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iTechStyle Summit: conferência internacional do têxtil e vestuário

Durante três dias, 28 de fevereiro, 1 e 2 de março de 2018, o iTechStyle Summit reuniu inovadores da indústria, provedores de tecnologia, pesquisadores, clusters e outros atores do setor têxtil e do vestuário de toda a Europa.

A segunda conferência internacional de têxteis e vestuário, organizada pelo CITEVE – Centro Tecnológico para a Indústria Têxtil e Vestuário de Portugal em colaboração com a Associação Selectiva Moda e coordenação científica da Universidade do Minho – Centro de Ciências e Tecnologia Têxteis, foi dirigida por vozes líderes da indústria e da academia. Trata-se de um evento cheio de oportunidades para explorar, aprender, compartilhar e de networking.

Aqui, partilharam-se conhecimentos especializados sobre as últimas tendências, estratégias, oportunidades e desafios da Indústria 4.0.

A conferência teve como principais tópicos a funcionalização; materiais responsivos; estruturas 3D; desmaterialização de protótipos; compósitos baseados em têxteis; biomateriais; e métodos de medição de desempenho.

Na sessão em que se falou da digitalização e robotização de produção estiverem presentes oradores representantes de marcas de renome, cuja presença no mercado tem acompanhado toda esta revolução industrial:

Joachim Hensch, Managing Director Hugo Boss Textile Industries, para nos falar sobre a robotização;

Edouard Macquin, Chief Sales Officer da Lectra abordou a ascensão da Indústria 4.0 na moda;

Marc Van Parys, Presidente da UNITEX (BE), falou sobre as Tecnologias digitais para a fábrica do futuro;

Jürgen Thoms R&D Manager da PLEVA, refletiu sobre as últimas soluções para acabamento têxtil: alisamento de alta tecnologia e sensores para secadores;

E, ainda, Tatjana Spahiu, Conferencista da Universidade Politécnica de Tirana, que apresentou o protótipo virtual 3D na indústria da moda.

O QUE ELES DIZEM…

Rodrigo Siza Vieira – Managing Director da Lectra Portugal e Espanha

“Tentámos trazer a este evento a nossa visão para o futuro próximo e que passa por um roadmap estratégico que a Lectra apresentou há um ano e que se pretende cumprido até 2020.

Os desafios atuais dizem respeito aos desafios dos nossos clientes e aos quais temos de responder através da integração de soluções, desde o conceito de produto até à produção, passando pelo desenvolvimento de produto, pelos processos de industrialização, de planeamento e de corte, nos quais estamos tradicionalmente há muitos anos, mas integrando esses processos e automatizando os mesmos.

Tomemos como exemplo a Lectra Cutting Room 4.0 que pretende automatizar e integrar os processos intermédios nos seus recursos e os dados que são gerados por esses processos, desde o pedido do cliente até a saída de peças cortadas para a costura.

Juntar num evento deste tipo a comunidade científica e o universo empresarial é gratificante, não só por tematizar os três dias da conferência, mas também pelo número significativo de visitantes que atrai”. 

Edouard Macquin – Chief Sales Officer da Lectra

“Quando se fala de Indústria 4.0 as pessoas remetem automaticamente para a produção. No entanto, a Indústria 4.0 é uma revolução industrial que diz respeito não só às fábricas, mas sim à cadeia inteira, desde o ponto de venda até à produção, ou seja, toda a cadeia logística. É importante perceber que a Indústria 4.0 começa nos consumidores e esta é a grande mudança. É o consumidor que está no centro de todas as operações. Esta revolução está a aproximar a indústria do consumidor. A Indústria 4.0 é uma necessidade para atingir as necessidades dos consumidores e as novas formas de consumo. Hoje, mais do que nunca, tudo está voltado para o consumidor.

Podemos mesmo afirmar que não é a revolução industrial que vai mudar o mundo da moda, mas sim o mercado que está a contribuir para a mudança de paradigma”.

