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A UBI garante qualidade de ensino e de investigação

É docente do departamento de gestão e economia, diretor do curso de economia e investigador na Universidade da Beira Interior. Fale-nos um pouco sobre o seu percurso académico.

Nascido beirão, desde cedo que a minha ida para Lisboa para frequentar a licenciatura em Económicas – ISEG – Universidade de Lisboa, me pareceu muito transitória. O meu objetivo sempre foi o de regressar à região, logo que fosse possível. Felizmente cedo surgiu a oportunidade, via concurso público, de ser assistente estagiário e mais tarde assistente na Universidade da Beira Interior (UBI). Em 2001 iniciei o programa de doutoramento em Economia na Faculdade de Economia do Porto, programa que concluí em 2005. Prestei provas de agregação em Economia na UBI em 2016 e atualmente sou Professor Catedrático do Departamento de Gestão e Economia, nas áreas de economia industrial, concorrência e regulação económica e economia da energia.

Desde o meu ingresso na UBI que tenho desempenhado diferentes funções e cargos na instituição, essencialmente focados no ensino e na investigação. Dessas diversas funções destaco a direção de curso de licenciatura no período de adaptação ao processo de Bolonha, período esse que foi particularmente exigente. Atualmente sou diretor do curso de Mestrado (2º ciclo) em Economia, bem como diretor, na UBI, do programa de doutoramento (3º ciclo) em Economia, curso em associação Universidade de Évora / Universidade da Beira Interior. No que respeita à investigação, sou o coordenador científico da linha de investigação de Economia e Finanças do Núcleo de Estudos em Ciências Empresariais – NECE, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, sediado na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UBI. Sou ainda membro do Conselho Científico desta Faculdade.

No que respeita a atividades de investigação na área de Economia da Energia, tenho publicado em revistas científicas internacionais líderes, de reconhecida qualidade, tais como Renewable and Sustainable Energy Reviews; Applied Energy; Energy; Energy Economics; Energy Policy; Environmental Science and Policy; Renewable Energy; Environmental & Resource Economics; Utilities Policy; Economic Modelling; Applied Economics; Transport Policy; e Environmental Science and Pollution Research. Sou ainda coordenador-geral do ThinkTank Gestão Ativa da Procura de Energia: Eficiência e Resposta (GAPEER) – Sharing knowledge on Energy Demand Side. No âmbito do GAPEER, juntamente com a minha equipa, temos desenvolvido diversas iniciativas, conferências e debates. Tenho tido a sorte de acompanhar estudantes de mestrado e doutoramento extraordinários, bem formados, entusiastas e dinâmicos, capazes e ávidos de conhecimento, num processo de estímulo constante e recíproco. Sou ainda autor do livro ‘Economia da Energia – Desafios, intervenção pública e gestão da procura de eletricidade’, Edições Sílabo e co-autor do livro ‘Economia Industrial – Teoria e Prática’, Edições Almedina.

Como descreve o papel da UBI no ensino superior português?

Num período relativamente curto de 33 anos, enquanto Universidade, a UBI alcançou um patamar de qualidade que a transformou numa instituição imprescindível no sistema de Ensino Superior português. Dá resposta às necessidades de formação de estudantes de todo o País – uma grande percentagem dos nossos estudantes são deslocados –, da região onde se localiza e, nos últimos anos, tem sido uma das academias portuguesas capaz de atrair alunos internacionais, com todas as vantagens que isso traz para Portugal.

Oferece mais de uma centena de cursos de Licenciatura, Mestrado Integrado, Mestrado e Doutoramento, cobrindo as mais importantes áreas científicas universitárias, onde estudam cerca de 7.500 alunos.

E na investigação?

Essa é outra área decisiva para a UBI, e na qual tem apostado fortemente com resultados evidentes e notáveis. Na Universidade existem 13 unidades de I&D e uma entidade – o Instituto Coordenador da Investigação – que faz a coordenação entre elas. O trabalho que é desenvolvido nestas unidades tem sido reconhecido, por exemplo, em rankings internacionais que a UBI tem vindo a integrar, nos últimos anos, nas mais diversas áreas do saber.

A qualidade da investigação pode também ser aferida pelos inúmeros projetos financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia ou entidades estrangeiras. De notar ainda que muitos dos prémios alcançados por alunos e docentes, são resultado da evolução científica proposta em teses de doutoramento ou investigação pura desenvolvida nas nossas unidades de investigação.

