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Novo tratamento para Sida com uma única cápsula por semana

Investigadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e do “Brigham and Women’s Hospital”, duas instituições norte-americanas, desenvolveram um novo tratamento para a Sida que prevê a ingestão de uma única cápsula por semana.

O novo fármaco, segundo os investigadores, pode resolver um dos grandes problemas relacionados com o tratamento do HIV que é a não adesão à medicação ou falta de rigor nas tomas dos “cocktails” de fármacos.

O avanço, afirmam no estudo publicado hoje na revista Nature Communications, pode tornar muito mais fácil aos pacientes aderirem a um plano rigoroso de dosagem, necessário para combater o vírus. A droga, explicam, é libertada no estômago gradualmente ao longo de uma semana e pode também ser usada por pessoas em risco de exposição ao vírus, para ajudar a evitar a infecção.

“Uma das principais barreiras no tratamento e prevenção do HIV é a adesão (ao tratamento). A capacidade de fazer doses menos frequentes melhora a adesão e tem um impacto significativo ao nível do doente”, disse Giovanni Traverso, do Brigham and Women’s Hospital, principal autor do estudo com Robert Langer, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT na sigla original).

O projecto tem o apoio de uma empresa, que está a desenvolver a tecnologia e que está a preparar um ensaio clínico. Robert Langer disse que o sistema pode ajudar pacientes com Sida mas também com outras doenças.

A cápsula consiste numa estrutura em forma de estrela com seis braços que podem ser carregados com os medicamentos e que se abrem do estômago, fazendo com que ali permaneça vários dias.

Os investigadores criaram uma estrutura constituída por um polímero forte no centro, com cada um dos seis braços com polímeros de carga diferente, que libertam os medicamentos em diferentes taxas.

“De certa forma é como colocar uma caixa de medicamentos numa cápsula, com compartimentos para cada dia da semana numa única cápsula”, disse Giovanni Traverso.

Testes em porcos mostraram que as cápsulas conseguiram alojar-se no estômago com sucesso e libertar três diferentes tipos de drogas contra o HIV durante uma semana, desintegrando-se depois em componentes mais pequenos, que passam pelo aparelho digestivo, segundo os investigadores.

As equipas estão a trabalhar na adaptação da tecnologia a outras doenças e em cápsulas que possam permanecer no corpo por períodos de tempo muito mais longos.

Embora a taxa de mortalidade por HIV tenha baixado significativamente desde que foram introduzidos os antirretrovirais, na década de 90 do século passado, em 2015 houve 2,1 milhões de novas infecções e 1,2 milhões de mortes relacionadas com a doença.

LUSA

Mais de 2,5 milhões de pessoas foram infectadas com o vírus da sida em 2015

Há menos pessoas a morrer com VIH e, por isso, existem hoje mais pessoas a viver com a infecção no mundo. O acesso às terapias anti-retrovirais aumentou consideravelmente mas, por outro lado, a queda das novas infecções estagnou na última década em 2,5 milhões por ano. Portugal aparece na curta lista de países da Europa com o número mais elevado de novas infecções em 2015, com uma estimativa de 2220 novos casos. O relatório da revista The Lancet HIV sobre o vírus da sida no mundo foi divulgado esta terça-feira e, tudo pesado na balança, mostra que será muito difícil (para não dizer impossível) cumprir a meta global de controlar esta epidemia em 2030.

A revista apresentou o Global Burden of Disease 2015 (GBD 2015) com um retrato completo sobre o VIH em 195 países, desde 1980 até 2015, num encontro internacional sobre sida que decorre em Durban (África do Sul). No estudo com dados, estimativas e previsões, que foi coordenado por especialistas do Instituto para a Métrica e Avaliação da Saúde (IHME, na sigla em inglês), da Universidade de Washington (EUA), com uma vasta rede de colaboradores, há boas e más notícias. Um dos dados mais desanimadores do relatório é a linha direita que mostra que a queda de novas infecções estagnou nos 2,5 milhões de casos por ano durante a última década. Entre 1997 e 2005 as novas infecções diminuíam 2,7% por ano e de 2005 a 2015 a queda ficou-se pelos 0,7% por ano. Pouco para um mundo que quer eliminar a epidemia da sida em 2030.

