Inicio Tags Universidade de Aveiro

Tag: Universidade de Aveiro

Tardes com Saberes: Vamos falar de Cibersegurança

Violação da privacidade, captura e venda de dados pessoais, fraudes financeiras, roubo de informação de negócios, pedidos de resgate, chantagem e extorsão.

A digitalização da vida em sociedade, com a consequente proliferação de dados e o aumento exponencial, em volume e natureza, da informação sensível, que hoje é armazenada, tratada e partilhada, através de um sem número de plataformas tecnológicas cada vez mais complexas, e a crescente valorização que essa informação tem vindo a ter enquanto ativo comercial potenciam não só a multiplicação como também o grau de sofisticação dos ataques cibernéticos, ao ponto de ser vulgar ouvir, da boca de especialistas, que, cada um de nós, empresas e instituições, “ninguém está seguro”. Ou que, ainda assim, não há mais problemas porque não existem hackers em número suficiente “para ir a todas”.

Porque é com esta realidade incontornável que pessoas, empresas e instituições vivem e convivem, a UNAVE – Associação para a Formação Profissional e Investigação da Universidade de Aveiro, leva a efeito, no próximo dia 10 de julho, uma primeira abordagem ao problema da Cibersegurança.

Trata-se de mais uma edição do ciclo Tardes…. Com Saberes, conversas informais ao fim da tarde, com encontro marcado na Casa Santa Joana (Aveiro) às 18h00. As entradas são livres, mas sujeitas a inscrição, através do e-mail unave.formacao@ua.pt.

Para falar dos vários aspetos que a Cibersegurança envolve, das medidas tecnológicas às atitudes comportamentais, vamos ter connosco, para uma conversa tanto quanto possível descontraída, quatro especialistas: João Gaspar, da CIIWA – Competitive Intelligence & Information Warfare Association, Ivo Rosa, da EDP, João Paulo Magalhães, do IPP – Instituto Politécnico do Porto, e   Fernando Amorim, empresário, gestor e especialista em Gestão de Risco.

Esta sessão das Tardes Com…Saberes sobre Cibersegurança antecipa um ciclo de formações sobre as múltiplas questões de segurança que se colocam às pessoas, empresas e serviços na era digital, que a UNAVE pretende levar a efeito durante o próximo ano letivo (a partir de outubro),

Tratar-se-á de um ciclo de ações de informação/sensibilização/formação dirigidas umas ao público em geral e outras a técnicos, empresários e outros decisores, com duração e níveis de aprofundamento das temáticas adequados a cada público.

Alexandre Soares dos Santos recebe Doutoramento Honoris Causa da Universidade de Aveiro

Com intervenções do Reitor Paulo Jorge Ferreira, do economista José Pinto dos Santos, padrinho do homenageado, e do próprio Alexandre Soares dos Santos, a cerimónia tem início às 14h30, dia 27 de março, no Auditório da Reitoria.

“O Sr. Alexandre Soares dos Santos presidiu ao primeiro Conselho Geral da UA [entre 2009 e 2014] e foi nesse contexto que o conheci. A UA tinha optado recentemente pelo estatuto fundacional, tema em que as incógnitas eram muitas e as oportunidades também”, lembra Paulo Jorge Ferreira. Nesses “tempos de grande incerteza”, aponta o Reitor da UA, “a visão e rigor do Sr. Soares dos Santos foram decisivos para inspirar e reunir todos em torno de objetivos comuns”. Por isso, o responsável maior da Academia de Aveiro não tem dúvidas: “Quanto mais agitadas estão as águas, mais importante é o papel do timoneiro. A UA deve-lhe muito”.

Um dos maiores empresários do país

Presidente do Conselho Geral da UA, entre 2009 e 2014, e membro do Conselho de Curadores da Academia, no período de 2016 a 2018, Alexandre Soares dos Santos nasceu no Porto em 1934. Na Cidade Invicta, concretamente no Colégio Almeida Garrett, concluiu os estudos liceais para rumar depois para o curso de Direito da Faculdade de Direito de Lisboa.

