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Resistência de microrganismos aos antibióticos baixou nos últimos anos

O aumento da resistência aos antibióticos constitui um “perigo para a saúde mundial”, que tem levado as autoridades de saúde a envidarem esforços para as boas práticas médicas e hospitalares, no sentido de prevenir infeções mais frequentes, revela o relatório “Portugal-Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos 2015”, da Direção-Geral da Saúde.

Em consequência dessas medidas, registaram-se “evoluções positivas no consumo de antimicrobianos, principalmente na classe das quinolonas (um dos medicamentos relativamente ao qual o número de bactérias resistentes tem aumentado), cujo consumo desceu, entre 2011 e 2014, 27% no ambulatório e mais de 8% a nível hospitalar”.

A situação mais preocupante é a da resistência elevada da bactéria Escherichia coli (responsável pela maior parte das infeções urinárias) aos antibióticos da classe das quinolonas.

Igualmente tem-se registado uma inversão da tendência crescente no consumo de carbapenemos (antibióticos de largo espectro utilizado em algumas infeções graves por agentes multirresistentes), que diminuiu 5% entre 2013 e 2014.

Em 2011, Portugal era o país da Europa que mais usava carbapenemos. Em 2014, apesar da redução de 5%, o seu consumo ainda era 2,3 vezes superior à média europeia, refere o documento, que destaca que, apesar de dever ser a “última alternativa terapêutica”, se tem verificado um “uso excessivo em alguns hospitais”.

O relatório salienta que “a principal ameaça” é constituída pelo microrganismo Klebsiella pneumoniae resistente aos antibióticos da classe dos carbapenemos, já presente em todo o mundo.

“Registaram-se surtos hospitalares de infeção por esta bactéria, pontuais e localizados, tendo sido implementadas medidas de contenção da sua disseminação”, revela.

Ainda no período entre 2011 e 2014, verificou-se também redução das taxas de resistência em alguns microrganismos multirresistentes, como Staphylococcus aureus resistente à meticilina, Enterococcus ou Acinetobacter, mas que ainda assim se mantêm elevadas, “considerando-se fundamental a sua redução”, um dos principais objetivos do programa.

O relatório lembra que apesar de os antibióticos serem indispensáveis para a medicina, têm que ser “criteriosamente utilizados”, pois, ao contrário do que acontece com outros medicamentos, o seu uso sistemático tende a torná-los menos eficazes, quer para a pessoa tratar, quer para a comunidade envolvente.

“Embora o aparecimento de resistências seja uma consequência natural da utilização destes fármacos, o seu uso desregrado tem acelerado e agravado essa tendência, ao ponto de terem emergido estirpes microbianas resistentes à generalidade dos antibióticos habitualmente usados”, sublinha.

Simultaneamente, tem-se verificado um decréscimo acentuado da descoberta de novas classes de antimicrobianos, o que dificulta ainda mais o tratamento de algumas infeções.

Os autores do estudo alertam ainda para o “prolongamento inapropriado da administração de antibiótico no pós-operatório em doente sem infeção – ocorrência prevalente em 2014 –, o que não melhora o prognóstico e ainda aumenta o risco de infeção por agentes multirresistentes no doente operado.

Este é um dos principais desvios das boas práticas verificado na utilização de antibióticos nos hospitais portugueses, “não sendo justificável a sua persistência”, consideram os especialistas.

 

Um bom diagnóstico exige tempo com o paciente

O Serviço de Neurofisiologia do Hospital de Santo António faz há 29 anos a consulta do sono e os registos de sono (noturnos, diurnos, diagnóstico e tratamento de distúrbios do sono de adultos ou crianças). De que forma é que têm procurado ser pioneiros nesta área da Medicina do Sono, em colaboração com o ICBAS na componente de ensino e investigação clínica?
António Martins Silva – Em 1996, num evento em Évora, com a Associação Portuguesa do Sono, enumeraram-se as escolas a nível europeu que tinham um ensino que, de algum modo, dava especial importância à área do sono e eram poucas, nomeadamente uma na Suíça, uma em Itália, outra em França e o ICBAS. A formação sempre foi objeto de grande discussão e, neste sentido, a APSono começou a interferir no sentido de definir um currículo para as áreas médicas e técnicas, a par da própria Ordem dos Médicos que trabalhou por uma melhor organização da Medicina do Sono. No campo da investigação, as primeiras foram feitas de forma individual e, progressivamente, começamos a isolar casos de doenças do sono com maior frequência em família e outros casos mais interessantes, como é o caso da narcolepsia.
João Ramalheira – De facto, é uma doença interessante que apresenta uma tétrada de sintomas: sonolência excessiva, cataplexia (perda súbita de tónus muscular e consequentemente falta súbita de força) desencadeada por emoções intensas tais como, por exemplo, estes doentes podem cair com o riso; alucinações e paralisia do sono. Em alguns casos de sintomatologia muito intensa é angustiante podendo obrigar nesses   casos extremos  a necessidade de adaptação profissional. Mas a narcolepsia é apenas uma das doenças do sono. No passado associava-se uma patologia do sono ao facto de se dormir mal e ter insónias. Mas a narcolepsia é um preciso exemplo de um doente que dorme demasiado. Hoje associam-se as doenças do sono às dificuldades respiratórias em sono, nomeadamente às apneias (Síndrome de Apneia Obstrutiva em Sono, ou SAOS). Mas a Medicina do Sono é muito mais abrangente do que insónias e doenças respiratórias durante o sono. De acordo com a Classificação Internacional – ICSD3 da American Academy of Sleep Medicine” 2014, existem mais de sete dezenas de entidades classificadas como Doenças do Sono.
AMS – A propósito da apneia, o mais relevante nesta doença, para além das alterações que provoca em várias componentes individuais (respiratórias, cardiovasculares, endócrino-metabólicas e neurológicas)  é provocar excesso de sono diurno.  O que, do ponto de vista individual, laboral e social, é muito perigoso. O excesso de sono, ou  hipersónia, é perigoso porque pode provocar acidentes de trabalho, viação, domésticos. Daí que haja uma grande pressão para que estes doentes sejam rapidamente investigados e tratados.

