Quinta-feira, 25 Fevereiro, 2021
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Portugal e Espanha devem coordenar esforços para uso sustentável da água

A recomendação consta no relatório, hoje divulgado, “Áreas-chave da biodiversidade de água doce na sub-região do noroeste do Mediterrâneo” e tem como um dos enfoques os recursos ribeirinhos transfronteiriços de Portugal e Espanha, como os rios Douro e Tejo.

A organização (IUCN, na sigla em inglês) recomenda que Portugal e Espanha apliquem na íntegra os princípios da Diretiva-Quadro da Água da União Europeia e a Convenção das Nações Unidas para a Utilização dos Cursos de Água Internacionais.

De acordo com o relatório, Portugal tem mais de 30 espécies em áreas consideradas chave em termos de biodiversidade de água doce, e que incluem peixes, plantas, insetos e moluscos, a maioria ameaçados.

Estas áreas, que não são transfronteiriças, estendem-se, nomeadamente, pelos rios Arade, Mira, Sado, Vouga, Alcabrichel, Sizandro e Safarujo.

Uma das espécies, endémica de Portugal, é o ruivaco-do-oeste, que vive nos rios Alcabrichel, Sizandro e Safarujo e a evoluir para o estado de “em perigo” ou “criticamente em perigo”, devido à poluição doméstica e agrícola, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza.

Outra espécie nesta condição é o molusco com o nome científico “Belgrandia alcoaensis”, do rio Alcoa, que nasce no concelho de Alcobaça.

Portugal e Espanha juntos têm mais de 80 espécies ameaçadas de peixes, moluscos, insetos e plantas em “áreas-chave de biodiversidade de água doce”, banhadas pelos rios transfronteiriços do Douro, Tejo, Guadiana e Minho.

“Áreas-chave de biodiversidade de água doce” são, por definição, locais importantes para a manutenção global da biodiversidade de espécies e ecossistemas, neste caso na sub-região do noroeste do Mediterrâneo.

O relatório da União Internacional para a Conservação da Natureza apresenta ainda resultados para França, Itália e Malta.

A lista das principais ameaças às espécies de água doce na sub-região analisada inclui barragens e captações de água para irrigação e consumo humano, espécies exóticas e poluição doméstica e agrícola.

A União Internacional para a Conservação da Natureza avisa que o aumento da seca no sul da Europa, causado pelas alterações climáticas, levará nos próximos dez anos a uma diminuição da população de uma espécie de libelinha nativa de Portugal, Espanha e França, a “Macromia splendens”.

Portugal faz parte da União Internacional para a Conservação da Natureza através do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, da Associação de Defesa do Património de Mértola, do Fundo para a Proteção dos Animais Selvagens, da Quercus e da Liga para a Proteção da Natureza.

A IUCN integra organizações governamentais e não-governamentais de mais de 170 países em defesa da conservação da natureza.

LUSA

Aquecimento global afeta oceanos, propaga doenças e ameaça segurança alimentar

O aquecimento global está a afetar os oceanos, a propagar doenças entre animais e humanos e a ameaçar a segurança alimentar em todo o planeta, refere um relatório científico hoje divulgado.

As conclusões, baseadas numa pesquisa revista por pares, foram compiladas por 80 cientistas de 12 países, disseram peritos da União Internacional para a Conservação da Natureza no Congresso Mundial sobre Conservação, que está a decorrer em Miami, com a presença de 9.000 líderes e ambientalistas.

“Todos sabemos que os oceanos sustentam o planeta. Todos sabemos que os oceanos nos dão a cada segundo o ar que respiramos”, disse a diretora-geral da União Internacional para a Conservação da Natureza, Inger Andersen.

“Estamos a tornar os oceanos doentes”, acrescentou.

O relatório, “Explicando o Aquecimento do Mar”, é o mais “abrangente e sistemático alguma vez realizado sobre o aquecimentos dos oceanos”, afirmou Dan Laffoley, um dos principais autores do estudo.

As águas do mundo absorveram mais de 93% do aquecimento provocado pelas alterações climáticas desde a década de 1970, reduzindo o calor sentido na terra, mas alterando drasticamente o ritmo de vida no oceano, disse.

“O oceano tem-nos protegido e as consequências disso são enormes”, sublinhou Dan Laffoley.

O estudo incluiu vários ecossistemas marinhos, desde os micróbios às baleias, incluindo o fundo dos mares e mostra que algumas espécies se estão a deslocar em direção aos polos para águas mais frias.

“Estamos a mudar as estações no oceano”, afirmou, salientando que as temperaturas mais altas vão, provavelmente mudar a proporção entre os sexos das tartarugas no futuro, porque as fêmeas são mais propensas a nascer em temperaturas mais quentes.

O estudo inclui provas de que o aquecimento dos oceanos “está a provocar o aumento de doenças em populações de plantas e animais” e também a matar os recifes de coral, referiu Dan Laffoley.

O panda gigante já não está ameaçado de extinção

O panda gigante já não está em risco de extinção, anunciou a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A instituição desceu a classificação do animal na lista de espécies ameaçadas, de “ameaçado de extinção” para “vulnerável”. O animal, que vive apenas em algumas regiões de montanha na China, estava em perigo de extinção desde 1990, e é considerado um dos símbolos da conservação das espécies animais. Ainda assim, a IUCN alerta para o facto de que “as alterações climáticas podem eliminar mais de 35% do habitat natural de bambu dos pandas nos próximos 80 anos, pelo que a população de pandas deverá diminuir”.

O Fundo Mundial para a Natureza (WWF), que utiliza o panda gigante no logótipo, já reagiu à “boa notícia”. O diretor-geral do WWF, Marco Lambertini, considerou que “saber que o panda está agora um passo mais longe da extinção é um momento excitante para todos os que estão comprometidos com a conservação da vida selvagem e dos seus habitats”. Lambertini recorda que “durante mais de 50 anos, o panda gigante foi o ícone da conservação mais adorado do mundo, bem como o símbolo do WWF”, e que “a recuperação do panda mostra que quando a ciência, a vontade política e o envolvimento das comunidades se juntam, podemos salvar a vida selvagem e melhorar a biodiversidade”.

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O WWF sublinha que o número de reservas que protegem os pandas já subiu para 67, abrangendo perto de dois terços de todos os pandas selvagens. De acordo com a IUCN, a população total de pandas é de cerca de 2.060 indivíduos, com os indivíduos fragmentados em subpopulações.

Ao jornal britânico The Independent, o presidente da equipa da IUCN que estuda os pandas gigantes, Ronald Swaisgood, explicou que “a situação atual é de tendências positivas. O número de pandas está a aumentar, a zona ocupada está a expandir-se, e o habitat disponível está a recuperar”. No entanto, a divisão da população em pequenas subpopulações, “devido à fragmentação do habitat” é um problema a enfrentar no futuro. “Estamos preocupados com a possibilidade de as populações mais pequenas não serem geneticamente viáveis”, destacou.

A IUCN sublinha que “a decisão de descer a classificação do Panda Gigante para “vulnerável” é um sinal positivo que confirma que os esforços do governo chinês são eficazes”, mas assegura que “é criticamente importante que estas medidas de proteção sejam continuadas e que sejam tidas em conta as ameaças emergentes”. A instituição destaca ainda a importância de proteger as reservas de bambu, o habitat natural do panda gigante, visto que a ameaça a esta planta “pode, num futuro próximo, reverter os ganhos das últimas duas décadas”. Para o responsável da IUCN, “permitir que a floresta cresça novamente” foi a solução para “a recente expansão da área ocupada pelos pandas e pelo aumento da população”.

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