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Depois da Uber, é a Bolt que chega à cidade de Coimbra

Foto Bolt

Primeiro, foi a Uber e quatro meses depois foi a vez da concorrente Bolt (ex-Taxify) chegar à cidade dos estudantes. A partir desta quinta-feira, Coimbra tem dois operadores de TVDE (transporte de passageiros em veículos descaracterizados) à disposição de quem circula pela cidade. É a quinta cidade portuguesa na qual a Bolt opera.

“A presença numa nova cidade é a prova da confiança dos portugueses no nosso serviço. A escolha de Coimbra deve-se sobretudo ao facto de ser uma das cidades mais densas em termos de habitantes, uma característica estratégica para a Bolt. A presença de um grande número de jovens e milhares de turistas todos os anos, faz com que esta seja uma excelente oportunidade para oferecermos um serviço mais acessível aos utilizadores desta zona”, afirmou David Ferreira da Silva, responsável pela Bolt em Portugal, em comunicado.

Durante as duas primeiras semanas, a Bolt oferece um desconto de 50% nas primeiras cinco viagens de novos utilizadores. A app é gratuita e o serviço vai funcionar em toda a região de Coimbra, até à Figueira da Foz. Fundada em 2013 por Markus Villig, a operadora tem mais de 25 milhões de utilizadores em mais de 30 países. Em Portugal, está presente em Lisboa, Porto, Braga e Algarve.

 

Fonte: Observador

DHL Express eleita “Melhor Companhia de Serviço Expresso Aéreo”

Estes prémios visam distinguir as melhores companhias a operar em Portugal, no setor do transporte de carga aérea e marítima, com base no seu desempenho, visibilidade, qualidade e excelência organizacional. A DHL Express, líder em serviço expresso internacional, recebeu o prémio de “Melhor Companhia de Serviço Expresso Aéreo” e, pela primeira vez, “Melhor Transitário de Carga Aérea”. A DHL Aviation, entidade que integra a DHL Express, foi também distinguida como “Melhor Integrador”.

Segundo José António Reis, Diretor Geral da DHL Express Portugal, “estas distinções contribuem para o reconhecimento da consistência do trabalho de toda a equipa da DHL Express Portugal e representam uma motivação para continuarmos focados na excelência e compromisso para com os nossos clientes. Vamos continuar a investir na melhoria contínua dos nossos serviços, para continuarmos a fornecer respostas rápidas e adaptadas às diferentes necessidades dos nossos clientes e parceiros, em qualquer parte do Mundo.”

Recorde-se que a DHL Express tem vindo a ser distinguida ao longo dos anos pelo jornal Transportes & Negócios, acumulando prémios de 15 edições, nas categorias de “Melhor Integrador”, “Melhor Companhia de Serviço Expresso Aéreo” e “Melhor Transitário de Carga Aérea”.

A descarbonização da mobilidade: da retórica à necessária transformação da prática

Em Portugal, nos últimos 20 anos, triplicamos o peso do transporte individual motorizado na repartição modal (ou seja, o peso do carro nas nossas deslocações diárias passou de 20 para cerca de 60%). Notar que este crescimento aconteceu essencialmente com base na perda de importância do modo pedonal e dos transportes públicos (que perderam 20 e 10% da sua quota, respetivamente).

Perante este fenómeno, contrário à retorica dominante sobre a importância da descarbonização da mobilidade, creio existirem duas atitudes complementares a ter em conta.

Primeiro, importa não encobrir a realidade e reconhecer que a fase atual é, ainda, a do automóvel. A urbanização extensiva, que tem marcado as transformações territoriais mais recentes, assim o exige e determina. A cidade compacta, densa e com limite bem definido, deu lugar a um urbano vasto, disperso, fragmentado e absolutamente dependente da mobilidade assente no transporte individual. O carro é hoje uma peça chave na organização e funcionamento da cidade contemporânea, sendo que ocultar esta realidade significa, em grande medida, com ela pactuar.

