física para ambos”, afirma.

Guia da Saúde Conjugal

Não é uma ciência exata, longe disso, mas há regras básicas que ajudam a sustentar uma relação de amor. Se as seguir, é muito provável que entre no grupo de pessoas que fazem da longevidade conjugal um modo de vida

1 – CRIAR RAÍZES FORTES

O que levar na bagagem

– Ajustar expectativas
– Praticar o humor
– Compensar fases críticas
– Relativizar dramas
– Abraçar a imperfeição
– Conhecer o outro a fundo
– Saber pedir/dar (elogios, mimos, perdão, etc)

O que deve ficar à porta

Idealização: os estados alterados de consciência dos “nunca-e-sempre” sabem bem mas dão ressaca
Dependência: querer dizer ou saber tudo gera entropia e intolerâncias várias, por vezes crónicas
Controlo: um tipo de doping que, mais cedo ou mais tarde, queima baterias que não vai poder repor
Crítica: ataques pessoais são vírus que se alojam no sistema e limitam a aproximação construtiva
Desprezo: mostrar-se ofendido, humilhar e insultar o outro é como uma bactéria resistente e fatal
Jogar à defesa: insinuar que o outro é o problema ameaça-o e deixa ambos febris e sem forças
Blindagem: a frieza emocional é um antibiótico que ‘mata’ o confronto mas impede que nasça a luz

2 – MANTER A BOA FORMA

Família: ex, pais e sogros são presenças incontornáveis e há que lidar com as suas regras e manias
Finanças: pensem no modelo da vossa contabilidade e descubram se a vossa “startup” é sustentável
Férias: decidam se as vossas prioridades de carreira e lazer são compatíveis e o que fazer com isso
Amigos: “cada um com os seus” e os dois com os “nossos” pode evitar cenas de ciúmes e disputas
Tarefas: tolerar a frustração, precisa-se; criar um modelo que não seja o das casas de origem ajuda
Hobies: sem inovação não há evolução; criar valor fora da relação não a satura e permite crescer

3 – REINVENTAR, SEMPRE

Praticar a robustez: a arte do compromisso é um crosstraining puxado, mas o esforço compensa
Evitar comparações: a meta é cada um focar-se na sua parte da logística no treino a dois, sem julgar
Ser mindful: esteja no momento sem se perturbar com coisas fora do lugar e outros contratempos
Coração não é só química: o sexo tem um fim, o amor tem outro; às vezes coincidem, outras não
Exercitar o namoro: pausas regulares (sem filhos, amigos, trabalho) geram prazer e reduzem stresse

Podemos falar de uma geração “inamorável”?

“Welcome to the jungle”, diriam os Guns N’Roses. E nunca esta música fez tanto sentido como nos dias de hoje. Bem-vindos à época em que falar de amor se tornou tabu. Bem-vindos ao milénio em que há homens que fogem de mulheres inteligentes, como escreveu o jornal The Telegraph no artigo que abriu uma brecha para um fenómeno urbano que, não tendo tradução em português sem envolver uma asneira feia, se tornou viral: os “f*ckboys”.

O que são os “f*ckboys”? O Urban Dictionary traduz a expressão como “um homem que se tenta envolver com todas as mulheres. Um jogador. Um homem que mente a uma mulher só para conseguir levá-la para a cama. Um idiota que mente quando diz que gosta de uma mulher.” O termo está em todo o lado, do Huffington Post à Vanity Fair, e a conclusão, mais Tinder menos Tinder, é sempre a mesma: cada vez mais, as pessoas deixaram de acreditar no amor.

Mas a verdade é que, homens ou mulheres, já todos estivemos em relações que não eram relações. Falar de sentimentos e expor tudo a outra pessoa de alma aberta é, para muita gente, o equivalente a estar nas trincheiras à mercê que uma bomba nos expluda na cabeça. E eis que entrámos no tópico deste artigo: estaremos a tornar-nos, millennialsnascidos nas décadas de 1980 e 1990, uma geração de pessoas “inamoráveis”, uma expressão que também ainda não tem tradução cunhada em português?

Relações fantasma e relações que não são relações

Esta semana, ao almoço, uma colega contou que a pessoa com quem andava a sair há três meses tinha passado de dormir na sua casa todas as noites para a desculpa “agora estou com algum trabalho”. As mensagens começaram a acumular-se sem resposta. E, gradualmente, ele começou a desaparecer da vida dela até ao desapego ser total. Sem uma explicação, sem uma zanga, sem uma incompatibilidade. E parece que este tipo de comportamentos são, afinal, os romances da nossa geração. Como não ter borboletas no estômago quando a pessoa com quem estamos é tão imprevisível e nunca sabemos se está ou não connosco?

