Inicio Tags Viana do Castelo

Tag: Viana do Castelo

Obra de Reformulação do Molhe do Porto de Viana foi lançada ontem

A obra, ontem lançada, é a primeira das quatro intervenções previstas para a reabilitação do Molhe, que terá um custo global de 21,4 milhões de euros. Esta fase precursora terá a duração de doze meses e um custo estimado de 1.461.619€.

Com 2.170 metros de comprimento, o Molhe Norte (de proteção do porto de Viana do Castelo) é uma estrutura de taludes galgáveis, dispondo  de um passadiço de betão. A intervenção, ontem anunciada, englobará o reforço dos taludes existentes e a reparação do pavimento de betão em todas as extensões danificadas fruto das intempéries.

“Esta é uma obra de extrema importância porque assegura, principalmente, as questões de segurança desta infra-estrutura portuária, cada vez mais importante do ponto de vista económico para o país. Este ano o Porto de Viana já movimentou cerca de 237 mil toneladas de mercadorias, o que representa um crescimento exponencial de cerca de 16% face ao ano anterior”, sublinhou a Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino.

Além das atividades portuárias esta estrutura do Porto de Viana assegura ainda a actividade de construção e reparação naval; a indústria da fabricação de componentes para aerogeradores eólicos; práticas desportivas;  pesca; assim como áreas destinadas à atividade comercial (hotelaria, restauração, estabelecimentos de diversão e lazer).

Recorde-se que a APDL iniciou, no passado mês de fevereiro, a construção dos novos acessos rodoviários ao sector comercial do porto de Viana do Castelov isando melhorar a acessibilidade à infra-estrutura portuária, reforçando a sua competitividade e alargando o seu hinterland.

Obras de mais de 758 mil euros requalificam urgência em Viana do Castelo

Em comunicado enviado, a administração da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM) adiantou que esta fase “vai permitir melhorar o espaço e triplicar o número de camas na unidade de cuidados intermédios”, sem quantificar e sem apontar a data para o início da empreitada.

Segundo a administração da ULSAM, além do serviço de urgência médico cirúrgico, o investimento autorizado, destina-se às obras de ampliação da unidade de cuidados intermédios (medicina crítica).

“Esta unidade passará a contar com mais camas e com melhores condições de assistência aos doentes urgentes, proporcionando também melhores condições de trabalho aos profissionais e uma gestão mais eficiente dos recursos. Concretamente em relação à capacidade, será possível passar das atuais sete camas para 18″, especifica a nota.

Em setembro de 2018, a administração da ULSAM anunciou um investimento de mais de 977 mil euros no serviço de urgência, permitindo quase “triplicar o número de camas nos cuidados intermédios”.

Nessa altura, à Lusa, o presidente do conselho de administração ULSAMFranklim Ramos, adiantou que aquela requalificação, está integrada num investimento global de mais de 1,2 milhões de euros naquele serviço, iniciado em janeiro de 2017.

O investimento global na urgência daquele hospital, iniciada em 2017, ultrapassa os 1,2 milhões de euros e tem como principal objetivo “acabar com doentes no corredor” daquele serviço, “por onde passam, por ano, 70 mil doentes”.

A intervenção começou em janeiro com a criação da unidade de decisão clínica, com 25 camas. Aquele serviço ficou instalado no espaço até então ocupado pela central de colheitas de sangue, relocalizada para outra área do hospital, num investimento de 100 mil euros.

Segundo dados do administrador da ULSAM trabalham atualmente no hospital de Santa Luzia 289 médicos e 644 enfermeiros.

Aquela unidade local de saúde integra os hospitais de Santa Luzia, em Viana do Castelo, e Conde de Bertiandos, em Ponte de Lima, 13 centros de saúde, uma unidade de saúde pública e duas de convalescença, servindo uma população residente superior a 250 mil pessoas. No total a ULSAM emprega mais de 2.500 profissionais.

Viana do Castelo: hospital pôs empregadas de limpeza a trabalhar como auxiliares

No Hospital de Viana, do Centro Hospitalar do Alto Minho, a administração utilizou, durante toda a manhã, “trabalhadores das empresas de limpeza”, tendo “mandado trocar a bata da empresa por uma bata do hospital e pô-los a fazer trabalho de auxiliar de ação médica”, declarou à Lusa Orlando Gonçalves.