João Ramalheira, António Martins Silva e João Lopes
João Ramalheira, António Martins Silva e João Lopes

Da teoria à prática
Em termos formativos, desde os anos 80 que o sono é matéria obrigatória lecionada na disciplina de fisiologia humana II do curso de medicina do ICBAS. Que ensinamentos se procuram transmitir aos alunos?
AMS – Começava muitas vezes as minhas aulas fazendo referência a alguns autores que diziam que o sono é um estado de inconsciência. Não é assim! O sono é um estado de consciência diferente. A pessoa que está a dormir  não está acordado, não está alerta, não está atento. Está num estado de consciência diferente.
João Lopes – A propósito disso, importa lembrar que uma das parassonias (acontecimentos físicos ou experienciais que podem ocorrer em sono) mais frequentes facto é a de as pessoas falarem durante a noite. Não acontece nada e no dia seguinte não há qualquer repercussão.
AMS – Por isso, é importante que os especialistas percebam bem o doente. Em Portugal há hoje muitas consultas do sono que são bem realizadas mas que apenas se dirigem a um espectro específico do sono que é o aspeto respiratório. A nossa consulta é multidisciplinar e apenas 40% dos nossos doentes tem problemas respiratórios.
JL – Embora hoje existam algumas doenças do sono mais frequentes, há outras que se vão tornando mais comuns, e que obrigam a uma rápida ajuda médica. São as que estão relacionadas com a privação crónica do sono. O sono insuficiente é uma perturbação cada vez mais frequente e isso provoca hipersonolência diurna, mesmo em pessoas perfeitamente saudáveis.

Há, aliás, quem defenda que tem havido uma desvalorização do sono ao longo dos últimos anos, chegando-se ao extremo de se elogiar quem admite não precisar de dormir muito para se sentir bem.
JR – Apesar de estar provado que dormir acima de sete horas é fundamental, isso é apenas uma média. Há pessoas que não estão dentro desta média e que, de facto, dormindo poucas horas funcionam bem, não têm sonolência diurna, têm boa memória e bom desempenho cognitivo. Outras só se sentem bem se dormirem dez horas ou mais. São variantes do normal.
AMS – Mas tem razão. De certo modo é ‘chique’ na sociedade portuguesa dizer que se dorme pouco. É um disparate. Não devemos desvalorizar a estrutura biológica individual. O número de horas de sono inferior a seis é determinante para um conjunto de alterações muito tipificadas, tais como a diabetes tipo 2, outras alterações endócrinas, ou perturbações de memória. Fora isso, existem pessoas com patologias do sono bem identificadas que não devem trabalhar por turnos, por exemplo. Um doente com narcolepsia que trabalha por turnos pode ter uma descompensação da sua doença.
JR – Mesmo nas crianças, está provado que as crianças que não dormem bem são afectadas e por exemplo crescem mal. O sono é um período em que o metabolismo não está parado, havendo um determinado conjunto de funções metabólicas, como a libertação de determinadas hormonas,  a fixação e consolidação da memória, que ocorrem em ambas as fases do sono: REM e Não REM. Daí ser importante que se durma bem, em sono profundo. Para tal, é fundamental que os medicamentos sejam bem escolhidos e não provoquem um sono superficial, de má qualidade. Em termos farmacológicos utilizam-se medicamentos que são, por vezes, prejudiciais à memória das pessoas, à respiração, e a outros aspectos relevantes.

IMG_1981Tem havido uma banalização dos medicamentos para dormir?
AMS – Existem três tipos de fármacos: os que são indutores do sono, os que não são tão rapidamente indutores mas que mantêm o sono e os que são usados durante o dia para preparar as pessoas para dormirem melhor.
JL – Estamos a falar de remédios de utilização crónica quando não devem ser. Estes fármacos são bons para serem usados durante tempo relativamente curto. Se fossem maus naturalmente que já tinham sido retirados do mercado. O que está em causa é o uso crónico de alguns fármacos. O intuito é ajudar o doente a dormir melhor . A toma crónica vai prejudicar. Um dos problemas dos medicamentos indutores do sono é causarem dependência física e psíquica. As pessoas continuam a tomar porque não conseguem parar. Para nós isso é um problema porque temos de encontrar uma estratégia para que deixem de tomar uma vez que a utilização crónica leva a que os medicamentos percam o efeito.
JR – Também não se avalia o impacto ao fim de alguns anos. Há muitas asneiras, medicamentos mal utilizados para dormir e ninguém mede o impacto e repercussões a longo prazo destes hábitos.

É preciso tempo para ouvir os doentes
JL – Além dos medicamentos, é preciso saber como tratar os doentes. O sono não é um ato contínuo ao longo da nossa vida e tem havido uma abordagem errada nos idosos. Estes têm insónias intermédias que são o padrão normal do sono dos idosos, ou seja, durante a noite têm períodos de vigília. Mas esta insónia acaba por ser tratada com medicamentos quando é algo fisiológico, que faz parte do padrão normal do sono.
AMS – Para fazer um diagnóstico correto é preciso tempo. Uma primeira consulta do sono, necessita do tempo necessário para se identificar o que está por trás da alteração do sono. O encontrar dessa alteração é frequentemente moroso. Tem de existir uma organização de consultas em que médico e doente se ajudem no encontro do diagnóstico. É preciso que os cuidados de saúde sejam melhor utilizados, com melhor orientação prévia, e possam dar mais tempo ao especialista para estar com o doente.

É preciso aprender a dormir

O sono é um equilibrador de emoções, de memória, da capacidade cognitiva, do humor, da criatividade. Para uma rotina de sono tranquila, que conselhos devem ser deixados?
JR – Em medicina quase tudo se trata, além de medicamentos, com atitudes. As regras de higiene do sono são também métodos para tratar os doentes. A título de exemplo, o chocolate pode tirar o sono, fazer exercício físico violento à noite também. É fundamental não ter televisão no quarto. Deve-se ainda evitar tomar banho antes de dormir dado que tudo o que aumente a temperatura corporal pode dificultar o sono. Não tomar café, manter uma hora fixa para se deitar e levantar, não beber álcool e não fumar antes de dormir são outros conselhos, que com frequência damos aos nossos doentes.
AMS – Importa ainda ressalvar o papel do conjugue. Muitas das alterações do sono só podem ser bem identificadas pelo testemunho do conjugue. Exemplos: apneias, comportamentos violentos, sonambulismo, terrores noturnos. Em cada uma destas situações deve ser procurada ajuda médica.

Por fim, a propósito do Dia Mundial do Sono, que mensagem importa ser deixada?
AMS – Importa saber que as doenças do sono são diversas e que são cada vez mais frequentes na população portuguesa. Que os tratamentos existem mas, muito importante, é cumprir as regras de higiene do sono. Esta celebração fazemo-la integrando uma rede europeia de Narcolepsia que terá, nesta data, uma reunião em Helsínquia.
JR – É importante dormir bem e falo também para as crianças, pelo forte impacto que isso pode ter a nível escolar. Proibir que os filhos levem telemóveis, computadores,  “tablets” para o quarto é um primeiro passo, e pode ser decisivo para um sono repousante e um bom desenvolvimento físico e intelectual, com bom desempenho cognitivo, comportamental e escolar.
JL – Um boa noite de sono começa a ser preparada a partir do momento em que nos levantamos. Se passou um dia stressante, a sua noite não será melhor.