Este fenómeno das relações “fantasma” não é de hoje. De forma a evitar confrontos, muitas pessoas preferem desaparecer. Um dia gostam mas no outro já cá não estão. Para Susana*, de 30 anos, há pior. E o pior, diz, são “aqueles homens que avisam logo de antemão que não querem uma relação, colocando do nosso lado o peso da decisão — mesmo assim, queremos, ou não, estar com eles? Se quisermos, temos de aprender a lidar com a sua inconstância, se não quisermos, eles vão bater à porta de outra.”

Dyanne Brown: Is Ghosting Really New or a New Name for Human Nature?

Que medo será este que temos das relações? Não seria a vida mais fácil se a partilhássemos abertamente? Então, porque é que insistimos em fugir das relações, em desaparecer fantasmagoricamente e em sabotar a nossa própria felicidade?

Será tudo uma questão de egos?

Um estudo feito com psicólogos de três universidades dos Estados Unidos da América questionou centenas de homens e chegou à conclusão que as mulheres inteligentes os fazem sentir menos masculinos. Isto leva a uma outra particularidade: apesar de muitos homens gostarem da ideia de estar com uma mulher com uma carreira de sucesso e objetivos de vida, a verdade é que a hipótese de serem ofuscados por uma parceira é-lhes intolerável. Esta fantasia George Clooney-Amal Alamuddin (depois de anos a ser um solteirão, George Clooney casou com a advogada de direitos humanos e mulher de carreira e sucesso Amal Alamuddin) parece ser uma liga onde a maioria dos homens não joga nos dias de hoje.

George and Amal Clooney are hosting back-to-back fund-raisers for Hillary Clinton http://vntyfr.com/Q4zkkNA 

A história de “neste momento não quero uma relação” é do senso comum e foi o que aconteceu a Inês*, de 30 anos. “Depois de alguns meses a sair com uma pessoa com quem temos sintonia, é impossível não procurar construir uma relação com ela. Mas o que me aconteceu foi que ouvi aquele discurso cliché: só quero estar sem pressões, ver no que é que isto vai dar, não estou pronto para uma relação mas gosto de estar contigo e podemos continuar a aproveitar a companhia um do outro. Sim, ele só queria mesmo sexo.”

Ter-se uma relação costumava ser a melhor coisa do mundo. Criaram-se alguns dos melhores filmes do cinema, cantaram-se algumas das melhores músicas, escreveram-se alguns dos melhores livros… Todos baseados em intensas histórias de amor. O que é que aconteceu para nos tornarmos uma geração de pessoas “inamoráveis” que foge do amor como o diabo da cruz?

Em entrevista ao Observador a propósito das “relações fantasma”, a psicóloga Cláudia Morais explicou que as redes sociais vieram facilitar este tipo de comportamentos, ao transmitir a ideia de que há muitas pessoas disponíveis, o que antes não acontecia. Numa altura em que os relacionamentos são cada vez mais substituíveis, efémeros e descartáveis, porque nos comportamos como se estar com outra pessoa fosse a pior coisa que nos podia acontecer na vida?

A nossa conclusão? Não temos uma conclusão. Falar de relações humanas é como andar em areias movediças. Mas há várias coisas que podemos tentar mudar nos nossos comportamentos e isto aplica-se tanto a homens como a mulheres.

  • Não tente conquistar alguém com quem não pretende construir uma relação. Ou, na gíria popular, não faça uma pessoa apaixonar-se se não pretende corresponder.
  • Não seja uma presença constante na vida de alguém se não quer criar uma conexão emocional com essa pessoa. Isto significa não mandar mensagens a toda a hora, não telefonar diariamente, não combinar coisas dia sim, dia sim, não partilhar histórias infindáveis sobre a infância… Basicamente, não criar uma familiaridade com essa pessoa.
  • Não faça coisas típicas de relações com uma pessoa com quem não quer ter uma relação. E não falamos só de sexo mas de jantares, cinemas, passeios, dormir em casa um do outro, sair com os amigos um do outro…

A lista podia continuar mas já percebeu onde queremos chegar, certo? Todas as relações vão trazer algo de novo à nossa vida e, nesse sentido, melhorá-la. Continuarmos a reprimir os nossos sentimentos e a fugir de tudo o que nos faça aproximar do grande bicho-papão que é a palavra amor vai fazer-nos perder experiências com pessoas com quem podemos ter uma conexão real.

