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Portugal, Japão e Alemanha juntos no desenvolvimento de uma vacina de nova geração contra a Malária

O IBET – Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica – participa num projecto internacional para o desenvolvimento de uma vacina contra a Malária. Equipas de cientistas do Japão, Portugal e Alemanha juntaram-se para combater esta doença que já foi endémica em Portugal e que actualmente infecta mais de 200 milhões de pessoas e causa quase meio milhão mortes todos os anos.

A pesquisa por uma vacina contra a malária conta com mais de 40 anos. Por todo o mundo, diversos grupos de cientistas procuram prevenir a transmissão do parasita de mosquitos para humanos. Contudo estas vacinas de primeira geração revelaram ser pouco eficazes protegendo no máximo 30% das pessoas vacinadas. Uma alternativa que se tem revelado significativamente mais eficaz é o desenvolvimento de vacinas que protegem os glóbulos vermelhos da entrada do parasita impedindo assim a sua replicação no sangue. Porém, o elevado grau de heterogeneidade entre diferentes isolados tem-se revelado o principal obstáculo ao desenvolvimento deste tipo de vacinas.

Recentemente, investigadores do Proteo-Science Center da Universidade de Ehime (Japão) e da Sumitomo Dainippon Pharma (Japão) descobriram um novo antigénio do estádio sanguíneo do parasita com destacado potencial terapêutico devido ao seu elevado grau de conservação entre diferentes isolados, o PfRipr5.

A fim de transformar esta descoberta numa vacina de nova geração, estes investigadores contam com a ajuda de investigadores Portugueses e Alemães que serão responsáveis pela produção e formulação do novo antigénio, respectivamente. Em Portugal, o iBET – Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica, em Oeiras, será responsável por desenvolver o processo de produção e de garantia da qualidade desta proteína, PfRipr5.

Este projecto é de maior importância internacional uma vez que o parasita da malária é um dos organismos prioritários para o desenvolvimento de uma vacina segundo o Global Vaccine Action Plan (GVAP) da Organização Mundial de Saúde. Ainda de acordo com a Organização Mundial de Saúde, mais de 3 mil milhões de pessoas em 92 países estão em risco de contrair malária durante a sua vida.

Denominado “Further development of a new asexual blood-stage malaria vaccine candidate”,  este projeto é financiado do Fundo Japonês Global Health Innovative Technology Fund (GHIT), uma parceria público-privada entre o governo do Japão, várias empresas farmacêuticas, a Fundação Bill and Melinda Gates, o Wellcome Trust e o Programa para o Desenvolvimento das Nações Unidas, O GHIT tem como objectivo estimular o desenvolvimento de novas vacinas e medicamentos para o tratamento de doenças tropicais negligenciadas.

O Dia Mundial da Luta Contra a Malária assinala-se anualmente a 25 de Abril e tem como objectivo reconhecer o esforço global para o controlo efectivo da malária, sublinhar os avanços e apelar à acção e ao investimento de forma a acelerar o progresso contra a doença.

Petição pela obrigatoriedade das vacinas. Concorda?

Surto de sarampo e morte de jovem de 17 anos por causa da doença motivaram esta iniciativa da sociedade civil.

Atá às 15h02 do dia de hoje a petição já contava com 2 609 assinaturas.

documento está disponível no site Petição Pública.

A petição diz o seguinte:

“Ex.mo Senhor Ministro da Saúde,

Sabemos que a taxa de vacinação em Portugal é muito alta e que muitos dos casos que agora surgem de doenças para as quais já há vacinas não se prendem, directamente, com os movimentos anti-vacinação. No entanto, consideramos que é cada vez mais importante alertar as pessoas para a necessidade de vacinar as crianças: por uma questão de saúde pública, não queremos que exista um retrocesso civilizacional no que à evolução médica diz respeito. Porque estas mesmas crianças não vacinadas andam nas mesmas escolas, porque essas mesmas crianças podem ser foco de infecção para quem tem um sistema imunitário fraco ou para quem não pode ser, de todo, vacinado. Aproveitando as palavras recentes do presidente da Direcção Geral da Saúde, Dr. Francisco George, é preciso prevenir cada vez. E isso passa pela vacinação. Porque não queremos voltar a temer doenças como a tuberculose, o sarampo, a escarlatina ou a tosse convulsa. Por isso, vimos pedir que seja pensada a obrigatoriedade da vacinação de todas as crianças – e apenas das vacinas que constam do Plano Nacional de Vacinação, que sabemos ser um dos mais robustos da Europa”.

