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Pela sua qualidade de vida

De que forma nasce o projeto BmQ by Lara Lima? 

Fundado em 2009 em Coimbra, o Bem-me-Quero surgiu como um espaço verdadeiramente dedicado a transformar vida em qualidade de vida e bem-estar aliando a cultura da educação do corpo físico a um trabalho mais aprofundado de saúde emocional mas ainda numa abordagem inicial de Yoga e Ayurveda. Não foram precisos muitos meses para que o centro crescesse e houvesse a necessidade de procurar outras instalações que albergassem não só o centro de Yoga mas que permitissem a real expressão da Clínica de Ayurveda. Apenas uma coisa permaneceu inalterável, a sala de convívio como o coração da casa. Tinha nascido o método BmQ. Um espaço não só de práticas de Yoga e de clínica Ayurveda mas de verdadeiro e sincero convívio consciente e consequente na decisão de mudar (a alimentação, os hábitos, a disposição e principalmente o estilo de vida) em prol de uma auto-responsabilização na qualidade de vida e um interesse acrescido pela própria existência, ajudando a mudar de uma perspetiva de espectador da própria vida no mundo imediato e acelerado da atualidade, para uma nova atitude mais ligada ao ritmo natural do corpo e da natureza construindo a vida que até agora era apenas uma ambição ilusória.

O vosso foco assenta, sobretudo, na saúde e bem-estar para melhorar a qualidade de vida. Como é esta filosofia implementada na clínica? 

No BmQ todos os interessados têm uma conversa inicial com um técnico do método BmQ para que possam ser percebidos o perfil, as vontades, disponibilidades e realidades pessoal, familiar, social e financeira de forma a serem reencaminhados para a aula/consulta/terapia/ especialidade que se enquadra melhor no motivo da vinda e o propósito final da ação, seja ele a vontade de uma mudança efectiva na qualidade de vida, o apoio pontual de uma condição particular (recuperação física, acompanhamento gestacional ou pós parto, acompanhamento oncológico ou pós cirúrgico) ou exclusivamente um contacto mais directo e fidedigno com a filosofia do Yoga e do Ayurveda. A missão do método BmQ é de transformar vidas e encaminhar quem nos procura para o estilo de vida adequado ao seu perfil sem ter de se desintegrar da sociedade familiar, social, cultural e económica em que está inserido. Consciente que a importância de tocar cada um Individualmente não exclui a responsabilização Social o BmQ em parceria com a Yoga Alliance e AMAYur oferece formação profissional certificada nas áreas de Yoga (Curso de Formação em Yoga) e Ayurveda (Curso de técnico e terapeuta com supervisão de Dr Rugue Júnior). E traz, anualmente, a Portugal referências Mundiais em Yoga e Ayurveda como são exemplos: Dr Rugue (desde 2009), Drs Lele (desde 2012), Danny Sá (desde 2016), Lu Andrade (desde 2015) e recentemente Yara Koberle (2017) e Dr Mandar Bedekar (2017).

Têm ainda diversos tratamentos e terapias. Quais são eles?

O método BmQ conta com a clínica Ayurveda que está diariamente aberta para marcação de:

– Consultas Ayurveda de clínica geral (Kayacikitsa), de Acompanhamento Pré e Pós parto (Kaumarabhrtya) e de terapia tónica e de rejuvenescimento (Rasayana); – terapias de nutrição e desintoxicação específicas da clínica Ayurveda como a Abhyanga (oleação geral), Udwartana (exfoliação geral para aumento da circulação), Garshana (limpeza energética), Pinda Swedana (nutrição seguida de sudação), Swedana (sudação terapêutica), Shirodhara (nutrição cerebral), Nasya (limpeza cerebral) entre outras;

– Consultoria e acompanhamento nutricional efetuado de acordo com o diagnóstico de identificação do Dosha predominante do paciente e eventual desequilíbrio interno na origem do desconforto/patologia e sintomas que o paciente apresenta;

– Programas de Panchakarma, programa intensivo de desintoxicação e eliminação de toxinas seguida de imediata nutrição e tonificação do organismo, restaurando a vitalidade dos órgãos, a jovialidade emocional e o rejuvenescimento de dentro para fora num sentido amplo e não meramente estético. 

Na sua opinião, faz sentido distinguir medicina alternativa de medicina tradicional? Porquê? 

