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“O Calcitrin pode afirmar a sua qualidade superior porque é produzido em ambiente certificado”

Maria do Céu Costa

Podemos livremente escolher qualquer suplemento alimentar sem efeitos prejudiciais para a saúde?
Sim, por definição do que é um género alimentício. É um facto cientificamente comprovado que as nossas escolhas alimentares afetam a nossa saúde. O velho ditado, nós somos o que comemos, é verdade. Cada célula do nosso corpo foi criada a partir dos alimentos que ingerimos, da água que bebemos e do ar que respiramos.
Além de nutrir o nosso corpo, um suplemento, que é um alimento como qualquer comida, também afeta a qualidade das nossas vidas, a nossa aparência, humores, peso, energia, o processo de envelhecimento e a nossa saúde geral e bem-estar.
Por isso existe uma roda dos alimentos com um prato padrão e proporções aconselhadas, em função da idade. Para ter um corpo saudável é necessário ingerir diariamente nutrientes de todo o tipo de alimentos da roda alimentar.
O suplemento surge como complemento de falhas nessa ingestão, portanto com o objetivo de suplementar uma dieta que não cumpre com as recomendações para um regime alimentar saudável.

Então porque é que em dezembro passado a OF instaurou uma providência cautelar para travar os anúncios publicitários ao suplemento alimentar Calcitrin MD Rapid?
Não sei!… não falei com a OF e penso que ainda hoje está por esclarecer. Foram escritas muitas coisas que não fazem sentido. Desde o primeiro momento dessa notícia – que ocorreu com um Comunicado da Ordem dos Farmacêuticos – é afirmado que o Infarmed veio desaconselhar o consumo de produtos contendo cálcio para a prevenção ou tratamento de doenças. Ora o Calcitrin MD Rapid, sendo um suplemento alimentar que contem cálcio não tem a finalidade de prevenir ou tratar alguma doença.

Mas o Bastonário insinuou que estava a ser promovido como medicamento…
Tanto quanto li, vi e ouvi não é verdade nem poderia legalmente sê-lo. Nesse aspeto estamos de acordo com o que o Infarmed informou e que é verdadeiro e sabido por todo o setor alimentar: estes produtos “não são medicamentos” e não “previnem, tratam ou diagnosticam doenças ou os seus sintomas”.
Não é esse o propósito de um suplemento alimentar e, por isso, não é o Infarmed, como Autoridade de Saúde, quem autoriza e fiscaliza estes produtos. A autoridade competente é a Direção-Geral de Agricultura e Veterinária, a quem os suplementos alimentares são notificados, e cumpre à ASAE a sua fiscalização, visto que são classificados como géneros alimentícios.

E porque é que tem cálcio?
Tem cálcio para suprir as falhas de alimentos do grupo 1 da roda dos alimentos – o grupo dos produtos lácteos e derivados. Quem não consome leite ou iogurtes, por exemplo, porque não gosta, ou evita manteiga e queijo pela gordura saturada. Como o cálcio é imprescindível, deve ser ingerido diariamente “para a manutenção de ossos normais” como está escrito na embalagem do Calcitrin.

Mas isso não está em contradição com as acusações de que esse cálcio pode, como foi afirmado pelo Bastonário da OF, constituir uma ameaça à saúde e bem-estar dos cidadãos pois pode levar a lesões graves e de difícil reparação?
Está, no sentido em que parece não ter sido percebido o tipo de produto em causa e como é ingerido – neste caso um suplemento alimentar – bem como a quantidade de cálcio de que estamos a falar. A dose diária recomendada na embalagem é de 372,8 mg de cálcio, ou seja, o correspondente a duas fatias de queijo light! Para quem come queijo, duas fatias pode ser o consumo do pequeno almoço ou de um lanche. O que se pretende é que esse consumo de cálcio se proporcione, de forma suplementada, a fim de contribuir para suprir essa falha nas refeições diárias e assim contribuir para a manutenção dos ossos normais!

Significa, afinal, que o Calcitrin é só para quem não come leite e derivados?
Não, de maneira alguma! Aliás, essas recomendações não são decididas pelos operadores económicos! Os especialistas da alimentação saudável é que estudam estas matérias e têm emitido orientações para toda a Europa a pedido da Comissão Europeia, desde que foi criada a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA- European Food Safety Authority).
No caso do cálcio há vários estudos, todos públicos e disponíveis no site da EFSA sob a forma de opiniões que acabam por ter as conclusões – que nós seguimos rigorosamente – publicadas em regulamentos no Jornal Oficial da União Europeia.
Estes são assuntos muito importantes, pois os operadores não colocam no mercado os seus produtos de forma leviana, levam muito a sério a saúde dos consumidores europeus, até porque as questões de responsabilidade são centrais no nosso sistema de regulação!
Mas voltando a quem precisa de cálcio, em boa verdade é toda a população, porque o cálcio e o fósforo são necessários para a deposição mineral e manutenção da saúde óssea durante toda a vida! E o Calcitrin não tem só cálcio, também tem fósforo, 220,8 mg na dose diária, ou seja o que existe em uma posta de 89 g de salmão cozido!