A UBI é conhecida por ter uma boa rede de parceiros onde se incluem entidades estrangeiras. Como funciona e que benefícios diretos surgem destas parcerias?

A UBI é uma universidade que começou no Interior de Portugal, mas que cresceu para e com o mundo. Tem estabelecido várias parcerias com as mais diversas instituições de ensino, não só universitárias, com as quais desenvolve cooperação académica, nos níveis de ensino e investigação, de intercâmbio de estudantes, docentes, investigadores e até colaboradores, mas também abrangendo outros campos como os da solidariedade e da cultura.

Uma parte destes parceiros está nos países lusófonos, onde o prestígio da UBI é já assinalável, atendendo à quantidade de estudantes desses países que frequentam a instituição ou se diplomaram connosco.

E a nível nacional?

A este nível somos procurados pelas mais diversas entidades governamentais, do poder local, associações empresariais e profissionais, entre muitas outras, com quem estabelecemos parcerias predispostas a colaborar nas respetivas missões, e com isso contribuir para a evolução da sociedade portuguesa e da UBI.

Há cerca de seis anos que a UBI integra a Rede Santander Universidades. O que tem resultado desta sinergia?

A Rede Santander Universidades tem sido um importante parceiro da UBI, nos últimos anos, nomeadamente através do apoio a estudantes de doutoramento e pós-doutoramento de todas as faculdades, que tem resultado em investigações de relevo. Além disso, este apoio tem sido uma peça muito importante na atração de novos estudantes de doutoramento.

O apoio do Santander potencia ainda atividades extracurriculares, de divulgação de investigação, tais como congressos, visitas de reconhecidos investigadores internacionais, concursos, entre outros. Este incentivo tem permitido aumentar não apenas a quantidade, mas essencialmente a qualidade das iniciativas que aqui são promovidas.

É também incontornável a importância que tem tido o apoio dado a atividades de divulgação da UBI, dirigidas a alunos do Ensino Básico e Secundário, de que são exemplo a “Universidade de Inverno” e a “Universidade de Verão”, na captação de estudantes.

Economia ou gestão? Que diferenças existem entre as duas áreas?

As diferenças entre essas áreas são as clássicas e bem conhecidas. Os nossos cursos respeitam a boa prática de benchmarking constante, comparando-nos com o que universidades congéneres, nacionais e internacionais, fazem. Na UBI, a complementaridade é ainda mais forte, fruto da estrutura matricial da Universidade, bem como da integração dos dois cursos num mesmo departamento. Não obstante, as diferenças são notórias, que de resto derivam naturalmente dos objetivos individuais de cada área, que são diversos. Assim, Economia está muito focada na análise de dinâmicas de mercado, de equilíbrios macroeconómicos, de avaliação de políticas e de investigação. Em consequência, neste curso procura-se fornecer uma formação sólida em microeconomia, macroeconomia e econometria. Por sua vez, a Gestão centra-se essencialmente ao nível da empresa, nas suas diversas componentes e áreas funcionais. Assim, é dado especial destaque às áreas da contabilidade, gestão da produção, marketing, gestão financeira e recursos humanos. No último ano, parte dos alunos têm a oportunidade de estagiar na área da gestão ou da contabilidade.

É possível traçar um perfil dos alunos que escolhem estas áreas?

Os alunos que procuram a área de Economia apresentam um perfil com maior apetência pela matemática, análise estatística e métodos quantitativos em geral. Por seu turno, os alunos que procuram Gestão e também Marketing, pretendem frequentemente dar continuidade a negócios familiares. Muitos procuram criar o seu próprio negócio e veem no curso uma oportunidade para perceber como são dados os primeiros passos nesse processo. Alguns outros desenvolvem uma forte apetência por áreas mais financeiras e da contabilidade, enquanto que outros desenvolvem as suas habilidades mais na área comercial.

Independentemente da área a questão: Teoria vs. Prática, o que é que difere?

Pese embora a tradicional observação dos estudantes, em todas as universidades, pelo excesso de teoria, na verdade a teoria e os modelos teóricos são ferramentas essenciais de estudo e análise da realidade, que sabemos ser complexa. A experiência tem mostrado que o desenvolvimento das competências teóricas resulta sempre em futuros profissionais melhor preparados para os desafios da prática de mercados reais. Na UBI colocamos a teoria ao serviço do raciocínio, do espírito crítico, apresentando cenários e avaliando-os. Essa abordagem tem resultado na formação de profissionais mais curiosos, mais diligentes e capazes de olhar para a realidade com objetividade reforçada aptos para resolver os desafios com que se deparam no mercado de trabalho. A melhor prova disso é o generalizado feedback positivo dos empregadores acerca dos diplomados da UBI.