Mas quis o destino que o país perdesse um advogado para ganhar um empresário. Após um convite da multinacional Unilever, para iniciar a sua carreira profissional, abandonou o curso em 1957. Nesta empresa passou pelas delegações da Alemanha e Irlanda e depois foi nomeado diretor de marketing da filial no Brasil, função que desempenhou de 1964 a 1968.

Em 1968, regressou a Portugal, e assumiu a liderança da Jerónimo Martins. Alexandre Soares dos Santos passou a exercer diretamente funções no Conselho de Administração do Grupo Jerónimo Martins, como administrador-delegado. Seguiu-se a presidência da Comissão Executiva, missão que acumulou com o de presidente do Conselho de Administração, desde 1996 até 2013. Durante este período desenha uma estratégia de diversificação e inicia uma firme trajetória de crescimento e internacionalização do Grupo e, ao mesmo tempo, reforça e aprofunda a parceria com a Unilever.

Em 2009, criou a Fundação Francisco Manuel dos Santos que visa estudar os grandes temas nacionais e levá-los ao conhecimento da sociedade. Esta fundação gere o portal “Pordata”, Base de Dados do Portugal Contemporâneo, e lançou uma coleção de livros de Ensaio, a preços reduzidos, acessíveis a todos, sobre temas da atualidade. Neste âmbito destacam-se temas como a economia, educação, justiça e política. Para além disso, esta Fundação dinamizou diversas conferências e seminários, com elevado impacto na sociedade.

Em 2017 a Fundação intervém na Fundação Oceano Azul, uma organização que tem como propósito a sustentabilidade dos oceanos, contribuindo para um oceano produtivo e saudável em benefício do planeta.

Uma enorme mais-valia para a UA

“O Sr. Alexandre Soares dos Santos, como gosta que o tratem, é um empresário de grande relevo a nível nacional e internacional, mas também um humanista e uma pessoa com grande rigor pessoal”, aponta a Reitoria da UA.

Convidado por Helena Nazaré, em 2009, para integrar o primeiro Conselho Geral da Universidade, Alexandre Soares dos Santos haveria de o presidir até 2014. Olhando para trás, a atual Reitoria lembra de Soares dos Santos “o rigor de empresário e a convicção de que o motor de uma instituição é a força do trabalho e o rigor das contas” e a maneira como introduziu “uma forma distinta e rigorosa de análise do orçamento da Universidade e da elaboração de planos estratégicos e de ação”.

A iniciativa “Exit Talks – Conversas sobre Exportação”, que em 2013 congregou na UA empresários, consultores, cientistas e investigadores, artistas e criadores e as jornadas do Caramulo sobre “UA2020 a Universidade que queremos”, onde os gestores da Universidade e um conjunto de individualidades, nacionais e internacionais, discutiram os desafios da Academia do futuro foram algumas das iniciativas que se destacam da passagem de Soares dos Santos pela UA e que o próprio promoveu.

Recorde-se ainda o importante protocolo de cooperação celebrado entre a UA e a Jerónimo Martins com vista a promover a formação de gestores que melhor se adequam ao setor do Retalho e Distribuição, uma parceria que envolve a atribuição de bolsas aos estudantes da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda que ingressem no Mestrado em Gestão Comercial com classificação e competências adequadas e a receção nas suas empresas dos alunos da Licenciatura em Comércio, em regime de estágio. Para a história fica também o financiamento pela Jerónimo Martins de uma Cátedra Internacional Convidada.

O papel interventivo de Soares dos Santos, de grande dinamismo e como um agente de mudança, foi mais uma vez notório quando assumiu, entre 2016 e 2018, as funções de Membro do Conselho de Curadores da UA.