E, neste capítulo menos feliz do documento, Portugal merece destaque pelos piores motivos. Segundo as estimativas do relatório, Portugal teria mais de 115 mil pessoas a viver com a infecção em 2015 e encontrava-se no grupo de países da Europa com o número mais elevado de novos casos registando 2220, ultrapassado apenas pela Rússia (57.340), Ucrânia (13.490) e Espanha (2350). Logo atrás de Portugal surge o Reino Unido (2060), a Itália (1960) e a Alemanha (1760). Ao lado destas previsões, o relatório nota que, em 2014, foram diagnosticados em Portugal 920 novos casos. Porém, os valores apresentados para Portugal não coincidem com os dados oficiais que têm sido divulgados pelas autoridades de saúde. Por um lado, no mais recente relatório do Programa Nacional para a Infecção VIH/sida está registado que em 2014 foram notificados 1220 novos casos de infecção em 2014. Por outro, no que se refere ao número de pessoas a viver com a infecção, os dados mais actualizados são referentes também a 2014 e ficam-se por uma estimativa de 45 mil pessoas, menos de metade da previsão agora divulgada pelo IHME.

Os dados oficiais foram apresentados este ano pelo então coordenador do programa nacional, António Diniz (que em Junho foi substituído por Kamal Mansinho) e que, em declarações ao PÚBLICO, afirmou que estes valores são aqueles que reflectem a realidade actual e foram obtidos através do uso de uma ferramenta de cálculo especificamente para HIV disponibilizada pela Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC, na sigla em inglês). Sobre a discrepância com o artigo dos especialistas do IHME, António Diniz mostrou-se incrédulo com o valor médio apresentado neste estudo mas preferiu não comentar por desconhecer o artigo e os métodos usados.

Porém, José das Neves, cientista do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (I3S, no Porto) que colaborou no estudo do IHME, explica que a estimativa de 115 mil pessoas a viver com o VIH em Portugal é uma média e que tem um intervalo de confiança considerável, entre os 32 mil e os 263 mil casos. Ou seja, aponta ainda, se considerarmos a baliza inferior, os números aproximam-se. “É preciso ter algum cuidado com estes valores. Há um grande grau de incerteza. Por outro lado, também sabemos que os dados para o VIH, seja dos vários países ou do UNAIDS [Programa das Nações Unidas sobre VIH/sida], estão subestimados. Em Portugal e em todo o mundo”, refere o investigador que participou na recolha e análise da informação sobre Portugal no relatório. Sobre o cálculo usado para as estimativas, José das Neves refere que o algoritmo aplicado “é superior aos existentes, mais refinado, com mais fontes e mais diversificadas”. “O que explica algumas surpresas”, diz, sublinhando que mais importante do que acertar em cheio na estimativa  é perceber que há aqui “um alerta, sem alarmismo”. “O que se conclui é que é preciso fazer mais e melhor para conseguir acabar com a epidemia da sida.”

Num plano mais global, o estudo na The Lancet HIV refere que, apesar da tendência geral de decréscimo, entre 2005 e 2015 houve 74 países que aumentaram a taxa padronizada pela idade de novas infecções de VIH. OGBD 2015 revela ainda que o número de pessoas a viver com VIH no mundo tem vindo a aumentar, passando de 27,96 milhões em 2000 para 38,8 milhões em 2015. As mortes por VIH/sida têm caído a um ritmo estável, situando-se nos 1,2 milhões em 2015, quando em 2005 chegavam aos 1,8 milhões. É uma boa notícia que está relacionada com outro ponto positivo que é o aumento das pessoas com VIH que estão a fazer terapias anti-retrovirais e que, segundo o relatório, deu um salto significativo desde menos de 2% em 2000 até aos 41% em 2015. Um progresso que, no entanto, ainda deixa o mundo muito longe da meta dos 81% definidos para 2020. Os países mais perto dessa meta são a Suécia (76%) e os EUA, Holanda e Argentina (todos com cerca de 70%). De acordo com o GBD 2015, em Portugal 60,5% das pessoas diagnosticadas com VIH estão a fazer terapias anti-retrovirais. Um relatório recente do Observatório Português dos Sistemas de Saúde alertava para a elevada proporção de infectados que não têm tratamento com terapêutica anti-retroviral em Portugal (17,2%, o correspondente a 4575 pessoas), superior à que se encontra noutros países europeus.

