“A Sagaci Research é a empresa de pesquisa com Maior Presença em África”

João Terlica, Managing Director da Sagaci Research, conversou com a Revista Pontos de Vista no sentido de explorar mais aprofundadamente o tema dos Estudos de Mercado, bem como conhecer o posicionamento da marca na Lusofonia. Conheça tudo.

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A Sagaci Research é uma marca de pesquisa de mercado em África e com escritórios ainda em Barcelona, Paris e Hong Kong. Assim, com uma experiência internacional alicerçada com o conhecimento local, quais diria que são os fatores diferenciadores da empresa no seu setor?

A combinação da experiência técnica de estudos de mercado com o conhecimento do contexto local, uma aposta muito forte na adaptação de metodologias que funcionem nas realidades económicas dos países e a aposta na recolha primária de informação, são três dos fatores diferenciadores da nossa oferta. África era um mercado “pouco servido” no que dizia respeito a pesquisas de mercado ao longo do continente. Muitos países/ mercados eram pequenos e, per si, pouco interessantes do ponto de vista do negócio. O facto de nós trabalharmos muitos países de forma integrada trouxe outra perspetiva. Por outro lado, desenvolvemos uma oferta muito pragmática e adaptada a África e com uma forte componente tecnológica, diferente da abordagem mais “tradicional”.

Desde empresas multinacionais a players locais, centenas de organizações confiam na Sagaci Research para as ajudar a medir, entender e expandir os seus negócios. De que forma, através das suas soluções, a marca impulsiona o crescimento dos seus clientes?

Dois pilares da nossa oferta de estudos. Por um lado, o conhecimento profundo do consumidor e, por outro, a medição da realidade nos pontos de venda. Para o conhecimento do consumidor, a nossa oferta assenta em painéis de consumidores que contribuem diariamente com inquéritos sobre consumo e preferências. Estas comunidades de consumidores e o diálogo gerado são a base para responder às questões a que os nossos clientes procuram dar solução. Atualmente temos cobertos cerca de 30 países em África com uma comunidade de cerca de 200.000 consumidores, alcançando assim uma representatividade da população nos vários países. Também apostamos em algumas áreas vencedoras como as análises do retalho. Nesse âmbito, proporcionamos aos nossos clientes uma visibilidade muito clara sobre o desempenho das suas marcas nos pontos de venda, quer no mercado formal, quer informal. Temos censos e auditorias que mapeiam pontos de venda em cidades inteiras ao detalhe. Isso permite aos clientes terem um conhecimento completo e em tempo real do seu desempenho e, com isso, poderem desencadear reações rápidas e muito mais efetivas.

O setor de pesquisa e estudos de mercado permite planear e analisar dados e insights. O seu objetivo é gerar conhecimento sobre um mercado e o seu público, identificar oportunidades e reduzir o risco na tomada de decisões. Para melhor entender, face às constantes transformações do mercado, como se encontra atualmente este setor?

O setor está em constante evolução. Distinguiria dois tipos de motores que levam a esta evolução. Por um lado, a realidade do negócio dos nossos clientes evolui naturalmente pela necessidade de inovação e pela preocupação constante com a adaptação das suas ofertas aos gostos locais. Por outro lado, a indústria de estudos de mercado também evolui integrando possibilidades tecnológicas, tanto na recolha como na análise e disseminação dos dados. A evolução que deriva das necessidades dos nossos clientes leva a que a velocidade de resposta seja cada vez mais necessária. A inovação em produtos de consumo é impressionante, com versões adaptadas aos vários segmentos de clientes. Todos estes lançamentos de novos produtos passam normalmente por algum tipo de estudo para validar a sua aceitação antes do lançamento. No que respeita à indústria de estudos de mercado em si, assistimos à evolução tecnológica que permeia toda a sociedade. Ressaltaria o uso generalizado de smartphones como última grande mudança de paradigma. Nos últimos dez anos a penetração de smartphones é generalizada, inclusive em indivíduos com baixo nível de rendimento. É difícil apreciar a magnitude desta mudança quando vivemos rodeados por tecnologia e acostumados a estar conectados desde antes da existência de smartphones. Relembramos que o iPhone foi introduzido em 2007 e atualmente existem cerca de seis mil milhões de dispositivos mundialmente, para uma população de cerca de sete mil milhões. Para a indústria de estudos de mercado esta evolução permite um canal direto de diálogo com o consumidor. Em países de África, esta evolução é especialmente relevante porque o nível de conetividade anterior era relativamente baixo. Estas duas grandes tendências levam a que a indústria de estudos de mercado esteja em constante adaptação para encontrar formas de trazer insights de uma forma mais rápida e eficiente. Se há poucos anos fazíamos entrevistas em pessoa ou por telefone, hoje em dia recebemos milhares de respostas a inquéritos online em dois dias.