Roupas eletrónicas preparam-se na Universidade de Aveiro para ditar a moda

Fibra têxtil com pixel luminoso incorporado

Atualmente, as roupas eletrónicas são fabricadas através da colagem de dispositivos nos próprios tecidos, tornando-os rígidos e suscetíveis de se estragarem com facilidade. Este trabalho, desenvolvido em parceria entre o CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro (uma das unidades de investigação das UA), o centro de investigação em têxteis CENTEXBEL (Bélgica) e a Universidade de Exeter (Inglaterra), integra os dispositivos eletrónicos no tecido, revestindo fibras eletrônicas com componentes leves e duráveis que permitirão que imagens e sinais luminosos sejam mostrados pelo próprio tecido.

Fibras têxteis com pixels luminosos incorporados

 

Os investigadores garantem que a descoberta pode revolucionar a criação de dispositivos eletrónicos vestíveis para uso numa variedade de aplicações diárias, seja no simples acesso ao email através da roupa, seja na monitorização do estado de saúde através de sensores que permitem medir, por exemplo, a frequência cardíaca e a pressão arterial, e avisar quando algo está mal.

“É uma técnica que permite integrar dispositivos baseados em grafeno diretamente em fibras têxteis, mantendo o aspeto, flexibilidade e toque do tecido. Para já, criámos sensores de toque, tal como os usados nos écrans sensíveis ao toque, e dispositivos que emitem luz”, explica Helena Alves, investigadora do CICECO.

A coordenadora do trabalho realizado na UA garante que “a combinação destes dispositivos permite, por exemplo, criar ‘touch-screens’ em tecidos ou objetos revestidos com têxteis, para visualizar informações”. E como os dois dispositivos foram fabricados usando métodos compatíveis com métodos e requisitos industriais, torna possível a respetiva produção industrial.

Lei da Paridade trouxe mais destaque para as deputadas

“Este trabalho pretendeu analisar o impacto que a lei da paridade teve em termos da atividade parlamentar dos deputados. Em particular, pretendeu-se compreender o efeito da Lei na apresentação de projetos de lei relacionados com mulheres, crianças e família, dada a expectativa teórica de que as mulheres tendem a priorizar as leis direcionadas para os seus direitos”, explica Milene Ribeiro lembrando que a lei da paridade gerou um aumento da representação das mulheres no Parlamento – de 27 porcento em 2009 para cerca de 33 por cento após as eleições de 2015.

Durante a investigação, que resultou na tese de Mestrado em Ciência Política da UA de Milene Ribeiro, foram analisados todos os projetos de lei apresentados no Parlamento português durante quatro legislaturas (de 1995 a 2015), num total de 2750 projetos.

Mais deputadas como primeiras subscritoras

Uma das principais conclusões a que chegou o trabalho da aluna da UA é que a introdução das quotas em Portugal não aparenta ter introduzido alterações significativas relativamente aos temas centrais das iniciativas legislativas. Embora se tenha notado um “ligeiro aumento dos projetos de lei relacionados com a família, mulher e, sobretudo, crianças – um efeito que é, em larga medida, independente do partido político”, Milene Ribeiro lembra que “não nos podemos esquecer que existiu em 2011, legislatura seguinte à aprovação da Lei da Paridade, uma grande crise económica o que levou a que os projetos de lei fossem essencialmente direcionados para questões económicas e financeiras”.

Apesar disso os resultados alcançados pelo trabalho realizado no Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território da UA, e com orientação de Carlos Jalali e Patrícia Silva, sugerem que a adoção da Lei da Paridade atribuiu maior destaque às mulheres no Parlamento. Com efeito, a partir da aprovação da Lei aumentou o número de mulheres que apresentam propostas como primeiras-subscritoras de projetos de lei.  Assim, aponta o estudo, se antes da aprovação da Lei da Paridade cerca de 29 por cento das leis tinham mulheres como primeiras subscritoras, a percentagem, depois da aprovação da Lei subiu para quase 55 por cento.

