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Síria: 18 pessoas mortas por ataque aéreo com gás tóxico

Segundo a organização não-governamental, o ataque ocorreu na localidade de Khan Cheikhoun, na província de Idleb.

O observatório indica que as pessoas morreram asfixiadas, mas não foi ainda possível determinar a natureza do gás utilizado.

“Vergonhoso”, diz o Presidente da Síria sobre o relatório da Amnistia Internacional

Numa entrevista emitida hoje por dois ‘media’ franceses — Europe 1 e TF1 –, Assad sustentou que o relatório da AI, que denuncia até 13 mil execuções naquela prisão localizada perto da capital síria, Damasco, “se baseia em alegações” e que “não fala de factos”.

O Presidente sírio insistiu que “apenas” se facultam os nomes de 36 pessoas executadas, que os autores do estudo entrevistaram “opositores” e “desertores”, que tudo o que se faz na prisão de Saydnaya é “legal”, frisando ainda que a pena de morte também é legal na Síria desde a independência do país, pelo que o governo pode utilizá-la “de acordo com a lei”.

Também garantiu que, contra o que sustenta a AI, não existe tortura.

“Para quê torturar?”, “O que é que ganhamos?” — foram algumas das respostas sob a forma de pergunta de Assad.

“Se cometêssemos tais atrocidades, estaríamos a fazer o jogo dos terroristas (…) e não teríamos o apoio popular que temos ao fim de seis anos” de conflito, afirmou.

Quando questionado se se sente legitimado para continuar à frente do seu país, depois de 17 anos no poder e de uma guerra que fez 300 mil mortos, o Presidente sírio respondeu que o regime luta “contra o terrorismo para defender o povo”, que tal “é um dever que deriva da Constituição e da lei” e que, caso não o fizesse, existiriam mais cidadãos sírios mortos.

Sobre a possibilidade de convocar eleições, argumentou que tal irá suceder no final da guerra, altura em que poderá contemplar-se “todo o tipo de soluções”, mas até lá a única questão é se o povo o apoia na contenda ou não.

A Amnistia Internacional acusou, no início do mês, o governo sírio de ter praticado “uma campanha calculada de execuções extrajudiciais” entre 2011 e 2015, na prisão de Saydnaya, que resultou em 13 mil mortos, na sua maioria civis.

“Entre 2011 e 2015, todas as semanas e muitas vezes duas vezes por semana, grupos de até 50 pessoas eram levadas das suas celas prisionais e enforcadas. Em cinco anos, até 13 mil pessoas, a maioria deles civis considerados opositores do governo, foram enforcadas em segredo em Saydnaya”, segundo o relatório da AI com o título “Matadouro Humano: Enforcamentos e extermínio em massa na Prisão de Saydnaya, Síria”.

A Amnistia Internacional fala mesmo em “políticas de extermínio” e considera que “estas práticas, que constituem crimes de guerra e crimes contra a humanidade, são autorizadas aos mais altos níveis do governo sírio”.

A investigação, que decorreu de dezembro de 2015 a dezembro de 2016, envolveu entrevistas em primeira mão com 84 testemunhas – incluindo antigos guardas, responsáveis e reclusos de Saydnaya, juizes e advogados, bem como especialistas em detenções na Síria.

Nenhum dos condenados ao enforcamento na prisão de Saydnaya teve direito a um procedimento remotamente parecido sequer com um julgamento, segundo a AI.

Início de negociações de paz sobre a Síria

Representantes do regime sírio e dos grupos rebeldes sentaram-se na mesma mesa redonda, na primeira sessão das negociações de paz, aberta com um discurso do ministro dos Negócios Estrangeiros do Cazaquistão, Kaïrat Abdrakhmanov, constatou um correspondente da AFP.

As conversações de paz sobre a Síria em Astana foram convocadas graças a um pacto entre Moscovo, que apoia o Governo sírio, e Ancara, que dá respaldo à oposição síria.

Estes dois países, junto com o Irão, foram os artífices do cessar de hostilidades que entrou em vigor na Síria a 30 de dezembro.

A guerra na Síria começou em março de 2011 e provocou já mais de 300 mil mortos, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

“Olá amigos, como estão? Eu estou bem. Estou a melhorar sem medicamentos e com demasiados bombardeamentos. Tenho saudades vossas”,

Ontem, a conta de Bana foi desativada durante várias horas e o paradeiro da família era incerto. No domingo, as forças governamentais sírias avançaram sobre Aleppo e começaram a bombardear intensamente a parte leste da cidade, controlada pelos rebeldes, e onde a criança vivia com a família – os pais e dois irmãos.

