Fabrimetal: Há 17 anos a colocar Angola no mapa dos grandes fornecedores de Aço

Há 17 anos nasceu uma marca, em Angola, que tudo faz para apoiar não só este mercado, como a vida de muitas famílias do país. Hoje, a empregar mais de 600 angolanos, a Fabrimetal é um fabricante líder em Varões de Aço, tendo contribuído para o rápido desenvolvimento de infraestruturas de Angola, eliminando a dependência da importação destes produtos. O Diretor-Geral da empresa, Luís Diogo, esteve à conversa com a Revista Pontos de Vista, onde explicou também que outro dos focos maiorais é promover princípios sustentáveis nesta atividade. Saiba tudo.

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Constituída em 2006, a Fabrimetal é uma empresa privada com sede no Polo Industrial de Viana, em Angola, a 25 quilómetros de Luanda, a cidade capital. Com inúmeros objetivos concretizados e conquistas somadas ao longo dos seus 17 anos de história, quem é hoje esta marca?

É acima de tudo uma marca angolana e que os angolanos conhecem bem. A nossa prioridade sempre foi e continua a ser a de disponibilizar ao mercado interno, uma gama de produtos de qualidade reconhecida internacionalmente, aproveitando as matérias primas do país e agregando valor acrescentado à produção nacional e, obviamente, a centenas de angolanos.

Cada vez mais presente nos principais mercados e integrando-se sistematicamente nos mercados locais, a Fabrimetal iniciou a produção comercial de varões FM TMT®, em Angola, em 2010 – e hoje é a fabricante líder destes mesmos varões. Com um conhecimento profundo do negócio, de que forma, a marca, tem reunido as melhores condições para dar resposta à procura crescente não só por varões de aço, como de barras e cantoneiras?

Efetivamente, percorremos um longo caminho desde o início das nossas atividades, em 2010, iniciando com uma capacidade mensal de 2500 toneladas, e crescendo para 15.000 toneladas hoje. Fizemo-lo num período de crise acentuada onde as dificuldades de importação eram enormes, crise financeira internacional, entre outras, criando uma alternativa à importação. Fizemos investimentos avultados em momentos em que outros estavam a desinvestir. Acreditamos no mercado e, acima de tudo, nas pessoas. Hoje, não obstante termos aumentado a nossa capacidade de produção de varão – o nosso produto “core” – alargamos a gama de produção que, até então, só chegavam ao mercado via importação.

Face à sua atividade, a Fabrimetal tem contribuído para o rápido desenvolvimento das infraestruturas do país, eliminando a dependência da importação de varões. Enquanto Diretor-Geral da empresa, quão gratificante e significativo tem sido o valor agregado que a Fabrimetal tem gerado à economia nacional?

Pessoalmente, tem sido muito gratificante e uma experiência enriquecedora, não obstante ter sido um caminho de muito trabalho e dedicação. Muita resiliência.

Mas, não só pelo valor agregado à economia nacional, que é um facto, mas também pela quantidade de pessoas que têm crescido connosco e que hoje têm lugares de responsabilidade na empresa. Mais de 50% dos lugares de direção são ocupados por quadros angolanos.

A Fabrimetal emprega hoje mais de 600 angolanos.

Além de impulsionar a economia de Angola, a Fabrimetal apoia, também, a crescente indústria da construção civil, reduzindo a poluição ambiental. Em que medida, a empresa, tem abraçado os princípios sustentáveis na sua atividade? Neste sentido, o que tem vindo a ser incrementado?

Estamos comprometidos com o ambiente e tudo fazemos para potenciar a economia circular, ajudando o Governo de Angola a cumprir com os ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável a que se propôs.

Começámos por incorporar no nosso processo produtivo, resíduos de metal “sucata ferrosa”, transformando-a em produtos de alto valor acrescentado para o país.

