• next generation event
Inicio Tags Têxtil

Tag: Têxtil

Exportações têxteis e de vestuário terão tido crescimento de 4,5%

Indústria Têxtil

Em comunicado, a Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) destaca que a evolução mensal homóloga de 10% em novembro do setor é “muito superior ao verificado nas exportações nacionais de bens”, que cresceram 4,5%, o que confirma que as “exportações da ITV [indústria têxtil e vestuário] continuam a crescer acima das exportações nacionais”.

“Neste momento as exportações deste setor registam já o valor de 4.467 milhões de euros [mais 4,6% do no período homólogo] e é já certo ser possível concluir o ano de 2015 com um valor superior a 4.800 milhões de euros e uma taxa de crescimento próxima de 4,5%”, adianta.

Segundo a ATP, os destinos para onde as exportações portuguesas do setor registaram maior crescimento absoluto continuaram a ser Espanha (acréscimo de 148 milhões de euros no período em análise), EUA (acréscimo de 56 milhões de euros, com uma evolução de 28%), Noruega (aumento de 15 milhões de euros e uma taxa de crescimento de 62%) e Alemanha (com um acréscimo de oito milhões de euros).

Considerando apenas o setor do vestuário, os últimos dados apontam para um crescimento homólogo de 3,5% até novembro, para 2,66 mil milhões de euros, com a Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confeção (ANIVEC/APIV) a destacar o impulso dado pelos mercados americano, espanhol e holandês.

Segundo refere em comunicado, as vendas de vestuário para os EUA registaram uma subida de 38,3%, para 71,1 milhões de euros, mantendo assim a quota deste mercado — o principal fora da União Europeia — em 2,7%.

Espanha continuou, contudo, a destacar-se como o maior comprador de vestuário português, com as exportações para o mercado espanhol a crescerem 11,9% até novembro, para 1,14 mil milhões de euros.

Entre os principais mercados a associação aponta ainda o aumento nas vendas para os Países Baixos (+3,9%, para 92,8 milhões de euros) e para a Áustria (+1,3%, para 45,8 milhões de euros), referindo ainda a “performance positiva” da China (+56%, para 8,1 milhões de euros) e de Israel (+39,3%, para 3,1 milhões de euros).

“O crescimento de 3,5% das exportações de vestuário até novembro representa uma aceleração nos últimos meses, o que comprova a vitalidade e a importância do setor na economia nacional e nas trocas comerciais com o exterior”, considera o presidente da direção da ANIVEC/APIV, César Araújo, citado no comunicado.

“Grande parte do meu percurso foi feito no meio das máquinas”

Sofia Vale

A Riler foi criada em 1974 como estamparia têxtil. Em 1985 Amaro do Vale compra a empresa e transforma-a numa tinturaria têxtil. “Dá-se esta alteração para que a Riler pudesse tingir os tecidos de uma outra empresa da família, esta sim fundada exclusivamente pelo meu pai”, explica a atual CEO.

Sofia Vale entra para os negócios da família em 1998 após terminar a sua Licenciatura em gestão. “Em 95, após a perda do meu pai dão-se algumas alterações na estrutura organizacional da sociedade, habituais numa empresa familiar. Eu, sozinha na Riler estou há três anos, mas já estou na direção desde que entrei em 1998”.

 “Está a ser um ano muito bom”

Trabalhar na Riler sempre foi o sonho de Sofia Vale. “O Vale do Ave é, por excelência, a zona do setor têxtil e o meu pai sempre foi industrial nesta área. Portanto, eu cresci neste meio, nesta e na outra empresa do meu pai, mas desde sempre tive um maior fascínio pela Riler.