Joachim Hensch – Managing Director da Hugo Boss Textile Industries

“É importante esta ponte que se pretende construir aqui entre o conhecimento científico das universidades e o universo empresarial por dois motivos. Por um lado, as universidades estão a educar os nossos futuros “dirigentes”. Por isso é relevante que eles tenham contacto com as indústrias durante a sua aprendizagem, para perceberem o que é preciso, em que direção a indústria está a caminhar e quais são os interesses das marcas. Por outro lado, todas as conferências são importantes pela sua diversidade e pela forma como se concentram num tópico, ajudando a perceber e a encaixar todos os elementos que a ele dizem respeito. Quanto à Indústria 4.0, ela é agora um princípio, uma mentalidade. Temos de perceber que os consumidores são o centro da revolução industrial e que temos um trabalho árduo pela frente para conseguir corresponder à complexidade das suas necessidades. Por isso mesmo é necessária esta ligação entre o consumidor e a indústria, a qual é possível através da digitalização, robotização, e a automatização da indústria para aumentar a produtividade e a eficiência e fazer face à complexidade do mercado”. 

LECTRA

Como é que a Indústria 4.0 está a moldar e transformar o mercado global da moda? Para alguns a Indústria 4.0 não só está a revolucionar a forma como os fabricantes operam, mas também como as marcas e os comerciantes precisam de funcionar.

Recentemente, a Lectra apresentou a sua solução PLM modular, a Lectra Fashion PLM 4.0, que atua como um centro conectado e inteligente para a cadeia de fornecimento digital de hoje. A solução permite aos utilizadores de toda a cadeia de logística, desde o desenvolvimento até a produção, passando pelo design, trabalhar juntos através de um sistema que pode ser adaptado a diferentes modelos de negócios e que permite às empresas responder rapidamente às «tendências».

O objetivo da Lectra é fornecer aos seus clientes a tecnologia e o suporte de que precisam para prosperar e ter sucesso neste novo mercado digital.

LECTRA CUTTING ROOM: UMA VANTAGEM COMPETITIVA

No ambiente de moda acelerado de hoje, a produção deve ser rápida e flexível o suficiente para obter um maior volume de pedidos em prazos apertados, mantendo os custos baixos e mantendo os padrões de qualidade. O que acontece na sala de corte pode inclinar o equilíbrio entre lucros e perdas.

A Lectra entende esses desafios, por isso mesmo procura combinar a sua experiência na indústria têxtil com metodologia lean e a tecnologia mais recente para ajudar as empresas a transformar a sala de corte numa vantagem competitiva.

Exportações do setor têxtil e vestuário começam 2016 a crescer 5%

Em comunicado, a Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) destacou a contribuição do vestuário de malha para este “bom resultado”, com as exportações deste segmento a aumentarem 10% no primeiro mês de 2016 e a assumirem-se como “o principal responsável” para o resultado final.

Já as exportações de tecidos especiais aumentaram 29%, as de tecidos impregnados, revestidos, recobertos ou estratificados e outros têxteis de uso técnico subiram 13% e as de tapetes e outros revestimentos têxteis cresceram 23%.

Quanto aos destinos das exportações nacionais do setor, Espanha continuou em janeiro a destacar-se como o que mais cresceu em termos absolutos, reforçando a sua liderança no ‘ranking’ dos principais destinos.

A Alemanha foi o segundo destino com maior crescimento absoluto, seguindo-se a Itália, a Holanda e Singapura, que a ATP nota não ser “um destino não muito habitual neste ‘ranking'”.

Em termos percentuais, as exportações de têxteis e vestuário para Espanha aumentaram 13%, enquanto para a Alemanha subiram 8%, para Itália 17% e para a Holanda 10%.

A ATP destacou ainda os “ótimos desempenhos” das exportações setoriais para a República Checa (34%), Finlândia (41%), Áustria (12%), Arábia Saudita e Canadá (23%).