Introduzimos um sistema de extração e filtragem de fumos, gerados pelos nossos fornos onde derretemos o material ferroso, reduzindo de forma significativa a poluição atmosférica.

Do processo de derretimento dos metais, é gerada a “escoria” e para dar tratamento a este resíduo, fizemos recentemente um investimento em novo lote de terreno e em equipamento, para triturar a mesma, reutilizar uma pequena percentagem no nosso processo e do resto gerar um inerte puro que pode ser usado pela indústria de construção civil. Do processo de filtragem de fumos é gerado um pó químico, “partículas negras”, que fornecemos posteriormente a uma indústria local, que incorpora o mesmo na produção de mosaicos e azulejos.

Mas não fiquemos por aqui. A Fabrimetal orgulha-se, e muito, em recrutar e formar trabalhadores locais, contribuindo para o aumento da estabilidade financeira de muitas famílias. De que forma, ao dar formação de competências e capacitar a força de trabalho local, a empresa está a construir as fundações sólidas para um futuro forte e resistente?

Consideramos que os recursos humanos são o maior ativo que as organizações podem ter e, como tal, investimos em formação com vista ao empoderamento da mão de obra nacional. Sem pessoas qualificadas as empresas/organizações não conseguem progredir. Por outro lado, existe da nossa parte, uma responsabilidade social para com as pessoas e o país em si.

Mantemos, com regularidade, programas de estágios profissionais com algumas Universidades de renome no país.

Zacarias da Costa, Secretário Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), referiu, no fim de 2022, que “a CPLP se posicionou numa perspetiva global de interconexão e procura pelo desenvolvimento social e económico, proporcionando novas oportunidades de cooperação aos países e um quadro para a crescente mobilidade de cidadãos”. Como analisa a importância desta união na CPLP?

Eu digo que temos de fazer mais. A mobilidade de pessoas tem de avançar mais e ser efetiva, assim como o comércio de bens entre estes países não pode ter barreiras tarifárias e não tarifárias. A CPLP pode e deve constituir-se como um bloco económico fortíssimo, beneficiando as suas populações e gerando riqueza aos países. Temos de aproveitar um recurso único e importantíssimo que tomos temos, uma língua comum.

O Presidente Executivo afirmou ainda que, a constatação anterior, “é reforçada com o papel de Angola no exercício da presidência da CPLP (…), tornando os países mais atrativos aos investimentos e com maior capacidade de resposta às exigências dos mercados globais, bem como ultrapassar crises de conflitos que afetam o comércio internacional”. A par com esta afirmação, e sendo a Fabrimetal uma impulsionadora da economia na CPLP, qual diria que tem vindo a ser o papel e o potencial de Angola neste balanço?

Angola tem feito um feito um papel importante, nomeadamente na liderança da Conferência Internacional para a Região dos Grandes Lagos (CIRGL). Entendo que Angola pode ser um ator muito importante na dinamização da economia da CPLP e daí retirar ganhos substanciais para a sua economia.

Considera que a mobilidade continua a ser um dos grandes desafios para a Comunidade, sendo esta decisiva para uma maior aproximação entre os povos e aprofundamento da cooperação económica, bem como o enriquecimento da língua portuguesa e intercambio cultural e turístico? Que passos já foram dados na livre circulação dos cidadãos?

Penso que já estivemos mais longe de quebrar o obstáculo da mobilidade, todavia entendemos que devem ser feitos esforços adicionais com vista a materialização deste desiderato. Todos os países ficariam e, obviamente, todos os seus cidadãos veriam melhoradas as suas condições de vida. Mobilidade de pessoas e comércio sem barreiras.

Fazendo uma breve análise à situação Macroeconómica Global e aos seus desafios, sabemos que as perspetivas da mesma sofreram uma desaceleração em grande medida devido à invasão da Ucrânia pela Rússia e também resultante da catástrofe em que os sismos deixaram a Turquia e a Síria. Que impacto este facto tem tido na economia global e que exigências existem, agora, nos mercados, nomeadamente no angolano?