Em 2018 a UBI colocou 1176 alunos no Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior e tem mantido uma ocupação de 90% por cento das vagas iniciais desde há quatro anos consecutivos. Como pode ser explicada esta procura tão notória?

Esse número diz respeito ao sucesso que temos tido na ocupação das vagas no Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior. No entanto, a UBI tem obtido taxas de ocupação semelhantes ou até mesmo superiores nos concursos para Estudantes Internacionais, bem como para mestrados e doutoramentos, entre outros. De facto, ao nível da formação pós-graduada, os números mais recentes mostram que na primeira fase de candidaturas, que encerrou recentemente, há cada vez mais interessados em prosseguir a sua formação na UBI. Na verdade, os resultados revelam um aumento significativo do número de candidaturas, pelo terceiro ano consecutivo. Não se trata, portanto, de uma procura apenas ao nível da formação de base, bem como não se trata de um ano extraordinário. Pelo contrário, é reflexo de uma tendência crescente de atratividade da UBI. Isto deve-se ao trabalho de sucesso feito pela academia ao longo dos anos para melhorar a qualidade de ensino e de investigação, ao mesmo tempo que se torna mais conhecida pelos seus méritos, pelos seus alunos e pelos seus diplomados. As pessoas já associam a UBI a algo como estudar entre os melhores.

Além disso, o ambiente cosmopolita e de grande proximidade que se vive na UBI e na Covilhã – uma verdadeira cidade universitária – permite oferecer aos estudantes as condições ideais para estudarem e viverem uma experiência académica plena.

Em termos de saídas profissionais da área de Gestão e Economia quais são as mais frequentes?

Os profissionais formados na UBI nestas áreas têm tido colocações muito diversificadas, o que de alguma forma é reflexo da riqueza e flexibilidade da formação que aqui é ministrada. Em todo o caso, os diplomados pela UBI encontram-se a desempenhar funções de auditoria em diversas multinacionais, consultores, banca e seguros, empresas de energia, administração pública e local. Vários deles têm também desenvolvido os seus próprios projetos empresariais, conferindo relevo a uma das áreas de grande reconhecimento internacional da UBI, que é o Empreendedorismo.

Porque diria que escolher a Universidade da Beira Interior é uma excelente opção?

Antes de mais, porque a diversidade de cursos que oferece, a UBI permite encontrar o curso de sonho de muitos estudantes. De seguida, a qualidade global da própria instituição. Entre os vários rankings que colocam a UBI entre as mais prestigiadas em diversas áreas, a instituição vista na sua globalidade é uma das 800 melhores a nível mundial (no World University Ranking, do Times Higher Education) e uma das 150 melhores universidades fundadas há menos de 50 anos (Young University Ranking, do THE).

Esta qualidade reconhecida internacionalmente é acompanhada das condições que a UBI e a Covilhã oferecem aos seus estudantes. Por um lado, as instalações, com salas de estudo abertas 24 horas e um corpo docente altamente qualificado. Por outro lado, o cosmopolitismo acompanhado de um ambiente universitário de grande proximidade e qualidade de vida. Também não podemos esquecer o ‘custo de vida mais baixo’, comparativamente com outras cidades do país, os apoios sociais que existem na UBI, que permitem aliviar o custo dos estudantes e das famílias, como as bolsas de estudo exclusivas para os seus alunos, ou as bolsas do +Superior, para os jovens de outras regiões que queiram vir estudar para a Covilhã.

Além disso, a UBI tem uma centralidade única no contexto da Península Ibérica. Situa-se a cerca de 300 kms de Lisboa e de 400 kms da outra capital ibérica, Madrid. Assim, A Universidade da Beira Interior apresenta-se como uma alternativa de excelência às demais instituições de ensino superior. Por um lado, pela sua localização, fora dos grandes centros urbanos, que estão cada vez mais lotados, caros, inseguros, poluídos e com crescente empobrecimento dos laços interpessoais. Por outro, pelas suas distintas e inovadoras abordagens pedagógicas que promovem uma maior proximidade entre os alunos e docentes, mantendo a formalidade requerida, mas com uma relação interpessoal mais agilizada. Esta interação estimula o próprio desenvolvimento humano, o espírito crítico e abre novas formas de olhar o e para o mundo, que o ensino impessoal não permite.

