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O fenómeno do cyberbullying e a sua incidência em Portugal

INVESTIGADORES DO PROGRAMA DE ESTUDOS DE CYBERBULLYING. SOFIA OLIVEIRA, ANA MARGARIDA VEIGA SIMÃO (INVESTIGADORA RESPONSÁVEL), PAULA PAULINO, NÁDIA PEREIRA, SOFIA FRANCISCO E PAULA COSTA FERREIRA

Apesar dos diversos benefícios associados à utilização das plataformas digitais, nomeadamente o aumento do bem-estar pessoal dos indivíduos, existem também novos tipos de riscos inerentes. Entre os quais o envolvimento em situações de violência entre pares, seja enquanto observador, vítima ou agressor, que tem vindo a ser cada vez mais frequente entre os adolescentes.

O cyberbullying, em particular, corresponde a um destes fenómenos, descrito pela comunidade científica como uma extensão do bullying que é realizado através de meios digitais, correspondendo a um comportamento cruel, intencional e repetido. Algumas especificidades do cyberbullying, tais como a possibilidade de o agressor ser anónimo, a distância física existente entre os intervenientes e o facto de as agressões permanecerem online por tempo indeterminado, contribuem para a complexidade deste fenómeno e ainda para o agravamento dos efeitos negativos nas vítimas.

Quanto à incidência do cyberbullying entre os jovens portugueses, os resultados preliminares de estudos realizados no âmbito dos projetos desenvolvidos pela equipa da Faculdade de Psicologia, Universidade de Lisboa (FP-UL) indicaram que, em 1607 adolescentes portugueses, 82.3% da amostra referiu ter observado este tipo de incidentes, 47.1% indicou ter sido vítima de cyberbullying e 39.9% mencionou ter sido agressor. Verificou-se ainda uma tendência para o aumento da observação de incidentes de cyberbullying a partir dos 13 anos de idade e da totalidade dos comportamentos observados, 63.9% corresponderam a boatos, 68.7% a comportamentos de gozo e 69.4% a insultos.

Fatores de risco e impacto do cyberbullying nas vítimas e sinais de alerta em agressores e vítimas

Existem importantes fatores de risco que têm sido associados ao envolvimento em incidentes de cyberbullying, nomeadamente o envolvimento em experiências anteriores de bullying, problemas comportamentais, isolamento social e a falta de monitorização e de envolvimento por parte dos pais.

O cyberbullying apresenta efeitos negativos na saúde física e psicológica das vítimas, assim como ao nível do seu ajustamento e desempenho escolar. Em particular, a comunidade científica tem identificado sintomas de depressão e de ansiedade, abuso de substâncias, comportamentos autolesivos, queixas físicas e decréscimo no envolvimento e desempenho escolar, bem como absentismo escolar. Em última instância, o cyberbullying pode conduzir ao suicídio por parte das vítimas.

Apesar das diferenças individuais e também das diferenças que podem ser encontradas de caso para caso, existem importantes sinais de alerta que têm sido associados aos agressores e vítimas de cyberbullying.

No caso dos agressores, tem sido identificado um conjunto de comportamentos característicos, tais como evitar falar sobre as atividades que são feitas no computador ou no telemóvel; apresentar agitação quando não é possível ter acesso a estes dispositivos; utilizar os mesmos de forma excessiva; e ter diversas contas ou perfis.

No caso das vítimas, um dos sinais de alerta remete para sentimentos de zanga, tristeza, frustração ou raiva quando utilizam o computador ou o telemóvel. Outros sinais incluem o evitamento do uso de meios tecnológicos, a presença de ansiedade marcada aquando a sua utilização e ainda, a resistência em ir à escola ou em sair de casa.

O papel dos adultos  na convivência online entre  os jovens

É fundamental os adultos orientarem os jovens em relação a conteúdos e comportamentos adequados em contexto online, tanto em casa como nas escolas. Assim, os pais e outros familiares, assim como os professores devem procurar manter-se atualizados relativamente às plataformas e aplicações que são mais utilizadas pelos jovens.