Oncologia pediátrica, cardiologia e transplantes com centros de referência reconhecidos

Criados pelo anterior ministro da Saúde, Paulo Macedo, foi já nos últimos dias do seu mandato que foram conhecidos os primeiros centros de referência, criados para as áreas da epilepsia refratária, da onco–oftalmologia, da paramiloidose familiar, do transplante pulmonar, do transplante do pâncreas e do transplante hepático.

Segundo o despacho do ministro da Saúde a que a Lusa teve acesso, hoje serão anunciadas mais 13 áreas prioritárias, para as quais foi reconhecido um alargado número de instituições como centros de referência, seguindo assim a proposta da Comissão para o reconhecimento de Centros de Referência.

Estas áreas são a cardiologia de intervenção estrutural, cardiopatias congénitas, doenças hereditárias do metabolismo, epilepsia refratária, oncologia de adultos-cancro do esófago, oncologia de adultos – cancro do testículo, oncologia de adultos – sarcomas das partes moles e ósseos, oncologia de adultos – cancro do reto, oncologia de adultos – cancro hepatobilio-pancreático, oncologia pediátrica, transplantação renal pediátrica, transplante de coração, transplante rim–adultos.

Na área de cardiologia de intervenção estrutural são reconhecidos como centros de referência o Centro Hospitalar de São João (Porto), o Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, o Centro Hospitalar Lisboa Norte, o Centro Hospitalar de Lisboa Central e o Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental.

Para as cardiopatias congénitas foram escolhidos o Centro Hospitalar de São João, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, o Centro Hospitalar de Lisboa Central e o Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, em colaboração interinstitucional com o Centro Hospitalar Lisboa Norte e em colaboração interinstitucional com o Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa.

Quatro instituições foram reconhecidas como centros de referência na área de doenças hereditárias do metabolismo: o Centro Hospitalar de São João, o Centro Hospitalar do Porto, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e o Centro Hospitalar Lisboa Norte.

Na área de epilepsia refratária apenas o Centro Hospitalar de São João, no Porto, foi classificado como centro de referência.

Em relação aos cancros do esófago no adulto, foram reconhecidos o Centro Hospitalar de São João, o Instituto Português de Oncologia do Porto, Francisco Gentil, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, o Centro Hospitalar Lisboa Norte e o Instituto Português de Oncologia de Lisboa, Francisco Gentil.

Ainda na área de oncologia de adultos, mas em relação ao cancro do testículo, foram reconhecidos o Centro Hospitalar de São João, o Instituto Português de Oncologia do Porto, Francisco Gentil, em colaboração interinstitucional com o Centro Hospitalar do Porto, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e o Instituto Português de Oncologia de Lisboa, Francisco Gentil.

Para os Sarcomas das Partes Moles e Ósseos foram escolhidos o Centro Hospitalar do Porto, o Instituto Português de Oncologia do Porto, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, o Centro Hospitalar Lisboa Norte, E.P.E., e o Instituto Português de Oncologia de Lisboa, Francisco Gentil.

Na área do cancro do reto, foram reconhecidos o Hospital de Braga, o Centro Hospitalar de São João, o Centro Hospitalar do Porto, o Instituto Português de Oncologia do Porto, Francisco Gentil, o Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, o Instituto Português de Oncologia de Lisboa, Francisco Gentil, o Centro Hospitalar Lisboa Norte, o Centro Hospitalar de Lisboa Central, o Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, o Hospital da Luz, o Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, o Centro Integrado dos Hospitais Cuf Lisboa (Hospital Cuf Infante Santo S.A. e Hospital Cuf Descobertas), a Sociedade Gestora do Hospital de Loures – Hospital Beatriz Ângelo (Loures)e o Centro Hospitalar do Algarve.

Ainda na área de oncologia de adultos, mas em relação ao cancro hepatobilio-pancreático, os centros de referência são o Centro Hospitalar de São João, o Centro Hospitalar do Porto, o Instituto Português de Oncologia do Porto, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, o Centro Hospitalar Lisboa Norte, o Centro Hospitalar de Lisboa Central.

Na área de Oncologia Pediátrica, os centros reconhecidos foram o Instituto Português de Oncologia do Porto, em colaboração interinstitucional com o Centro Hospitalar S. João, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e o Instituto Português de Oncologia de Lisboa, Francisco Gentil, em colaboração interinstitucional com o Centro Hospitalar Lisboa Central e com o Centro Hospitalar Lisboa Norte, na área dos tumores do sistema nervoso central.

Para a transplantação renal pediátrica foram reconhecidos dois centros: o Centro Hospitalar do Porto e o Centro Hospitalar Lisboa Norte.

Na área do transplante de coração foram escolhidos o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e na área do transplante do rim em adultos o Centro Hospitalar de São João, o Centro Hospitalar do Porto, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, o Centro Hospitalar de Lisboa Central e o Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental.

 

Identificado novo vírus idêntico ao VIH que ameaça os cavalos

Chama-se NEV, sigla em inglês de “novo vírus equino”. E chamam-lhe “novo”, porque já existe um “velho”, muito parecido, que se chama VAIE, de vírus da anemia infecciosa equina, também conhecido por febre dos pântanos. Este lentivírus mais antigo já era reconhecido como um “primo” do VIH e provoca uma doença infecto-contagiosa que todos sabem ser fatal. Agora, o novo vírus será um “irmão” do vírus da sida, avisam os cientistas envolvidos na investigação. A equipa responsável pela descoberta contactou o Ministério da Agricultura e a Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) e já reuniu com os responsáveis do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) para avaliar a adopção de eventuais medidas de controlo

O NEV, ainda sem nome oficial em português, é muito parecido com o conhecido VAIE, manifesta-se com sintomas semelhantes ainda que pareça ser ainda mais agressivo. “É mais perigoso porque, para este vírus, não existe despiste ou protocolos de controlo da doença como os que já estão definidos para o VAIE há dezenas de anos e acaba, inevitavelmente, na eutanásia do animal infectado”, explica a investigadora Isabel Carvalho, que fundou a empresa de biotecnologia Equigerminal com engenheiro agro-pecuário Alexandre Pires. “É muito diferente do que conhecíamos. É muito mais parecido com o VIH. Normalmente, estes cavalos com o novo vírus morrem com cólicas graves. Morrem em pouco tempo, têm febres altas”, diz a veterinária, que acrescenta: “O que determina se é um vírus novo é o genoma do vírus e as proteínas. [Neste caso] são de tal maneira diferentes que concluímos que é um novo vírus. O VAIE não é patogénico e o nosso [o NEV] mata as células em pouco tempo. Em sete ou dez dias, as células estão praticamente todas mortas.”