O que é mais importante, na sua opinião, que um aluno saiba antes de escolher um curso do ensino superior?

Muitas vezes, a escolha de um curso ou universidade é realizada em função da média de entrada. No entanto, essa opção deve considerar alguns dos aspetos referidos anteriormente: desde a qualidade do ensino às condições sociais que existem na academia, não esquecendo a cidade onde muitos vão viver sozinhos pela primeira vez. Na UBI, por exemplo, a proximidade entre toda a comunidade académica cria condições de adaptação e sucesso académico muito elevado. Depois, são também de considerar a possibilidade de praticar desporto ou participar ativamente em projetos culturais. A região permite ainda a prática de desportos de inverno e de verão, em altitude, condições que são únicas no parque universitário Português. Na minha opinião, estes são alguns dos critérios que os alunos devem também ter em conta quando escolhem uma instituição. A UBI tem esta capacidade intrínseca de conseguir envolver todos, de permitir que todos pertençam ativamente aos seus cursos, aos seus núcleos, às suas diversas iniciativas. Os estudantes têm aqui oportunidades únicas de desenvolvimento das suas soft skills e apetências pessoais para a vida.

O que diria aos futuros alunos de Gestão e Economia da UBI que vão ler a sua entrevista?

Diria o que é cada vez mais uma evidência. A UBI recebe bem os alunos, arriscaria mesmo dizer que sabemos receber de forma ímpar. Posso testemunhar que na UBI, no centro da decisão está o aluno. E como isso é importante quando alguém deixa a sua zona de conforto que desde sempre encontrou na sua própria casa. Na UBI, e na Covilhã, gosta-se genuinamente de bem receber os alunos. Também porque a cidade bem reconhece a importância dos estudantes e da Universidade para a comunidade como um todo.

A UBI garante qualidade de ensino e de investigação. A cidade e a região oferecem qualidade de vida, onde não é despicienda uma relação qualidade/preço muitíssimo aliciante, quando comparada com outras cidades.

Moramos aqui, trabalhamos aqui, mas estamos no mundo. Docentes e alunos estão perfeitamente integrados em organizações, instituições e redes nacionais e internacionais. Na área em que mais trabalho, por exemplo, Economia da Energia, iremos promover e acolher mais uma reunião científica internacional, que é a conferência da Associação Portuguesa da Economia da Energia (APEEN). Será em outubro, e estará dedicada a alguns dos assuntos mais prementes na transição energética, que são os mercados da eletricidade e a integração das fontes renováveis, bem como a gestão ativa da procura de eletricidade.

Em síntese, na UBI respira-se num ambiente de querer, a cada momento, fazer mais e fazer melhor. Com os recursos que temos. Porque temos de o fazer. Porque nos dizem que estamos na periferia e porque, dia a dia mostramos que estamos no centro. No centro da Península Ibérica, mais próximos do centro da Europa e, fundamentalmente, cada vez mais no centro do saber e do conhecimento.

 

“O nosso curso tem tido um número de candidatos exemplar entre os cursos de engenharia da UBI”

O que pode ser dito sobre a atualidade da engenharia aerospacial e aeronáutica em Portugal sob o ponto de vista do ensino?

Percorreu-se um longo caminho desde o ano da criação em Portugal do primeiro curso moderno de engenharia aeronáutica em 1991 na Universidade da Beira Interior (UBI). Creio que os nossos primeiros licenciados foram os que tiveram mais dificuldade em ingressarem no mercado de trabalho da aviação, pois os empregadores eram escassos e não tinham sequer a noção do papel que o engenheiro aeronáutico deveria assumir na empresa. Atualmente, o cenário está completamente mudado, os programas curriculares sofreram algumas alterações no sentido de se adaptarem melhor ao panorama português.

Mas, sobretudo, o mercado de trabalho é que mudou mais, absorvendo agora, avidamente, os nossos formados para as mais variadas funções: não apenas na gestão da operação e da manutenção, mas também no fabrico e na investigação e desenvolvimento de aeronaves. Em suma, temos hoje uma onda de abertura de cursos e empresas em engenharia aeronáutica e aeroespacial para fazer face à popularidade que a engenharia aeroespacial tem adquirido em Portugal.