Vir para cá trabalhar foi, por isso, aquilo que eu sempre quis e foi o que fiz quando acabei a minha Licenciatura. Felizmente agora está a correr bem, nem sempre foi assim, mas com muito esforço e muito trabalho temos superado todas as adversidades que nos surgiram ao longo dos anos. Estamos numa fase de crescimento e investimos muito nos últimos três anos. Adquirimos novas maquinas para aumentarmos a nossa capacidade produtiva e melhorar a qualidade do serviço prestado. Outro objetivo com estas aquisições é a eficiência energética, pois atualmente todos estamos  conscientes das necessidades ambientais e a sua real importância. Para acompanhar estes investimentos foi necessário uma melhoria das instalações, e é claro que sabemos que tão importante como tudo o resto é a mão de obra qualificada e desta forma investimos na contratação de pessoas cada vez mais qualificadas bem como em muita formação e requalificação do nosso pessoal. Neste momento estamos a instalar uma máquina que acabou de chegar e no próximo ano vamos receber mais três.

Pode-se dizer que está a ser um ano muito bom.” Tão bom que este ano vai ser atingido um ambicioso objetivo em termos de faturação que já não era alcançado desde 2004. A empresa conta atualmente com cerca de 80 trabalhadores, a trabalhar em turnos contínuos. “Todos trabalhamos no mesmo sentido, somos uma equipa unida e coesa”, orgulha-se.

“A diferença não tem a ver com as capacidades entre os homens e as mulheres”

E se agora Sofia Vale já não é um nome desconhecido na indústria têxtil e transmite confiança àqueles que com ela trabalham, sejam eles colaboradores, fornecedores ou clientes, nem sempre foi assim!

“Hoje, é mais fácil porque com o passar dos anos e experiencia adquirida sou respeitada por todos, o trabalho desenvolvido até então confere-me o respeito conquistado. Já estou aqui há alguns anos mas, no início, não foi nada fácil, por vários motivos. Tradicionalmente esta indústria é um mundo de homens, na Riler apenas 10 por cento são mulheres. O facto de ser filha do dono também não ajudou quando comecei. É preciso aprender com humildade e, por isso, grande parte do meu percurso foi feito no meio das máquinas até porque vim de uma área de gestão para a produção e precisei mesmo estar lá a aprender”, afirma.

As responsabilidades inerentes ao papel de mulher e mãe também fazem com que Sofia Vale tenha que se desdobrar em tarefas para continuar a fazer o bom trabalho que a caracteriza e continuar a levar a Riler a bom porto. “Os homens, por norma, têm mais disponibilidade para se dedicarem aos negócios, porque nós, temos responsabilidades e tarefas acrescidas enquanto mães e mulheres de negócios. Antes de ter filhos, eu podia dedicar mais tempo à empresa, agora é preciso ir buscar as crianças ao colégio, é preciso ir à reunião de pais, é preciso ir ao médico… e eu tenho três lindos filhos. Não posso deixar de salientar a ajuda e o apoio que me tem dado uma grande mulher, a minha mãe.

A diferença não tem a ver com as capacidades entre os homens e as mulheres mas sim a diferença entre o esforço adicional que as mulheres tem de fazer para se afirmarem num mundo tradicionalmente liderado por homens”.“Queremos ser reconhecidos como bons naquilo que fazemos e acho que estamos no bom caminho.”

Mas este não é o único desafio que se coloca à gestão de Sofia Vale. A CEO da Riler enumera alguns outros nesta entrevista à Revista Pontos de Vista: “enquanto tinturaria, a Riler procura insistentemente cumprir com todas as diretrizes ambientais. O facto de gastarmos muita água e gás e termos os custos energéticos muito elevados preocupa-nos e por isso estamos a investir na renovação do nosso parque de maquinas. O resto é o risco natural do negócio, um cliente que fecha e fica uma conta corrente por resolver, etc.”.Riler

Ao trabalhar indiretamente, através dos seus clientes, para grandes grupos como o Inditex, a Riler é obrigada a fazer grandes investimentos, por exemplo, ao nível do laboratório, “de outra forma não temos o aval deles para podermos trabalhar. Somos auditados por esse grande grupo e temos de ser referenciados pelo mesmo para podermos trabalhar para os nossos clientes”, explica Sofia Vale.