Há quase 20 anos que Isabel Carvalho persegue este vírus de forma determinada. A história começa em 1997, quando a investigadora se encontrava a fazer o seu estágio de licenciatura, no laboratório do biólogo Nuno Ferrand, da Universidade do Porto, analisando amostras de cavalos com anemia. Durante o trabalho, percebeu que tinha amostras com um resultado negativo quando eram submetidas aos testes tradicionais que ainda hoje existem para a grave e conhecida forma de anemia (teste de Coggins) nos cavalos – a VAIE. Mas os testes mais apurados e sensíveis acusavam positivo para um agente patogénico misterioso. Seria outro vírus? Hoje, Isabel Carvalho garante que sim.

Entrou no programa doutoral da Universidade do Porto fazendo parte da equipa do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC), foi para Pittsburgh, nos EUA, com uma bolsa e terminou lá o doutoramento. Foi directora do Biotério do IBMC entre 2004 e 2010. Encontrou mais casos de cavalos que manifestavam alguns sinais de doença e com o mesmo resultado nos laboratórios: negativo nos testes tradicionais, positivo nos mais sensíveis. “Eram cavalos em estado livre, selvagem, do Norte de Portugal”, diz ao PÚBLICO com alguma reserva, adiantando que já detectou o vírus também em algumas coudelarias noutras regiões do país. Mais sobre quem e onde, prefere não dizer. “Essa informação é confidencial. Mas existe mais nos animais que estão no ar livre, nas pastagens. Menos nos estábulos”, adianta apenas.

Já com a empresa constituída e a equipa da Equigerminal formada, tentaram identificar e amplificar o genoma do VAIE neste vírus. “Nunca conseguimos.” O que conseguiram foi “isolar as partículas virais na microscopia electrónica e ver que era um lentivírus [um tipo de vírus de incubação lenta e que é próximo do VIH-1]”. “E quando pegámos em todas as sondas – e já pegámos em todas as sondas! –, não conseguimos amplificar nada do genoma do VAIE no NEV. Por outro lado, as proteínas foram analisadas por espectrometria de massa e os péptidos [pequenas porções de proteína] que temos aqui são de HIV e não de VAIE”, reforça.

Portanto, se o VAIE era um primo do vírus da sida, o NEV será um irmão. “Será sem dúvida um parente mais próximo, sendo que alguns péptidos são mesmo idênticos”, confirma a investigadora. Foi um processo longo e difícil, sublinha.  Primeiro, houve muitos obstáculos quando quis “importar” uma amostra do VAIE para usar em testes e comparações no laboratório. Depois, também conseguiu amostras de vírus de cavalos de outros países. Hoje tem provas suficientes para afirmar que o vírus está em vários países – Brasil, França e EUA, por exemplo – e acredita que o NEV afecta cerca de 10% dos cavalos em todo o mundo, incluindo Portugal. Uma percentagem bastante mais alta do que a conhecida anemia infecciosa equina que, de forma geral, afectará menos de 1% (excepto na população de cavalos no Brasil, que terá uma taxa entre os 5 e 10%). Em Portugal, oficialmente não há registo de casos de VAIE. A tradicional forma da doença conhecida como febre dos pântanos foi descrita pela primeira vez no século XIX em França, o vírus foi isolado em 1904 e o teste de Coggins que continua a ser usado hoje começou a ser feito em 1972.

Porém, o NEV existe em Portugal, avisa Isabel Carvalho. “Estamos a falar de uma doença provocada por um vírus que está a matar os cavalos em Portugal e no mundo”, sublinha, adiantando que a semelhança com o HIV é “muito intrigante”.

A equipa conseguiu isolar o vírus, cultivá-lo em laboratório, sequenciou parte do seu genoma, caracterizando-o de uma forma completa. Além disso, fez inúmeros testes in vitro para ver como o NEV se comportava e têm imagens que ilustram a forma como sai das células e como se replica. E os cientistas até desenvolveram testes para o detectar e distinguir rapidamente do VAIE. Pelo meio, já identificaram um anti-retroviral capaz de o matar, pelo menos in vitro.  “Começámos a desenvolver uma terapia. Temos um antiviral que consegue bloquear a replicação tanto do VAIE como do novo vírus. Entregámos o pedido provisional de patente [no Reino Unido] e em Junho vamos submeter o pedido final internacional de patente”, diz.

Para o registo da descoberta do NEV, já foi feito um outro pedido de patente, também no Reino Unido com pedido de urgência”.  A 27 de Novembro a Equigerminal recebeu o relatório “com classificação de excelente”. Porém, o relatório referia que havia mais do que uma invenção no mesmo pedido de patente. Assim, foi preciso dividir o pedido para várias patentes, o que foi feito a 6 de Janeiro último. “Se tudo continuar a correr bem, esperamos ter a patente aprovada até final de Março de 2016”, diz Isabel Carvalho.

Mas estamos longe de estar no fim desta história já com décadas. “Trata-se de uma doença debilitante, que põe em causa a performance, a saúde e talvez a sobrevivência dos cavalos”, diz Isabel Carvalho, avisando que “não existem ainda estudos epidemiológicos nem estudos de infecção para se conhecer bem a doença”. “Os custos deste tipo de trabalho são muito elevados e requerem um investimento que é incomportável para empresas biotecnológicas tão jovens”, lamenta.

Segundo explica os estudos da Equigerminal foram desenvolvidos com o apoio financeiro do QREN para as pequenas e médias empresas (PME) e capitais de risco. “Este é um projecto de vida, que começou antes do doutoramento, gerou uma empresa, dá emprego a sete pessoas, e já obteve um financiamento de 1,4 milhões de euros”, refere, sublinhando que o “único modo de desenvolver este projecto foi através de um plano de negócios e mostrando viabilidade económica e patentes”. E, desta forma, explica por que decidiu avançar para pedidos de patentes em vez de publicar artigos científicos sobre o novo vírus: “Na Europa a regra é first to file, nos EUA é o first to invent. Ou seja, na Europa primeiro temos de proteger (patentear) e só depois tornar público. Estamos neste momento a escrever os artigos científicos.”

