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Portugal em risco elevado de escassez de água, diz estudo internacional

Fonte DR

De acordo com um estudo do projeto Aqueduto do World Resources Institute – uma organização sem fins lucrativos sedeada em Washington, nos EUA, e financiada por fundações, Governos, ONG e organismos internacionais -, esses 17 países, que representam um quarto da população mundial, usam pelo menos 80% das suas reservas de água a cada ano, com a agricultura, as indústrias e os municípios a representarem a maior fonte de pressão sobre as suas reservas de água.

Portugal está entre os 44 países que esgotam, pelo menos, 40% das suas reservas de água, colocando-se numa situação de risco elevado de escassez de água.

Os autores do estudo sublinham que uma margem tão reduzida entre oferta e procura como a que se verifica nos países mais pressionados deixa-os mais vulneráveis a variáveis como secas ou um maior uso das reservas de água, sendo cada vez maior o número de países que passam por um ‘Dia Zero’, ou seja, em que ficam sem acesso a água canalizada.

“A escassez de água coloca sérias ameaças à vida humana, à sua subsistência e à estabilidade económica. Isso está prestes a piorar, a menos que os países tomem medidas: o crescimento da população, o desenvolvimento socioeconómico e a urbanização estão a provocar uma maior procura por água, enquanto as alterações climáticas podem tornar mais variável a precipitação e a procura”, refere o relatório.

Sobre o Médio Oriente e o Norte de África, a região do mundo mais pressionada nesta matéria, o estudo aponta que a reutilização de águas residuais poderia gerar uma nova fonte de água potável, tendo em conta que 82% das águas residuais nestes países não são reutilizadas.

Na Índia aumentam as preocupações com as reservas ao nível do subsolo, para além das preocupações com as reservas à superfícies: os aquíferos estão a esgotar-se, em grande parte devido ao uso para regadio.

“As conclusões do estudo Aqueduto contextualizam esta crise: a Índia ocupa o 13.º posto na lista de países mais pressionados pela escassez de água em termos globais e a sua população é três vezes superior à população combinada dos 17 países mais pressionados no mundo”, lê-se no relatório.

O estudo, que também analisa regiões dentro de países, indica, por exemplo, que a África do Sul, que em 2018 evitou por pouco o ‘Dia Zero’, ocupa uma posição na lista fora dos países mais afetados — 48.º lugar, correspondente a um risco médio-elevado de escassez de água -, mas a zona da Cidade do Cabo é uma zona de enorme pressão e rivaliza em termos de regiões ameaçadas com países inteiros.

O estudo indica que viver pressionado pela falta de água não tem que ser uma fatalidade e que inverter essa situação depende em grande parte da gestão que se faz dos recursos.

Para além de exemplos de alguns países que já tomaram medidas para evitar a falta de água nas torneiras, como a Austrália que cortou para metade o consumo doméstico para evitar um ‘Dia Zero’, o estudo apresenta recomendações genéricas, aplicáveis à generalidade dos países, como apostar em técnicas de regadio eficientes, fazendo com que cada gota de água conte, investir em infraestruturas mais amigas do ambiente e tratar e reutilizar águas residuais, para que deixem de ser encaradas como desperdício.

O estudo Aqueduto analisou a situação em 164 países, para os quais era possível ter dados utilizáveis pelo modelo de análise usado, refere o estudo.

 

Fonte LUSA

Situação de seca mantém-se preocupante no sul do país

“Não há, neste momento, nenhuma bacia hidrográfica com territórios em seca extrema, reduziu-se a zero, mas há ainda bacias hidrográficas com uma situação de seca severa”, afirmou João Matos Fernandes, no final da reunião da Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos Efeitos da Seca, que decorreu em Lisboa.

Em declarações à agência Lusa, o governante adiantou que “a situação da seca regrediu bastante quando comparada com o final do ano hidrológico e até mesmo com o mês de novembro”.

O início do ano hidrológico acontece a 01 de outubro, por um período de 12 meses compreendido entre o início de duas estações de chuva consecutivas — outono e inverno.

De acordo com o ministro do Ambiente, o fenómeno da seca “é muito heterogéneo no país”.

“Existe uma única bacia hidrográfica, neste momento, que, por exemplo, tem mais água do que a média. É a bacia hidrográfica do Mondego, onde exatamente houve os maiores problemas do lado do consumo humano no último verão, porque Fagilde – a barragem que serve Viseu – está nessa mesma bacia hidrográfica”, avançou o governante.

