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Programa do arrendamento acessível. Acessível para quem?

Iolanda Mouta Pendes,

O metro quadrado no centro de Lisboa passou de pouco mais de mil euros para mais de dez mil euros atualmente. Com a recuperação económica, muitos dos jovens que tiveram de adiar os seus planos de casar e ter casa, sentem que agora é a altura ideal para realizar o seu sonho.

Um sonho, que para muitos se está a tornar um pesadelo, pois o preço das casas disparou para valores superiores aos que se praticavam antes da crise e os rendimentos das famílias não subiram ao mesmo ritmo que subiu o valor da habitação. Se comprar casa está fora de questão devido ao elevado valor e às restrições da banca, arrendar é a única hipótese. Num país como Portugal, em que o mercado de arrendamento é praticamente residual e em que a grande maioria dos portugueses tem casa própria, esta procura por casa para arrendar fez disparar os preços do arrendamento de uma maneira incomportável para muitos portugueses. Além do mais, o arrendamento de curta duração também veio agravar a situação.

Com T1 a mais de mil euros por mês e quartos para estudantes a partir dos 600 euros, Lisboa deixou de ser uma cidade para a classe média. Num país em que dois milhões de habitantes auferem o ordenado mínimo (600 euros) e em que um trabalhador da classe média aufere cerca de 950 euros por mês de vencimento, casas cuja renda mensal ronda os mil euros por mês, são claramente um exagero e incomportáveis. Com isto em mente e com o problema a aumentar, o governo decidiu criar um Programa para tentar reduzir o valor das rendas assim como o mercado informal. Foi criado através do Decreto-Lei n.º 68/2019 de 22 de maio de 2019 o Programa de Arrendamento Acessível.

Este programa visa colocar casas no mercado de arrendamento a preços acessíveis para a classe média. O objetivo é reduzir em 20% o preço médio do arrendamento, dando incentivos fiscais aos senhorios, bem como garantindo seguros mais baratos. No dia 1 de julho de 2019 o Programa entrou em vigor. Na primeira semana houve mais de 1500 candidaturas para pouco mais de 35 alojamentos inscritos. Será que este Programa é uma desilusão?

Este programa foi desenhado para todo o país, com claro impacto em Lisboa e Porto. Está dividido por áreas onde cada área tem um valor máximo definido por lei. Nos 308 concelhos portugueses, mais de metade (165) estão no escalão um, com os valores mais baixos, que variam entre 200€ por um T0 e 525€ para um T5. Lisboa é o único concelho no escalão 6, ou seja, no que tem rendas mais altas: o limite do valor para um T0 é de 600€, T1 até 900€, T2 até 1.150€, T3 até 1.375€, T4 até 1.550€, T5 até 1.700€ e acima de T5 acresce 150€ por cada quarto. Os concelhos de Cascais, Oeiras e Porto estão no quinto escalão.

Em relação aos candidatos, também há regras a cumprir. No caso de uma pessoa individual, para poder beneficiar deste programa, poderá ganhar, no máximo, 35 mil euros brutos por ano; se for um casal sobe para 45 mil €. Por cada filho (ou pessoa a mais no agregado familiar) o limite aumenta cinco mil €. Também podem candidatar-se estudantes, que não tenham rendimentos próprios, desde que a renda seja paga por terceiros. Além disso, também é tida em conta a taxa de esforço dos inquilinos: segundo as regras, a renda deverá representar 15 a 35% do rendimento médio mensal.

No fundo pode considerar-se que esta lei está feita à medida do país. No entanto na Grande Lisboa e Porto, esta lei peca por realmente não ajudar a classe média que realmente necessita. Como é possível que um trabalhador que ganhe mil euros consiga viver depois de pagar uma renda de 700 ou 800 euros por um T1? Uma família com crianças, com um rendimento líquido de 2000 euros terá dificuldades para pagar a renda. É verdade que não ultrapassa os 35% do rendimento bruto da família, mas não nos podemos esquecer que Portugal é dos países com a maior taxa impositiva da Europa e com os preços mais caros de combustíveis, água, luz e gás (depois de se ajustar a paridade do poder de compra). Além do mais, a quantidade de burocracia necessária para formalizar a inscrição é atroz.

É necessário contratar três seguros obrigatórios, que no momento em que este texto foi escrito, ainda não tinham sido colocados no mercado e muito menos se sabe o seu valor. Os contratos para residência permanente têm um prazo mínimo de cinco anos. Depois podem ser renovados por períodos a definir entre as duas partes. Numa sociedade que se quer flexível, em que as mudanças sociais dos últimos anos levaram a uma extrema volatilidade do mercado de trabalho assim como das relações socias, um contrato de 5 anos parece uma eternidade. Se do lado dos senhorios o risco é considerável, haverá assim tantos inquilinos a quererem ficar ligados a uma casa provisória por um período tão largo de tempo?

De momento como na globalidade do mercado de rendas em Portugal, a procura supera largamente a oferta. E nas grandes cidades este arrendamento é apenas realmente acessível para uma classe média, média-alta excluindo aqueles que mais necessitam de rendas ditas “acessíveis”. Tem de se promover a construção e a reabilitação para a classe média que realmente necessita e não para os privilegiados estrangeiros que chegam a Portugal para passar as suas reformas douradas aproveitando-se do nosso bom clima, hospitalidade e excelente gastronomia. O Governo teve uma boa iniciativa, mas necessita de ser mais ambicioso, de forma a garantir esse direito constitucional que é uma Habitação Digna para todos.

Opinião, Iolanda Mouta Mendes, sócia fundadora e advogada da Pereira Mouta Mendes & Associados

Sociedade de Advogados, RL.