Quanto aos objetivos para os próximos tempos, afirma: “as metas que gostava de ver atingidas são muito altas. Gostava de manter os níveis de crescimento que temos alcançado mas a instabilidade é muito grande. Quero aumentar, e já o estou a fazer em termos de capacidade, por esse motivo estamos a investir em máquinas e temos algumas para chegar em abril. Pretendo também alargar a variedade de serviços prestados, a outro tipo de acabamentos. Quero que a Riler seja conhecida como uma empresa onde o cliente sabe com o que conta quer a nível de atendimento quer a nível de qualidade do serviço e prazo de entrega curtos. Queremos ser reconhecidos como bons naquilo que fazemos e acho que estamos no bom caminho”.

Revista Pontos de Vista: A abertura do mercado europeu à China e a crise de 2008 refletiram-se no encerramento de umas quantas empresas têxtil em Portugal. No entanto, o setor deu a volta por cima e esta indústria tem emergido como uma das mais avançadas e competitivas do país. Como perspetiva o futuro do têxtil em Portugal nos próximos anos?
Sofia Vale: As expetativas são boas. Em Portugal fazemos quantidades pequenas e fazemos bem, cumprimos cadernos de encargos e fazemos rápido. Eu acho que nós portugueses somos de facto milagreiros. Este conjunto de qualidades, aliadas à nossa versatilidade, e aos preços praticados fazem a diferença. É bastante prestigiante para Portugal ter uma participação tão grande, e de tão alto nível, de empresas portuguesas na Heimtextil que é a maior feira têxtil anual da Europa. Agora, é necessário que em Portugal se continue a apostar, na qualidade, na inovação, na formação e nos cuidados com as questões ambientais.

Próximos grandes eventos/ feiras têxtil a decorrer pelo Mundo
Heimtextil – 12/01/2016 a 15/01/2016
Frankfurt am Main – Alemanha

Pitti Immagine Uomo – 12/01/2016 a 15/01/2016
Florença – Itália

Première Vision Preview New York – 19/01/2016 a 20/01/2016
Nova Iorque – Estados Unidos

Pitti Immagine Bimbo – 21/01/2016 a 23/01/2016
Florença – Itália

FIMI – 22/01/2016 a 24/01/2016
Madrid – Espanha

Salon International de la Lingerie – 23/01/2016 a 25/01/2016
Paris – França

ISPO Munich – 24/01/2016 a 27/01/2016
Munique – Alemanha

TexWorld USA – 24/01/2016 a 26/01/2016
Nova Iorque – Estados Unidos

Maquitex de regresso à Exponor

Yvonne Heinen e Francisco Aguiar

Depois de longos anos de sufoco, a indústria têxtil encara hoje números bem mais animadores. De janeiro a agosto do presente ano, as exportações do têxtil e vestuário aumentaram 3,5%, relativamente ao período homólogo de 2014, alcançando os 3,25 milhões de euros. Face a 2013, as exportações cresceram quase 8%, ultrapassando os 4,6 mil milhões de euros. Para a Associação Têxtil e do Vestuário de Portugal (ATP) este crescimento só agora começou, prevendo-se que as exportações atinjam os 5 mil milhões de euros até ao final da década. Estamos a falar de um setor que emprega atualmente 120 mil trabalhadores, dispersos por cerca de cinco mil empresas que se reinventaram em tempos de dificuldades, deram a volta à crise, apostaram na modernização do seu parque industrial, apostaram na tecnologia e inovação e perante o convite do Grupo OFFE para marcarem presença no renascimento daquela que já foi e continua a ser uma das feiras de maior referência do setor no universo da Península Ibérica disseram prontamente “sim”! Foi o caso da Gerber Technology, uma multinacional que tem ajudado empresas de todo o mundo a desenvolverem, fabricarem e levarem os seus produtos ao mercado de uma forma mais inteligente, eficaz e rápida.