E como já dizia Jane Austen: “Não tenho nenhuma intenção de amar as pessoas pela metade, não é a minha natureza”.

*Nome fictício, estas pessoas não quiseram ser identificadas.

Eu desejo-te… e tu também não

Oito anos e meio. É o tempo que passou desde que Luís se casou com a sua mulher pela igreja. Faz silêncio.

Esboça um sorriso nervoso. Não está habituado a abrir a porta da sua intimidade. Diz que tem dificuldade em expressar os sentimentos. Não é verdade. Basta-lhe uma imagem para traduzir o que lhe vai dentro. “Mesmo ao fim destes anos todos, quando saio do trabalho tenho uma enorme vontade de ir direto para casa. Porque sei que ela está lá à minha espera e eu tenho gosto em estar na sua companhia, é uma grande parceira. Ainda hoje dou por mim sentado no sofá espantado para ela, a admirar-lhe a beleza. Ela é linda!, linda! E eu amo-a…” A voz fica presa na garganta, sumida, ao chegar à ultima frase. Por timidez. Luís, lisboeta de 44 anos, afirma que é feliz. E di-lo de forma convincente. Conta que a maior parte dos prazeres que tem na vida são partilhados com a mulher: os filmes, os passeios de fim de semana, as viagens, as jantaradas com amigos. Quem os conhece de perto gaba-lhes a cumplicidade, a amizade, a boa disposição. Garantia do próprio. Parecem ser um casal realizado, de bem com a vida, como tantos outros. O que (quase) ninguém sabe é que Luís e a mulher não têm sexo há mais de três anos. Nada.

Zero. A cama serve apenas para dormir. Ela nunca mostrou grande apetência para o sexo e, ao longo dos anos, foi-se mostrando cada vez mais indisponível para o ato. Luís achou no início que era uma fase passageira. Por causa da educação tradicional, por pudores, vergonhas, ou por causa da toma dos comprimidos receitados para uma antiga depressão gerada por conflitos no trabalho. “Ainda hoje os toma. São uns rebuçados muito caros que ela não larga.” Luís acreditava que os tempos de ‘seca’ iam passar, que tudo ia melhorar. Afinal de contas amavam-se, estavam juntos de livre vontade, não havia brigas, nem animosidade no relacionamento, logo o sexo haveria de dar certo, mais tarde ou mais cedo. Estava errado, o problema agudizou–se. Ele tinha sempre vontade, todas as noites. Ela nunca, nada. “Costumava afastar-me, dizia: oh, não comeces. Às vezes sentia-me pior do que estar deitado ao lado de uma bota da tropa. E se me esticasse num certo sentido levava uma sapatada.” Não é com raiva, rancor ou ressentimento que o diz. Há resignação, humor e até um certo afeto nas suas palavras. Fala das características e particularidades de quem escolheu para ter ao lado. E com as quais se habituou a conviver. Nem sempre foi assim. “Nos primeiros anos, uma vez por mês havia uma noite mais sortuda para mim, ela deixava-se ir. Eu mais quente, ela morna, quase fria.

Entregava-se, mas sem beijos, nem abraços. Muito menos toques, isso deixava-a ainda mais tensa.

O sexo era aceite após muito esforço e insistência da minha parte. Para mim era satisfatório, mas ela sempre mostrou que vivia bem sem aquilo.”

SEM SEXO. Há casais em que nenhum dos elementos sente vontade de ter sexo e estão de bem com isso. De acordo com os especialistas, se nenhum dos elementos se queixa ou apresenta desconforto não há patologia ou problema a tratar

SEM SEXO. Há casais em que nenhum dos elementos sente vontade de ter sexo e estão de bem com isso. De acordo com os especialistas, se nenhum dos elementos se queixa ou apresenta desconforto não há patologia ou problema a tratar