À margem de uma conferência de imprensa que decorreu hoje no Porto, junto à Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT), o coordenador dos Sindicatos em Funções Públicas e Sociais do Norte (STFPSN), classificou a troca de batas e o trabalho de auxiliar de ação médica feito por trabalhadores de empresas de limpeza como um ato “absolutamente ilegal”

“Isto é absolutamente ilegal. Não faz sentido e põe até em causa e em risco a vida e a saúde dos doentes que lá estão internados”, alertou Orlando Gonçalves.

A Lusa contactou o Centro Hospitalar do Alto Minho, mas até ao momento não foi possível obter informações.

Na conferência de imprensa, Orlando Gonçalves avançou que a adesão à greve nacional na Administração Pública atingiu os 100% no setor da Saúde, havendo hospitais com dificuldades para assegurar os serviços de saúde mínimos, designadamente em Vila Nova de Gaia e no Porto, denunciam sindicatos.

Questionado pela Lusa sobre quais os hospitais que estão com dificuldades em assegurar os serviços mínimos, o dirigente do STFPSN enumerou o “Santos Silva, em Vila Nova de Gaia”, o “Santo António, no Porto”, que está também “abaixo dos mínimos, e o Hospital São João, no Porto, onde está a haver “muita pressão por parte dos diretores e da administração para que os trabalhadores não abandonem os locais de trabalho” e para “cumprirem serviços mínimos, onde eles não existem”.

Em causa na greve nacional está a falta de respostas às reivindicações da Frente Comum, como o aumento dos salários na função pública, o descongelamento “imediato” das progressões na carreira e as 35 horas semanais para todos os trabalhadores.

PSP fecha principal avenida de Viana do Castelo por causa de mala suspeita

Em declarações à Lusa, Raul Curva explicou que a PSP de Viana do Castelo encerrou a Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, bem como parte da rua pedonal Manuel Espregueira, que é uma lateral àquela avenida principal.

O alerta da mala suspeita foi feito às autoridades pelas 13:30, dando conta de que estava abandonada junto ao edifício da CGD de Viana do Castelo.

A mesma fonte da PSP adiantou que se está a aguardar pela chegada de uma equipa de intervenção de engenhos explosivos do Porto.

A Avenida dos Combatentes da Grande Guerra de Viana do Castelo é uma das zonas com vários estabelecimentos comerciais, restauração, bancos e empresas e nesta altura época alta do ano enche de turistas e emigrantes de férias que querem participar na Festa da Nossa Senhora da Agonia.

Viana do Castelo recebe a partir de hoje o festival de música eletrónica Neopop

O festival decorre até sábado, sob o tema “A arte do techno” (que também serviu de título a uma exposição), e vai receber em dois palcos artistas como Danny Tenaglia, Chris Liebing, Speedy J, The Field, entre muitos outros.

“O que nós esperamos é a continuidade do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido nos últimos 11 anos”, afirmou, dias antes do começo do evento, Raul Duro, da organização, que frisou que há mais de dez anos tinham o sonho de conseguir levar Kraftwerk aos palcos do festival.

O Neopop é “um festival de música eletrónica e os Kraftwerk são os pais da música eletrónica”, disse Raul Duro, realçando: “São referências para todos nós, que vivemos e respiramos dentro da música eletrónica. Ter os Kraftwerk num festival de música eletrónica, independentemente de a música ser mais electroclash, mais techno, mais progressiva… Os Kraftwerk fazem parte de uma geração que realmente influenciou tudo o que existe hoje”.

Com a expectativa de ultrapassar as 20 mil pessoas que passaram pelo Neopop no ano passado, metade das quais provenientes de fora de Portugal, Raul Duro salientou que o que a organização “espera é que as pessoas que [vão] a Viana sintam uma boa experiência, não só pela música”.

O organizador recordou que centenas de participantes no festival fazem anualmente a viagem até Viana do Castelo — “uma cidade piscatória de gente muito humilde e gente muito boa” — pelo que procuram “nunca defraudar” quem os procura.

O festival começa hoje, com a abertura do palco Anti às 16:00, prosseguindo a primeira noite até depois das 07:00 de sexta-feira, enquanto o palco Neo abre às 17:00, com Ramboiage, e vai ter uma sequência de artistas até às 06:30, quando começa a atuação de Rødhåd.

“A arte do techno”: Festival Neopop começa hoje

O festival decorre até sábado, sob o tema “A arte do techno” (que também serviu de título a uma exposição), e vai receber em dois palcos artistas como Danny Tenaglia, Chris Liebing, Speedy J, The Field, entre muitos outros.