Em família, é essencial promover um diálogo aberto, interessado e positivo sobre a utilização das tecnologias e das redes sociais. Além disso, a família deve manter-se a par das atividades dos adolescentes no computador e no telemóvel. Por exemplo, é importante que os pais conheçam as configurações de privacidade e a rede online da criança ou adolescente. Outro aspeto fundamental é o estabelecimento de regras sobre os comportamentos, conteúdos e aplicações que os pais consideram apropriados, bem como o tempo de utilização dos dispositivos tecnológicos.

Os resultados de um estudo recente, publicado em 2017 na revista Journal of Adolescence por investigadores da equipa da FP-UL, indicaram que, apesar de os adolescentes reportarem mais frequentemente experiências de vitimização de cyberbullying a amigos ou aos pais, quando contam aos professores, tendem a indicar uma perceção mais positiva em relação ao ambiente escolar. Neste sentido, o papel da escola na prevenção e intervenção no cyberbullying é essencial.

Em particular, o desenvolvimento de ações de sensibilização por parte de psicólogos e de outros profissionais com formação na área, pode contribuir não só para informar os pais, mas também os professores sobre formas de prevenir este fenómeno e estratégias de intervenção eficazes.

Existem medidas imediatas que podem ser tomadas numa fase precoce, tais como bloquear o agressor, denunciar na rede social e guardar provas. Além disso, as vítimas devem ser desencorajadas de retaliar de forma agressiva e incentivadas a procurar ajuda junto de adultos de confiança.

É ainda importante que se tenha consciência sobre o papel dos observadores, uma vez que os mesmos podem alterar o rumo destas situações, ao intervirem de forma pró-social, nomeadamente através de comentários positivos que apoiem a vítima. Em casos mais graves, por exemplo, quando existem ameaças à integridade física das vítimas, a situação deve ser reportada junto das autoridades.

Prevenção e intervenção no cyberbullying em Portugal: Intervenções Com@viver

Com o avanço das tecnologias de informação e de comunicação, a violência entre os jovens tem vindo a assumir novas formas e também uma maior visibilidade, nomeadamente através da partilha de conteúdos nas redes sociais. O desenvolvimento de novos fenómenos de violência entre pares, entre os quais o cyberbullying, tem conduzido à necessidade de maior atuação por parte das autoridades e dos decisores políticos.

Sendo a escola um espaço central de convivência entre os jovens e de aprendizagem de conteúdos académicos e competências socioemocionais, este é um contexto prioritário para desenvolver ações de sensibilização face a este tipo de fenómenos.

As intervenções Com@viver têm em vista a promoção da convivência saudável entre os jovens e referem-se a três tipos de ações primárias e/ou secundárias, em contextos socioeducativos, nas áreas do bullying e do cyberbullying. Estas intervenções foram desenvolvidas no âmbito de projetos de investigação-ação financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) por investigadores do Programa de Estudos de Cyberbullying (PEC) do grupo de investigação ProAdapt do Centro de Investigação em Ciência Psicológica (CICPSI), da FP-UL.

É essencial que o desenvolvimento de comportamentos pró-sociais seja promovido em idades precoces para que as crianças aprendam desde cedo a importância de estabelecerem relações interpessoais positivas no seu meio ambiente. Neste sentido, o programa Com@Viver no 1º ciclo destina-se à formação de professores, tendo em vista a promoção de estratégias de prevenção e de intervenção em relação ao bullying e ao cyberbullying. Esta intervenção tem como objetivo promover comportamentos pró-sociais e competências socioemocionais em alunos do 1º ciclo do ensino básico, considerando o aumento da incidência de fenómenos de violência entre pares que também se tem verificado neste ciclo de ensino.

A formação académica dos professores pode, assim, beneficiar deste tipo de instrução explícita que lhes permita garantir a sua infusão curricular e desenvolvimento de competências nos seus alunos. O programa envolve um total de oito horas de formação para professores, organizadas em quatro sessões, centradas em metodologias ativas, permitindo o envolvimento de todos os formandos e a co-construção de conhecimentos, adaptados às especificidades de cada contexto.

