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“Grande parte do meu percurso foi feito no meio das máquinas”

Sofia Vale

A Riler foi criada em 1974 como estamparia têxtil. Em 1985 Amaro do Vale compra a empresa e transforma-a numa tinturaria têxtil. “Dá-se esta alteração para que a Riler pudesse tingir os tecidos de uma outra empresa da família, esta sim fundada exclusivamente pelo meu pai”, explica a atual CEO.

Sofia Vale entra para os negócios da família em 1998 após terminar a sua Licenciatura em gestão. “Em 95, após a perda do meu pai dão-se algumas alterações na estrutura organizacional da sociedade, habituais numa empresa familiar. Eu, sozinha na Riler estou há três anos, mas já estou na direção desde que entrei em 1998”.

 “Está a ser um ano muito bom”

Trabalhar na Riler sempre foi o sonho de Sofia Vale. “O Vale do Ave é, por excelência, a zona do setor têxtil e o meu pai sempre foi industrial nesta área. Portanto, eu cresci neste meio, nesta e na outra empresa do meu pai, mas desde sempre tive um maior fascínio pela Riler.

Vir para cá trabalhar foi, por isso, aquilo que eu sempre quis e foi o que fiz quando acabei a minha Licenciatura. Felizmente agora está a correr bem, nem sempre foi assim, mas com muito esforço e muito trabalho temos superado todas as adversidades que nos surgiram ao longo dos anos. Estamos numa fase de crescimento e investimos muito nos últimos três anos. Adquirimos novas maquinas para aumentarmos a nossa capacidade produtiva e melhorar a qualidade do serviço prestado. Outro objetivo com estas aquisições é a eficiência energética, pois atualmente todos estamos  conscientes das necessidades ambientais e a sua real importância. Para acompanhar estes investimentos foi necessário uma melhoria das instalações, e é claro que sabemos que tão importante como tudo o resto é a mão de obra qualificada e desta forma investimos na contratação de pessoas cada vez mais qualificadas bem como em muita formação e requalificação do nosso pessoal. Neste momento estamos a instalar uma máquina que acabou de chegar e no próximo ano vamos receber mais três.

Pode-se dizer que está a ser um ano muito bom.” Tão bom que este ano vai ser atingido um ambicioso objetivo em termos de faturação que já não era alcançado desde 2004. A empresa conta atualmente com cerca de 80 trabalhadores, a trabalhar em turnos contínuos. “Todos trabalhamos no mesmo sentido, somos uma equipa unida e coesa”, orgulha-se.

“A diferença não tem a ver com as capacidades entre os homens e as mulheres”

E se agora Sofia Vale já não é um nome desconhecido na indústria têxtil e transmite confiança àqueles que com ela trabalham, sejam eles colaboradores, fornecedores ou clientes, nem sempre foi assim!

“Hoje, é mais fácil porque com o passar dos anos e experiencia adquirida sou respeitada por todos, o trabalho desenvolvido até então confere-me o respeito conquistado. Já estou aqui há alguns anos mas, no início, não foi nada fácil, por vários motivos. Tradicionalmente esta indústria é um mundo de homens, na Riler apenas 10 por cento são mulheres. O facto de ser filha do dono também não ajudou quando comecei. É preciso aprender com humildade e, por isso, grande parte do meu percurso foi feito no meio das máquinas até porque vim de uma área de gestão para a produção e precisei mesmo estar lá a aprender”, afirma.

As responsabilidades inerentes ao papel de mulher e mãe também fazem com que Sofia Vale tenha que se desdobrar em tarefas para continuar a fazer o bom trabalho que a caracteriza e continuar a levar a Riler a bom porto. “Os homens, por norma, têm mais disponibilidade para se dedicarem aos negócios, porque nós, temos responsabilidades e tarefas acrescidas enquanto mães e mulheres de negócios. Antes de ter filhos, eu podia dedicar mais tempo à empresa, agora é preciso ir buscar as crianças ao colégio, é preciso ir à reunião de pais, é preciso ir ao médico… e eu tenho três lindos filhos. Não posso deixar de salientar a ajuda e o apoio que me tem dado uma grande mulher, a minha mãe.