“Apesar do aumento da cobertura das terapias anti-retrovirais e das medidas adoptadas para prevenir a transmissão entre mãe e filho, que tiveram um enorme impacto no que se refere a salvar vidas, estes dados apresentam a imagem preocupante de um lento progresso na redução de novas infecções de VIH nos últimos dez anos”, resume Haidon Wang, investigador do IHME e principal autor do relatório na The Lancet VIH. O director do IHME, Christopher Murray, reforça o alerta e frisa que “ainda que mais pessoas estejam a viver com VIH, não vamos conseguir acabar com a sida se não pararmos as novas infecções”.

E para complicar ainda mais esta difícil tarefa de combate ao VIH/sida há menos dinheiro disponível. Depois de um aumento da ajuda pública para a saúde entre 2000 e 2009, este financiamento estagnou a partir de 2010. Um estudo publicado em Abril pelo IHME já assinalava que o financiamento anual global para VIH/sida atingiu um pico e 11.200 milhões de dólares (10.160 milhões de euros) em 2013 mas caiu para os 10.800 milhões em 2015 (9800 milhões de euros).

Tudo somado, o estudo divulgado esta terça-feira mostra claramente, tal como sublinha Peter Piot, director da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres e um dos fundadores do UNAIDS, que “a epidemia da sida não acabou de forma alguma e que o VIH/sida permanece uma das maiores ameaças de saúde pública do nosso tempo”.

Ban Ki-moon pede atuação rápida para acabar com a Sida até 2030

“Como comunidade global, devemos atuar de forma rápida e decidida para alcançar os objetivos que nos ajudem a pôr fim a esta epidemia”, disse Ban Ki-moon durante a inauguração da conferência internacional sobre a sida que se celebra na cidade sul-africana de Durban.

Até à próxima sexta-feira, mais de 18.000 líderes, cientistas, ativistas e profissionais de saúde vão participar neste fórum para definir as estratégias que permitam acabar com a sida até 2030, um dos objetivos da agenda para o desenvolvimento promovida pela ONU.

O secretário-geral afirmou que é necessário estender o acesso ao tratamento, já que apesar dos progressos significativos alcançados até ao momento, mais de metade dos afetados pelo Hiv/sida ainda não têm acesso a eles.

Isto acontece porque as novas ferramentas de prevenção do Hiv/sida ficam fora do alcance da maioria dos que precisam, segundo um comunicado divulgado pela organização.

A atriz sul-africana, Charlize Theron, que também participou na cerimónia, falou sobre o impacto da doença, especialmente entre os adolescentes, uma geração “a que não se tem dado atenção”.

Segundo dados da ONU, em todo o mundo, no ano passado 29 adolescentes, entre os 15 e os 19 anos de idade, eram infetados a cada hora pelo vírus da sida.

Cerca de 65% dos novos infetados em todo o mundo são menores do sexo feminino. Só na África subsaariana, onde se concentra cerca de 70% de toda a população mundial seropositiva, três em cada quatro novos adolescentes infetados são raparigas.

Pelo seu lado, o presidente da Sociedade Internacional da Sida (SIS), Chris Beyrer, insistiu que para poder combater a sida em todas as partes do mundo, “é necessário garantir que cada ação que se tome seja baseada na ciência, respeite os direitos humanos e se financie na sua totalidade”.

“Se não tomamos decisões estratégicas corretas, corremos o risco de retroceder nos avanços alcançados com tanto esforço. Isso seria equivalente a uma derrota”, alertou.

Ban Ki-moon pede atuação rápida para acabar com a sida até 2030

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, apelou esta segunda-feira à comunidade internacional que atue de forma rápida para acabar com a sida até 2030, melhorando o acesso ao tratamento e reforçando os programas de prevenção.

“Como comunidade global, devemos atuar de forma rápida e decidida para alcançar os objetivos que nos ajudem a pôr fim a esta epidemia”, disse Ban Ki-moon durante a inauguração da conferência internacional sobre a sida que se celebra na cidade sul-africana de Durban.

Até à próxima sexta-feira, mais de 18.000 líderes, cientistas, ativistas e profissionais de saúde vão participar neste fórum para definir as estratégias que permitam acabar com a sida até 2030, um dos objetivos da agenda para o desenvolvimento promovida pela ONU.