O jogo Com@Viver resulta do projeto O Efeito do Observador no Cyberbullying: a responsabilidade e a tomada de decisão interventiva através da regulação do comportamento (SFRH/BPD/110695/2015), coordenado pela FP-UL, em parceria com o Intelligent Agents and Synthetic Characters Group (GAIPS) do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores (INESC-ID), Instituto Superior Técnico, da Universidade de Lisboa (IST-UL). Este jogo foi desenvolvido para adolescentes do 7º e 8º anos de escolaridade e envolve um ambiente escolar fictício. Os jogadores organizam uma visita de estudo hipotética e durante o jogo convivem com agentes sociais e com os seus colegas de turma numa rede social. E

m cada uma das quatro sessões desta intervenção existe um caso de cyberbullying do qual os jogadores são observadores, podendo comunicar com os seus pares (fictícios e reais), colocando “gosto”, “não gosto” fazendo posts e respondendo a mensagens através de comentários pré-concebidos, com a finalidade de promover a empatia e comportamentos pró-sociais. Num estudo longitudinal do projeto realizado com 221 alunos do 7º e 8º anos de escolaridade verificou-se um aumento dos comportamentos pró-sociais dos alunos que utilizaram este jogo, como também um acréscimo de empatia cognitiva.

Por último, a aplicação Com@Viver Online foi desenvolvida no âmbito do projeto Cyberbullying: A regulação do comportamento através da linguagem (PTDC/MHCPED/3297/2014), em parceria com o Spoken Language Systems Lab, INESC-ID, IST-UL e com a Altice Labs, S.A. Esta intervenção corresponde a uma aplicação de telemóvel que ajuda os adolescentes a regularem o seu comportamento através da linguagem, de forma a prevenir e intervir no cyberbullying.

Esta aplicação permite utilizar a rede social Twitter, ao mesmo tempo que disponibiliza conteúdos psicoeducacionais que promovem o autoconhecimento e a autorreflexão sobre a utilização das redes sociais e o cyberbullying, assim como a autorregulação do comportamento. Estes conteúdos são aleatoriamente apresentados no feed da rede social sob a forma de tweets, podendo também ser consultados pelos utilizadores no menu da aplicação.

Estes conteúdos são conjugados na aplicação com um sistema de deteção automática de potenciais situações de cyberbullying que possam ocorrer entre os utilizadores, baseado na deteção de linguagem agressiva, conflitos e ataques. Nestes casos, os utilizadores recebem um alerta automático com o objetivo de promover a autorreflexão sobre o comportamento, sendo-lhes apresentadas opções para intervir positivamente na situação, por exemplo, reescrever o tweet no caso do emissor e ligar a um contacto de emergência no caso do recetor.

Além disso, sempre que a aplicação identifica estas situações, é aumentada a exposição dos utilizadores envolvidos aos conteúdos psicoeducacionais. Num estudo do projeto realizado com 218 alunos do 9º ano de escolaridade de um agrupamento de escolas da área de Lisboa, verificou-se uma diminuição da agressividade dos alunos que utilizaram a aplicação, o que sugere que a mesma pode contribuir para a diminuição de comportamentos agressivos entre os jovens.

TopAtlântico promove ajuda humanitária para Moçambique com a UNICEF

A TopAtlântico aproveitou a sua mais recente campanha “Vamos de Férias!” para realizar uma campanha de comunicação para despertar atenção para uma causa que necessita da intervenção de todos, a emergência em Moçambique.

Mais de 2 milhões de pessoas, das quais 1 milhão são crianças, estão a braços com a devastação deixada pelos ciclones Idai e Kenneth e precisam de assistência humanitária urgente. A UNICEF está a trabalhar, desde a primeira hora, para dar resposta ao impacto dos ciclones, que deixaram um rasto de destruição por onde passaram.

Como agência de viagens, a TopAtlântico tem como missão contribuir para a felicidade de cada viajante. Mas, a felicidade de cada viajante depende da felicidade de quem o recebe em cada destino.

Parte do prazer de conhecer e visitar Moçambique prende-se com a alegria do seu povo e o sorriso das suas crianças e é com o intuito de ajudar esta causa que a TopAtlântico criou duas formas de contribuir. Assim, para além da TopAtlântico doar 5€ da sua receita em cada reserva da campanha “Vamos de Férias” à UNICEF, está, simultaneamente, a apelar para que mesmo quem não viaja, faça a sua contribuição individual à UNICEF através do IBAN, MB WAY ou transferência Multibanco, que podem ser consultados no seguinte link: https://cdn.topatlantico.pt/PDF/unicef_topatlantico.pdf.