Segundo, há que embarcar na “agenda” da “descarbonização da mobilidade” porque nos permite, “remando contra a maré”, defender uma transformação mais ordenada do território, isto é, minimizar custos (energéticos, ambientais e financeiros) e melhorar a qualidade de vida coletiva. Neste ponto, importa sublinhar que a mobilidade elétrica, tida hoje como a panaceia para todos os males do carro, apesar de contribuir para atenuar o seu impacto ambiental, é ainda manifestamente insuficiente para resolver outros tantos problemas. O congestionamento, a obesidade crescente (associada nomeadamente ao sedentarismo e à inatividade física), os acidentes rodoviários, a perda de autonomia dos cidadãos não motorizados e sobretudo, a necessária qualificação do espaço público das nossas cidades (que carece de intervenções que assegurem uma maior humanização), exigem outro tipo de ações e soluções.

Para atingir tais resultados é assim necessário definir um percurso multissectorial, uma estratégia persistente e de médio/longo prazo.

Sintetizando, a efetiva descarbonização da mobilidade, exige uma alteração da prática instalada, seja entre decisores políticos ou mesmo entre técnicos. Para o efeito, no meu “Ponto de Vista”, importa criar “Planos de Descarbonização da Mobilidade”, que combinem quatro tarefas distintas:

  • Articular o planeamento da mobilidade e do uso do solo, distinguindo áreas da cidade para as quais deverá haver clara aposta no transporte público e nos modos suaves (e onde, em consequência, deve ser dificultado o uso do automóvel particular, nomeadamente através de uma política de estacionamento dissuasora).
  • Definir e rever políticas urbanísticas, fiscais e financeiras indutoras de localizações precisas de novos usos e atividades, especialmente dos grandes geradores de tráfego.
  • Identificar e qualificar as centralidades já existentes, avançando com propostas específicas para a qualificação de determinados espaços públicos, sobretudo reforçando a sua dimensão e o seu desempenho pedonal.
  • Envolver a comunidade, em particular as escolas, explicitando e discutindo em cada caso, vantagens e objetivos das ações a implementar em cada espaço da cidade.

Professor Frederico Moura e Sá


Perfil

Urbanista, Doutor em Arquitectura pela FAUP (Perfil de Urbanismo), Mestre em Planeamento do Território (Ordenamento da Cidade) pela UA e Licenciado em Engenharia Civil (Opção de Planeamento do Território, Transportes e Ambiente) pela FEUP.

Iniciou a sua atividade profissional em 2002, enquanto investigador do CITTA e colaborador da SPTTA da FEUP, onde esteve envolvido em diversos projetos, nomeadamente: no Estudo para a Reabilitação da Baixa do Porto, na revisão do PDM de Chaves, na elaboração de “Planos de Mobilidade Sustentável” para vários concelhos, no Plano Estratégico para a 2ª Fase do Metro do Porto e na Avaliação do Impacto Global da 1ª fase do Projeto do Metro do Porto na cidade e área metropolitana. Mais recentemente, pelo IC-FEUP foi um dos responsáveis pelo “Estudo e Avaliação da Procura Estrutural das Linhas Alternativas para a Expansão da Rede do Metro do Porto”.

É Docente da UA e membro do GOVCOPP desde 2008, onde está envolvido em diversos projetos de investigação, projetos europeus e de prestação de serviços nas áreas da reabilitação urbana, do planeamento urbano, da mobilidade e da qualificação de espaços públicos (com destaque para a coordenação: de Planos de Urbanização, de Projetos relacionados com Bikesharing e do Projeto para Qualificação da Avenida Dr. Lourenço Peixinho em Aveiro).

É sócio gerente da Jorge Afonso Carvalho Urbanistas Lda. estando envolvido em diversos trabalhos nas áreas do planeamento urbano e da mobilidade, e na execução urbanística.

Tem como principais áreas de interesse: o planeamento do território e da mobilidade, as infraestruturas urbanas e a qualificação do espaço público urbano.

Aumento do preço nos transportes públicos em Lisboa e no Porto está “absolutamente em linha com a inflação”

Segundo João Matos Fernandes, “o aumento médio dos transportes do país é de 2%” e este ano há “um limite que nunca tinha acontecido nos anos anteriores”, que impede aumentos de 4% ou 5%.

“O aumento médio é de 2%, o máximo que pode existir [por cada título] é de 2,5%. E no Andante e no Viva o aumento é de 1,4%”, frisou.