“A nossa casa foi danificada num bombardeamento”, disse à AFP Ghassan, o pai de Bana, ao telefone de Aleppo. Referindo que a família se encontra bem, assinalou que a ligação à Internet é muito débil naquela zona da cidade.

A última mensagem partilhada na conta do Twitter de Bana, já esta terça-feira, é assinada pela menina e diz apenas: “Olá amigos, como estão? Eu estou bem. Estou a melhorar sem medicamentos e com demasiados bombardeamentos. Tenho saudades vossas”.

A mensagem de ontem era assinada pela mão de Bana, que dizia que a família estava sob ataque e pedia aos seguidores – que já são mais de 200 mil – que rezassem por eles. Foi a primeira mensagem partilhada desde domingo, dia em que a conta foi desativada após uma mensagem, também assinada por Fatemah, que dava conta das investidas do exército sírio, despedindo-se do mundo.

A história de Bana chegou mesmo a atrair a atenção de JK Rowling, a autora da saga de Harry Potter, que lhe enviou todos os livros da história depois de a menina ter escrito que gostava de ler para “esquecer a guerra”. Quando a conta foi apagada, JK Rowling inquiriu nas redes sociais sobre o paradeiro de Bana.

Já os apoiantes do presidente sírio, Bashar al-Assad, têm utilizado o Twitter para criticar a criança e a mãe, chegando a fazer-lhes ameaças de morte. O próprio Assad já defendeu que as imagens colocadas na rede social por Bana serviam para promover “terroristas ou os seus apoiantes”. “Agora é um jogo, de propaganda, de media. As pessoas podem ver tudo e empatizar com cada vídeo e imagem que veem. Mas a nossa missão, enquanto governo, é lidar com a realidade”, disse Assad em entrevista à emissora dinamarquesa TV2.

Eliminada conta no Twitter de criança que relatava a guerra na Síria

A conta no Twitter de Bana Alabed, a menina de sete anos que relatava o terror de viver em guerra na cidade síria de Aleppo, foi apagada depois das forças do governo forçarem entrada na cidade, bombardeando intensamente a parte controlada pelos rebeldes.

Seguida por mais de 100 mil pessoas, a criança partilhava vídeos em que mostrava as ruínas da cidade após os bombardeamentos. Nas várias mensagens que partilhava nas redes sociais, a menina lamentava os ataques e contava como as casas dos amigos eram bombardeadas e os companheiros iam morrendo às mãos dos rebeldes e do exército.

Foi Fatemah, a mãe de Bana, cuja família vivia na parte leste de Aleppo controlada pelos rebeldes – e constantemente sujeita aos ataque do exército do regime sírio – quem escreveu uma espécie de mensagem de despedida, antes de a conta no Twitter ter sido apagada, no passado domingo. “Temos a certeza de que o exército está a capturar-nos agora. Vemo-nos noutro dia, querido mundo. Adeus”.

Desde que a conta foi apagada, nada se sabe sobre o paradeiro de Bana, que tinha mais dois irmãos, de três e cinco anos, e dizia que queria ser professora.

Desde que começou a ofensiva do exército sírio em Aleppo, no domingo, já terão morrido cerca de 300 pessoas no leste da cidade, onde Bana vivia com a família, e acredita-se que pelo menos 250 mil habitantes estarão enclausurados nas áreas controladas pelos rebeldes. Stephen O’Brien, o líder da ONU para os assuntos humanitários, citado pela BBC, já veio dizer que Aleppo corre o risco de se tornar num gigantesco cemitério, acrescentando que nas zonas controladas pela oposição a fome é tanta que resta apenas aos sírios vasculhar as ruínas e detritos à procura de comida.

Que toda a sorte do mundo te acompanhe Bana Alabed!

A menina síria de sete anos que ficou conhecida no final do verão, quando abriu uma conta na conhecida rede social, para contar ao mundo o que a sua família passa, diariamente, debaixo de fogo.

“Não temos casa. Tenho alguns ferimentos. Não durmo desde ontem. Tenho fome. Quero viver. Não quero morrer”, lê-se num post publicado na segunda-feira. “Mensagem: estamos em fuga desde que morreram mais pessoas sob fortes bombardeamentos. Lutamos pelas nossas vidas”, escrevera a mãe de Bana, Fatamah, momentos antes.