Da necessidade de ouvirem permanentemente as solicitações dos seus clientes e parceiros, nasce a importância de marcarem presença em eventos como a Maquitex, que apesar de ter uma escala mais local, assume-se como uma opção estratégica para a empresa, tal como explicou em conversa com a Revista Pontos de Vista, Yvonne Heinen, Responsável de Marketing da Gerber para a região EMEA (Europa, Médio Oriente e África). “A Maquitex desapareceu por onze anos e revitalizou-se para uma nova edição. Quando a Gerber foi contactada pela organização, ficamos muito satisfeitos porque acreditamos que esta indústria está a recuperar e continua a ser necessário que exista uma plataforma onde todos os agentes possam estar reunidos para ouvir os clientes, as suas necessidades, dando a conhecer o que cada um pode oferecer. Por isso, o momento para recuperar a Maquitex não poderia ser o mais oportuno”, explicou. Assumindo ser um evento de elevada relevância para o setor a nível nacional, Yvonne Heinen olha para esta feira como estratégica para as atividades da Gerber e para, mais uma vez, a marca se comunicar com o seu mercado.

Num momento em que Portugal se tornou mais competitivo aos olhos externos, não só pelos custos de produção mas também pelo mais alto nível de qualidade que imprime no seu desempenho nesta área, a responsável acredita que a Maquitex chegou no momento certo. MaquitexQuanto à sua ausência durante 11 anos, Yvonne Heinen não acredita que o desaparecimento tenha sido muito sentido uma vez que o setor se encontrava “adormecido”. “Estes eventos são importantes para comunicar com os clientes mas implicam também um forte investimento por parte das empresas e ao longo dos últimos anos não houve grande potencial de investimento”, ressalvou, acrescentando: “não esperamos vender diretamente na feira mas temos expectativas de retorno”.

“Optimize-se”. Esta é a mensagem central que a Gerber quer comunicar. No final desta 16ª edição da Maquitex, Yvonne Heinen deixou um apelo especial aos parceiros e clientes desta multinacional: “fique ainda melhor connosco. Muitos dos nossos clientes já são muito bons mas têm sempre potencial para serem ainda melhores. Se assim quiserem, juntem-se à Gerber e terão mais produtividade e uma capacidade mais rápida de responder ao mercado. Nós estamos aqui para ajuda-lo a ser melhor, seja qual for o desafio que nos coloque”.

A reafirmação de uma feira de referência

Além da Gerber Technology, pelo Pavilhão 6 da Exponor estiveram cerca de 50 expositores, entre os quais os principais fabricantes e distribuidores de equipamentos para a fileira têxtil a operar em Portugal, que apresentaram as soluções técnicas mais recentes de cerca de duas centenas de marcas. Organizada pelo Grupo Offe, em parceria com a Exponor, recuperar a Maquitex não foi mero fruto do acaso. Houve um intenso trabalho de preparação que durou largos meses e que foram resuPedro Mendonça da Silvamidos por Pedro Mendonça da Silva, do Departamento Comercial do Grupo Offe: “ao longo do tempo fomos recebendo alguns convites por parte de empresas que manifestaram interesse no relançamento da Maquitex. Falamos com diversas entidades do setor para perceber a visão delas, as suas necessidades, os objetivos que queriam ver concretizados e fomos anotando essas sugestões. E hoje aqui estamos na 16ª edição de uma das feiras mais antigas da Exponor”. Este foi “mais um evento que funciona”, com a assinatura de uma empresa vocacionada para a organização de eventos e feiras e que há muito tempo tinha esta ambição de fazer renascer a Maquitex. “Dentro do segmento das feiras profissionais, a Maquitex é a primeira feira que estamos a organizar e queremos continuar a apostar neste formato”, afirmou Pedro Silva.
Num setor que vive melhores momentos, mais um passo firme foi dado. 5, 6 e 7 de novembro foram, assim, três dias enriquecedores ao longo dos quais foi possível conhecer o que de melhor existe no mercado ao nível de máquinas, tecnologias e acessórios.

Informações sobre a Maquitex
Setores em exposição:
– Máquinas e equipamentos; corte; estendimento; acabamento; bordados; costura; transporte; acessórios para máquinas de costura e outras máquinas para a indústria do vestuário; máquinas auxiliares e dispositivos para acabamento; máquinas de costura e outras máquinas para a indústria do vestuário; máquinas de estampar para têxteis; tecnologias de produção; agulhas, fios e etiquetas; impressão e estamparia; packaging; CAD CAM; Software; Componentes e acessórios; matéria-prima; serviços.