Ainda falta saber muita coisa. Se há animais sem sintomas mas infectados com o vírus, se os dois vírus interagem um como o outro e de que forma, se podem coexistir, se o NEV é transmitido por um vector (moscas) como o VAIE. “Esta história tem 20 anos e posso passar toda a minha vida a tentar responder a estas questões”, promete Isabel Carvalho. “As autoridades de saúde veterinária, nacionais ou internacionais, têm de investir em estudos transversais de grande envergadura”, avisa a investigadora, que remata: “O vírus está aí, afecta a saúde dos cavalos e do mercado que os envolve, e é urgente tomar medidas como se fez para o VAIE.”

cavalosMinistério da Agricultura à espera de validação internacional?
Isabel Carvalho garante que quando as suspeitas sobre o vírus equino ganharam força suficiente, para serem consideradas um possível risco de saúde pública animal, começaram também os contactos com as autoridades portuguesas.

O primeiro contacto com a DGAV foi em 2004, depois novamente em 2008, e em 2014 falaram com o então secretário de Estado da Alimentação e da Investigação Agro-alimentar, Nuno Brito, lembra a investigadora. “As autoridades foram alertadas ainda numa fase em que pensávamos que podia ser uma variante do VAIE”, refere, lamentando que ao longo dos anos nunca tenha sido dada importância à descoberta. “O que nos foi dito é que iam tentar discutir isto no seio da União Europeia [o problema não era exclusivo de Portugal], num pequeno grupo. E nunca mais nos foi dado mais feedback”, queixa-se Isabel Carvalho, que sublinha que foram feitas várias tentativas de contacto, por telefone e por email, com as várias direcções gerais de veterinária. Sempre sem resposta.
“Recentemente, ainda no anterior governo, quando soube que estávamos mesmo perante um novo vírus, voltámos a enviar um email. Também não tivemos resposta. Agora com a nova direcção voltámos a alertar.”

Ainda em Fevereiro, o gabinete de comunicação do ministro da Agricultura, Capoulas dos Santos, confirmava ao PÚBLICO que “a DGAV já se reuniu com o INIAV tendo esta questão em agenda, pelo que o INIAV se disponibilizou para receber a representante da empresa”. “Naturalmente, um processo desta natureza (descoberta, reconhecimento e investigação sobre um novo vírus) é demorado, pois importa saber quais são os seus efeitos e capacidade de transmissão, que ainda não são conhecidos”, adiantava a resposta por email do ministério, que confirmava que a DGAV conhecia o registo deste vírus nas bases de dados europeias, feito pela Equigerminal.

No final de Fevereiro, houve um encontro entre os investigadores da Equigerminal e o INIAV. Isabel Carvalho não está satisfeita com o resultado da conversa com Miguel Fevereiro, director da Unidade de Produção e Saúde Animal. “A resposta foi que não sabia como se faz este reconhecimento, e que do ponto de vista do INIAV só irá dar relevância ao processo quando a comunidade científica internacional assim o fizer. A questão do reconhecimento oficial seria uma questão a colocar a DGAV”, adianta a investigadora, que acusa o INIAV de uma “atitude de negação”.

“Tentámos colaborar com o INIAV para resolver um problema dos cavalos. O doutor Miguel Fevereiro é insensível ao facto de existir um novo lentivírus dos cavalos que anda a circular livremente na nossa população de equinos e, mais grave ainda, que pode fazer reacção cruzada com o vírus da anemia infecciosa equina no immunoblot, o teste confirmatório desta infecção”, refere Isabel Carvalho. “Na falta de resposta da DGAV e do INIAV, teremos de ser nós a tentar iniciar esse processo [de reconhecimento do vírus] noutro país.”

O PÚBLICO tentou obter uma reacção do Ministério da Agricultura após este encontro dos responsáveis do INIAV com os representantes da Equigerminal. Mas sem sucesso, até ao início da noite de ontem (quinta-feira).

E por que é a Equigerminal esperou tanto tempo para vir a público com esta informação? “Para dizer que há um novo vírus é preciso fazer a comprovação. Foi preciso submeter o vírus a um depósito em Inglaterra, o Public Health of England. E eles repetiram as nossas experiências e comprovaram que sim, que o vírus matava, e emitiram um certificado positivo para o novo vírus. Até há pouco tempo, acreditávamos que podíamos estar perante uma variante que escapava ao teste de despiste tradicional. Só há um ano e meio é que sabemos que é um vírus novo e que é um lentivírus”, conta Isabel Carvalho.

Portugal tem 82 centros de referência nos hospitais, 60 foram “chumbados”

Não há encerramentos nem concentração de serviços, pelo menos para já. Os hospitais continuam a ter as mesmas valências. Mas, a partir desta sexta-feira, os portugueses passam a saber, preto no branco, quais são os 82 centros considerados de topo para o tratamento de determinadas doenças ou procedimentos muito complexos e caros, os chamados centros de referência nacionais. Só estes poderão ser integrados nas redes de referência europeias.

A escolha promete despertar alguma polémica, porque a maior parte destes centros (que foram seleccionados por uma comissão de peritos) fica localizada nos grandes hospitais das grandes cidades, basicamente Lisboa, Porto e Coimbra. Há também centros em três hospitais privados (duas unidades da CUF, Hospital da Luz, Hospital da Cruz Vermelha) na lista que é divulgada esta sexta-feira à tarde pelo ministro da Saúde no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Mas o que muda para os doentes? Por enquanto, não haverá grandes alterações, porque para que um paciente seja tratado num destes centros precisa primeiro de ser encaminhado pelo seu clínico assistente.  Só quando houver liberdade de escolha – e o ministro Adalberto Campos Fernandes já se mostrou disposto a abrir um pouco esta porta – será possível seleccionar o hospital em que se é tratado, independentemente da área de residência.

Para já, o que se fica a saber é que, em 19 áreas clínicas, foram apresentadas 134 candidaturas e seleccionadas 74 (que na realidade correspondem a  82 instituições, se considerarmos todos os serviços, uma vez que há centros que vão funcionar em consórcio, o que é novidade em Portugal). Os que não foram escolhidos não serão prejudicados, porque continuam a fazer o que faziam. “Isto não serviu para seleccionar centros especializados, mas sim centros altamente especializados”, sublinha Alexandre Diniz, da Direcção-Geral da Saúde (DGS) e membro da comissão de peritos que escolheu as unidades.