Independentemente da fonte do donativo, se todos passarem a mensagem e contribuírem, faremos um mundo melhor.

A campanha “Vamos de Férias!” está disponível para reservas até dia 7 de junho na rede de lojas TopAtlântico ou em www.topatlantico.pt.

Sanções aplicadas à Coreia do Norte pode afetar 60 mil crianças

Há cerca de 60 mil crianças norte-coreanas que poderão vir a sofrer com a fome na sequência das sanções aplicada à Coreia do Norte.

O alerta é da UNICEF, que explica que as sanções que têm sido aplicadas à Coreia do Norte devido ao seu programa balístico e nuclear não visam a ajuda humanitária.

Omar Abdi, da UNICEF, salienta que todas as operações relacionadas com ajuda humanitária estão isentas de sanções. Pode, porém, haver uma reação que afete também a entrega de mantimentos no país.

“O que acontece é que as empresas que providenciam bens ou transporte de mercadorias são muito cuidadosas. Não querem correr o risco de serem mais tarde acusadas de quebrar as sanções impostas”. E esse cuidado acaba por afetar a entrega de bens de ajuda à população.

Neste momento, explicou, este processo de conseguir bens e entregá-los está já mais difícil “e a demorar um pouco mais”. Além do mais, “não há muitas empresas de transporte marítimo a operar naquela área”, explicou ainda.

África precisará de mais 11 milhões de médicos e professores em 2030

No documento, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) refere que, se África mantiver o atual ritmo de crescimento demográfico “sem precedentes”, haverá 170 milhões de novas crianças entre 2017 e 2030, aumentando o número de menores no continente africano para 750 milhões.

“Investir na saúde, proteção e educação deve tornar-se uma prioridade absoluta para África até 2030. Estamos num ponto crítico para as crianças africanas. Fazendo as coisas bem, conseguiremos criar as bases para retirar centenas de milhares de pessoas da pobreza extrema e contribuir para elevar a prosperidade, estabilidade e paz”, lê-se no relatório.

Segundo Leila Pakkala, uma das relatoras e diretora da UNICEF para a África de Leste e Austral, os menores representam quase metade da população atual em cerca de um terço dos 55 Estados membros da União Africana (UA).

Por seu lado, Marie-Pierra Poirier, também relatora e diretora da UNICEF para a África Ocidental e Central, indicou que, segundo as projeções feitas para 2055, o número de jovens poderá atingir os mil milhões.

A UNICEF estima que, se as políticas para promover o emprego e os investimentos – locais e internacionais – no capital humano de África forem bem coordenadas, as próximas gerações terão melhorado quatro vezes a renda per capita.

Caso contrário, adverte a agência da ONU, esta “oportunidade única” será substituída por um “desastre demográfico”, caracterizado pelo desemprego e instabilidade política e social.

Neste sentido, a UNICEF recomenda várias linhas de ação, que passam por melhorar os aspetos relacionados com a saúde, com a adaptação dos sistemas educativos, com o dar acesso aos jovens às novas tecnologias, para que possam aceder ao mercado laboral do século XXI, e com o garantir da segurança face a fenómenos como a violência, exploração, casamento infantil e abuso sexual.

As novas políticas, acrescenta a UNICEF, visam também eliminar as barreiras que impedem as mulheres e crianças de se tornarem membros plenos das respetivas comunidades e igualdade de oportunidades no plano laboral e na vida política.

Segundo a agência das Nações Unidas, o crescimento demográfico exponencial em África explica-se com a menor mortalidade infantil, maior taxa de fertilidade e pelo aumento de mulheres em idade reprodutiva.

O crescimento do total de habitantes do continente africano, segundo as projeções da UNICEF, levará ao aumento dos atuais 1.200 milhões para 2.500 milhões de pessoas em 2050.

Mais de 20 mil crianças correm risco de morrer à fome na Somália

“A falta de alimentos e o crescente número de crianças gravemente malnutridas são alarmantes”, afirmou o diretor da organização internacional na Somália, Hassan Noor Saadi, em comunicado.

De acordo com a mesma fonte, as recentes chuvas têm sido erráticas e não permitem salvar as colheitas e o gado, pelo que as famílias se vêem sem as suas principais fontes de alimento.

