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O Natal num carrinho de compras

O aproximar da época festiva associada ao período do Natal junta famílias à volta da mesa e impulsiona a compra de presentes, tornando este período o mais importante do ano para as vendas de Bens de Grande Consumo (BGC), que atingem o seu pico na semana anterior ao Natal.

A importância do Natal é conduzida por um aumento do valor gasto por ato de compra (+15%) e não pelo número de visitas às lojas, que se mantém estável relativamente ao resto do ano. Este mês continua a registar mais promoções do que o resto do ano (51% no Natal versus 47% na média no ano), sendo que o impacto promocional é já continuamente muito elevado no mercado nacional.

Os lares com maior expressão para o consumo natalício correspondem a lares de perfil mais sénior já sem filhos a seu cargo – donas de casa inativas, com mais de 54 anos, com um ou dois membros e sem crianças. Este será o perfil de lares que acolherá as respetivas famílias em celebrações de Natal, o que demonstra a importância para estes segmentos de consumidores de uma tradição de convívio que ainda se conserva.

O peso da tradição revela-se também nas categorias que mais destaque conquistam nesta época. Os Bombons conquistam o pódio – 61% das vendas totais de Bombons do ano estão concentradas no período de Natal. Os portugueses continuam a comprar nos hipermercados e supermercados muitos dos seus presentes de Natal relacionados com categorias alimentares, de bebidas e toilette, tal como é visível pela relevância das compras de Bombons, Figuras de Chocolate, Águas-de-colónia, Licores e outras bebidas e Bolachas Sortidas, entre outros.

A tradição ainda é o que era na lista de compras dos portugueses

Entre os Bombons, o grande destaque vai para as caixas, normalmente alusivas ao período de Natal e à ideia de presente. No Natal de 2018, este tipo de embalagens representou mais de 90% do total de vendas de Bombons. Por sua vez, as latas não conseguiram manter a sua importância face ao ano anterior, o que coincide com significativas subidas do preço médio deste tipo de embalagem.

O Bacalhau é uma das estrelas do Natal, associado à tradição gastronómica do nosso país. Por ser um produto fundamental da nossa gastronomia, o seu consumo é relevante durante todo o ano, de uma forma mais homogénea do que as restantes categorias incluídas do Top 15 de vendas. Ainda assim, o Bacalhau Seco faz parte do Top 15 das categorias com maior importância no Natal.

No consumo de Bacalhau é notória uma distinção entre perfis de consumidores, associados a diferentes estilos de vida, níveis de rendimentos e contexto geográfico. Nas principais zonas metropolitanas do país (Lisboa e Porto), entre consumidores de classes sociais mais elevadas e em lares com crianças, sobressai o consumo de Bacalhau Congelado, justificado por um ritmo de vida mais acelerado, um preço mais elevado do produto e uma maior necessidade de soluções mais práticas. Por outro lado, em zonas rurais do país, em lares mais seniores e entre os consumidores de classes sociais mais baixas, o Bacalhau Seco conquista ainda predominância.

O consumo de Bacalhau Seco e Bacalhau Congelado apresentam também diferentes comportamentos de compra. Exigindo uma compra mais planeada, dada a necessidade de uma maior preparação deste artigo, o Bacalhau Seco começa a aumentar as suas vendas cerca de um mês antes do Natal, tendência para a qual também contribuem as promoções existentes nesta altura. É em meados de dezembro que a venda de Bacalhau Seco atinge o seu pico. Por outro lado, o Bacalhau Congelado, um produto relacionado com a Conveniência e com uma compra menos planeada, tem o seu pico numa data mais próxima do Natal.

Fim de Ano é momento-chave para o consumo

O final do ano e a noite de Passagem de Ano é também um período de festa, o que significa consumo, particularmente alimentar e de bebidas.

O Top 15 dos produtos mais relevantes na passagem de ano é encabeçado, sem surpresas, pelo Marisco Fresco e o Vinho Espumante. Outros produtos associados a festa, tais como as bebidas alcoólicas, os bolos, os patés, as tostas e os frutos secos, entre outros, são também dignos de nota nesta época de convívio e celebração.