“Com a aprovação da lei das quotas, a partir de 2006, notou-se não só um aumento no número de deputadas, mas também um maior destaque no processo legislativo. Com efeito, foram identificados resultados significativos e robustos relativamente à proporção de mulheres que apresentam propostas de lei como primeiras subscritoras”. Além disso, o aumento no número de mulheres no grupo de proponentes de projetos de lei parece gerar aumentos significativos de propostas sobre crianças.

Apesar da representação parlamentar em Portugal ser, ainda, essencialmente, masculina, com os homens a obter maior destaque no processo legislativo, parecem existir sinais de uma mudança positiva na esfera da igualdade em termos políticos”, antevê Milene Ribeiro.

Universidade de Aveiro quer ajudar a NATO a combater extremistas na Internet

Numa época em que as redes sociais são cada vez mais usadas para difundir mensagens extremistas e onde fotografias e imagens são manipuladas constantemente, a competição lançada pela NATO StratCom desafiou investigadores de todo o mundo a apresentarem soluções para combater uma realidade que a organização considera ser “um risco claro para a segurança da Aliança Atlântica”.

“O objetivo da NATO é detetar conteúdo malicioso em vídeos e fotos online. Esse conteúdo pode ir desde propaganda política extremista até alterações ou descontextualização de imagens”, explica Daniel Canedo que, a par de António Neves, José Luis Oliveira, Alina Trifan e Ricardo Ribeiro, todos especialistas em Informática do Instituto de Engenharia Eletrónica e Informática de Aveiro (IEETA) da UA e do respetivo Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática (DETI), assina o projeto com que a equipa portuguesa pretende ajudar a NATO StratCom.

“O universo online é muito sensível a este tipo de informação, especialmente porque a faixa etária predominante na Internet é a mais jovem”, aponta o investigador que, não tem dúvidas: “Facilmente se consegue moldar uma mente jovem através da Internet, e quem cria este conteúdo malicioso está bem ciente desse fenómeno”. Portanto, “a NATO, por querer criar formas para combater este problema, lançou o desafio à comunidade científica com o objetivo de desenvolver sistemas capazes de detetar conteúdo malicioso”.

A ideia apresentada pela equipa da UA passa pelo desenvolvimento de um sistema capaz de analisar imagens, sejam em formato vídeo, sejam em fotografia, em três grandes dimensões. Em primeiro lugar o sistema quer esmiuçar os objetos. Os investigadores propõem-se a que no final da análise todos os objetos presentes nas imagens estejam rastreados de forma a que sejam ou não identificados aqueles que possam estar potencialmente ligados a grupos extremistas.

Em segundo lugar, o dispositivo informático permitirá também concluir se as imagens são originais ou se sofreram qualquer tipo de manipulação. Por último, o ‘detetive’ da UA terá a capacidade de analisar a informação extraída das imagens, enquadrada com as eventuais mensagens que a possam acompanhar como posts ou comentários a elas ligados nas redes sociais.

“Com base na informação extraída das imagens e dos conteúdos textuais dos posts que possam estar associados, o nosso sistema classificará o risco dessa informação utilizando técnicas de mineração de dados [exploração de grandes quantidades de dados em busca de padrões consistentes] e classificadores [treino de algoritmos para aprenderem padrões e fazerem previsões a partir de dados]”, explica Daniel Canedo.

Como lidar com uma reclamação

Ora, a gestão correta do processo de reclamação permite, não só, resolver a situação eficazmente, de forma a minimizar o seu impacto, como também constitui uma oportunidade para a organização (empresa ou não) reforçar a relação com o cliente.

Como?

A UNAVE – Associação para a Formação Profissional e Investigação da Universidade de Aveiro, leva a efeito, nos próximos dias 18 e 19 de dezembro, uma formação precisamente sobre COMO LIDAR COM UMA RECLAMAÇÃO.

A formação terá a duração de 12 horas, distribuídas por dois dias, e decorrerá nas instalações da UNAVE-UA, das 9h30 às 12h30 e das 14h00 às 17h00.