Em que medida, o mesmo, é fundamental para quem pretende exportar, internacionalizar-se, investir e procurar os melhores canais de Trading no exterior?

Para os nossos clientes, sobretudo empresas de grande consumo, a internacionalização é um processo que pode assumir várias configurações. Desde a simples exportação de produtos, diretamente ou através de distribuidores, até a uma presença local com fábricas, canais de distribuição, entre outros. Este processo é dinâmico e não necessariamente num só sentido. Numa fase inicial as empresas que buscam internacionalizar-se buscam novos mercados para os seus produtos. Neste processo de expansão algumas empresas continuam a evoluir, tanto por aquisição como criação de negócios com parceiros locais, assumindo uma identidade própria local. Finalmente, em alguns casos, o que eram inicialmente mercados de exportação tornam-se numa fonte de inovação fundamental em produtos e oferta nos vários mercados onde a empresa está presente.

Considera que, atualmente, os estudos de mercado são suficientemente reconhecidos como uma ferramenta essencial para identificar oportunidades de negócio? Neste sentido, o que urge estabelecer?

Sim, os estudos de mercado são uma ferramenta essencial e estabelecida nas grandes empresas, quer exista um departamento dedicado, quer estejam integrados na direção de marketing e/ou comercial. Os tipos de estudos evoluíram, sobretudo com as possibilidades tecnológicas que temos disponíveis. O exemplo mais paradigmático tem sido a migração para entrevistas online versus telefónicas ou cara a cara nos últimos anos. A questão não é tanto o reconhecimento ou não da necessidade de estudos, mas uma questão de custo e tempo. A tomada de decisões nunca é perfeita, os clientes buscam um estudo suficiente para uma decisão razoavelmente segura, não perfeita.

Tendo em consideração o valor que os estudos de mercado acarretam ao mercado e às suas organizações, de que forma a Sagaci Research tem vindo a promover ainda um sentido de modernização e inovação das suas soluções?

O nosso posicionamento de especialistas em mercados onde tradicionalmente existe uma oferta de estudos limitada, devido à dimensão económica, leva-nos naturalmente a procurar a inovação. A inovação contínua e integrada é fundamental para dar resposta aos nossos clientes que buscam melhor informação, mais rápida e a um menor custo. Desde grandes apostas, como a recolha de informação primária por smartphone através de comunidades de consumidores, a pequenas formas de trabalhar que melhorem a eficiência e qualidade, fazemos um esforço contínuo de evolução. Por exemplo, estudos que tradicionalmente demoram um mês a realizar, devido ao processo de recolha de informação, hoje em dia conseguimos reduzir este período a dois dias. Adicionalmente, a forma atual de comunicar com o consumidor abre novas possibilidades. Se tradicionalmente num inquérito ao consumo fazíamos perguntas clássicas, hoje em dia podemos pedir fotos, vídeos, descrições muito mais ricas do dia a dia dos consumidores, expandindo com isto a riqueza dos resultados dos estudos.

Para terminar, qual continuará a ser o posicionamento da Sagaci Research no seu setor de atividade, bem como na Lusofonia? Que novidades e projetos estão a ser desenhados para o futuro?

A Sagaci Research é a empresa de pesquisa com maior presença em África e queremos continuar a reforçar essa nossa posição e acompanhar o crescimento dos mercados. Continuaremos a desenvolver a nossa operação onde já nos encontramos e entraremos noutros países que sejam relevantes para os nossos clientes. Continuaremos a desenvolver a nossa missão, em que nos propomos a fornecer serviços de market research desenhados especificamente para o mercado africano, sempre com standards internacionais em mente. A qualidade de execução será sempre algo que não comprometeremos e manteremos sempre um controlo apertado sobre a qualidade de todo o processo de recolha, independentemente da técnica de recolha que utilizarmos. Continuaremos a investir fortemente nas nossas equipas locais. Atualmente, contamos com cerca de 120 colaboradores de diversas nacionalidades e backgrounds, espalhados por todo o continente. O que esta equipa tem em comum é que todos nós partilhamos uma paixão por África e por conhecer as suas especificidades e acompanhar o seu desenvolvimento económico e social. Esse espírito irá sempre fazer parte da nossa essência.