Em janeiro, o saldo da balança comercial do setor português de têxtil e vestuário foi de 118 milhões de euros, correspondendo a uma taxa de cobertura de 138%.

 

One to One a criar relações de cumplicidade

Ana Beirão

A One to One assume-se como “o seu parceiro de marketing de clientes”. Criada em 1998, e tendo em conta as transformações que este mercado tem sofrido ao longo dos anos, de que forma têm conseguido inovar na construção de relações sólidas entre as marcas e os seus públicos?
Quando dizemos que somos o parceiro de marketing de clientes é porque realmente as nossas soluções são desenvolvidas para que as marcas reforcem a relação que têm com os seus clientes, através de processos de marketing simples e eficazes. A One to One nasceu num mundo radicalmente diferente ao de hoje e se houve setor de atividade que abanou completamente durante estes 18 anos, foi o da comunicação. Tudo se alterou; tudo se transformou; tudo evoluiu. O que fizemos foi mudar a forma como as marcas se podem relacionar com os seus clientes, tendo em conta que hoje, dada a falta de recursos, o tempo é o fator que mais conta nos processos de marketing.

Tendo como base a inovação, a empresa implementou um processo de mudança interna, que acabou por transformar por completo o vosso modelo de negócio. O que importa saber sobre a “pirâmide de atividades” da One to One?
A nossa pirâmide tem na base a nossa solução tecnológica – o GET – e é sobre ela que tudo o resto se desenrola, numa perfeita sintonia entre nós e o cliente. São definidos os âmbitos de atuação do cliente e da One to One na conciliação da autonomia que é dada ao cliente com o apoio técnico à implementação do modelo de cumplicidade único que criamos para a marca: comunicações automáticas, semi-automáticas ou manuais.

Em períodos de retração económica, em que a comunicação e o marketing podem ser vistos como um custo e não como um benefício para muitas empresas, sentiram algum impacto negativo na vossa atividade?
Claro que sim. Mas foi o impacto destas sucessivas crises que temos vivido enquanto país, aliadas à evolução tecnológica, que nos motivaram a mudar o nosso modelo de negócio. E hoje estamos totalmente preparados para um mercado exigente, com muita sofisticação e poucos recursos.

O marketing agressivo e exclusivamente centrado nas vendas passou à história, tendo hoje até um efeito contrário àquele que pretende. Os consumidores são mais informados e criaram, de certo modo, alguns anticorpos a estas estratégias. Por que é que o marketing relacional deve ser a aposta das marcas? Neste campo, qual tem sido a importância assumida pelas redes sociais como suporte às operações de marketing relacional?
Hoje o nível de informação e de formação é muito grande, pelo que as técnicas clássicas do marketing estão gastas e desadequadas. O poder das marcas inverteu-se e hoje o consumidor só investe o seu tempo e dinheiro em marcas e produtos que lhe merecem simpatia.
As redes sociais são inevitáveis porque os consumidores estão lá. Mas é na relação one-to-one que se criam cumplicidades e que se abrem caminhos para novos patamares da relação, de confiança e de partilha. A personalização e a segmentação da comunicação permitem tratar os clientes como únicos e a tecnologia veio resolver vários dilemas antigos:
1º – Como falar com muitos clientes em simultâneo, mas em particular com cada um?
2º – Como permitir que os clientes falem às marcas com transparência, sem medos e sem ter de montar estruturas pesadas e caras?
As marcas que sabem ouvir são as que mais se distinguem na cabeça dos seus clientes. E é isto que faz a diferença.

Ao longo da sua história, de que forma a One to One se tem assumido como um paradigma desta área do marketing, ajudando a criar relações que perduram no tempo?
No design, deparamo-nos por vezes com peças que parece não saírem de moda. Comparando com a nossa atividade, a melhor prova de que ajudamos a criar relações de forma quase intemporal, é que estratégias que lançamos há anos, ainda hoje se mantêm vivas, nos seus alicerces principais. E isto é muito gratificante. Não só trabalhamos clientes durante muito tempo, como depois as nossas estratégias, permanecem vivas por muito mais tempo.