“O que nós esperamos é a continuidade do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido nos últimos 11 anos”, afirmou, dias antes do começo do evento, Raul Duro, da organização, que frisou que há mais de dez anos tinham o sonho de conseguir levar Kraftwerk aos palcos do festival.

O Neopop é “um festival de música eletrónica e os Kraftwerk são os pais da música eletrónica”, disse Raul Duro, realçando: “São referências para todos nós, que vivemos e respiramos dentro da música eletrónica. Ter os Kraftwerk num festival de música eletrónica, independentemente de a música ser mais electroclash, mais techno, mais progressiva… Os Kraftwerk fazem parte de uma geração que realmente influenciou tudo o que existe hoje”.

Com a expectativa de ultrapassar as 20 mil pessoas que passaram pelo Neopop no ano passado, metade das quais provenientes de fora de Portugal, Raul Duro salientou que o que a organização “espera é que as pessoas que [vão] a Viana sintam uma boa experiência, não só pela música”.

O organizador recordou que centenas de participantes no festival fazem anualmente a viagem até Viana do Castelo – “uma cidade piscatória de gente muito humilde e gente muito boa” – pelo que procuram “nunca defraudar” quem os procura.

O festival começa hoje, com a abertura do palco Anti às 16:00, prosseguindo a primeira noite até depois das 07:00 de sexta-feira, enquanto o palco Neo abre às 17:00, com Ramboiage, e vai ter uma sequência de artistas até às 06:30, quando começa a atuação de Rødhåd.

Homenagem ao traje regional de Viana do Castelo

Intitulado “Alma de Princesa”, o espetáculo vai decorrer no próximo dia 12, entre as 22:00 e as 23:30. Terá como cenário aquele edifício, construído no século XVI e rua fronteira, anteriormente, designada de Cândido dos Reis mas que, em 2008, a Câmara – então liderada pelo ex-autarca Defensor Moura – rebatizou de Passeio das Mordomas da Romaria, em homenagem à mulher vianense.

“Vou apresentar mais de cem peças, sobretudo de vestuário, inspiradas no traje à vianesa, o primeiro do país a obter a certificação. O desfile sairá do palácio dos Viscondes da Carreira ou palácio dos Távora, onde funciona a Câmara e percorrerá o Passeio das Mordomas da Romaria, ambos em pleno centro histórico da cidade e envolvendo mais de 200 pessoas”, explicou hoje à Lusa a artista Isabel Lima.

Durante o desfile da criação contemporânea da artista de Viana do Castelo nas varandas do edifício camarário “estarão jovens trajadas, representando todas as freguesias” do concelho.

“As jovens trajadas vão abrir a primeira parte do desfile, dedicado à etnografia e, na segunda parte do evento, de apresentação da minha nova coleção as jovens estarão nas varandas da Câmara. É uma manifestação cultural feita de memórias do passado e de fusão entre o antigo e o moderno”, sustentou.

A iniciativa inclui dança, música e a atuação de uma banda filarmónica.

Isabel Lima produz, há vários anos, peças de vestuário, acessórios de moda, mobiliário, artigos decorativos, todos inspirados no traje regional de Viana do Castelo, o primeiro do país a obter certificação.

O processo de certificação foi adjudicado pela câmara municipal em maio de 2013 à Associação “Portugal à Mão”, a mesma, entre outras entidades, que também participou na certificação do bordado de Viana, concluída em agosto de 2012

O pedido de registo do típico “traje à vianesa”, com origem no século XIX, foi formalizado pela Câmara de Viana do Castelo em junho de 2015. Na ocasião, o executivo justificou a decisão de certificar o traje com a necessidade de evitar a “confusão” e a “apropriação” do mesmo por outras regiões.

No final de 2016, foi publicada em Diário da República a aprovação, pelo Instituto do Emprego e da Formação Profissional (IEFP), da inclusão da produção tradicional “Traje à Vianesa – Viana do Castelo” no Registo Nacional de Produções Artesanais Tradicionais Certificadas.

O traje assume-se como um símbolo tradicional da região nas suas várias formas, consoante a ocasião e o estatuto da mulher. Em linho e com várias cores características, onde sobressai o vermelho e o preto, foi utilizado até há cerca de 120 anos pelas raparigas das aldeias em redor da cidade de Viana do Castelo.

Os exemplares que ainda hoje se conservam, alguns nas mesmas famílias, terão cerca de 60 anos.

As características deste traje, como o seu colorido e a profusão de elementos decorativos, permitem identificar facilmente a região de origem, no concelho, motivo pelo qual se transformou, segundo os especialistas, “num símbolo da identidade local”.