“Havia três caminhos possíveis. Um era proibir [a actividade dos que não têm casuística suficiente para tratar determinadas patologias], outro era deixar tudo como está,  e o terceiro era ter uma situação intermédia em que se faz uma selecção e se deixa o mercado funcionar”, explica Jorge Penedo, coordenador do grupo de trabalho que avaliou a situação e propôs este modelo.

Os centros de referência são, nas palavras dos peritos,  “unidades com reconhecidos conhecimentos técnicos “para dar resposta a doentes com situações clínicas que exigem “uma especial concentração de recursos ou de perícia devido à baixa prevalência da doença, à complexidade no diagnóstico ou tratamento e aos custos elevados”.

Para desempenharem adequadamente a tarefa a que se propõem devem ter equipas multidisciplinares experientes e altamente qualificadas e dispor de estruturas e equipamentos médicos muito especializados. Têm ainda que possuir competências nas áreas do ensino e formação e investigação e são obrigados a publicar os seus resultados, sendo também sujeitos a auditorias externas.

Então, a solução agora preconizada implicará o fecho de alguns serviços no futuro? “O que é natural é que os doentes comecem a ir mais a estes centros”, admite Jorge Penedo, que assume que o modelo “precisa de ganhar maturidade”. “Esta solução não vai salvar a vida de todos os portugueses, mas vai representar um avanço significativo. Os profissionais passarão a trabalhar mais em equipa. Alguns [hospitais] deixarão de fazer coisas que fazem hoje”, sintetiza.
São seis dezenas as unidades que ficaram de fora deste processo de reconhecimento que tem um prazo de validade de cinco anos. No transplante de coração, por exemplo, apesar de serem quatro as unidades hospitalares que o asseguram em Portugal (hospitais de Santa Marta e de Santa Cruz, em Lisboa, e São João, no Porto), só o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra foi seleccionado como centro de referência nacional.

Mais uma vez, um doente que precise de um transplante cardíaco pode optar por este hospital?  “Se muitas pessoas escolherem os centros de referência, podem ter que se sujeitar a maiores tempos de espera”,  antecipa o coordenador do Programa Nacional Para as Doenças Cardiovasculares, Rui Cruz Ferreira, para quem são necessárias as quatro unidades que fazem transplante cardíaco em Portugal (a comissão que avaliou a situação considerou, porém, que um destes seria dispensável).  “Não é uma questão de condições, mas de casuística”, enfatiza.

“Não é uma questão de casuística pura e dura. Também conta a diferenciação dos profissionais, os recursos, a apresentação de resultados”, contrapõe Jorge Penedo. Seja como for, repete Alexandre Diniz, “o doente não pode chegar lá sozinho com um papel, tem que ser clinicamente referenciado”. No futuro, poderá haver “um desnatamento natural e progressivo”, reconhece, ao mesmo tempo que nota que o objectivo não foi o de encerrar serviços.

“Não é um carimbo eterno”
O processo arrancou há já alguns anos e acelerou na sequência da directiva de cuidados de saúde transfronteiriços, que refere expressamente a criação deste tipo de centros, os únicos que podem ser integrados nas redes europeias de referência, cujo concurso abre já para a semana.

Em Portugal, depois de o primeiro processo de selecção ter arrancado no ano passado em cinco áreas – epilepsia refractária, onco-oftalmologia, paramiloidose familiar, transplantes pulmonares, do pâncreas e hepáticos -, foi aberto novo concurso  para mais uma série de outras especialidades, nomeadamente patologias raras como as doenças hereditárias do metabolismo, que ficam concentradas em quatro unidades (duas no Porto, uma em Coimbra e outra em Lisboa).

Nesta fase, avançam também as áreas das cardiopatias congénitas e da cardiologia de intervenção estrutural, tal como outros cancros –  o do recto, testículo, esófago, entre outros. “Isto é o início, não é um carimbo eterno. E não há grandes novidades”, desdramatiza o director do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas, Nuno Miranda, apesar de admitir que, no futuro, alguns hospitais possam deixar de fazer o que fazem actualmente.

Esta solução, volta a frisar, não implica, porém, proibir os que ficam de fora de continuar com a sua actividade, “Os centros de referência têm obrigações decorrentes [dessa classificação] e, eventualmente, benefícios financeiros. Mas isto não tem a ver com a rede de referenciação de oncologia, que foi aprovada há meses e que, por enquanto, é um documento de intenções. Ainda há hospitais que fazem tratamentos que não deveriam fazer”, diz o médico. “Isto não se extingue por decreto”, remata.

Esta sexta-feira, os escolhidos vão receber uma placa distintiva “para que a população saiba” quais são e, no Portal da Saúde, será possível localizá-los através de georreferenciação, diz Alexandre Diniz.  Numa segunda fase, os centros vão ter um modelo de financiamento específico que ainda não está definido, adianta o Ministério da Saúde.

A partir da próxima quarta-feira, os centros podem ainda candidatar-se à integração nas chamadas redes de referência europeias, um processo que durará três meses, explica Alexandre Diniz. “A Comissão Europeia exige que os centros sejam reconhecidos pelo Estado de origem com base em critérios científicos e específicos por áreas. Este processo foi muito moroso e minucioso”.

Guimarães não compreende por que ficou de fora
Há um centro hospitalar, o do Alto Ave (Guimarães), que se candidatou a centro de referência de doenças hereditárias metabólicas  mas, olhando para a lista das unidades escolhidas, percebe-se que ficou de fora.

“É uma surpresa”, reage Olga Azevedo, cardiologista que coordena a unidade de doenças lisossomais de sobrecarga, que se integram no grande grupo das doenças metabólicas. A médica, que ignorava ainda o resultado final do concurso, sublinha que o hospital respondeu “a todos os requisitos” e cumpre  “todos os critérios” e alega que esta unidade é a que mais doentes acompanha nesta área. “ Temos casuística (180 casos de doenças lissossomais de sobrecarga), temos experiência, e até somos consideramos centro de excelência” para o diagnóstico e tratamento destas patologias, frisa.

“Nas doenças lisossomais, somos o maior centro a nível nacional e um dos maiores centros europeus, por razões genéticas e históricas”, argumenta. Em Portugal, a região de Guimarães é aquela onde se concentra o maior número de casos do grupo destas doenças.

Sem conseguir entender por que razão apenas foram seleccionados “grandes hospitais das grandes cidades” – e no caso específico das doenças metabólicas foram seleccionados dois hospitais do Porto, o São João e o Santo António -, Olga Azevedo diz que o número de doentes está constantemente a aumentar.