Claro que sim. A única forma de trabalharmos de forma integrativa é perceber efectivamente as mais valias de uma e outra medicina e isso é diferente de fundir. São duas abordagens diferentes, dois caminhos diferentes para um mesmo fim, mas ainda assim diferentes. A integração só é real se houver respeito pelas diferenças. E para existir respeito tem de haver conhecimento claro das diferenças e potencialidades de cada uma destas medicinas percebendo as diferentes abordagens de diagnóstico e de clínica. Nem todas as medicinas são efectivas para todas as pessoas. Diferentes perfis requerem diferentes abordagens. É fundamental integrar, informar, dar oportunidade de escolha. Mas é determinante respeitar a escolha. Distinguir não é sinónimo de separar mas sim de respeitar. Urge perceber que juntos somos mais fortes na realização da nossa missão: saúde, felicidade e prosperidade.

Sobre a prática das terapias… Quais diria que são os aspetos mais importantes a ter em conta para que haja evolução e alcance do bem-estar? 

Consciência de que somos responsáveis pela nossa vida a partir do momento que tomamos consciência dela. Tenho uma frase em minha casa que diz “temos apenas duas vidas. E a segunda começa quando percebemos que temos apenas uma”. Essa é a tomada de consciência. É fundamental percebermos que a Vida é um contínuo mas a nossa experiência humana é um traço definido entre nascimento e morte e o que fazemos a cada momento é determinante para a nossa qualidade de vida. Não pedimos para viver, a vida foi-nos oferecida. E como quase tudo que nos é oferecido nem sempre nos damos conta do que isso representa e alguns temos a sorte de ser chocoalhados e alertados antes de morrermos. Esses são os que têm a sorte de tomar consciência. Mas a tomada de consciência só é efectiva se vier com tomada de decisão. A decisão de viver a vida, de valorizar o milagre de cada nascer de sol e a oportunidade incrível que é participar desta existência. Tomar a consciência que somos um conjunto de ações e não apenas uma. Que somos o que fazemos repetidamente e que por isso para sermos melhores e estarmos melhores temos de trabalhar diariamente para isso. A qualidade vida e felicidade não são a meta mas sim um dos possíveis caminhos.

Alzheimer, uma resposta Global e Integrada

Equipa NeuroSer

Com o aumento da esperança média de vida, existe uma preocupação crescente com o envelhecimento da população e com uma futura “epidemia mundial de demências”. Existem, de facto, razões para tal?
Realmente, fala-se muito na preocupação com o envelhecimento da população, ainda que esta preocupação se esfume muitas vezes nas palavras e raramente se consolide em atos de verdadeiro interesse social. A idade avançada é um período frágil da vida que carece de quase tanta atenção como aquela que é dada no início da vida, pois o envelhecimento do corpo torna-o mais vulnerável do ponto de vista biológico. Criam-se assim oportunidades para o desenvolvimento de diversas formas de patologia, nomeadamente aquela que se relaciona com a função cerebral, em que se incluem as demências. A este propósito, é necessário que cada um de nós se consciencialize de que, num futuro, mais ou menos próximo, todos temos grandes possibilidades de vir a cuidar de alguém que nos é querido e que venha a sofrer de demência, ou que alguém venha a cuidar de nós.

Alexandre Castro Caldas
Alexandre Castro Caldas

Parece existir elevado “pudor” em falar de doença de Alzheimer ou de outras demências em Portugal, existindo até algum estigma associado. Tal não levará a que se perca tempo precioso, nomeadamente para um diagnóstico precoce?
Segundo os resultados de um inquérito recente, apoiado pela Direção Geral de Saúde e pela Associação Alzheimer Portugal, a demência constitui uma das doenças mais temidas pelos portugueses, logo atrás do Cancro e do AVC. Os inquiridos referiram também que a sua perceção é de que a maioria das pessoas na comunidade considera que estas pessoas deixam de poder participar em atividades de caráter social, o que reflete que existe, efetivamente, ainda um estigma associado a esta patologia. Ainda assim, têm sido dados passos importantes no sentido de tentar divulgar e de melhor informar as pessoas sobre a patologia. Um diagnóstico precoce pode revelar-se de grande utilidade para se tentar prolongar o mais possível a independência e autonomia da pessoa e também para ajudar a família a lidar com a evolução da doença.