O tom de desespero aumentou porque nas últimas horas, segundo os relatos internacionais, a situação agravou-se. Já antes disto, a família alertara que a internet começava a falhar – a família de Bana vive na zona leste da cidade, a mais poupada aos bombardeamentos, permitindo alguma comunicação com o exterior – e apelava: “por favor, rezem por nós.” Lembrava ainda que permanecem perto de 200 mil pessoas em Aleppo e despedia-se com um “Adeus”. É pouco depois que a imagem da menina, cheia de pó, aparece online, dando conta do ataque à sua casa e dos mortos em volta.

Secretário-geral da ONU exige fim de combates na Síria

“Apelo a todos com influência que consigam o fim dos combates e o início de negociações” para uma transição política, defendeu, quando chegou ao fim uma trégua no terreno.

Ban Ki-moon acusou o regime sírio de cometer os piores assassínios e declarou que o futuro do país não pode depender do destino do presidente Bashar al-Assad.

“Muitos grupos mataram civis inocentes, mas nenhum matou tanto quanto o governo sírio que continua a utilizar baris de explosivos contra zonas residenciais e a torturar sistematicamente prisioneiros”, afirmou.

Ban criticou os múltiplos protagonistas que “alimentam a máquina de guerra”, sublinhando a presença na sala da Assembleia de governos que “facilitaram, financiaram ou participaram nas atrocidades cometidas por todas as partes em conflito”.

O conflito na Síria é “o que faz mais mortos e semeia mais instabilidade”, disse.

O diplomata sul-coreano denunciou o ataque na segunda-feira contra um comboio humanitário da ONU e do Crescente Vermelho na região de Alepo (norte).

“Trata-se de um ataque repugnante, selvagem e aparentemente deliberado”, que forçou as Nações Unidas a suspender as suas operações humanitárias”, acrescentou, qualificando os trabalhadores humanitários na Síria “de heróis” e os seus agressores “de cobardes que responderão pelos seus crimes”.

Cerca de 20 civis e um membro da equipa do Crescente Vermelho Árabe Sírio [organização federada com a Cruz Vermelha] foram mortos no ataque, que destruiu uma grande parte da ajuda, indicou a Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV/CV), em comunicado.

A guerra na Síria, que começou em 2011, fez 300 mil mortos e milhões de refugiados, deverá dominar os trabalhos da 71.ª sessão da Assembleia-geral da ONU.

Os Estados Unidos e a Rússia presidiam hoje, em Nova Iorque, a uma reunião internacional crucial sobre a Síria para tentar salvar o processo diplomático.

O grupo internacional de apoio à Síria, composto por 23 países e organizações internacionais, vai tentar recuperar a trégua decidida a 09 de setembro por Washington e Moscovo.

ONU suspende distribuição de ajuda humanitária na Síria

As Nações Unidas decidiram “suspender todas as movimentações de camiões com ajuda humanitária até ser reavaliada a situação de segurança”, afirmou o porta-voz Jens Laerke. O anúncio foi feito depois de uma coluna com ajuda humanitária ter sido atacada e de 18 dos seus camiões terem ficado destruídos. Os Estados Unidos apontam o dedo à Rússia, acusando o país de não ter controlado as forças de Bashar al-Assad.

Os camiões do Crescente Vermelho da Síria transportavam alimentos fornecidos pelas Nações Unidas para acudir a 78 mil pessoas que estão isoladas pela guerra, numa zona rural a oeste da cidade de Alepo. O ataque, perto da cidade de Urm al-Kubra, terá feito pelo menos 12 mortos (o número ainda não foi oficialmente confirmado) e deixou 18 dos 31 camiões destruídos. Uma testemunha afirmou à Reuters por telefone que os veículos estavam parados num centro do Crescente Vermelho quando foram atingidos por cinco mísseis.

Jens Laerke adiantou que a ONU tinha recebido autorização do Governo sírio para distribuir ajuda nas áreas cercadas do país.

“Isto é muito preocupante. Vemos o retomar da violência, uma intensificação dos combates em muitos locais”, comentou à Reuters Robert Mardini, director do Comité Internacional da Cruz Vermelha no Médio Oriente e Norte de África. “Tínhamos [distribuição] planeada para quatro cidades, mas para já foi suspenso para reavaliar a situação de segurança”, acrescentou, referindo-se às cidades de Foua e Kefraya em Idlib, nas mãos dos rebeldes, e Madaya e Zabadani, controladas pelo Exército.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, o raide foi lançado por aviões russos ou sírios, poucas horas depois de ter sido declarado o fim das tréguas negociadas entre os Estados Unidos e a Rússia.