Vacinas devem ser obrigatórias para ir à escola?

Em Portugal não é obrigatório ter as vacinas em dia para ir à escola. Apesar disso, todas as vacinas do Plano Nacional de Vacinação têm taxas de adesão acima dos 95%. Como esta elevada cobertura vacinal protege toda a gente, somos, por assim dizer, um paraíso para crianças não vacinadas. Mas estas não contribuem para a imunidade de grupo e estão, por assim dizer, à boleia das vacinas dos outros. Nalguns países há comunidades com taxas de vacinação perigosamente baixas, porque os pais recusam vacinar os filhos. Acreditam que as vacinas lhes fazem mal ou simplesmente que não são precisas. Por vezes as autoridades tomam medidas para impor as vacinas. Como se equilibra a liberdade de escolha dos pais, o direito à saúde dos filhos e a responsabilidade de contribuir para a segurança colectiva?

Velhos argumentos

Na edição de 2 de Janeiro de 1888 da revista Scientific American dava-se conta do sucesso de um grupo antivacinas, que logrou revogar uma lei de vacinação obrigatória contra a varíola que vigorou em Zurique durante vários anos e até 1882. O argumento era estarrecedor: não tinha havido nenhum caso da doença na cidade em 1882. Nos anos seguintes as mortes por varíola voltaram.

Cem anos depois, os programas de vacinação intensivos acabariam por erradicar a doença. O último caso ocorreu em 1977 e hoje podemos dizer que a varíola “foi” uma doença contagiosa. É um exemplo que atesta o sucesso das vacinas. Curiosamente, é esse sucesso, e a segurança que as vacinas conferem, que abre espaço aos movimentos antivacinas. Estes tiveram um importante impulso em 1988 com a publicação de um artigo na prestigiada revista médica The Lancet, da autoria do médico Andrew Wakefield, no qual se defendia que a vacina tríplice (contra o sarampo, a papeira e a rubéola) causava autismo. Era uma fraude. Descobriu-se que Wakefield foi pago para falsificar os dados clínicos e em 2012 a revista Time incluiu o seu nome na lista das maiores fraudes científicas de sempre.

Mas os movimentos antivacinas continuam de boa saúde. E Wakefield, embora desacreditado na comunidade científica, também. Realizou recentemente o filme Vaxxed, no qual alega a existência de uma grande conspiração para esconder que as vacinas causam autismo. O filme foi apadrinhado pelo actor Robert De Niro, que atribui o autismo do filho à vacina tríplice. Mas o medo do autismo já não é a razão principal para recusar as vacinas.

Um inquérito publicado em Agosto último na revista Pediatrics revelou que 87% dos pediatras norte-americanos foram consultados em 2013 por pais que recusam vacinar os filhos (em 2006 eram 75%). Entre os pais que recusam vacinar, 64% fazem-no por medo do autismo (74% em 2006). Mas a razão principal é a mesma de Zurique em 1882: 73% dos pais antivacinas acreditam que elas não são necessárias (63% em 2006).

Imunidade de grupo

No mês passado, a australiana Sandra Tee colocou no Facebook um vídeo da sua bebé de cinco semanas com tosse convulsa. É uma infecção que pode causar a morte e a bebé é demasiado nova para ser vacinada. A mãe escreveu que “os bebés dependem da imunidade de grupo para estarem em segurança, o que não é possível sem taxas elevadas de vacinação”.

A recusa das vacinas é responsável por novos surtos de doenças infecciosas, anteriormente controladas. No ano passado surgiu o primeiro caso de difteria em Espanha desde 1987, que culminou com morte de um menino de seis anos. Como a segurança de todos depende de escolhas individuais, medidas para impor as vacinas são uma questão que se tem vindo a colocar em vários países.

O parlamento australiano aprovou recentemente uma lei que retira todos os apoios fiscais relacionados com educação a pais que não vacinem os filhos. Há estados norte-americanos em que algumas vacinas são obrigatórias para frequentar a escola pública, embora habitualmente estejam previstas dispensas por motivos religiosos ou pessoais. Mas, depois do surto de sarampo com origem na Disneylândia no início deste ano, que se deveu a baixas taxas de vacinação, essas isenções estão a ser abolidas. Os partidários antivacinas respondem com acções nos tribunais.

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