Secret City Trails revoluciona forma de conhecer cidades

Hilton and Traveltech Lab Pitch Event at London & Partners 12th December 2017

A ideia é descobrir cidades, uma espécie de paddy paper mais sofisticado, no entanto, dependendo do nível de competitividade irá certamente conhecer um pouco melhor quem está também a jogar consigo.

PROPOSTAS PARA CASAIS, FAMÍLIAS, AMIGOS, TEAM BUILDING

Quem pode jogar ? Escolha um parceiro, uma equipa ou jogue sozinho. Os jogos estão preparados para serem jogados seja com amigos, em família, com os colegas de trabalho, ou até mesmo sozinho.

As ideias são as mais variadas, com espaço para celebrações como aniversários.

A boa notíca é que não precisa de fazer nenhum download, os jogos estão inseridos na app que funciona no navegador de qualquer smartphone. Durante o jogo vão aparecer-lhe os trails disponíveis que incluem um caráter lúdico com explicações sobre os locais por onde vai passando com algumas recomendações.

A ideia é ir respondendo corretamente às questões para desbloquear o próximo enigma, bem como histórias e recomendações para bares, cafés ou lojas. O pagamento é feito online e pode comprar quantos jogos pretender e sem correr o risco de repetir algum.

Neste momento a Secret City Trails tem a decorrer uma campanha de Natal cuja sugestão é que a sua época natalícia seja passada de uma forma completamente diferente e muito divertida.

Os benefícios deste tipo de aventura desdobram-se entre o aumento da criatividade, produtividade e melhoria da capacidade de colaboração. Os jogos Secret City Trails já estão disponíveis em 17 cidades como Genebra, Barcelona, Viena, Londres, Amesterdão. Colónia, Bratislava e, em Portugal estão presentes no Porto e em Lisboa

Se quer fazer algo diferente, seja visitante ou local, experimente and have some fun!

COMO FUNCIONA?

PASSO 1

Comece por escolher a aventura urbana on-line e receba um e-mail com um link exclusivo para jogar, a seguir verifique no seu e-mail o ponto de partida do jogo e vá até o local para começar o jogo.

PASSO 2

Clique no link de e-mail no navegador do seu smartphone e aperte o botão “play” para receber seu primeiro enigma do jogo.

www.secretcitytrails.com

EFTA conquista prata em concurso europeu

Além da brilhante prestação de ambos os alunos, a EFTA destaca-se, por mais um ano consecutivo, desta vez na categoria de Cockatail, trazendo para Portugal a medalha de prata.

A AEHT promove este concurso anual para estímulo e contacto entre escolas, estreitando relações entre os  participantes provenientes de diferentes partes da Europa. Esta é uma oportunidade de crescimento e aprendizagem para os jovens participantes dos níveis secundário, pós-secundário e superior, bem como de teste às suas capacidades e formação. Colocando-se à prova, exibem as suas competências e conteúdos aprendidos ao longo dos Cursos que frequentam.

A EFTA considera ainda que a participação dos seus alunos em competições desta dimensão é um estímulo para os jovens e um facto revelador da qualidade do ensino ministrado na Escola.

Nas últimas 9 edições em que marcou presença a EFTA conquistou 7 medalhas: 3 medalhas de Prata na categoria de Receção, 1 medalha de Prata na categoria de Culinary Art, 1 medalha de Prata na categoria de Tourism Destination, 1 medalha de Prata na categoria de Cocktail, a mais recente conquista da escola, e 1 medalha de Bronze na área de Culinary Art.

Este é o maior e mais prestigiado concurso europeu de Escolas de Hotelaria e Turismo e, este ano, contou com 550 participantes, provenientes 20 países Europeus. Mais uma vez, a EFTA esteve ao nível do que de melhor se faz na Europa no que respeita ao ensino e formação nas áreas do Turismo e Hotelaria.

Chile limitou acesso turístico à Ilha da Páscoa para proteger ambiente

© iStock

“Esta ilha é mágica, todo o mundo a quer visitar, mas também é uma ilha delicada que temos que proteger. A nova lei tem como objetivo regular o turismo”, disse o presidente chileno Sebastian Pinera à cadeia de televisão 24 Horas.

O crescimento populacional da ilha, que tem uma área de 168 quilómetros quadrados, combinado com o crescimento do turismo e da atividade imobiliária – principalmente hotéis – põe em perigo a sua fauna e flora.

Todos os anos, a Ilha de Páscoa, localizada no sudeste do Oceano Pacífico, recebe 116 mil turistas. Já a sua população duplicou em poucas décadas.

A lei, que entrou em vigor na quarta-feira, reduz o tempo máximo de permanência de 90 para 30 dias para turistas.

Aqueles que desejam visitar este território chileno também terão que atender a certos critérios: preencher um formulário, ter uma reserva em um hotel ou ter sido convidado por um ilhéu e apresentar os seus bilhetes de ida e de volta.

A lei aplica-se a estrangeiros, mas também aos chilenos que desejam visitar a ilha.

LUSA

“O Algarve deve ser a prioridade na gestão da RTA, como fiz sempre”

Este crescimento e desenvolvimento foi sendo realizado de uma forma paulatina, mas também sustentada e alicerçada na qualidade, na excelência e na diferenciação, pois só desta forma é que o Algarve poderá continuar a representar aquilo que é hoje, ou seja, um local privilegiado e que recebe da melhor forma todos aqueles que o querem visitar. Uma das personalidades que mais tem contribuído para este reconhecimento e crescimento é Desidério Silva, atual Presidente da Região de Turismo do Algarve e que, quase seis anos depois, deixará, no final de julho, a posição de liderança da instituição ao seu sucessor, João Fernandes, até agora vice-presidente da RTA.