A organização não-governamental apontou ainda a subida dos casos de desnutrição em pelo menos nove distritos do país e pediu à comunidade internacional a intensificação de ajuda para lidar com esta emergência humanitária.

Nos últimos meses, as organizações internacionais têm alertado repetidamente para a necessidade de atuação imediata na Somália, África, de modo a parar esta situação, caso contrário o país irá passar por uma nova crise de fome, como ocorreu em 2011, quando cerca de 260.000 pessoas morreram.

Recentemente, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alertou que o número de crianças que sofrem ou sofreram de mal nutrição aguda na Somália vai aumentar em 50%, no ano de 2017.

De acordo com a Unicef, as crianças mal nutridas têm nove vezes mais probabilidade de morrer de doenças como a cólera, diarreias agudas e sarampo.

Atualmente, seis milhões de pessoas, metade da população da Somália, enfrentam uma situação de precariedade alimentar como consequência da seca que assola o país.

#FightUnfair, todas as crianças têm direito a um futuro melhor

Uma criança, limpa, bem vestida e sozinha na rua chama a atenção de várias pessoas. Transeuntes param, perguntam-lhe como se chama, quantos anos tem e se está perdida. Não querem que uma criança de seis anos esteja perdida na rua. A mesma criança de seis anos, já não tão limpa nem tão bem vestida, é ignorada por quem passa. Ninguém pergunta, ninguém se importa que uma criança esteja perdida na rua, sozinha.

É este o vídeo da UNICEF para a campanha #FightUnfair que pretende alertar a sociedade para a privação que milhares de crianças sofrem da oportunidade de um futuro melhor. Para quebrar o ciclo da pobreza, o órgão das Nações Unidas apela a todos que usem a sua voz: começar uma conversa com familiares, amigos e conhecidos, acabando com o estigma que envolve a pobreza, educar o meio envolvente sobre o que provoca injustiça no mundo e ajudar a dissipar mitos sobre a saúde pública e serviços sociais são os passos sugeridos pela UNICEF.

Mas não fiquemos por aqui. O Fundos das Nações Unidas para a Infância pretende ir mais além. Usar a mente para educar sobre a forma como os líderes mundiais investem nas crianças mais excluídas ou avançam no sentido de um mundo mais dividido; usar a energia para ajudar organizações locais que apoiam crianças e famílias vulneráveis; usar competências adquiridas para se envolver em Organizações Não Governamentais (ONG) com programas de orientação para crianças e jovens em necessidade; usar a carteira para adquirir produtos de empresas que tratam os seus trabalhadores de modo justo e igual, apoiando também negócios locais; usar a influência na sociedade, enquanto cidadão, para saber mais sobre as políticas utilizadas para combater a pobreza.

São estes os apelos que a organização deixa a todos.

Quase 70 milhões de crianças morrerão até 2030 se o mundo não agir já

Intitulado ‘Uma oportunidade justa para todas as crianças’, o relatório anual do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), hoje divulgado, revela que, embora o mundo tenha registado progressos na infância, essas melhorias não foram uniformes e as desigualdades marcam a vida de milhões de crianças.

“Quando olhamos para o mundo de hoje, somos confrontados com uma verdade desconfortável, mas inegável: As vidas de milhões de crianças são arruinadas pelo simples facto de terem nascido num determinado país, comunidade, género ou circunstância”, escreve o diretor-geral da organização, Anthony Lake, no prefácio do relatório.

Para o responsável, “agora é o momento de agir” porque, se o mundo não acelerar o ritmo de progresso, 69 milhões de crianças morrerão, maioritariamente de causas evitáveis, antes de completarem cinco anos, até 2030, o ano em que terminam os Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis, definidos no ano passado.

Nesse mesmo ano, as crianças da África subsaariana terão 10 vezes mais probabilidade de morrer antes dos cinco anos do que as dos países ricos e nove em cada dez crianças a viver em pobreza extrema estarão naquela sub-região, alertou Anthony Lake.

Se nada for feito, mais de 60 milhões de crianças em idade escolar estarão fora da escola e cerca de 750 milhões de mulheres terão sido casadas na infância.

O diretor-geral da Unicef sublinha que o futuro não tem de ser tão sombrio e lembra que muitos dos constrangimentos que impedem o mundo de ajudar estas crianças não são técnicos.