A romaria d’Agonia, que decorrem entre 17 e 20 de agosto, sobretudo o tradicional desfile da mordomia, com mais de 500 mulheres devidamente trajadas pelas ruas da cidade de Viana do Castelo, assume-se anualmente, como a principal montra do “traje à vianesa”.

Viana do Castelo quer receber fábrica da Tesla

A Tesla tem manifestado interesse em construir uma nova fábrica na Península Ibérica, e a candidatura de Viana do Castelo surge nesse âmbito.

Em comunicado, a autarquia da capital do Alto Minho adiantou que o concelho “apresenta como fatores de atratividade o ambiente empresarial favorável da região do Alto Minho e as boas acessibilidades de ligação aos portos de mar de Viana do Castelo, Leixões e Vigo, mas também a dois aeroportos (Porto e Vigo)”.

Na nota, a autarquia sublinhou que o porto de mar da cidade “dispõe de um terminal ro-ro, que permite cargas e descargas de veículos para acesso a navios”.

Outro dos fatores de atração apontados pelo executivo socialista liderado por José Maria Costa “é a proximidade com a Galiza, a menos de uma hora de viagem e que está inserida em uma eurorregião, com mais de três milhões de habitantes”.

A existência de “muitos fornecedores de componentes automóveis em ou próximos de Viana do Castelo e de um regime muito favorável de incentivos à fixação de empresas” são outras das vantagens apontadas pela Câmara.

5 mil post-it’s comemoram o 81º aniversário da morte de Fernando Pessoa

O evento, a título de homenagem a Fernando Pessoa, realizar-se-á pelas 21h00 do próximo dia 30 de Novembro, e terá lugar em Viana do Castelo, na sede da agência criativa. Neste momento de celebração e criação, haverá lugar à declamação poética, a uma mostra de obras sobre a temática, da autoria de Cipriano Oquiniame e a um momento musical. Mais do que assinalar esta efeméride, pretende-se resgatar a herança artística e criativa de Pessoa, ícone maior da cultura portuguesa, enquanto escritor e publicitário.

Como explica o Diretor Criativo Fernando Lima, “Decidimos homenagear Fernando Pessoa, antes de mais, pela plena e evidente identificação com os valores da agência. Pela inegável admiração por este vulto de referência máxima na expressão de Portugalidade. Pelo desejo de divulgar o pioneirismo de Pessoa na área da publicidade em Portugal: em 1925, com 37 anos de idade, conhece Manuel Martins da Hora, que viria a ser o fundador da Empresa Nacional de Publicidade, a primeira agência de publicidade de Portugal, segundo Mega Ferreira, encetando desde então uma produtiva colaboração. Por volta de 1926-1927, o poeta criou o primeiro slogan para a Coca-Cola “Primeiro estranha-se. Depois, entranha-se”.”

Segundo a organização, “o livro Mensagem de Pessoa encerra na sua forma e conteúdo uma contemporaneidade surpreendente. Veja-se só pela estrutura; as três etapas sobre o império: nascimento, realização e morte, seguida por um renascimento. Hoje, mais do que nunca, precisamos, enquanto Portugueses, de nos erguer, sacudir a poeira e ambicionar novos voos.”


arkaitz 3

 

(Saber mais…)

“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.” – Uma “Mensagem” para o mundo

A obra tem como título “Mensagem”. Trata-se de um mural com mais de 5 metros de comprimento por 3 metros de altura, com a representação da imagem icónica de Fernando Pessoa e em que se convida os participantes a interagir com a obra, escrevendo pequenos textos.

Propõe-se uma leitura disruptiva do conceito da Mensagem no contexto contemporâneo, num novo paradigma em que são questionados a globalização, democratização, empobrecimento, vulgarização, mediatismo e velocidade de transferência de conteúdos. Utilizar um forte ícone como é a imagem de Pessoa e reproduzir esta em post-it’s é uma provocação, relevando A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica, como nos fala, no seu ensaio, o crítico cultural, filósofo e sociólogo alemão Walter Benjamin.

Podemos, metaforicamente, “entrar” no mural e “ver o que está por trás” da obra, através de uma das portas de acesso, com a inscrição de um dos poemas do livro “Mensagem” e assistir a um vídeo da construção do mural. O processo é também parte do “objeto” artístico.