Desta forma, a Revista Pontos de Vista conversou com Desidério Silva, que fez um balanço destes seis anos de liderança e que abordou algumas das necessidades do turismo algarvio, sem esquecer que a prioridade deve ser sempre o Algarve. “O Algarve deve ser sempre a base e a prioridade na gestão da RTA, como eu fiz sempre”, realça o nosso entrevistado, presidente da entidade algarvia desde 2 de novembro de 2012, que se congratulou com a contribuição do Algarve para o crescimento do turismo português, não tivesse a região, em 2017, contribuído para o PIB português com 4,6%, num ano em que as receitas turísticas globais atingiram os 7%.

“Balanço é extremamente positivo”

Mas qual o balanço que nosso entrevistado perpetua destes quase seis anos de gestão? Assegurando que tudo se deveu ao seu esforço e da equipa que com ele esteve, para Desidério Silva o balanço é “extremamente positivo” e se dúvidas houvessem, essas são ultrapassadas pelos números alcançados. “Em 2012 tivemos cerca de 14 milhões de dormidas registadas e em 2017 os números alcançaram os 19 milhões. Há seis anos o aeroporto de Faro teve pouco mais de 4 milhões de passageiros em trânsito e no final do ano passado quase 9 milhões de passageiros, e, portanto, isso são sinais do que foi realmente a evolução e o crescimento da região”, revela o nosso interlocutor, não se ficando por aqui. “Na altura da nossa entrada na RTA a taxa de ocupação da região na chamada época baixa (outubro a maio) andava próxima dos 50% e hoje situa-se entre os 67%”. Assim, para o nosso interlocutor, a grande novidade de todo o trabalho realizado assentou na capacidade de diversificação do produto e da oferta do turismo do Algarve, promovendo assim a valorização do território, sempre numa lógica de parceria com as forças locais como as universidades, a CCDR Algarve, a AMAL, entre outras entidades “e que permitiram que tivéssemos uma visão mais vasta e alargada do que eram as necessidades e do que era o fito da sustentabilidade da região e, nesse contexto, é com muito orgulho que falo destes seis anos e do que se conseguiu. Estou de consciência perfeitamente tranquila do trabalho realizado, da evolução da região e do que é hoje a imagem de marca da região e da confiança na mesma, pois superámos grande parte dos indicadores e dos patamares que colocam o Algarve como um destino turístico de excelência”, afirma convicto o nosso entrevistado, assegurando que é suspeito para falar, “mas não posso deixar de o dizer. O balanço é muito positivo. O trabalho realizado, o esforço, a entrega e a alma com que me agarrei a este projeto deixa-me extremamente feliz e satisfeito porque o Algarve melhorou significativamente”.

“Fica sempre alguma coisa por fazer… mas tudo fizemos para dignificar o Algarve”

Mas será que ficou alguma coisa por fazer? Bem ao seu estilo pragmático, Desidério Silva não tem dúvidas em afirmar que “há sempre coisas que ficaram por fazer, até porque o turismo é uma atividade muito dinâmica e em constante mudança e, independentemente de os números serem fortes, isso não invalidou ou inibiu que todos os anos tentássemos fazer mais, produzir mais, qualificar mais, diversificar mais, no fundo dignificar o Algarve”, esclarece, assegurando que esse “tem de ser, como foi, um objetivo permanente de quem está nesta função, ou seja, procurar reforçar a imagem da região e da perceção que os mercados têm da mesma, contribuindo, naturalmente, em todas as frentes, porque o Algarve não pode ser competitivo somente pela questão do preço comparativamente a outros mercados/destinos, mas sim através da qualidade de excelência do produto que oferecemos”.

Uma das principais particularidades da Região do Algarve passa pelas suas gentes e pela capacidade das mesmas em serem hospitaleiras, algo que funciona como um pilar do sucesso do turismo algarvio “e que tem sido essencial”, revela o nosso entrevistado que desde sempre teve como principal preocupação a criação de uma oferta diferenciadora que potenciasse o turismo algarvio na denominada época baixa, ou seja, entre os meses de outubro e maio, onde os números atuais confirmam uma subida radical e consolidada das taxas de ocupação nesse período. “Temos de compreender que as margens de crescimento só podem ser feitas nos meses em que não acontece, ou seja, na época baixa e foi aí que nos focámos mais, numa aposta clara de diversificação da oferta e de rede com outras forças da região que têm feito um trabalho muito positivo, nomeadamente o universo empresarial algarvio. Todos têm contribuído de uma forma decisiva e isso teve os seus frutos, pois os níveis de confiança no destino Algarve subiram exponencialmente”.

“O investimento é fundamental para o Algarve continuar a crescer”

Com todas as condições para continuar a crescer, o turismo do Algarve não pode ficar por aqui, até porque ainda existe muito mais para crescer e assim é necessário, segundo o presidente da RTA, continuar a promover uma oferta de qualidade, diversificada e competente, “até para podermos contrariar as tendências de deslocação de turistas para outros mercados”, assegura, lembrando que os países da bacia do Mediterrâneo “estão a criar condições para recuperar das crises que tiveram”.

Mas qual o caminho para contrariar esse panorama? “O investimento é fundamental”, explica, salientando que “temos de continuar a lutar por um forte investimento na promoção e na valorização da região no exterior. Se não houver esse investimento não iremos conseguir ter êxito, porque quem não aparece, acaba por esquecer e as coisas acabarão por não correr tao bem como têm corrido até aqui”, salientando que essa responsabilidade não depende somente da RTA, mas também do Governo, do Turismo de Portugal, das companhias aéreas, entre outros.