Sobre o plano de contingência contra a seca, João Matos Fernandes assegurou que “todo o calendário das medidas assumidas está a ser cumprido”, desde a limpeza dos fundos das barragens às ligações a partir do Alqueva para outras albufeiras.

Em 31 de janeiro, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) informou que o mês de dezembro de 2017 em Portugal continental classificou-se como seco, sendo o nono mês consecutivo com valores de precipitação abaixo do normal.

“Nos últimos sete anos, o valor médio da quantidade de precipitação em dezembro tem sido sempre inferior ao valor normal, e nos últimos 17 anos apenas nos dezembros de 2002, 2009 e 2010 ocorreram valores de precipitação acima da normal”, referiu o IPMA, em comunicado.

No entanto, segundo o IPMA, em dezembro verificou-se um desagravamento da situação de seca meteorológica em todo o território e em particular na Região Norte.

“No final do mês de dezembro, 6% do território estava em seca extrema, 58% em seca severa, 29% em seca moderada e 6% em seca fraca”, adianta o IPMA.

LUSA

Falta de água ameaça produção de milho em Portugal

A preocupação foi partilhada à Agência Lusa por José Luís Lopes, presidente da Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo (ANPROMIS), apontando que tal poderá “condicionar as culturas” deste ano.

“Existe um constrangimento pontual com falta de água, que não é tão problemático no norte do país, mas faz-se mais sentir a sul do Tejo. Essas limitações podem vir a influenciar negativamente a próxima campanha da produção de milho, assim como outras culturas de regadio”, disse o dirigente.

O líder da ANPROMIS admitiu que, em “termos de preços, os produtores não estão a passar uma fase favorável”, lembrando que “a cultura de milho, pela área que tem, dificilmente é substituível por outras culturas de regadio”.

O setor, que, segundo José Luís Lopes, movimenta por ano, em Portugal, mais de 40 milhões de euros, englobando milhares de produtores e prestadores de serviços indiretos, vai estar em análise esta quarta-feira, na cidade nortenha da Póvoa de Varzim, no 9.º Colóquio Nacional do Milho.

A iniciativa, organizada pela ANPROMIS, vai reunir vários especialistas nacionais e internacionais do setor para um debate alargado sobre a situação atual da produção de milho e as perspetivas futuras do mercado, debruçando-se, ainda, sobre a ligação com o setor do leite.

“A produção de milho não é só grão, tem, também, a vertente da forragem, para a silagem, que é bastante utilizada pelo setor do leite na alimentação dos animais. Consideramos pertinente, seguindo a nossa estratégia de descentralizar os colóquios, fazermos esta edição numa região com uma forte vocação na produção do leite”, apontou o líder da associação.

Questionado se instabilidade no setor leiteiro, sobretudo após o final das quotas de produção, tem criado ondas de choque também para os produtores de milho, José Luís Simões, confessou que “a procura não tem diminuído”.

“Uma significativa base da alimentação das vacas leiteiras é a silagem de milho, que não é facilmente substituível, e, por isso, a procura não tem diminuído. É algo importante, porque uma área significativa da produção de milho no país vai para foragem”, apontou o presidente da associação.

Neste colóquio que a associação vai promover na Póvoa de Varzim, que se inicia quarta-feira e se prolonga para o dia seguinte, será, ainda, dado a conhecer o resultado de estudo encomendado pelo Ministério da Agricultura sobre “A estratégia para produção de cereais”.

LUSA

Programa de Regadios permite mais “resiliência” face à seca

“Teremos cerca de 90 mil hectares de regadios até 2020, eventualmente 2021, a que corresponderá um investimento de 534 milhões de euros”, os quais estão já “totalmente assegurados, afirmou o ministro, em Reguengos de Monsaraz, no distrito de Évora.

Segundo Luís Capoulas Santos, este investimento, através do Programa de Desenvolvimento Rural (PDR) e de dois financiamentos já contraídos junto do Banco Europeu de Investimento e do Banco de Desenvolvimento do Conselho da Europa, vai conferir “maior competitividade” à agricultura nacional e “maiores condições de resiliência” do país “aos efeitos da seca”, pois, “haverá mais armazenagem de água”.

“Agora, o grande desafio é encontrarmos as culturas mais adequadas, quer às alterações climáticas, quer à capacidade dos solos, e, ao mesmo tempo, aquelas que sejam menos utilizadoras de água, por forma a potenciar o uso deste recurso finito e tão importante”, frisou.