“São uma questão de compromisso político. São uma questão de recursos. E são uma questão de vontade coletiva”, alertou.

O relatório revela que investir nas crianças mais vulneráveis pode produzir benefícios imediatos e a longo prazo, tanto para as próprias crianças como para a sociedade.

Segundo o documento, cada ano adicional de escolaridade que uma criança frequenta traduz-se por um aumento de cerca de 10 por cento dos rendimentos que aufere na idade adulta e por cada ano adicional de escolaridade que os jovens de um país completam, as taxas de pobreza diminuem cerca de nove por cento.

“Mais do que nunca, devemos reconhecer que o desenvolvimento só é sustentável se puder ser continuado — sustentado — pelas gerações futuras”, escreveu Anthony Lake.

E exemplifica: “Quando ajudamos um menino a ter acesso aos medicamentos e nutrição de que precisa para crescer saudável e forte, não só aumentamos as suas hipóteses na vida, como reduzimos os custos sociais e económicos associados à doença e à fraca produtividade”.

O prefácio do diretor-geral termina com um apelo: “Nós conseguimos. A injustiça não é inevitável. A desigualdade é uma escolha. Promover a equidade — uma oportunidade justa para cada criança, para todas as crianças — também é uma escolha. Uma escolha que podemos fazer e devemos fazer. Pelo seu futuro, e pelo futuro do nosso mundo”.

Mortalidade infantil até aos 5 anos diminuiu 94% desde 1970

Os dados constam do relatório anual da Unicef — Fundo das Nações Unidas para a Infância, divulgado hoje, e que revela, no geral, que quase setenta milhões de crianças morrerão antes dos cinco anos até 2030 se a comunidade internacional não investir já nas mais crianças pobres.

De acordo com a Unicef, e tendo por base dados do Eurostat para 2014, 19,5% da população portuguesa vivia em risco de pobreza.

Entre os adultos o risco de pobreza era de 18,1%, enquanto entre as crianças o risco era bastante mais elevado e chegava aos 25,6%, enquanto a média europeia foi de 16,3% e 21,1%, respetivamente.

Numa lista de 197 países, Portugal aparece na 166.ª posição, ex-aequo com mais 15 países que partilham uma taxa de mortalidade infantil até aos cinco anos de quatro crianças em cada mil.

O país mais mal classificado é Angola, em 1.º lugar, com a maior taxa de mortalidade infantil do mundo: 157 em cada mil crianças morrem antes dos cinco anos no país.

Especificamente em relação a Portugal, a Unicef revela que a taxa de mortalidade infantil até aos cinco anos de idade teve uma redução de 94% desde 1970, ano em que morriam 68 crianças em cada mil nascimentos.

Esse número cai para 15 mortes em 1990, para sete em 2000 e para quatro em 2015, o que significa, de acordo com os dados da Unicef, que houve uma redução de 76% desde 1990 e de 50% desde 2000.

Em 2015, a taxa de mortalidade até aos cinco anos de idade por sexo era de quatro mortes entre os rapazes e de três mortes entre as raparigas.

Já a mortalidade infantil até um ano de idade era, no ano passado, de três mortes em cada mil nascimentos, contra 12 em 1990, o que representa um decréscimo de 75%.

No que diz respeito à mortalidade neonatal, ou seja, até aos 28 dias de idade, Portugal tinha uma taxa de duas mortes por cada mil nascimentos.

Segundo a Unicef, nasceram no ano passado 83 crianças e não se registou qualquer morte infantil até aos cinco anos de idade, sendo que a esperança de vida à nascença era de 81 anos.

Por outro lado, uma em cada 8.200 mulheres corria o risco de morrer durante o trabalho de parto.

Os dados para Portugal revelam que, em matéria de educação, a taxa de alfabetização dos jovens com idade entre os 15 e os 24 anos foi de 99% entre 2009 e 2014.

Para o mesmo período, 92% de rapazes e 89% de raparigas frequentaram o pré-escolar, ao mesmo tempo que apenas 1% das crianças não frequentou a escola primária, o que representou sete alunos.

Na escola secundária inscreveram-se 92% dos rapazes e 94% das raparigas.