O ministro salientou também que, além do desconto de 25% nos passes Sub23, este ano há um desconto de 25% nos passes Sub18, o que quer dizer que “os títulos de transporte que são mais utilizados não só não aumentaram como até tiveram uma baixa no seu valor”.

Matos Fernandes, que falava aos jornalistas à margem da cerimónia de tomada de posse do novo conselho de administração da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP), destacou também que a diminuição dos custos de transporte “para aqueles que são os clientes mais habituais” permite conquistar mais passageiros.

Além deste fator, disse, as empresas de transporte público estão também a conquistar passageiros pelo “aumento da qualidade e da fiabilidade”.

O ministro sublinhou, ao nível de impostos, que os clientes “podem reduzir todo o IVA da compra dos passes” em sede de IRS.

De acordo com um despacho recente do Governo, o preço dos bilhetes dos transportes públicos sofre este ano um aumento de até 2,5%, e todas as crianças e jovens vão beneficiar de um desconto de 25% nos passes mensais.

O documento refere que a atualização a aplicar na tarifa de cada título de transporte não pode ser superior a 2,5% sobre a tarifa atual, prevendo-se que os cartões Lisboa Viva, Viva Viagem/7 Colinas e Andante não sofram aumentos.

Já para os transportes coletivos rodoviários interurbanos de passageiros em percursos inferiores a 50 quilómetros (Rodoviária) e para os transportes coletivos nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto – Carris e STCP, transportes fluviais, e comboios urbanos e suburbanos em percursos inferiores a 50 quilómetros – foi fixada em 2% a percentagem máxima de aumento médio.

Desde segunda-feira que também todas as crianças e jovens, dos 04 aos 18 anos, beneficiam de um desconto de 25% nos passes mensais, “sem prejuízo dos descontos superiores já previstos para os estudantes beneficiários de ação social”.

Também o passe Sub23 @superior.tp, dirigido a todos os estudantes do ensino superior até aos 23 anos, foi alargado aos serviços de transporte coletivo de passageiros autorizados ou concessionados pelos organismos da administração central e regional, bem como aos serviços de transporte de iniciativa dos municípios, com um benefício igualmente de 23%.

Além disso, foi alargada a idade até à qual os estudantes de Medicina e de Arquitetura podem beneficiar deste título de transporte – até aos 24 anos.

Avião da TAP aterra de emergência em Bordéus

Um avião da TAP que partiu do Luxemburgo com destino ao Porto esta segunda-feira teve de aterrar de emergência em Bordéus, no sul de França. Segundo fonte oficial da TAP, o desvio aconteceu porque um dos passageiros se sentiu mal a bordo e teve de ser assistido por uma equipa médica em terra.

A hora prevista de chegada do voo da TAP 687 ainda aparece na página de internet da ANA como sendo às 14h45. Segundo o Airlive, o voo aterrou em Bordéus depois de um dos tripulantes ter sofrido um ataque epilético. O piloto declarou a emergência quando o avião se encontrava a 50 minutos do seu destino, no Porto

O autocarro que se move sobre o trânsito

Com 60 metros de comprimento, oito de largura e um pouco mais de dois de altura, terá capacidade para transportar 1400 passageiros. Além disso, esta espécie de lagarta gigante, terá a grande vantagem de circular sobre o trânsito. O protótipo foi apresentado por uma empresa chinesa em Pequim no fim de semana passado.

 Esta nova categoria de transporte público conseguirá circular a cerca de 65 km/h, funcionará a eletricidade e poderá substituir 40 autocarros, economizando 800 toneladas de combustível.

O inventor, Song Youzhou, afirmou à agência chinesa Xinhua que a empresa Transit Explore Bus pretende testar o protótipo na cidade de Changzhou. Segundo a agência noticiosa, a construção já arrancou.

A ideia nasceu em 2010 e, segundo o inventor, já nessa época a cidade de Pequim manifestou interesse neste modelo de transporte, mas entretanto caiu no esquecimento.

Segundo o site TreeHugger, o modelo é muito semelhante àquele que os arquitetos Lester Walker e Craig Hodgetts propuseram para Nova Iorque.