O ministro da Agricultura falava aos jornalistas depois da sessão de apresentação do Projeto de Ampliação do Regadio de Alqueva e do Lançamento do Bloco de Rega de Reguengos de Monsaraz.

Do Programa Nacional de Regadios, disse Capoulas Santos, “cerca de 50%” da área corresponde à ampliação do Alqueva e “os outros 50% serão repartidos em novos regadios desde o Algarve” até “Trás-os-Montes e na recuperação de muitos regadios, que têm 30 a 50 anos, que estão hoje a necessitar de obras de conservação e de investimento” para “o uso mais eficiente da água”.

Esta aposta vai permitir “criar condições para a fixação da população e para a criação de riqueza”, possibilitando ainda aproveitar “os melhores solos agrícolas e que estejam perto de reservas de água”, assinalou.

A construção de novas barragens é uma das vertentes deste programa nacional, disse o ministro, explicando que algumas destas “já estão definidas”, de que é exemplo a de Óbidos, que “até está em construção”, e outras ainda vão ser escolhidas.

“Iremos abrir este ano um concurso ao qual se poderão candidatar associações de agricultores e, depois, iremos fazer a opção por aquelas que revelem uma melhor relação de custo/benefício”, acrescentou.

Ainda no que respeita ao Alqueva, esta aposta do Governo em novos regadios e o avanço da ampliação, cujo primeiro passo foi dado hoje com o lançamento do Bloco de Rega de Reguengos de Monsaraz, significa o “renascimento” do projeto.

O empreendimento “foi concebido para regar 120 mil hectares, e essa área foi dada como definitiva, e o que nós estamos a fazer agora é uma segunda fase, aumentando em mais 50 mil hectares”, congratulou-se o governante.

A ampliação do Alqueva representa um investimento de 210 milhões de euros, até 2021, para levar a água para abastecimento público a mais cinco concelhos do Alentejo e para criar mais 49.427 hectares de regadio, distribuídos por 11 novos blocos de rega, um pouco por toda a região (sete no distrito de Beja, cinco no de Évora e um no de Setúbal).

“A evolução tecnológica e as culturas que se foram instalando permitem poupanças de água que nos permitirão regar mais 50 mil hectares com a mesma água, devido a essa utilização eficiente”, salientou o ministro.

Lembrando que o Alqueva chegou a ser apontado como um “elefante branco”, Luís Capoulas Santos frisou que, hoje, “todas as vozes críticas se silenciaram” e que “as dificuldades” causadas pela seca que o país atravessa “comprovam a importância e o acerto deste investimento”.

LUSA

Chuva atenua situação mas é preciso continuar a poupar água

“A situação da seca é diminuída, mas não se resolve com estes dias de chuva. Estamos mais confiantes relativamente ao que vai ser o futuro, mas isso não inibe a necessidade de continuarmos a poupar água”, afirmou o ministro, no Porto, à margem da cerimónia de tomada de posse do novo conselho de administração da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP).

Revelando que ainda não teve acesso aos dados referentes à quantidade de água armazenada nas albufeiras em dezembro, Matos Fernandes frisou que “a água será sempre um bem escasso e é fundamental fazer uso mais parcimonioso dela”.

Para o ministro, há, de facto, a expectativa de que agora há mais água devido à chuva, nomeadamente nas regiões norte e centro, mas é preciso que “ninguém descanse”.

“Temos que continuar a ter uma postura de muito rigor na utilização do recurso, que é um recurso muito escasso”, disse.

A quantidade de água armazenada em dezembro subiu em cinco bacias hidrográficas de Portugal continental, mas desceu em sete, em comparação com o mês de novembro, segundo o boletim de armazenamento de albufeiras divulgado hoje.

O boletim do Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (SNIRH) indica que das 60 albufeiras monitorizadas, cinco apresentam disponibilidades hídricas superiores a 80% do volume total e 24 têm disponibilidades inferiores a 40%.

De acordo com o SNIRH, a bacia que apresenta menor capacidade de armazenamento é a do Sado com 23,4%, uma subida ligeira em relação ao mês de novembro (21,6%).

Também a bacia do Lima, que no mês passado tinha registado valores baixos (28%), subiu em dezembro para os 35,8%.

A bacia do Guadiana é a que regista a maior capacidade de armazenamento 63,9%, seguindo-se a do Cávado (61,3%), do Ave (58,4%), do Douro (58%), do Mondego (53,4%), de Mira (53,2%), do Tejo (52,4%), do Barlavento (48,7%), do Arade (40,1%) e do Oeste (38,7%).

