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31ª edição dos Prémios Dona Antónia Adelaide Ferreira

O Prémio Consagração de Carreira, atribuído nesta edição a Isabel Furtado, pretende homenagear um percurso de vida consolidado e merecedor de inequívoco reconhecimento público, e o Prémio Revelação, agora concedido a Cristina Fonseca, visa reconhecer um percurso de vida com relevância em fase de afirmação e desenvolvimento.
O prémio foi criado para prestigiar mulheres portuguesas cujo percurso de vida revele uma identificação estreita com os valores pessoais e profissionais personificados por Antónia Adelaide Ferreira. Personagem ímpar na história do Douro, Dona Antónia ficou para sempre associada à figura de empreendedora e humanista que inspirou, de forma determinante, o desenvolvimento da marca Porto Ferreira e de toda a viticultura duriense.
Isabel Furtado nasceu em Famalicão a 25 de junho de 1961. Casada e com 3 filhos, Isabel Furtado é desde 2009 CEO da TMG Automotive, empresa do Grupo que se dedica ao fabrico de interiores para automóveis. Há cerca de 1 ano, Isabel Furtado tomou posse como presidente da COTEC, sendo a primeira mulher a ocupar o cargo.
Isabel Furtado entrou para a TMG, a maior empresa têxtil nacional, em 1985 e, apesar da sua formação ser em Economia, o seu gosto pela indústria fez com que centrasse a sua carreira inicialmente nas plataformas e processos produtivos. Entre 2000 e 2005 assumiu a direção de Qualidade e Ambiente do Grupo TMG, tendo passado para membro do Conselho de Administração das empresas do Grupo Têxtil Manuel Gonçalves e Casa Agrícola de Compostela em 2005.
Desde muito jovem que estudou fora de Portugal – tendo concluído o ensino básico em Toronto, Canadá, e o secundário em Tunbridge Wells, Inglaterra. Licenciou-se em Economia pela Universidade de Manchester. Em 2014, foi agraciada pelo Presidente da República com o grau de Comendador da Ordem de Mérito Industrial.
Cristina Fonseca, investidora e empreendedora tecnológica, é co-fundadora da startup Talkdesk, empresa portuguesa que oferece soluções inovadoras para contact-centers que recentemente ascendeu ao patamar de unicórnio com uma avaliação superior a mil milhões de euros. Em janeiro de 2016, integrou a lista Forbes 30 under 30, que identifica os jovens com menos de 30 anos que estão a mudar as empresas de tecnologia, e em 2017 a Talkdesk entrava na lista Cloud 100, da Forbes, como uma das startups que se destacam a resolver alguns dos problemas das grandes empresas.
Cristina Fonseca, foi aluna do Técnico, mestre em Engenharia de Redes de Comunicações, e é uma jovem estrela do empreendedorismo. Mas para chegar ao sucesso trabalhou dia e noite na Talkdesk, a startup que criou com um ex-colega do Técnico. Há cerca de seis anos sentiu que estava na altura de mudar e deixou a Talkdesk. Hoje é Venture Partner na Indico Capital Partners onde investe e acompanha startups tecnológicas a lançar e escalar produtos globais de base tecnológica.
Além disso, integra a Singularity University Portugal, uma comunidade global que visa capacitar e inspirar líderes para aplicarem tecnologias exponenciais na resolução dos grandes desafios da humanidade, onde tem a responsabilidade de fazer apresentações e workshops sobre empreendedorismo. É co-fundadora da Cleverly e, desde abril do presente ano, membro não executivo do Conselho de Administração da Galp.

Defesa do empreendedorismo e dos valores humanistas

Criados em 1988 pelos descendentes da homenageada e pela Sogrape Vinhos, detentora da marca Porto Ferreira, os PRÉMIOS DONA ANTÓNIA ADELAIDE FERREIRA têm o intuito de distinguir, anualmente, mulheres portuguesas que se afirmam publicamente pelas suas qualidades humanas e espírito empreendedor, seguindo o excecional exemplo de vida de Dona Antónia ao contribuírem para o desenvolvimento económico, social e cultural de Portugal.
Em suma, os promotores do Prémio pretendem distinguir mulheres com um posicionamento e ideais que sigam de perto as características e a pauta de valores da “Ferreirinha”, estando a sua escolha a cargo de um Júri presidido por Artur Santos Silva.
Consultando o quadro das mulheres distinguidas até hoje, torna-se evidente a justeza do trabalho desenvolvido pelo Júri. Todas as premiadas partilham de um mesmo espírito empreendedor, capacidade de liderança, abertura à inovação e à criatividade, sentido do serviço público e sensibilidade social.

Sobre Dona Antónia Adelaide Ferreira

Dois séculos depois do nascimento de Dona Antónia Adelaide Ferreira (1811-1896), que os seus conterrâneos apelidaram carinhosamente de “Ferreirinha”, evocar esta figura ímpar da história do Douro Vinhateiro é prestar uma justa homenagem a uma mulher que se tornou um símbolo não só do empreendedorismo e da viticultura duriense, mas também um exemplo maior do altruísmo e da generosidade para com os mais necessitados.
Dona Antónia faleceu a 26 de março de 1896 quando estava prestes a completar 85 anos de uma vida intensa ao serviço da causa do Douro Vinhateiro e dos seus habitantes, principalmente os mais pobres e desfavorecidos, tendo sido sem dúvida uma das personalidades mais marcantes da história de uma das primeiras e mais importantes regiões demarcadas da viticultura em todo o Mundo.
Esta mulher franzina, mas também vibrante e corajosa, tornou-se um símbolo raro de empreendedorismo e é hoje recordada como um exemplo de tenacidade no combate ao drama e à miséria que se abateram sobre a região do Douro em consequência da praga da filoxera, destruidora de grandes vinhedos e dos sonhos de muitos agricultores arruinados. Um cenário de desolação a que a Ferreirinha soube responder com firmeza na luta contra a doença das videiras, através da investigação dos processos mais evoluídos de produção do vinho, de novas grandes plantações de vinha e de aquisições avultadas de terras e de vinhos a proprietários temerosos e descapitalizados.
Herdeira de uma família abastada do Douro com uma importante atividade no cultivo da vinha e na produção de Vinho do Porto, Dona Antónia viu-se na contingência, aos 33 anos de idade, após ter enviuvado, de assumir a liderança dos negócios familiares e de desenvolver aquela que viria a ser a casa FERREIRA – missão que cumpriu com raro brilhantismo, revelando uma extraordinária vocação empresarial.
Mas Dona Antónia não se limitou a gerir a fortuna recebida por herança. Antes investiu, de forma apaixonada e intensa, na Região do Douro que tanto amou, sem esperar pela proteção ou apoio do Estado. Da Ferreirinha se dizia que era generosa com os pobres e mais fracos, mas altiva com os mais ricos e poderosos; e que estava com a mesma naturalidade em casa dos trabalhadores mais modestos ou no Palácio Real. Todos estes atributos, a que se juntaram os seus vinhos finos, de qualidade premiada nas mais prestigiadas exposições internacionais, contribuíram para que esta mulher ímpar tenha adquirido uma aura mítica no mundo dos negócios e na Região do Douro.

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