Outros especialistas, que pediram para não ser identificados, põem em causa a constituição da comissão nacional que atribui o reconhecimento por integrar elementos de hospitais que se candidataram e que agora foram contemplados.

Cerca de 60% das cirurgias são realizadas em ambulatório

“A cirurgia em regime de ambulatório tem tido, nos últimos anos, um desenvolvimento extraordinário, apresentando atualmente mais de metade de toda a atividade cirurgia nacional. O fator de sucesso da cirurgia de ambulatório passa pela multidisciplinariedade, onde se envolvam diferentes grupos de profissionais, garantindo segurança e elevados índices de qualidade no tratamento dos doentes,” explica Carlos Magalhães, presidente da Associação Portuguesa de Cirurgia de Ambulatório (APCA).

E acrescenta: “A cirurgia de ambulatório poderá ter um papel muito importante na sustentabilidade económica do Sistema Nacional de Saúde, o que irá permitir rentabilizar muitos dos recursos existentes a nível nacional, oferecendo assim excelentes garantias de qualidade e segurança de tratamento aos pacientes.”

Este será um dos temas em debate na 4ª Reunião Nacional de Unidades de Cirurgia Ambulatória, que vai decorrer no dia 14 de março, pelas 9 horas, no Auditório do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, no Porto. A iniciativa vai abordar ainda várias questões em cirurgia ambulatória: avaliação pré-operatória, registo no processo clínico do paciente, limites da anestesia, anestesia local, perfil dos profissionais de cirurgia de ambulatório, comunicação no pós-operatório, índices de severidade em ambulatório e a rentabilidade de cirurgia de ambulatório para um hospital.

Em 2015 realizaram-se mais de 416 intervenções cirúrgicas em regime de ambulatório. Este tipo de cirurgia tem vindo a aumentar, representando já 58,5 por cento do total de intervenções realizadas.

A Associação Portuguesa de Cirurgia Ambulatória (APCA) tem como principal objetivo defender, promover e protagonizar o processo de evolução da cirurgia de ambulatório no nosso País.

Tranquilidade oferece mensalidades nos Planos de Saúde e descontos no seguro Automóvel

Nesta nova campanha, os principais Planos de Saúde da Tranquilidade – Tranquilidade Saúde Individual, Funcionários Públicos e Sénior – têm uma oferta de 2 mensalidades, enquanto no seguro Automóvel existem descontos especiais.

O cliente encontra nos Planos Tranquilidade Saúde diversas soluções que, para além de situações de internamento, salvaguardam outras necessidades de assistência médica tais como consultas, análises e exames auxiliares de diagnóstico. Dispõe de uma rede médica abrangente, com copagamentos baixos, consultas ao domicílio ilimitadas e, para confirmação de diagnóstico, pode consultar uma 2.ª opinião médica sem custos adicionais, entre outras coberturas.  Estas e muitas outras vantagens, sempre garantidas pela qualidade da rede e do serviço da Advancecare.
É por acreditar que “não se brinca com a saúde” que a Tranquilidade apostou no desenvolvimento de uma oferta de Planos de Saúde ainda mais reforçada, completa e competitiva, com soluções que endereçam as mais diferentes necessidades, sempre apoiada na experiência da Advancecare. Da opção Light (a partir de 7 euros por mês)  para dar resposta a situações de hospitalização, até à opção Extra-Care (a partir de 40 euros por ano) destinada a clientes que pretendem garantir situações específicas de internamento muito graves, são muitas as opções de planos de saúde existentes na Tranquilidade. Para soluções específicas, orientadas a determinadas especialidades médicas, a seguradora conta também no seu portefólio com o Saúde Visão (oftalmologia), o Saúde Sorriso (estomatologia) ou o Saúde Check-Up.
Ao abrigo desta campanha, para além dos dois meses grátis em saúde, ao fazer um novo seguro para o seu automóvel o Cliente beneficia também de um desconto especial. O Tranquilidade Auto oferece, entre outras, a cobertura “Proteção especial do condutor”, que pode ser subscrita em todas as opções do seguro automóvel. Com capitais até 500 mil euros e garantias muito completas, idênticas às que a lei prevê para o seguro de responsabilidade civil obrigatório, esta cobertura pode fazer toda a diferença em caso de acidente quando a responsabilidade pertence ao condutor.

Com estas soluções integradas, os clientes da Tranquilidade conseguem, não só, obter descontos adicionais na compra destes produtos como também assegurar uma maior comodidade na gestão da sua carteira de seguros. A Tranquilidade oferece ainda aos seus clientes condições especiais em muitos outros produtos, caso concentrem as suas apólices na seguradora.

Bolsa EFIC-Grünenthal oferece 200 mil euros a jovens investigadores

O prémio total de 200 mil euros é compartilhado entre os investigadores premiados e pretende apoiá-los no início da sua carreira. As bolsas individuais têm um valor de 40 mil euros, por projeto, para uma duração de até dois anos.
A bolsa EFIC-Grünenthal destina-se a jovens investigadores com menos de 40 anos. Os vencedores serão conhecidos em maio de 2017.
Os investigadores interessados podem enviar os seus projetos de investigação on-line através do website www.e-g-g.info até ao final deste ano.

Internamento por pneumonia diminui pela primeira vez desde 2013

Depois das doenças cardiovasculares e do cancro, são as doenças respiratórias crónicas que matam mais portugueses e tem sido cada vez mais assim desde a década de 90. A população acima dos 65 anos é o alvo principal, quase sempre por incapacidade de resistência à pneumonia, que em Portugal tem uma expressão mais forte do que na maioria dos restantes países europeus.

Os peritos nacionais afirmam que a explicação para a elevada mortalidade por pneumonia está no “aumento progressivo da esperança de vida e nos efeitos do tabagismo”. O relatório “Doenças Respiratórias em Números 2015”, divulgado esta terça-feira pela Direção-Geral da Saúde (DGS), adianta ainda que dentro da patologia respiratória “as pneumonias são a principal causa de mortalidade no continente (46%)”.

Começam, ainda assim, a surgir sintomas de um prognóstico mais favorável. “Pela primeira vez, o número de internamentos por pneumonias encontra-se em decrescendo desde 2013”. E se há menos doentes internados, é expectável que existiam também menos desfechos fatais. O cenário é mais animador entre quem tem menos de 65 anos: “Registou-se uma redução na taxa padronizada de mortalidade de 23,5% em 2013 relativamente a 2009.”

Mortalidade por asma e DPOC abaixo da média
A mesma tendência de diminuição foi verificada entre as mortes por bronquite ou enfisema, por exemplo, em 2013 com um decréscimo de 15%. No relatório, a DGS destaca ainda que “a mortalidade por asma e doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) situa-se abaixo da média europeia”.