Portal da Deco dedicado aos transportes públicos recebe cerca de 38 queixas por dia

O portal da Deco dedicado às queixas sobre os transportes públicos recebe, em média, 38 reclamações por dia, a maioria relacionada com atrasos e com a diminuição ou supressão de linhas, percursos e horários.

Desde 11 de fevereiro, dia em que foi lançada a Carta dos Direitos dos Passageiros de Transporte Público Coletivo e o portal www.queixasdostransportes.pt, a associação de defesa do consumidor já recebeu 1.580 queixas de passageiros, disse à agência Lusa Ana Sofia Ferreira, jurista da Deco.

Relativamente à carta dos direitos dos passageiros, a jurista adiantou que já foi subscrita por 6.077 pessoas, “o que significa que os consumidores estão interessados sobre esta matéria”. Destas, 1.580 apresentaram queixa no portal, a maioria devido a atrasos (22%) e a diminuição ou supressão de linhas ou percursos e horários (20%).

“O testemunho que estes consumidores nos fazem chegar diariamente” é que estes atrasos “já fazem parte” do seu quotidiano, uma situação que “é necessário verificar e melhorar” porque significa “tempo perdido” para os passageiros, disse a jurista.

Os preços elevados dos títulos de transporte e a aquisição de passes mensais com percursos superiores aos que os consumidores vão utilizar também motivaram queixas (8%).

Perante esta situação, a Deco defende que os consumidores devem ter “mais opções” em termos de títulos de transporte e passes mensais, mais adequados às necessidades dos consumidores. Houve ainda utentes que reclamaram sobre questões de falta de higiene e conforto (8%) nos autocarros, nas carruagens e nos locais onde aguardam pelo transporte.

Os principais alvos das queixas foram os transportes rodoviários e ferroviário, com 948 e 321 reclamações, respetivamente,

O Metropolitano recebeu 229 reclamações, o transporte marítimo/fluvial 47 e o transporte aéreo 36.

O que a Deco tem verificado é que “existe um descontentamento por parte dos passageiros, mas depois não existe a formalização da reclamação”, disse a jurista. Isto acontece porque os passageiros encaram estes problemas como “meros constrangimentos e um descontentamento que vão conversando, mas não dão conhecimento aos prestadores de serviços e às entidades competentes”, uma situação que “é necessário alterar para que possam ser feitas melhorias no serviço que é prestado”.

A Deco já encetou mediações com as entidades reclamadas e deu conhecimento às entidades reguladoras das queixas apresentadas pelos utentes, exigindo “uma intervenção mais eficaz neste setor e a melhoria da qualidade deste serviço”.

Também tem apresentado a carta dos direitos aos operadores, procurando “reforçar os direitos já implementados e a introdução de novos” para responder às exigências e necessidades dos consumidores.

“É essencial que esta carta seja debatida por todos os operadores e que seja verificada a possibilidade da sua aplicação”, defendeu Ana Sofia Ferreira.

Para debater os direitos e interesses dos passageiros, a associação realiza na quinta-feira, na Estação do Rossio, em Lisboa, um debate para discutir os problemas relatados pelos consumidores e encontrar soluções.

Trabalhadores acusam anterior governo de desinvestir na STCP

“Não temos qualquer tipo de dúvida: o anterior governo fez, propositadamente, um desinvestimento total na STCP [Sociedade de Transportes Coletivos do Porto] de forma a degradar o serviço público e de forma a ser mais fácil o processo de subconcessão”, disse Pedro Silva.

Pedro Silva falava no parlamento durante a primeira audiência do grupo de trabalho para debater os projetos de lei do PCP e do BE para a reversão da subconcessão dos transportes, que hoje está a ouvir os sindicatos do setor.

Segundo o representante dos trabalhadores, nos últimos quatro anos houve desinvestimentos ao nível dos funcionários, da frota e da manutenção.

“Foi abandonada toda a manutenção preventiva e o défice de motoristas é brutal”, disse o sindicalista, acrescentando que faltam atualmente 120 motoristas na STCP, bem como viaturas.

“A STCP nunca poderia ganhar passageiros. É fácil perceber o porquê de STCP nunca ter crescido”, frisou.