Perfil do visitante:
– Empresários; Diretores; Designers; Técnicos especializados; engenheiros de produção.

Estreia da MAQUISHOES

Paralelamente realizou-se a primeira edição da MaquiShoes – Feira de Máquinas, Tecnologia e Acessórios para a Indústria do Calçado. Trata-se da única feira profissional dedicada a equipamento e maquinaria para o setor do calçado, uma das indústrias nacionais que tem vivenciado um substancial crescimento ao longo dos últimos anos. Estiveram presentes 20 expositores e um total de 50 marcas representadas.

O que é o GERBERcutter® Z1?

Trata-se de um “sistema de corte automatizado controlado por computador, sendo a solução ideal para corte de umam folha ou poucas folhas de uma vasta gama de materiais, como compósitos, mobiliário e têxteis técnicos complexos”.
É um sistema adequado para “maximizar a sua produtividade e rentabilidade, reduzir o trabalho em curso, reduzir os tempos de preparação e assegurar que as peças são cortadas com precisão”.

Quem é a Gerber Technology?

É uma multinacional que disponibiliza soluções integradas de hardware e software a mais de 25 mil clientes em 130 países, entre os quais estão mais de cem incluídos na lista Fortune 500, nos setores moda e vestuário, aeroespacial, construção, embalagem, energia eólica, estofos, interiores de meios de transporte e têxteis técnicos.

“A edição de 2015 da Maquitex, que vai na sua 16ª edição, resulta de uma parceria com a empresa Offe – Organização Funcional de Feiras e Eventos e teve, depois de um interregno de mais de uma década, uma adesão extremamente positiva, com as principais marcas e empresas do setor a marcar presença, o que prenuncia um crescimento sustentado de uma feira de um setor importante para a economia nacional”. (Promotores da Maquitex)

“A realização simultânea e no mesmo espaço da MaquiShoes visa reforçar as sinergias existentes decorrentes do facto de muitas empresas serem fornecedoras da indústria têxtil e do calçado, permitindo igualmente por esta via aos visitantes profissionais uma melhor gestão do tempo”. (Exponor)

“O que não pode falhar é o que depende de nós”

José Guimarães, Administrador da Fortiustex

Depois de longos anos de sufoco provocados pela crise de 2008 e pelo manifesto interesse do mercado europeu à China, o setor têxtil português está finalmente a reemergir como uma indústria tecnologicamente inovadora e competitiva. Estas expectativas são, aliás, encorpadas pelo Plano Estratégico do setor para o horizonte de 2020. Neste longo cenário espera-se que existam cinco mil empresas, cem mil trabalhadores diretos e um volume de negócios na casa dos 6,5 mil milhões de euros mas o grande motivo de esperança está no campo das exportações, prevendo-se um aumento para cinco mil milhões de euros. Mais ou menos otimistas, há quem acredite que o pior já passou. É o caso de José Guimarães, Administrador de uma marca que tem procurado acrescentar valor a todos os agentes envolvidos em todas as fases do ciclo produtivo. A Fortiustex nasceu em 2004 e, com dinamismo e um forte espírito de equipa que caracteriza os atuais 105 funcionários, tem procurado aliar-se a parceiros fortes, incluindo fornecedores e clientes, para que “todos” beneficiem com o projeto. Desconstruindo a origem do nome da empresa que foi inspirado no provérbio latino “Altius, Fortius, Citius” (mais alto, mais forte, mais rápido), na Fortiustex esta designação é vista diariamente como “uma filosofia interna de evolução permanente: sermos mais fortes e mais rápidos do que éramos ontem. Comparamo-nos connosco próprios numa lógica de melhoria contínua”, explicou o responsável.