“O Algarve tem pouca força política”

Não é segredo para ninguém que o Algarve é hoje um dos principais destinos turísticos a nível mundial. Um conjunto de valias perpetua este legado nesta região portuguesa. Mas será que esta importância é devidamente acompanhada pelo investimento e apoios na região? Desidério Silva não tem dúvidas em afirmar “que a região do Algarve carece de apoios”, responsabilizando a centralidade excessiva que se vive no nosso país “e que define as verbas para as regiões. Nesse contexto, o que sentimos é que, ao longo de todos estes anos e de todos os Governos, foram preterindo a nossa região em função de outros investimentos e de outras regiões. Infelizmente não temos a capacidade de outras regiões em alavancar fundos comunitários, pois enquanto a região Centro, o Porto e Norte e o Alentejo possuem bases acima dos dois mil milhões de euros, o Algarve chega somente aos 360 milhões e isso reflete-se na capacidade de desenvolvimento”, explica, lembrando que existe necessidade de investimento não só no litoral, mas particularmente no interior algarvio, dando alguns exemplos claros dessa realidade, ou seja, de que os investimentos chegam, quando chegam, sempre atrasados em relação a outras regiões. “Chegam atrasados na eletrificação da linha, na requalificação das vias, na necessidade de transportes consolidados, na saúde, entre muitos outros. Há aqui um foco que tem sido comum, ou seja, prometer e não se fazer e isso é um histórico que concerne não só a ao atual Governo, mas também aos anteriores. Sejamos claros, o Algarve tem pouca força política, com poucos deputados e poucos habitantes e isso reduz a capacidade de reivindicação do que são os direitos e assim nem sempre as verbas necessárias são encaminhadas para a região e vão para outros destinos, com muita pena minha, porque se temos tido bons resultados com estas dificuldades, imaginem onde estaríamos se o cenário fosse mais justo para o Algarve e as suas gentes”.

“Que a TAP dê outro apoio ao Algarve, que bem merece”

É de conhecimento público que a relação entre a RTA e TAP não é das melhores, até porque segundo Desidério Silva, “a TAP poderia ser um parceiro muito mais forte, porque achamos que a transportadora aérea podia ter em relação ao Algarve um olhar diferente e atenções diferentes e, obviamente, um reforço das frequências”, esclarece, assegurando que isso é importante. O Aeroporto de Faro, neste momento, está ligado a cerca de 80 cidades europeias e essas, obviamente, estão quase todas ligadas ao Algarve através de companhias aéreas low cost e algumas de bandeira como a British Airways, a Lufthansa e outras. “Isto significa que a TAP no Algarve representa pouco, cerca de 3%. O ano passado, dos 9 milhões de passageiros que circularam no Aeroporto de Faro só cerca de 280 mil passageiros são da TAP o que revela a pouca importância estratégica que a companhia oferece ao Algarve, o que para nós não faz qualquer sentido”, esclarece o nosso entrevistado, lembrando que esta é uma «guerra» antiga e que “estou cansado de falar, mas, como estou de saída, espero que quem fique continue a lutar e a fazer essas exigências para que a TAP dê outro apoio ao Algarve, que bem merece”.

“A prioridade deve ser sempre o Algarve”

João Fernandes, até agora vice-presidente da RTA, será o novo presidente da RTA e Desidério Silva não quis deixar passar a oportunidade de deixar uma mensagem ao seu sucessor. “Esteve comigo na RTA durante cinco anos e, portanto, sabe perfeitamente quais são os principais problemas e as principais necessidades desta casa e da região. Espero que continue este processo de evolução que teve resultados e que continue a ser exigente e a ter uma forte intervenção na defesa da região. Não preciso de ensinar ou explicar nada porque ele sabe. A partir do momento em que foi eleito, saberá o que tem a fazer e a minha prioridade é e sempre foi o Algarve. Que defenda a região como eu sempre defendi em todos os momentos e que o Algarve esteja sempre em primeiro lugar nas decisões desta casa e naquilo que forem as abordagens, que seja bem feitas”, revela o nosso interlocutor, deixando ainda uma palavra para as gentes algarvias. “Que puxem e lutem por um Algarve turístico cada vez mais sustentável. Que lutem mais pelo todo da região, que vale muito, e não olhem somente para si e para os interesses pessoais, pois só dessa forma, em parceria, é possível continuar a levar e a elevar o desígnio Algarve mais alto e mais longe. Continuem como eu, a lutar por um Algarve Livre de Petróleo!”, conclui Desidério Silva.

Porto aprova taxa turística de dois euros a partir de março

Na reunião camarária de hoje, o executivo liderado pelo independente Rui Moreira deu luz verde ao regulamento da Taxa Municipal Turística, com a CDU a defender o valor de um euro por dormida e, tal como o PS, uma taxa aplicada apenas a hóspedes com idade superior a 18 anos.

De acordo com o documento, a taxa “entra em vigor a 01 de março de 2018, não se aplicando às reservas comprovadamente efetuadas antes dessa data” e é devida por noite, “até um máximo de sete noites seguidas por pessoa, ou estada, independentemente de reserva (presencial, analógica ou via digital)”.

O vereador do PSD Álvaro Almeida considerou estar perante “um bom regulamento”, com “uma taxa bem definida”, mas alertou para a necessidade de a autarquia ser “coerente” com o documento, “aliviando os residentes de custos”.

“A descida do IRS na cidade do Porto tem sido defendida pelo PSD. Era uma forma de aliviar o esforço dos residentes. Isso não foi colhido. Mas, se não for por aí, que seja [aliviado o esforço dos residentes] noutras áreas”, observou.