Nunca tiveram uma conversa a fundo sobre a questão. Ambos evitam o tema. É incómodo e, na verdade, nenhum deles parece saber por onde começar para o resolver. “Isto anda uma baralhada enorme. É mais fácil não fazer nada se o resto corre tão bem. Mas um dia temos mesmo que ir a um terapeuta sexual. Talvez haja caminho para a nossa intimidade melhorar. Talvez…” Por ela está tudo bem como está. E ele afirma que entrou numa espécie de “hibernação sexual”. Certa vez, a parceira chegou a dizer-lhe, meio a sério, meio a brincar: “Tenho pena de ti, qualquer dia tens que ir lá fora, satisfazer-te com as meninas.” Luís não a levou a sério. “Dizem que os homens têm o órgão sexual ligado ao cérebro, mas não é verdade. Sou a prova disso. Continuo a gostar muito de sexo, mas gosto mais da minha mulher. Nunca a traí, nem considero fazê-lo ou manter relações extraconjugais.

A LÍBIDO TAMBÉM SE TREINA

Por respeito ao nosso casamento. E não vou bater com a porta por causa disto. Senão tê-lo-ia feito há muito. Vejo as coisas desta maneira, é como alguém gostar muito de marisco, mas ser alérgico.” Conta que, uma vez por outra, se masturba a pensar nela ou numa mulher atraente que conheceu.

Mas que isso está no campo das fantasias e que garante que a libido também se treina. “Antes desta relação namorei muito, tive muito sexo, era rebelde, não era de andar num poleiro só. Mudei muito, como podem ver.” Não se vitimiza. Faz o inverso.

“Sou um herói. E talvez seja. Para as coisas resultarem entre um casal o sexo não precisa de fazer parte da equação, tenho vindo a descobrir. Bom, claro que se houver sexo é melhor ainda. Não nego. Mas tenho-me agarrado a outros prazeres. Praticar esqui em Andorra é um deles.” A comparação pode parecer despropositada. Mas há quem não ache.

ELA QUER. Na última década, o número de casos de homens a referirem pouco desejo tem aumentado. As causas poderão estar ligadas ao stresse, ao trabalho, ao desemprego e à mudança de papéis de género

ELA QUER. Na última década, o número de casos de homens a referirem pouco desejo tem aumentado. As causas poderão estar ligadas ao stresse, ao trabalho, ao desemprego e à mudança de papéis de género

“Porque é que o desejo físico é tido como fundamental e a sexualidade o maior prazer da vida? Quem não a tem sofre de um problema patológico? Não sigo essa linha da sexologia que muitos colegas meus defendem. Desde que a pessoa esteja bem com a sua falta de desejo ou sexo, para mim não há problema a tratar. E para algumas pessoas o maior prazer da vida não é sexo, pode ser comer caldo verde, ameijoas à Bulhão Pato ou tomar um banho de água fria. E eu devo achar isso errado? Não.” Quem o afirma é Gabriela Moita, sexóloga e terapeuta familiar. Este é uma tema que lhe é particularmente querido, pela invisibilidade na sociedade, pelo tabu e estigma associado à ideia de casais que não têm sexo e por ser uma realidade expressiva que lhe entra pelo consultório quase diariamente.

AS RAZÕES DA FALTA DE DESEJO

Em Portugal não há um levantamento estatístico sobre o número de casais sem atividade sexual ou com incompatibilidades ao nível do desejo num determinado momento da relação. Situações em que um dos elementos deseja praticar sexo e o parceiro ou parceira pouco ou nada. As razões poderão ser várias: Uma depressão, um trauma, a rotina, o stresse, a falta de tempo para o erotismo ou para namorar, o cansaço, a gravidez, os filhos, a falta de diálogo entre o casal sobre o que excita e desgosta cada um na cama, a gradual perda de atração pelo corpo da pessoa amada ou mesmo o desentusiasmo pelo sexo em si. Sem nenhuma razão aparente, física ou psicológica. E o problema não é um exclusivo dos casais heterossexuais.

O OUTRO. Também há relações gay que se mantêm apesar do desejo terminar. Em certos casos a saída é o casal permitir que a relação seja aberta a outros parceiros sexuais

O OUTRO. Também há relações gay que se mantêm apesar do desejo terminar. Em certos casos a saída é o casal permitir que a relação seja aberta a outros parceiros sexuais

Esta é uma realidade quase sempre vivida em segredo. Pode ser assim com os melhores amigos – mesmo os que aparentam ser o casal perfeito – com familiares, com os vizinhos da porta ao lado.

E pode bater à porta de qualquer um de nós. Porque o desejo sexual não é igual nem permanente ao longo da vida de um casal. Sofre alterações.