Esta empresa localizada em Leça do Balio, no Porto, prima de igual modo por estabelecer um intenso e rigoroso acompanhamento de todas as fases do ciclo produtivo. Esta vontade concretizou-se, aliás, na criação de um departamento interno de research e desenvolvimento e no aumento dos recursos humanos (tanto no que respeita às pessoas como à estrutura) na fase final de acabamentos e controlo de qualidade. A par disso, além de todo o controlo rigoroso efetuado pelos parceiros que fazem questão de enviar os seus próprios controladores para que nada falhe, a Fortiustex tem “durante o ciclo produtivo equipas técnicas destacadas a cada fase e controladores que são mais aliados do que fiscais”, acrescentou José Guimarães.

No seguimento de uma constante preocupação com a inovação, desde 2013 que a Fortiustex investiu numa estrutura própria para o desenvolvimento e produção de artigos Wear Fitness e artigos de banho, nomeadamente ao nível de equipamentos técnicos e pessoal qualificado. Esta opção foi consequência do encerramento de outra empresa e, perante o fantasma do desemprego que pairava sobre aqueles trabalhadores, José Guimarães entendeu que podiam alocar na Fortiustex essas pessoas, criando um negócio complementar ao já existente. Além disso, “este alargamento ao nível da capacidade e oferta de produtos foi uma resposta à evolução do mercado e, comercialmente, foi uma estratégia como porta de entrada em novos clientes”, explicou. Assumindo que o investimento em equipamentos e pessoas tem sido bastante elevado, José Guimarães não tem dúvidas quanto ao balanço que, decorridos dois anos, se pode fazer deste passo tomado com “conta, peso e medida”: “hoje somos mais capazes, eficientes e temos uma maior flexibilidade produtiva”. Esta estrutura que hoje emprega mais pessoas do que as iniciais vai ainda de encontro à filosofia que sempre fez parte do ADN desta empresa. Mais do que uma bandeira que é erguida nos momentos de maior conveniência, na Fortiustex há uma genuína preocupação humana e social, tal como podem comprovar estas 15 pessoas que viram os seus postos de trabalho assegurados.

Consciencialização humana e ambiental

“São as pessoas que fazem a empresa avançar e evoluir”. É um desafio permanente. A atividade empresarial é exigente mas a preocupação com os seus recursos humanos deve fazer parte da identidade de qualquer empresa. É por aqui que tudo começa. Criando laços fortes com as “suas” pessoas, a Fortiustex atingiu em 2015 um nível recorde no campo da formação técnica e no reforço das competências pessoais da sua equipa.

Além desta consciencialização humana, a Fortiustex, fugindo a qualquer tipo de frase feita ou chavão, orgulha-se de ser uma empresa “amiga do ambiente”, sendo esta uma preocupação que se materializou há cerca de um ano na contratação de uma técnica com a responsabilidade de “implementar e formalizar os processos de certificação (de produto, processo, social e de qualidade interna), também como resposta às exigências dos nossos clientes de segmento premium”, contou José Guimarães em conversa com a Revista Pontos de Vista. Como consequência, a nível interno, todas as práticas adotadas estão em consonância com as referidas certificações.

A par disso, outras decisões são tomadas com consciência, nomeadamente: “aposta em máquinas e processos mais eficientes energeticamente; monitorização dos consumos de água e energia; controlo das emissões gasosas; separação de resíduos e encaminhamento para reciclagem em detrimento da deposição em aterro; recurso a produtos amigos do ambiente e matérias-primas alinhadas com a ecologia humana; fibras orgânicas (oko-tex)”, exemplificou o responsável. Responsabilidade ambiental é isto e muito mais.

O que continua a falhar?

Internamente, tudo é feito para orgulhar este setor e fazer com que o nome “Fortiustex” seja ouvido no mercado. Mas como uma empresa que está no final da fileira têxtil, o grau de dependência de outros agentes impede que tudo corra como é expectável e desejável. “Era determinante que existissem na cadeia parceiros que se identificassem com os nossos objetivos e ambições. Queremos ser diferenciadores no sentido de aportar qualidade ao que fazemos e cumprir escrupulosamente os prazos. Mas temos dificuldades porque a fileira não tem esse entendimento e não está sensível a cumprir os compromissos que assume”, criticou José Guimarães. Este aspeto, muito mais do que uma consequência da crise, é uma questão estrutural das empresas. “Há uma falta de compromisso e disponibilidade para ir ao encontro e superar os desafios dos clientes”, acrescentou o responsável.