Na votação da “atualização tarifária” relativa à gestão de resíduos urbanos para 2018, Álvaro Almeida chamou a atenção para a importância de baixar os valores para os moradores no Porto, contrabalançando a descida com a receita da taxa turística.

“No regulamento da taxa turística, é dito que a mesma suportará 3% dos custos da limpeza urbana. Se um terço da taxa turística é para limpeza, esse terço deve refletir-se num alívio para os moradores [nas taxas de resíduos]”, afirmou o eleito social-democrata.

O vereador do Ambiente, Filipe Araújo, explicou que os custos “ambientais” incluídos no regulamento da taxa turística dizem respeito à “limpeza urbana” e não à “recolha de lixo”.

Araújo acrescentou estar em causa um aumento de “dez cêntimos na tarifa fixa e um cêntimo na tarifa variável”, relativa à recolha do lixo, notando ser “o regulador quem obriga a que os custos da Empresa Municipal do Ambiente sejam cobertos pela receita”.

Durante o debate, também a vereadora da CDU Ilda Figueiredo defendeu que a taxa turística devia servir para uma descida das tarifas da recolha do lixo.

A vereadora comunista observou também que as “tarifas sociais” relativas ao consumo de água e à recolha de lixo “deviam começar a ser consideradas”.

O presidente da câmara, Rui Moreira, notou que “relativamente à eletricidade, o défice tarifário [decorrente da aplicação de tarifas sociais] é assumido pelo Estado, não pelas câmaras”.

“Sou favorável à tarifa social na eletricidade. Mas não são as câmaras que pagam”, afirmou.

Quanto à taxa turística, o PS, através da vereadora Odete Patrício, sugeriu que fosse aplicada apenas a maiores de 18 anos, vincando que “a perda de receita potencial não será significativa”.

Ilda Figueiredo considerou que a taxa turística devia fazer parte de um “debate mais profundo” e de um “plano integrado do turismo”.

“Não é só uma questão da taxa. São os alojamentos, os transportes, a habitação, os ruídos”, destacou.

A taxa hoje aprovada “é devida por hóspede com idade superior a 13 anos, incluindo a data do aniversário, independentemente do seu local de residência”, ficando isentos de a pagar hóspedes cuja estada “seja motivado por tratamentos médicos, estendendo-se esta não sujeição a um acompanhante”, bem como a hóspedes com incapacidade igual ou superior a 60%.

No documento, Rui Moreira considera que o “sucesso do Porto enquanto destino de referência e em crescimento constante, associado à população residente e à população migrante que, diariamente, acorre ao centro da cidade, implicam um aumento da pressão nos equipamentos públicos, nas infraestruturas, na via pública e no espaço urbano em geral”.

Assim, acrescenta, “continuar a assegurar o Porto como destino de referência sustentável” implicará que “os turistas participem no pagamento das utilidades para si geradas pelo município, em limiares comportáveis, garantindo a equidade do valor a pagar, face ao desgaste inerente à pegada turística”.

“Acreditamos no futuro”

Para o próximo ano letivo 2017/2018 a EFTA – Escola de Formação Profissional em Turismo de Aveiro – aumenta a sua oferta formativa abrindo dois novos Cursos de Especialização Tecnológica (CET): Técnico Especialista em Gestão e Produção de Cozinha e Técnico Especialista em Gestão e Produção de Pastelaria. Os Cursos de Especialização Tecnológica (CET) são formações pós-secundárias não superiores que visam colmatar a crescente necessidade de quadros intermédios especializados e competentes num mercado de trabalho cada vez mais exigente, em rápida mutação e acelerado desenvolvimento.

Conferem uma qualificação de nível 5 do Quadro Nacional de Qualificações e, a par da especialização em áreas tecnológicas, permitem o prosseguimento de estudos, bem como a obtenção de equivalências a algumas unidades de cursos de nível superior (licenciaturas), com a atribuição de Créditos (ECTS).

Na conferência de imprensa conjunta do Turismo Centro de Portugal e da EFTA estiveram presentes, para a apresentação dos novos cursos de formação pós-secundária, Pedro Machado, Presidente do Turismo Centro de Portugal, Manuel Torrão, Diretor da EFTA e Paula Ribeiro, Coordenadora dos Cursos de Especialização, que falaram à Comunicação Social sobre as expectativas e objetivos que pretendem alcançar.

Com um quadro de formadores qualificado e de elevada experiência, estes cursos “serão uma mais-valia para o contributo na continuação do desenvolvimento do turismo, nomeadamente na hotelaria e restauração”, começa por referir Paula Ribeiro, Coordenadora dos Cursos de Especialização Tecnológica.

No entanto, o maior anseio prende-se com o facto de estes cursos não serem financiados, pelo que há o grande entrave das propinas. Porém, “acreditamos que iremos ter uma grande procura”, afirma Manuel Torrão, Diretor da EFTA.

Os cursos terão a duração de 1500 horas e as mensalidades variam entre os 160 euros e os 180 euros para o curso de Produção de Cozinha e Técnico Especialista em Gestão e Produção de Pastelaria e o Curso de Técnico Especialista em Gestão e Produção de Cozinha, respetivamente

No momento, a EFTA leciona três cursos, Técnico de Turismo, Técnico de Restauração – Restaurante/Bar e Técnico de Restauração – Cozinha/Pastelaria, mas, ainda este ano, pretende retomar o Curso de Técnico de Receção. “Atualmente temos três turmas, mas pretendemos, em três anos, alcançar as 12 turmas que a EFTA já teve”, adianta Manuel Torrão.

