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“Acredito que as mulheres conquistam naturalmente o seu espaço”

Trabalha na ASL Associados desde 2008… Nestes nove anos quais foram as suas maiores conquistas? Que aspetos estão enraizados na cultura da empresa e que são motivo de orgulho para si?

A cultura organizacional da ASL é marcada pelo seu fundador Eng. António Lessa e pelo grupo de pessoas que com ele iniciaram este caminho. A atitude do fundador, o seu comportamento, a sua visão do mundo, da natureza humana e do próprio negócio, acabaram por ir moldando a organização, conferindo-lhe características únicas e diferenciadoras da concorrência. Eu identifico-me com esse valores e como sócia apenas ajudo a por em prática essa visão.

Sinto muito orgulho na contribuição que dei para a acreditação do laboratório de ensaios acústicos (pela NP EN ISO/IEC 17025) e na certificação da ASL pela norma ISO9001:2015, pois fomos a primeira empresa portuguesa de engenharia a conseguir essa certificação. Também ajudei a alavancar a área de projeto relacionada com a segurança contra risco de incêndio e a área comercial da empresa. Outro aspeto interessante é que na ASL temos igual número de engenheiros e engenheiras e estamos muito satisfeitos com esta paridade.

Enquanto responsável pela coordenação de projeto da ASL, que projetos estão neste momento em curso que lhe dão um gosto especial?

Alguns dos trabalhos que estamos a desenvolver no setor público, industrial e hoteleiro é sigiloso, não estamos autorizados a divulgar nesta fase. Porém, a ASL desenvolveu os projetos de todas especialidades de seis estações de comboio para a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), o projeto da requalificação do Complexo Desportivo de Ramalde, a ampliação de uma unidade de produção da fábrica de chocolates Imperial, fizemos a análise de interferências em BIM dos projetos de especialidades do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, entre outros. No setor dos projetos de reabilitação urbana de edifícios no Porto e da certificação energética somos, claramente, um dos principais players do mercado nacional.

O que espera das equipas que coordena? Por outro lado, o que julga que esperarão elas de si enquanto líder?

Recentemente li um livro que me marcou «Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes», do Stephen Covey e nesse livro há uma explicação interessante sobre o que é a liderança. Para mim fez todo o sentido. Imaginem um grupo de lenhadores com machados a abrir caminho numa floresta. Os lenhadores (produtores) são solucionadores de problemas, eles limpam o terreno e depois cultivam-no. Os gestores seguem atrás deles, afiando os machados, criando condições para que os lenhadores façam o seu trabalho de forma melhor e mais rápida. Redigem manuais de procedimentos, elaboram programas de desenvolvimento muscular, introduzem tecnologias mais eficientes e organizam os turnos dos produtores. O líder é aquele que sobe à árvore mais alta da floresta, estuda a situação no seu conjunto e diz: «Estamos na floresta errada!». Perante isto, é frequente os gestores e os produtores reagirem da seguinte forma «Cala-te! Estamos a avançar.»

Ou seja, as equipas que coordeno esperam que eu me mantenha íntegra na tomada de decisões e que possam desenvolver uma relação de confiança comigo. Eu espero que as equipas que lidero sejam competentes, responsáveis e tenham orgulho e brio no trabalho que produzem.

Que principais diferenças pode apontar à forma de trabalhar em Portugal comparativamente com o mundo laboral brasileiro no que diz respeito às oportunidades dadas às mulheres?

Penso que não existem muitas diferenças. No Brasil, de forma geral, a legislação protege muito o trabalhador e a mulher. Observo que grande parte das vezes, as minhas interlocutoras que tinham a função de representar o dono de obra ou o investidor, empresas de gestão ou revisão de projeto são mulheres formadas em engenharia.

A engenharia era uma profissão predominantemente masculina mas que hoje começa a tomar outros contornos e a abrir-se perante o público feminino. De acordo com a sua experiência, na engenharia e na sociedade em geral, as mulheres já alcançaram o seu espaço ou existirá ainda algum tipo de estigma associado?