O objetivo é habilitar os potenciais formandos – todos aqueles que lidam, de uma forma ou de outra com clientes – a gerir com eficácia os processos de gestão e tratamento de reclamações, reconhecendo os motivos que conduziram à insatisfação do cliente, identificando mecanismos que permitam a sua resolução e o reforço desejável da relação com o cliente.

A formação é da responsabilidade da professora Judite Maria Manso, docente de Marketing e Vendas na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda (Universidade de Aveiro).

Judite Manso é, também, Diretora Geral no IPRC–Instituto Português de Relações com o Cliente e consultora nas áreas de Gestão, Comercial, Estratégica, Marketing e Comportamental. É formadora, desde 2004, em várias PME´s, dos ramos industrial, comercial e serviços.

Inscrições e informação mais detalhada disponíveis em: http://www.unave.pt/?formacao=como-lidar-com-uma-reclamacao

Alunos portugueses criam robô para ajudar em situação de catástrofe

Segundo um comunicado da UA, o robô é capaz de entrar nos escombros, mapear em três dimensões o espaço, detetar focos de incêndio e medir a temperatura, humidade e monóxido de carbono e, em tempo real, enviar os dados para o exterior.

Pequeno e autónomo, o robô desenvolvido por 15 estudantes do Mestrado Integrado em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações “quer ser uma preciosa ajuda quando todos os minutos são essenciais para salvar vidas”.

“Com 1,5 quilogramas e 23 por 28 centímetros, o robô pode facilmente ser usado em todos os cenários que necessitem de medir condições ambientais e em que a obtenção de um modelo tridimensional possa ser útil”, refere a mesma nota.

Incêndios, colapsos parciais, grutas, demolições e operações de reconhecimento, busca e salvamento são algumas das situações onde este robô pode ser utilizado, indicam os seus criadores.

Todos os dados recolhidos pelo robô serão disponibilizados em tempo real às equipas de salvamento através de uma aplicação de computador criada para o efeito, onde a informação é apresentada de forma clara, simples e concisa, para acelerar o processo de análise e tomada de decisões.

Os estudantes realçam ainda que o robô não necessita de um operador já que, na fase final de desenvolvimento, vai ser capaz de se mover e adquirir informação de forma autónoma.

O robô, que ainda está em fase de protótipo, “já consegue fazer a sensorização do ambiente e gerar o respetivo modelo 3D”.

“Dentro em breve, será a vez da implementação da capacidade de adquirir e sobrepor vários modelos 3D e da instalação do movimento autónomo. Depois disso estará pronto a entrar em ação”, referem os criadores.

Elevada concentração de mercúrio põe em risco golfinhos portugueses

A quantidade de mercúrio – um metal pesado altamente tóxico para a saúde , e cujos valores presentes nas populações nacionais de golfinhos foram investigados pela equipa de biólogos da Universidade de Aveiro (UA) -, só é mesmo ultrapassada pelas espécies que habitam nas costas dos mares Mediterrâneo e Adriático.

“Podemos estar perante um “potencial problema, associado ao mercúrio no ecossistema marinho em Portugal”, alertam os investigadores da Universidade de Aveiro, relembrando que a principal via de entrada do mercúrio e de outros poluentes químicos nos golfinhos ocorre por ingestão.

“Algumas das presas principais destes golfinhos são espécies comerciais importantes, pelo que representam alimento frequentemente ingerido pelos humanos”, salienta a bióloga Sílvia Monteiro, investigadora do Departamento de Biologia e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da UA.

Dois fatores podem estar a influenciar a presença deste metal pesado nos golfinhos analisados decorre de fenómenos naturais ligados a processos oceanográficos ou geotérmicos e a ação humana, nomeadamente a agricultura, a indústria, o tráfego marítimo ou a exploração mineira.

“Os golfinhos possuem um conjunto de características: são predadores de topo, têm uma limitada capacidade de excreção de poluentes, têm uma elevada longevidade e elevada mobilidade. Essas características tornam-nos potencialmente ameaçados por poluentes químicos e potenciais sentinelas do estado de contaminação do ecossistema marinho”, explica Sílvia Monteiro.