Segundo Marta Teotónio Pereira, Client Consultant Senior da Nielsen, “as duas celebrações que marcam o final do ano continuam a ter uma considerável importância e o esforço demonstrado para ter momentos de convívio ajuda a impulsionar os gastos de consumo que verificamos no mercado durante este período. A existência de produtos tradicionalmente consumidos nesta época faz com que, inevitavelmente, estes conquistem lugar à mesa e debaixo da árvore de Natal dos portugueses. O mês de dezembro é, assim, de ganhos significativos para marcas e retalhistas, num dos momentos-chave para o consumo no ano e que mais contribui para os resultados anuais de vendas no mercado nacional”.

Auto de Natal da Trindade: aldeia de Trindade cumpre tradição de teatros populares

Auto de Natal da Trindade

O Auto de Natal da Trindade é uma manifestação cultural secular celebrada na aldeia de Trindade e que remete para uma tradição de teatros populares que em tempos pontuavam a paisagem rural alentejana. Por força e tenacidade de Mariana Lopes e de um grupo de familiares e amigos, a Trindade é o último reduto onde ainda se faz levantar a peça com base num documento, escrito a pena, com vários séculos de história do qual dona Mariana Lopes é guardiã.

Dia 12, pelas 18h30, depois de 2 anos de interregno e dolorosas dúvidas sobre se teria o Auto da Trindade tido o seu fim, vai levantar-se o auto da Trindade numa ação conjunta da comunidade e a Câmara Municipal de Beja/Biblioteca Municipal de Beja/Centro Unesco para a Salvaguarda do PCI, a União de Freguesias de Albernoa e Trindade, a delegação da Cruz Vermelha de Beja e a companhia de teatro Baal17. Esta original manifestação é apoiada pelo Projeto 1234.REDES.

Neste dia, durante cerca de três horas, serão apresentados ao público os principais momentos de uma peça que conta a história da criação do mundo e da vinda do “Salvador” através de uma narrativa que ultrapassa a descrição normativa da história dos doze dias. Este retomar de uma história de séculos centrada na Trindade será apenas o início. Pretende-se que este “ensaio assistido” ou apresentação resumida do longuíssimo auto, marque o início de um projeto de salvaguarda da manifestação que possibilite o seu estudo aprofundado, infelizmente ainda por realizar, e crie condições para que se possa levantar o Auto na sua totalidade convocando a comunidade da Trindade e de Beja para a sua representação no final de 2019.

É inegável o valor patrimonial do Auto de Natal da Trindade. Para além do valor histórico e da beleza e sabedoria dos versos que ali encontramos, foi fator de coesão de uma comunidade durante décadas. Hoje é uma viagem à memória e àquilo que nos diferencia, àquilo que resiste apesar de todas as crises, é a representação de uma cultura legítima, de elevado valor, que tem ainda lugar na contemporaneidade e deve ser reconhecida como tal. Dia 12 será representado parte de um texto único e, sobretudo, serão homenageados os seus portadores.

Aldeia de Miranda do Douro recria ritual da ‘Chocalhada’

©janademar.blogspot.com

ritual manteve-se ininterruptamente até ao início dos anos 60 do século passado. Contudo, a guerra colonial e imigração levaram muitos jovens para fora e o ritual acaba por desaparecer. Desde então, ter-se-á realizado uma ou duas vezes, sem, contudo, sabermos precisar datas exatas”, referiu Alcides Meirinhos, investigador da Associação de Língua e Cultura Mirandesa (ACLM), que apoia a iniciativa.

Segundo a crença popular, esta tradição era uma forma de “espantar os maus espíritos”, para que não exercessem as suas influências nefastas sobre si e os seus rebanhos.