Particularizando para o caso da UBI, algo que não posso deixar de referir é a forma como o nosso curso deixou de ter acesso ao aeródromo que se localizava a três quilómetros da Faculdade de Engenharias, por decisão da Câmara Municipal da Covilhã, em favor da construção de um Data Center. Foi um claro erro de estratégia, do ponto de vista do ensino da engenharia aeronáutica. Atualmente, para termos acesso a uma infraestrutura deste tipo, temos que nos deslocar ao Aeródromo de Castelo Branco que se encontra a mais de 50 quilómetros.

Por outro lado, posso referir que continuamos a ter uma grande proximidade entre os docentes e os alunos, num ambiente de aprendizagem através da aplicação de conhecimento. Um exemplo disso, é o incentivo que damos aos alunos para a participação em provas de engenharia como o Air Cargo Challenge, uma competição mundial bianual do tipo projeto-construção-ensaio de aviões não tripulados. Nestes projetos, os alunos orientados pelos nossos docentes, em estreita colaboração, têm rivalizado com as melhores universidades a nível internacional.

A média de entrada nesta área é bastante elevada. Este é um indicador de alta procura?

Pode dizer-se que sim. Depois de um período em que os candidatos ao ensino superior pareciam fugir das áreas das ciências, tecnologias, engenharias e matemáticas (de acrónimo STEM na língua inglesa), assistimos agora a uma procura crescente, pelo menos nas engenharias. O curso em engenharia Aeronáutica e Aeroespacial não é exceção. Pelo contrário, o nosso curso tem tido um número de candidatos exemplar entre os cursos de engenharia da UBI e, felizmente, o mercado de trabalho no setor tem acompanhado essa tendência.

Porquê que, na sua opinião, a procura tem aumentado?

Creio que o setor da aviação serviu de refúgio durante a crise financeira que teve início em 2008. Pelo que o crescimento do mercado do transporte aéreo continuou a bom ritmo, sobretudo com a queda das tarifas e massificação do transporte aéreo. Mais recentemente, com a explosão do trabalho aéreo com aeronaves não tripuladas, a aviação goza de grande popularidade. Isto para não falar do setor do espaço. Esta popularidade atrai os jovens para uma elevada expectativa de carreira num setor onde a remuneração e os índices de emprego estão acima da média.

Qual é o perfil de um jovem que aos 18 anos escolhe esta área como carreira?

Uma vez que a média do último colocado é superior aos 16 valores, existe uma seleção natural de bons alunos, normalmente, com vocação para o conhecimento de matemática e física. Tratando-se de aviões, parece existir um fascínio inato que faz parte da atratividade do curso. Ninguém fica indiferente aos aviões. Embora a euforia que caracterizou a aviação na primeira metade do séc. XX já se tenha desvanecido, a realidade é que ninguém fica indiferente aos aviões. Eu próprio sempre fui fascinado pelos aviões e assisto a esse sentimento nos meus alunos. Uns mais, outros menos, mas todos têm esse “bichinho”, como costumo dizer.

Em termos de empregabilidade, quais são os caminhos mais frequentes quando o curso está terminado?

Normalmente, o caminho inicia-se por um estágio inicial, através do qual o empregador avalia as capacidades e adequação do perfil da pessoa à empresa. As empresas em Portugal no setor aeroespacial, neste momento são muito variadas e demasiado numerosas para estar a referir, mas o mercado de trabalho para os nossos alunos não é apenas nacional, é europeu e, cada vez mais, global. No entanto, nem todos vão trabalhar para a aviação, alguns vão para empresas onde se aplicam tecnologias aeroespaciais como, por exemplo: o ramo automóvel ou o da geração de energia eólica, outros vão para áreas que não aparentam ter qualquer relação com a aeronáutica. Estes últimos são, tipicamente, os que se querem manter na região de origem em vez de se deslocarem para grandes centros.

A UBI tem protocolos/parcerias com empresas do ramo para que os alunos realizem estágios curriculares?