O secretário-geral afirmou que é necessário estender o acesso ao tratamento, já que apesar dos progressos significativos alcançados até ao momento, mais de metade dos afetados pelo Hiv/sida ainda não têm acesso a eles.

Isto acontece porque as novas ferramentas de prevenção do Hiv/sida ficam fora do alcance da maioria dos que precisam, segundo um comunicado divulgado pela organização.

A atriz sul-africana, Charlize Theron, que também participou na cerimónia, falou sobre o impacto da doença, especialmente entre os adolescentes, uma geração “a que não se tem dado atenção”.

Segundo dados da ONU, em todo o mundo, no ano passado 29 adolescentes, entre os 15 e os 19 anos de idade, eram infetados a cada hora pelo vírus da sida.

Cerca de 65% dos novos infetados em todo o mundo são menores do sexo feminino. Só na África subsaariana, onde se concentra cerca de 70% de toda a população mundial seropositiva, três em cada quatro novos adolescentes infetados são raparigas.

Pelo seu lado, o presidente da Sociedade Internacional da Sida (SIS), Chris Beyrer, insistiu que para poder combater a sida em todas as partes do mundo, “é necessário garantir que cada ação que se tome seja baseada na ciência, respeite os direitos humanos e se financie na sua totalidade”.

“Se não tomamos decisões estratégicas corretas, corremos o risco de retroceder nos avanços alcançados com tanto esforço. Isso seria equivalente a uma derrota”, alertou.

Há uma nova terapia que pode melhorar o tratamento contra a Sida

A investigação foi feita pelo Grupo da Biologia de Infeções da Universidade Pompeu Fabra (UPF), em Barcelona, hoje publicada na revista científica “PLOS Pathogens”.

Segundo o estudo, a investigação parte do princípio de que a infeção crónica pelo HIV dá lugar a uma exaustão do sistema imunitário, fenómeno caracterizado pela alteração do funcionamento das chamadas células “T”.

Nesse sentido, essas células exaustas mostram proteínas de inibição à superfície que poderão ser elementos chave na restauração da função imunitária.

Andreas Meyerhans, diretor do Grupo da Biologia de Infeções do Departamento de Ciências Experimentais e da Saúde (DCESX) da UPF, é quem dirige a investigação, que procura estabelecer as condições em que os sinais negativos transmitidos por estas proteínas melhoram o tratamento médico.

Segundo os investigadores, o sistema imunitário humano é formado por uma complexa rede de reguladores positivos e negativos que coordenam a resposta a ameaças patogénicas.

Uma pessoa infetada com HIV desenvolve uma resposta imunitária que evita a expansão do vírus, mas, ao mesmo tempo, as células “T”, reguladoras, mantêm a resposta sob controlo, evitando também uma sobre reação das células humanitárias, uma vez que, caso contrário, provocaria lesões nos órgãos e tecidos do infetado.

À medida que a infeção avança e que fica evidenciado que o vírus não será eliminado, muitas das células “T” “adormecem” face a um mecanismo denominado “exaustão”.

Desta forma, os investigadores concluíram que bloquear esta exaustão pressupõe uma resposta melhorada das células “T”, levando também uma melhoria no tratamento.

Na investigação, os cientistas isolaram células sanguíneas de indivíduos infetados com HIV e observaram a resposta depois de as acordarem mediante o uso de anticorpos “anti-PD-L1”.

“Os indivíduos que tinham a infeção controlada medicamente e que, por isso, mostravam poucos vírus no sangue, viram multiplicado o número de células «T»”, explicam, os investigadores.

“No entanto, nas amostras em que o vírus não estava controlado medicamente, as células reguladoras «T» multiplicavam-se muito, permitindo uma maior expansão do vírus e dando lugar a um efeito prejudicial”, assinalaram.

Estas observações podem trazer consequências importantes na altura de utilizar estes anticorpos como tratamento, uma vez que apenas os doentes com HIV que estejam sob tratamento médico obterão uma melhoria na resposta imunitária antivírica.