Os impactos económicos foram enormes, nomeadamente na cadeia do “Suplly Chain”, e o mercado angolano não ficou de fora.

Agora é necessário que existam condições para o estabelecimento da paz, de forma a evitar mais perdas de vidas humanas e se permita que a economia possa “renascer”. Com o estabelecimento da paz podem surgir oportunidades importantes para Angola, pois pode ser um player importante no fornecimento de produtos para a reconstrução que será necessária.

Recentemente tivemos os sismos na Turquia e Síria, que lamentavelmente afetaram muitas vidas. A Turquia tomou a decisão de nao exportar mais produtos siderúrgicos, durante determinado período, nomeadamente Varão de Aço, de forma a poder fornecer internamente as necessidades existentes, fruto do desatre sísmico. Ora, também aqui pode estar uma oportunidades na medida em que a Turquia é um player importante no fornecimento de produtos, nomeadamente siderúrgicos, para a Europa e África.

Com a economia global a atravessar um período de turbulência, a criação do AfCFTA (Zona de Comércio Livre Continental Africana), representa uma importante oportunidade para ajudar os países africanos a diversificarem as suas exportações, acelerarem o crescimento e atraírem investimento direto estrangeiro. Acredita que, apesar dos desafios sentidos atualmente, isto faz com que a economia angolana seja cada vez mais aberta ao mundo? Que vantagens advêm desta iniciativa?

Definitivamente que sim. Irá acelerar o investimento e a atração de investimento estrangeiro, pois o comércio será feito de forma mais fácil e com menos barreiras alfandegárias.

Tal como referi para a CPLP, a ZCLCA irá trazer imensas oportunidades aos seus aderentes, todavia entendo que no caso de Angola, o setor privado deve ser mais integrado neste dossier de forma a poder melhor preparar-se para os desafios que virão.

O mundo muda à velocidade da luz e aquilo que é hoje pode não ser amanhã. Assim, que tendências acredita que marcarão o setor em que a Fabrimetal se insere, durante este ano? Será este um bom ano para a indústria?

Estou de certa forma otimista no que respeita ao mercado interno, não obstante os dois primeiros meses do ano terem ficado muito aquém do esperado.

Existem muitos projetos ao nível de infraestruturas e como tal, acredito que no segundo timestre a execução seja mais efetiva, e daí poder ainda ser um bom ano para a indústria. Se for bom para a indústria nacional, será certamente para as populações, na medida em que o setor da indústria gera muito emprego.

Que novidades a Fabrimetal trará ao mercado, por forma a continuar a oferecer uma alternativa à importação, de elevada qualidade e a preços mais competitivos?

A Fabrimetal irá proporcionar sempre produtos de qualidade feitos em Angola, para os Angolanos, usando na sua maioria os recursos existentes no país.

Além do varão do Aço, já iniciámos a produção de Cantoneiras, Barras Retangulares e nos últimos meses iniciámos a produção de Perfis U e I até a secção 140, todos com seis metros.

Pese embora, estarmos a verificar uma fraca absorção no mercado interno, acreditamos que a mesma irá aumentar, mas estamos também a procurar mercados externos para colocar este produto de grande valor acrescentado.

Atendendo ao que prevemos serem os consumos / necessidades de Aço nos mercados internacionais, vamos avançar com a implementação de uma nova unidade siderúrgica, de ultima geração, que irá focar-se apenas no mercado de exportação e certamente irá colocar Angola no mapa, dos grandes fornecedores de Aço a nível internacional.

2023

Por fim, qual é, para si, a palavra que irá marcar o ano de 2023 na atividade da Fabrimetal perante o mercado? Por que motivo?

Para a Fabrimetal, será um ano de muito trabalho e com muitas frentes. Queremos reiterar que continuamos comprometidos com Angola e com os Angolanos.