Segundo o artista Arkaitz Brage, “Há uma tentativa de promover um diálogo com o público, assim como a reflexão num monólogo interno. Antes de escrever precisamos saber o que escrever e antes de escrever precisamos de pensar. Tratamos as mensagens como micro-discursos, resumos, que nos fazem sintetizar ideias e posições mais abrangentes. Os post-it’s, como objetos comuns, simples e de dimensões próximas, assumem a função de cápsulas de informação, formando uma obra composta por diferentes obras. Não esperamos nada mais do que um texto. No entanto, gostaríamos que, do envolvimento momentâneo, sucedesse um processo individual. Pelos seus atributos “colaborativos” a obra promove ainda o incitamento a um diálogo entre os participantes e o resto do mundo.”

Mas a obra, que apela à participação coletiva, não se resume ao físico e ao imediato. Estende-se através de uma plataforma online, em que qualquer utilizador poderá introduzir micro-poemas, num mural de post’its virtuais. É intenção que estes sejam votados para a seleção necessária à publicação futura de um livro de micro-poemas coletivo.

 

 “Primeiro estranha-se. Depois entranha-se” – Um lado menos conhecido de Pessoa

Um comerciante, qualquer que seja, não é mais do que um servidor do público, ou de um público; e recebe uma paga, a que chama o seu ‘lucro’, pela prestação desse serviço. Ora toda gente que serve deve, parece-nos, buscar a agradar a quem serve. Para isso é preciso estudar a quem se serve (…); partindo não do princípio de que os outros pensam como nós, ou devem pensar como nós (…), mas do princípio de que, se queremos servir os outros (para lucrar com isso ou não), nós é que devemos pensar como eles”.1

Assim escreve Pessoa em 1926, num dos seus textos sobre comércio e publicidade. Refira-se que o escritor adquirira competências em comércio.  Na África do Sul, Pessoa faz parte dos seus estudos na Commercial School de Durban.  Integrou a direção da Revista de Comércio e Contabilidade e publicou na Sociologia do Comércio.  Numa época em que poucos industriais tinham em conta a pesquisa de mercado, o autor estava claramente à frente do seu tempo. Na verdade, os comerciais e industriais da época pautavam-se por alguma arrogância, guiando-se por critérios pessoais de intuição e gosto e limitando o público a consumir o que era disponibilizado. Pessoa tinha um pensamento revolucionário e pioneiro, advogando a importância da consulta das vontades e gostos do consumidor.

Andréia Galhardo2a Universidade Fernando Pessoa, salienta que, através da análise das produções do escritor, percebe-se a defesa da necessidade de contornar a tendência da argumentação evidente e “impositiva” que o público rejeita, optando-se por discursos persuasivos e sedutores que apelem à sensibilidade e emotividade dos consumidores.

Após iniciar colaboração regular, na área da publicidade, como copywriter, o poeta cria o sloganPrimeiro estranha-se, depois entranha-se” para a Coca-Cola, representada pela firma Moitinho d´Almeida Lda., empresa para a qual o poeta prestou serviços como profissional autónomo. A genialidade inventiva do slogan, através do seu jogo de palavras, não impediu que a autoridade sanitária de Lisboa proibisse a distribuição do produto e determinasse a sua apreensão.

O slogan foi censurado por, alegadamente, induzir o consumo de um produto com elementos de coca; ou, a não ser verdade, pela prática de publicidade enganosa.

A censura ao slogan de Pessoa foi processada por Ricardo Jorge, diretor de Saúde de Lisboa, alegando que se do produto faz parte a coca, da qual é extraído um estupefaciente, a cocaína, não podia ser vendida ao público. Mas se o produto não tem coca, então anunciá-lo com esse nome seria publicidade enganosa. Por um lado ou por outro seria sempre ilegal. O entendimento foi que “se primeiro se estranhava e depois se entranhava”, isso é o que sucede com os estupefacientes: a primeira vez estranham e depois ficam dependentes.

A bebida acabou por entrar em Portugal três anos depois do 25 de Abril de 1974. No entanto, a Coca-Cola era vendida nas ex-colónias portuguesas Moçambique e Angola. Este paradoxo deve-se à forte influência comercial da África do Sul sobre Moçambique e, por contágio, sobre Angola.

O slogan é tão forte e preenche tão bem os requisitos atuais do que se exige de um bom slogan publicitário que sobreviveu na memória coletiva e, por ocasião do lançamento da água “Frize”, o slogan foi recriado: “Primeiro prova-se; depois aprova-se”, como observou Andréia Galhardo.