Ao longo da sua carreira, alguma vez imaginaria ser a profissional e a mulher que é hoje? Passava pelos seus planos estar à frente de uma empresa com o prestígio e o reconhecimento da One to One?
A One to One tem a imagem que tem pelas pessoas e pelos trabalhos que fomos fazendo. Identificamos o nosso caminho que foi sendo ajustado e nem sempre fizemos tudo o que queríamos, mas sempre fizemos o que podíamos com profissionalismo, ética, seriedade e compromisso. E estes são valores que perduram.

Continuando a contribuir para a evolução do marketing relacional, qual será o posicionamento e a estratégia da One to One? Que objetivos estão em cima da mesa?
Continuar a reforçar os laços com os nossos clientes e alargar a nossa atividade a todas as empresas que queiram fidelizar e automatizar os seus processos de marketing, para assim, de forma sustentável, gerarem mais negócio.

Heimtextil – Sucesso Vimaranense

Ricardo Costa

Porquê este sinal positivo das empresas de Guimarães? Das 76 empresas nacionais presentes no evento, 40 eram da cidade, o que reflete a vocação industrial concelhia no setor e demonstra que a cidade está na vanguarda da recupeaçao económica do setor têxtil.
A Heimtextil reuniu um total de 2700 expositores internacionais, sendo a comitiva portuguesa uma das mais importantes e prestigiante da feira. Ricardo Costa, vereador do Desenvolvimento Económico do Município de Guimarães, esteve presente nesta feira, onde partilhou ainda algumas opiniões com o Ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral.
De visita em visita, Ricardo Costa deu uma palavra a todas as empresas do concelho vimaranense, assegurando que, no plano internacional, Guimarães mantém a sua afirmação e tradição industrial, “com elevada presença num dos certames de maior dimensão e prestigio do setor”, revelou. Além da presença e apresentação da matéria produzida no concelho, o autarca vincou igualmente “o interesse que despertou” nos próprios visitantes, oriundos de várias nacionalidades.
Portugal é o 5º maior exportador de têxteis-lar a nível mundial, com vendas estimadas de 700 milhões de euros em 2015 (mais 7% do que em 2014) e uma quota no total das exportações da indústria têxtil e de vestuário de 15%, facto que se refletiu na participação em Frankfurt. 85% das empresas apresentaram roupa de cama e banho e artigos têxteis para mesa e cozinha. Portugal foi mesmo o país com a maior representação no Hall 11, dedicado a artigos Premium. Estima-se que o investimento feito pelas empresas portuguesas nesta Feira tenha sido superior a 2.5 milhões de euros.
heimtextil-2016-headerbild-schmalSegundo o Vereador da autarquia, este investimento demonstra que os “empresários investiram para mostrarem os seus produtos, numa feira onde a visibilidade internacional tem uma dimensão superior”, afirmou, lembrando que esta foi também uma grande oportunidade dos empresários realizarem contactos ao mais alto nível em todo o mundo.
Para Ricardo Costa, o setor têxtil demonstrou a sua força e a sua qualidade, destacando os dados da Associação Têxtil de Portugal na perspetiva do setor atingir a meta dos cinco milhões de euros do volume de exportações que tinha sido traçado para 2020.
Segundo os últimos dados, as exportações da industria têxtil e vestuário nacional acumulam um crescimento homólogo de 4,6% até novembro de 2015, ara 4467 mil milhões de euros, estimando a ATP que o ano passado tenha encerrado com um crescimento próximo de 4,5 %, para mais de 4,8 mil milhões de euros. “Foi um evento de enorme relevância para Guimarães, mas também para Portugal. Que este seja um exemplo do que podemos continuar a fazer no futuro em prol das empresas lusas e de Portugal”.