“É um ritual que faz parte das festividades de Santo António (…). O Santo António de Cicouro, por se festejar no inverno, foi sempre o que teve mais devoção na aldeia. Era tido como santo protetor dos animais em tempos de maleitas ou doenças nos animais. Como não abundavam veterinários, as pessoas dedicavam os animais ao santo protetor”, explicou o investigador.

Para o investigador, nascido na aldeia do Planalto Mirandês, muito se tem especulado sobre a origem da Chocalhadas de Cicouro, mas sem uma conclusão “unânime”.

“Tudo começa na noite do dia 5, à noite, no final da última novena, a mocidade, trajando capas de honras, capotes tradicionais e outros agasalhos, munidos de chocalhos e outros objetos metálicos que imitem o som de sinos, davam volta à aldeia, sempre acompanhados de bombo e caixa. No final fazia-se a festa junto ao grande lume de cepos que ardia no terreiro”, explicou, Alcides Meirinhos.

Apenas os rapazes que já tenham “pago a entrada”, ou seja, todos aqueles que tinham passado pelos rituais de iniciação são aceites como “moços”.

“Aos mais novos e as raparigas e mulheres é vedada participação em todo o percurso, eventualmente na rua onde moravam ou apenas enquanto as mães os avistassem”, explicou.

Trata-se de uma tradição do Solstício de Inverno, onde o sagrado e o profano se confundem, e que as populações do Nordeste Transmontano “teimam” em preservar e manter a “pureza da tradição”.

LUSA

Homenagem ao traje regional de Viana do Castelo

Intitulado “Alma de Princesa”, o espetáculo vai decorrer no próximo dia 12, entre as 22:00 e as 23:30. Terá como cenário aquele edifício, construído no século XVI e rua fronteira, anteriormente, designada de Cândido dos Reis mas que, em 2008, a Câmara – então liderada pelo ex-autarca Defensor Moura – rebatizou de Passeio das Mordomas da Romaria, em homenagem à mulher vianense.

“Vou apresentar mais de cem peças, sobretudo de vestuário, inspiradas no traje à vianesa, o primeiro do país a obter a certificação. O desfile sairá do palácio dos Viscondes da Carreira ou palácio dos Távora, onde funciona a Câmara e percorrerá o Passeio das Mordomas da Romaria, ambos em pleno centro histórico da cidade e envolvendo mais de 200 pessoas”, explicou hoje à Lusa a artista Isabel Lima.

Durante o desfile da criação contemporânea da artista de Viana do Castelo nas varandas do edifício camarário “estarão jovens trajadas, representando todas as freguesias” do concelho.

“As jovens trajadas vão abrir a primeira parte do desfile, dedicado à etnografia e, na segunda parte do evento, de apresentação da minha nova coleção as jovens estarão nas varandas da Câmara. É uma manifestação cultural feita de memórias do passado e de fusão entre o antigo e o moderno”, sustentou.

A iniciativa inclui dança, música e a atuação de uma banda filarmónica.

Isabel Lima produz, há vários anos, peças de vestuário, acessórios de moda, mobiliário, artigos decorativos, todos inspirados no traje regional de Viana do Castelo, o primeiro do país a obter certificação.

O processo de certificação foi adjudicado pela câmara municipal em maio de 2013 à Associação “Portugal à Mão”, a mesma, entre outras entidades, que também participou na certificação do bordado de Viana, concluída em agosto de 2012

O pedido de registo do típico “traje à vianesa”, com origem no século XIX, foi formalizado pela Câmara de Viana do Castelo em junho de 2015. Na ocasião, o executivo justificou a decisão de certificar o traje com a necessidade de evitar a “confusão” e a “apropriação” do mesmo por outras regiões.

No final de 2016, foi publicada em Diário da República a aprovação, pelo Instituto do Emprego e da Formação Profissional (IEFP), da inclusão da produção tradicional “Traje à Vianesa – Viana do Castelo” no Registo Nacional de Produções Artesanais Tradicionais Certificadas.