Na corrente inversa está a fibrose. Segundo os peritos, “para a fibrose pulmonar verifica-se um aumento de todas as taxas de mortalidade”, ou seja, entre os mais e os menos idosos.

Os responsáveis da DGS encarregados da estratégia nacional para as doenças respiratórias pedem “maior intervenção no controlo de fatores de risco, designadamente os poluentes do ar e o tabagismo, bem como a incrementação da espirometria para fundamentar o diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva crónica”. A medida tem vindo a ser cumprida, mas com muita parcimónia. A realização daquele exame respiratório aumentou 280% entre 2011 e 2014, “contudo o valor absoluto reportado é ainda extremamente baixo”, lê-se no relatório.
Vacinar mais

Além de melhorias na acessibilidade à espirometria, sobretudo nos centros de saúde e unidades de saúde familiar, as autoridades de saúde recomendam também maior cobertura vacinal contra a gripe para os grupos de risco, entre eles as pessoas a partir dos 65 anos, e contra as infeções pneumocócicas.

Sugerem ainda que os fumadores internados por doenças respiratórias tenham acesso facilitado à terapêutica de cessação tabágica após a alta hospitalar.

Estudo avalia impacto do investimento em saúde em 2015 e apresenta, pela primeira vez, um Indicador de Saúde Sustentável

•         Indicador de Saúde Sustentável visa ser uma ferramenta capaz de fazer uma análise aprofundada dos diferentes tipos de investimento em saúde, identificando as áreas onde os recursos são mais prioritários.
•         A prestação de cuidados de saúde por via do SNS permitiu evitar a ausência laboral em mais de 2 dias, o que representa uma poupança de 744 milhões de Euros (em salários).
•         Em 2015 os portugueses recorreram menos a cuidados de saúde por causa do pagamento das taxas moderadoras

Na 5ª Conferência TSF/AbbVie, que decorreu hoje no Centro Cultural de Belém, o destaque foi para a apresentação e discussão dos resultados referentes a 2015 do estudo desenvolvido pela NOVA Information Management School (NOVA IMS), no âmbito do projeto europeu Saúde Sustentável. O estudo demonstra que o investimento em saúde tem impacto no absentismo, produtividade, qualidade de vida e que dá origem a um retorno quer económico, quer social. Foi também apresentado, pela primeira vez, o cálculo de um indicador de sustentabilidade do sistema de saúde, que integra aspetos ligados à qualidade, produção e financiamento e onde se demonstra que o investimento em saúde tem impacto socioeconómico.

No inquérito, feito a uma amostra da população portuguesa – 554 indivíduos com mais de 18 anos e residentes em Portugal – uma das principais novidades foi a inclusão de um novo dado relacionado com a avaliação do contributo do SNS para a redução do absentismo. Por via dos cuidados de saúde que disponibiliza, o SNS contribuiu para diminuir em mais de 2 dias o número de faltas ao trabalho, o que representa uma poupança de 744 milhões de euros (em salários). O número médio de dias de falta ao trabalho apurado são mais de 5 dias (2,3% do tempo trabalhado), o que representa um prejuízo de 2 mil milhões de euros (em salários). Caso não tivessem sido prestados cuidados de saúde o número médio de dias de falta ao trabalho ascenderia aos 7,6 dias, o que representaria um prejuízo de 2,7 mil milhões de euros.

Uma outra conclusão do estudo agora apresentado vem demonstrar que uma das principais razões para ausência dos inquiridos das unidades de saúde durante o ano de 2015 foram as taxas moderadoras. Caso não existisse o pagamento de taxas moderadoras teria havido mais 2,8 milhões de consultas com médico de clínica geral ou médico de família num centro de saúde, mais 1,2 milhões de consultas externas ou de especialidade num hospital público, mais 1 milhão de exames de diagnóstico e mais 1,1 milhão de episódios de urgência.

“O estudo apresentado em 2016 revelou conclusões muito interessantes sobre a perceção dos portugueses relativamente ao SNS e sobre os pontos onde é possível melhorar. Contudo, penso que o dado mais relevante a destacar é que, pela primeira vez, conseguimos alcançar a criação de um indicador de sustentabilidade do SNS, que converge os vetores da qualidade, preço e atividade”, afirma Pedro Simões Coelho, diretor da Nova IMS e principal coordenador do Projeto Sustentabilidade na Saúde 3.0. O professor catedrático sublinha ainda que “este projeto terá continuidade e esperamos que em 2017, para além de dados mais robustos relativamente à evolução do indicador de sustentabilidade, possamos também avaliar a qualidade técnica do SNS”.

Este estudo agora apresentado, que culmina na criação de um indicador que mede a sustentabilidade do SNS, vem no seguimento de um estudo mais abrangente que tem vindo a ser realizado ao longo dos últimos três anos e que teve como ponto de partida a obtenção de um indicador de retorno de investimento em saúde em Portugal (em 2014), que concluía que a despesa em saúde deve ser encarada como um investimento e não como um custo e que existe uma relação direta entre as áreas da Saúde e da Economia, uma vez que a redução do absentismo é um dos efeitos do investimento em saúde. Em 2015 o estudo incidiu na avaliação das perceções dos utilizadores do Sistema Nacional de Saúde (SNS) face à qualidade, preço e eficácia do mesmo. Nesse sentido foi feito um inquérito a uma amostra da população portuguesa que permitia alimentar um novo modelo e produzir os primeiros índices de qualidade e eficácia do sistema. Possibilitou ainda quantificar novas dimensões ao nível dos resultados em saúde e a sua ligação à economia, tornando-se possível compreender melhor os impactos não económicos do investimento em saúde. Entre os principais resultados comprovou-se que a qualidade percecionada pela população e os preços pagos no acesso ao SNS influenciam a confiança e a satisfação dos utilizadores, o que vai influenciar diretamente a eficácia do SNS e, consequentemente, contribuir para um melhor ou pior estado de saúde e qualidade de vida dos cidadãos.

Estiveram presentes na 5.ª Conferência TSF/AbbVie o Ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, José Vieira da Silva, Ministro do Trabalho e Solidariedade Social, António Correia de Campos, antigo Ministro da Saúde, Pedro Mota Soares, deputado do CDS-PP, Pedro Simões Coelho, professor e investigador da Nova IMS, Isabel Vaz, CEO na Luz Saúde, Augusto Faustino, reumatologista e João Almeida Lopes, presidente da APIFARMA.

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