A equipa de investigação realizou análises ao mercúrio em dezenas de animais que deram à costa nos últimos anos, já mortos ou que acabaram por morrer nas praias.

O estudo centrou-se nos organismos de duas das espécies mais comuns das águas nacionais: a roaz e o boto.

No caso da espécie roaz (Tursiops truncatus) verificaram-se dos níveis mais elevados de mercúrio em águas europeias, com valores só excedidos por animais analisados em águas do Mediterrâneo e Adriático. Resultados similares, embora relativamente menores, foram encontrados para a espécie boto (Phocoena phocoena).

Apesar da comunidade científica mundial pouco ainda saber sobre os efeitos dos poluentes químicos na saúde dos golfinhos, “existem já vários estudos que mostram que a exposição a metais pesados interfere no seu desenvolvimento e crescimento, pelo que Sílvia Monteiro diz ser “fundamental conhecer o impacto das ameaças antropogénicas sofridas por estas espécies, de modo a permitir uma implementação eficaz de estratégias de conservação”.

FORMAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DA SOCIEDADE

Quando se constituiu a Universidade de Aveiro (UA) em meados da década de 70, foram selecionadas áreas prioritárias a desenvolver, entre as quais se contavam as Ciências da Natureza e do Ambiente. O Grupo Interdisciplinar de Estudos de Ambiente (Física, Química, Biologia e Geologia) lançou o ensino nestas áreas e criou o núcleo de Economia Mineral e Recursos Minerais, tendo como objetivo prioritário, então, a investigação da Bacia do Vouga. Foram selecionados como domínios merecedores de particular atenção a Geoeconomia (que abarcaria Geoquímica, Geofísica e Recursos Minerais), a Geologia Marinha e a Sedimentologia de depósitos recentes. O desenvolvimento da área de Geologia (ensino e investigação) veio nos finais da década de 70 a traduzir-se, de acordo com o modelo organizativo da UA, na criação do Departamento de Geociências, o primeiro em Portugal com um contexto integrador das várias áreas ligadas às Ciências da Terra, incluindo as Ciências de Engenharia e as Ciências Geofísicas.

Universidade de Aveiro cria um novo curso: Licenciatura em Geologia

“O país necessita de pessoas com formação geológica. A nova oferta formativa, em Geologia, não descura o que é fundamental na licenciatura que temos oferecido até agora, em Engenharia Geológica, e vem até criar um forte potencial para atrair mais pessoas”, começa por nos explicar José Francisco Santos que considera que há pouca informação sobre o que é realmente a Geologia.

Para o diretor do DGeo-UA, a este problema da falta de informação junta-se o facto de haver uma forte exigência na componente matemática no curso de Engenharia Geológica, o que constituía um óbice na atração de muitos alunos que até poderiam ter interesse significativo pelas ciências da Terra, mas não numa perspetiva de engenharia. Assim, surge a aposta no curso de Geologia, o qual “vem permitir uma formação mais sólida na componente geológica, nas suas várias vertentes”, avança José Francisco Santos.

Com uma formação básica em áreas fundamentais para qualquer ciência, o curso de Geologia apresenta disciplinas onde serão lecionadas matemática, física, química e informática. No que se refere às disciplinas de geologia, “oferecemos um leque diversificado de cadeiras, permitindo, ao nível da licenciatura, que os alunos tenham formação essencial para as várias hipóteses de saídas como futuros profissionais na área. Será um curso em que ao rigor da introdução das questões teóricas se adicionará sistematicamente uma componente prática bastante forte, permitida pelo trabalho de campo e pelas condições laboratoriais de que dispomos”, afirma o professor.