ELAS QUEIXAM-SE MAIS

Por vezes é necessária a ajuda de um terapeuta para a equilibrar a dinâmica do casal, reconhece Gabriela Moita. “Não tenho dúvidas de que há muitos mais casais nesta situação. Digo-o pela minha perceção clínica e social. É muito significativo o número de casais que me procuram, em que um deles tem falta de desejo e o outro vive insatisfeito. E não é um problema de pessoas velhas, feias ou doentes.

A maior parte das vezes quem me entra pelo consultório com estas questões de hipodesejo [falta de desejo] são casais jovens, entre os 30 e 40 anos, bonitos, bem sucedidos, informados, licenciados. Costumam ser as mulheres a queixar-se de não ter tanta vontade de sexo, mas começam a aparecer cada vez mais homens a assumirem o mesmo.”

Sinal dos tempos. Gabriela explica que em todos os casos é feita uma avaliação clínica de cada um dos sujeitos, analisada a fisiologia, os mitos e falsas crenças, as causas possíveis, trabalhadas as questões de erotização do casal, mas nem sempre isto basta. E deixa claro que, quando há um descasamento no desejo, nenhuma das partes sairá inteiramente satisfeita. “Porque a pessoa que queria mais frequência não vai ter a que queria e a pessoa que estava descansada sem sexo, vai ter mais do que desejava. Cada uma tem que perder, ceder, colaborar.” A sexóloga refere que o estado inicial de paixão ou encantamento traz quase sempre desejo sexual num casal – que se pode ir perdendo com os anos e, nalguns casos, dar lugar ao desconforto ou à repulsa. “Mas se o amor continua, o que o casal tem que decidir é se prescinde do sexo. Ou se a pessoa que não tem desejo está disponível para satisfazer os desejos da outra, ainda que o seu corpo possa não estar lá totalmente. Através por exemplo da masturbação, ou servindo de objeto sexual erótico.”

A OUTRA. Há casos em que o casal a dado momento perde o desejo sexual um pelo outro, embora não por outras pessoas. A escolha de viverem relações abertas, de ficarem pela fantasia ou traírem o parceiro depende de cada um

A OUTRA. Há casos em que o casal a dado momento perde o desejo sexual um pelo outro, embora não por outras pessoas. A escolha de viverem relações abertas, de ficarem pela fantasia ou traírem o parceiro depende de cada um

Gabriela chega a relatar uma frase que ouviu muitas vezes da boca de mulheres sem vontade de o fazer com os maridos. “Devia haver prostitutas que dessem workshops para aprendermos a ter lá o corpo sem prazer. Não consigo, mas gostava de aprender a fazer isso, para satisfazer o meu companheiro.” A sexóloga Marta Crawford acrescenta outro ponto que pode fazer prolongar ou agravar estas situações: “A dificuldade de diálogo ou de discurso íntimo entre o casal é a meu ver a grande questão.

Se uma das pessoas tiver questões sexuais a resolver e conseguir verbalizá-las ao companheiro talvez se arranjem soluções, compromissos satisfatórios.” A especialista dá como exemplo um caso recente que recebeu no consultório. Uma mulher queixava-se da atitude do marido na cama, que não a entusiasmava devidamente. “Tu não me agarras com força. És molezinho!” – dizia-lhe a mulher pedindo-lhe inclusive que a chamasse de “puta”. Marta seguiu este diálogo de um casal com atenção. Ele respondia: “Não sou capaz de te chamar puta porque sei que não és.” Ao que ela retorquiu: “Eu sei que não achas isso de mim, mas é uma palavra que me excita”. Ele recusa: “Isso vai contra as minhas convicções, não consigo chamar-te isso.” Marta identificou o que estava por detrás dessa vontade e arranjou uma solução. “Mais do que os nomes feios, ela queria uma atitude mais agressiva, passional, animal, por parte do companheiro no momento sexual. E tive que lhes traduzir isso.” Noutras vezes, o reacender do fogo no casal começa com a proibição do sexo. Não podem tocar nos genitais, nem nas mamas. E devem explorar o corpo um do outro dos pés à cabeça. “Digo-lhes que quando estão a receber carinhos devem pensar apenas em si próprios e quando estão a dar devem pensar apenas no parceiro ou na parceira. Começa assim a terapia do bem-estar. Porque quando uma relação não está bem perde-se essa sensação. A proibição pode criar vontade. E é interessante e importante ambos perceberem que um beijo ou uma carícia não significa que vão ao ‘castigo’, que não é a antecâmara para a penetração. O sexo é muito mais do que isso!”, sublinha Marta Crawford.