Os indicadores demográficos revelam que, em 2015, Portugal tinha 10.350 mil habitantes, dos quais 1.782 mil com menos de 18 anos e 439 mil com menos de cinco anos. 1.072 mil pessoas tinham entre 10 e 19 anos, representando 10% da população.

A taxa de crescimento anual da população foi de 0,2% entre 1990 e 2015, prevendo-se um decréscimo de 0,3% entre 2015 e 2030.

Relativamente à saúde, a totalidade da população tem acesso a água potável, bem como a instalações sanitárias.

Unicef aponta reformas educativas do Brasil como exemplo a seguir

Intitulado ‘Uma oportunidade justa para todas as crianças’, o relatório anual do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), hoje divulgado, alerta para a urgência de investir nas crianças mais pobres do mundo, sob pena de deixar para trás milhões de crianças.

No capítulo dedicado à Educação, a Unicef cita alguns bons exemplos: ‘O Brasil e o Vietname oferecem lições valiosas sobre como reformar os sistemas educativos’.

Segundo o relatório, reformas múltiplas que começaram nos anos 1990 no Brasil permitiram melhorar as taxas de matrículas dos adolescentes e os desempenhos escolares.

Entre 2003 e 2012, as taxas de matrícula dos adolescentes de 15 anos aumentaram de 65 para 78% e muitas das crianças que entraram nessa altura no sistema educativo provinham de meios socioeconómicos desfavorecidos.

No mesmo período, os resultados médios dos alunos brasileiros no PISA (Programa para a Avaliação Internacional dos Estudantes) aumentaram 25 pontos.

Entre os estudantes mais desfavorecidos, o aumento foi de 27 pontos, segundo aquele programa de avaliação, feita a cada três anos pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE).

Entre as reformas que produziram estes resultados esteve a criação de uma comissão independente de avaliação, que se tornou o Sistema de Avaliação do Ensino Básico e serve hoje como um mecanismo transparente de avaliação e como um método comum de medição dos desempenhos na aprendizagem, escreve a Unicef.

Como resultado das avaliações, as escolas mais bem sucedidas ganham mais autonomia, enquanto as que registam piores resultados recebem apoio para melhorar os padrões.

Os autores do relatório acrescentam que o Brasil também aumentou o financiamento da Educação, que em 2012 atingiu 6,3% do Produto Interno Bruto.

A formação de professores e o programa Bolsa Escola, que prevê transferências de dinheiro para as famílias mais pobres, também contribuíram para melhorar a Educação no Brasil, segundo a Unicef.

O exemplo do país lusófono “mostra que acelerar o progresso educativo para as crianças mais desfavorecidas pode ter resultados positivos”.

Pelo menos 20.000 crianças presas em Fallujah

Pelo menos 20.000 crianças estão presas em Fallujah e correm o risco de serem recrutadas pelos ‘jihadistas’ que controlam esta cidade iraquiana cercada pelas forças armadas, alertou esta quarta-feira o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Depois de terem estado meses a apertar o cerco ao redor de Fallujah, as forças iraquianas lançaram a 23 de maio uma ofensiva para recuperar a cidade, situada a 50 quilómetros a oeste de Bagdade, ao grupo terrorista Estado Islâmico (EI). Segunda-feira entraram na cidade, onde enfrentaram uma forte resistência dos ‘jihadistas’.

Os poucos habitantes que fugiram do centro da cidade desde o assalto falaram de falta de água potável e de comida. E as centenas de famílias que conseguiram sair de zonas periféricas de Fallujah e as pessoas ainda no local, contactadas por telefone, também se queixaram das más condições de vida.

“As crianças correm o risco de serem recrutadas forçosamente para o combate (…) e de se separarem da sua família”, alertou o representante do Iraque na Unicef, Peter Hawkins, num comunicado. “As crianças recrutadas são forçadas a segurar armas para combater numa guerra de adultos. A sua vida e o seu futuro estão em perigo”, continuou.

A UNICEF voltou a apelar à abertura das passagens seguras para permitir aos civis cercados — estimados em cerca de 50.000 — saírem da cidade situada na grande província de Al-Anbar.

As Nações Unidas acusaram o grupo EI de utilizar os civis como escudos humanos na batalha contra as tropas iraquianas apoiadas pela aliança internacional dirigida pelos Estados Unidos.

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