“Mais do que uma marca, uma forma de viver”

Presença da marca na Heimtextil

É sabido que a indústria portuguesa de têxteis-lar é reconhecida mundialmente pela qualidade. Ao longo dos anos, e por mérito próprio, as empresas deste setor conquistaram uma imagem de excelência no que se refere à conceção, produção, inovação e comercialização dos seus produtos, fidelizando clientes e conquistando outros tantos. A Bovi, no setor de têxteis-lar desde 1960, conheceu esse percurso, soube acompanhar tendências e firmou a sua posição de referência no mercado. Aqui, é de uma atenção extraordinária aos detalhes que nascem produtos de uma qualidade reconhecida e foi com Amélia Marques que recuámos no tempo, ao momento em que a atual administradora da empresa chegou à empresa constituída pelo pai, “um inovador e um empreendedor”, descreveu.
Foi em 1977. Amélia Marques tinha terminado a sua licenciatura e abraçou uma realidade completamente distinta da que esperava. “Nessa altura as condições eram muito difíceis. Saí da faculdade com muitos conhecimentos teóricos e sonhos e deparei-me com uma realidade complicada, com problemas de trabalho, reivindicações de sindicatos, inexistência de um sistema administrativo devidamente organizado e, além disso, problemas de ordem comercial e financeira. Foi uma luta e um desafio conseguir ultrapassar tudo isso”, recordou a administradora.
Depois de solucionados alguns dos problemas de base, levantavam-se duas questões cruciais: “continuamos sempre a fazer os mesmos produtos e temos os resultados que se veem ou procuramos novos produtos e arriscamos em novos mercados?” A resposta pareceu evidente para Amélia Marques. A Bovi precisava de inovar e desligar-se de velhos hábitos, como por exemplo a relação que mantinha com armazenistas. “Não era com o mercado interno e com o tipo de interlocutores que tínhamos no momento que conseguiríamos solucionar os problemas da empresa. Importava entrar em novos mercados e apostar em produtos diferentes”, assegurou. Foi assim que a Bovi começou a desbravar caminhos fora de Portugal, nunca descurando o mercado interno, apesar das quebras que iam sentindo. Apesar de hoje exportar para mercados como Espanha, Inglaterra, Espanha, EUA, México, Coreia, Costa do Marfim ou Camarões, entre outros, a Bovi não desviou a sua atenção de Portugal. “Num primeiro momento não digo que não tenha sido colocado em segundo plano. Mas desde há muitos anos que o mercado interno é muito importante para nós só que passamos a atuar de um modo diferente. Assim, se antes trabalhávamos com armazenistas, hoje trabalhamos com mais de 60 lojistas. Visitamos as lojas duas vezes por ano, temos uma coleção e um catálogo a partir do qual podem encomendar todos os meses e garantimos entregas num prazo de seis semanas”, explicou Amélia Marques que se orgulha de estar à frente de uma das poucas empresas portuguesas que de forma persistente e insistente não desistiram do mercado nacional.
Mesmo sentindo as oscilações do mercado, a Bovi não deixou de trabalhar com o mesmo afinco. Visitou lojas, tentou aumentar a rede de lojistas e diversificou os seus produtos. Assim, além de artigos para a cama, banho e mesa, a empresa incluiu ainda uma linha exclusiva de roupa de dormir feminina, onde, mais uma vez, a atenção é centrada nos detalhes. “Nas nossas coleções há um ponto forte que é o bordado que já denota uma preocupação com o pormenor. E porquê os bordados? Numa primeira fase existiam máquinas de bordar que foram trazidas para Portugal pelo meu pai. Comprou-as na Suíça e pediu a um austríaco para fazer a montagem. Desde então que a Bovi começou a ficar conhecida por fazer lençóis de bordados e hoje continuamos essa tendência”, recordou. E para que nada falhe a chave está numa boa organização interna. Além de uma maquinaria eficaz, de um acompanhamento rigoroso de todas as etapas produtivas e de um apertado controlo de qualidade, Amélia Marques é perentória: “para garantir que a nossa marca esteja sempre dentro das expectativas que criamos aos clientes, é preciso organização”.