A diferença não tem a ver com as capacidades entre os homens e as mulheres mas sim a diferença entre o esforço adicional que as mulheres tem de fazer para se afirmarem num mundo tradicionalmente liderado por homens”.“Queremos ser reconhecidos como bons naquilo que fazemos e acho que estamos no bom caminho.”

Mas este não é o único desafio que se coloca à gestão de Sofia Vale. A CEO da Riler enumera alguns outros nesta entrevista à Revista Pontos de Vista: “enquanto tinturaria, a Riler procura insistentemente cumprir com todas as diretrizes ambientais. O facto de gastarmos muita água e gás e termos os custos energéticos muito elevados preocupa-nos e por isso estamos a investir na renovação do nosso parque de maquinas. O resto é o risco natural do negócio, um cliente que fecha e fica uma conta corrente por resolver, etc.”.Riler

Ao trabalhar indiretamente, através dos seus clientes, para grandes grupos como o Inditex, a Riler é obrigada a fazer grandes investimentos, por exemplo, ao nível do laboratório, “de outra forma não temos o aval deles para podermos trabalhar. Somos auditados por esse grande grupo e temos de ser referenciados pelo mesmo para podermos trabalhar para os nossos clientes”, explica Sofia Vale.

Quanto aos objetivos para os próximos tempos, afirma: “as metas que gostava de ver atingidas são muito altas. Gostava de manter os níveis de crescimento que temos alcançado mas a instabilidade é muito grande. Quero aumentar, e já o estou a fazer em termos de capacidade, por esse motivo estamos a investir em máquinas e temos algumas para chegar em abril. Pretendo também alargar a variedade de serviços prestados, a outro tipo de acabamentos. Quero que a Riler seja conhecida como uma empresa onde o cliente sabe com o que conta quer a nível de atendimento quer a nível de qualidade do serviço e prazo de entrega curtos. Queremos ser reconhecidos como bons naquilo que fazemos e acho que estamos no bom caminho”.

Revista Pontos de Vista: A abertura do mercado europeu à China e a crise de 2008 refletiram-se no encerramento de umas quantas empresas têxtil em Portugal. No entanto, o setor deu a volta por cima e esta indústria tem emergido como uma das mais avançadas e competitivas do país. Como perspetiva o futuro do têxtil em Portugal nos próximos anos?
Sofia Vale: As expetativas são boas. Em Portugal fazemos quantidades pequenas e fazemos bem, cumprimos cadernos de encargos e fazemos rápido. Eu acho que nós portugueses somos de facto milagreiros. Este conjunto de qualidades, aliadas à nossa versatilidade, e aos preços praticados fazem a diferença. É bastante prestigiante para Portugal ter uma participação tão grande, e de tão alto nível, de empresas portuguesas na Heimtextil que é a maior feira têxtil anual da Europa. Agora, é necessário que em Portugal se continue a apostar, na qualidade, na inovação, na formação e nos cuidados com as questões ambientais.

Próximos grandes eventos/ feiras têxtil a decorrer pelo Mundo
Heimtextil – 12/01/2016 a 15/01/2016
Frankfurt am Main – Alemanha

Pitti Immagine Uomo – 12/01/2016 a 15/01/2016
Florença – Itália

Première Vision Preview New York – 19/01/2016 a 20/01/2016
Nova Iorque – Estados Unidos

Pitti Immagine Bimbo – 21/01/2016 a 23/01/2016
Florença – Itália

FIMI – 22/01/2016 a 24/01/2016
Madrid – Espanha

Salon International de la Lingerie – 23/01/2016 a 25/01/2016
Paris – França

ISPO Munich – 24/01/2016 a 27/01/2016
Munique – Alemanha

TexWorld USA – 24/01/2016 a 26/01/2016
Nova Iorque – Estados Unidos

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