O traje assume-se como um símbolo tradicional da região nas suas várias formas, consoante a ocasião e o estatuto da mulher. Em linho e com várias cores características, onde sobressai o vermelho e o preto, foi utilizado até há cerca de 120 anos pelas raparigas das aldeias em redor da cidade de Viana do Castelo.

Os exemplares que ainda hoje se conservam, alguns nas mesmas famílias, terão cerca de 60 anos.

As características deste traje, como o seu colorido e a profusão de elementos decorativos, permitem identificar facilmente a região de origem, no concelho, motivo pelo qual se transformou, segundo os especialistas, “num símbolo da identidade local”.

A romaria d’Agonia, que decorrem entre 17 e 20 de agosto, sobretudo o tradicional desfile da mordomia, com mais de 500 mulheres devidamente trajadas pelas ruas da cidade de Viana do Castelo, assume-se anualmente, como a principal montra do “traje à vianesa”.

Sabe porque é que se usa a aliança no quarto dedo da mão esquerda?

A tradição começou antes ainda de se ter descoberto como funciona o sistema circulatório (no século XVI), quando se acreditava que havia uma veia que ia diretamente do quarto dedo da mão esquerda para o coração.

Por causa desta ligação entre a mão e o coração foi dado o nome de ‘veia do amor’ à veia que passava por este dedo e os ‘especialistas’ em etiqueta matrimonial da altura ditaram que só faria sentido usar a aliança de casamento neste dedo, sendo esta a maior forma de declararem amor eterno.

Mas, entretanto vários países têm adotado a tradição de usar a aliança no quarto dedo da mão direita e os motivos prendem-se com: liberdade de escolha, questões culturais (na Áustria, na Dinamarca, na Polónia e na Alemanha, por exemplo); questões de saúde; ou por ser esquerdino (que por vezes escolhem usar a mão na mão direita para se certificarem que não se estraga tanto como se a usassem na mão dominante).

‘Rituais com Máscaras em Portugal’ explica tradições de 11 municípios

Estes primeiros volumes são dedicados a Lamego, Mira, Miranda do Douro e Mogadouro.

As edições são em português e inglês, mas o de Miranda do Douro inclui também o idioma mirandês.

A coletânea é resultado de “um intenso trabalho” de recolha e pesquisa e os primeiros quatro a volumes são da autoria de Amândio de Castro Lourenço e Elisa Martins Alves (Lamego), Elisa Martins Alves (Mira), Antero Neto (Mogadouro) e Alfredo Cameirão e Mário Correia (Miranda do Douro).

Em declarações à agência Lusa, Hélder Ferreira, da Progestur, entidade responsável pela coleção, disse que há bastante trabalho sobre a máscara na vertente antropológica e etnográfica, mas pouco sobre a intensidade como a mascara é hoje vivida.

“Agora vamos trabalhar os rituais da máscara de uma forma mais científica e mais académica, retratando a importância que as festas dos mascarados têm nas suas comunidades”, explicou o também investigador da máscara ibérica.

Os Caretos de Podence (município de Macedo de Cavaleiros), os Cardadores de Ílhavo, a Bugiada (município de Valongo) ou os Caretos, Máscaros e Diabos de Vinhais, ou Cavalhadas da Ribeira Grande, em São Miguel, nos Açores são algumas tradições a abordar na coleção dos “Rituais com Máscaras em Portugal”.

No decurso do evento de quinta-feira no Museu Nacional de Arqueologia será ainda apresentada a Rota das Máscaras, fruto de uma parceira entre a Progestur e a Fundação Inatel, que se traduz “numa oferta turístico-cultural”, dando a conhecer não só as festas, “mas também a gastronomia, património cultural material e imaterial e paisagens, entre muitas outras atrações dos municípios envolvidos”.

Nas suas declarações, Hélder Ferreira assinalou ainda outras iniciativas para colocar a máscara no centro das atenções, como o Festival da Mascara Ibérica, que anualmente se realiza na Baixa de Lisboa, que tem sido uma forma importante de dar a conhecer estes rituais tão ancestrais.

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