Os armazenamentos de dezembro de 2017 por bacia hidrográfica apresentam-se inferiores às médias de armazenamento de novembro (1990/91 a 2016/17).

A cada bacia hidrográfica pode corresponder mais do que uma albufeira, segundo o SNIRH.

Em novembro de 2017 e comparativamente ao último dia do mês anterior tinha-se verificado um aumento do volume armazenado em duas bacias hidrográficas e uma descida em dez.

De acordo com o índice meteorológico de seca do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), divulgado na semana passada, no final de dezembro verificou-se, relativamente a 30 de novembro, um desagravamento da intensidade da seca meteorológica, com cerca de 60% do território (regiões a sul do sistema montanhoso Montejunto-Estrela) nas classes de seca severa e extrema.

O IPMA indicou também no seu boletim climatológico que o ano de 2017 foi o segundo mais quente dos últimos 86 anos e está entre os quatro mais secos desde 1931.

LUSA

Juristas do Porto vão propor no parlamento contraordenação contra desperdício de água

“Se tenho um vizinho que não corta o mato perto de casa eu próprio posso denunciá-lo, ora se tenho um vizinho que não controla a gestão do consumo de água e deixa a mangueira a correr poderei fazer o mesmo”, exemplificou hoje o advogado Eduardo Castro Marques em declarações à Lusa.

O advogado referiu que esta contraordenação faz sentido e pode e deve ser também aplicada na agricultura onde, entendeu, há muitas vezes determinados desperdícios.

“Um agricultor sabe quais são os períodos mais propícios para regar, por isso, não pode ter o pivô central de irrigação ligado, por exemplo, às 15:00 quando sabemos que o horário ideal para regar é durante a noite”, salientou.

E questionou: “não será razoável aplicar uma contraordenação a quem mete os pivôs a regar, que gasta litros e litros de água, litros esses que são evaporados e desperdiçados?”.

O advogado frisou que as contraordenações têm objetivos de prevenção especial e geral, sendo necessário começar a “educar” as pessoas porque pensam que a água é um recurso ilimitado.

Nesse sentido, Eduardo Castro Marques defendeu a promoção de ações e mecanismos de poupança de água junto dos agricultores, assim como a consciencialização das famílias para esta questão.

Ainda no setor da agricultura, o advogado considerou que deverão ser feitos estudos para compreender por metro quadrado qual a necessidade de irrigação do solo para a produção, tabelando-se essas por tipo de solo e de cultura.

“Após estabelecidos os limites, deverá haver uma margem de excesso, sendo taxado de forma mais severa o agricultor que ultrapasse essa margem”, sublinhou.

Também quanto ao consumo doméstico considerou que deve ser estabelecido um limite ideal de consumo de água `per capita´ e tabelar os preços da água para consumo doméstico de acordo com esse limite.

“Tabelando os níveis de gasto, a partir do momento em que se atinja um certo limite do consumo, seja o seu preço aumentado de acordo com as categorias de consumo que se atingir. Com isto deve-se acautelar os diferentes agregados familiares, sendo a quota ideal multiplicada pelo número total do agregado familiar”, vincou.

Eduardo Castro Marques sugeriu ainda a promoção de incentivos fiscais junto das empresas que produzem equipamentos de consumo de água e que apresentem técnicas inovadoras de poupança e a instalação de sistemas de aproveitamento da água da chuva e reutilização das “águas cinzentas”.

Além disso, ressalvou, há medidas simbólicas, nomeadamente no setor público, que tem de sertomadas para incutir uma nova mentalidade.

“Não temos água para as culturas e os animais, mas temos fontes nos centros dos municípios a irrigar água”, ilustrou.

Na sua opinião, a sociedade tem de inverter o ciclo atual ou os próximos anos vão ser ainda mais difíceis.

Este conjunto de propostas, da autoria de Eduardo Castro Marques e do jurista João Monjardino, vai ser entregue aos vários grupos parlamentares.

LUSA

Agricultura: Preços vão subir devido à crise

“Haverá com certeza subida de preços imediatos em alguns produtos e vai haver falta de rendimento para quem os produz”, afirmou, em declarações aos jornalistas.

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Falando a propósito do Conselho Consultivo de Entre Douro e Minho da CAP, que hoje se realizou em Marco de Canaveses, no distrito do Porto, o dirigente referiu que a situação de seca em Portugal é a mais grave de sempre e que isso tem sido muito complicado para a agricultura.

