“O desafio será sempre conseguir ler o Mercado, ouvi-lo e perceber em que é que podemos ser Úteis”

É precisamente esta utilidade que, Tânia Castro, Diretora Geral da TPMc, promete aplicar no mercado face aos desafios, metas e oportunidades a alcançar em temas como investimentos, internacionalização ou Vistos Gold. Saiba de que forma, perante todas as mudanças e adversidades, a marca continuará a auxiliar investidores estrangeiros a fixar negócio na Madeira e no resto do país.

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Sendo a TPMc uma Management Company – estatuto reconhecido pela SDM (Sociedade de Desenvolvimento da Madeira) e Governo Regional – tem vários setores operacionais de apoio a clientes e investidores nacionais e internacionais. Tendo uma posição vincada no mercado, qual é a meta que ambiciona ver cumprida para o ano de 2022?

Continuando o mercado internacional ainda muito influenciado com a pandemia e com a falta de estabilidade económica, para 2022 os nossos principais objetivos são a contínua manutenção de todos os postos de trabalho e a iniciativa em outros nichos de negócio. Nomeadamente no apoio direto a novos residentes em Portugal.

Sabe-se que o mercado e, consequentemente os inúmeros setores de atividade, estão em constante evolução. Com uma visão centrada na atualidade, quais foram, para si, as transformações que mais impactaram os investimentos em Portugal?

Sem sombra de dúvida que os últimos dois anos forçaram todos os setores de negócios a inúmeras adaptações. Mas também trouxeram muitas novas oportunidades de negócio. Nos últimos meses temos assistido a um cada vez maior número de estrangeiros a deslocalizarem a sua residência e negócio para a Madeira (também por conta da atualização legislativa que houve no início do corrente ano ao nível do Visto Gold), mas também por um cada vez maior reconhecimento da Ilha da Madeira em especial, e de todo o Portugal em geral, como uma região pacífica, estável, com qualidade de vida, com estruturas reconhecidas ao nível do ensino e da Saúde – o que neste momento acaba por ser muito preponderante quando se escolhe o local para viver, constituir e criar família.

Portugal tem, até então, atraído investidores do mundo todo e programas como o Golden Visa estimulam a vinda de estrangeiros que querem investir e/ou viver no país. Tendo em conta o sucesso conhecido deste programa, na sua perspetiva, o que tem representado para Portugal nos últimos anos?

Para a população em geral que não está direta ou indiretamente ligada ao tema dos vistos Gold pode até parecer que não houve qualquer alteração. Mas para todo o setor ligado aos serviços, nomeadamente de consultores, advogados, bancários e imobiliários que nos últimos anos têm trabalhado com este tema, posso com toda a certeza afirmar que este tema é de extrema importância para Portugal. Ao longo dos últimos anos temos assistido a diversos investimentos de capitais estrangeiros no setor hoteleiro, revitalizando hotéis que não tinham qualquer expetativa de continuar a atividade, restaurantes e pequenos negócios locais, a aquisição de moradias e apartamentos o que contribuiu para uma também revitalização do setor da construção e do setor imobiliário – criando mais empresas e mais emprego. Também não podemos esquecer todos os setores que ganham indiretamente, restaurantes, transporte de passageiros, agências de viagens, lojas comerciais, bancos – já que todo o consumo local é incentivado e beneficia com estes investimentos. Logicamente que a pandemia da Covid-19 abrandou este processo, mas neste momento assiste-se a um novo ciclo económico com tendência para um grande crescimento.

A 1 de janeiro deste ano, as regulamentações do Golden Visa foram alteradas de forma a impulsionar o investimento nas áreas de baixa densidade populacional do país, aliviando a pressão das regiões metropolitanas. Considera que, apesar destas mudanças significativas, Portugal ainda é uma alternativa interessante para quem deseja investir no país? Quais os motivos?

Considero que estas alterações legislativas vieram dar uma nova força ao investimento. Posso lhe confirmar que na Madeira, onde somos mais presentes, assistimos a uma nova corrente de investimento quer em termos imobiliários, quer em termos de deslocalização dos empreendedores e respetivas famílias. O objetivo desta alteração é que este aumento da procura também se reflita nas zonas mais interiores de todo o País.

Uma das justificações para a restrição do investimento imobiliário nas grandes cidades portuguesas é o impacto do mesmo no mercado – cidades como o Porto e Lisboa viram-se «esvaziadas» das suas populações, dando lugar a turistas. Quais serão, a partir de agora, os desafios esperados?

O investimento comercial nas grandes metrópoles portuguesas pode continuar. E é facto que continua. E esta é também a oportunidade para desenvolver outras partes deste grande País que aparentemente estavam esquecidas. O desafio é e será sempre fazer acompanhar com as grandes condições que tem o nosso País também boas condições fiscais. Que façam com que empresários internacionais tenham cada vez mais razões para fixarem a sua base em Portugal. É para isso que o Governo tem de trabalhar, já que com melhores condições a base taxável também aumenta e o Estado Português também beneficia.