A única situação que me lembro de sentir descriminada foi num encontro de negócios com um iraniano. O objetivo era o estabelecimento de parcerias com empresas iranianas de investimento em projetos de construção civil, apresentei-me com um sorriso e estendi a mão para o cumprimentar e ele virou a cara. Nesse momento senti que o facto de ser mulher iria criar entraves ao sucesso da negociação e ao propósito da reunião. Ele estava sem jeito e eu também me sentia mal. Na perspetiva dele, por questões religiosas e de educação, uma mulher não estaria à altura dele para negociar. Mas à parte deste episódio, não me lembro de sentir descriminação pelo facto de ser mulher, nem conheço pessoalmente casos em que isso tenha acontecido. Sempre fui tratada de igual forma durante o meu percurso escolar e profissional.

Mas é um facto que existe descriminação noutros setores de atividade e da sociedade, devemos estar atentos e combater a desigualdade de géneros.

Considera que tal espaço é ganho de forma igual ou as mulheres têm sempre mais a provar face aos homens? Como foi no seu caso?

Há mulheres muito interessantes em todas as áreas, muito competentes e inteligentes. Eu estou constantemente a deparar-me com mulheres incríveis nas mais diversas áreas, na engenharia, na arquitetura, mas também no jornalismo, nas artes, na literatura. Confesso que, geralmente, quando gosto de uma obra ou de um texto, quando vou a verificar é da autoria de uma mulher. Efetivamente, as mulheres têm uma sensibilidade e uma forma de ver (sentir) o mundo que lhes dá uma certa diferenciação. Mas, homens ou mulheres, somos todos seres humanos. Sinceramente, no meu dia-a-dia não penso muito nisto, acredito que as mulheres conquistam naturalmente o seu espaço na sociedade, na família e no trabalho.

Que sugestões gostaria de deixar às mulheres que estão a pensar seguir uma carreira em Engenharia Civil? O que há de mais importante a ter em conta?

As mulheres que pretendam seguir uma carreira em engenharia civil não devem hesitar. Força! Um engenheiro civil tem uma área de atuação muito vasta, portanto é fácil encaixar, se não for na área de projeto, existe a fiscalização, a direção técnica de obras e não podemos esquecer que grande parte dos políticos e das pessoas que ocupam cargos em administrações de empresas são engenheiros.

Os engenheiros dominam softwares específicos de cálculo, aspetos jurídicos, financeiros e dominam a legislação. Os engenheiros têm um papel fundamental no desenvolvimento das sociedades, na construção de importantes edifícios públicos (hospitais, escolas, museus…), na abertura de novas vias de comunicação, na aproximação de populações e na criação de condições de estímulo económico. Existem em Portugal universidades de excelência o que permite aos engenheiros civis terem uma boa preparação académica e adquirir uma visão transversal e pragmática da realidade.

Também importante é, não esquecerem os‘’soft skills’’, manterem sempre uma atitude positiva e proactiva, manterem a elegância e não se tentarem ‘’masculinizar’’ para se fazerem ouvir. Procurar primeiro compreender, para depois ser compreendido. Ter sempre o seu foco onde se quer chegar, na solução do problema, começando as tarefas com um fim em mente.

Estou certa que na vida, a única coisa fundamental e com que vale a pena nos preocuparmos mesmo é, em sermos felizes. Claro que o trabalho ocupa uma fatia importante do nosso tempo, por isso, o ideal é trabalhamos sempre com paixão e adotarmos um dos lemas do Steve Jobs «The only way to do great work is to love what you do».

ASL Associados, uma empresa onde se trabalha com paixão

Equipa ASL

Sempre que seja viável, António Lessa defende “categoricamente” a reabilitação urbana. Porque reabilitar “significa respeitar os edifícios e a sua originalidade, mas dotá-los de condições de conforto, de bom desempenho acústico e térmico, entre outras valências”. Porque reabilitar significa dar uma nova vida aos centros das cidades e às zonas históricas. No Porto, cidade onde se encontra sediada a ASL Associados, houve um “conjunto de fatores” que promoveram a reabilitação em detrimento da construção de raiz. Após lidar com uma situação de desertificação, foi necessário promover o regresso não apenas de habitantes, mas também de turistas. Neste contexto, os voos low-cost tiveram aqui um papel determinante. Por outro lado, a queda dos financiamentos, a crise económica e o empenho por parte dos agentes políticos permitiram um novo olhar sobre a cidade invicta.