Heimtextil: Frankfurt é paragem obrigatória
Para os agentes que atuam no setor de têxteis-lar, Frankfurt é o palco principal onde todos querem estar. A Heimtextil é já considerada a maior feira internacional do setor e Portugal continua a ser um dos países com o maior número de presenças, sendo este certame uma autêntica montra do que de melhor se faz cá. Pesando todos os elevados investimentos que são necessários fazer para marcar presença, a Bovi considera este certame inevitável. “Temos uma rede de clientes que espera a nossa presença e, se não estivermos lá, há uma grande desilusão. A Heimtextil é como uma meta que mobiliza pessoas e nos permite mostrar as nossas coleções. No fim, se os imensos contactos que lá fazemos se irão traduzir em clientes fiéis, só o tempo o dirá”, defendeu Amélia Marques que, pela sua experiência internacional, acredita que a imagem dos têxteis-lar portugueses está cada vez melhor mas “se muitas vezes ainda nos comparam com os italianos é sinal de que ainda temos muito trabalho a fazer para sermos vistos como os portugueses e termos uma identidade própria”, assegurou.
Num momento em que ainda se está a fazer o balanço de mais uma Heimtextil, Amélia Marques falou nos seus projetos para uma empresa à qual dedica grande parte de si há cerca de 40 anos. Além da construção de um pavilhão novo para alargar o setor dos acabamentos e de uma forte aposta na melhoria do layout da empresa, o objetivo passará ainda pela criação de uma loja online para que, conjugados todos estes investimentos, a marca Bovi seja ainda mais conhecida nacional e internacionalmente.

Design como força da diferenciação

Presença da marca na Heimtextil

A Coton Couleur é a prova de que a antiguidade não é um posto. Com um percurso ainda curto no mercado têxtil, tornou-se numa marca diferenciadora e cujos lucros demonstram a sua inegável qualidade. Em 2015, atingiu um volume de negócio notável, representando um crescimento de 60% face ao ano anterior. Mas o que permite, afinal, este desenvolvimento? Carlos Carvalho não tem dúvidas de que a diferenciação está “na aposta da equipa no design e na qualidade”. “Cada vez mais, a qualidade está acima de qualquer outro fator. Apenas conseguimos construir o nosso futuro se tivermos em consideração o aumento da qualidade dos nossos parceiros e a presença de uma equipa altamente especializada”.
Numa empresa cujo core business é a criação de produtos para uma classe média alta, esta conjugação de fatores é crucial para atingir o sucesso e a estabilidade expectáveis. Neste contexto, o CEO da marca ressalva a importância de utilizarem apenas matérias-primas naturais, simples ou combinadas. “A base é fundamental para a qualidade do produto final. Por isso, temos apostado em tecidos nobres e numa produção exigente, nomeadamente “fios penteados e tecidos 100% algodão, com uma base mínima de 200 fios”.
O design é uma outra grande aposta no âmbito da diferenciação. O objetivo da empresa sempre passou por conceber produtos têxteis baseados em padrões e modelos diferentes, perspetivando uma ‘fuga’ à produção convencional.
A tecnologia e o desenvolvimento investigativo têm aqui um importante papel no sentido de promover o progresso da área e, nomeadamente, das empresas. A Coton Couleur tem investido nesta vertente, de modo a antecipar a evolução de outras marcas e introduzir novos métodos que elevem a qualidade dos produtos. Assim, têm já uma parceria com a TecMinho, um consórcio que tem como promotores a Universidade do Minho e a Associação dos Municípios do Vale do Ave. Esta parceria permite à marca fundada por Carlos Carvalho aceder a uma investigação aprofundada no âmbito tecnológico.
Na vertente de tecelagem, a Coton Couleur tem ainda promovido a sua evolução, tendo em 2015 apresentado “um artigo diferenciado, produzido com fios estampados”.
O CEO da marca ressalva a relevância da evolução tecnológica na indústria têxtil, acreditando ser não apenas uma mais-valia, mas uma “obrigação” das empresas. No início do milénio, Portugal acreditou ser o fim desta indústria, por ter de competir com países emergentes, com um avançado progresso da tecnologia, apoios governamentais avultados e uma mão-de-obra com custos mais baixos. As empresas de têxtil-lar que procuravam o mercado português fidelizaram-se em países da Ásia e do Médio-Oriente. Contudo, o know-how, a confeção especializada, a atenção ao detalhe e a sua presença na Europa permitiram a Portugal uma nova curva de crescimento. Agora, é premente voltar a investir no progresso, especialmente tecnológico, e uma cooperação forte entre empresários e centros de investigação. Porque, acredita Carlos Carvalho, “Portugal poderá ser um país de vanguarda no âmbito de têxtil-lar”. E prova disso é a marca “made in Portugal”, que tem cada vez mais força a nível internacional. “Tenho clientes ingleses que pedem para colocarmos esta informação de forma mais visível, porque é um fator de venda”, assume. No entanto, assevera a importância de apoios do Estado para promover o crescimento das empresas, uma vez que esta evolução tecnológica obriga a investimentos elevados, cujo retorno não é imediato.