Com alunos de todo o distrito de Aveiro e dos distritos circundantes a frequentar a escola, “muitos jovens com quem nos cruzamos na cidade de Aveiro passaram pelos bancos da nossa escola”, refere com orgulho Manuel Torrão.

Por sua vez, Pedro Machado, Presidente do Turismo Centro de Portugal, afirma que “há um grande mercado aqui para se trabalhar e agradeço ao nosso parceiro EFTA o trabalho pró-ativo que tem vindo a desenvolver”. O Presidente do Turismo Centro de Portugal refere, ainda, que “estes cursos são a resposta inteligente para a qualificação dos nossos jovens”.

Quando questionado sobre a importância da EFTA e da introdução de novos cursos para potencializar o turismo da cidade de Aveiro e da região Centro do país, Pedro Machado não tem dúvidas: “a EFTA é um parceiro que representa a consolidação de um dos maiores desafios da atividade turística: a formação dos recursos humanos”.

O Presidente do Turismo Centro de Portugal explica que 2016 foi um ano excecional em que se atingiu praticamente 270 milhões de receitas diretas com o alojamento, cerca de 100 milhões de euros com as viagens e aproximadamente mil milhões de euros com a restauração. “Mas, o turismo é muito transversal e estamos perante um setor cuja continuidade do crescimento da sua atividade traz desafios. Temos de manter a autenticidade e a diferenciação do nosso turismo, porém precisamos de procurar novos segmentos de mercado. Temos de abrir os nossos horizontes, pois os turistas são cada vez mais exigentes. E a EFTA está a assumir um duplo contributo para a consolidação do turismo: está a aumentar o número de quadros especializados formados em áreas específicas para melhorar o serviço ao cliente, seja ele nacional ou estrangeiro, e está a contribuir para a valorização da atividade”, conclui Pedro Machado.

Grupo Pestana: De pessoas para pessoas

O Pestana Hotel Group assume-se como um player de enorme relevo que é reconhecido por todos a nível nacional e internacional. Neste domínio, como tem perpetuado a marca um sentido de crescimento assente em pilares como a excelência, a qualidade e o rigor? 

Os vários reconhecimentos públicos dentro do setor e não só, que o grupo tem vindo a receber ao longo dos anos, são a demonstração da qualidade do que o mesmo entrega aos diferentes patamares do mercado, quer seja ao nível da operação hoteleira propriamente dita, mas também ao nível do desenvolvimento físico de nova estruturas, como ao nível do cumprimento dos compromissos assumidos em outros setores da atividade económica.

Assim, com a excelência do serviço que é apresentado, com a qualidade do que é construído e com o rigor de gestão que é claramente reconhecida, o grupo é frequentemente desafiado a aceitar novos projetos e sustenta nestas premissas o perpetuar do seu crescimento.

De que forma é possível caracterizar a marca no que concerne ao relacionamento que mantém com o cliente? Como é que perpetuam valor? 

Caracteriza-se pela seriedade do produto entregue ao cliente no binómio qualidade / preço e também pela transparência com que toda a relação comercial se desenvolve por parte do grupo. O claro exemplo destas características é a fidelização de uma série relevante de clientes que visitam as nossas unidades há mais de 40 anos permanentemente e que transmitem aos seus familiares e descendentes o desejo e vontade de visitarem as unidades do grupo e aí permanecerem. Claro que estas características são igualmente suportadas pela qualidade de serviço, atenção, dedicação e capacidade de antecipar expectativas, que fazem parte do ADN dos embaixadores que representam diariamente o grupo e por ele dão a cara a quem escolhem. 

Os recursos humanos são, cada vez mais, uma parte ativa e fundamental para que qualquer marca/organização tenha sucesso no mercado. Neste âmbito, quais são as principais mais-valias dos recursos humanos do Grupo Pestana? 

Começam por ter uma característica generalizada e que sendo única na sua dimensão e generalização, fazem uma grande diferença no mercado; gostam de pessoas; logo sendo a hotelaria o “core business” do grupo e uma indústria de pessoas para pessoa, o simples gostar transporta uma paixão para a atividade diária que resulta no exceder de expectativas dos nossos clientes e por aí uma enorme influência positiva à afirmação da marca no mercado hoteleiro.

O Grupo Pestana compreendeu há muito que a vertente das competências comportamentais são o motor de afirmação da qualidade do que se entrega em termos de produto a todos os clientes. São em competências como cortesia, iniciativa, autonomia, dedicação, simpatia, comunicação, acompanhamento, entre outras, que qualquer cliente valoriza e classifica a qualidade do produto que adquiriu nesta indústria.

Ao contrário de outros, o Grupo Pestana há muito que tem a sua atenção nesta matéria, procurando desenvolver os seus quadros, valorizando os seus recursos humanos, para que os mesmos valorizem sempre com prioridade máxima o cliente do grupo. Muito por aqui, se constrói a forte, honesta, dedicada e qualitativamente superior marca Pestana.

O trabalho do departamento de recursos humanos nas empresas é muitas vezes associado apenas à seleção e recrutamento de colaboradores, porém esta é uma definição demasiado redutora. Qual é, na sua opinião, o papel dos recursos humanos e a sua importância no universo empresarial? 

Podemos ainda andar um pouco para trás no tempo, e na verdade mais redutor do que considerar que o departamento de RH é apenas o fornecedor de serviços de seleção e recrutamento é o pensamento de que apenas fornece serviços administrativos de processamentos salariais, legal / laborais.

Os RH devem ser o principal parceiro estratégico de uma visão embebida num grupo e que sustentada em valores claramente definidos, e que numa indústria como a da hotelaria, se tornem o principal meio difusor pelo interior da organização.