QUANDO MENOS SE FAZ MENOS SE DESEJA

A sexóloga Vânia Beliz, autora do livro “Ponto Quê”, vai ao encontro da mesma ideia: “Sexo pouco gratificante é um dos motivos que pode levar um casal a reduzir a sua frequência sexual. Se não temos prazer dificilmente se potencia o desejo. E quando menos se faz, menos vontade há de o fazer…” Gabriela Moita refere que as mulheres com falta de desejo apresentam um imaginário erótico quase vazio.

Quando na consulta lhes pergunta diretamente o que mais as excita, a resposta delas é quase sempre a mesma: “Nada.” “É assustador.” Então, são convidadas a ir para casa pensar no que é que alguma vez as excitou. Gabriela ajuda-as com alguma bibliografia erótica. Elas regressam com o TPC feito e alguns fracos exemplos: “Ah! Foi um filme amoroso que vi há muitos anos” – dizem. “As mulheres têm muito esta coisa de ligarem a excitação ao amor, às palavras amorosas. Com muito amor é possível. E, na verdade, o quotidiano não é assim. Os rapazes não funcionam dessa forma. Cresceram a brincar com imagens eróticas, têm um ficheiro erótico riquíssimo, desde cedo falam de rabos, mamas, pernas e outras partes do corpo. O que lhes favorece a vivência do desejo e da sexualidade. Para a maioria dos homens certos palavrões têm uma carga erótica, mas para várias mulheres não, chega a ser deserotizante.” Daniel Cardoso, investigador na área das ciências sociais, com especialidade nas questões de género e sexualidade, considera que é a própria sociedade muitas vezes a gerar estes problemas. “Por um lado há uma pressão muito grande para que sejamos pessoas muito sexuais e, ao mesmo tempo, há condicionantes do quotidiano que nos roubam a energia e a motivação. Veja-se o desemprego e a crise, por exemplo. A variação do desejo não significa necessariamente uma doença ou patologia.” Na sua opinião, há uma pressão social para a monogamia no amor que contribui para variados desequilíbrios conjugais. “Em determinado momento da vida de um casal, um dos elementos pode começar a desejar outras pessoas ou a ter vontade de outras práticas sexuais sem que isso represente o desaparecimento do amor romântico. No entanto, é muito difícil falar sobre isso com a parceira ou parceiro.” Daniel Cardoso quer com isto dizer que um dos elementos pode passar a desejar menos o cônjuge ou parceiro, o que não significa que tenha passado a amá-lo menos.

Pondo de parte as questões de patologia fisiológica, que podem alterar o desejo de um dos elementos do casal, Daniel defende que importa descolar o debate para as melhoria das condições de vida das pessoas. “Como é que pode esperar que exista desejo, quando as pessoas têm de trabalhar 12 horas por dia para conseguirem sobreviver? Não é realista!” O psiquiatra e sexólogo Júlio Machado Vaz completa-o. “O ritmo alucinante em que vivemos é uma contraindicação absoluta para o erotismo.” Desarruma a conversa com a ideia do “Don’t ask don’t tell”: “Há mulheres com pouco desejo que dizem que, desde que não saibam, não se importam que os maridos se satisfaçam por fora.” E sublinha conhecer casos de casais que não têm bom sexo, mas em que a relação é admirável. “A felicidade de um casal depende de muito mais variáveis do que a capacidade de atingir o orgasmo. Precisamos de discutir o livro, o filme, de ter uma boa conversa, isso faz parte dos predicados para um bom parceiro de vida. Há estudos que apontam para isso, casais que se autoclassificam de felizes, embora ambos, ou um deles tenha uma disfunção sexual.” Não há padrões.

Os caminhos para o bem-estar e prazer a dois são inúmeros e à medida de cada um.

Texto publicado na edição do Expresso de 18 julho 2015

Benching: quando espera sentado numa relação

Como o próprio nome indica, benching vem de bench, que em inglês significa banco, ou seja, é o ato de ficar no banco. Em pleno Euro 2016 não estamos, no entanto, a fazer nenhuma referência a Rafa ou a Éder — estamos a falar de relações. O nome tem um mês, mas o ato em si é mais velho do que quem o pratica.