Washington pretende agora “reavaliar as perspectivas de cooperação” com Moscovo: “O destino desta coluna era do conhecimento do regime sírio e da Federação Russa”, afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, John Kirby, citado pela BBC. “E mesmo assim, estes funcionários humanitários foram mortos enquanto tentavam levar ajuda ao povo sírio.”

Em declarações ao Guardian, um alto responsável norte-americano foi mais longe: “A esta altura ainda não sabemos se foram os russos ou o regime. Em qualquer dos casos, os russos têm certamente a responsabilidade de contenção – a contenção de fazerem eles próprios actos destes, mas também a responsabilidade de impedir o regime de os fazer”, afirmou.

Por seu lado, o Exército russo prepara “um inquérito sobre estas informações”, declarou aos jornalistas o porta-voz do Kremlin Dmitri Peskov, citado pela AFP.

Damasco não comentou ainda o incidente, que para o responsável da ONU pelo auxílio humanitário Stephen O’Brien será um crime de guerra caso se conclua que foi um ataque intencional. “Apelo a uma investigação imediata, imparcial e independente a este incidente mortal”, declarou O’Brien, citado pelo diário britânico. “Os autores devem saber que um dia serão responsabilizados pelas violações às leis humanitárias e de direitos humanos internacionais”.

O secretário de Estado americano, John Kerry, tinha apresentado a trégua como a “última hipótese para salvar uma Síria unida”. Mas os seus sete dias de vida chegaram ao fim na segunda-feira, com Damasco a acusar os rebeldes de não terem respeitado “nem uma das disposições” do acordo alcançado pelos EUA e a Rússia – e com os militares de Moscovo a declarar que “não tem sentido” o exército sírio cumprir unilateralmente o cessar-fogo.

O ataque que por engano matou mais de 60 soldados sírios em Deir Ezzor (Leste), que a coligação internacional liderada pelos EUA confundiu com combatentes do Estado Islâmico, deu o golpe de misericórdia no acordo já frágil.

Horas depois do anúncio do colapso do cessar-fogo, já Alepo (a segunda cidade do país) estava a ser novamente fustigada por ataques aéreos lançados pelas forças do Governo com o apoio da aviação russa. Segundo a agência RIA, citando a Defesa de Moscovo, foram mortos 40 rebeldes. Um correspondente da AFP afirma que as bombas caíram até às duas da manhã desta terça-feira (meia-noite em Lisboa), com a população fechada em casa, e que de manhã os ataques foram retomados de forma intermitente.

Alepo não foi o único alvo. Ainda segundo a AFP, em Talbisseh, perto de Homs (no Centro do país), houve tiros de artilharia. Na província de Idleb (Noroeste), aviões sobrevoaram a localidade de Salqine, controlada pela Frente Fatah al-Sham (ex-Frente al Nusra) juntamente com grupos rebeldes islamistas, indicou um combatente desta região, Nayef Mustafa. “A calma reina agora mas os aparelhos dispararam tiros de metralhadoras durante a noite”, afirmou.

ONU SUSPENDE AJUDA HUMANITÁRIA NA SÍRIA

O porta-voz da ONU diz que “neste momento, as operações de socorro na Síria foram suspensas e as posições no terreno serão reavaliadas”.

O Crescente Vermelho e as Nações Unidas consideram esta uma “violação inaceitável do direito internacional“.

O ataque aos 18 camiões aconteceu poucas horas depois do fim da trégua, acordada entre Estados Unidos e Rússia, para que a ajuda humanitária chegasse às populações, nomeadamente à cidade síria de Alepo. 12 pessoas, entre socorristas e motoristas, morreram na sequência deste ataque.

Ninguém assumiu a responsabilidade pelo ato Ainda não existem certezas se o bombardeamento aconteceu por via aérea ou através de engenhos disparados a partir do terreno.

Esta notícia saí no mesmo dia em que é confirmado pelas Nações Unidas o atravessamento do Mar Mediterrâneo por 300 mil refugiados desde o início do ano.

Ataque a equipa de ajuda humanitária faz 12 mortos em Alepo

Um ataque atribuído por ativistas às forças leais ao regime de Bashar al-Assad contra uma equipa humanitária na província síria de Alepo provocou pelo menos 12 mortos na madrugada desta terça-feira. A ONU já confirmou que os camiões que transportavam ajuda humanitária da organização foram atingidos a partir do ar enquanto descarregavam comida e medicamentos num armazém do Crescente Vermelho Sírio perto da cidade de Urem al-Kubra, sem avançar mais detalhes

Ativistas no terreno dizem que o bombardeamento aéreo atingiu um conjunto de camiões de ajuda humanitária poucas horas depois de o Exército sírio ter declarado o fim do cessar-fogo de sete dias negociado entre os EUA e a Rússia, implementado ao início de terça-feira da semana passada e que terminava esta madrugada.