Concretizando algumas áreas disciplinares com importância económica, são de sublinhar as cadeiras que irão incidir nos recursos minerais, quer metálicos quer não metálicos. “Aqui é de realçar que a Universidade de Aveiro tem um dos grupos de pesquisa a nível nacional mais forte no campo dos recursos minerais não metálicos, em que se incluem os chamados minerais industriais ou as rochas ornamentais. Isto é particularmente relevante num país do mundo desenvolvido, onde, por um lado, as reservas de metais já foram intensamente exploradas e, por outro lado, se desenvolvem novas tecnologias que requerem o uso de minerais industriais, o que faz com que os materiais não metálicos sejam recursos merecedores da maior atenção”, refere José Francisco Santos.

Outra aposta do plano de estudos do curso de Geologia é feita nas matérias relacionadas com os recursos hídricos, uma área a propósito da qual o entrevistado afirma que “infelizmente, em termos do conhecimento público, não é reconhecida como relacionada com a Geologia”.

Uma novidade será a introdução da geologia médica no plano de estudos do curso de Geologia da Universidade de Aveiro. “É uma área que não é habitual ser lecionada ao nível de licenciatura, mas que, no caso de um curso dirigido pelo Departamento de Geociências da UA, faz todo o sentido”. Com efeito, esta opção vem no seguimento da importância dada desde sempre por este departamento à abordagem de temas ambientais numa base geoquímica. “O grupo de investigação do nosso departamento que se dedica à geoquímica ambiental tem, nos últimos anos, centrado grande parte da sua atividade na geologia médica, com uma qualidade reconhecida internacionalmente, como é testemunhado por termos a sede da Associação Internacional de Geologia Médica”. Ao abordar estas questões, o diretor do DGeo-UA não deixou de sublinhar mais uma faceta do desconhecimento público da importância das ciências da Terra, pois é habitual não se estabelecer ligação entre as questões ambientais e a geologia. “Por exemplo, um estudo do impacto ambiental implica sempre uma componente geológica. É uma questão básica que deveria ser do conhecimento comum”, realça o professor José Francisco Santos. Também merece referência a existência de uma disciplina de oceanografia geológica. Segundo refere o diretor do DGeo-UA, “o nosso departamento conta com um dos grupos portugueses mais reconhecidos no campo da geologia e da geofísica marinhas, o que é particularmente importante num contexto em que o Mar é considerado de interesse estratégico para o nosso país”.

Acrescenta ainda que “as técnicas usadas pela geofísica marinha têm um papel fundamental na prospeção de eventuais reservas de hidrocarbonetos”. A Universidade de Aveiro, como instituição em que a investigação é uma componente fundamental, tem apostado na integração dos seus alunos em fase final de licenciatura em trabalhos de pesquisa desenvolvidos pelas suas unidades de investigação. No que diz respeito ao DGeo-UA, isso já é praticado nas atuais licenciaturas em Biologia e Geologia e em Engenharia Geológica, pelo que o professor José Francisco Santos não duvida que essa integração será certamente prosseguida na licenciatura em Geologia.

A importância da Geologia

A indústria extrativa de matérias-primas não metálicas, como a argila, é uma atividade tradicional na região de Aveiro. Além disso, historicamente a indústria extrativa de recursos minerais desempenhou um papel significativo na região Centro do país e ainda recentemente se realizaram trabalhos com a perspetiva de lançamento de novas explorações mineiras, nomeadamente de tungsténio, no distrito de Viseu. Por outro lado, a intensa atividade mineira do passado, é motivo para a intervenção dos geólogos em trabalhos visando a remediação ambiental das áreas mais afetadas por essa atividade. Estes são só alguns exemplos da importância do papel dos geólogos no contexto da região Centro

No entanto, o curso de Geologia não deve ser encarado como um curso vocacionado exclusivamente para a região. “A formação proporcionada tornará os nossos futuros licenciados em Geologia aptos a trabalhar em qualquer parte do mundo, como sempre terá de ser timbre de uma formação de qualidade em Geologia”. Aliás, reforça o diretor do DGeo-UA, “há profissionais que fizeram a licenciatura, o mestrado e/ou o doutoramento nos vários cursos da UA da área de geociências a trabalhar, por vezes em posições de destaque, em diferentes países, pelo que o mesmo certamente acontecerá com a nova licenciatura”.