Sim, a UBI, através do Departamento de Ciências Aeroespaciais, tem protocolos de cooperação com as principais empresas e outras entidades do setor. Por exemplo com: a Força Aérea Portuguesa desde 1985; Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves desde 2009; EMBRAER – desde 2001; TAP Portugal AS desde 2010; CEiiA desde 2010; Amorim Cork Composites desde 2011 ou a Active Space Technologies desde 2012, apenas para nomear algumas. O nosso Curso de Mestrado Integrado em Engenharia Aeronáutica não tem estágio curricular, mas são vários os alunos que vão para essas empresas realizar os seus trabalhos de dissertação no último ano curricular. Outra modalidade de estágio a que os nossos alunos recorrem com frequência são os estágios de verão em empresas.

De forma a elucidar possíveis interessados, o que faz um engenheiro aerospacial?

Em primeiro lugar gostaria de elucidar que aeroespacial ou aeronáutico é a mesma coisa. Embora a segunda seja um termo que tem caído em desuso, em favor do primeiro. O motivo é que o setor do espaço esteve incluído no setor aeronáutico desde o seu início. No entanto, tornou-se comum referir o espaço quando se fala nesta área de conhecimento, pelo que o termo aeronáutico evoluiu para aeroespacial.

Essencialmente, tratando-se de uma engenharia, consiste em usar as ciências básicas, como a matemática e a física, em ciências aplicadas aos dispositivos aeroespaciais. O engenheiro aeroespacial pode assumir funções muito variadas, com um maior ou menor grau de ciência aplicada. Por exemplo, o engenheiro aeronáutico pode assumir cargos mais relacionados com gestão (de operação e de manutenção de aeronaves), onde faz uso de uma pequena parte da formação que recebeu em engenharia e lida, sobretudo, com o cumprimento das estritas regras que se aplicam neste setor.

Por outro lado, o engenheiro, na sua essência, tem uma maior vocação para a conceção de dispositivos, para o projeto de engenharia. Este é um papel que se tem difundido mais recentemente pelo nosso país. Portugal tem hoje capacidade real de engenharia de conceção e desenvolvimento de componentes de aeronaves e de naves espaciais.

Posso acrescentar que acredito que uma tendência futura é que, à medida que as ferramentas computacionais evoluem para facilitar a parte do cálculo e otimização das soluções, o papel do engenheiro passa cada vez mais pelo processo criativo, pela busca de conceitos que se apresentem como as melhores soluções para cada problema.

“Para que haja envelhecimento ativo e saudável, é necessário aumentar o conhecimento sobre o mesmo”

Maria Vaz Patto

O envelhecimento é uma preocupação crescente da nossa sociedade e torna-se premente promover a investigação, de modo a melhor compreender os desafios desta faixa etária. A FCS-UBI tem vindo a desenvolver um excelente trabalho neste âmbito, através de distintos projetos. Como define a postura da instituição neste contexto?
A FCS-UBI tem um interesse profundo na investigação e no acompanhamento do envelhecimento, quer pelo seu papel na educação dos futuros médicos, quer pela sua consciencialização da necessidade de promover um envelhecimento ativo e saudável.

Luis Taborda Barata, Presidente desta faculdade, afirmou em 2014: “a nossa visão é: que não seja a faculdade, que não seja o hospital, que não seja a câmara, que não seja o lar a fazer ou a tomar medidas isoladas, mas todo o tecido social”. De que modo a faculdade tem contribuído para este envolvimento entre os diferentes atores que visam responder às questões relacionadas com o envelhecimento?
A FCS tem contribuído para esse envolvimento através de projetos com parceiros variados. Inserida numa região demograficamente muito envelhecida, teve, em termos de ensino, a preocupação de fornecer aos seus alunos conhecimentos na área da Geriatria, tendo sido, em 2001, o primeiro curso de Medicina em Portugal a inserir o Módulo de Geriatria obrigatório no seu currículo. Posteriormente, através do mestrado em Gerontologia, forneceu formação pós-graduada a médicos e a outros profissionais de saúde e de outras áreas de conhecimento, permitindo, assim, a capacitação de recursos humanos numa área carente de profissionais qualificados para melhoria da qualidade de vida do idoso. Finalmente, alguns cursos de formação curta, em aspetos distintos de cuidados ligados ao envelhecimento, irão ter início em breve.
Em termos de investigação e de intervenção na comunidade, foram já iniciados ou estão em fase de pré-implementação vários projetos integrados, focando aspetos de envelhecimento ativo e patológico, envolvendo outros parceiros, nomeadamente outras faculdades da UBI, autarquias, residências sénior, farmácias, Institutos Politécnicos e unidades de saúde.