Deste modo, a reabilitação tornou-se um conceito cada vez mais procurado e, neste sentido, a ASL Associados apresenta-se como o parceiro ideal. António Lessa assume que, no âmbito da reabilitação urbana, se diferenciam da concorrência pela experiência neste tipo de projetos, pelo “diagnóstico” realizado aos edifícios e pela visão integrada que têm do projeto. Neste contexto, António Lessa adianta que “nos dois últimos anos fomos responsáveis pelos projetos de 50 prédios, só no centro da cidade do Porto”.

A reabilitação pretende manter os materiais e estruturas existentes recuperando-as e reforçando-as, para se manter os detalhes de época, aliando a introdução de novos elementos capazes de satisfazer e adaptar o edifício às necessidades contemporâneas de habitação.
Por outro lado, assumem ainda o papel de gestores de obras, através do qual executam a fiscalização e o acompanhamento total do projeto. Um terceiro fator que coloca a ASL Associados numa posição de destaque é a realização de “projetos ao nível das várias disciplinas da engenharia”, seja “engenharia civil, eletrotécnica ou mecânica”. Sónia Gomes afirma que a grande mais-valia é a possibilidade de o cliente “falar com um único interlocutor”. E, neste contexto, refere a importância de uma equipa organizada, flexível e com condições para comunicar entre si. António Lessa reitera esta afirmação, explicando que “com a ASL, fala com o coordenador de projeto” e, desta forma, assegura-se a compatibilidade de especialidades, há uma melhor comunicação e a possibilidade de se perder informação é mais reduzida”.
Neste sentido, e para apresentar uma melhor qualidade de serviço, a empresa começou em 2012 a trabalhar com o Revit, um software BIM, direcionado para profissionais das áreas de engenharia. Este programa permite trabalhar com as distintas engenharias e assegurar “total compatibilidade” entre si, explica o engenheiro.

ASL há 10 anos sempre a crescer
A ASL Associados não se concentra apenas na reabilitação urbana, integrando com a mesma idoneidade projetos de construção de raiz, na área hospital, industrial, escolar e em complexos desportivos. Neste sentido, a empresa divide-se em diferentes unidades de negócio: projeto, certificação energética, fiscalização de obras, laboratório de ensaios acústicos e check-up. Pela postura com que olham os projetos a desenvolver, uma postura íntegra, baseada na qualidade e numa aliança entre estética e conforto, entidades públicas e privadas veem já a ASL como parceira de confiança. Recentemente projetaram a nova sede da Santa Casa da Misericórdia do Porto, o Hotel Pestana, na Praça do Comércio, em Lisboa, a ampliação da fábrica da Imperial, em Vila do Conde, o complexo desportivo de Ramalde, a reformulação da Escola dos Castelos, entre outros projetos. Têm ainda projetos em curso em Moçambique, Angola e Brasil, designadamente seis estações de comboio na zona de São Paulo.

Certificar para melhorar
Atualmente, a ASL Associados encontra-se em processo de obtenção da certificação ISO 9001:2015, que permite garantir que todas as metodologias de trabalho estão perfeitamente documentadas”, prestando serviços “de forma consistente e coerente”, cumprindo os requisitos legais aplicáveis, garantindo a satisfação do cliente explica Sónia Gomes. Esta certificação permite ainda “proteger a ASL contra perda de conhecimento e melhorar o desempenho e a eficácia da organização”, garante. Num momento em que a empresa se encontra em fase de consolidação, esta certificação vem promover a identificação de situações a melhorar, algo que, na opinião de António Lessa, é “extremamente gratificante”.

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