Na reunião de hoje, realizada no auditório municipal, participaram dirigentes associativos regionais que debateram temas ligados a um setor da economia que enfrenta em 2017, nas culturas de outono/inverno, perdas médias de 25%, no conjunto do país. Segundo a CAP, nas regiões do Alentejo e interior norte, as perdas podem chegar aos 100%.

“O que existe é a certeza de que os custos de produção são completamente diferentes. A dúvida está instalada, a apreensão está instalada e isso é uma situação que não sabemos como se poderá resolver”, admitiu Eduardo Sousa.

A situação, alertou ainda, poderá agravar-se em 2018, se a falta de chuva persistir até ao final de dezembro.

“Isto cruzado com as medidas da Política Agrícola Comum, já ao nível dos regulamentos comunitários, leva as pessoas a não saberem como lidar com esta situação”, concluiu.

Clima de Marrocos, Argélia e Tunísia está a ser “empurrado” para Portugal

professor da Faculdade de Ciências de Universidade de Lisboa e presidente do Conselho Nacional do Ambiente falava em Évora numa mesa redonda sobre adaptação às alterações climáticas, no âmbito de um Encontro Nacional de Entidades Gestoras de Água e Saneamento, ENEG 2017, que hoje começou em Évora e que junta centenas de especialistas da área da água.

A mudança climática traduz-se pelo alargamento da zona climática tropical, o deserto está a ser empurrado para norte. É essencial no setor da água ter esta mudança climática em conta“, disse o especialista em alterações climáticas, admitindo que em Portugal, por ser um país muito antigo, não seja fácil às pessoas aceitarem que esse país está a mudar e que o clima muda.

Filipe Duarte Santos, que dirigiu o projeto Alterações Climáticas em Portugal: Cenários, Impactos e Medidas de Adaptação (SIAM), alertou para o regadio, que, a médio e longo prazo pode não ser viável, e deixou uma sugestão: transferir os sobreiros para o norte do país.

“O montado, diz a ciência, não sobrevive”, afirmou, considerando que não serão doenças mas a falta de água que o vai extinguir no Alentejo. Para manter a produção de cortiça, disse, “razoável era ajudar o montado a migrar em altitude e para norte”, até tendo em conta os locais que este ano foram afetados pelos incêndios, sugeriu.

A questão das alterações climáticas e ambientais em termos gerais, nas palavras da investigadora do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) Rafaela Matos, é seguida de forma mais eficiente nos países escandinavos do que em Portugal, devendo em poucos anos Copenhaga tornar-se a primeira cidade neutra em carbono.

“Na Dinamarca a sensibilização para questões ambientais começou muito mais cedo, a engenharia do ambiente existe há 150 anos”, disse, defendendo para Portugal a construção de consensos políticos a médio e longo prazo, o que a Dinamarca fez.

Rafaela Matos defendeu a necessidade de melhorar as perdas de água e as taxas de reutilização, que “não orgulham”.

Carlos Pinto de Sá, presidente da Câmara de Évora, preferiu uma visão global da questão, afirmando que perante um problema planetário e estrutural as respostas têm de ser planetárias e estruturais, porque não se resolvem a nível autárquico ou a nível nacional, o que não significa que as autoridades locais não possam ter um papel na resolução de problemas.

Jorge Vazquez, administrador da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas de Alqueva (EDIA), entidade que está a promover mais 50 mil hectares de regadio, deu como exemplo a importância da estrutura do Alentejo para todo a região e país.

E disse que o regadio é um instrumento de ordenamento do território, e que a “agricultura para ser competitiva tem de ser de regadio”, ou que o regadio “é incontornável” na resposta à pergunta de se justificar ou não continuar a regar em situações cada vez mais graves de seca.

Se Portugal não armazenar e economizar para a usar no verão não é a agricultura que está em causa e a sobrevivência do país“, disse, acrescentando que é necessário um bom ano hidrológico para encher Alqueva, lamentando que em anos em que choveu muito não se tivesse “outro Alqueva”.

A água da albufeira, afirmou, não é na albufeira que é necessária, mas em locais onde é útil, a 100 ou 200 quilómetros de Alqueva”, afirmou.

Filipe Duarte Santos tinha dito antes, citando estudos, que a Península Ibérica pode ter no futuro secas de oito anos.

LUSA

Câmara de Évora vai “apertar ainda mais” medidas para poupar água

“Começámos a tomar medidas já há alguns meses, sobretudo reduzindo os gastos [de água] no espaço público, em particular nos relvados”, e é preciso, agora, “passar a uma 2.ª fase”, em que há que “apelar a uma maior participação da população” na poupança de água, afirmou o autarca.