Que projetos têm atualmente em prática no sentido de melhorar a qualidade de vida do idoso e permitir-lhe um envelhecimento mais ativo e saudável?
Para que haja envelhecimento ativo e saudável, é necessário aumentar o conhecimento sobre o mesmo. Assim, na FCS, a formação tem estado a estender-se a várias classes profissionais, bem como ao próprio idoso e seus cuidadores. Temos um projeto de “Educação para a saúde”, dirigido a idosos, em parceria com residências sénior, com grande sucesso. Pretendemos continuar a melhorar essa oferta e, através de parcerias já estabelecidas, alargá-la e dirigi-la para os interesses do idoso e das instituições que o acolhem. Também temos projetos com coortes de idosos, para telemonitorização e farmacovigilância. Um outro projeto envolve alunos de Medicina a acompanhar regularmente idosos durante cerca de 2 anos.

O Laboratório de Neurofisiologia Clínica da FCS tem sido determinante no campo da investigação, nomeadamente no contexto de patologias neurológicas, como a Demência, a Doença de Parkinson ou o Acidente Vascular Cerebral. De que forma podemos associar estas doenças ao envelhecimento e, assim, preveni-las junto dos idosos?
A senescência e as suas alterações fisiológicas e fisiopatológicas aumentam a predisposição para este tipo de patologias. O Laboratório de Neurofisiologia Clínica da FCS tem-se dedicado ao estudo destas alterações e à influência de medidas de prevenção, mas também tem tido a preocupação de inserir os resultados obtidos nas reuniões que temos com idosos, o que lhes permite ter uma ideia acerca da sua saúde e discutir medidas de prevenção.
Há que ressaltar as atividades práticas das associações de alunos da faculdade junto da população idosa da região e que frequentemente dizem respeito à prevenção daquelas patologias.
Finalmente, várias ações surgem através de colegas de Medicina Geral e Familiar docentes da FCS, que também estão envolvidos em projetos de investigação e intervenção comunitária, o que permite uma ação muito mais concreta sobre a população mais idosa e uma melhoria marcada nos cuidados a oferecer.

Os vossos projetos têm mostrado resultados que podem ter aplicações diretas no âmbito clínico. De que benefícios concretos estamos a falar para os doentes inseridos nesta faixa etária?
A melhoria na qualidade de cuidados de saúde geriátricos, na aplicação da terapêutica, nomeadamente novas abordagens, e no acesso a cuidados preventivos. Também o acesso a diagnósticos e tratamentos mais diferenciados e que, pela presença da FCS, se tornaram muito mais acessíveis. Por exemplo, no próprio Laboratório de Neurofisiologia Clínica ou no recentemente inaugurado Centro Clínico e Experimental em Ciências da Visão, da FCS, ou mesmo através da UBIMedical.

A abrangência das áreas de investigação do Laboratório de Neurofisiologia Clínica permite uma colaboração estreita entre profissionais, nacionais e internacionais, ligados a diferentes áreas que não apenas a medicina. Esta partilha de conhecimentos tem sido importante para o progresso das vossas investigações?
A colaboração multidisciplinar e multiprofissional é fundamental e desenvolvemo-la através de interações com médicos, outros profissionais de saúde, engenheiros e professores de educação física, entre outros. Atualmente, temos connosco uma nutricionista doutorada brasileira, estudante de pós-doutoramento e temos sido visitados por alunos de várias universidades (México, Holanda, Venezuela), através de convénios. Assim, os projetos que estamos a desenvolver baseiam-se em equipas multidisciplinares e internacionais, cujas experiências diferentes contribuem para enriquecer as nossas abordagens.

O envelhecimento continuará a ser parte dos desafios sociais do futuro? Qual será o papel da FCS-UBI neste âmbito?
A seguir as linhas demográficas recentes, vai chegar uma altura em que vamos estudar o “caso raro do adulto jovem”, já que a maioria de nós será idoso! As mudanças sociais e políticas que este envelhecimento gradual da população vai trazer são enormes. Assim, o papel das instituições de ensino superior como a FCS, interessadas em estudar e avaliar os vários aspetos ligados ao envelhecimento, é muito importante. A FCS quer continuar a aprofundar a sua intervenção e inovação na investigação, formação, monitorização, prevenção e outros aspetos do envelhecimento, nomeadamente através do aumento das suas colaborações nacionais e internacionais. Em termos de envelhecimento, o futuro vai ser seguramente interessante.

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