Mas o que vem a ser o benching? Passamos a explicar. Quando conhece alguém — regra geral no Tinder ou numa rede social –, têm um ou dois encontros e essa pessoa subitamente deixa de lhe responder às mensagens, para umas semanas mais tarde voltar a dar sinais de vida, isso é benching. A comunicação é intermitente e pressupõe convites para jantares ou cafés que à última da hora nunca acontecem. E isto pode durar meses. Quem está “sentado” acha que é uma questão de timing e que, eventualmente, a coisa vai dar-se.

As desculpas pela ausência inexplicável são sempre elaboradas, envolvem agendas preenchidíssimas, prazos de entrega de trabalhos ou problemas familiares que são corroborados por fotografias tiradas com um único propósito: iludir a pessoa sentada.

Quem “senta” outra pessoa fá-lo por indecisão e para manter as suas hipóteses em aberto. Não tem a certeza de gostar o suficiente para assumir uma relação, mas não quer descartar essa possibilidade — está à espera de que apareça alguém melhor e não se quer comprometer, para além de estar de olho em mais dois ou três pretendentes. Quer ver no que vai dar e, no caso de não dar com alguma das alternativas, não fica sem ninguém. Tem sempre alguém seguro, no banco.

circa 1956: Two girls take a break from their summer jobs at the Palisades Amusement Park, New Jersey to bask in the noontime sun. (Photo by Sherman/Three Lions/Getty Images)

Se é vítima de “benching” pode aproveitar e fazer uma sesta. Tem tempo até à próxima mensagem. (Foto: Getty Images)

Há dois tipos de benching: quando alguém é solteiro e está ocasionalmente com outra pessoa de quem não tem a certeza se gosta ou não, mas não quer deixá-la ir, e quando alguém está numa relação e não tem a certeza de querer continuar nela, mas prefere não acabar e começar a procurar outras opções.

Segundo escreve o The Telegraph, as “benchees” também servem para acompanhar a casamentos ou para quando a pessoa não quer chegar a uma festa sozinha e sabe que basta mandar uma mensagem noWhatsapp para arranjar um par. Para quem está sentado isto só aumenta a incerteza de não saber se aquela pessoa gosta efetivamente de si ou não. Basicamente o que lhe passa pela cabeça é: se não gostasse de mim não me mandava estas mensagens versus se gostasse de mim não ficava tanto tempo sem dizer nada.

Porque é que tanta gente cai nesta história? Porque o bencher (aquele que pratica o benching) é atencioso, tem o cuidado de perguntar à pessoa como é que ela está, como foi o seu dia, além de uma série de outros cuidados que são interpretados como interesse genuíno. Mesmo que isso só aconteça de duas em duas semanas e seja sempre por telemóvel.

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O que diferencia o benching do ghosting é que no último a pessoa desaparece sem aviso e de vez, isto é, não volta para se assegurar de que não perdeu nada. De acordo com a revista nova-iorquina BetaMale, obenching é bem mais traiçoeiro do que o ghosting ou do que simplesmente dizer que não está interessado e acabar com tudo de uma vez. Uma vítima de ghosting pode fazer o seu luto quando se apercebe do fim da relação — mesmo que não encontre uma explicação –, já a vítima de benching não sabe em que pé estão as coisas porque a pessoa desaparece e aparece constantemente.

Jason Chen, editor da BetaMale, acredita que esta é uma prática essencialmente dos homens. As mulheres entram em jogos com homens que conhecem há muito tempo e com os quais têm confiança, mas não são capazes de o fazer com alguém que acabaram de conhecer. Até porque elas ainda se regem bastante pela ideia de o homem ter de dar o primeiro passo.

A verdade é que o nome até pode ser recente e as aplicações de encontros até podem propiciar um acréscimo da prática, mas infelizmente o conceito não tem nada de novo. É o velho “iludir alguém” com uma roupagem nova e tecnológica.

Se depois de ler este texto chegou à conclusão de que está “sentado/a”, tem duas opções. Pode sentar a outra pessoa de volta ou pode levantar-se e ir à sua vida. Porque quando o benching acontece, a velha máxima de “ele/a não está assim tão interessado” continua a ser verdadeira.

Rússia e Turquia acordaram reunir-se para ultrapassar crise

“Reiterando o seu compromisso de revigorar as relações bilaterais e lutar contra o terrorismo em conjunto, os dois líderes concordaram manter-se em contacto e encontrarem-se pessoalmente”, indicou num comunicado, divulgado após Recep Tayyip Erdogan e Vladimir Putin terem falado ao telefone.