“Tudo vale a pena se a alma não é pequena.” – Pessoa à frente do seu tempo

“Mensagem” é o único livro de poesia em português publicado por Pessoa. Sai no 1º de Dezembro de 1934, um ano menos 1 dia antes da morte do escritor, embora alguns exemplares já tinham sido impressos em Outubro, para que o livro pudesse concorrer ao prémio Antero de Quental. Prémio que acabou por vencer.

Embora o título original do livro fosse Portugal, Pessoa é influenciado por um amigo para optar por “Mensagem”, alegando que o nome “Portugal” se encontra “prostituído” no mais comum dos produtos. A Pessoa agrada-lhe a palavra mensagem, nomeadamente a partir da expressão latinaMens agitat molem, isto é, “O espírito move a matéria”, frase da narrativa de Eneida, de Virgílio, proferida pela personagem Anquises quando explica a Enéias o sistema do Universo.

O livro é composto por 44 poemas e enaltece o glorioso passado de Portugal,  procurando encontrar um sentido para a antiga grandeza e a decadência existente na época em que o livro foi escrito.

São apontadas as virtudes portuguesas e defende que o país deverá “regenerar-se”, ou seja, tornar-se “grande” como foi no passado, através da valorização cultural da nação.

fccc

 

 

 

 

 

 

Última fotografia de Pessoa (da autoria de Augusto Ferreira Gomes)

Fonte: Casa Fernando Pessoa

1 PESSOA, Fernando,  Publ. in Revista de Comércio e Contabilidade, nº 1. Lisboa: 25-1-1926. (Excerto da primeira publicação)

2 Andréia GalhardoFaculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Fernando Pessoa (UFP), do Porto, no artigo “Sobre as práticas e reflexões publicitárias de Fernando Pessoa”

carta4

Cerca de 20 incêndios consumiram 25.633 hectares no Alto Minho em dez dias

Em comunicado, aquela estrutura, que congrega os dez concelhos do distrito de Viana do Castelo, adiantou que aqueles fogos florestais consumiram “12% da floresta existente no território do Alto Minho”.

Segundo os dados preliminares já enviados ao Governo, os incêndios que afetaram a região, em agosto, “consumiram cerca de 4.500 hectares do Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG), cerca de 14% da área total” daquele parque, classificado como Reserva Mundial da Biosfera desde 2009.

Já na área protegida de Corno de Bico, em Paredes de Coura, arderam 157 hectares.

“Face a estes dados preliminares, e quando comparados com as estatísticas anuais disponibilizadas pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), a área ardida no Alto Minho (…) é a maior dos últimos três anos”, sustentou a CIM do Alto Minho.

Aquela associação de municípios acrescentou que a área ardida este ano “é superior ao total da área ardida registada em 2010 (segundo pior dos últimos 15 anos) e pouco inferior à de 2005, o pior ano de que há registo no território”.

Os dez autarcas da região defendem que, face “aos valores muito elevados de área ardida, devem ser “tomadas medidas de emergência ao nível da estabilização e reabilitação, da erosão de solos, movimentos de massas e vertentes, cheias e inundações e invasões biológicas por espécies lenhosas cuja regeneração é favorecida pelo fogo”.

A CIM do Alto Minho adiantou “ter já apresentado ao Governo um Programa de Ação Integrado para o Desenvolvimento Florestal do Alto Minho, a implementar até 2020”, bem como “diversas medidas de curto prazo orientadas para estabilizar e minimizar o atual cenário de calamidade ambiental”, a candidatar ao Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR) e ao Programa de Desenvolvimento Rural (PDR) 2020.

“Os autarcas do Alto Minho não reclamam o que é preciso para a floresta, mas, antes de mais, que precisam da floresta para garantir as condições básicas para o desenvolvimento e coesão territorial suportada numa lógica de reforço das condições naturais de resiliência do território”, sustentou a CIM em comunicado.

De acordo como dados revelados pela CIM, que integra os concelhos de Arcos de Valdevez, Caminha, Melgaço, Monção, Paredes de Coura, Ponte da Barca, Ponte de Lima, Valença, Viana do Castelo e Vila Nova de Cerveira, “mais de 50% do território está classificado como área natural ou seminatural e mais de 60% como espaços florestais, dos quais 44% são não arborizados”.

O setor florestal “assume uma elevada importância no território, dado que 10% do volume de negócios anual na região Norte (Indústria Madeira e Mobiliário [4%] e Industria Pasta de papel e Cartão [79%]), advém das atividades desenvolvidas no Alto Minho”, adiantou.

ABYC // JLG

Lusa/Fim

EMPRESAS