Afirmando que defende a manutenção da empresa na esfera pública porque “só dessa forma está garantido o serviço prestado aos clientes e os postos de trabalho”, o membro da Comissão de Trabalhadores afasta ainda a possibilidade de municipalização das empresas de transporte por considerar que “as autarquias não têm vocação” para as gerir.

Pedro Silva disse que, no Porto, “há o risco por parte de alguns municípios de privilegiarem operadores privados” e receia que a “municipalização venha a abrir portas à privatização no futuro”.

Para exemplificar o que poderia acontecer com a subconcessão da STCP, referiu que três carreiras da STCP foram entregues a um operador privado de Gondomar e que uma delas costumava ter uma frequência de 12 em 12 minutos e passou a ter de 55 em 55.

“Também ninguém vai por um autocarro de madrugada a ir buscar duas ou três pessoas porque não é rentável. É um dos perigos de entregar a privados”, frisou.

Por isso, pediram aos deputados que, nos projetos de lei que vão apresentar, fique “reforçada a impossibilidade de se subconcessionar no futuro”.

“Há direitos que a população tem de ter — Saúde, Educação, Mobilidade – e tem de ser o Estado a assegurar. Só dessa forma é que há efetivamente o direito [de mobilidade] a todos a um preço baixo”, frisou.

Da parte da Metro do Porto, o representante Filipe Oliveira disse que a principal preocupação dos trabalhadores é “assegurar os postos de trabalho” e vivem na expectativa do novo concurso público que vai ser lançado pelo atual governo para a concessão da empresa.

“Neste momento, vive-se um clima de incerteza. Os trabalhadores receiam perder o emprego se a empresa passar para a esfera pública”, afirmou.

Questionado pelos deputados acerca da realidade de uma empresa pública que é concessionada a um privado, disse que este modelo de gestão “sempre funcionou”, realçando que “não conhecem de outra forma porque nunca pertenceram à esfera pública”.

Quanto ao serviço público, disse que a empresa “tenta cumpri-lo na íntegra”.

Filipe Oliveira defendeu para o futuro melhores condições de trabalho, a abertura de novos cursos de formação e mais flexibilidade por parte da administração em pontualmente alterar horários.

O parlamento aprovou, no final de novembro, a discussão na especialidade dos dois projetos de lei apresentados pelo PCP e quatro pelo Bloco de Esquerda para o cancelamento e reversão dos processos de subconcessão dos transportes públicos de Lisboa e do Porto.

A comissão parlamentar de Economia decidiu depois criar um grupo de trabalho para debater os projetos de lei.

Preços dos transportes de Lisboa e Porto não vão subir

As reduções que o preço do petróleo tem vindo a registar, e que tudo indica deverão continuar ao longo de 2016, mas também os fortes aumentos nos tarifários decididos nos primeiros anos da troika em Portugal estão entre os principais fatores a justificar a decisão.

Segundo fonte oficial do gabinete de João Matos Fernandes, ministro do Ambiente que ficou com a tutela dos transportes públicos, “não se justifica que haja aumentos dos preços”, em função da baixa dos preços dos combustíveis.

A inflexão registada na evolução do preço do petróleo a partir de meados de 2014 vai trazer algum alívio para os utentes dos transportes de Lisboa e Porto em 2016.

O barril de petróleo, que durante quase três anos se manteve acima ou próximo dos cem dólares, entrou num ciclo de descidas graduais mas constantes desde julho de 2014, ciclo esse que puxou o preço da casa dos 100 dólares por barril até aos menos de 40 dólares atuais. Esta é uma tendência que segundo a maioria dos analistas deverá continuar no próximo, antecipando-se até a queda do barril para menos de 30 dólares.

Esta inflexão da tendência do petróleo permitiu também congelar os tarifários em 2015, ainda que contra a vontade inicial do anterior governo. No ano passado, os tarifários tinham sido atualizados 1%, em média, valor quase idêntico ao registado em 2013. Estes aumentos moderados, contudo, surgiram em cima de um forte e repentino ciclo de encarecimento dos transportes públicos levado a cabo pelo primeiro executivo PSD-CDS.