Perante um diagnóstico de doença de Alzheimer ou de outra demência, sabendo que à data não é possível parar a sua evolução, que soluções existem?
De um ponto de vista farmacológico, existem medicamentos que permitem ajudar a controlar alguns dos sintomas, ainda que não exista qualquer fármaco que permita reabilitar ou parar a evolução da patologia. Com efeito, os livros de textos médicos relatam com minúcia os mais ínfimos detalhes moleculares que justificam o que é observável e propõem soluções parciais, claramente insuficientes face às expectativas dos que acompanham os que sofrem de demência. De um ponto de vista não farmacológico, é importante que a pessoa se mantenha o mais possível ativa, que se evite o isolamento social, assim como que se evite uma “institucionalização precoce”. Sempre que possível, a permanência da pessoa no seu ambiente familiar é de grande relevância, não só para a própria pessoa, mas também para a família, que, com a institucionalização precoce, vê muitas vezes a sobrecarga física ser ultrapassada pela sobrecarga emocional. Neste âmbito, as soluções integradas de proximidade assumem importância cada vez maior.

Que tipo de soluções integradas de proximidade?
Importa relembrar que a demência não afeta de igual forma todas as pessoas e que, mesmo para uma única pessoa, os impactos na funcionalidade vão variando ao longo do tempo. Neste sentido, uma abordagem integrada que agregue várias valências, permitindo uma intervenção de um ponto de vista cognitivo, físico, emocional e social é útil e necessária. Já começam, a surgir entidades em Portugal, como é o caso do NeuroSer, que procuram dar uma resposta especializada e integrada orientada para pessoas com demência e as suas famílias, nomeadamente em regime de ambulatório, compreendendo as limitações, mas, sobretudo, explorando as potencialidades e promovendo o mais possível a autonomia, a autoestima e a qualidade de vida da pessoa. Nestes casos, a flexibilidade e o conhecimento da patologia são importantes para se conseguir lidar com situações naturais de recusa, assim como alterações de humor e comportamentais, sem comprometer os objetivos da intervenção, que deve ser percebida numa lógica de continuidade e não pontual ou de reabilitação clássica. Tal implica, naturalmente, recursos humanos em quantidade e com formação especializada.

Estamos a falar de que recursos humanos e de que tipo de intervenções?
Para que exista verdadeiramente uma abordagem integrada, estamos a falar do envolvimento de médicos, neuropsicólogos, fisioterapeutas, terapeutas da fala, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, auxiliares, entre outros, que devem trabalhar em conjunto e partilhar os diversos pontos de vista no estabelecimento e avaliação contínua do plano de intervenção. É necessário compreender que a abordagem clássica falha por vezes nestes casos. A título de exemplo, de que serve pedir a uma pessoa numa fase mais avançada da demência para levantar o braço dez vezes, se nisso ela não vê utilidade e interesse? A resposta esperada nestes casos pode ser de recusa e, se acompanhada por insistência, uma recusa com agressividade. Tal não implica, no entanto, desconsiderar o importante papel que as intervenções podem ter, havendo que delinear uma intervenção que, ainda que com objetivos muito concretos, se adapte à situação, aos interesses e à história de vida da pessoa.

Mais concretamente…
Mais concretamente, em função da pessoa e da fase da demência, tal poderá passar por uma intervenção mais tradicional, através da realização de sessões mais estruturadas de estimulação cognitiva, fisioterapia, terapia da fala, consoante as funcionalidades afetadas ou em risco, ou por uma intervenção mais flexível, ecológica e global que inclua a realização de atividades ocupacionais, do interesse da pessoa, planeadas e orientadas por um ou mais dos especialistas antes referidos, como uma deslocação à mercearia do bairro, a um jardim ou mesmo a um museu, a realização de uma atividade de culinária, de jardinagem, de bricolagem, uma sessão de leitura conjunta, atividades com música, como a dança, o canto ou apenas escutar. Se bem planeadas e acompanhadas, através destas atividades podem ser alcançados importantes objetivos, como promover a participação e estimular novas ideias e associações; intervir ao nível a orientação, pessoal, temporal e espacial; melhorar as funções motoras, entre as quais a força e o equilíbrio; estimular a comunicação, facilitando a interação social e familiar; e contribuir para a autonomia e o bem-estar da pessoa e da família.

Por várias vezes aqui foi referida a família. Qual o seu papel?
A sociedade gerou novos conceitos, modelos e designações, das quais se destaca a designação de cuidador, considerado nuns casos formal, noutros informal, sendo que o informal é o familiar que ao mudar de nome muitas vezes se despe dos afetos e da dificuldade dos lutos. Se não forem devidamente acompanhados e apoiados os familiares, sobretudo os que assumem o papel de cuidador informal, entram em sobrecarga física e emocional, acabando também eles por adoecer. Para além de um acompanhamento emocional, assume relevância a partilha de conhecimento e de formas de atuação. O reforço das capacidades e competências contribuirá para as famílias poderem melhor adaptar a sua forma de atuar a cada circunstância e para manter a qualidade das relações familiares.

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