A conversa ocorreu um dia depois de Ancara ter lamentado o facto de aviões turcos terem derrubado em novembro o avião de guerra russo na fronteira com a Síria.

 

Aplicações de encontros são perigosas, avisa relatório

De acordo com um relatório publicado pelo The Telegrah têm crescido em número a quantidade de crimes com recurso a aplicações de encontros como o Tinder, Grindr, Bumble e Happn.

Diz o relatório que o número tem crescido exponencialmente de ano para ano no Reino Unido, com 2013 a figurar 55 crimes, 2014 um total de 204 e em 2015 até 412, sendo o tipo mais comum do tipo violento e sexual como violação e exploração sexual de menores.

Apesar destas aplicações se esforçarem em disponibilizar aos utilizadores uma descrição detalhada de cada um, é praticamente impossível certificar que a pessoa atrás do ecrã é de facto quem diz ser, pelo que se adverte cuidado na utilização destas aplicações.

Empresas nacionais vão investir 30 milhões em Cuba

“Neste momento, os investimentos já acordados e em fase final de negociação das empresas portuguesas em Cuba já devem ascender a cerca de 30 milhões de euros. Já se celebraram diversos memorandos de entendimento com empresas portuguesas que querem investir em Cuba, desde o sector da indústria de moldes plásticos, de componentes para automóveis (cerca de 12 milhões de euros de investimento), na área do papel (cerca de 10 milhões), ou na indústria da construção (cerca de dois milhões) ”, revela ao Diário Económico Américo Castro, presidente da Câmara de Comércio Portugal-Cuba (CCPC).

Segundo este responsável, “também já foi feito o registo da empresa e iniciou-se o processo negocial para uma empresa portuguesa do sector das conservas”, que não quis revelar.

“Há ainda mais duas empresas portuguesas, a Raclac, integrada num grupo que fatura cerca de 400 milhões de euros por ano, e a Docworld, que entraram agora na área dos produtos hospitalares. Há também interesse de empresas portuguesas em Cuba no sector do turismo, no segmento de ‘sightseeing’ e dos cruzeiros”, acrescenta Américo Castro.

Este crescente interesse das empresas portuguesas pelo mercado cubano foi visível na recente FIHAV – Feira Internacional de Havana de 2015, que se realizou na capital cubana de 2 a 7 de novembro do ano passado. O certame contou este ano com a presença de mais de 90 empresários portugueses e teve 17 empresas nacionais a expor. Ocorreram as visitas do presidente da Aicep, Miguel Frasquilho, e do novo embaixador de Portugal em Cuba, Luís Faro Ramos.

“Já durante a feira foi assinado um negócio entre uma empresa portuguesa de câmbios, a Realtransfer, e o Estado cubano. Esta empresa tem agora a possibilidade de entrar em Cuba como operador de câmbios, que é sempre uma área delicada da economia, e para a qual já tem licença”, adianta Américo Castro, revelando mais um negócio de uma empresa lusitana em Cuba.

O presidente da CCPC sublinha que já foi publicado um novo caderno de oportunidades para o investimento em Cuba, apresentado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Rodrigo Malmierca Díaz. Foram também apresentados os projetos já aprovados para a zona especial de Mariel, dos quais oito são de megadimensão. Há mais de 200 projetos de investimentos que aguardam aprovação para a zona económica especial de Mariel, que poderão interessar às empresas portuguesas.

Américo Castro adianta ainda que a CCPC vai dentro em breve assinar um protocolo com a Aicep com vista à divulgação e promoção de oportunidades em Cuba, à realização de eventos e à organização da presença portuguesa na FIHAV em 2016.

“Estou convencido que até lá se fecharão muitos negócios entre empresas portuguesas e Cuba. Penso que 2016 será um ano fortíssimo de negócios portugueses em Cuba.

A FIHAV trouxe resultados para algumas empresas portuguesas. Houve umas que se expuseram pela primeira vez e que, por isso, já iniciaram o processo de registo em Cuba”, realça Américo Castro. O presidente da CCPC considera que “o embargo dos Estados Unidos está no fim, esse processo não vai parar” e, por isso, “temos aqui uma oportunidade única para as empresas portuguesas poderem, no momento mais assertivo de todos, entrar em Cuba e poder crescer”.

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