Num setor tão fatigado pela crise, por que é que não existe uma maior solidariedade entre todos? Para José Guimarães, com 30 anos de experiência neste setor, esta é uma questão para a qual não consegue encontrar resposta. “Tenho conversado com alguns parceiros, tento sensibilizá-los para estas dificuldades mas não tenho tido sucesso. A Fortiustex cumpre escrupulosamente todos os compromissos que assumimos, solicitamos atempadamente as encomendas, pagamos muitas vezes antecipadamente para motivá-los, estamos disponíveis 24 horas por dia mas existem sempre lacunas”, asseverou o Administrador. Também estas preocupações se refletirão nas escolhas do decisor final que é sempre o consumidor. “Uma maior consciencialização do consumidor exigirá às marcas garantias de produções responsáveis”, concluiu. Ser responsável passa precisamente pelo cumprimento dos compromissos selados.

Perspetivas para o setor

Nas últimas décadas assistiu-se ao desaparecimento de um elevado número de empresas que, com as vicissitudes impostas pelo mercado nacional muito devido à retração no consumo de mercados tradicionais de exportação, como Espanha, França ou Alemanha, viram-se obrigadas a fechar portas. Mas como setor resiliente que é, a indústria têxtil soube reinventar-se e dar a volta por cima. Como? “Apostando a montante (research, desenvolvimento e design), acompanhando os clientes ‘ao colo’ em todo o processo com transparência e no cumprimento dos prazos que são uma variável crítica para a distribuição e venda das marcas”, respondeu José Guimarães.

A aposta em mentalidades mais jovens tem sido também uma opção acolhida. Com ideias criativas e novas formas de abordagem ao mundo dos têxteis, os mais jovens “acrescentam muito valor às empresas e é importante que se envolvam seriamente num setor que é tradicional mas que é moderno e trabalha com um nível tecnológico elevadíssimo”, explicou José Guimarães, acrescentando que “a juventude poderá e deverá ajudar a melhorar a produtividade, permitir uma gestão mais racional, melhorar os recursos existentes quer humanos como materiais”. Esta é, por isso, uma cultura acarinhada pela Fortiustex uma vez que “o setor em muito beneficia com esta filosofia orientada para as soluções e não para os problemas”. E é com confiança que tudo se consegue. “Confiança em pessoas cada vez mais evoluídas” e “confiança a longo prazo dos clientes” que só será conquistada com o aumento do rácio de cumprimento, tanto no que concerne aos prazos como à qualidade assumida desde o princípio.

Revista Pontos de Vista – A Fortiustex tem conduzido a sua atividade por padrões de alta qualidade nos materiais, acabamentos e no serviço. Que cuidados são considerados desde o início? O que é que não pode falhar?
José Guimarães – O processo produtivo é muito longo e envolve infinitas variáveis e pessoas. O que não pode falhar é o que depende de nós, as variáveis que nós controlamos têm que ser efetuadas com zelo e eficiência, minimizando os riscos do que não controlamos. Só a excelência em cada passo dado poderá resultar na excelência final. Temos que ajudar os parceiros e todos os envolvidos devem ter espírito crítico e sentido de compromisso.

Alguns dados sobre o “Plano Estratégico Têxtil 2020”, realizado pela ATP (Associação Têxtil e Vestuário de Portugal):
– Existem sete eixos considerados estruturantes da mudança:
-Capitalização das empresas e financiamento da atividade;
-Melhoria da gestão das organizações;
-Competitividade para ser concorrencial a uma escala global;
-Inovação;
-Valorização dos recursos humanos;
-Imagem e visibilidade do setor;
-Empreendedorismo.
– Os indicadores apontam para cinco mil empresas, cem mil trabalhadores diretos, 6,5 mil milhões de euros de volume de negócios e cinco mil milhões de euros de exportações.

EMPRESAS