Nesse caso, porque é que a OF instaurou uma providência cautelar para travar os anúncios publicitários e considerou até que o consumo destes produtos constitui uma ameaça à saúde e bem-estar dos cidadãos pois pode levar a lesões graves e de difícil reparação?
Bom, eu sou farmacêutica e inscrita na OF, mas ainda não tive oportunidade de falar com os meus colegas para esclarecer essa questão, muito importante pelo impacto causado, tanto mais que é conhecido que a Ordem dos Farmacêuticos apresentou, no final de 2011, uma edição das Normas de Orientação Terapêutica onde recomenda Suplementos de Cálcio e Vitamina D como forma de prevenção da osteoporose e em complemento terapêutico do tratamento de fraturas provocadas por esta doença.
Cabe aqui dizer que existem vários medicamentos aprovados contendo cálcio, esses sim, na sua maioria com doses diárias recomendadas de 900 a 1200 mg de cálcio na posologia, realmente elevadas, e que, em linha com o que muito bem  afirmaram o Infarmed e a OF, se compreende que os mesmos “não são isentos de riscos para a saúde, quando utilizados em quantidades excessivas, ou, por exemplo, em indivíduos com doenças renais ou a tomar outros medicamentos”. Aliás, o folheto informativo desses medicamentos alerta nesse sentido.

Não deveria o Suplemento Alimentar ter também um Folheto para informar o consumidor sobre alguns perigos?
Não tem porque a Autoridade de segurança alimentar não considera que deva ter. Mas informa logo na rotulagem! Ao nível exigido…. para o equivalente a duas fatias de queijo light! A legislação em vigor em Portugal é muito exigente nessa matéria. Se reparar, a embalagem de Calcitrin está cheia de informação, desde “Os suplementos alimentares não devem ser utilizados como substitutos de um regime alimentar variado”, “Não exceder as dosagens recomendadas” até “O produto não deve ser utilizado …quando estejam descritas interações de outros produtos com qualquer um dos constituintes da formulação”.

Parece então que houve alguma confusão sobre o que é um medicamento e o que é um suplemento alimentar… não existem suplementos em farmácias?
Claro que existem, há farmácias cujos outdoors estão cobertos de publicidade a suplementos alimentares!

Em concreto, qual é a base científica consistente que argumenta as vantagens dos suplementos de cálcio?
Vários estudos científicos analisados pela EFSA permitiram concluir que se o fornecimento de cálcio através da ingestão alimentar diária for insuficiente para satisfazer as exigências fisiológicas observa-se uma redução na massa óssea, o que conduz a osteopenia e osteoporose, e um aumento do risco de fratura associada.
Na sua qualidade de Autoridade de Segurança Alimentar a EFSA recomenda uma ingestão de 950 mg / dia para adultos de ≥ 25 anos e publicou um regulamento europeu com as recomendações, a que se chama em Portugal alegações, que os suplementos alimentares  de cálcio devem fazer à população alvo quando destinados a suprir carências. O Calcitrin garante 1/3 das necessidades de ingestão diária de cálcio, pressupondo que o restante é ingerido nos alimentos comuns ao longo do dia.

E numa relação benefício/ riscos, como é que o suplemento de cálcio atua no organismo?
Substitui uma refeição como fonte de cálcio….garante a satisfação das necessidades de cálcio para manutenção dos ossos normais com risco nulo avaliado pela Autoridade (EFSA) que definiu um Nível máximo de ingestão tolerável (UL-Upper Level) de 2 500 mg que foi tolerado sem efeitos adversos considerando todos os ingredientes na dieta e suplementos com cálcio, com base em diferentes estudos de intervenção de longa duração,.
Há outros ingredientes da alimentação que ajudam em todo este equilíbrio: a vitamina D, o fósforo e outras como a K em quantidades dentro dos valores diários recomendados e a vitamina C, que contribui para o funcionamento normal do colagénio para o normal funcionamento das cartilagens.

Qual é o enquadramento desse regulamento europeu que referiu na legislação  nacional,  para esta categoria de produtos?
Esse regulamento europeu bem como muitos outros são diretamente aplicáveis em todos os Estados-Membros para assegurar livre circulação de géneros alimentícios seguros e sãos, e regras idênticas da União Europeia em matéria de rotulagem alimentar, informação correta e proteção do consumidor.

Em Portugal a qualidade destes produtos tem verificação regular e confiável?
Em Portugal não há uma avaliação dos pedidos de notificação dos suplementos alimentares como existe em outros países, por exemplo a Bélgica. Ou seja, os operadores informam toda a composição dos suplementos e as alegações de saúde que consideram fundamentadas, e o processo de notificação não prevê obrigatoriedade de uma opinião da Autoridade sobre o produto. Daí que a qualidade deva ser demonstrada aos consumidores por cada operador, como fator de diferenciação e livre escolha.
O Calcitrin pode afirmar a sua qualidade superior porque é produzido em ambiente certificado, com as mais elevadas exigências de controlo de qualidade, em instalações fabris modernas, tecnologicamente bem equipadas e com certificação GMP (Boas Práticas de Fabrico), que também estão aptas ao fabrico de medicamentos.

Afinal pode então haver riscos para a saúde derivados do consumo habitual destes suplementos?
Apesar de seguros, por definição, os alimentos podem interferir com um medicamento que se esteja a tomar. O alho interfere com o efeito dos anticoagulantes, e até um simples sumo pode interferir com medicamentos na terapia oncológica. As pessoas polimedicadas têm maior potencial para as chamadas interações alimento-medicamento e devem estar atentas a sintomas invulgares e falar com o seu médico.

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