Os Estados Unidos dizem-se “ultrajados” com o ataque e garantem que vão “reavaliar futuras perspetivas de cooperação” com a Rússia, pondo em causa o acordo de cessação de hostilidades alcançado em Genebra e sob o qual Washington e Moscovo iriam lançar ações conjuntas inéditas para combater o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) e outros jiadistas na Síria caso a trégua fosse respeitada.

“O destino desta coluna [de ajuda humanitária] era conhecido do regime sírio e da Federação russa e ainda assim os trabalhadores foram mortos enquanto tentavam distribuir ajuda pelo povo sírio”, acusou John Kirby, porta-voz do Departamento de Estado norte-americano. “Os Estados Unidos vão abordar este assunto diretamente com a Rússia. Dada a violação egrégia da cessação de hostilidades iremos reavaliar as perspetivas futuras de cooperação com a Rússia.”

“Não sabemos se podemos salvar” o acordo, acrescentou fonte sénior das forças americanas na Síria sob anonimato, sugerindo que os EUA responsabilizam diretamente Moscovo pelo ataque desta madrugada. “Nesta altura os russos têm de demonstrar rapidamente a seriedade do seu propósito, porque de outra forma não haverá nada para alargar nem nada para salvar.”

Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, um grupo de observação da guerra da Síria com sede em Londres, o ataque foi executado ou pelas forças sírias ou pela aviação russa que está a apoiar Assad e entre os mortos incluem-se voluntários do Crescente Vermelho Sírio Árabe e motoristas dos camiões. Damasco ainda não comentou o acontecimento.

A partir de Nova Iorque, onde os líderes mundiais estão reunidos esta semana para a assembleia-geral da ONU, Stephen O’Brien condenou o “ataque insensível” e sugeriu que pode corresponder a um crime de guerra. “Deixem-me ser claro: se for apurado que este ataque insensível foi deliberado e que tinha como alvo os humanitários, corresponde a um crime de guerra”, sublinhou o responsável da organização pela ajuda humanitária. “Peço uma investigação imediata, imparcial e independente a este incidente fatal. Os perpetradores devem saber que um dia serão responsabilizados por violações da lei internacional de direitos humanos.”

Pelo menos 18 dos 31 camiões da equipa, que iam distribuir ajudar humanitária a cerca de 78 mil sírios, foram atingidos, disse um outro porta-voz da ONU. Uma testemunha no terreno disse à Reuters pelo telefone que foram disparados cinco mísseis contra os camiões, na altura em que se encontravam estacionados num centro gerido pelo Crescente Vermelho Sírio, ligado à Cruz Vermelha Internacional.

O ataque acontece depois de um fim-de-semana de alta tensão entre a coligação internacional liderada pelos Estados Unidos e a Rússia aliada de Bashar al-Assad por causa de um ataque que provocou a morte de 62 soldados sírios. Esse bombardeamento em Deir ez-Zor foi assumido pelo Pentágono, que disse lamentar a perda de vidas e explicou que a posição das tropas sírias foi confundida com um alvo do Daesh naquela cidade.

Ativistas em Alepo dizem que, assim que as forças sírias declararam o fim do cessar-fogo, a província foi atingida por uma série de outros ataques, uma informação confirmada pelo correspondente da AFP dentro da cidade de Alepo, que fala em bombardeamentos sem descanso ao longo da madrugada. No domingo já tinham sido avançadas informações de ataques com mísseis a bairros do leste da cidade de Alepo sob controlo dos rebeldes.

Esta terça-feira, de acordo com informações do Departamento de Estado norte-americano, as autoridades dos EUA e da Rússia vão voltar a reunir-se em Nova Iorque para discutir a situação na Síria, numa altura em que o colapso do acordo de cessar-fogo parece cada vez mais certo.

A entrega de ajuda humanitária às áreas sitiadas da Síria, em particular a Alepo, era uma parte essencial da trégua alcançada no sábado da semana passada. O Crescente Vermelho diz que conseguiu entregar ajuda na cidade de Talbiseh, na província de Homs, mas sublinha que a maior parte dos carregamentos continuam por distribuir.

Por sua vez, a ONU confirmou já ter recebido luz verde do Governo sírio para distribuir ajuda em zonas sitiadas de difícil acesso mas fontes da organização no terreno dizem que a missão continua difícil de executar por causa dos combates, da insegurança e dos atrasos administrativos.

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