Assim, o papel deve assentar em compreender quem tem perfil para ser representante de uma organização, como deve ser o seu desenvolvimento, onde pode chegar, o que deve alcançar e como pode contribuir para o sucesso dessa organização. Em resumo, o RH devem ser o garante de que os passos para a visão estabelecida são dados com confiança numa ambiente de sucesso e de felicidade, conhecendo profundamente e acompanhando todos os seus embaixadores, da mesma forma que um comercial acompanha os seus clientes. 

Sente que atualmente o paradigma mudou, ou seja, o universo empresarial começa, cada vez mais, a dar uma maior atenção ao seu corpo de recursos humanos? 

Sim, é um facto que os RH deixaram de ser meros administrativos, que se regiam por definições legais para executarem as suas responsabilidades, e passaram a ser vistos por mérito próprio como agentes de mudança interna, agentes de mudança de cultura e profissionais capazes de pela sua criatividade saírem das amarras do cego caminho de se guiarem por preceitos legais.

Como em todas as áreas, os RH não são diferentes ou seja, as suas características, o seu perfil de equipa e a forma como são vistos, depende dos profissionais que preenchem cada equipa RH. No entanto, sendo hoje primordial a capacidade de retenção e atração de talento, e que a mesma se faz principalmente através das emoções, mais do que pelo tangível, os RH serem vistos como parceiros fundamentais através da sua criatividade, ajuda ao sucesso das organizações no exceder dos seus resultados.

As pessoas fazem a diferença no ambiente competitivo? Como é que isto se nota na realidade? 

As pessoas são a principal diferença em qualquer ambiente, principalmente no competitivo. Numa qualquer atividade comercial, industrial, de serviços e de preferência competitivo, é a singularidade humana que não pode ser copiada. Tudo o resto pode! No mercado hoje em dia bastante competitivo como o hoteleiro, cada interação entre duas pessoas, cliente e embaixador é única e inimitável. É em todas estas interações que se preenchem de emoções que as pessoas fazem a diferença entre fidelizar ou não. Os campeões não se constroem com os tecnicamente melhores jogadores. Constroem-se com aqueles que sentindo paixão pelo que representam, jogam transportando para o ambiente de competição este sentimento que eleva todas as suas competências técnicas. Não há campeões sem paixão, logo estando esta emoção nas pessoas, estas fazem a diferença.

Que desafios terá a marca de futuro? Ao nível de recursos humanos e dos seus desafios que expectativas existem? 

A marca terá os desafios da entrada em geografias onde se necessita de afirmar com a mesma qualidade que já a prestigia em Portugal. A nível de recursos humanos, o maior desafio continua a ser a característica da indústria, a visão que os jovens têm sobre uma atividade de “servir” terceiros e como projetar em termos de imagem a nobreza das suas atividades principais.

Outro dos desafios, num mercado onde a oferta de trabalho cresce a um ritmo bastante superior ao que cresce o mercado de trabalho, coloca-se num futuro a muito curto prazo, para não dizer já hoje, o desafio da fidelização dos jovens à atividade, à marca como “empregador atrativo” e a capacidade de fidelização de quem já está no interior das organizações.

Esta fidelização de quem já desenvolve a sua atividade no seio da marca, passa pela capacidade de fazer compreender a cada indivíduo qual o seu papel, qual o seu contributo, como participou no sucesso global e desta forma dar um claro propósito e reconhecimento à sua importância para esse mesmo sucesso.

O desafio do futuro em recursos humanos passa pela capacidade de retenção, atratividade, dar significado à participação, tendo um propósito bem maior do que um simples emprego.

35 casas ameaçadas em praia de Aljezur

O Programa da Orla Costeira Odeceixe/Vilamoura (POC-OV), que esteve em consulta pública até meio da semana passada, prevê a demolição de 35 casas na praia de Monte Clérigo. Na restante faixa abrangida pelo plano, ao longo de mais 92 praias da zona do barlavento algarvio, o tratamento é diferente. Apesar de existirem centenas de casas situadas na faixa de risco — em Armação de Pêra e Albufeira, por exemplo — o plano só prevê deitar abaixo menos de duas dezenas de estruturas, a maioria clandestinas. A associação ambientalista Almargem critica o documento, considerando que ele se encontra “ferido de graves incorrecções, contradições e ambiguidades”. Os ambientalistas apelam ao ministro do Ambiente para que o documento “não seja aprovado” sem que seja objecto de uma “plena participação” em que se sejam aprofundadas e debatidas as acções previstas.

O aumento” inexplicável” da carga e capacidade de estacionamento na praia de Monte Clérigo, em contraponto às intenções de demolir o que lá está, é uma das muitas críticas feitas por ambientalistas e moradores. O número de utentes desta zona balnear poderá, com o novo plano, vir a triplicar. O Plano da Orla Costeira (POOC), em vigor, define 770 utilizadores da praia, ao passo que o POC-OV prevê que possa chegar aos 2351. Os ambientalistas, em comunicado difundido à imprensa, criticam as “demolições sem critério” e alertam para o perigo de se abrirem as portas a uma “utilização ainda mais massiva desta praia, eventualmente associada à proposta de construção de um mega-empreendimento turístico”.

O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, questionado pelo PÚBLICO, rejeita as críticas: “Aquilo que foi feito foi uma proposta técnica de apresentação desse plano de ordenamento da orla costeira – não está concluído”. Após a consulta pública, adiantou, haverá um “período de ponderação, que se espera que não seja longo”, para análise dos diversos comentários e sugestões. O critério que presidirá à decisão sobre o plano de praia, sublinhou, é a “defesa intransigente do litoral”. Porém, a Almargem detectou “muita falta de clareza” na demarcação dos diferentes espaços e classes de espaços a preservar.