Transportes 26% mais caros

No início de 2011, ainda antes de ser chamada a troika, os tarifários dos transportes públicos foram aumentados em média 4,5%. Depois, com a mudança de governo e a entrada dos credores, o novo executivo avançou em agosto do mesmo ano com nova revisão, elevando as tarifas em média 15%. Em fevereiro de 2012, veio nova alteração, com aumentos médios de 5%.

O impacto desta sequência de revisões em alta no custo dos transportes fica evidente se virmos os dados da inflação deste segmento: segundo o INE, e desde o início de 2011 até novembro último, recorrer ao transporte ferroviário de passageiros ficou 27% mais caro e no transporte rodoviário de passageiros as subidas atingiram os 16,7%. Já os títulos combinados de passageiros viram o preço subir 29%, com o salto nos transportes de passageiros por mar e vias interiores navegáveis a atingir os 29%.

Estes saltos expressivos nos preços tiveram igualmente reflexo nos dados operacionais das empresas, que perderam dezenas de milhões de passageiros: só em 2012, o Metropolitano de Lisboa contou menos 25 milhões de viagens, metade das perdidas pela Carris, que no mesmo ano teve menos 50 milhões de passageiros. Já a STCP contabilizou a perda de 10% dos passageiros mensais logo após a atualização tarifária feita em fevereiro de 2012.

Tarifários

Com a decisão de congelar os preços nos transportes urbanos de Lisboa e Porto, o bilhete individual continuará a custar 1,40 euros no caso do metro de Lisboa ou 1,80 euros na Carris – 2,85 euros nos elétricos, verificando-se o mesmo a norte: uma viagem individual na STCP ficará a 1,85 euros e cada viagem com o Andante Azul continuará a custar 1,20 euros, no caso de uma única zona.

A mesma situação irá ocorrer com os preços dos passes mensais, os mais procurados. Em Lisboa, o Navegante Urbano continuará nos 35,65 euros, com o título mensal geograficamente mais abrangente, o Navegante Rede, a permanecer nos 42 euros. No Porto, os títulos de assinatura mensal continuarão igualmente entre os 30,10 euros (Z2) e os 119 euros (Z12).

Metro de Lisboa volta às greves na próxima semana

Esta paralisação parcial de três dias abrange apenas os maquinistas da empresa e foi convocada por quatro estruturas representativas dos trabalhadores. São elas a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS), o Sindicato dos Trabalhadores da Tração do Metropolitano de Lisboa, o Sindicato da Manutenção do Metropolitano e o Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes.

Uma eventual fixação de serviços mínimos só será decidida depois de quinta-feira, dia para o qual está marcada a primeira reunião do Tribunal Arbitral indicado pelo Conselho Económico e Social.

Em declarações ao PÚBLICO, o coordenador nacional da FECTRANS afirma que a administração da empresa Transportes de Lisboa (que reúne o Metropolitano de Lisboa, a Carris, a Transtejo e a Soflusa) tem pautado a sua atuação por “confrontos com os trabalhadores e alterações unilaterais da contratação coletiva”.
“Essa tem sido a prática”, acusa José Manuel Oliveira, acrescentando que na origem da convocação desta greve esteve mais “uma alteração ao que estava em vigor”, desta vez relacionada com “a organização do tempo de trabalho” dos maquinistas do metro. O sindicalista sublinha que à administração da empresa não se pede algo “de novo” ou que represente “um esforço acrescido para o erário público”, mas sim “que cumpra os acordos de empresa”.

José Manuel Oliveira nota que o pré-aviso de greve foi entregue antes de o Presidente da República ter indigitado o atual primeiro-ministro. Já depois disso, adianta, foi enviada a António Costa uma carta a solicitar uma reunião com a tutela.

“Estamos a fazer diligências para que o Governo dê orientações à administração para que respeite os acordos de empresa e para que se limite a atos de gestão”, explica o coordenador nacional da FECTRANS, que considera que o conselho de administração presidido por Rui Loureiro “não tem condições” para se manter. Isto porque, lembra, se vive agora “um novo ciclo”, marcado pelo facto de PS, PCP, BE e PEV terem apresentado projetos-de-lei em defesa da anulação, cancelamento ou reversão dos processos de subconcessão dos transportes públicos, tanto de Lisboa como do Porto.

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