Câmara de Lisboa permite continuidade do rastreio ao VIH com apoios financeiros

Em declarações à Lusa, o vereador dos Direitos Sociais da Câmara de Lisboa, João Afonso, afirmou que o investimento da autarquia será de 34 mil euros e o protocolo, assinado no Dia Mundial de Luta Contra a Sida, vigorará por um ano.

“É um investimento mínimo e insignificante para o que está em causa”, vincou, acrescentando que este apoio permite “condições mínimas e que o GAT tenha uma consulta de rastreio completo uma vez por semana”.

O serviço de consultas de doenças sexualmente transmissíveis no CheckpointLx existia há três anos e foi encerrado no verão passado, por falta de verbas, já que o Estado deixou de o financiar em dezembro do ano passado.

Na opinião do vereador, “estes centros de porta aberta, anónimos, são essenciais para a prevenção e luta contra a sida”, nomeadamente ao nível do processo de consciencialização e dos rastreios.

João Afonso destacou ainda o caráter voluntário das equipas médicas e de enfermagem que prestam serviços neste centro, pois, sem eles “não seria possível prestar apoio” a quem se desloca ao CheckpointLx.

O GAT deixou ainda um desafio para o município se juntar a uma rede de metrópoles “no combate contra o flagelo da sida”, que João Afonso considerou que ser “um desafio a ponderar e assumir”.

O serviço Checklist, consulta de doenças sexualmente transmissíveis, existiu três anos e funcionava no CheckpointLx, em Lisboa, tendo recebido, no decorrer desse período, cerca de 34 mil euros por ano, vindos do Ministério da Saúde, para pagar análises, reagentes e ‘kits’ médicos, a instituições públicas e a fornecedores.

O CheckpointLX é um centro dirigido a homens que têm sexo com outros homens, onde podem fazer o rastreio do VIH/SIDA e de outras doenças sexualmente transmissíveis de forma rápida, anónima, confidencial e gratuita, assim como ter acesso a aconselhamento e referenciação aos cuidados de saúde.

Segundo o GAT, enquanto funcionou, fez o rastreio a mais de mil homens, tratou mais de 300 infeções, e identificou 50 jovens em risco de cancro anal.

O centro foi elogiado pelo Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças e pela Organização Mundial de Saúde.

Hospital de Cascais sensibiliza para a importância do rastreio da SIDA

O Hospital de Cascais Dr. José de Almeida vai promover uma ação de sensibilização sobre SIDA no próximo dia 1 de dezembro, pelas 18h30, na Fnac do CascaiShopping. A iniciativa surge no âmbito do Dia Mundial da Luta Contra a SIDA e pretende informar e alertar para a importância do teste do VIH.

Inês Vaz Pinto, Responsável da Consulta VIH do Hospital de Cascais vai falar sobre a importância do diagnóstico precoce da doença e sobre os vários projetos desenvolvidos ao longo dos 20 anos da existência da consulta VIH no Hospital de Cascais. Desde a criação desta consulta, o hospital tem vindo a estabelecer protocolos com diversas entidades ligadas ao VIH e com os estabelecimentos prisionais do concelho, de forma a melhorar o acesso aos medicamentos dos doentes infetados.

Após a apresentação da especialista, vai ainda ser exibida uma curta-metragem, alusiva ao tema da SIDA, realizada por alunos de várias escolas do concelho.

O Dia Mundial da Luta Contra a SIDA é este ano assinalado, a nível mundial, sob o mote “Repensar o VIH”, uma campanha que desafia as pessoas a serem positivas em relação à doença, repensando nos mitos e estereótipos associados.

Cuidados de saúde primários são fundamentais no acompanhamento dos doentes com VIH