Guimarães, terra de indústria têxtil por excelência
Guimarães é, por excelência, um centro de indústria, nomeadamente têxtil, e uma cidade cada vez mais respeitada a nível internacional. Neste sentido, a presença do tecido empresarial nesta região torna-se um aspeto de grande relevo. O fundador da Coton Couleur refere a importância da proximidade dos diferentes parceiros, possibilitando uma maior flexibilidade logística e uma celeridade em todo o processo. Num momento em que Portugal tem promovido uma mutação no contexto da flexibilização de encomendas, com quantidades mínimas mais baixas, é importante que todo o ciclo produtivo seja concretizado de forma eficaz.
Por outro lado, Carlos Carvalho não pode deixar de mencionar o know-how que esta cidade adquiriu ao longo da história no âmbito da indústria têxtil. Empresas e equipas são altamente especializadas numa zona onde este mercado sempre foi uma presença assídua.

5Um futuro promissor
A excelência da marca, associada ao empenho da equipa e à qualidade dos seus produtos, permite ambicionar um “futuro otimista”. Deste modo, Carlos Carvalho pretende continuar a apostar no design aprimorado e tem como ambição “flexibilizar ainda mais a produção”, uma vez que a procura de produtos Coton Couleur por parte de lojas com menor dimensão impulsionará uma conceção de peças em quantidades mais reduzidas.
A expansão será igualmente uma área de máxima importância. Presente em países como Espanha, Reino Unido, França, Holanda, Áustria, Países Escandinavos e Índia, a marca irá continuar a investir na internacionalização.
O CEO promete ainda continuar a desenvolver a área de puericultura, um setor que, pelas normas exigidas, obriga a uma maior especialização, característica que a Coton Couleur apresenta desde a sua entrada no mercado. Esta vertente possibilitará uma maior distinção face a outras empresas, que atualmente ainda não têm o know-how esperado.

Feira Heimtextil, Franfurt, Alemanha
O balanço não podia ser mais positivo. A Coton Couleur esteve, mais uma vez, presente nesta que é a maior feira internacional de têxtil-lar e assume que as expectativas foram superadas. A visita de clientes de países como América do Norte, Canadá, Índia, China e Coreia do Sul ao stand desta marca foi extremamente elevada. Mas Carlos Carvalho não deixa de admitir que este sucesso se deve ao empenho da equipa, que procurou participar com uma coleção com um design apelativo e qualidade máxima. Por outro lado, o espaço da empresa nesta feira foi melhorado, face a anos anteriores, de modo a refletir a evolução que os próprios produtos também sentiram.
Assim, e como resultado desta presença, a Coton Couleur espera ter uma maior angariação de clientes e descentralizar a força dos mercados onde já atuam.

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