José Francisco Santos alerta para a importância da Geologia como uma ciência cuja relevância não se deve reduzir ao seu papel na indústria extrativa. Para além das já referidas questões ambientais, há outros aspetos do dia-a-dia em que esta ciência tem um papel fundamental, como sucede nos projetos de engenharia civil, em que os estudos geológicos e geotécnicos são essenciais para se avaliar o comportamento mecânicos dos solos e das rochas. Uma área que tem recebido cada vez maior atenção é a da defesa do património natural e edificado. Também aqui, a geologia intervém fortemente. “A Geologia não é uma ciência da moda. É uma ciência que faz sempre falta e que está sempre presente. Há determinadas áreas que têm uma procura fugaz que pode ser significativa, mas que perdem relevância com o desenvolvimento tecnológico. Com a Geologia, tal como sucede com as outras ciências fundamentais, isso não pode ocorrer. Haverá sempre necessidade da Geologia, a menos que queiramos abdicar de compreender aquilo que nos rodeia”, afirma o nosso entrevistado.

 

 

 

Designer portuguesa cria berço adaptável para bebés até aos 4 anos

Estudante de design da Universidade de Aveiro (UA) é a criadora de um berço que se adapta consecutivamente até a criança fazer quatro anos Desenhado a pensar nas instituições pré-escolares “que pretendam adquirir um produto que proporcione bem-estar para a criança e para as educadoras”, o HOGIE pode também, naturalmente, ser utilizado em casa das crianças. Até lá, a designer aguarda “uma mão empresarial para embalar o berço.”

Mas tudo começou quando Patrng4729635-1024x594ícia Cruz realizou uma pesquisa num infantário da região de Aveiro e verificou “que existiam mudanças nos infantários que prejudicavam a adaptação, o bem-estar, o conforto, a experiência e a memória da criança do seu percurso escolar, mudanças essas que se deviam essencialmente à constante alteração do local de sono e às mudanças de educadoras.”

Adaptável até aos 4 anos de idade, o HOGIE é constituído por três versões diferentes que, graças ao sistema de encaixe das peças, rapidamente assumem as respetivas funções ou podem ser empilhadas num espaço diminuto para que as salas possam ser utilizadas para outras atividades. Assim, a primeira versão tem o nome de “mini-berço” e pretende abranger as crianças com idades compreendidas entre os 3 e os 4 meses. Nesta fase o berço tem dimensões reduzidas e encontra-se a um nível mais elevado para permitir que a educadora mantenha a postura correta na colocação da criança no produto. A segunda versão, o “berço”, preparada para os 4 meses até ao 1.º ano de vida, “está relacionada com a fase de constante evolução motora e cognitiva da criança”. O berço fica mais elevado do solo para proteger e garantir a segurança máxima da criança. A terceira versão, “Catre”, pretende responder ao avanço motor e à autonomia da criança. Esta função “surge a partir da parte constituinte ‘mini-berço’ e permite que a criança se possa deitar sozinha sem o auxílio da educadora e sem qualquer risco de queda”, explica a estudante. Fácil de transportar, o berço HOGIE mede, nas três versões, 120 por 60 centímetros. Pode ser fabricado em várias cores em material acrílico, que facilita a vigilância das educadoras. Patrícia Cruz destaca ainda que o berço usa um único colchão para as três versões, alem de um conjunto de funcionalidades extras, que não só permite uma utilização mais eficaz do berço como prolonga o seu tempo de vida. É o caso do sistema de elevação do colchão que permite obter um ângulo de 10 graus de inclinação, as peças protetoras que eliminam o contacto direto entre o produto e o piso, a tampa que permite que uma das partes do berço se transforme numa caixa de arrumação e as rodas para transportar o berço facilmente. O trabalho no projeto do HOGIE resultou numa tese de mestrado apresentada recentemente no Departamento de Comunicação e Arte da UA.

EMPRESAS