“Acreditamos que os CSP podem atuar em duas áreas principais: primeiro na área da prevenção e diagnóstico precoce da infeção por VIH, mas também ter uma maior participação no seguimento partilhado dos doentes”, afirma Telo Faria, internista e coordenador do Núcleo da Doença VIH.
De acordo com o Programa Nacional para a Infeção por VIH 2012-2016 e respetivos programas regionais, os CSP, juntamente com os Centros de Aconselhamento e Deteção do VIH (CAD), as Divisões de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (DICAD)e os Centros de Diagnóstico Pneumológico (CDP)  têm tido um papel fulcral na implementação e reorganização de uma rede de deteção precoce da infeção, com a realização de testes rápidos.
Relativamente ao seguimento dos doentes com VIH “é preciso ter em conta que esta doença tem características de cronicidade, como a Diabetes mellitus e a hipertensão arterial. Sendo uma doença crónica com alguns efeitos a nível metabólico, a associar às comorbilidades que advêm do processo de envelhecimento normal dos doentes, é fundamental que a sua gestão seja partilhada pela Medicina Interna e pela Medicina Geral e Familiar”, refere Telo Faria.
“Efetivamente nos últimos anos regista-se um número crescente de idosos com infeção VIH. Esta infeção é hoje uma doença com características de cronicidade e os doentes vivem muitos mais anos, clinicamente bem, chegando assim, à 3ª e 4ª idade. Por outro lado a existência no mercado, de fármacos para a disfunção erétil permitem a doentes o retomar da vida sexual ativa sendo assim potenciais infetados, se tiverem comportamentos sexuais de risco, além de poderem posteriormente infetar outros parceiros ou parceiras”, realça o especialista.
Telo Faria recorda ainda que “a epidemia em Portugal afeta as populações com comportamentos particularmente vulneráveis. Neste contexto, a percentagem de infetados ultrapassa os 5 por cento. Por outro lado a percentagem de diagnósticos tardios chegam a ser superiores a 60 por cento, o dobro da média europeia.” O coordenar do Núcleo da Doença VIH justifica estes números através dos fatores de organização dos Serviços de Saúde, à ausência de campanhas dirigidas a grupos de populações com vulnerabilidades particulares, e a fatores de ordem socioculturais complexos. Contudo, refere, tem havido um esforço nos últimos anos, para inverter esta situação.

Aumentam infetados pelo VIH. Autoridades aconselham a fazer o teste

De acordo com o relatório Infeção por VIH, Sida e Tuberculose em números — 2015, hoje apresentado em Lisboa, mais de um quarto dos novos casos notificados em 2014 ocorreram em pessoas com 50 ou mais anos de idade e 6,5% em pessoas acima de 65 anos.
Para o diretor do Programa Nacional para a Infeção VIH/Sida, António Diniz, registou-se novamente um aumento da frequência de casos em pessoas com mais de 50 e 65 anos.
Por esta razão, as autoridades aconselham a realização de um teste ao VIH a todas as pessoas com mais de 18 anos e não apenas às menores de 65 anos, como faziam até então.
Em 2014, registaram-se sete novos casos de VIH em pessoas com mais de 80 anos, 15 entre os 75 e os 79 anos, 19 entre os 70 e os 74 anos e 41 entre os 65 e os 69 anos.
O documento indica que, desde o início da epidemia em Portugal, 74,2% dos casos notificados ocorreram no grupo etário 20-44 anos e 14,6% em pessoas acima dos 49 anos.
Em 2014 voltou a registar-se uma descida de casos entre os 20-44 anos.
Em termos geográficos, as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e o Algarve concentraram 68,5% dos novos casos de VIH.
“Devem, por isso, adotar-se medidas específicas para estas regiões, nomeadamente para a área metropolitana de Lisboa”, defendem os autores do relatório.
No ano em análise, a transmissão mãe-filho da infeção por VIH registou um acréscimo do número de casos: quatro (três em 2013).
“Mesmo considerando a reduzida expressão numérica e a dificuldade de controlo de situações de afluxo de pessoas provenientes de outros países no período final de gravidez, este acréscimo deve incentivar a melhoria da estratégia de diagnóstico e adesão ao seguimento médico regular durante a gravidez das mulheres infetadas por VIH”, lê-se no documento.
Em Portugal continua a predominar a transmissão por via heterossexual, assistindo-se a um acréscimo progressivo nos homens que têm sexo com homens.
Quanto aos utilizadores de drogas injetáveis, a taxa de infeção é agora inferior à média europeia.
António Diniz sublinhou ainda a proporção de novos casos de infeção por VIH com sífilis (6,3 por cento).
O responsável do programa avançou com a estimativa de 0,6 por cento de pessoas a viverem infetadas pelo VIH em Portugal, o que totaliza 59.365 cidadãos.
Em 2014 registaram-se 1.220 novos casos de VIH: 876 homens e 344 mulheres.
Destes, 18,3 por cento apresentavam já sida.

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