Em declarações à agência Lusa, à margem do Encontro Nacional de Entidades Gestoras de Água e Saneamento (ENEG), que arrancou hoje em Évora, Carlos Pinto de Sá revelou que o município “vai apertar ainda mais os consumos supérfluos de água, de forma a salvaguardar a necessidade da água para consumo humano”.

“Estávamos a reduzir as regas, as lavagens de espaços públicos e admitimos a possibilidade de cortar por completo esse tipo de utilização” apesar de, em alguns casos, terem sido encontradas “soluções alternativas” que permitem que esteja a ser utilizada “água que não é da rede pública”, referiu.

Outras medidas de médio/longo prazo estão, igualmente, a ser preparadas, segundo o autarca, e passam por “estudar e propor investimentos na rede, quer ao nível da água, quer ao nível do saneamento, ou recuperar origens de água que foram descontinuadas ao longo do tempo, mas que, hoje, são necessárias”.

A reativação do Aqueduto da Água de Prata e das suas origens de água é “um dos grandes projetos” com que o município quer avançar, para que “essa água possa ser usada para outros usos que não aqueles que decorrem da rede pública”.

Trata-se de um processo “algo demorado”, porque o aqueduto “praticamente não teve assistência durante muitos anos”, mas já está a ser feito o levantamento completo de toda a extensão do equipamento: “Estamos agora a ver o que precisamos de fazer para essa reposição da água por via do aqueduto e os usos que lhe hão de ser dados”.

A câmara vai também reunir, nos “próximos dias”, com grandes consumidores de água do concelho, nomeadamente com instituições, como o Hospital do Espírito Santo ou a Universidade, e com empresas, que “têm um gasto muito significativo de água”.

O objetivo passa por, em conjunto, precisou, encontrar “planos de emergência para reduzir substancialmente o gasto de água”.

Ainda assim, com a albufeira do Monte Novo, que abastece o concelho, com 33% de reserva da água, Carlos Pinto de Sá não antevê “grandes problemas” no imediato, porque existe “água suficiente para o abastecimento às populações nos próximos meses” ou até, previsivelmente, “para o próximo ano”, pelo que “não há necessidade de racionamento e muito menos de cortes”.

“Mas nada é garantido e, portanto, qualquer agravamento desta situação pode trazer-nos problemas, às vezes até pontuais”, como o que o autarca admitiu que está a acontecer agora, com a água da rede a apresentar cheiro e sabor a cloro.

Carlos Pinto de Sá admitiu que esta situação está relacionada com “a necessidade de aumentar o cloro para garantir a qualidade da água”, mas tal “não afeta a saúde pública” e tudo deverá ficar regularizado “nos próximos dias”.

Uma campanha de sensibilização para a poupança de água, promovida pelo município, vai também arrancar no terreno “na próxima semana”, dirigida aos habitantes e a grupos específicos de consumidores, como as grandes instituições e empresas, adiantou ainda o autarca.

LUSA

Racionamento de água é uma medida “no fim da linha”

“As medidas de racionamento [de água] estão no fim do fim da linha e não faz nenhum sentido pensar nelas agora. Estamos a fazer tudo para que a água nunca falte, em conjunto com as autarquias, e o que é fundamental é as pessoas pouparem água”, disse o ministro, em Évora.

Questionado pelos jornalistas sobre a entrevista do secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, publicada hoje no jornal i, em que admite o racionamento de água à noite, João Pedro Matos Fernandes disse tratar-se de uma “hipótese teórica”.

O secretário de Estado, na entrevista, de acordo com o ministro, “admite a vaga possibilidade” desse racionamento de água, “durante algumas horas” por dia, em “algumas autarquias onde a água está mesmo quase, quase a faltar” e “em situações muito específicas”.

A suspensão da água durante a noite é “uma hipótese teórica. Não é esse o nosso caminho”, afirmou, esclarecendo também, caso a medida tenha de avançar, “não é o Governo que raciona”.

“A decisão é sempre da autarquia” e trata-se de uma decisão sobre a qual o Governo tem “quase a certeza” de que não vai ser necessária, frisou o ministro, que falava aos jornalistas à margem da sessão de abertura da edição deste ano do Encontro Nacional de Entidades Gestoras de Água e Saneamento (ENEG), que hoje arrancou na cidade alentejana.

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