Considera que existe, de facto, um ecossistema no interior do país e em particular na ilha da Madeira, que permita a concretização de oportunidades de investimento? Na sua perspetiva, que oportunidades de investimento poderão existir?

Sem sombra de dúvida que sim. Veja-se o exemplo da Madeira, que neste momento começa a atrair cada vez mais comunidades estrangeiras. Temos cada vez mais pedidos para vistos de residência, incluindo o visto Gold. Está já criada uma base tecnológica de trabalhadores, os chamados nómadas digitais, onde existe inclusive uma lista de espera para participar. Muitos europeus jovens a fixarem-se na ilha, principalmente do norte da Europa. Mas devo dizer que também do Reino Unido e Estados Unidos da América. Não é difícil de perceber a razão. A Madeira é poliglota no que diz respeito a línguas estrangeiras, temos excelentes condições de vida, o clima é ameno, o regime fiscal atrativo, excelentes condições de comunicação, voos semanais diretos para todas as capitais europeias e o custo de vida e muito abaixo das principais cidades do Mundo. Temos escolas Internacionais, possibilidade de viver à beira mar e várias clínicas e hospitais privados. A pandemia também ajudou muita gente a perceber que afinal o local onde vivemos é de extrema importância.

No que diz respeito ao Estatuto de Residente Não Habitual – que reúne um conjunto de vantagens fiscais para profissionais estrangeiros -, considera que continua a ser uma opção interessante para os mesmos? As mudanças que ocorreram não são entraves significativos nem abalam as vantagens competitivas de Portugal?

O Estatuto de RNH continua a ser de extrema importância, principalmente para empreendedores e consultores, artistas e reformados. Não houve nenhuma alteração significativa que pudesse alterar a importância destes benefícios e que continuam a atrair muitos empreenderes nas mais diversas áreas.

Num contexto de crescente globalização, os mercados externos são, cada vez mais, fundamentais para a definição e implementação de uma estratégia que permita o sucesso das empresas. Tendo em conta o atual panorama do mercado, como se encontra a internacionalização empresarial em Portugal?

Começa novamente a estar em franco desenvolvimento e recomenda-se. Tanto os empresários portugueses continuam a expandir os negócios além-fronteiras como temos cada vez mais investidores externos a olhar para Portugal como uma base segura para fixar o seu negócio. Vivemos num mundo global e os portugueses já se aperceberam disso. A Madeira neste momento está a investir no mercado da tecnologia e comunicações – prova disso tem sido também o investimento e a posição de destaque que o Governo Regional tem dado a estes temas, com várias conferencias, Webinars e artigos sobre o tema. Adicionalmente a isso um dos grandes objetivos passa também por tornar a Ilha mais consciente ao nível das energias renováveis, com vários programas de auxílio já em vigor. A Ilha é profícua em atrair visitantes que acabam por se estabelecer cá e podemos aplicar esta mesma visão ao País como um todo.

De que forma a TPMc tem apoiado, ao longo dos tempos, investidores nacionais que pretendem integrar mercados estrangeiros, mas também cativar investimento internacional para Portugal? Os próximos meses serão tempos de adaptação?

Ao longo dos últimos 28 anos temos auxiliado imensos investidores estrangeiros a fixar negócio na Madeira e no resto do País. Desde os formalismos mais básicos como as inscrições na AT (Administração Tributária) até à constituição das sociedades, feitura da contabilidade, emissão de faturas, acesso a fundos EU, recrutamento e seleção de pessoal, auxílio na busca de escritórios. Temos também cerca de 30% dos nossos clientes Portugueses a internacionalizar. A nossa função é na prática, agilizar as burocracias, encontrar parceiros de confiança nos mercados target, gerir a parte legal, contabilística e financeira e harmonizar tudo isso com o contexto português de estrutura de grupo.

O objetivo da TPMc é, e será sempre, servir o cliente e suprir as suas necessidades. Assim, qual é o papel que a marca vai assumir perante todas as alterações no mercado, uma vez que conta com a experiência necessária para criar soluções adaptadas à atualidade?

O nosso maior objetivo neste momento é flexibilizar os setores e as equipas. Com o mercado tão dinâmico como está ao nível das necessidades, temos de ter capacidade para nos adaptarmos às especificidades dos nossos clientes. Que neste momento vão desde o típico e simples consultor individual que vem para a Madeira trabalhar oriundo de fora de Portugal e que necessita dum visto, dum NIF, duma conta bancária, de contabilidade e de orientação sobre como o País está regulamentado e quais as obrigações e timings. Até o grande empresário com várias estruturas societárias que precisa conhecer o sistema fiscal de vários países e como se complementam com o Português. Daí termos já criado dentro do Departamento Legal um setor para Vistos de Residência, Vistos Gold e Representação fiscal. Também criámos dentro do Departamento administrativo um setor de recrutamento e seleção de pessoal e um departamento de auxílio a registos públicos para bens móveis e imóveis. O desafio será sempre conseguir ler o mercado, ouvi-lo e perceber em que é que podemos ser úteis.