O presidente da recém criada Associação Praia de Monte Clérigo, Nuno Barros, adiantou: o programa das demolições inclui ainda, além das 35 habitações particulares que estão habitadas, uma garagem, um restaurante e um sanitário público. “Existem habitações previstas para demolição que se encontram fora de qualquer faixa de salvaguarda”, denuncia. Por seu turno, a Almargem acrescenta que há construções assinaladas para deitar abaixo enquanto que para outras edificações, “nas mesmas condições, não se prevê qualquer tipo de intervenção”. Nuno Barros defende um plano que possa ser lembrado no futuro como um documento que define uma “lógica de conservação da Costa Vicentina em geral e da praia de Monte Clérigo em particular, e não um documento que abre uma porta à sua descaracterização”.

De acordo com a associação que representa os moradores, criada na sequência da consulta pública do plano, o núcleo urbano do Monte Clérigo existe há quase um século. As casas, dizem, não são estruturas devolutas, apoios de praia clandestinos ou armazéns de pescadores, estão legalizadas e autorizadas. A história do aglomerado, destaca, confunde-se com a evolução do próprio concelho de Aljezur. Ao contrário do que se passou noutros locais da costa portuguesa, enfatiza, “não foi construída uma única habitação no núcleo urbano de Monte Clérigo nos últimos 30 anos”. A intervenção prevista para esta praia, acusa, é “desgarrada e desprovida de sentido”.

No mesmo tom crítico, a Almargem aponta ao plano “omissão ou desvio incompreensíveis [na demarcação] das faixas de salvaguarda em inúmeros locais”.

Quanto à segurança do povoado, Nuno Barros assegura que “nem a tempestade Hércules de Janeiro de 2014 – a pior das últimas décadas – conseguiu chegar às casas de Monte Clérigo”. Por conseguinte considera “incompreensível” o critério utilizado para propor o derrube das habitações.

Universidade de Coimbra visitada por mais de 300 mil turistas em 2015

A Universidade de Coimbra (UC) foi visitada em 2015 por 300 mil turistas, 90% dos quais estrangeiros, disse esta segunda-feira o reitor da instituição, João Gabriel Silva.

Aquele número diz respeito apenas a visitantes que adquiriram bilhetes, disse o reitor, que falava esta segunda-feira na sessão de boas vindas da terceira edição do ‘Vê Portugal — fórum turismo interno’, que decorre até terça-feira no centro cultural e de congressos do Convento de São Francisco, em Coimbra.

França e Brasil são os maiores fornecedores de turistas estrangeiros da Universidade de Coimbra, enquanto China, Japão e Coreia são dos mercados que maior crescimento estão a registar, adiantou João Gabriel Silva.

A Universidade encara o turismo, desde há algum tempo, “se calhar fruto da crise, como uma fonte de receita”, promovendo, designadamente, “encontros regulares com operadores turísticos”, pois “só trabalhando em conjunto” será possível fazer “crescer esta atividade de forma sustentada”, defendeu.

A Biblioteca Joanina, que é considerada, na generalidade dos “rankings internacionais”, como “uma das mais bonitas do mundo”, é o espaço da Universidade que mais turistas atrai, seguida da antiga Sala do Trono, agora Sala dos Capelos, também denominada Sala Grande dos Atos.

“A Biblioteca Joanina, acompanhada pelo Portugal dos Pequenitos, continua a ser a joia da coroa do turismo em Coimbra”, corroborou, na sua intervenção, o presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado, salientando que se trata de “tipos distintos de fluxos turísticos”.

O presidente da Câmara espera que à Biblioteca e ao parque temático se junte “o renovado Convento São Francisco, que funcionará como o agregador destas e de todas as outras atrações culturais e turísticas da cidade de Coimbra”.

Depois de “reconhecida com o título de Património Mundial da Humanidade, pela UNESCO, a cidade alcançou um novo estatuto e tem vindo a tornar-se um destino ainda mais apetecível, cada vez mais procurado e desejado por turistas e também por investidores”, afirmou Manuel Machado.

“O número de dormidas nos estabelecimentos hoteleiros, os proveitos com a atividade turística, o número de atendimentos nos postos de turismo da cidade” e de visitantes dos “monumentos e equipamentos culturais” têm vindo a “aumentar consideravelmente, ao mesmo tempo que surgem novos negócios no centro histórico da cidade, cada vez mais atentos a quem nos visita, e projetos para novas unidades hoteleiras”, assegurou.

“Se 2015 foi o melhor ano de sempre em termos de presença turística na cidade, as previsões apontam para um 2016 ainda melhor”, disse o autarca.

A sazonalidade, a taxa média de estadia e a litoralização são “três problemas estruturantes por resolver” na região Centro, sustentou, durante a mesma sessão de boas vindas, o presidente da Entidade Regional Turismo Centro de Portugal, Pedro Machado.

A média nacional de estadia do turista em Portugal é de 2,2 noites, mas na região Centro é de 1,8, exemplificou Pedro Machado,

Cerca de 90% das dormidas dos turistas em Portugal registam-se no litoral, salientou Nuno Fazenda, da Turismo de Portugal, durante um painel sobre o setor e o seu valor para a economia portuguesa, que, moderado pelo diretor do Jornal de Notícias, Afonso Camões, também contou com a participação da gestora Maribel Rodrigues, de Espanha.

A promoção da coesão territorial e o combate às assimetrias regionais são, assim, essenciais para o desenvolvimento do setor em Portugal, ainda com grande margem de progressão, concluiu.

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